Cap 23 – Lágrimas da lua.

O coração se despedaça. Uma punhalada certeira nas esperanças do garoto. Ele nunca havia sentido tanta raiva em sua vida. Sentia-se um completo idiota, um trouxa que foi facilmente enganado, e da pior maneira.

"Eu não vou perdoar. Não posso perdoar isso." – entrando no quarto. – "Ela só estava brincando comigo, fingindo como sempre. Traidora! Como ela pode fazer isso?! Depois de tudo o que eu fiz por ela! Como?!" – da um murro na parede. Bate com tanta, TANTA força que a mão sangra. Fica um tempo parado lá. O sangue escorre um pouco pela parede. Ele senta-se na cama, cabisbaixo, com os braços apoiados nas pernas e uma das mãos sobre os olhos. – "Por que Rukia? Por que você fez isso?" – uma lágrima cai. Depois outra, e outra, sem pararem. É, aquela chuva gelada havia voltado mais uma vez.

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Eles abrem os olhos. Renji afasta-se um pouco, com o olhar perdido.

- Me perdoe. Talvez seja egoísmo meu, mas...Eu não quero que as coisas entre a gente mude...Quero continuar sendo deu ombro amigo, sempre que você precisar. – um pequeno sorriso triste forma-se em seus lábios.

- E-eu também não quero deixar de ser sua amiga! – gagueja um pouco. – Nós sempre estivemos juntos e eu não quero que isso mude. – com lágrimas nos olhos. O shinigami novamente enxuga os olhos dela.

- Rukia, me prometa uma coisa. – disse sério.

- O que? – encarando-o.

- Me prometa que você vai ser feliz. – encara-a docemente. A garota surpreende-se um pouco.

- Vou tentar. – da um pequeno sorriso.

- Tentar não! Você VAI ser! – franzindo a testa.

- Está bem. Eu prometo. – da um largo sorriso.

- Assim que se fala! – sorri. – Agora, com licença, pois o bar me aguarda. – vira-se e sai andando.

- Renji! – gritou, fazendo-o se virar. – Me prometa que você também vai ser feliz! – ainda gritando. O rapaz sorri e volta a caminhar.

- Pode deixar! – acenando de costas.

Ele já não estava mais ao alcance da vista da garota. O sorriso começa a sumir de seu rosto. Rukia sente seu corpo ficar mais pesado a cada segundo. Seria por causa da culpa? Talvez. Mais havia muitos outros sentimentos também. Um aperto no peito, os olhos marejados novamente. Por que as coisas tinham que acontecer desse jeito?! Não parava de repetir essa pergunta em sua mente. Ela deixa seu corpo cair sobre a areia branca, encolhe-se e começa a chorar, tendo apenas a lua como testemunha.

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Inoue estava feliz. O brilho havia voltado aos seus olhos e o sorriso aos seus lábios. Ainda havia uma esperança! Agora o caminho estava livre, ela não tinha mais que se preocupar em machucar uma amiga, pois Rukia estava com Renji. Era isso que ela achava.

Ela andava alegremente pelo meio da festa, até que escuta alguém chamá-la. Olha para trás e vê Tatsuki acenando de uma mesa. Corre até lá e senta-se ao lado da amiga.

- Nossa Orihime! Você parece tão feliz de repente. O que aconteceu? – perguntou curiosa.

- Tatsuki-chan, eu estou muito feliz mesmo! – com um sorriso de orelha a orelha. – Eu ainda tenho uma chance! Ainda tenho esperanças com o Kurosaki-kun! – dizia transbordando de alegria.

- O que?! – perplexa. – De onde você tirou essa idéia?!

- Agora eu tenho certeza de que a Kuchiki-san não corresponde os sentimentos do Kurosaki-kun. E acho que agora talvez ele me de uma chance de conquistá-lo. – ainda sorrindo.

- Orihime. Eu não faço a menor idéias do que te fez achar isso, mas é melhor você esquecer essa idéia. – diz seriamente.

- Por que você diz isso? – pergunta a ruivinha, surpresa.

- O próprio Ichigo já te disse que ama a Kuchiki. Não importa se ela o corresponde ou não. Além de que eu duvido, e muito, de que ela realmente goste de outro. – encarando-a.

- Tatsuki-chan, você nem sabe o que aconteceu! Eu vi com meus próprios olhos que a Kuchiki-san gosta de outro. E tenho certeza que depois do que aconteceu o Kurosaki-kun não vai mais pensar nela! – irritando-se.

- Você não entende?! Será que já não sofreu o bastante?! Por acaso quer levar outro fora do Ichigo, pra só então se convencer de que ele não gosta de você?! – gritando.

- Você não tem porque me dizer isso! Nós somos amigas, não somos?! Supõe-se que você deveria me apoiar! – grita também.

- Justamente por ser sua amiga que digo isso! Não quero te ver sofrer mais! Principalmente porque depois é no MEU ombro que você vem chorar! – irritada.

- Pois bem! – levanta-se bruscamente. – Não irei nunca mais chorar no seu ombro! E vou te provar que posso SIM conquistar o coração do Kurosaki-kun! – sai danando pesadamente.

Tatsuki ficou lá sentada, com as mãos apoiadas nas mãos. Sim, ela havia exagerado. Mas Inoue não ficava atrás. Nunca tinha imaginado que a ruivinha fosse tão cabeça dura, e o pior de tudo é que isso a faria apenas sofrer outra desilusão. Estava se sentindo péssima. Brigando com a melhor amiga quem não ficaria, não é? Ela resolve deixar o bom senso de lado e vai para o bar, juntar-se a Keigo e Renji, que estavam tomando todas.

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Renji já estava longe de Rukia. A cada passo que dava sentia um buraco abrir-se em seu coração. Lágrimas insistiam em se formarem em seus olhos, e ele insistia em enxugá-las antes mesmo que pudessem cair, nem uma se quer. Não havia nada que pudesse ser feito, ele já a havia perdido. Perdido sem nem se quer ter tido uma chance de lutar. Mil coisas passavam por sua cabeça, mas uma pergunta estava cravada em sua mente. Como seriam as coisas se ele nunca tivesse deixado Rukia partir aquela vez? Se ela nunca tivesse entrado para a família Kuchiki? Com certeza seria tudo muito diferente. Totalmente diferente. Mas agora isso já não importava mais, porque ele havia perdido a sua estrela. Ele senta-se em um banquinho na frente do balcão do bar e pede uma bebida. Toma-a em questão de segundos e logo pede outra. Ele iria encher a cara, para tentar esquecer tudo. Que consolo melhor do que a bebida e uma boa briga? Era isso que sempre escutava de Ikkaku. Mas como não havia nenhum bom adversário por ali, só lhe restava a bebida. Seu olhar era vago e distante, como se estivesse em outro planeta. Até que uma voz desperta-o de seus devaneios.

- Abarai? – perguntou Keigo. – O que aconteceu? Você está no mundo da lua cara? – sentando-se no banco ao lado do dele.

- Nada não. Apenas pensando na vida. E você? – encarando-o.

- Ah! Eu vim pegar uma bebida para a...

- Ótimo! – interrompe-o. – Então você vai beber comigo! – sorri alegremente ("alegrinho" por causa da bebida XD).

- Calma ai cara. Eu sou menor de idade... – tentando fugir da situação.

- E daí? Quem liga para isso? - T.T - Deixa de frescura e bebe logo! – passa um copo para ele. – Você é um homem ou é um rato? – desafiando-o.

- Claro que sou um homem! – ò.ó Keigo pega o copo e bebe rapidamente.

- É assim que se faz! – Renji sorri e da uns tapinhas nas costas do outro.

Keigo olha para trás e vê Tatsuki conversando com Inoue na mesa. Parece que ela havia esquecido da bebida que pediu a ele. Beleza! Ele iria aproveitar essa chance. Pega outro copo e levanta-o.

- Saúde! – gritou alegremente. O Shinigami faz o mesmo.

- Saúde! – os dois batem os copos e bebem tudo em uma virada só. Logo Tatsuki chegou e sentou-se com ele, parecendo brava.

- Tatsuki? O que aconteceu? – perguntou Keigo, encarando-a.

- Eu briguei com a Orihime. – explicou.

- Brigou por quê? – perguntou curioso.

- Não me enche! – disse tomando o copo da mãe dele e bebendo tudo em seguida. – Nós vamos encher a cara! – disse decidida, batendo ruidosamente o copo no balcão.

- É isso ai! – gritaram alegremente os dois rapazes, em uníssono.

30 minutos depois

- Agela baka da Urihime! Ela ge muitu bubinha. Zó vai zufre mais aguinda. – dizia Tatsuki, balançando um copo vazio pra lá e pra cá.

- Num he só hela. A Rukia tumbém é uma boba. Fica currendo gi nem tunta atráz dagele punk igiota do Idigo...Agele feioso num merece uma garuta magavilhosa como hela. – continuava Renji, ainda bebendo.

- Heu pricisu de uma namuradaaaaaa!!!!!!! Num acuento maiz eza solidãu! Deeeeeeuz! Mi arruma uma muié!!!!!!!!! - choramingava Keigo, debruçado em cima do balcão. Chad e Ishida apenas assistiam a plena decadência dos amigos.

- É melhor vocês pararem, beber assim não faz bem a saúde. – disse Ishida.

- Hala a boca!!! – gritaram os três, em uníssono.

- Vamos levá-los daqui. - disse Chad calmamente, como sempre.

- Acho que é a melhor solução. – mega gota.

Chad carrega Tatsuki e Keigo até seus respectivos quartos, pois mais pareciam Marias Moles de tanto que haviam bebido. Ishida tentava de todas as maneiras arrastar Renji, que resistia de todas as maneiras.

- Isso é para o seu próprio bem! – gritava Ishida, puxando o shinigami.

- Vi soltah seu maluko! – protestava, agarrando-se no balcão.

- O único maluco aqui é você! – retruca irritado. – Pare de agir feito uma criança e me obedeça! – puxando-o com mais força.

- Heu num zo crianza! I vucê num he minha mãe pra vim te qui ti ubedecer! – agarra-se mais no balcão. – I grazas a deuz! Purge heu num quero ter uma mãe feia igual vucê! – gritava.

- O que você disse?! – berrava. – Como ousa insultar a beleza de um Quincy?! – indignado. – Jamais fira o orgulho de um Quincy! – furioso.

- Vucê zó zabi fla neze tal orgulho Quinzy... Vucê é bixa pur acazo? – encara-o de maneira desconfiada.

- COMO É QUI É?! – estourando. – Agora sim você vai ver!!! – pega uma garrafa e quebra-a com força na cabeça do shinigami, fazendo-o desmaiar. Ishida sai arrastando-o pela camisa, furioso, pelo hotel.

Finalmente os bêbados estavam entregues. Ichigo já dormia, jogado na cama e com as mãos enfaixadas. Rukia dormia agarrada ao seu travesseiro, e Inoue escondida debaixo do lençol. Logo Chad e Ishida também foram para o quarto dormirem.

O dia não demoraria a nascer, apenas algumas horas. Aquela havia sido uma noite longa pra todos, muito longa. Mas quando acordassem o que aconteceria? O que fariam? Como iriam encarar uns aos outros? Não sabiam. A única coisa da qual sabiam é que seria doloroso e difícil.

"Um após o outro, os minutos iam passando, e o relógio aproximando, a hora do adeus".

OWARI