Disclaimer: Inuyasha é propriedade de Rumiko-sensei. Faço este fic sem fins lucrativos, apenas por diversão.
The Roses' Sound
(O Som das Rosas)
Capítulo Cinco: Rosas
Dedicado à Palas Lis, por que Mitz-chan a ama muito! - e por que é um presente de dia das crianças!
Também como uma singela homenagem a uma amiga que há um mês não está mais conosco…
Durante todas aquelas semanas que se seguiram, a rotina de Sesshoumaru continuou a mesma… completamente tediosa e cheia de problemas na empresa. A única parte boa é que os problemas estavam começando a diminuir e os lucros a aumentar.
Mas fora aquilo, nem seus fins de semana pareciam tão bons. Já tinham se passado três fins de semana desde o tal dia dos namorados. Precisava admitir que pelo menos a sua vontade de matar alguém havia diminuído consideravelmente… o problema é que a distância entre ele e Rin havia aumentado consideravelmente, e bom, aquilo não era uma coisa para lhe deixar feliz. Desde o que acontecera – ou quase acontecera – no dia dos namorados, a garota parecia fugir dele constantemente. Nunca ficava mais de dois minutos a sós com ele, sempre dava um jeito de encontrar outra pessoa ou correr até um outro lugar de modo que ele não a acompanhasse. Estava certamente constrangida. Ele só não sabia exatamente por que – ou fingia não saber.
Acordou numa manhã de sábado, completamente cansado da semana cheia que tivera, e, ainda por cima, com enxaqueca. Por sorte, a casa estava silenciosa… silenciosa até demais para um sábado, nem parecia que Izayoi morava ali e que a vizinha dele sempre vinha visitá-lo, e mesmo não conseguindo falar, dava um jeito de agitar o resto da casa.
Depois de cuidar de toda a higiene pessoal, trocar de roupa e sentir a enxaqueca diminuir com o silêncio da casa, saiu do quarto, descendo as escadas lentamente. Até se surpreendeu quando chegou ao último degrau e ninguém tinha aparecido para lhe falar, ou cruzar seu caminho.
Como de costume, andou até a sala de jantar e sentou-se em sua cadeira habitual. Estava até com preguiça de se levantar e pedir para servirem seu café da manhã. Ainda nem eram nove da manhã e realmente não sabia se queria mesmo comer alguma coisa.
Ficou ali, sentado, apenas encarando o teto acima de sua cabeça. Teria continuado daquele jeito por mais alguns minutos, se uma voz não tivesse lhe chamado a atenção.
– Sesshoumaru-sama. Não imaginei que já estivesse de pé.
Ele desviou o olhar do teto para fitar a senhora que tinha entrado na sala.
– E Izayoi? – ele perguntou, curioso acerca do paradeiro da mulher que sempre estava infernizando sua vida.
– Izayoi-san saiu agora a pouco para a casa de Nayako-san. – Kaede explicou.
– Ah…
– Mas disse que logo estava de volta para acompanhá-lo no café da manhã, quando acordasse. Disse que queria falar com o senhor. – Kaede completou a frase. – Receio que ela não imaginou que poderia acordar mais cedo hoje.
– Claro que não. – Sesshoumaru comentou mais consigo mesmo do que para Kaede.
– Bom, devo servir o café da manhã agora, ou espero pela chegada de Izayoi-san? – Kaede perguntou antes de sair da sala.
Sesshoumaru suspirou demoradamente, pensando na resposta que daria. Por mais que ela fizesse de tudo para tirá-lo da paciência… não podia negar que era uma boa companhia, e a única mãe que conhecia desde criança.
– Eu vou esperá-la. – Sesshoumaru falou, voltando a erguer a cabeça para encarar o teto, como se houvesse alguma coisa realmente interessante lá.
– Falando de mim? – a voz aparentemente alegre se pronunciou, fazendo com que a atenção dos dois presentes na sala se voltasse para a nova convidada.
– Pode servir. – Sesshoumaru disse, dirigindo-se a Kaede que prontamente atendeu a ordem e fez um sinal positivo com a cabeça, saindo do lugar.
– Ohayo, Sesshoumaru. – Izayoi cumprimentou-o sorridente, sentando-se ao seu lado esquerdo. – Nossa… você acordou cedo demais hoje.
– E você está mais animada que o normal. – Sesshoumaru comentou distraidamente. – Conseguiu arruinar a vida de alguém?
– Não fale desse jeito, Sesshoumaru. – Izayoi repreendeu-o, sem deixar o sorriso de lado. – Hoje é um ótimo dia, porque hoje nós vamos sair!
Sesshoumaru arqueou a sobrancelha, finalmente parecendo prestar atenção nas palavras da mulher.
– "Nós"? – ele questionou, confuso. Queria saber onde ele entrava naquela história.
– Sim! – Izayoi confirmou prontamente. – Está esquecido que amanhã é o White Day?
Ele arqueou as duas sobrancelhas daquela vez. É… realmente tinha esquecido completamente do tal do White Day.
– Pelo visto esteve um tanto quanto ocupado para se lembrar, não é? – Izayoi comentou, ajeitando-se na cadeira quando as empregadas trouxeram as bandejas com a refeição matinal. – Eu sei que você ganhou um chocolate também. Então, é obrigação sua retribuir.
Ele não respondeu, apenas serviu-se de um dos pedaços de maçã que estava sobre um dos pratos, parecendo não dar muita atenção às palavras da madrasta.
– Por isso… – Izayoi continuou a falar, colocando geléia numa torrada. – Nós vamos sair hoje. Você pode comprar o seu presente de White Day e eu posso fazer compras. Faz tempo que não saio para as compras.
– Você poderia ter chamado alguma amiga. – Sesshoumaru falou, já indicando com aquelas palavras que certamente iria com Izayoi. Pelo menos ela estava certa acerca do White Day.
– Ahh, não seja tão inconveniente, Sesshoumaru. – Izayoi serviu-se de suco. – Eu poderia ter chamado Rin-chan, mas aí não teria graça, já que você precisa comprar um presente para ela. E, além do que, ela está muito ocupada hoje.
Sesshoumaru parou por uns segundos, observando a imagem de sua madrasta depois de ter dito aquilo. Ela estava normal, mas o que lhe chamara a atenção fora a informação sobre Rin. Ela estava ocupada demais naqueles dias. Pensando melhor, dificilmente a vira nas últimas semanas, e nos fins de semana, claro, ela fazia questão de fugir dele. Do jeito como Izayoi falava, pareciam até duas crianças preparando alguma travessura.
– Bom, vou entender seu silêncio como um "eu adoraria acompanhá-la". – Izayoi disse, ainda sorridente.
Sesshoumaru limitou-se a ficar calado, mais interessado em beber o resto de seu suco. Na verdade, seus pensamentos ainda estavam perdidos em algum lugar bem longe dali. Só voltou a prestar atenção em Izayoi, quando ela chamou-o um pouco mais alto.
– Sesshoumaru, querido… vamos indo? – Izayoi chamou-o. – Preciso me arrumar, acho que você também vai querer trocar essa roupa.
Ele ainda ficou fitando-a por um momento, pensando se realmente deveria se levantar para levá-la às compras. Tinha certeza que uma resposta positiva era a mesma coisa que suicídio, bom, uma resposta negativa era a certeza de que mataria alguém futuramente, já que Izayoi daria um jeito de arruinar ainda mais a sua vida.
De uma maneira quase que automática, meneou a cabeça num sinal positivo, vendo a mulher de traços jovens abrir um largo sorriso.
– Bom, eu vou me arrumar então. Desço num minuto. – Izayoi parecia uma adolescente que estava saindo com o namorado para ir às compras depois de tê-lo convencido após uma hora de discussão.
Como ele não era namorado dela, e ela tampouco uma adolescente… era mais que certo que a mulher estava lhe escondendo alguma coisa, além, é claro, de estar empolgada com as malditas compras. Tinha esquecido que era Inuyasha que a acompanhava nessas coisas quando ainda viviam na Europa. Agora, conseguia sentir na pele o que era conviver com Izayoi como mãe… e bom, definitivamente não tinha a mínima pena do irmão mais novo.
Esperou apenas alguns poucos minutos depois que Izayoi tinha saído da sala para levantar-se também. Andou até o quarto e trocou as roupas casuais lentamente. Sabia que o minuto de Izayoi estava mais para uma hora do que o contrário. Puxou as mangas da camisa que vestia até os cotovelos, colocando as mãos nos bolsos da calça e saindo do quarto a passos largos e lentos.
Parou na metade da escada quando percebeu que Izayoi já o estava esperando perto da porta de entrada, procurando alguma coisa na bolsa. Olhou o relógio de pulso só por precaução, e confirmou que nem quinze minutos direito tinham se passado desde que ela tinha ido se trocar. Só havia uma conclusão possível para aquela rapidez.
– Você ainda não foi se trocar? – ele perguntou, terminando de descer os degraus.
– Sesshoumaru, querido, eu não sou mais uma menininha nova que precisa ficar uma hora se arrumando para ir num baile. – Izayoi respondeu, parando de mexer na bolsa e virando-se para ele. – Vamos?
– Já chamou o motorista? – ele perguntou, aproximando-se da porta, abrindo-a para Izayoi educadamente.
– Não… só o carro. – Izayoi corrigiu, saindo da casa e sendo acompanhada de perto pelo enteado.
O carro esporte prateado de Sesshoumaru estava parado bem em frente à entrada. Fazia tempo que ele mesmo não dirigia o carro, na verdade, ele nem sabia que o carro tinha sido trazido para o Japão, por isso, continuava a ir à empresa todos os dias com o chofer. Claro, Izayoi tinha aprontado mais alguma. Só havia um pequeno problema… onde estava a chave?
– Não fique parado aí, Sesshoumaru. – Izayoi disse, terminando de descer os poucos degraus de entrada e mostrando uma conhecida chave para ele. – Não estaria procurando isso, estaria?
– Estou curioso se o ar do Japão é contra-indicado para pessoas de meia idade. – Sesshoumaru comentou rapidamente, pegando a chave de Izayoi e abrindo a porta, enquanto a mesma seguia até o banco do carona, do outro lado.
– Está me chamando de velha, Sesshoumaru? – Izayoi perguntou, depois de sentar e fechar a porta.
– Iie. – ele respondeu de maneira nada convincente, dando partida no carro e seguindo até a saída da mansão.
– Pelo visto, o ar do Japão não afetou só a mim, não é mesmo? – Izayoi comentou, com um sorriso de lado.
– Não sei do que está falando. – Sesshoumaru disse simplesmente, não deixando de prestar atenção na estrada.
Claro que ela tinha sido terrivelmente afetada pelo Japão, estava completamente diferente da Izayoi dos primeiros dias que estavam lá. Agora, parecia mais travessa, mais infantil que o normal, embora fosse a mesma mulher, era como uma nova face. Já ele… ele mudara em alguma coisa? Não conseguia imaginar no que o país novo lhe afetara… uma pessoa, talvez.
– O Japão me traz boas lembranças. – Izayoi falou de modo pensativo, olhando os prédios passando através da janela. – Estou apenas… me divertindo enquanto posso.
Sesshoumaru lançou um olhar de soslaio para a mulher. Ela sorria fracamente. Bom, não era segredo para ninguém que o Japão era o que mais a lembrava de seu falecido marido, o pai dele e de Inuyasha. Então, talvez tudo aquilo fosse apenas para reviver as lembranças… ou para esquecê-las.
Depois daquelas palavras da mulher, eles ficaram alguns minutos sem comentarem nada, até Izayoi achar que o silêncio estava incômodo demais. Sesshoumaru foi obrigado a escutá-la falar de diversas coisas – nas quais ele definitivamente não prestava atenção – até que chegassem a um dos malditos shoppings da cidade.
Certamente que a tortura lá dentro só tendia a aumentar. Depois que Izayoi arrastou-o para dentro da primeira loja de roupas, ele descobriu o porquê da mulher não querer levar o motorista, ela queria que ele se ocupasse com as sacolas, apenas para fazer o seu fim de semana ainda mais divertido. Claro que sim, ela era mestra em alegrar a vida dele… e acabar com a de outros, já que ele precisaria descontar a raiva em alguém mais tarde. Era nessas horas que sentia falta de ter o meio-irmão por perto.
– Sesshoumaru, você não parece muito bem. – Izayoi comentou, quando saíram da terceira loja naquela manhã e cinco sacolas nas mãos de Sesshoumaru. O que ele não fazia para não matar aquela mulher? – Que cara feia é essa?
– Prefiro não responder. – ele continuava a olhar para frente, começando a se irritar com a quantidade de pessoas que estavam ao seu redor. Agora lembrava o segundo motivo pelo qual odiava tanto aquele lugar.
– Você deve estar com fome então. Já é hora do almoço. – Izayoi comentou vagamente, rindo-se internamente da situação de seu enteado. Sabia que mais cedo ou mais tarde ele acabaria arremessando todas aquelas sacolas na primeira pessoa que passasse na sua frente novamente. – Vamos procurar algum lugar para almoçar, e então, eu vou livrá-lo da minha companhia por hoje, certo?
Ele não concordou nem com palavras nem com gestos, apenas continuou a seguir a mulher de perto. Izayoi tomou o silêncio como uma afirmação, claro. Continuou a comentar algumas coisas avulsas enquanto passavam por mais lojas e ela via mais coisas interessantes. Agora tinha mais certeza que nunca que Sesshoumaru jamais voltaria a acompanhá-la nas compras. Orgulhoso do jeito que era, e ainda ser obrigado a carregar aquelas sacolas, com certeza ele queria explodir, por isso estava mais calado. Mas era divertido brincar com o enteado daquele jeito, e ela não podia perder a chance de se divertir.
Não demorou muito e finalmente encontraram uma mesa na qual puderam depositar as sacolas e sentar-se para comer.
– E então, o que vamos comer? – Izayoi perguntou, sentando-se com toda a etiqueta possível.
– Não importa. – Sesshoumaru respondeu rapidamente. – Pode pedir qualquer coisa, vou ao banheiro lavar as mãos antes.
– Tudo bem então. – Izayoi concordou, observando-o levantar-se e se afastar aos poucos. Sorriu vendo-o distanciar-se, Sesshoumaru estava precisando de uma distração melhor que ela, certamente. E bom, nos últimos dias, a tal companhia parecia estar fugindo dele, por um motivo que ela gostaria de descobrir.
Enquanto Izayoi se ocupava em pedir o almoço dos dois, Sesshoumaru andava lentamente entre as várias pessoas do lugar, olhando rapidamente ao seu redor. Tentava imaginar o que naquele lugar atraía tanto a atenção dos outros. E principalmente, por que mulheres gostavam tanto de fazer compras? Mas apenas observando em volta, foi que se deu conta de que ainda não tinha comprado um presente. E, o White Day era já no dia seguinte. Precisava arrumar alguma coisa logo… só não sabia como, nunca fora bom o suficiente com aquele tipo de coisa.
Foi apenas pensar naquele detalhe e seus olhos pousaram sobre uma das várias vitrines, na qual ainda não tinha prestado atenção – certamente ninguém prestaria com uma Izayoi ao lado. Parou de andar, fitando a vitrine demoradamente… tinha que confessar que não fora tão ruim assim ir até aquele lugar. Olhando através do vidro, podia ter quase certeza de que não encontraria melhor presente em todo o shopping – e definitivamente não queria tentar.
Continuou o caminho até o banheiro masculino mais próximo, parando na mesma loja quando estava voltando. Com aquilo, tinha a certeza de que depois do almoço, voltaria para casa e poderia descansar, embora devesse admitir, de uma maneira bem estranha, que não estava mais com a enxaqueca de mais cedo.
Em pouco tempo, alcançou a mesa em que Izayoi estava. A comida já estava servida, mas ela parecia estar esperando-o. Tinha certeza que ela ia comentar alguma coisa sobre a sua demora, mas antes que ela pudesse reclamar, seus olhos pousaram sobre a pequena sacola que ele trazia em mãos.
– Ah, então foi por isso que demorou tanto. – Izayoi sorriu. – Estava aqui pensando na possibilidade de ter se perdido no meio do caminho de volta, ou de ida, não importa.
Ele não respondeu, colocou a pequena sacola junto das demais e sentou-se de frente para a mulher.
– E então, o que você comprou? – Izayoi perguntou, parecendo empolgada.
– Deveríamos almoçar para voltar logo para casa. – ele desviou completamente o assunto.
– Vamos lá, Sesshoumaru, não seja tão mau. – ela reclamou. – Você estava só esperando para que estivesse longe de mim para comprar um presente escondido, não foi?
Mais uma vez ele não respondeu, já tinha pegado os hashi's e começara a comer. Izayoi suspirou pesadamente, sabendo que daquela vez, não conseguiria arrancar nada dele.
– Tudo bem, tudo bem… amanhã eu vou acabar descobrindo mesmo. – Izayoi deu-se por vencida.
Um sorriso discreto ainda se formou no canto dos lábios de Sesshoumaru, certamente deixaria a mulher curiosa o suficiente pelo resto do fim de semana e se possível, impediria Rin de mostrar a ela o seu presente de White Day. Aquilo o deixaria muito feliz por muito tempo.
Izayoi não insistiu mais durante o resto do tempo que estiveram juntos para terminar o almoço e no caminho de volta para casa. Por sorte, quando chegaram à mansão, tinham pessoas suficientes para carregar as sacolas de compras de Izayoi e Sesshoumaru se veria livre do peso.
– Eu vou subir para o quarto. – ele avisou, levando consigo apenas a pequena sacola que estava o presente de Rin e jogando a chave para o chofer levar o carro até a garagem.
– Tudo bem. – Izayoi concordou, sendo seguida por um dos empregados que carregava suas compras. – Descanse muito, nós vamos sair amanhã.
Ele não pôde evitar olhar de soslaio para Izayoi. Ela só poderia estar tirando alguma brincadeira com a sua cara – como estava constantemente.
– E não me olhe assim. Você vai querer ir por si mesmo. – ela sorriu travessa, passando direto por ele e entrando antes na casa.
– Okaeri, Izayoi-san. – a voz de Kaede foi ouvida da entrada da casa. – Devo mandar servir o almoço?
– Não precisa, Kaede. – Izayoi respondeu com seu habitual tom tranqüilo. – Nós já almoçamos antes de vir. E Rin-chan, ela não apareceu?
– Ainda não. Deve vir mais tarde. – Kaede comentou parecendo bem contente com aquele fato. – A menina Rin está mesmo muito empolgada, não é?
– Com certeza. – Izayoi sorriu mais largamente, aumentando ainda mais a confusão na cabeça de Sesshoumaru.
Ele não ficou para perguntar, passou pelas duas mulheres sorridentes e subiu até seu quarto. Devia admitir que estava curioso acerca do que elas tanto escondiam sobre Rin, mas também não insistiria a ponto de fazer Izayoi ficar convencida por uma semana inteira.
Assim que entrou no quarto e fechou a porta, não pôde evitar colocar a pequena sacola com o presente sobre a mesa do espelho e imediatamente seguir até a sacada, mais uma vez, ela não estava lá. Já tinha perdido a conta de quantos dias parara naquela sacada e não conseguia mais ver a jovem cuidando das rosas. Vez ou outra, via uma empregada qualquer fazendo aquilo por Rin. Realmente estava começando a ficar muito curioso sobre o que ela fazia de tão importante que quase não era vista e que fazia Izayoi querer tirá-lo do sério com insinuações bem diretas.
Ficou observando o jardim por uns minutos e logo desistiu de esperar pela jovem. Mais cedo ou mais tarde ela deveria aparecer em algum lugar.
Suspirou pesadamente ao sentar-se na cama e deixou-se cair de costas, deitando-se e observando o teto demoradamente. Sentiu os olhos arderem depois de alguns segundos sem piscar; logo estava adormecido. Aquelas compras de Izayoi pareciam ter lhe deixado um tanto quanto cansado.
Teria dormido por mais alguns minutos se não tivesse se assustado com um baque surdo que parecia ter acontecido bem próximo de seu quarto. Levantou-se quase de um pulo, sentindo uma dor leve na cabeça por conta do susto. Só faltava essa agora, alguém devia estar tentando destruir a casa. Era só ele fechar os olhos por dois malditos minutos!
Seguiu até a porta, abrindo-a e olhando para os dois lados do corredor. Arqueou a sobrancelha quando viu uma mesinha caída perto da escada e cacos de um vaso no chão. Mas surpreendeu-se por ver que Rin estava ali do lado, parecia preocupada com o estrago que tinha feito. Ela estava tentando juntar alguns pedaços do jarro que caíra.
Sesshoumaru andou até a garota a passos lentos, fazia tanto tempo que não a via que estava até estranhando a aparição repentina dela, bom, de uma maneira bem… inconveniente.
– Rin? – chamou-a quando já estava perto o suficiente para ser notado, mas a garota continuava a tentar juntar os cacos do vaso.
Ela não emitiu som, apenas levantou a cabeça, parecendo assustada com a repentina voz. Ele teve completa certeza de que ela tinha corado ao vê-lo, mas parecia constrangida por ter sido pega naquela situação.
Rin levantou-se imediatamente, fazendo reverências para ele, como se pedisse desculpas, ambas as mãos estavam fechadas diante de seu corpo, na altura das pernas.
– Não precisa fazer isso. – Sesshoumaru disse simplesmente, tocando nos ombros dela para que ela parasse e ficasse direito de frente para ele.
Rin pareceu um pouco confusa com o que ele tinha pedido, mas então, sorriu e confirmou com a cabeça.
– Que barulho foi esse?
Imediatamente os dois se viraram para o topo das escadas e fitaram a imagem de Izayoi que acabava de chegar. Ela olhou rapidamente para os dois e então, fitou o chão, com os restos do vaso espalhados.
– Kami… o que aconteceu? Rin-chan, querida, afaste-se daí ou pode se machucar. – ela avisou, parecendo ignorar a própria pergunta inicial. – Eu vou mandar alguém arrumar isso. Vocês estão bem?
Sesshoumaru fez um sinal positivo com a cabeça, Rin seguiu o movimento dele e fez o mesmo movimento, juntando as mãos frente ao corpo e sorrindo para Izayoi.
– Bom, então vou lá embaixo pedir para Kaede dar um jeito nisso. Volto depois. – Izayoi virou-se, voltando a descer as escadas.
– É melhor escutar o que Izayoi disse, e se afastar antes que se machuque. – Sesshoumaru advertiu para Rin.
Ela fez um movimento positivo com a cabeça, e já estava quase correndo na direção da escada, como se fosse fugir dele mais uma vez… claro, como fazia já havia um certo tempo. Mas dessa vez, mesmo que não conseguisse uma explicação compreensível, conseguiria detê-la.
Segurou a jovem pelo pulso para evitar que se afastasse, e apenas naquele momento percebeu uma coisa de errado com ela. Olhou para a mão dela quando sentiu um líquido viscoso tocar sua mão. Havia um pequeno corte ali, ela devia estar escondendo-o desde que ouvira a voz de Sesshoumaru perto de si.
– Você não devia esconder isso das pessoas. – ele disse, quando ela virou-se para ele depois de ter seu pulso segurado.
Rin sorriu e balançou a mão livre rapidamente, como se quisesse indicar que não havia problemas, que não precisava de cuidados, mas Sesshoumaru ignorou o ato dela e começou a puxá-la para o lado oposto.
– Venha, precisa cuidar disso.
Ele virou-se para ela quando sentiu que a jovem estava hesitando, como se quisesse voltar atrás. Arqueou uma sobrancelha ao ver a expressão ainda completamente constrangida dela. Deu um passo na direção dela, até ficar perto o suficiente para que a jovem se assustasse. Fez-la levantar a cabeça para encará-lo e dessa vez o vermelho nas faces dela foi notável.
– Não se preocupe, só precisamos dar um jeito antes que inflame. – ele disse calmamente, voltando a se afastar dela e continuando a andar.
Rin sorriu discretamente e então, seguiu-o finalmente. Sesshoumaru só parou de andar ao chegar ao final do corredor e abrir a porta de um dos amplos banheiros da mansão. Ele ainda guiou-a até a pia para que lavasse a mão.
Enquanto ela lavava o sangue, ele buscava alguma coisa no armário bem em cima da pia, ao lado do espelho. Rin ficou a encará-lo por um tempo, esquecendo-se completamente do ferimento. Desviou o rosto, completamente corada, quando ele olhou-a de soslaio, parecendo perceber que ela estava fitando-o. Um discreto sorriso se formou no canto dos lábios do homem enquanto tirava algumas coisas de dentro do armário. Ele colocou um anti-séptico e algodão sobre a pia e pegou uma toalha logo depois para poder limpar as mãos dela.
Os dois não falaram nada – Sesshoumaru não falou e Rin também não gesticulou – enquanto ele cuidava do pequeno corte dela. Rin tinha os olhos muito fixos nas mãos de Sesshoumaru que cuidavam de seu ferimento habilmente. Ele ainda desviava os olhos vez ou outra para fitá-la, mas ela parecia estar muito entretida com as mãos dele para prestar atenção em seus olhos. Ele sorriu uma vez mais, de um jeito quase que inconsciente. Terminou de passar o remédio no corte e finalmente voltou a falar.
– Pronto. – avisou, soltando as mãos dela. – Mas eu não tenho uma faixa ou gaze pra fazer curativo.
Ela balançou as mãos mais uma vez, indicando que não havia problema com aquilo, ainda estava sorrindo. Sesshoumaru colocou as mãos no bolso e apenas naquele minuto lembrou-se de uma coisa. Colocou a mão no bolso traseiro da sua calça social e tirou um lenço de lá. Claro, sempre estava com um lenço, fosse no bolso da calça ou da camisa social.
– Aqui… – ele segurou a mão dela novamente e então, amarrou o lenço em volta dela. – Isto deve servir por enquanto.
Rin pareceu não gostar do ato dele, parecia estar mais preocupada com o lenço do que com o corte, estava tentando negá-lo, mas Sesshoumaru amarrou-o rapidamente em volta da mão dela antes que pudesse ser impedido.
– Ah… então vocês estavam se escondendo aqui.
A conhecida voz de Izayoi foi ouvida da porta aberta do banheiro. Os dois se viraram para fitar a mulher e Rin lhe sorriu novamente.
– Rin-chan se machucou com os cacos? – Izayoi perguntou, notando o lenço amarrado na mão dela e o resto das coisas que Sesshoumaru usara para cuidar do ferimento sobre a pia.
A garota desta vez fez os mesmos gestos para Izayoi, como se explicasse o que estava acontecendo. Dessa vez, ele prestou atenção em cada mínimo movimento dela.
– Ah, então tudo bem. – Izayoi sorriu assim que Rin terminou a seqüência. – Sesshoumaru é bom nessas coisas, não é? Deveria ser médico.
Rin afirmou com a cabeça, num movimento veemente.
– De qualquer modo, foi bom que não machucasse os pés. – Izayoi falou, sorrindo largamente. Rin concordou mais uma vez e Sesshoumaru arqueou a sobrancelha.
Ele estava começando a sentir que estava sendo excluído novamente. Mais uma vez aquele sorriso convencido de Izayoi e já não estava mais suportando aquilo. Recolocou as coisas no armário e jogou o algodão usado no lixo.
– Eu vou voltar para o quarto. – disse simplesmente, seguindo para fora do local antes que pudesse ouvir alguma resposta das outras duas.
Andou a passos largos pelo corredor até que alcançasse o quarto mais uma vez. Entrou e fechou a porta bem atrás de si, encostando-se a esta e suspirando demoradamente. Izayoi sabia como cansá-lo.
Mais uma vez naquele dia seus olhos pousaram sobre as portas abertas da sacada. Sabia que não veria Rin no jardim – a jovem estava em sua casa, afinal –, mas mesmo assim, observar aquelas rosas lhe dava uma sensação boa.
Encostou-se ao gradil da sacada e ficou apenas observando o jardim vizinho, enquanto uma leve brisa de fim de tarde balançava seus cabelos. Não demorou muito e escutou alguém bater na porta do quarto. Sabia que não ia demorar em ser incomodado novamente.
Andou até as portas da sacada e parou ali mesmo, ainda olhando para o jardim vizinho.
– Entre.
Não se virou para ver quem era, provavelmente Izayoi chegaria falando alguma coisa para tira-lo do sério, ou algum empregado lhe avisando sobre o jantar ou qualquer outra coisa irrelevante. Estranhou quando não ouviu voz nenhuma lhe chamando. Virou-se para encarar uma Rin envergonhada, com as mãos atrás do corpo, parada bem na porta. Parecia estar com medo de entrar no quarto ou de se aproximar dele.
– Rin? – ele afastou-se da sacada, seguindo até a garota.
Ela pareceu atrapalhar-se com a aproximação dele, ele não sabia se ela estava constrangida ou se estava com medo que ele lhe fizesse alguma coisa, mas era engraçado o modo como ela estava reagindo quando não tentava fugir. Antes que ele conseguisse se aproximar um pouco mais, ela esticou rapidamente os braços na direção dele, mostrando-lhe um envelope branco com um selo prateado. Ele foi obrigado a parar com o movimento dela e então, fitou o envelope de maneira curiosa.
– É pra mim? – perguntou, confuso.
Ela balançou a cabeça positivamente de uma maneira frenética. Ele pegou o envelope das mãos dela e antes que pudesse abrir ou perguntar alguma coisa a mais, ela já estava lhe acenando um "tchau" e saindo às pressas do lugar, fechando a porta bem atrás de si.
Sesshoumaru sequer teve tempo de raciocinar acerca do que estava acontecendo. Piscou duas vezes antes de se dar conta de que Rin já tinha deixado o local. Quase riu da reação da garota. Deu meia volta, achando que seria melhor deixar que ela corresse para longe dele no momento, e então, sentou-se na cama, observando a carta atentamente. Não havia nenhum nome de destinatário ou coisa parecida. Abriu-a, não suportando a curiosidade. Puxou de lá um convite com bonitas letras prateadas… um convite para uma apresentação de dança num dos Teatros de Tokyo, a data era do dia treze de março… arqueou ambas as sobrancelhas ao ver a atração principal. Rin iria subir novamente aos palcos exatamente às 20h30min do dia seguinte?
Puxou o convite todo para fora do envelope e viu um pedaço de papel a mais cair. Pegou o novo bilhete e abriu-o… dessa vez não estava com ideogramas de computador, estavam apenas bem escritas por uma caligrafia da qual ele lembrava vagamente.
"Gomen. Eu estava ocupada esses dias… sabe? Eu consegui voltar a dançar, depois daquele dia. Eu queria que você estivesse lá pra ver…
Arigatou, Sesshoumaru."
Sorriu largamente dessa vez, de uma maneira completamente inconsciente. Ficou olhando para o convite por uns segundos a mais. Então era isso que ela estava fazendo durante todo aquele tempo, e era disso que Izayoi costumava se gabar de modo a deixá-lo muito irritado. Bom, tinha demorado a descobrir sobre o que se tratava, mas pelo menos tinha um convite especial em mãos no momento.
Ficou sentado na cama por um tempo a mais, deixando o convite na mesa de cabeceira. Estava ponderando se deveria ou não sair do quarto e procurar por Rin na casa, mas mesmo que achasse, tinha quase certeza de que a jovem iria se desvencilhar dele, como sempre fazia desde o maldito dia dos namorados.
Só saiu do quarto novamente quando já estava na hora do jantar, Rin já havia voltado para casa. Jantou acompanhado de Izayoi, como já era costume, e dessa vez, a mulher finalmente começou a comentar sobre a apresentação de Rin naquele domingo, da qual ela já estava informada há semanas, mas fizera questão de guardar segredo até que a própria Rin fosse lhe contar… de certo modo, tinha gostado do jeito como a garota lhe contara sobre a apresentação.
Mas apenas naquele segundo que se deu conta de que ela iria fazer a apresentação bem no White Day.
– Ah! Amanhã, depois da apresentação, vamos nos reunir na casa de Nayako-san pra o jantar, vamos comemorar por Rin-chan. – Izayoi avisou, logo que terminou o jantar. – E você vai, não é?
– Hai. – ele respondeu, terminando de tomar seu chá logo em seguida.
Depois do jantar, Sesshoumaru só voltou a encontrar Izayoi no dia seguinte, ao café da manhã. A mulher parecia mais empolgada do que Rin deveria estar para a tal apresentação… na verdade, todos pareciam mais excitados do que a mulher. Porém, não havia como confirmar aquilo, já que ele não a vira o dia todo para dizer se ela estava nervosa ou não.
Queria poder tê-la visto durante o dia, queria ter tido a chance de desejar-lhe boa sorte, dizer que tudo daria certo, ou alguma coisa assim, afinal, soubera de tudo de uma maneira tão súbita que nem tinha como dizer alguma palavra de conforto.
Olhou-se de maneira interrogativa no reflexo do espelho. Desde quando ele sabia palavras de conforto? Terminou de arrumar o colarinho da camisa social cinza, deixando as mãos caírem lentamente. Suspirou. Levantou as mãos novamente e desabotoou o botão da gola. Não tinha porque estar tão arrumado para aquilo, na verdade, já estava diante do espelho há uns dez minutos, apenas pensando em abotoar ou não aquele colarinho. Sorriu, percebendo que até ele parecia nervoso com aquilo. Desviou os olhos da própria imagem e fitou o pequeno pacote que continuava ali, em cima da pequena cabeceira desde o dia anterior. Apenas agora estava lembrando que não tivera chances de dar o presente à Rin o dia inteiro. Bom, certamente conseguiria uma chance naquela noite.
Bem ao lado do pequeno pacote, estava o seu terno e a gravata. Não queria colocar nenhum dos dois, mas não via saída se não usar pelo menos o terno. Tinha que usar aquelas roupas todos os dias. Olhou o relógio de pulso, já estava na hora de ir.
Tirou a caixinha retangular azul, com um laço, de dentro do pacote, colocando-a no bolso da calça em seguida. Pegou o terno e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Desceu as escadas e, como já era de se esperar, Izayoi ainda não estava pronta.
Olhou o relógio de pulso novamente, já eram quase oito da noite, se a mulher não se apressasse, eles chegariam atrasados. Precisou apenas pensar nela e a mulher já descia as escadas apressadamente. Ela usava um bonito vestido que ia até o meio das canelas, com um sobretudo por cima e os cabelos presos num coque alto. Às vezes ele se perguntava se a mulher tinha mesmo idade pra ser mãe de Inuyasha e praticamente sua mãe.
– Podemos ir agora, Sesshoumaru. – ela disse, terminando de descer as escadas, sorridente. – Eh…? Não imaginei que se vestiria assim… fica bem melhor em você, sabia?
– Vamos indo. – Sesshoumaru mudou de assunto, pegando a chave do carro que estava do lado da porta de entrada e já abrindo a mesma.
– Não está esquecendo de nada? – ela perguntou, dando a idéia de que ele realmente estava esquecendo de alguma coisa.
– Creio que não. – Sesshoumaru disse, pensando se ela não se referia à maldita gravata.
– E que tal isso? – ela puxou um envelope da pequena bolsa, o mesmo que Rin lhe dera na noite passada.
Sesshoumaru arqueou as sobrancelhas. Claro, o convite. Como entraria lá sem um?
– Homens são realmente desatentos, o que seria de vocês sem nós, mulheres? – Izayoi falou de maneira pesarosa, passando direto pelo enteado e saindo primeiro da casa. – Vamos, Sesshoumaru, ou então, chegaremos atrasados.
Ele rodou os olhos, ela sempre fazia aquilo, sempre se colocando na frente de tudo, em todos os sentidos. Sorriu e saiu de casa, fechando a porta. Entrou do lado do motorista depois de abrir a porta para que Izayoi entrasse também.
– E Kaede? – Sesshoumaru perguntou, quando já estavam saindo de casa. Acabara de notar que não vira a mulher antes de sair e ela sempre aparecia para falar com eles.
– Ela foi mais cedo, com Rin-chan e Nayako. – Izayoi respondeu, ajeitando o par de luvas. – Foi ajudar Rin-chan.
Além daquelas poucas palavras, Sesshoumaru continuou o resto do caminho calado, enquanto Izayoi comentava várias coisas fossem ou não de seu interesse. Quando chegaram ao teatro, já havia vários carros parando lá, pessoas aparentemente de uma classe alta mostrando suas aparências suntuosas, conversando umas com as outras colocando a etiqueta acima de tudo. Ele trajou o terno e ignorou todos os outros, cedendo o braço para Izayoi acompanhá-lo.
Eles entraram no elegante teatro e Sesshoumaru impressionou-se com a quantidade de pessoas que estavam ali. Não precisaram andar muito e então, Nayako veio na direção dos dois, despedindo-se de um casal com quem falava anteriormente.
– Que bom que chegaram! – Nayako cumprimentou-os. – A apresentação já vai começar, falta apenas alguns minutos.
– E como Rin-chan está? – Izayoi perguntou, enquanto Sesshoumaru olhava a sua volta, com os ouvidos atentos a cada palavra das duas mulheres mais velhas.
– Ela está ansiosa. Queria ter falado com vocês dois antes de começar, mas pena que se atrasaram um pouco. – Nayako respondeu. – Kaede está ajudando-a no camarim, quando a apresentação terminar, vamos lá falar com ela. Agora, vamos entrar, antes que percamos o começo.
– Claro. – Izayoi concordou e começaram a seguir o mesmo caminho que todas as outras pessoas já estavam seguindo.
Eles ficaram num dos camarotes reservados, com alguns minutos, Kaede se juntou a eles e então, depois que Izayoi trocou algumas palavras com Kaede e Nayako, as luzes apagaram-se, como num cinema, deixando que apenas o palco fosse iluminado por uma luz azulada.
O silêncio se fez entre todos ali dentro, Sesshoumaru olhava para o palco de maneira curiosa. Uma música calma começou a tocar, e então, algumas pessoas surgiram no palco, usando roupas também azuladas, como se quisessem se camuflar na luz. Começaram a encenar uma bonita coreografia, seguindo o som calmo da melodia. Mas ela ainda não tinha aparecido. Quase vinte demorados minutos, com pessoas e pessoas surgindo, aumentando o ritmo da coreografia, da música, os passos mudando… mas ela não estava entre eles.
Foi então que a música cessou, a luz apagou, as pessoas do palco acalmaram-se, afastando-se lentamente do centro deste. Por alguns minutos a mais, aquela escuridão pareceu durar uma eternidade, até uma nova melodia, mas tão calma quanto a outra, invadiu o teatro, por fim, apenas uma luz se acendeu, acompanhando a única dançarina no palco.
Ela estava vestida de branco, os cabelos negros estavam presos num coque baixo, com algumas mechas soltas. Os lindos olhos castanhos estavam praticamente fechados… ela parecia não prestar atenção em mais nada que não seus passos e a linda melodia que acompanhava.
Depois de alguns passos, ela deu início a uma seqüência um pouco mais acelerada, uma seqüência que Sesshoumaru tinha certeza que conhecia. Claro que conhecia… era a mesma seqüência que ela dançara enquanto ele a observava, quando ela caiu.
Ele curvou-se um pouco para frente, como se quisesse se aproximar mais dela, na expectativa de que se ela caísse novamente, ele estaria lá. Mas ela não cairia de novo, não é mesmo? Era para isso que ela estivera ausente todo aquele tempo, para voltar a dançar, para voltar a confiar em si mesma.
Então, ela fez o último passo que ele tinha visto, girando e saltando. Mas quando ela recolocou o pé no chão, continuou a coreografia com a mesma beleza com a qual tinha começado… simplesmente perfeita.
Ele sorriu sem ao menos se dar conta, e então, poucos minutos depois, ela encerrou a dança, com o final da melodia. Os movimentos pararam, a melodia cessou, as luzes apagaram. Uma onda de palmas tomou conta de todo o teatro, as pessoas levantaram-se aplaudindo incansavelmente. Ele também se levantou, assim como Izayoi, Nayako e Kaede. As luzes principais voltaram a se acender e então, todos os que tinham dançado ali reapareceram, agradecendo, e finalmente se retirando do palco. Ela sorria.
– Pelos deuses, ela estava perfeita! – Izayoi comentou, virando-se para Nayako.
– Sim! – Nayako concordou com ela. – Estou tão feliz, finalmente minha Rin-chan conseguiu voltar a dançar.
– Ela também deve estar muito feliz. – Kaede disse, ainda observando o palco, como se buscasse por Rin.
– Vamos indo, vamos falar com ela no camarim. – Nayako tomou a frente e seguiu para fora do camarote, sendo acompanhada pelos outros convidados. Sesshoumaru foi o último a acompanhar o grupo.
Depois de umas poucas paradas no meio do caminho, em que Nayako cumprimentava algum conhecido ou recebia os parabéns adiantados pela bela apresentação da filha, eles finalmente chegaram ao corredor dos bastidores da apresentação. Várias pessoas andavam por lá, cumprimentando-se e agradecendo pelo ótimo trabalho, inclusive os dançarinos que subiram ao palco. Exceto por ela.
Depois de várias pessoas e portas, Nayako finalmente parou diante de uma delas e abriu-a, observando as pessoas lá dentro. Rin estava sentada numa das cadeiras, conversando com uma outra jovem, apenas com suas conhecidas libras. As duas se viraram ao ouvir a porta sendo aberta.
– Rin-chan, querida! Você estava divina! – Nayako adentrou o lugar sem mais cerimônias. Rin apenas sorriu em resposta com a aparição de todos eles.
– Eu vou deixá-los a sós. – a mulher que antes falava com Rin seguiu para sair da sala, fechando a porta ao passar.
– A apresentação foi maravilhosa! Como você está se sentindo? – Izayoi perguntou, aproximando-se da jovem também.
– Rin-chan, que bom que conseguiu voltar a dançar, foi muito bem! – Kaede entrou na conversa.
Sesshoumaru deu alguns passos para trás, percebendo que aquilo ia demorar. Elas estavam sufocando a mulher, nem a deixavam falar direito, ou ao menos tentar responder às perguntas. Por mais rápido que Rin tentasse gesticular, ele achou que seria bem mais fácil mandar as três se calarem de uma vez, mas continuou recolhido ao seu lugar, bem longe da vista delas, apenas fitando uma Rin ainda com o figurino que usara para a apresentação.
Atento aos movimentos dela, percebeu quando ela pareceu se irritar com todo o falatório. Depois de algumas gesticulações a mais, Izayoi e as outras duas mulheres calaram-se, parecendo convencidas com alguma coisa.
– Okay, já chega… – Nayako levantou as mãos, como que em defensiva. – Vamos deixar você trocar de roupa para irmos para casa.
Rin sorriu e concordou com um aceno de cabeça.
– Vamos indo na frente, Nayako, Kaede. – Izayoi começou a empurrar as duas mulheres lentamente para a porta. – Até mais, Rin-chan, apresse-se, para chegarmos em casa a tempo do jantar.
Rin acenou com a cabeça novamente, e então, esperou que Izayoi e as outras duas se retirassem do lugar.
Sesshoumaru continuou parado bem atrás da porta, mas apenas Izayoi pareceu notá-lo, lançando-lhe um sorriso compreensivo. Elas saíram e Rin voltou-se para o espelho novamente, rindo da situação, mas apenas quando fitou seu reflexo, assustou-se ao perceber que não estava sozinha.
Virou-se para ele, enquanto o mesmo dava alguns passos em sua direção. Ela pareceu ficar petrificada, como se não esperasse encontrá-lo ali.
– Você estava… – ele começou a falar, sem ao menos perceber que o tinha feito, quando já estava perto o suficiente dela para que a jovem precisasse erguer a cabeça para encará-lo. – Perfeita.
Ela pareceu ficar confusa por uns instantes e então, sorriu, meneando a cabeça levemente, como se quisesse agradecê-lo. Depois daquelas poucas palavras, os dois ficaram em silêncio, apenas se encarando. Quando Rin finalmente se deu conta da proximidade dos dois, começou a gesticular as mãos rápida e complicadamente, como se estivesse confusa com o que dizer.
Ele não entendeu nem metade do que ela estava gesticulando, apenas se deu conta do que estava acontecendo quando ela se virou para sair dali, na direção do cabide das roupas. Mas antes que ela pudesse se mover direito, ele segurou-a pelo pulso, virando-se de frente para ela mais uma vez.
– Aqui… – ele colocou a mão no bolso e tirou a pequena caixinha azul, mostrando-a para Rin, atraindo a atenção no bolso e tirou a pequena caixinha azul, mostrando-a para Rin, atraindo a atençstava acontecendo quando ela se virou para sao dela. – Meu presente de White Day.
O rosto dela assumiu, novamente, uma expressão surpresa, para logo em seguida, dar lugar a um rubor intenso. Sesshoumaru soltou o braço dela, abrindo a caixinha e lhe mostrando o que havia dentro. Os olhos da garota refletiram as pequenas pedrinhas de strass que decoravam o que parecia ser um enfeite de cabelo em forma de rosa, prateado. Depois de uns segundos, apenas a observar o presente dele, ela sorriu, tocando o delicado objeto. Olhou-o com aquele mesmo sorriso singelo na face e meneou a cabeça positivamente, agradecendo.
– Deixe-me ajudar… – ele tirou o pequeno enfeite da caixinha e aproximou-se dela, estendendo os braços em volta da cabeça dela, até que alcançassem o coque baixo do penteado de Rin.
Ele estava praticamente abraçando-a, o rosto de Rin estava quase colado ao peito dele. Ela conseguia até mesmo sentir o perfume dele… era tão bom estar assim, perto de Sesshoumaru. Fechou os olhos automaticamente, sentindo que ele acabara de prender o enfeite ao seu cabelo, mas aquilo significava que ele iria se afastar agora, e bom, não era o que ela queria no momento.
Antes que ele pudesse ao menos baixar os braços depois de ter prendido o enfeite, sentiu os pequenos braços dela envolverem-lhe pela cintura de maneira hesitante. Baixou os olhos para encarar os olhos fechados dela, ela parecia estar concentrada em alguma coisa daquele jeito… parecia ainda mais perfeita. Deixou que os braços pousassem sobre os ombros dela, envolvendo-a também no mesmo abraço. Era bom senti-la tão perto daquele jeito.
Depois de uns poucos minutos, ela ergueu a cabeça para encará-lo, apenas naquele momento pareceu perceber realmente em que situação estavam… mas não se deixou abalar, ao encontrar os olhos serenos dele. Sesshoumaru abaixava o rosto lentamente na direção do dela, não havia nada os impedindo daquela vez, e ele sinceramente esperava que continuasse daquele jeito. Estava quase alcançando os lábios da jovem, tomado pelo aroma dela, quando foram drasticamente interrompidos pelas batidas apressadas na porta.
Imediatamente, Rin afastou-se de Sesshoumaru, alarmada com o novo som, parecendo voltar a realidade. A porta se abriu para dar lugar à imagem do rosto de Nayako.
– Rin-chan, querida, apresse-se. – Nayako avisou, lançando um rápido olhar a Sesshoumaru. – Você ainda precisa trocar de roupa para irmos… eu não atrapalhei, atrapalhei?
Rin rapidamente balançou a cabeça negativamente.
– Ah, que bom. Então, vamos logo. – Nayako avisou, afastando-se e fechando a porta.
– Vou esperá-la lá fora. – Sesshoumaru disse simplesmente, depositando a pequena caixinha do enfeite em cima da mesa do espelho e então, seguindo até a saída.
Não viu quando Rin estendeu a mão em sua direção, como se quisesse detê-lo, pronta para dizer algo. Fechou a porta ao sair, deixando a moça sozinha com seus pensamentos.
Quando Rin saiu novamente do camarim, para juntar-se aos outros quatro, já estava com uma outra roupa, um vestido simples e um sobretudo por cima, mas o cabelo estava intocável, apenas algumas mechas caindo sobre os ombros e o resto preso num coque, com o mesmo enfeite que Sesshoumaru tinha colocado lá.
Os dois trocaram apenas um rápido olhar, e logo Rin estava conversando com as outras três mulheres, que pareciam não perceber que havia algo entre eles, ou que pareciam ignorar aquilo. Ele não teve chance de voltar a falar com ela no caminho de volta. Separaram-se quando saíram do teatro, para que Izayoi seguisse com Sesshoumaru para casa no carro deles e Nayako, Kaede e Rin fossem no outro carro, com o motorista da família dela.
Quando já estavam no carro, no caminho de casa, Izayoi já estava comentando várias coisas sobre a apresentação da jovem. Sesshoumaru queria descobrir como é que aquelas mulheres nunca se cansavam de falar. Apenas quando estavam chegando na casa de Rin, Izayoi calou-se. Devia ter se cansado de falar sem obter nenhuma resposta ou sinal de vida do enteado.
– Muito bonito o enfeite que deu pra Rin-chan. – Izayoi falou, depois de alguns minutos de silêncio, atraindo a atenção dele para si.
Já estavam entrando na mansão quando ela falou aquilo, ele ao menos teve tempo de questionar, já estava estacionando o carro perto da entrada, logo atrás do carro em que Rin e as outras tinham chegado. Izayoi desceu primeiro, sem ao menos esperar que ele abrisse a porta, mas o esperou para que subissem as escadas da entrada lado a lado. Logo eles alcançaram a sala de estar, onde as outras três mulheres já se encontravam. Tanto Rin quanto Izayoi despiram os sobretudos, deixando-os com as empregadas. Izayoi deixou a pequena bolsa sobre o sofá, Sesshoumaru tirou o terno apenas, preparado para sentar-se, quando a voz da mãe de Rin chamou-lhes a atenção.
– Eu vou lá em cima, trocar de roupa. Volto num instante, é o tempo de servirem o jantar. – Nayako informou. Rin apenas concordou com a cabeça, assim como Kaede.
– Eu vou com você, Nayako, vamos conversar enquanto isso. – Izayoi falou, com aquele mesmo tom suspeito que Sesshoumaru já conhecia.
– Claro, vamos indo. – Nayako parecia ser cumplice das loucuras de Izayoi, Sesshoumaru não estranharia se visse o mesmo sorriso de sua madrasta nela.
As duas mulheres seguiram subindo as escadas em arco, conversando alguma coisa num tom baixo o suficiente para que eles não ouvissem. Os três ficaram observando-as por alguns segundos, até que alguém finalmente quebrou o silêncio na sala.
– Bom, então eu vou dar uma olhada na cozinha, logo logo o jantar é servido. – Kaede disse, sorrindo para os dois últimos remanescentes na sala e seguindo por um portal ao final desta.
O silêncio se fez presente na sala novamente. Sesshoumaru encarou uma Rin de costas, que estava atenta a alguma coisa no portal por onde Kaede tinha seguido, e então, sentou-se numa das poltronas. Mas não se demorou lá por muito tempo. Rin virou-se para ele, com as mãos juntas atrás do corpo. Ficou encarando-o por alguns segundos e ele teve vontade de perguntar "O quê?", mas achou que seria rude demais de sua parte, então, continuou em seu silêncio. Ela não sorriu, mas andou até ele, relutante, segurando seu pulso e puxando-o levemente, como se quisesse que ele a seguisse.
– Nani? – indagou, levantando-se e começando a seguir a jovem.
Ela olhou-o de soslaio, sorriu e indicou o enfeite que ele lhe dera, para logo depois voltar a olhar para frente. Sesshoumaru ficou pensativo por uns instantes, o que será que ela queria lhe dizer com aquilo? Mais alguns passos ao longo dos corredores da mansão e ele finalmente entendeu aonde ela queria levá-lo.
– Rosas… – ele pronunciou automaticamente, fazendo-a olhá-lo de lado e depois, voltar a observar o caminho diante de si.
Ele continuou a segui-la até aquele enorme jardim de rosas. Parou, abismado com o tamanho do local e a enorme quantidade de roseiras que seus olhos não alcançavam da sacada de seu quarto. Viu-a soltar seu pulso e andar até perto das roseiras, abaixando-se e ajoelhando-se no gramado bem diante de uma delas, com vários botões a desabrocharem e outras várias rosas já abertas.
– Sabe…
Por um momento ele ficou estático. Aquela simples palavra adentrou seus ouvidos como uma doce melodia que há muito não tinha o prazer de escutar, era a voz dela mesmo que estava ouvindo naquele momento? Era uma voz falha, baixa e suave, mas, era mesmo a voz dela que estava ouvindo? Depois de sair de seu transe, olhou em volta… não havia mais ninguém ao redor, então, ou estaria tendo alucinações, ou ela estava realmente falando. Não conseguiu questioná-la acerca da breve palavra, simplesmente… ela continuara a falar, e parecia uma voz bem real e bem externa.
– Se você parar para ouvir, se ficar em silêncio, vai perceber que as rosas falam com você. – ela continuou, acariciando as lindas pétalas vermelhas de uma das rosas. Ele ainda estava num estado atônito. Não conseguia pronunciar nada, dessa vez, as palavras tinham lhe fugido da garganta. – Por muito tempo, eu me conformei apenas com esse silêncio, um silêncio belo e singelo, um silêncio de gestos e aparências. E ele me pareceu perfeito demais para ser ignorado. Talvez as pessoas se perguntem: por que calar-se quando não lhe falta voz? Eu me perguntei… por que falar quando a voz some? Naquela hora, eu tentei, tentei gritar por socorro, eu o vi tentar falar… mas não havia voz, havia o vermelho… só o vermelho. E eu percebi o quanto era inútil usar palavras. Por que usá-las, quando os outros simplesmente não lhe dão ouvidos, quando elas não alcançam os outros, por mais perto que estejam?
Ela suspirou. Dessa vez, Sesshoumaru realmente não quis encontrar voz para interrompê-la, ela falava coisas que lhe deviam ser dolorosas. Sua voz era bonita e a cada palavra ficava mais forte. Começava a entender o motivo de tal silêncio.
Rin levantou-se, ainda ficando de costas para Sesshoumaru, seus olhos ainda estavam fixos nas rosas bem diante de si.
– Mas, depois de tanto tempo, eu quero que os outros me ouçam de novo. Quero que todos me entendam, não quero ter que me lembrar daquele vermelho a cada palavra que não consigo pronunciar. – ela disse, virando-se finalmente para ele com um sorriso em seu rosto e os olhos cintilantes de lágrimas que se recusavam a cair. – Obrigada por tentar me entender, Sesshoumaru. Obrigada por me mostrar que às vezes as palavras podem ser realmente importantes. E eu queria… queria que você fosse o primeiro a escutá-las. O primeiro a escutar. Eu realmente… eu…
Ela calou-se, abaixando o rosto agora corado. O vento soprava fraco, balançando os cabelos de ambos. Ela não completou a frase, apenas reergueu a cabeça ao vê-lo se aproximar de si, aproximar-se a ponto de lhe sentir bem perto.
– Às vezes, as palavras também são desnecessárias. – ele disse, fitando agora os grandes olhos castanhos bem perto de si, os lábios entreabertos, como se quisessem pronunciar algo.
Ela o viu mover as mãos lentamente, produzindo gestos seqüenciais com elas de uma maneira inexperiente, como quem estava aprendendo apenas a dar seus primeiros passos. Arqueou um pouco as sobrancelhas ao vê-lo gesticulando daquele jeito. Arregalou os olhos ao perceber o que significava a curta seqüência concluída. O rubor tomou conta de sua face, e não teve coragem de reerguer os olhos para encará-lo.
Ela sorriu de uma maneira inconsciente, produzindo também uma seqüencia de gestos com as mãos de uma maneira mais lenta, como se soletrasse para ele seu significado. Ao terminar a seqüência, ainda se negando a erguer a cabeça e encará-lo, fechou as mãos diante do peito, como se temesse fazer algum movimento a mais.
Sentiu o queixo sendo erguido pelas mãos dele, obrigando-a a encará-lo mais uma vez, dessa vez, perto demais. Ela precisava olhar para cima para encará-lo nos olhos, agora, fechados. Tinha certeza de que ficara ainda mais rubra com o ato dele, mas aos poucos, simplesmente fechou os olhos, assim como ele o fizera.
Sesshoumaru sentia apenas a fragrância das rosas no rosto da jovem, sua pele era macia e suave… ela era tão perfeita. Depois de alguns minutos, sem rejeição por parte dela, selou seus lábios aos dela, num beijo simples e rápido. Os rostos logo estavam afastados e ele teve vontade de sorrir ao vê-la com os olhos ainda fechados, como que saboreando o momento de segundos atrás. Levou a mão do queixo dela até a face esquerda, levando uns fios de cabelo da jovem para trás da orelha dela. Antes que Rin pudesse abrir os olhos mais uma vez, ele tomou seus lábios, agora num beijo mais profundo e apaixonado, enlaçando-a delicadamente pela cintura.
Naquele momento, palavras não mais foram necessárias. Os dois continuaram ali, apenas com seus gestos que falavam mais que suas palavras… apenas com um som melódico a lhes adentrar os ouvidos, o silencioso som das rosas.
08 de julho de 2007
Fim
Bom, aqui está finalmente o último capítulo para vocês.
Espero que todos tenham gostado da fic! Eu gostei muito de escrever, mesmo que ninguém tenha morrido XD.
Muito obrigada a todos que acompanharam a fic até aqui, adorei todos os comentários e obrigada até mesmo aos que não comentaram, fico feliz que tenham lido.
Agradecendo a Ankhy por revisar esse último capítulo, muito obrigada moça! Te adoro! E bom, espero que tenha ficado ao gosto de todos! XD
Obrigada pelas reviews do capítulo anterior de carlinha, Sah Rebelde, Lis Winchester, Hime Rin e Lenita Hino
Então, como já disse, espero que não tenha decepcionado ninguém com o capítulo, e se quiserem matar alguém… matem a Lis XDD – se esconde –
Kissus a todos e até a próxima fic!
Ja!
