Cap 26 – Enganos.
O que era tudo aquilo? O que diabos estava acontecendo? Se Rukia estava com Renji, então por que fico daquele jeito ao ver Inoue beijando-o? E por que ele correu atrás dela, sendo que estava tão magoado?
"Por que sou um idiota". Foi a única resposta que ele achou, ou que queria acreditar.
Ele chega no hotel. Não quis esperar os outros, por isso, logo que se recuperou do chute da shinigami pegou um táxi de volta. Logo estaria escurecendo.
Ele andava distraído pelo hotel, até que vê Tatsuki e vai falar com ela.
- Tatsuki! – chama-a. – Você viu a Rukia? – encara-a, preocupado.
- Sim, ela está no quarto. – respondeu. – Mas acho melhor você não ir lá... – aconselha.
- Por que? – sem entender.
- Você provavelmente é a última pessoa no mundo que ela quer ver agora. – diz friamente. A expressão no rosto do ruivo mudou. De preocupação para tristeza, uma profunda tristeza. – Ichigo...Ela me contou que viu você e a Orihime se beijando...O que aconteceu? – preocupada.
- Bem... – ele coçou a cabeça, sem graça. – A Inoue me beijou, nem tive tempo de reagir e a Rukia apareceu. – explicou.
- E o que você falou para a Orihime? – encarando-o.
- Disse para ela entender de uma vez que eu não a amo. – desviando o olhar.
- Entendo... – desvia o olhar também.
- Eu vou para o quarto. – disse virando-se.
- Tudo bem. – respondeu a menina.
Ele sove para seu quarto, mas antes de entrar fica observando a porta ao lado. Estava louco para entrar e esclarecer tudo com a shinigami, mas toda vez que pensava nisso a cena de Renji beijando-a vinha a sua mente. Ignora seus sentimentos e entra no quarto. Keigo estava dormindo todo esparramado na cama e babando. Ele pega uma roupa no armário e vai para o banheiro, nada melhor para esfriar sua cabeça do que um bom banho frio.
"A Rukia está com o Renji... não há nada que eu possa fazer sobre isso." – pensava, em baixo do chuveiro. – "Eu a amo mais do que tudo, mas ela não gosta de mim... Porcaria! E tudo o que a gente passou junto? Eu não quero me separar dela, não sei o que fazer sem ela ao meu lado..." – cabisbaixo. Ele sai do chuveiro, se enxuga e coloca a roupa. Keigo continuava dormindo do mesmo jeito. Ichigo liga a tv e deita-se na cama. Fica vendo um filme qualquer até que acaba adormecendo.
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Rukia continuava afundada em se travesseiro, pensando em mil coisas. Seu coração doía como nunca. Aquela cena não saia de sua cabeça. Ver sua melhor amiga beijando o garoto que você ama não é nada fácil. De repente alguém bate na porta.
- Rukia? – chama-a. – Posso entrar?
- Sim, Renji. –sem o menor ânimo.
- Vamos jantar? – pergunta entrando.
- Desculpa... – sentando-se na cama. – Não estou com fome...
- Você não parece bem... – senta-se ao lado dela. – O que aconteceu? – preocupado. Ela não responde, apenas abaixa a cabeça. – Seus olhos estão vermelhos...Você estava chorando? – encara-a.
- Não é nada...Eu estou bem... – diz baixinho.
- Como seu eu não te conhecesse. - ¬¬. – Anda, me diz o que aconteceu. – sério.
- Eu...Vi o Ichigo e a Inoue se beijando... – com a voz trêmula. – E a Inoue viu você me beijando outra noite... – fala em um tom baixo e triste. O shinigami fica surpreso, mas logo sua expressão muda.
- Me desculpo. Acho que acabei te criando mais um problema... – desvia o olhar.
- Ao contrário...Você é uma das poucas pessoas que consegue me animar... – da um pequenino sorriso. Renji da um longo suspiro e levanta-se.
- Bem, já que você não que descer para jantar eu vou te trazer algo para comer aqui. Não faz bem ficar tanto tempo sem comer. – diz já na porta, saindo do quarto.
Ele vai diretamente ao restaurante, pega o cardápio e escolhe aleatoriamente um prato, pedindo ao garçom para levar ao quarto (de algum jeito ele consegui se entender com o garçom XD), sem se quer notar a presença do resto do grupo ali. O garçom não demorou a chegar com duas bandejas em um carrinho (daqueles que se usa quando pede serviço de quarto, é que non me lembro do nome -.-'). Tatsuki, curiosa, foi falar com ele.
- Abarai. Pra que tudo isso? – apontando para o carrinho.
- É que a Rukia não está bem e não quer descer, por isso vou jantar com ela no quarto. – explica.
- Ah ta. Tente animá-la um pouco. – da um pequeno sorriso.
- Com certeza. – sorri também.
O shinigami vai com o garçom até o elevador. Ichigo, que havia descido há pouco tempo, junto de Keigo, estranhou aquilo.
- Hei, Tatsuki. Aonde o Renji vai com aquele garçom? – pergunta curioso.
- A Kuchiki não quis descer, por isso ele vai jantar com ela no quarto. – explicou.
Ichigo não gostou nada do que ouviu. Renji sozinho no quarto com Rukia? (ela dormia dentro do seu armário, sua mula ¬¬') Isso era algo no qual ele não queria nem pensar. Mas aqueles dois estavam namorando, não estavam? Ficarem sozinhos seria algo natural. O ruivo sentia-se impotente perante aquilo. Fica algum tempo parado, pensando, e depois da meia volta.
- Ichigo? Aonde vai? – perguntou Keigo, confuso.
- Eu perdi a fome... – disse sem se quer virar-se. Ele volta para o quarto.
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O garçom deixa o carrinho na frente do quarto e vai embora. Renji abre a porta e entra. Rukia estava sentada na cama, vendo qualquer coisa na tv. Ele coloca o carrinho ao lado da cama.
- Pronto. – anuncia. A garota tira a tampa de uma das bandejas para ver o que era. Tinha um cheiro delicioso.
- O que é isso? – pergunta curiosa.
- Não faço a menor idéia. – ele responde simplesmente. Uma grande gota forma-se na cabeça dela. A shinigami pega o garfo e tira um pedaço da carne, levando-o a boca.
- Acho que é peixe. – analisando. – Está uma delicia! – apreciou. Renji sorriu. Pegou a outra bandeja e sentou na cama ao lado, também começando a comer.
Depois de comerem os dois ficar vendo tv, sem falarem nada, apenas fazendo companhia um ao outro. Já era um pouco tarde. Rukia estava sentada, encostada na guarda da cama, e acabou adormecendo. Renji ajeita-a na cama e a cobre com um lençol. Agora, que olhara com atenção, percebeu que os olhos da garota estavam um pouco inchados. Ela devia ter chorado muito para eles terem ficado daquele jeito.
"Aquele imbecil do Ichigo vai ouvir umas boas!" – pensou irritado.
Foi para o quarto, pronto para brigar com o ruivo, mas ao entrar vê que ela já estava dormindo. Para não fazer u barraco o shinigami se acalma.
"Ah, mas amanhã ele não me escapa!" – jogando-se na cama.
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- Inoue-san, acho melhor vocês conversarem. – dizia Ishida. – Vocês são grandes amigas, não são? – olha para Tatsuki, que estava sentada em outra mesa com Chad e Keigo.
- Eu sei, mas...Não sei como falar com ela... – triste.
- Apenas diga o que você está sentindo. – sorri.
- Tem razão Ishida-kun. Vou falar com ela. – decidida. Ela vai timidamente até a outra mesa.
- Tatsuki-chan...Podemos conversar? – envergonhada.
- Orihime. – surpresa. – C-claro que sim! – gagueja. Ela levanta e vai, junto da ruivinha, para um lugar onde pudessem conversar a sós.
- Bem...Tatsuki-chan, eu... – começa.
- Me desculpe. – interimpe-a. – Eu...Exagerei naquela hora. Nem sei porque me estressei tanto...Desculpe-me por ter gritado. – diz tristemente.
- N-não! – gagueja desajeitada. – Sou eu quem tem que pedir desculpas... Fui uma boba. Não devia ter ficado daquele jeito, você só estava preocupada comigo...Desculpe. Eu sou uma péssima amiga. – cabisbaixa.
- Não diga isso Orihime. – sorri. – Você é minha melhor amiga e é claro que eu vou te perdoar, não importa o que aconteça. – abraça-a. A ruivinha retribui.
- Sabe Tatsuki-chan...Você estava certa... – diz baixinho. – O Kurosaki-kun me dispensou de novo... – triste.
- É, eu sei... – desvia o olhar. – O Ichigo me contou tudo... – explica. – E eu também conversei com a Kuchiki.
- Com a Kuchiki-san? – encara-a.
- Ela me explicou o que aconteceu com o Abarai... Ele a beijou, mas a Kuchiki o dispensou. – encarando-a.
- Então...Foi isso o que aconteceu? – aperta a saia entre suas mãos. O remorso, a culpa, a raiva de si mesma invadem seu coração. Como ela era uma boba, uma cega. Sem querer acabou magoando Rukia de novo. Não queria isso! Teria que consertar aquela situação de alguma maneira!
- Mas então... – interrompendo os pensamentos da ruivinha. – Eu notei que você anda bem juntinha co o Ishida... – diz com um sorrisinho malicioso nos lábios, o que fez Inoue corar violentamente.
- Bem... É que...Eu...Sabe...Ele... – enrolando-se toda. – Ele... se declarou para mim. – diz sem jeito.
- Sabia! – comemora Tatsuki. – Já suspeitava a muito tempo que ele estava afim de você. – sorri. – Mas e ai? O que você respondeu? – pergunta curiosa.
- Eu ainda não me decidi... – olhando para baixo, corada.
- Pois responda logo. Não se deve enrolar muito para esse tipo de coisa. – adverte. – Mas agora, deixando isso de lado, acho melhor irmos para o quarto. Já está tarde. – olhando no relógio. A ruivinha concordou e elas foram falar com os três rapazes. Tatsuki da uma piscada pra Keigo, confirmando que tinha feito as pazes com a amiga, ele sorri em resposta. Todos vão para seus quartos, cansados, o dia havia sido longo, e o amanhã estava apenas por vir.
Começa a chover. Uma chuva forte e gelada, que arrasa tudo em seu caminho. Mas como toda chuva de verão, logo parte, deixando apenas corações aflitos para trás.
OWARI
