Cap 29 – Quando tudo se resolve.
Tão quentinho. Sentia-se tão bem, uma felicidade inexplicável. Seria um sonho? A shinigami abre os olhos lentamente, para se acostumar à claridade.
"Que bom... não foi u sonho." – sorri. Tudo aquilo realmente havia acontecido. E aquele lindo ruivo continuava lá, ao lado dela. O calor daquele abraço a fazia esquecer que o mundo existia.
Ichigo dormia com os lábios entreabertos e respirava calmamente, Rukia jamais havia visto-o tão relaxado. Definitivamente ele era uma graça dormindo.
A garota acaricia o rosto dele e se solta do abraço cuidadosamente, para não acordá-lo. O relógio já marcava 9 horas. Ela se levanta e vai até o armário, pega um vestido azul claro, de alcinhas, e vai para o banheiro.
Ela gostava de tomar banho de manhã, para esfriar a cabeça, mas ela sentia-se estranha, como se algo tivesse mudado dentro de si, algo que ela não entendia bem o que era. Sentia-se tão leve, como se não houvesse mais nenhuma preocupação, mas de fato os problemas existiam, e eram muitos.
Sai do banheiro, já trocada. O rapaz continuava dormindo, mas agora estava todo desajeitado pela cama. Ela ri um pouco e abre a porta vagarosamente, tentando não fazer barulho, e sai de fininho.
Vai até o quarto ao lado e pega uma roupa no armário. Uma bermuda preta e uma camisa azul claro, de mangas, para combinar com seu vestido. Achava que seria bonitinho os dois com roupas da mesma cor. Volta para o quarto, coloca a roupa em cima de outra cama e vai chamar o ruivo.
- I-chi-go. – chama-o, carinhosamente, mexendo naqueles cabelos espetados. – Hora de acordar. – sussurra no ouvido dele.
- Hum... – resmunga. – Ainda é cedo. – diz, sonolento.
- Já passou das 9. – retruca. – Desse jeito nó vamos perder o café da manhã. – beija-o no canto da boca. Em um movimento rápido o garoto agarra-a pela cintura, a puxa e rola, fazendo-a cair deitada na cama. Ele beija Rukia profundamente.
- Não me importo nem um pouco em perder o café da manhã. – diz, sorrindo maliciosamente. – Prefiro muito mais ficar aqui com você. – beija-a novamente. Quando de separam ela segura o rosto dele.
- Não seja bobo. – ri. – Nós temos muito tempo para ficarmos juntos, e eu estou com fome e quero meu café da manhã. – diz fazendo bico. – Agora vá tomar um banho para nós descermos. Ah! Eu já peguei a sua roupa. – aponta para a cama ao lado.
- Ta bom, ta bom. – suspira, dando-se por vencido. – Eu não demoro. – Ichigo levanta-se, pega a roupa e vai para o banheiro. 10 minutos depois os eles já estavam no restaurante.
Algumas pessoas olhavam e comentavam, afinal, não é todo dia em que se vê dois bobos apaixonados. Aqueles dois estavam com um grande sorriso estampado no rosto.
- Ichigo. – chamou-o, sorrindo. – Fala aaaaaaah. – pega uma garfada de bolo e faz aviãozinho. O ruivo fica muito corado, mas faz o que a pequena manda. Rukia leva o garfo até a boca dele e ri um pouco, corada.
Depois do café eles vão caminhar pela praia. Mesmo depois da grande chuva da noite anterior, havia várias pessoas por lá. Os dois tiram os chinelos e começam a caminhar descalços, de mãos dadas, pela areia, segurando os chinelos na outra mão. Andaram um bom tempo, daquele jeito, aproveitando a brisa do mar, a areia quentinha e a companhia um do outro. Sentam-se na sobra de um coqueiro, ainda de mãos dadas. Rukia encosta a cabeça no ombro dele.
- Sabe... Isso é tão estranho... – olhando o mar.
- O que? – pergunta o ruivo.
- Você assim...Todo carinhoso e atencioso. Já estou tão acostumada com aquele Ichigo briguento e mal-humorado que isso chega a ser estranho. – ri, deixando o garoto envergonhado.
- Baka. – desvia o olhar. – Você também está diferente... – retruca, corado.
- Mas até quando isso irá durar...? – sussurra, suspirando.
- Hã? – encara-a.
- Até quando poderemos ficar juntos? – um tom triste pesava em sua voz, o olhar perdia-se em algum lugar no horizonte. O ruivo se surpreende.
- Do que você está falando? – confuso.
- Bem... Eu sou uma shinigami e você um humano. Isso vai contra as leis da Soul Society, e o Nii-sama também não irá aceitar. Eu não sei o que faremos quando voltarmos... – cabisbaixa.
- Rukia... – ele encarava-a perplexo. Ela estava certa, e ele sabia daquilo também, mas preferia fingir não saber. Ichigo sequer queria pensar na possibilidade de se separar daquela pequena garota. Sem ela seu mundo desabaria novamente, e ele não permitiria isso acontecesse, não importa o que tivesse de fazer. – Não seja boba. Nós vamos lutar! – ela encara-o. – Eu já enfrentei o seu irmão e a Soul Society uma vez, e os enfrentarei quantas vezes for necessário para te ter comigo. – acaricia o rosto dela. – Eu te amo e não vou deixar que nos separem. Não importa contra quem seja, eu vou lutar e te proteger. Por isso vou ficar mais forte, você não precisa se preocupar. – lágrimas começam a se formar nos olhos da shinigami.
- Ichigo...Eu não quero que você se machuque mais... – aperta a camisa dele.
- E eu não vou. – abraça-a. – A única coisa que me machucaria seria ficar longe de você. – sorri.
- Teimoso... – deixa uma lágrima cair. Ele beija-a ternamente. Ficam um bom tempo entre beijos, um mais apaixonado que o outro, perdendo completamente a noção do tempo.
- Olha! – alguém grita. – Olha só mamãe! Eles estão se beijando! – dizia um pequeno garotinho apontando para o casal. – Eles estão namorando no meio da praia! Isso é falta de vergonha, não é? – pergunta para a mulher ao seu lado, quase matando Ichigo e Rukia de tanta vergonha.
- N-não diga isso, meu filho! – gagueja a mulher. – Você não deve atrapalhar os outros dessa maneira! – repreende-o. – Por favor, desculpem. Ele não sabe o que fala. – diz sem jeito, encarando os dois, depois pega o garotinho pela mão e vai embora.
O ruivo e a morena ficam lá parados, envergonhados e com cara de bobos. Eles se encaram e começam a rir da cara um do outro, descontroladamente. Essas coisas não acontecem todo dia.
- Vem. – ele a chama. – Já é quase hora do almoço, vamos voltar. – agacha-se de costas, em frente a ela.
- Ah! Agora quer me levar de cavalinho? Mas que gracinha! – ri, debochando, e sobe nas costas dele. Eles vão rindo e conversando o caminho inteiro, até chegarem no hotel. Quando entram dão de cara com o grupo, que havia chegado há pouco. Todos os encaram surpresos, deixando-os sem jeito. Rukia rapidamente desce das costas de Ichigo.
- Parece que eles finalmente se acertaram. – cochichou Tatsuki.
- Sim. – respondeu uma sorridente Inoue, no mesmo tom.
- O-oi pessoal – diz a shinigami, sorrindo envergonhada. – O que aconteceu ontem? – perguntou curiosa.
- Ontem à noite o céu praticamente desabou, tudo ficou alagado pela cidade. – explicou Ishida, ajeitando os óculos.
- Nós todos acabamos passando a noite em um tal de "Motel" (non pensem besteira!!! o.o'''''). – completou Renji. (será que existem motéis nas Bahamas? õ.o')
- Foi a maior chatice. - -.- disse Tatsuki, com cara de tédio.
- É, mas em compensação a noite de vocês deve ter sido ótima. - D disse keigo, maliciosamente. Em questão de segundos foi atingido por um soco de Ichigo.
- Já vai começar a dizer besteiras, é?! – envergonhado, lembrando da noite passada. De repente alguém agarra a gola de sua camisa e arrasta-o para um canto.
- Você pediu desculpas a Rukia? – perguntou Renji, sério.
- É claro que sim! – respondeu como se aquilo fosse óbvio. – Depois do que eu fiz seria impensável não me desculpar. – emburrado.
- É bom mesmo. – ainda sério. – E espero que você não faça mais nenhuma burrada. – diz em tom superior.
- Eu sei. – bravo. O shinigami se vira e começa a andar. – Hei, Renji! – chama-o, fazendo-o se virar. – Obrigado. Não o que teria acontecido se você não tivesse me dito a verdade naquela hora. – coçando a cabeça, desviando o olhar.
- Não seja idiota. – ri. – Eu fiz aquilo pela Rukia, e não por você. – vira-se e volta até o grupo.
Inoue não parava de olhar Rukia. Queria falar com ela, mas não conseguia, não tinha coragem, sentia vergonha de tudo o que havia feito.
- Deixe de ser boba Orihime (isso é impossível uu). – dizia Tatsuki. – Uma hora você vai ter que falar com ela, e quanto mais cedo melhor! – encorajando-a.
- É mesmo...Não devo ficar adiando isso. – séria. A ruivinha se aproxima, determinada, da shinigami. – Eh...Kuchiki-san. – chama-a. – Será que poderíamos conversar um pouco? – envergonhada.
- Inoue... – encara-a. – Claro. – as duas se afastam um pouco do grupo e sentam-se em uma pequena mesa. – O que foi? – pergunta, séria.
- Kuchiki-san, eu tenho que te pedir desculpas. – diz tristemente. – Eu interpretei errado o que vi, e por isso fiz algo que não devia. Acabei magoando você e o Kurosaki-kun. Não devia ter agido daquela maneira. Realmente sinto muito. – cabisbaixa.
- Não se preocupe Inoue. – sorri. – Você não precisa se desculpar, não teve nenhuma má intenção. – a ruivinha encara-a.
- Você não está chateada? – confusa.
- Claro que não. Nós somos amigas, não somos? Eu sei que você nunca faria nada para me magoar de propósito. Além de que, agora já está tudo resolvido. – diz em sorridente, fazendo a garota ficar mais animada.
- Sim! – sorri. – E eu fico muito feliz em ver que você e o Kurosaki-kun se acertaram. – diz alegremente. – E também...O Ishida-kun me pediu em namoro, e eu decidi aceitar. – corada.
- Sério?! – surpresa. – Isso é ótimo! – a pequena da um largo sorriso.
- É! Eu gosto muito dele e tenho certeza de que logo conseguirei amá-lo de verdade. – sorri, mais corada.
- Acho que agora todo mundo se acertou. – ri, a morena.
- Todo mundo não, ainda falta alguém. – completa a ruiva, deixando a amiga curiosa.
Elas voltam e se juntam ao resto do grupo. Logo vão almoçar. Ishida e Inoue falavam sobre costura, Tatsuki conversava animadamente com Renji e Rukia, e Ichigo TENTAVA conversar com Chad, pois toda hora tinha de bater em Keigo, por certas "insinuações" maldosas sobre a noite anterior que passou a sós com a shinigami.
Sim, estava tudo bem. Nada de clima pesado, nem de tristeza, apenas alegria e diversão.
"Não importa o quão negras sejam as nuvens ou quão forte seja a tempestade, uma hora o sol sempre voltará a brilhar."
OWARI
