Olá a todas!
E aqui vai o cap 05 – E mais cedo do que vocês esperavam, ne?
Bom... não sei se vocês vão gostar deste cap 05, mas desde já aviso que o próximo cap – no caso, o 06 - só vai ser lançado dia 24/05, lá no maravilhoso site do XYZYaoi, da Illy e da Dhandara, OK?
E nada de ameaças de morte, decapitação, etc..., hein? Heheheheheh...
Aviso Extra: Esse capítulo em especial, é uma homenagem extra à Illy-chan!
Illy, você me ajudou muito - não só nesse, como também nos outros capítulos... MUIIIIIIIIITO OBRIGADAAAAAA! .
Oh... E não se preocupe: prometo pegar mais leve com o nosso chinês - e quanto ao final que reservo a ele... digamos que vou ser mais... 'democrática'. XD
E este cap também vai para...
Blanxe, Tina-chan, Mady-chan, e agora, Ayame Yuy! (toda feliz)
Wufei – "ONNA! LAVAGEM ESTOMACAL? Eu aturei psicóticos com crises capilares, europeus trepados em lustres, limpar a sujeira de árabes tarados em cima de mesas de cozinha e ovadas na cara, mas lavagem estomacal? Onde está a decência? Onde está a honra? ONDE ESTÁ A JUSTIÇA? ON..."
Luana – "Cale-se." (voz fria seguida por um olhar sinistro, tendo por trás de si, uma nuvem negra.)
Wufei – "O... o que... o que ela tem?" (gota)
Trowa – "Parece que ela arranjou uma rival mais importante no momento." (aponta para outra jovem bem extrovertida um pouco mais à frente.)
Illy-chan – "Hô hô hô!" (batendo a mão na cabeça de Luana como se fosse esta uma criança) "Luana-chan! Sua fic está muito boa, darling, mas você tem muito o que aprender ainda, tipo, pela minha vaaaaaasta experiência em crises românticas em casais Yaoísticos, eu creio que um 'menage-a-tróis' se encaixa perfeitam... não: ma-ra-vi-lho-sa-men-te bem, neste seu relacionamento principal..."
Luana – "Illy... Quantas vezes eu tenho que repetir? Eu não gosto desse tipo de relacionamento. Na minha fic, o Heero só pode acabar com um, e na pior das hipóteses, sozinho."
Illy – "Pobre criança de mente sem imaginação... Aposto que nem sabe com quem o Hee-chan vai acabar." (sorriso colgate)
Luana – "CLARO QUE EU SEI ! Ele vai acabar com... com... eu... acho... que... que esse tipo de coisa não se decide assim, e... quer saber? Eu vou decidir, e será de forma madura e correta – agradeço sua opinião, e como minha mentora, você desempenhou bem o seu papel... mas está na hora de eu mesma criar os meus próprios finais sozinha." (e vai embora.)
Illy – "É o que veremos, hohohohohho!" (Risadinha maligna – e some numa explosão)
Wufei – "Resumindo, vai sobrar pra mim..."
Trowa – "E-xa-ta-men-te. VAI sobrar pra você..."
- 24 horasDepois -
Luana – "Hô hô hô hô hô! E a apuração dos votos está en-ce-rra-da, e nesse instante darei o resultado da graaaande votação!" (toda alegre, sacudindo vários papeizinhos nas mãos)
Wufei – "Votação? Onna, do que você está falando? Não me diga que você caiu e bateu a cabeça de novo! Eu já disse que rede não é lugar para se balançar tão forte...!"
Luana – "Calma, calma, meu chinês: eu estou falando das cédulas que eu pedi ontem para você e os outros G-boys preencherem para a grande votação "Quem vai ficar com Heero?" (sorriso confiante)
Wufei – "Ninguém merece..." (lembrando-se)
Luana – (Totalmente confiante) "E o resultado foi..." (pára e dá uma lida, muito por cima, no que tinha escrito no lado esquerdo dos papeizinhos) "Ohhh... Uma unanimidade, que gracinha!" (dá um sorrisão colgate para o público, e continua) "Por cinco votos a zero, Heero deve ficar com..." engasga "...OS DOIS?" – (gota)
Wufei - "..." (gota dupla)
Luana – "Mas..." (Luana tenta continuar, abalada com o choque) "Mas... Não havia... esta opção... nas cédulas... que EU fiz!"
(Afastando-se com uma caneta preta escondida atrás das costas, Illy-chan tenta passar despercebida da ira da escritora fajuta.)
Trowa – "Você é tão má." (o moreno observa, incrédulo, a cara-de-pau.)
Illy-chan – (mostra a língua) "Sou apenas uma pessoa que sabe do que gosta! E não reclame, senão... lembra do assunto 'M-Preg'?!" (e em seguida dá outro dos seus sorrisos de derreter... e de manipular qualquer um)
Trowa - (cara de choro)
"Por que Seus Olhos Não
Me Enganam..."
Capitulo 5
O presente de 15 anos perfeito nem sempre precisa de papel e fita.
Quantas pessoas no mundo você realmente tem vontade de enfiar uma bala no meio da testa?
Dezenas – centenas, até – de pessoas, por vários motivos, faria isso sem pensar duas vezes: por dinheiro, rancor, segredos; às vezes até mesmo por egoísmo disfarçado de amor. No momento, um certo chinês se pegava pensando por que motivo essa intensa vontade não saía de sua mente... enquanto era fitado por um velho quase gagá de sorriso sarcástico à sua frente:
- Você vem me surpreendendo, rapaz; o que seus companheiros falariam se descobrissem até que ponto foi sua petulância?
Dr J. estava sentado em frente a Wufei, tendo entre eles apenas uma mesa coberta de testes e relatórios; tudo o que havia relacionado ao caso de troca de personalidades dos pilotos Gundam.
- Tudo o que fiz foi pelo bem deles. – o piloto 05 se pegou justificando seu ato, apesar de saber que as palavras do cientista eram apenas para provocá-lo: – Eu mesmo me submeti aos testes.
- O que muito me surpreendeu, já que você não foi exposto a qualquer tipo de dano que aquela missão poderia causar; mas a sua insistência em fazer os testes junto de seus companheiros a três dias atrás foi algo... – o cientista desliza os braços por sobre a mesa e aproxima o rosto ao do piloto e diz, antes de voltar ao seu devido lugar – ...intrigante.
Em sinal de nervosismo, Wufei desvia seus olhos do velho à sua frente - o motivo de se submeter aos testes preferia guardar para si mesmo: ainda lembrava da luta feroz que travara contra Duo, e em como sua mente não receara um único segundo em matar o americano, e, por alguma razão... nem mesmo agora parecia arrependido.
- Que desculpa usou para fazê-los vir fazer o teste?
- Disse que a próxima missão que nos passariam precisaria de todos os pilotos em sua melhor forma, e que depois do desastre culinário de Yuy, todos precisariam de um check-up completo.
O chinês não pode conter o pequeno sorriso que se desenhou em seus lábios ao lembrar da face do japonês - que tinha ficado cada vez mais vermelha enquanto ouvia suas palavras. Todos já o haviam perdoado, mas ele ainda se sentia culpado. Mesmo assim Heero não desistira das panelas, e Quatre se mostrara mais empenhado que nunca, em suas aulas.
Os acontecimentos da sala de treinamento foram deixados para trás: ninguém mais tocou no assunto, mas um problema que é ignorado não é necessariamente resolvido - muitas vezes é ate o contrário, que acontece. Os olhos de Duo nem mais cruzavam com os de Heero, as palavras do japonês iam caindo cada vez mais no vácuo, e sua mão muitas vezes estendidas na tentativa vã de alcançar as amadas costas que se distanciavam, ficavam cada vez mais vazias e frias.
"Não me meterei mais nessa história." era o que o piloto 05 tentava manter na mente durante esses três dias: era ciente dos sentimentos de Heero por Duo, e assim como todos no esconderijo – menos o japonês – eram mais do que cientes dos sentimentos de Duo por Heero; mas por alguma razão, Wufei não conseguia ficar feliz de saber dos sentimentos correspondidos de seus companheiros – seria por saber que Duo, no estado em que estava, jamais irá se deixar amar por Heero, ou será por preferir que outra pessoa recebesse esse amor...?
- Rapaz? – dr J acorda Wufei de seus devaneios.
- Eu... depois direi que a missão foi abortada, e ... não vejo como provarem o contrário.
- Sei...
O piloto 05 desfaz o sorriso o deformando em uma séria carranca, mas já era tarde; o senhor a sua frente já o havia visto.
- Sabe, seus relatórios já foram mais detalhados, piloto: brigas e desmaios sem motivos aparentes... Sabe que o estado de seus companheiros é grave. Se tem algo a dizer, é melhor que seja agora.
Não havia opção. Tentando ainda não ser muito detalhista, Wufei narra os dilemas sentimentais de seus companheiros, o que em alguns momentos lhe tirou do sério, já que o cientista não se continha na hora de rir em alguns momentos, mas o riso não durou muito – a luta na sala de treinamento, agora relatada à luz de seus verdadeiros motivos, lhe pareceu cada vez mais séria.
- Bem, então vamos ao que interessa: não tenho boas notícias.
- Se fossem boas notícias o que eu buscasse, você seria a ultima pessoa eu procuraria. – impossível não se sentir atingido pelo tom ácido do jovem.
- Falo sério piloto. Relatarei agora o diagnóstico de cada um deles - farei um resumo básico, comecemos pelos menos sérios.
Piloto 04: Quatre Winer.
Seu estado é estável: devido à sua natureza pacífica, mais ainda à personalidade reservada do piloto 03, não houve grandes alterações em seu sistema nervoso central.
Podemos dizer que ele foi o piloto que ficou mais perto de um quadro aceitável, perante do que se consideraria seu quadro habitual, mas devido às circunstâncias em que se encontra, é imperativo que retorne a seu estado normal, pois, apesar de ainda não apresentar conseqüências negativas do acidente, ainda deve ser mantido em estado de observação.
Suas condições físicas estão perfeitas, mas seu entrosamento com os outros pilotos parece ter diminuído consideravelmente.
Teses sobre a fácil aceitação da personalidade que foi lhe imposta ser devida ao profundo relacionamento estabelecido entre ambos não são descartáveis; seria uma boa explicação para o 04 ser o único piloto sem seqüelas aparentes.
- Hum... Winner... Alterações no sistema nervoso? Seqüelas aparentes? O que quer dizer com isso? Não me diga que os outros...
- Me deixe terminar.
Piloto03: Trowa Barton.
Seu estado reservado foi completamente subjugado pela personalidade extrovertida do piloto 02. Poucas alterações no sistema nervoso; todas, porém, devido ao estresse e exaustão.
Sua condição física está perfeita; maior entrosamento com pilotos 01, 04 e 05.
Seu retorno ao seu estado normal se mostra necessário, mas nada que precise de uma atenção imediata.
Teses de que exista uma certa resistência de seu subconsciente à personalidade imposta não são descartadas: seria a explicação mais aceitável para a caricatura exagerada que o piloto 03 virou do piloto 02.
E mais teses sobre a influência do piloto 04 sobre ele novamente não são descartadas: seria a explicação para a ausência de ataques de fúria comumente visto em casos semelhantes.
- Humf, "nada que precise de uma atenção imediata"...? Não foi você que tirou ele de um lustre... Mas realmente, às vezes parece que a única coisa que detém esse acrobata alucinado é o Winner. Creio que se esses são os casos menos graves... Mas o que você quer dizer com "ataques de fúr..."
- Os piores vem agora:
Piloto 01: Heero Yui.
Excelente aceitação da personalidade do piloto 04: devido a seu treinamento, represara inúmeros sentimentos dispensáveis a um soldado, e agora parece ter encontrado uma válvula de escape para os mesmos.
Ainda não parece ter aprendido a lidar bem com suas novas emoções - pequenos vestígios de sua antiga personalidade ainda são notados, visto que ainda tenta infrutiferamente disfarçar seus sentimentos mais fortes em algumas situações.
Altas taxas de sensibilidade perante rejeição, alta probabilidade de depressão; necessário que se mantenha sob observação constante – possibilidade de necessidade de internação não descartável.
Sua condição física esta perfeita; melhor entrosamento com pilotos 03, 04 e 05.
Teses de que a rejeição do piloto 02 esteja agravando o seu caso são altamente confiáveis.
- Yuy... depressão...? Você acredita que ele poderia chegar a esse ponto?
- Há grandes chances, mas esse ainda não é o pior caso.
Piloto 02: Duo Maxwell.
Péssima aceitação da personalidade do piloto 01 – o choque da nova personalidade com seus próprios sentimentos e desejos é responsável por crises de raiva, delírios e grandes danos no sistema nervoso; coordenação motora ainda não afetada, mas essa possibilidade ainda não pode ser rejeitada.
Seu menor dano visível é uma pequena perda de memória.
Não é recomendado mantê-lo perto do piloto 01, visto que esse, por alguma razão aparente, é sua maior fonte de estresse.
Sentimentos friamente escondidos, apenas liberados em rompantes de raiva.
Perigoso e instável – futura necessidade de internação ou eliminação não descartáveis.
Sua condição física está perfeita; não demonstra nenhum entrosamento com os demais pilotos.
Teses de um futuro coma não descartável – esse seria o fim mais lógico diante seu estado atual.
- Co... coma? O Maxwell...? Seu estado é tão grave assim?
- Infelizmente, pelo o que você me disse, talvez a maior causa para isso sejam exatamente essas investidas do meu garoto. Mal sabe ele que isso não está fazendo mal não apenas ao piloto 02, mas a ele também.
- Ao Yuy?
- Depressão – a rejeição de Duo não esta ajudando em nada com o quadro dele; ele também corre o risco de ser internado.
- Mas isso é... terrível!
- Eu sei, por isso o chamei aqui. – um sorriso é esboçado no rosto do cientista – Eis sua nova missão...
- Trowa, eu te amo, mas se você tocar mais uma vez que seja nesses biscoitos, eu vou te mostrar uma das mil e uma utilidades que eu posso dar a um facão...
Quatre diz isso ao ter todos os seus sentidos ativados com a entrada sorrateira de Trowa na cozinha.
O europeu resmunga ainda pelas costas do árabe aparentemente concentrado em cortar a carne para o almoço, enquanto devolve o pacote de biscoitos para o armário.
- Droga. Como você sempre sabe que sou eu, quando entro na cozinha?
O europeu faz um charmoso biquinho enquanto senta na sua já costumeira cadeira perto da porta, local predileto ao qual se acostumara a se sentar durante as tortuosas aulas de culinária.
- 1o : não é difícil reconhecer o ruído de alguém pegando um pacote de biscoito – Quatre descansa ligeiramente o facão ao lado da tabua de carne – 2o : apenas uma alma viva teria a cara de pau de encomendar, em meio aos nossos suprimentos de sobrevivência, durante uma guerra, biscoitos de chocolate com granulados coloridos... e isso nem o antigo Duo faria – passando a mão em seus cabelos loiros, ele olha para trás por sobre o ombro desferindo um olhar penetrante ao seu amante – 3o : o perfume que eu te dei a alguns meses é inconfundível, afinal... – o loiro caminha até ter poucos centímetros entre eles, seus dedos percorrem os lábios entre abertos de Trowa e descem por seu queixo, para logo depois acariciar o seu pescoço – ... eu sei muito bem como demarcar meus territórios.
Um beijo inevitável estava prestes a acontecer, mas foi subitamente interrompido por mais uma alma que entra na cozinha. Duo olha indiferente aos rostos inocentes de seus companheiros; levemente irritado, Quatre volta a seus afazeres na pia enquanto ouve a pergunta do americano:
- O que você faz aqui, Winner? Pensei que Yuy fosse o único responsável pelas refeições.
- Bom dia para você também Duo, apesar de já ser meio dia. – Trowa diz, e ignora o fato de ter sido ignorado. – Sentimos falta de sua presença luminosa, no café da manhã.
- Winner? – o americano nem olha para o europeu ao seu lado.
- Heero foi mandado em uma missão, partiu hoje de manhã.
Sem mais palavras, o americano saiu sem sequer se despedir – decerto se trancaria em seu quarto, hábito não muito incomum, ultimamente; mas Trowa, antes de Duo sair, teve a chance de presenciar algo no mínimo interessante: a maior revolução em um olhar dito 'indiferente'... nunca vira tantos sentimentos passarem tão rápidos em uma expressão tão inexpressiva; era difícil de explicar, e mais ainda de entender; o moreno apenas se rendeu ao conformismo, apoiando seus cotovelos nos joelhos, suspirando ao deitar seu rosto em suas mãos.
Quatre também passava por uma revolução interna – era de sua natureza sempre estender a mão a seus amigos feridos, e o americano antes de toda essa maluquice acontecer, era o amigo que poderia considerar mais próximo de si, depois de Trowa, é claro. E no momento era também o dono da alma mais ferida dentre os pilotos, o jovem árabe sentia tanta dor apenas em olhá-lo...
Mas apesar de todo o desejo de confortá-lo, a opinião de que não devia se meter prevalecia: era o que as amarras mentais que adotara sem querer da personalidade de Trowa, semanas atrás, lhe diziam. Ninguém poderia dizer o quanto lhe doera dizer friamente, aquelas últimas palavras – informar a Duo que Heero não se encontrava mais ali – e confirmando suas suposições, ele ouve o som de algo se quebrar na sala.
Com um suspiro, ele novamente descansa a faca do lado da tábua e ainda de costas, diz ao namorado, com medo de se trair:
- Poderia, por favor, deixar um kit de primeiros socorros na porta de Duo? Creio que cortes precisam de... uma certa atenção.
- O que será que ele quebrou? Americano estressadinho... eu sei que faz tempo que o Heero não sai em missão, mas isso...
- Não se faça de desentendido Trowa: você sabe por que ele reagiu assim, afinal... – Quatre massageia as têmporas, impaciente – ...desde o acidente, nunca mais tivemos missões solo...
- Eu... eu sei que você é novo por aqui, e não me conhece muito bem, mas... bem eu... gosto muito de você, e sei que você poderia vir a gostar de mim, e...
Já fazia dez minutos que aquele desajeitado discurso havia começado. Uma jovem garota em seus trajes escolares segurava nervosamente a barra de sua própria camisa, enquanto fitava os pés da pessoa com quem falava: um garoto que não parecia muito a fim de esconder sua irritação para com a cena que estava sendo obrigado a assistir.
Notando que aquilo já estava começando a chamar a atenção de outras pessoas em frente ao prédio que morava, foi com um suspiro que ele resolveu dar um fim a isso:
- Olha, desculpa, mas eu não to a fim de sair com ninguém no momento. – o garoto chinês acena a mão com desdém, dando um 'tchauzinho', à mocinha de cabelos loiros que estava na sua frente – Tenho mais o que fazer, e creio que você também.
- MAS... espera, eu queria tanto lhe falar que...
- WUFFY!
Um garoto japonês sai do prédio e ainda nas escadarias onde seu companheiro de quarto estava de costas para a jovem, caiu sobre os braços dele – e já com as mãos em sua cintura, lança um olhar inocente por sobre o ombro do chinês, e fala diretamente com a garota:
- Foi mau gata, mas esse é meu.
E massageando sua bochecha contra a de Wufei, Heero observava a garota – que ele reconhecia como uma estudante da mesma escola que freqüentavam à cinco dias – ir ficando cada vez mais vermelha, antes de se perceber sobrando na cena e sair de fininho.
O japonês se afasta de Wufei, e não pode conter o riso ao ver o rosto do companheiro: nunca o chinês esteve tão pálido.
- Y.u.y. – os punhos de Wufei se fechavam perigosamente.
- Calma, Wufei... – Heero se afasta sem dar as costas para o companheiro de apartamento - Eu fiz isso por você, e pela garota, coitadinha...
- Como assim?
- Qual é! – Heero volta a entrar no prédio agora com Wufei logo atrás – Eu vi lá da janela o seu desespero! HAHAHAHAAH, coitadinha... se eu não aparecesse, ela ia levar um fora tão traumático que poderia até querer virar freira.
- E precisava fazer aquela palhaçada? Às vezes acho que ao invés do Winner, você trocou de personalidade foi com o Maxwell.
Wufei detém suas palavras ao perceber o que tinha falado, e viu todo o peso delas nos olhos do japonês: eles haviam perdido um pouco do brilho que mostravam à pouco; esse era o efeito que a menção ao nome de Duo causava nele ultimamente. Eles ficaram calados até pegarem o elevador, lá dentro o silêncio se prolongou por alguns minutos ainda até ser quebrado pelo piloto 01.
- Já é bastante ruim levar um fora; achei que ao menos assim, ela teria algo com o que pensar, se distrair...
Uma brincadeira. Era o máximo que a mente de Heero conseguira formular para tentar desanuviar o clima entre os dois, e tentando corresponder o esforço do amigo, Wufei formou um sorriso desajeitado.
Já dentro do apartamento, Heero se joga no sofá enquanto Wufei apenas se escora na parede, observando o japonês se acomodar.
Se fossem perguntar o que dois pilotos gundam faziam morando em um apartamento e freqüentando o colégio católico Sant Helen, de certo ambos responderiam a mesma coisa: "estamos em missão", apesar de Wufei estar passando por uma fase que a frase "pergunte de novo e terá uma bala entre os olhos" seria uma resposta mais de acordo com sua expressão.
Agora, se a pergunta for sobre qual a missão em questão, a resposta vai depender de para quem você estiver fazendo a pergunta. Heero estava lá para se aproximar do filho de um grande fornecedor de material bélico da OZ, assim invadir a mansão dele, roubar alguns projeto de armamentos realmente nocivos aos Gundans e trocar por projetos falsos. Já Wufei...
- Cara, você esta fazendo mesmo o maior sucesso lá na escola.
- Fala como se eu estivesse procurando por isso. – Wufei diz revirando os olhos logo após cruzar os braços – Bando de garotas estúpidas...
- Até onde eu sei não são só garotas. – Heero sorri, malicioso.
O chinês ainda não havia se acostumado com o modo aberto de Heero se portar a ele: há semanas que o soldado perfeito havia degelado seu coração, e apenas há cinco dias tinha o sorriso e as palavra calorosas dele só para si.
- Humpf, pare de perder tempo com comentários inúteis e me diga como se saiu.
- O cara é um idiota. Resumindo – virei seu novo melhor amigo. Depois da aula, enquanto você quebrava mais alguns corações inocentes, ele e mais alguns amigos me levaram a um lugar onde nada como identidades falsas de péssima qualidade e algumas bebidas baratas servem para abrir algumas portas...
Dito isso, Heero arremessa para Wufei um envelope que estava ate então em uma mesinha. O chinês pega displicentemente aquilo com os dois dedos, era de um papel enjoadamente rosa com detalhes dourados. Após analisar alguns segundos o conteúdo em sua mão, olha curioso para o colega.
- Um convite?
- É para a festa de 15 anos da irmã dele, ela é da nossa sala... Jeni... Jennifer... algo assim.
- É para amanhã. – disse já com o convite aberto – Não é meio em cima da hora? Como conseguiu?
- Eu... tive que negociar um pouquinho. – Heero se sentindo desconfortável, senta-se enrijecido no sofá.
- Sei... – os olhos do chinês se estreitam – E só vejo um convite aqui, como você pensa em me colocar na fes...
- EU ESTOU COM FOME! – Heero interrompe, se levantando do sofá e caminhando feito um robô, todo duro, em direção à cozinha – Acho que vou fazer o jantar; sim, o jantar, todos precisamos jan...
- Y.u.y. – sua mão impede Heero em sua caminhada ate a cozinha – Fala que eu vou ter que usar aquelas roupinhas ridículas de garçom.
- Bem Wufei, sabe como é, o cara só tinha um convite...
- Fala que eu vou ter que roubar um convite de alguém.
- E sabe, está em cima da hora e eu nem tenho presente, e...
- Por Nataku!, fala que eu vou ter que colocar cinco vigias inconscientes, passar por matilhas de cães raivosos e desativar mil e um sistemas de seguranças!
- E como o príncipe que dançaria a valsa com a aniversariante adoeceu de última hora, eu pensei que você bem que podia...
- QUANTO DE ÁLCOOL ESSES MAURICINHOS FILHOS-DE-UMA-MÃE INJETARAM DIRETAMENTE NA SUA VEIA, YUY? Você me ofereceu como... presente de aniversario para uma... patricinha! – o chinês praticamente urrou.
- Calma! – Heero consegue escapar da mão de Wufei e correr para a cozinha – Foi necessário! Fora que assim, você vai ter mais liberdade de andar por entre os convidados, mais ate do que um garçom...
- E por que VOCÊ não vai? – Wufei entra não menos nervoso que antes na cozinha.
- Até onde eu sei a missão é minha: eu tenho que me infiltrar no escritório do pai do cara! Não será muito fácil com uma garota no meu pé, e como você só vai lá como apoio para se algo der errado... – Heero começava a se arrepender de escolher entrar em um lugar com tantos objetos pontiagudos.
- Hn – O chinês fecha os olhos tentando se conformar, afinal, querendo ou não aquilo era uma razão aceitável e tudo se encaixava para o bem da MISSÃO. – tudo bem, mas fala que pelo menos você tem as roupas para a festa amanha.
- Já deixei a sua no seu quarto. – Heero responde satisfeito.
O piloto 05 havia se rendido totalmente diante daquele sorriso, nada mais havia para ser dito: o ex-Soldado Perfeito vencera outra vez, ou seria por agora ser o Soldado Imperfeito que ele vencera? Wufei se pegou pensando nisso enquanto se pôs a observar Heero fazendo o jantar. Como uma criança o japonês brincava com a comida que preparava, parecia tão feliz fazendo algo tão simples, parecia tão... bonito.
Desde que se mudaram para aquele apartamento, todas as vezes que Heero ia pra cozinha para preparar algo Wufei ia atrás e o ficava observando; só aquilo era suficiente para deixa-lo feliz, sem saber que Heero aos poucos compartilhava da mesma felicidade ao sentir os olhos do chinês sobre si. Se aproximando da pia onde o piloto 01 cortava distraidamente a carne com o que faria o estrogonofe, olha para as mãos do japonês ainda desajeitadas segurando o facão.
- Não acha estrogonofe algo muito pesado para o jantar?
- Por favor, não fale isso. – Heero da um de seus sorrisos inconsciente do efeito que eles causavam no chinês – Essa é uma das poucas coisas que eu faço que fica realmente boa, você não ach... AII!
Por desviar os olhos da carne que estava cortando para olhar o chinês ao seu lado, Heero corta superficialmente seu dedo. Acostumado com feridas maiores e bem mais dolorosas do que essa, o japonês apenas olha irritado para o dedo que sangrava. Qual não foi sua surpresa quando Wufei tomou sua mão por entre as dele e levando-a até a sua boca, o pouco sangue do japonês deslizou por entre seus lábios enquanto saiam daquele dedo trêmulo.
Wufei afasta a mão do piloto do Wing de sua boca, mas ainda a mantêm presa a suas mãos.
- Deveria tomar mais cuidado; voltar ferido de uma missão simples como essa seria uma vergonha.
Assimilando as palavras que foram ditas, Heero cora furiosamente e tira sua mão das de Wufei.
- Tem toda razão, vou agora mesmo cuidar disto.
E como se fosse tratar de algum ferimento fatal ou uma doença terminal, Heero sai como um furacão da cozinha sob o sorriso terno de Wufei.
- Bobo. – mas lembranças de palavras desagradáveis desfizeram o seu sorriso – Ah, Cientista miserável...!
- Flashback -
- Missão? Pensei que eu estivesse livre de outras missões para apenas ficar de olho nos outros pilotos.
- Ah, meu rapaz: existem prioridades que não podem ser ignoradas. No momento, a aproximação do piloto 01 e do piloto 02 é algo fora de questão – você tem como missão separar os dois.
- Creio que essa missão o Maxwell já esta realizando muito bem.
- Por isso mesmo que você só tem que trabalhar em apenas um dos lados da relação – um sorriso malévolo se desenvolve no rosto do cientista.
- Apenas um dos lados? – temeroso, Wufei já previa que não gostaria do que vinha pela frente.
- Pelo que entendi, apenas o meu garoto insiste nessa relação; o que seria o motivo do problema em si. Logo, sua missão é seduzir o piloto 01.
- Você só pode estar brincando...!
- Vou enviá-los a uma missão na colônia L3 – Lá você terá todo o tempo necessário para...
- VOCE SÓ PODE ESTAR BRINCANDO! Nunca que eu vou aceitar uma missão dessas. Nem por você, nem pelas colônias, nem pelo próprio Nataku!
- E por ele?
- Fim do Flashback -
...O gosto do sangue de Heero ainda estava em sua boca enquanto olhava para a porta. "É apenas uma missão." ele tentava repetir para si mesmo, e quem sabe assim, mesmo com a face do japonês presa em sua mente, se convencer: "É apenas uma missão".
A noite em L3 parecia brilhar mais forte para o aniversario de 15 anos de Jennifer.
Sua festa estava sendo perfeita: todos seus amigos estavam presentes no salão de festa de sua mansão, trajados a rigor como em um sonho.
E como em um sonho, não poderia faltar um príncipe: Wufei Chang, o novato que havia chamado a atenção não só dela, mas de todas as suas amigas. Foi dançando em seus braços que Jennifer não percebeu que um garoto japonês, amigo de seu irmão, saiu de fininho da festa, e após alguns minutos longe, voltara ao salão tendo a vitória estampada na face.
Logo teriam que ir embora, pensava Heero - assim que aquela dança acabasse. No momento porém, iria se divertir com o rosto contrariado do amigo! Mas... era impressão sua, ou Wufei estava... sorrindo? Suas mãos... estavam apertando o corpo daquela garota daquele jeito tão forte... ou seria apenas um engano?
"O que será que estão falando? O que ela diz que o faz rir tanto?"
Indo sentar-se na mesa para observar os demais casais dançarem, Heero sorve rapidamente uma taça de champanhe sem tirar os olhos da aniversariante e seu parceiro, em meio ao salão.
Era estranho não tê-lo por perto, não ter seus olhos sobre si; estava tão habituado a eles nesses últimos seis dias, que se sentia nu, sozinho agora, no meio de estranhos. A segunda taça substituiu rapidamente a primeira. "E ela nem é tão bonita assim..." Heero pensa venenoso, mas sabia que não era verdade; ela era linda. Seria esse, o tipo de Wufei? Heero sempre se sentira meio confortado quando via o chinês dispensar alguma garota na escola, mas será que ele só fazia isso por que não tinha achado a garota certa? Havia achado Jennifer? Uma terceira taça substituiu facilmente a segunda.
"É impressão minha, ou essa música esta demorando mais do que devia?" - Não, apenas não havia notado que já era a terceira vez que eles trocavam de musica, e lá estavam ainda as mãos e olhos de Wufei na Jennifer. "Qual é a dela? Só por que é o aniversário dela e ele o seu príncipe, isso não quer dizer que ela pode alugá-lo por toda a noite! Ou pode? E se aquelas mãos não desgrudarem daquela cintura durante toda a noite? E se aqueles olhos não ..."
O que estava pensando?
Heero tenta voltar à realidade: "Eu amo o Duo; por que então com quem Wufei dança ou deixa de dançar me incomoda tanto? Duo..."
Foi secando a quarta taça de champanhe, que o piloto do Wing viu algo que não via à seis dias: o balançar de uma trança por entre muitas pessoas.
Levantando-se da mesa, ele vai atrás da trança – tendo-a por perto, talvez, aqueles pensamentos estranhos sairiam de sua cabeça; somente o dono daquela trança o poderia consolar, o faria esquecer, afinal... ele o amava: o amor de Shinigami era dele, afinal...
Para sua infelicidade, o dono, ou melhor: a dona da tal trança usava vestido.
O olhar meio turvo de Heero vê a dona da trança - por alguma razão ate alguns minutos atrás ignorava o fato dela usar um vestido verde, um traje que o americano nunca usaria - se distanciar com alguém que julgava ser seu namorado. Suspirando profundamente, e pensando na bobagem que poderia ter feito, estica o braço para o lado e pega sua quinta taça de champanhe.
"Que garota chata! Yuy me paga!" Wufei pensava a cada movimento que dava segurando a tal de Jennifer nos braços. Há duas musicas atrás tentava se libertar da garota, mas a chata não desgrudaria tão fácil sem no mínimo um escândalo - coisa nada viável em meio a missão.
Depois dos primeiros minutos juntos, Wufei já nem mais ouvia sua voz; sua mente viajava para algum lugar bem distante, seu corpo dançava automaticamente e a burra com quem dançava, nem notara que seu par riria ate mesmo se dissesse que sua mãe estava na UTI em estado grave – assim como, no momento, ele ria de suas infindáveis historias verídicas sobre batalhas sangrentas empreendidas pelos mais fofos pares de sapatos que ela já vira na vida.
Foi nesse estado semi-inconsciente que Wufei foi desperto pelo som de confusão. Com medo até de olhar, o chinês olha em direção a um grupinho de pessoas que rodeava um rapaz japonês, que quase estrangulava um garçom por lhe negar a oitava taça de champanhe.
Se a situação não fosse ridícula e ao mesmo tempo perigosa, Wufei não poderia estar mais grato pela interrupção de Heero – "Creio que isso é um escândalo suficiente." e vendo que o rosto da garota se aproximava do seu perigosamente, logicamente reivindicando um beijo, ele finalmente se vê obrigado à largar-lhe a cintura e com as duas mãos segurar aquele rosto maquiado bem longe do seu. Disse, seco:
- Suponho que a sua dança já acabou. Feliz aniversário.
E sob o olhar furioso e pasmo da garota, ele se afasta na direção de seu amigo bêbado, se perguntando quantas taças de champanhe haviam sido necessárias para embebedar o ex-Soldado Perfeito.
- Não vou nem perguntar se você se divertiu.
- Ahhh... Schegou o prínchipe...! eeeeee agora é a minha vezch de danchar...! – Heero caminha trôpego até Wufei e cai, se apoiando contra seu peito.
- Que dançar o quê! Você vai é para casa! – tenta apoiar o braço do amigo sobre seu ombro e ajuda-lo a sair de lá, mas Heero se prende à sua cintura com a boca em seu ouvido.
- EU QUERO DANCHAR, DANCHAR, DANCHAR! A BARANGA DANCHOU! ENTAO EU TAMBEM QUERO...!
- TÁ TÁ...! – Wufei com uma mão, acena para os seguranças que se aproximavam em sinal que poderia controlar o bêbado chato: – Anda, eu danço com você.
O apoiando mais confortavelmente contra seu corpo, Wufei guiava os passos trôpegos de Heero, em um salão onde todos os olhavam de maneira torta – não havia muitas chances de serem chamados para futuras festas em L3.
Mais nada foi dito entre eles dois: o cheiro de bebida com o tempo era sobrepujado por outro - o cheiro de Heero.
Ele nunca estivera tão perto do japonês para notar o quão bom era... ficava até curioso para saber como seria esse cheiro puro, sem mais nada misturado nele... Foi preso a esses pensamentos, que dois olhos azul cobalto fitaram diretamente seus olhos negros, mantendo suas bocas perigosamente próximas uma a outra.
- Por que voche me olha chempre assim, chinês?
- Assim como? – Wufei sentiu a respiração parar na garganta.
- Como se eu valeche alguma coisa... Como se valeche a pena me olhar...
- Talvez por que valha. – arriscou-se.
- Não pra ele... mas... por favor, não desvie nunca esches olhos de mim...
A boca de Heero foi de encontro à de Wufei, pegando-o de surpresa.
Sem técnica, sua língua invade a boca do outro, a percorrendo e confirmando a quantidade de álcool que ingerira naquela noite. O jovem chinês se pegou surpreso correspondendo gloriosamente o beijo, e apertando o corpo do japonês cada vez mais contra o seu.
Foi com os lábios avermelhados e respiração cansada, que Heero afasta seu rosto sorridente do de Wufei... para logo após apagar em seus braços.
Sem muita opção do que fazer, Wufei respira fundo e pega seu companheiro nos braços e sai do salão, sob o olhar hipocritamente enojado de muitos convidados... e de alguns invejosos.
- TÁ FRIA, TÁ FRIA... TÁ FRIAAAAAAA, PORRAAAAAAA!
- Quem mandou beber? Agora agüenta, idiota!
Assim que chegaram em casa, Wufei carregou Heero para vomitar na privada, para logo depois o piloto de Nataku se ver entretido na irritante – e ao mesmo tempo vingativa, missão, de manter um teimoso piloto bêbado debaixo de uma excelente chuveirada de água fria.
Tirar a roupa de Heero não foi muito difícil, mas aturar a histeria do bebum, sim – o adolescente chinês se achava digno de uma canonização. A idéia tentadora de nocauteá-lo não saía da cabeça de Wufei.
Com um visível mau humor e dizendo frases nada convincentes como "Eu tô bem, eu tô bem, PORRA!" Heero tenta sair sozinho e ainda cambaleante do banheiro, mas a cada dois passos sempre acabava se apoiando nos ombros de Wufei; deste jeito, seguiram ambos assim até a cama do japonês, em seu quarto, onde este afundou semi-morto no próprio colchão.
Wufei tinha os projetos que Heero roubara nas mãos. Sentado na cama do japonês o olhando inconsciente, ele tentava resistir à tentação de passar a noite o observando dormir serenamente, e checar os documentos roubados solitariamente em seu quarto.
"Roubados... roubado... beijo roubado." sua mente voltou ao beijo que deram no salão de festa: será que o japonês lembraria disso ao acordar? As mãos de Wufei brincam nos cabelos rebeldes de Heero. Será que ele lembraria do gosto de sua boca?
Seu corpo se abaixa lentamente sobre aquele corpo adormecido... quantas chances teria iguais a esta? Seu rosto se aproxima cada vez mais do de Heero. "Só mais uma vez!" , mesmo que não fosse correspondido, ele queria sentir aqueles lábios... o seu gosto... só mais uma vez.
- Duo...
Aquele simples nome o trouxe à realidade.
Afastando seu rosto sem nunca tirar seu olhar triste do rosto de que agora tinha certeza amar, Wufei ergueu-se de cima de Heero. Nada poderia tê-lo machucado mais naquele momento. Nada. Acariciando pela ultima vez aqueles cabelos castanhos escuros, Wufei não pôde se esquecer de para o quê fora mandado fazer, qual era a sua missão... A respiração tranqüila de Heero o fez sorrir tristemente.
- "Até quando vão continuar a brincar com os seus sentimentos?" – ele pensou, triste. - Missão rejeitada. – falou em voz baixa.
Saindo da cama de Heero, ainda com os projetos na mão, Wufei vai ate a porta, onde olha mais uma vez a figura do adolescente japonês na cama: seu rosto estava tenso, de certo algum sonho com o americano. Era no mínimo triste a sua sina... aquele que mais ama é também aquele que mais o fere, dizia um antigo ditado de sua terra. Mas reconsiderando esse fato e pensando no seu próprio caso, o piloto 05 não pode chegar a uma conclusão muito diferente sobre si mesmo, afinal, por mais que queira, nunca será o seu nome que reinaria supremo na cabeça daquele a quem amava – na cabeça daquele doce japonês adormecido.
Será mesmo? Talvez sua opinião tivesse mudado, se ficasse mais alguns minutos naquele quarto.
Assim que fechou a porta e se afastou, a expressão no rosto de Heero se desanuviou, um sorriso se fez em seus lábios enquanto se abraçava contra o travesseiro, e disse as palavras que, decerto, aliviariam um coração no momento ausente no recinto:
- Wu...fei...
- Oi pessoal, voltei!
Heero adentra o esconderijo que não via à sete dias, mas não foi recebido com muita emoção: Trowa parecia entretido com algo especialmente interessante na televisão, e Quatre sem tirar os olhos do livro que lia, apenas aponta para o corredor, que dava aos quartos, onde supostamente estava o real alvo da euforia japonesa.
Sem nada que o prendesse lá, Heero vai para o corredor. Logo atrás, acabando de entrar pela porta aparece Wufei, mais abatido do que o normal. Constatando isso ao abaixar seu livro, Quatre não pode se conter e perguntou:
- Como foi a missão? Conseguiram completá-la?
- Em parte.
O tom daquelas palavras calou o árabe. Estava diante de mais uma alma que ele não podia mais curar.
A porta do americano estava milagrosamente destrancada - tomado por uma coragem fora do comum, Heero entra no local.
Não sabia ao certo como defini-lo; era difícil dizer se aquilo estava arrumado... ou num caos total. À primeira vista, os cacos quebrados no chão talvez lhe dessem certeza de uma desordem visível, mas olhando mais de perto, tudo estava em ordem, apesar dificilmente alguém conseguir andar descalço lá: os livros, cds e revistas estavam milimetricamente arrumados, seja ordem alfabética, tamanho ou cor tudo estava calculadamente arrumado, menos os cacos – fragmentos de porcelana, como se fossem restos mortais de bibelôs e porta retratos.
Sob o criado-mudo viu um pequeno pote destampado, era um pote de creme. Creme de papaia, intocado, não parecia ter sido usado desde a ultima vez que o próprio japonês o usara nos cabelos de Duo. Não pode deixar de notar logo ao lado um laptop ligado. Se pegou sorrindo imaginando que tipo de joguinho Duo estaria brincando agora; decerto já teria enjoado daquele campo minado, mas a tela ligada só mostrava um relatório pela metade.
Bem, era lógico que o americano não usaria o laptop apenas para brincar, e ainda com esperança, o japonês minimiza o relatório e procura em todas as pastas possíveis por qualquer joguinho... nenhum.
- O que você esta fazendo aqui?
- Hã? – Heero se vira para a voz que falou em suas costas.
Duo depois de tanto tempo estava novamente na sua frente - o cabelo molhado, a pele úmida, e a toalha amarrada na cintura indicavam logicamente que acabara de sair do banho. E não parecia nada feliz em ver o japonês em seu quarto.
- Duo... – colocando a mão em seu bolso tira uma pequena caixinha – ...eu queria tanto falar com você
- Hn... – a expressão irritada não saiu do rosto de Duo.
- Olha, eu não sei nem por onde começar, faz semanas que eu disse isso pela primeira vez, quando nós acordamos depois do acidente. Eu gosto de você, e eu sei que você também gosta de mim; eu sei por que você mesmo me disse isso, e não importa quantas vezes você negue isso agora, pois eu... – Heero brinca um pouco com a caixa na mão antes de entrega-la a Duo – ... eu percebi o quanto eu posso ser egoísta: pois antes de pensar no quanto eu posso te fazer feliz, eu só consigo pensar no quanto eu posso ser infeliz longe de você.
Duo, que pegara a caixinha, abre-a curioso para ver o que é. Tirando de dentro um pequeno camafeu preso a uma corrente, olhou o desenho entalhado delicadamente em seu centro – Heero havia mandado fazer, aproveitando a pequena liberdade de movimento que a ultima missão o proporcionara; é certo que ia antes esperar a hora certa para entregá-la, mas uma sensação de urgência o fizera se apressar, era como se por acaso não entregasse agora, algo ou alguém não o deixaria fazer.
- No camafeu eu pedi que entalhassem um par de asas cruzadas e uma foice deitada no centro.
- O que significa?
- Eu... eu achei que era a coisa mais próxima que simbolizasse a nossa união. Duo, não me importa o quanto você me ignora, me esnoba ou quantas palavras rudes use: eu te amo, e nada até o momento me prova que você sinta o contrário por mim. Afinal o amor do Shinigami é...
A mão de Duo cobre a boca de Heero com força, o impedindo de terminar a frase.
O japonês podia ver nos olhos do americano o quão incômodo ele era para o outro - aquilo fez seu coração se comprimir. Afastando enfim sua mão da boca do piloto 01, Duo suspira irritado e diz:
- Pelo visto então terei de ser mais direto.
E pegando agora com as duas mãos a corrente, deixando assim a caixinha cair no chão, as mãos de Duo se afastaram uma da outra lentamente diante dos olhos de Heero, que apenas assistiu estático a corrente se romper e o camafeu cair não muito longe da caixa na qual estivera guardado.
Dando um passo friamente à frente, pisando com o pé descalço em alguns cacos e no camafeu caído, Duo fica mais perto de um paralisado Heero. Prendendo o rosto do piloto 01 em sua mão direita, seus olhos violetas perfuram profundamente os olhos azul cobalto indefesos à sua frente.
- Fique longe de mim. Não fale mais comigo, não respire o mesmo ar que eu... E se por acaso eu não pude deixar isto claro antes, me desculpe: pensei que fosse óbvio.
Se afastando daquela mão fria, mas não tão fria quanto as palavras que ouviu, Heero se desvencilha de Duo e sai silenciosamente do quarto, fechando vagarosamente a porta atrás de si.
Duo sentiu uma dor na sola do pé - um dos cacos que deixara no chão decerto o havia cortado. Se abaixando para tirar aquilo que o incomodava, pega o camafeu debaixo do pé e caminha ate sua cama com o caco ainda cravado em sua sola, ignorando a dor. Era sangue o que via impregnado no camafeu em sua mão – seu próprio sangue; e sem ter que precisar ir ao banheiro, viu, turvamente, gotas caírem sobre a imagem esmigalhada e ainda rubra.
Pequenas gotas e insuficientes para limpar aquele símbolo de um desencontrado amor correspondido.
O caminho que percorreu não foi feito por passos rápidos ou corridos. Assim como saiu do quarto de Duo, passou pelo corredor e entrou no próprio quarto, Heero andava calmamente. Deixando sua porta ainda entreaberta, sentia como se o ar em seu peito sumisse aos poucos. Era isso, pensava: tanto forçara que finalmente ouvira as palavras que sempre temera ouvir... e eram verdadeiras: afinal, Duo Maxwell nunca mentia.
"Mas aquele não era o Duo... Era alguém com a personalidade do Soldado Perfeito."
Tentou por alguns segundos se prender a isso... mas nem essa esperança lhe sobrou. Sentado em sua cama, tudo o que tinha no momento eram os pequenos filetes quentes que lhe desciam por seu rosto; desacostumado com aquela sensação angustiante, e ao mesmo tempo reconfortante que aquilo que caia de seus olhos lhe trazia, Heero levou a mão ao rosto, armazenando a umidade para seu dedo indicador e olha acusadoramente aquilo que tentava lhe confortar.
- Ainda não se acostumou a elas também?
Uma voz o fez olhar para a porta agora totalmente aberta.
Trowa trajava um daqueles sorrisos que aprendera a usar com freqüência nos últimos dias, abandonado o sarcasmo que normalmente o acompanhava. Trowa esboçava esse sorriso especialmente com uma visível ternura. Fechando a porta atrás de si, o europeu se senta do lado do japonês.
- É estranho, não? Antigamente Quatre fazia parecer ser tão fácil soltá-las, fosse de felicidade, tristeza... lágrimas são friamente discriminadas como símbolos de angústia, mas na verdade, são apenas a prova de que um ser humano tem alma. – Ele pára um pouco, e seu olhar continua fixo na parede do quarto, mas sem demonstrar aonde verdadeiramente seu coração estava, ao continuar: - Eu não sei como foi o seu treinamento, Heero... assim como todos aqui, sei apenas o básico, entre algumas coisas, que você era condicionado a não sentir nada, nenhum sentimento, o Soldado Perfeito, o Piloto Perfeito, Perfeito para dar sua vida pelas colônias... Mas e se sua vida não for necessária? E se para o fim da guerra apenas a vida de seus adversários fossem o bastante? Um humano sem lágrimas... um humano sem alma... um demônio. Como será um mundo novo construído pelas mãos de um demônio?
Os olhos de Trowa fitavam fixamente a parede até ele se dar conta do que falava. Enquanto isto, era observado por um perplexo Heero: as palavras sérias do europeu o pegaram de surpresa, esquecendo a própria tristeza se pegou pensando nas palavras do amigo.
Subitamente, mais cedo do que ele próprio esperava, Trowa acorda do transe:
- Hã, me desculpa, entrei aqui e fique filosofando...
- Não, não, tudo bem... Eu... precisava disso, ouvir uma outra voz, esquecer... alguns assuntos.
- É só que... Parece tão errado... Tão errado, Heero. – o jovem alto baixa o olhar para seus pés - Talvez para salvar as colônias, pilotos sem alma sejam necessários, mas e para salvar a sí mesmo? O sacrifício de um é facilmente aceito pela vida de todos, mas e se esse sacrifício não for necessário? Heero, e se todas as suas lágrimas contidas forem em vão? ...e se as minhas lágrimas também forem... e se agora as dele... – Trowa se cala, notando que falara mais que o necessário, e soltando uma repentina risada, termina - Maldito americano, já estou falando demais! Heero, eu só queria dizer, que... não existem demônios ou shinigamis; apenas humanos com almas feridas. Fico feliz de ver que finalmente está curando a sua alma.
Carinhoso,o moreno mostra os olhos verdes estranhamente opacos, enquanto seca, com o indicador, as lágrimas do amigo enquanto fala, antes de levantar.
Realmente estava feliz por ver a alma de seu companheiro se curar, mas as palavras que ele dissera naquela hora não eram, exatamente, para o japonês, afinal, era em seu anjo em quem pensava: temia que a alma dele começasse a se ferir, com o silêncio implacável e devorador existente em sua própria alma. Indo para a porta, se lembra de algo mais a dizer:
- Sabe algo engraçado? O Quatre ainda me ama. Eu mudei, ele mudou, mas no fundo, ele ainda me ama: quando ele me olha, sua expressão é diferente, e acho que ele sente o mesmo quando eu olho para ele, mas no fim, sempre me pego olhando no fundo daqueles olhos azuis e vejo que nada mudou: não importa que seus atos estejam diferentes – eu sei que seus sentimentos são iguais aos de semanas atrás. Algumas... pessoas ficam confusas com as mudanças que lhe são impostas, e fazem algo que em seu senso comum não fariam... Você tem olhado direito no fundo de certas violetas?
Deixando o japonês preso em profunda reflexão, Trowa sai de vez do quarto.
Heero se deita e fica alguns segundo olhando para o teto antes de fechar os olhos. Tudo era tão confuso...! Uma coisa era certa: ele ainda amava Duo, apesar de não ter mais certeza de que seu amor era correspondido.
Mas o que não havia contado a Trowa, era que há alguns minutos atrás havia entregado uma coisa que planejava dar a Duo quando tudo voltasse ao normal, mas algo o fizera entregar antes; tivera medo que esse algo, de alguma forma, o influenciasse a se afastar de seu atual amor, e esse algo nada mais era do que um par de belos olhos...
... e que Trowa se surpreenderia, ao descobrir que não eram violetas.
Mas sim, negros.
Continua...
Luana – "Desculpem os nossos problemas técnicos!" diz isso conferindo se as cordas que prendem uma revoltada Illy-chan estão bem presas "Agora, vamos para o nosso real resultado!"
Wufei – "Onna, você ainda não desistiu?"
Luana – "Dessa vez serei mais prática: vocês vão escrever na minha frente o que querem, e por que."
Wufei – "Admita, Onna: você só esta fazendo isso por que não sabe que rumo dar à fic."
E os cinco G-boys escrevem cada um caladinhos as suas respostas... entre eles, um chinês com um galo visivelmente grande na cabeça.
Luana – "Ding ding ding! Fim da votação, minha gente! E o resultado foi..." olha chocada para o papel de novo "Vocês só podem estar de brincadeira... EU NÃO VOU ACEITAR ISSO!" (berra, revoltada)
E é então que, munida com a força dada por SãoYaoi, Illy-chan se livra das cordas - e com o maior sorriso do mundo fala o resultado.
Illy-chan – "Por CIIIIINCO votos a zero... Heero deve ficar com os dois!" AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!"
(Fogos explodindo)
Quatre – "..."
Trowa – "Quem sabe com dois namorados ao mesmo tempo, agora, o Heero não tenha mais tempo para cozinhar."
Heero – "Inglês é uma língua muito importante hoje em dia, mas o chinês também esta ganhando sua importância no mercado e nas escolas."
Duo – "..."
Wufei – "Quem sabe se nos três ficarmos juntos, ela não consiga encontrar brecha para uma continuação dessa fic fajuta!"
Illy-chan - (vermelha e com o coraçãozinho batendo a mil) "Bem... heheheh, por motivos… AHEM, nobres, os três vão ficar jun…!"
Luana – "NÃO ACEITO! Eu já falei para você, Illy: eu não gosto de ménage-a-tróis!"
Illy-chan – (revirando os olhos) "Meu São Yaoi... perdoai, ela não sabe o que fala."
Luana – chega de palhaçada! Quer saber? Opinião de personagem fictício não conta!
Nota da Autora: Oi, garotas! O/
Vocês, que tem a paciência de ler minhas fics, me mandem comentários a respeito da situação criada nesta fic! Isso ae! Vamos resolver este triângulo o mais rápido possível!
OK – mandem emails até o fim dessa fic para dizer com quem dos dois, Heero vai ficar: Duo ou Wufei. O que receber mais votos, ou mandar motivo mais convincentes leva o Heero. Aceito qualquer opinião.
Illy-chan – "Que tal..."
Luana – "MENOS MENAGE-A-TRÓIS! Òó"
Wufei – "Patético... é incrível como sua falta de criatividade pode fazer decair tanto. Só falta você dizer "Aqui, você decide"!
Luana – "Cuidado chinês... eu só preciso de algumas teclas para transformar esta fic em uma M-preg de quádruplos."
Wufei – Por favor; VOTEM... VOTEEEEMMMM! Aqui, você decide!
