Cap 27 – Memórias na chuva
Aquela cena que não parava de se repetir, gravada em sua mente. A surpresa, o aperto, a dor, tudo de uma vez. Aquele beijo. Rukia acorda aos poucos, senta na cama e se espreguiça longamente. Sentia-se mais pesada, como se algo a arrastasse para baixo. Ela Olga para o relógio, 8:30, as duas meninas ainda dormiam. A shinigami observa atentamente o rosto de Inoue, que dormia profundamente.
"Não é culpa dela... Ela achou que eu estava com o Renji e aproveitou a chance." – pensava. – "Ela também ama o Ichigo... E pelo jeito é dela que ele gosta..." – entristecendo. – "Mas se ele gosta da Inoue... então por que correu atrás de mim naquela hora?" – aquela duvida a perturbava. – "Esquece. Eu tenho que parar de pensar nisso. Inoue é minha amiga, e se o Ichigo a escolheu a única coisa que eu posso fazer é não interferir." – cabisbaixa.
Ela balança a cabeça, para tentar afastar tais sentimentos. Vai até o armário e pega um lindo vestido branco, de alcinhas finas e botões atrás. Resolve tomar um banho antes do café, não demorou muito. Quando saiu, já trocada, as garotas estavam acordando.
- Ohayou Kuchiki. – disse Tatsuki, bocejando.
- Ohayou Kuchiki-san. – disse Inoue, esfregando os olhos.
- Ohayou. – respondeu com um sorriso falso. – Eu vou esperar vocês lá em baixo, ta? – abrindo a porta do quarto.
- Tudo bem. – respondeu a garota de cabelos espetados, levantando-se.
Rukia foi andando lentamente até o elevador. Quando chegou ao andar de baixo sentou-se em um dos sofás da recepção. Ela não tinha o menor apetite, e muito menos vontade de ficar cercada de pessoas. Naquele momento a única coisa que queria era ficar sozinha.
- Kuchiki? – alguém a chama. – Você não parece bem... – encarando-a.
- Chad. – encara-o. – Não é nada, apenas não dormi direito. – desvia o olhar.
- Aconteceu algo com você e o Ichigo? – sentando-se ao lado dela.
- Por que pergunta isso? – espia-o pelo canto do olho.
- Vocês dois estão muito estranhos ultimamente, parecem muito deprimidos. – explica. – Por acaso vocês brigaram de novo?
- Não...Não é tão simples assim... – cabisbaixa. – Acontece que seu amigo é um tremendo idiota. Eu quero mais é que ele desapareça! – irritada.
- Eu não sei o que aconteceu, mas tenho certeza de que se vocês conversarem encontrarão uma solução. – diz np tom calmo de sempre. – Eu conheço o Ichigo a muito tempo, e sei que ele é péssimo em lidar com sentimentos. Você tem quer tr paciência com ele. – explica.
- Pois eu acho que ele já sabe muito bem o que sente e por quem sente... – dizia baixinho, ainda cabisbaixa. Chad não entende. – Eu vou dar uma volta por ai. – levanta-se e sai andando.
O céu estava escuro, nublado. Havia chovido bastante na noite passada, por isso haviam várias folhas espalhadas por todo o lado. Rukia anda um tempo pelo calçadão da praia, até que para e senta em um banco que tinha ali.
Fica encarando o mar. Havia poucas pessoas na praia, talvez pelo horário, talvez pelo mau tempo. Uma brisa suave brinca com os cabelos negros da menina. Algo vem a sua mente. Por que se lembrara daquela canção agora? A escutara em algum lugar, mas não lembrava aonde. Sem perceber começa a cantar baixinho.
- 'Por muito tempo eu não tive para onde voltar.
Silenciosa e sozinha, matinha meus olhos fechados.
Nas profundezas do oceano, eu estava congelada.
Incapaz de dizer algo, fiquei ali, dormindo.
Mesmo assim continuo procurando o seu calor.
Você sente isto, certo? Por favor,
Venha aqui.
Por muito tempo não tive para onde voltar.
Silenciosa e sozinha, matinha meus olhos fechados.'
Tantas coisas passavam por sua mente, tantas memórias. Estava tão afundada em pensamentos que perdeu totalmente a noção do tempo.
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- Estou ficando preocupada com a Kuchiki-san... – dizia a ruivinha. – Ela saiu sem tomar café da manhã, e já faz bastante tempo...Não é nada bom ficar sem comer assim. – triste.
- Não se preocupe Orihime. –diz Tatsuki. – Já é quase hora do almoço. Tenho certeza de que logo ela volta. – mostrando o relógio. E não deu outra, 10 minutos depois lá estava Rukia. – Eu não disse?! – sorriu.
- Rukia, onde você foi? – perguntou Renji, um pouco preocupado. – Você demorou tanto...
- Desculpem. Eu fui dar uma caminhada e acabei perdendo a noção do tempo. – diz um pouco sem graça.
- Bem, o que imporá é que você chegou. – diz Inoue, sorridente. – Você deve estar morrendo de fome, não é?! – diz tudo de uma vez.
Ichigo não tirava os olhos da shinigami. Sentia-se frustrado. Frustrado por não poder dizer que a ama, por não ter mais coragem de falar com ela, e por tê-la perdido bem diante de seus olhos sem ter feito absolutamente nada. Ele não queria sentir aquilo, aqueles sentimentos sujos, mas não conseguia evitar.
O dois já não se já se falavam a um bom tempo, e durante o almoço não foi diferente, nem uma palavra se quer dirigida um ao outro. Alguns olhares discretos, nada mais. Rukia sentia-se um pouco sufocada lá dentro, por isso depois do almoço foi até a área de lazer do hotel, onde ficavam as piscinas. De longe ela vê um garotinho, que sem querer acerta uma bola em Renji, que acaba caído para traz. Ela não consegue se segurar e começa a rir, sem notar alguém atrás dela.
- Você e o Renji parecem estar se dando bem. – diz em um tom seco.
- Ichigo! – surpreende-se. – Estamos, por quê? – estranhando.
- É...Estão se dando tão bem que já até ficam no quarto trancados sozinhos... – diz irônico.
- O que você está insinuando?! – encara-o, brava.
- Eu não estou insinuando nada. Estou apenas dizendo o que vi! Você e ele estão bem amiguinhos ultimamente. – nervoso.
- Olha só quem fala! Você que agarra a Inoue e vem falar de mim?! – indignada.
- Não é de mim que estamos falando aqui! É de você e daquele babaca! – grita.
- Quem você pensa que é para falar assim comigo?! – grita também.
- Tem razão, eu não sou ninguém! Sou apenas o idiota que você enganou e brincou esse tempo todo!
- Do que você está falando?? – confusa.
- Não seja hipócrita! Você acha que eu não sei que você e o Renji estavam se agarrando por ai?! – surtando. – Francamente eu não esperava isso de você Rukia! Não esperava que fosse uma pessoa tão baixa e egoísta assim!!! – berra. A garota apenas levanta a mão e mete-lhe um enorme tapa no rosto, fazendo-o recuar dois passos.
- Como ousa... – tremendo. – Depois de tudo...Como ousa?! – grita e encara-o, entre lágrimas de raiva. – EU TE ODEIO!!!!! – berra o mais alto que pode e sai correndo.
Ichigo fica parado no mesmo lugar, com os olhos arregalados e com a mão sobre a face avermelhada e dolorida. Começa a chuviscar.
- Ora, seu...! – grita. Pega o ruivo pelo colarinho da camisa e empurra-o com força contra a parede, prendendo-o. – Como pode fazer isso com ela?! – gritava Renji, descontrolado. – Como teve coragem de dizer aqui para ela?! – pressionando-o com mais força.
- Me solta seu idiota! – grita Ichigo, tanto se soltar.
- Você ao menos faz idéia do que acabou de fazer, seu imbecil?! – grita mais. – Isso é imperdoável! Não é justo você fazê-la sofrer assim por apenas te amar!! – furioso.
- O-o que você disse? – gagueja, não acreditando no que acabar de ouvir.
- Quando eu mi declarei ela me rejeitou. Por usa causa! A Rukia me disse que te ama! Como você pode ser tão cego?! – indignado. O ruivo estava chocado, não se movia, não picava, apenas se odiava.
"Eu sou um lixo. O pior dos lixos." – era a única coisa que conseguia pensar.
- Por mim, eu te quebrava agora mesmo! Mas encontrar a Rukia é muito mais importante! – solta-o bruscamente. – E se você fize-la chorar mais uma vez, uma lágrima se quer, eu juro que te mato! – vira-se e vai embora.
Ichigo estava desolado. Meu deus, como ele era imbecil! Se não fosse tão estúpido e tivesse conversado com ela, se tivesse controlado o seu ciúme doentio, não a teria magoado tanto. Sentia tanta raiva de si mesmo naquele momento, que até preferia que Renji realmente o tivesse matado. Ele não se perdoaria, e o pior, com certeza Rukia também não o perdoaria jamais.
"Eu tenho que encontrá-la!" – sem pensar duas vezes, começa a correr na mesma direção pela qual a shinigami havia ido.
Ele procurou, procurou, procurou, mas não a encontro em lugar nenhum. A chuva aumentava cada vez mais, mas ele nem se importava. Queria apenas encontrá-la e implorar perdão. Ele já havia procurado por todas as redondezas do hotel e nem sinal dela. Resolve voltar, talvez ela já estivesse lá. Ele andava bem rápido, logo chegou, mas ela também não estava lá. Vai para o quarto trocar a roupa molhada e encontra um bilhete.
- Ichigo, todos nós fomos conhecer o outro lado da cidade. Voltaremos a noite. Assinado: Sado. – leu.
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Renji estava possesso de raiva. Nunca havia sentido tanto ódio. Como era possível que Rukia tivesse preferido aquele ruivo idiota a ele?! Definitivamente, ele jamais a faria sofrer assim.
- Abarai! – chamou-o. – Aonde você vai? – perguntou Ishida.
- Vou atrás da Rukia. – determinado.
- É melhor não. Deixe aquele dois se resolverem sozinhos. – aconselhou.
- Você viu o que aconteceu? – surpreso.
- Sim. Se você se meter agora poderá só piorar as coisas. – explica.
- Mas você viu o que aquele idiota fez?! Eu não posso deixá-lo sozinho com a Rukia! – nervoso.
- Eu entendo como se sente, mas se aqueles dois não se resolverem agora essa situação continuara para sempre. Se você realmente se importa com a Kuchiki é melhor não se meter. – tentando acalmá-lo. Apesar de Renji não gostar nada, Ishida estava certo. Isso era o que devia ser feito.
- Ishida, Abarai. – chama-os Chad. – Nós vamos conhecer o resto da cidade. Vocês vão? – pergunta.
- Ah! Vamos sim, não é Abarai? – encara-o de maneira estranha. O shinigami assentiu, com uma enorme gota na cabeça.
- Onde estão o Ichigo e a Kuchiki? – procurando-os com os olhos.
- Eles não estão. – explica o Quincy.
- Entendo. Então vou deixar um bilhete para o Ichigo. – diz Chad. Ele escreve o bilhete e depois o grupo sai.
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Uma, duas, três, quantas horas já haviam se passado? Já estava anoitecendo e chovia muito forte. Era perigoso estar lá fora, e Rukia ainda não voltara. O ruivo já estava quase tendo um ataque de tanta preocupação. Ele resolve ir novamente atrás da shinigami, mas dessa vez não voltaria até encontrá-la!
Ele corria pela tempestade, o mais rápido que podia, olhando em todos os lugares. Aos poucos o céu ia escurecendo mais, a chuva apertava e os postes iam se acendendo um após o outro. Ele já estava bem longe do hotel, quando finalmente a viu. A pequena garota de cabelos negros e vestido braço, sentada no chão, totalmente ensopada, encolhida e cabisbaixa, encostada em uma mureta. Sentiu um enorme alívio por ver que ela estava bem, mas o mais difícil seria agora.
- Rukia... – chamou-a. A garota encara-o, surpresa. Ela levanta-se rapidamente e ia começar a correr, mas ele segura seu braço, impedindo-a. – Por favor, me escute! – ela apenas se vira e da outro tapa no rosto dele.
- Eu não quero escutar mais nada! Não quero te ver nunca mais!! – grita, com lágrimas nos olhos. Ele puxa o braço dela com força, fazendo-a cair em seus braços. Ichigo abraça-a forte, de maneira que ela não pudesse se soltar.
- Me perdoe Rukia! – abraça-a mais forte. – Por favor, me perdoe! Eu te imploro! Eu não devia ter dito aquilo, foi tudo da boca para fora! Perdoe-me! – a shinigami agarra com força a camisa do ruivo, chorando profundamente. – Naquela noite, eu vi o Renji te beijando e fiquei louco de ciúmes. Não conseguia pensar direito. Depois aconteceu tudo aquilo com a Inoue. Eu estava muito confuso e acabei descontado minha frustração em você. Eu sei que não mereço seu perdão, mas, por favor, não me deixe! Eu não posso viver sem você. Eu te amo Rukia. Mais do que a minha vida. – aperta-a mais contra seu corpo.
- Baka! – grita entre lágrimas. – Baka! Baka! Baka! Baka! Baka! Baka! Baka!!! – repetia, sem parar, com a cabeça afundada no peito dele. – Eu... Também te amo. – aperta a camisa dele com mais força. Eles podiam sentir claramente o calor que o outro emanava. Um alívio inexplicável. Sentiam-se mais leves, pois agora tinham certeza de que eram correspondidos.
Ichigo levanta o queixo de Rukia suavemente, encarando-a. Os olhos dela brilhavam, e com certeza, os seus deviam estar do mesmo jeito. Ele começa a se aproximar lentamente, ela fecha os olhos e ele faz o mesmo em seguida. Podiam sentir a respiração um do outro, o que fazia seus corações dispararem. Seus lábios se tocam. Um arrepio por todo o corpo. Como haviam esperado, desejado aquele momento. Ichigo sentiu Rukia relaxar em seus braços e abraçar seu pescoço, ele fez o mesmo na cintura dela. Um beijo que a princípio era tímido, cheio de amor, começa a se aprofundar e tornar-se cheio de desejo.
A chuvão não parava, encharcando-os cada vez mais, mas dentro de Ichigo, o sol finalmente voltara a nascer.
OWARI
Música: Shuffle! Memories Op6 – Pureness
original:
Itsudemo watashi wa doko ni mo inakute
Shizuka ni hitori de me wo tijite iru
Sono fukai mizu no soko kogoeteru watashi wa
Nanimo ie nai mama ni uzukumari nemuru
Soredemo anata no mikumori motome tsutzukeru
Kanjite ii tai no onegai
Kokoni kite
Itsudemo watashi wa doko ni mo inakute
Shizuka ni hitori de me wo tijite iru
