Capítulo Dois – Acordo.
Ed ainda não conseguia acreditar direito no que via a sua frente. Por que diabos, Envy estaria lá? Os dois se odiavam profundamente... E o pior: teria sido o homunculus que escreveu aquelas cartas? Mas qual será o motivo que Envy teria para ajudá-los? Ed não encontrou nenhuma resposta em sua mente. Simplesmente, não havia razão. Começou a se sentir irritado com tudo isso. Estava achando que foi feito de bobo. Com a raiva crescendo dentro de seu peito, ele começou a recuperar seus movimentos. Levantou-se de forma um tanto desengonçada, porém assim que ficou de pé, firmou-se no chão. Fitou Envy bem dentro dos olhos, tentando descobrir algo. O homunculus também o observava, mostrando interesse em seu olhar e um típico sorriso malicioso nos lábios.
- O que você quer, seu maldito? – disse Ed. Tinha uma enorme vontade de socar o rosto de Envy.
- Calma, chibi-san. Você é desconfiado demais. Não vim para lutar... E sim para conversar apenas.
Ed sentiu que as palavras talvez fossem verdadeiras, já que não houve nenhum ataque imediato. Mas mesmo assim, não baixou a guarda. Não iria se distrair por nada, não quando estava sozinho com um dos piores homunculus. Observou Envy, enquanto ele calmamente sentou-se em um tronco de árvore caído que estava por perto. Ed não o perderia de vista, queria ter certeza de que ele não tentaria nenhum movimento suspeito.
- Aproxime-se, Hagane.
- Eu tenho nome, sabia? É Edward Elric, seu idiota. E pare de me chamar de Hagane e Chibi-san. Isso me irrita! – falou Ed, com a raiva crescendo cada vez mais em seu peito.
- Mas é um nome tão sem graça... Por isso escolhi esses apelidos... Que pena, eles combinam tanto com você! – Envy estava sendo sarcástico ao extremo.
- Apenas diga o que quer. E depois, me dê um bom motivo para não quebrar a sua cara! – Ed estava quase gritando quando disse. Então seria isso, Envy o chamou naquele local apenas para importuná-lo?
- Você tem uma mania chata, garoto. Nunca deixa os outros falarem. – Nos olhos de Envy, Ed percebeu que ele estava começando a ficar irritado com aquela situação também.
- Fale logo então. Não tenho o dia todo para sua baboseira.
Envy abaixou seu olhar para o chão agora. Por apenas um momento, Ed poderia jurar que sentira um ar de preocupação nele... Mas deve ter sido apenas uma impressão. Pela primeira vez, teve a chance de olhar Envy mais de perto. O homunculus era alto e magro. Aparentava ser um jovem de 18 anos, mais ou menos. Mas Ed sabia que ele era muito mais velho do que isso. A enorme cabeleira era de um verde-escuro, quase negro. A pele era pálida e suas roupas eram negras. Ele também reparou no símbolo de Oroborus na perna de Envy. Era vermelho, e tinha uma serpente que engolia a própria cauda: o símbolo da vida eterna na alquimia. Ed sabia que todos os homunculus estavam destinados a viver eternamente. Afinal, não eram humanos, e sim meras criações. Apenas seres humanos artificiais. E é exatamente por isso que Ed e Al travavam uma luta particular contra os homunculus: os dois lados queriam a Pedra Filosofal. Mas os irmãos jamais se aliariam a criaturas tão ardilosas. Até o exato momento, eles nunca fariam isso...
- Você leu as minhas cartas com atenção? – finalmente, Envy voltou a falar, depois do breve momento de silêncio.
- Li sim. E sinceramente, não entendi uma coisa... Como você sabe disso tudo? Pelo o que sei, homunculus não podem realizar alquimia. O conteúdo das anotações me lembra... Ele. – Ed parecia relutante ao dizer o nome da pessoa.
- Nem precisa dizer o nome do maldito. Sim, eu tenho algumas das anotações daquela escória. Mesmo não podendo realizar alquimia, eu consegui entender uma boa parte da situação... – Envy parecia pensativo em sua maneira de agir e falar agora.
- Mas de qualquer forma, o que você realmente quer? – Ed já estava totalmente impaciente.
- Chibi-san, eu quero te propor um acordo.
"Acordo?", pensou Ed. Que tipo seria? Realmente era estranho, nunca imaginou que isso viria de um homunculus... Ainda mais de Envy. Provavelmente, ele deveria querer o conhecimento que Ed possuía em relação à alquimia. Mas isso ainda não era muito convincente. Mas Ed decidiu escutá-lo... Quem sabe, uma breve aliança poderia ajudá-lo a ter mais pistas sobre um novo meio de criar a Pedra. "Mas ele não vai ser tão legal assim", pensou. Deveria estar preparado para o que Envy fosse querer em troca.
- Que tipo de acordo? – respondeu tentando se acalmar um pouco.
- É simples. Acho que até mesmo você, com essa cabeça loira e de vento, já deve ter reparado. Eu não posso realizar alquimia. Mas você pode. Então, é o seguinte: você me dá alguma ajuda, para que eu possa compreender melhor as anotações da escória. E como agradecimento, eu posso te ajudar na busca por um meio de salvar o seu querido irmãozinho. O que acha? – Envy deu um sorrisinho, tentando bancar o inocente.
"Não é uma idéia tão ruim", pensou Ed. Mas mesmo assim, não conseguia deixar de ser desconfiado. Ainda mais, pelo simples fato de que ele nem sabia o por quê de Envy querer entender mais de alquimia. Mas se o motivo não fosse tão alarmante, Ed pensava seriamente em fazer esse acordo... Afinal, os dois lados seriam beneficiados. O desespero por ajudar seu irmão ultimamente estava lhe subindo a cabeça. Se ajudasse Envy, estaria mais próximo de seu sonho de que Al voltasse ao normal. Mas antes de concordar, queria tirar algumas dúvidas.
- Como será isso? – perguntou calmamente.
- Bem, eu sei que vocês estão de férias aqui nesta cidade. E vão continuar hospedados aqui, sim? Pois então... Vou anotar um endereço para que você venha me ver. É uma casa abandonada, lá na cidade. As pessoas pensam que não tem ninguém vivendo lá, então será mais fácil para nós. – Envy parecia levemente animado.
- Ah sim... Mas não entendi a parte que você disse de que "será mais fácil para nós". Afinal, vamos apenas ler, né? – Ed demonstrou uma expressão de confusão.
Envy não respondeu. Parece que fingiu que não ouviu o que Ed havia dito. Ele tirou um pedaço de papel do bolso e anotou um endereço que era um pouco longe da estalagem onde Ed e Al estavam hospedados. Ed reconheceu a caligrafia caprichada das cartas enquanto Envy anotava o endereço. Terminado isso, o homunculus levantou-se, ficando cara a cara com o garoto. A altura era facilmente comparada: Envy era bem uns 15 centímetros mais alto que Ed. Entregou-lhe o pedaço de papel e começou a caminhar um pouco para fora da entrada do bosque.
- Eu... Ainda tenho uma dúvida. Por que você está interessado em alquimia? – Ed estava tentando ser cauteloso, mas sua voz demonstrava um pouco de ansiedade.
Envy parou de andar. Virou-se para Ed, com um rosto diferente do que este conhecia. Seu rosto estava com uma expressão calma... E ele sorria. Não era um sorriso cínico, típico dele. E sim algo misterioso... Uma leve brisa passou pelo bosque, agitando algumas folhas. Os dois ainda se encaravam... Até que Envy começou a caminhar em direção a Ed. Este continuou parado, com a mesma expressão confusa de antes. Realmente, não estava entendo nada do que se passava. Estavam cara a cara novamente. "Não é possível, este não poder ser o Envy que eu conheço", pensava Ed. Ele teve que levantar um pouco a cabeça para continuar encarando o homunculus.
- É exatamente esta a expressão que eu gosto de ver. – Disse Envy, com uma voz quase que irreconhecível. Era serena e sem sarcasmo. Ele abaixou-se um pouco para ficar mais ou menos da mesma altura que Ed.
- Hã...? – Ed não sabia mais o que dizer.
- Não vá faltar, Hagane no Chibi-san. Conto com sua presença. – Ao dizer isso, Envy, com uma das mãos, colocou o cabelo do garoto atrás de sua cabeça.
Na mesma hora, Ed sentiu seu rosto corar e seu coração dar uma leve acelerada. Afastou-se imediatamente de Envy. O que foi aquilo? Em um momento, eles se odeiam e no outro, são aliados e Envy fica... Falando essas coisas estranhas. Sentiu-se completamente idiota. Acreditava ter caído em uma das armadilhas dos homunculus... Mas não queria saber, ele iria até o fim. Seu pensamento fixou-se no irmão. "Foi minha culpa, Al. Mas eu vou descobrir um meio de trazer seu corpo de volta. Talvez esse idiota aí me ajude mesmo", ele pensava. Observou Envy dar uma risada baixa e ir caminhando novamente para fora do bosque, até sumir de vista. "Esse cara... Realmente me dá medo", pensava Ed enquanto voltava para a estalagem.
-------------------------- Fim do Capítulo --------------------------
Notas.
E chegamos ao segundo capítulo! Aqui, Envy e Ed já estabelecem contato, e todas as ações dos dois nessa parte são importantes para a história (por incrível que pareça o.o). Uma parte que você, leitor, deve ter se assustado, foi o fato de Ed aceitar um pouco rápido demais o acordo com o homunculus. Sabemos que o verdadeiro Chibi iria demorar muuuuito para isso! Mas a fic trata esta parte mais na obsessão que Ed tem em ajudar seu irmão mais novo.
Espero que tenham gostado do jeito que Pan e eu caracterizamos o Envy XD deixamos ele sarcástico como sempre.
Ah sim... Um aviso importante antes que fiquem me enchendo o saco: a história mistura eventos acontecidos no anime e no mangá. O por quê disso? Sei lá, eu quis assim D como eu adoro tanto o mangá quanto o anime, decidi fazer desse jeito...
Obrigada por lerem este capítulo da fic! E agradeço também as pessoas que estão acompanhado tudo n.n até a próxima, gente .
