Oláááááá!!!! o/
Eis-me aqui, novamente, e com o cap 08 saído do forno, hehehehe
Um recadinho, antes, please!
Para as fãs fiéis de Gundam Wing e as conhecedoras dos Episódios Zero, eu peço desculpas, mas para este último capítulo, eu vou alterar consideravelmente a versão do manga e anime... Algumas das falas e reações dos personagens serão tiradas fielmente do anime, enquanto outras, de mim mesma, assim... não esperem muita coisa.
Só queria explicar algo que deixei em aberto no cap anterior.
E agora... Vamos para o fim!!!! Illy? Vamos ver se fica feliz, sua eterna fã do nosso chinês!!!
Luana – "Nhaaa.. nesse último capítulo todo mundo já voltou ao normal? ...Só quem restou foi o Hee-chan? Como vou fazer vocês sofreremagora?"
Wufei – "Onna, não haja como se não tivesse sido você mesma quem decidiu isso!"
Luana – "Já sei!!!" – afasta a mesa do computador e se cobre com um cobertor – "Vou dormir!"
Wufei – "Quanta irresponsabilidade!" ( revira os olhos.)
Treize – "Mas senhorita... Você fará de minha primeira aparição nesta fabulosa fic... a última?"
Luana – "Tre...Tre...Treize-sama!!" ( baba escorrendo.)
Treize – "Por favor, me empreste suas adoráveis mãos e guie novamente meu destino pelas linhas de seu computador." – coloca sua mão direita entre as dele e a beija – "Estou ansioso para o surpreendente desfecho que vai dar para essa digníssima fic."
Luana – "É pra já!!!" ( pula de novo na cadeira em frente ao computador e digita furiosamente.)
Wufei – "Seu manipulador, mercenário...!!" (xinga )
Treize – "Realmente, meu caro dragão... o manipulador sou eu, mas já o 'mercenário'..." (mão estendida para trásenquanto outra pessoa coloca notas de dinheiro discretamente sobre elas.)
Illy – "Hehehehee... Mercenária, eu? 'Magina...!"
"Por que Seus Olhos Não Me Enganam..."
Capítulo 8
O Motivo de minha existência
Mas afinal, de quem é essa voz?
-DUOOO!!! Pare de se mexer!!
- Não, eu já disse que não vou deixar você cortar o meu cabelo! Me esqueceirmãVai rezar as suas avemarias e me deixa em paz!
Duo chegara há algum tempo, naquela que seria sua nova casaa igreja Maxwell. Debatendo-se em uma cadeira, ele testava a paciência de irmã Helen, que insistia em tentar cortar seu longo cabelo.
Esse... Sou eu... Cara, até quando pirralho, eu era um gato!
- Vamos Duo, não seja cabeça dura, isso é totalmente anti...
- Eu to me lixando quanto à higieneSe não está gostandopode me largar de novo na rua, eu não preciso de ninguém mesmo, eu não...
E essa... É a irmã Helen, linda e gentil, mas sempre com essa mania irritante de se meter em minha vida, ela era especial.
Surpreso durante alguns segundos, por não sentir mais as mãos persistentes da freira puxando-o contra a cadeira, Duo se acalma, e fica preocupado: "será que eu exagerei?". Preparando-se para virar-se de costas e ver o que podia fazer para consertar seu erro, ele foi surpreendido com um calor que não sentia há algum tempo: o de ser envolvido por braços.
- Nem que eu quisesse poderia te largar na rua Duo, afinal mesmo sendo tudo muito recente, já é inegável que aqui é seu lar.
Como eu pude esquecer, por algum segundo, aquele calor? Não, eu nunca o esqueci: só o escondi em algum lugar dentro de mim nessas ultimas semanas, junto com minhas palavras.
Duo ruborizou diante a tanta demonstração de carinho, algo tão diferente do que recebia nas ruas, tão... precioso.
- Mas ainda precisamos dar um jeito nesse cabelo – ela desfaz o abraço.
Tão teimosa... tão obstinada...
- Nem pense em corta... afff!! – Duo sente seu cabelo ser puxado para trás e para não se machucar mais, joga suas costas contra o espaldar da cadeira – O que você está fazendo?
- Agradando o freguês. – Helen diz, sorridente – O senhor não quer cortar o cabelo, tudo bem; mas cheguemos então a um meio termo.
Tão forte...
Sem coragem de contrariar aquela voz tão carinhosa, Duo se calou enquanto sentiu seu coro cabeludo ser massageado. Logo em seguida, aqueles dedos habilidosos se moveram por todo o cabelo, formando uma trança.
- Pronto! – diz a freira orgulhosa.
E com um senso estético quase tão bom quanto o meu.
Duo pula ansioso da cadeirae tenta ver como ficou o cabelo, o que não foi muito difícil, dado o seu tamanho.
- Hm... Legal, mas por que uma trança?
- Achei que era um penteado digno do chibi-shinigami-sama. – a freira sorriutocando o nariz da criança com o indicador – Cuide bem dela eu ajudarei no começo... e quando menos esperarela crescerá e veremos se ela será digna de um dono sem um "chibi" no nome.
- Tá certo. – Duo assentiu com a cabeça e saiu correndo corredores adentro.
- Irmã Helen, quantas vezes eu já lhe falei sobre esse apelido?
Era a única que me entendia...
Um padre apareceu na porta por onde Duo saíra.
- Padre. – a freira o cumprimenta – Ele é só uma criança, e o senhor o ouviuquando chegou aquiele não acredita em Deustalvez se tratarmos esse "Shinigami" como um herói de quadrinhosele aprenda a não levá-lo a sério no futuro.
A única que tentava me entender- É uma psicologia arriscada, Irmã.
- Ele é um bom garoto, Padre, apenas confuso; só precisa de orientação.
A única que realmente me amou.
- E DE UM X-BURGUER COM BATATAS FRITAS! – Gritou uma voz de fora da sala.
- Quantas vezes eu já te falei para não ficar ouvindo as conversas dos outros, mocinho? – o Padre se afasta de irmã Helen e vai em direção de onde vinha a voz: – Duo, DUO!!!
Ou ao menos era o que eu acreditava, até pouco tempo atrás... Heero.
Se alguém um dia me deu asas, foi ela. Se alguém um dia me fez ter vontade de usá-las... foi ele. Heero... me veja voar novamente! Vestindo minhas asas negras de Shinigami, eu o levarei para qualquer lugar: só me veja voar novamente.
D...
Du...
DUO...!
oOo
- Duo!!!
Guiado por aquela voz, Duo abre os olhos, sendo tirado de forma abrupta de seu sonhoQuatre estava sentado ao lado de sua cama, com os olhos marejados, Trowa e Wufei se encontravam escorados na parede a uma certa distância, mas com olhares apreensivos. E J. estava digitando desesperado no teclado de uma estranha máquina.
- Ele acordou, ele acordou!– Quatre se vira para J, mas não sem antes agarrar as mãos frias do americano.
Duo olhou mais uma vez cada um da sala, e respirou fundo – sentia-se diferente do que se sentira durante todo aquele tempo pela primeira vez, se sentiu realmente normal, como se um peso saísse de seu peito, e um esparadrapo saísse de sua boca – estava doido para falar alguma coisa, mas não sabia ainda bem o que dizer.
Olhou para J e palavras de baixo calão lhe vieram à mente. Ia abrir a boca, quando olhou para Quatre - seu coração se aqueceu ao ver o olhar preocupado do amigo e palavras para tranqüilizá-lo lhe veio à mente.
Mexeu-se um pouco na cama e viu o olhar desconfiado de Trowa indo para as mãos de Quatre, nas dele e palavras de sarcasmo vieram à sua mente. E quando seus olhos cruzaram com os de Wufeisua mente escureceu e todas as palavras sumiram.
- Qual é a situação atual? – Duo perguntou levantando-se da cama, arremessando o cobertor de forma esvoaçante para longe.
- Depois de cinco dias, J concertou a máquina e voltamos ao normal. – Quatre diz, ainda apreensivo.
- Não estou falando disso. – Duo ainda se sente meio tonto, mas consegue manter seu passo.
- A máquina, apesar ter funcionado competentemente no começo, teve uns contratempos na sua vez, mas nada muito grave.Só que agora ela só vai poder ficar ligada por 13 horasao invés de 15. – J diz, ainda digitando na máquina.
- Não estou falando disso. – Aproxima-se de onde Trowa e Wufei estavam parados.
- O avião já está abastecido, estamos de partida em dez minutos. – Trowa diz, calmo, observando o americano se aproximar.
- Não.es.tou.fa.lan.do.dis.so. – Duo pára bem em frente a Wufei e o encara.
- Ele ainda está vivo.
- Como você sabe?
- Por que, enquanto eu viver, eu não deixaria que o contrário acontecesse: por mais que isso não dependesse de mim, não seria uma realidade aceitável.
Segundos se passam, seus olhos se prendem. Duo finalmente sentia-se livre para falar, gritar, esbravejar, rir e chorar, mas para sua surpresa, outra trava havia sido colocada nele: algo que naquele momento, só lhe permitiu – depois de lembrar cada fato durante aquele mês que se passara – uma reação.
Fechando o punho, Duo dá um violento soco no rosto de Wufei, que bate a cabeça na parede.
Quatre se prepara para apartar a futura briga, quando Trowa segura seu ombro.
- Isso é algo que aqueles dois tem que resolver sozinhos
- Eu... – podia falar, sim se quisessepalavras carregadas de rancor acumulado depois de um mês e meiopoderiam sair por sua boca, mas quem disse que conseguia? As únicas que tinham real liberdade de ir e vir, eram lágrimas de frustração: – Eu... ele... Heero, ele está ... mas eu o queria... ele me queria... e você... VOCÊ...! ...ninguém tem culpa, mas... você... Hee-chan...
Impassível, Wufei leva a mão o rosto e absorve toda dor daquele golpe, resignado, e volta a encarar o americanoEste guardava um olhar assustador que não combinava com os filetes cristalinos que caíam de seus olhos.
A tensão na sala era grande: todo e qualquer movimento deveria ser friamente premeditado. Foi quando alguém teve a coragem de se fazer ouvir.
- Hum... Garotos, não é por nada não, mas 13 horas não é um tempo que vocês possam desperdiçar com brincadeiras 'quem pisca primeiro'.
Secando um filete de sangue que cai de sua boca como se fosse nada, Wufei se vira em direção à porta, e sai da sala. Duo respira fundo, seca o rosto de maneira displicente, sorri em direção aos amigos para aliviá-los e segue os passos de Wufei. Logo em seguida Quatre faz o mesmo. Já Trowa tinha algo que tinha que perguntar.
- Será mesmo seguro deixar esses dois irem juntosnessa missão? Eles não me parecem muito estáveis e pelo que você disse antes...
- Vai ser uma missão muito interessante. – J diz como se não tivesse ouvido uma palavra do moreno: – São verdadeiros guerreiros graças a seus treinamentos, distintos entre simas a previsibilidade de suas mentesnesse momentoé assustadora – o que você acha que ambos estão pensando?
- Hum... – Trowa pára um segundo para pensar – "Se alguém vai ser o primeiro a encontrar Heero, esse alguém serei eu".
- Será uma missão muito interessante... Trowa, em quem você está apostando?
- Você é louco. – Trowa deixa o quarto.
- É o que dizem. Não é triste quando pessoas como eu são as que fazem os comentários mais lúcidos? Meu garoto, quem será que vai te achar primeiro?
oOo
- Sistemas de defesa e câmeras anuladas por cinco minutos. Genbu, Suzaku, Seiryyu (1), começar investida, começar investida.
Wufei – na ala oeste do prédio que invadiam – sentado na frente da mesa de uma das salas de controle que monitoravam o local, dava as ordens de seu comunicador, para Duo na ala norte; Quatre, na ala sul e Trowa, na ala leste. Com as câmeras desligadas por cinco minutos, eles teriam que passar pelos seguranças que guardavam suas respectivas entradas.
Já procurara em cada câmera que tinha à sua disposição, mas não achara nem rastro de Heeroo projeto que envolvia o japonês devia estar sendo monitorado em alguma sala de segurança mais restrita.
"Que personalidade terá sido induzida para ele, agora?"
- Não importa. Eu vou achá-lo, Yuy.
Mas se não importava mesmo... porque a coragem de se levantar e começar sua própria investida contra a ala oeste demorou tanto a chegar?
oOo
- S3 requisitando reforço, s3 requisitan... uuurgh...!!
// S3? Você está bem? O que está acontecendo em seu setor? S3? S3???//
- Urgh... S3 respondendo. Alarme falso, repito: alarme falso – um dos cientistas estava caminhando em área proibida de novo.
//Que saco, esses caro de jaleco deviam ficar tão enjaulados quanto os ratinhos que usam nas próprias experiências. E você, devia tomar mais cuidado antes de levantar um alerta desse.//
- Foi mal.
//Mas Carlos, sua voz está estranha, mais fina...//
- Está... cof cof, digo... está? Eu devo estar ficando resfriado.
//Conheço bem o seu tipo de resfriado, vai rolar umas 'rodadas' hoje de noite?/
- Como sempre cara, como sempre...
//Valeu, agora é melhor desligar antes que nos peguem usando a freqüência para conversar de novo.//
- Té mais.
Duo desliga o comunicador, que pegara emprestado do corpo no qual estava sentado em cima. O dono do aparelho, cercado pelo próprio sangue, não parecia muito disposto a pegá-lo de volta.
- Seja lá quem for, parece que seu amigo vai ter que beber sozinho hoje à noite. - Jogando o aparelho no chão com desdém, o americano puxa o dele próprio e sintoniza a freqüência do responsável pela missão em que estava.
- Wuffy!!!
//Genbu, me chame de Biakko! ...E quem te deu o direito de me chamar assim?//
- Qual éWuffy? Essa linha é segura. Olha, eu sei que você é de descendência chinesa e tudo o mais, mas qual é a desses codinomes? E além do mais, temos que aprender a sempre saber tirar o melhor de todas as situações em que nos metemos, e eu tenho que admitir que o Heero sabe dar um apelido para...
//Tá certo, tá certo...!//
Duo sorriu, pois podia ver claramente em sua menteWufei colocando a mão sobre o rostofrustrado. A raiva que sentia de Wufei aos poucos, quando ia para essa missão, se dissipou. Era inútil, muita coisa acontecera no pequeno espaço de tempo que era um mês, e no final das contaso único que tinha o direito de sentir raiva ou fazer qualquer escolhaera Heero. Tudo o que podia fazer era dar o seu melhor para resgatá-lo, e quando se vissem novamente, seria o Duo Maxwell que o japonês tanto correra atrás, alguém que ele ficara feliz em rever.
- Ok. Consegui invadir a área norte, "Biakko." – diz essa ultima palavra sem vontade - Tive que apagar um dos soldados que fazia a ronda, mas sem disparos.
//Perfeito. Esconda o corpo e dê uma geral na área; estou esperando notícias dos outros. Se achar algo, me avise, antes de tomar qualquer decisão.//
- Sim senhor.
//E Genbu...//
- Sim?
//É bom ter você de volta.//
- Hã? – Duo olhou assustado para o comunicador. Mesmo este não podendo mostrar seu rosto confuso para o chinês, absorvendo as palavras do companheiro, sorri: – Hehehe, é bom estar de volta.
oOo
Quatre estava na esquina entre um extenso corredor e a sala que invadira para entrar no complexo. Conferiu várias vezes o arsenal que carregava – duas pistolas, uma faca e tranqüilizantes. Não queria ter que ferir mais pessoas que o necessário, mas os dois soldados no final do corredor bloqueavam o único percurso que podia seguir. Olhou para o teto atrás de alguma tubulação de ar, mas nem isso parecia ser opção.
Desperto de seus problemas, Quatre não teve escolha à não ser agirquando uma porta próxima à sua posição se abriu, e de lá saíram dois outros soldados que deviam estar indo trocar de posto com os que estava vigiando.
Mal o viram e partiram para o ataque. Quatre não pensou duas vezesdesembainhou a faca e antes que qualquer disparo fosse dado cortou a garganta do primeiro, jogou o corpo do morto sobre o segundo soldado – que caiu no chão. Quando este empurrou o companheiro para o lado, Quatre já estava em cima dele, e batendo sua cabeça contra o chão para evitar que se debatesse, o atordoou momentaneamente.
- Não quero ter que matá-lo – se prometer ficar quietinho enquanto eu o amarr...
- Desgraçado!!! – O soldado, recuperado do choque, tenta avançar sobre o adolescente que o prendia no chão sem muito êxito. E Quatre, sem mais opções, puxa sua pistola e abafa o tiro, encostando-a diretamente no peito do alvo.
- O que foi isso?
O som de luta chamara a atenção dos outros soldados no final do corredor. Bufando de frustração, Quatre não tinha mais tempo para elaborar qualquer plano: pegou o corpo do homem que acabara de matar, dobrou a esquina, e usou-o como escudo para correr na direção dos outros dois soldados.
Mesmo com o susto, os homens se recompõem rápido o suficiente para disparar contra o inimigo. Quatre não poderia manter aquela situação por mais tempo, arremessou o corpo para frente e sacou as duas armas.
Deslizando no chão em uma rasteira, ele chega perto o suficiente de seus inimigos para derrubar um e acertar o outro com um tiro. E enquanto tentava levantar, o que caíra no chão ainda tenta acertá-lo, mas antes mesmo que engatilha-se a arma, Quatre já tinha a dele apontada na cabeça do homem.
- Olha, eu não quer...
- Filho da put...
POW!!
- Por que eu ainda tento? – Que Alá guie suas almas.
Escorando-se na parede para repor o ar, puxa o seu comunicador – Estou dentro, Biakko.
//Situação.//
- É... eu tive que apelar um pouquinho – houve alguns disparos, e quatro baixas inimigas.
//Certo, certo. Tenha mais cuidado: os soldados que rondam sua área devem estar mais atentos, depois dessa baderna. Qualquer coisa me contate.//
- Certo.
Wufei balança a cabeça, enquanto desliga o comunicador.
- Por que será que o cara que mais prega contra a morte em batalha é sempre o que mais tem baixas inimigas nas missões? Não pode ser coincidência... Estou ficando rabugento demais; não é como se ele tivesse explodido uma colônia inteira.
E afasta esse pensamento mórbido e totalmente improvável da cabeça. Até parece que alguém doce como Quatre faria algo assim.
oOo
- Troca de ronda.
Um jovem de olhos verdes, de farda e quepe bate continência.
- Calma, amigo. – o soldado que estava de vigia disse – Não tem nenhum superior por aqui, não precisa ser tão formal.
- Hum, é claro... – o jovem desfaz a continência – Mas está na minha vez de ficar de vigia.
- Certo, mas eu pensei que viriam dois dessa vez, para ficar no meu lugar.
- É que o outro soldado estava indisposto... – o jovem fecha o punho e com um olhar cúmplice estica o polegar o balançando em direção a boca - ...entende?
- Há claro... Deve ser o Carlos. O Pablo me disse que viu ele enchendo a cara ontem e... bem, tanto faz, isso fica entre a gente.
O homem estava se retirando, quando se deu conta de algo.
- E... garoto?
- Sim?
- Tira esse quepe – fico com calor só de olhar para ele.
- E não é que tem razão? – o rapaz tira o quepe, libertando uma longa franja que cobria um de seus olhos – Obrigado.
Sem responder, o homem vai embora, apenas acenando de costas. Tendo certeza de que estava sozinho, Trowa puxa seu comunicador.
- Biakko, aqui é Seiryyu. Invasão completa.
//Situação...//
- Incapacitei dois inimigos e deixarei a entrada da área leste desprotegida, sem baixas.
//Perfeito. Siga em frente e me avise qualquer coisa.//
- Certo. E Biakko?
//Fale.//
- O sorriso que vi no Heero, há 16 dias atrás, quando J nos acordou de madrugada, era seu, isso ninguém vai tomar.
//Seiryyu, estamos em uma missão: use essa freqüência apenas para assuntos que competem a ela.//
- E é o que estou fazendo, Biakko. Câmbio e desligo.
Trowa olha para seu comunicador incerto do que acabara de fazer. Sentia uma simpatia muito grande por Wufei de uns dias para cá, e sabia que desde que aquela missão começara, o chinês era perseguido por uma dor que não podia confessar.
- Wufei... – diz para o aparelho desligado – Podem lhe tirar tudo, pois no fim, você sempre continuará sendo o mais forte de nós. Mas se lembre que há coisas que por mais que tentem, nunca conseguirão tirar de você... e naquela madrugada, aquele sorriso era com certeza só seu.
Após os cinco minutos que Wufei providenciara, as coisas ficaram mais difíceis de levar: travas de seguranças, câmeras, aparelhos detectores de peso e calor. Até as sentinelas que guardavam salas de prioridades mais altas, aumentaram. Invadir cômodos e se esgueirar por corredores estava se tornando cada vez mais difícil.
Desanimado, Duo conferiu em seu relógio que já fazia quatro horas que a missão começara. Chegar à base tomara muito do pouco tempo que tinham, e a busca não estava se saindo tão rápida quanto imaginaram.
Pronto para ligar para Wufei atrás de informações sobre os outros, Duo teve que guardar novamente o comunicador, e se esconder nas sombras do corredor que cruzava, quando viu dois homens de jaleco branco desativando uma tranca eletrônica com a retina e entrando em uma sala próxima.
Ainda pôde ouvir o final da conversa dos dois:
- ...uma cobaia realmente esplêndida. – um deles disse – Treize-sama nos deu um verdadeiro presente, desta vez.
A porta atrás deles se fechou e ambos não viram o jovem de cabelos longos e olhos injetados de fúria que avançava em direção à sala fechada
- Heero.
Ele só podia estar lá dentro, desconsiderando que a OZ pudesse ter prioridade em qualquer outra cobaia, Duo não conseguia pensar em outra coisa se não que Heero só podia estar lá dentro!! Depois de alguns segundos encarando a trava, Duo dispensou todas as sutilezas possíveis e optou por uma opção mais destrutiva para abrir aquela porta. Precisava ser rápido – sabe-se lá Deus o que estavam fazendo ou o que já tinham feito com Heero, naquela sala.
Armando pequenos explosivos na tranca, afasta-se alguns passos da porta, e toma fôlego. Precisaria ser minucioso em todas as suas decisões e açõesdepois que acionasse o detonador.
- Wufei vai me matar.
BUM!!!!Pedaços de metal retorcido e concreto voaram pelo ar, gritos de homens apavorados se fizeram ouvir, e tiros dos soldados que estavam dentro da sala cortaram por todos os lados. Duo não demorou muito para responder a cada disparo dado contra ele. Invadindo a sala, Duo abateu cada pessoa que o estava "recebendo", incluindo os desgraçados dos cientistas.
Teve ferimentos superficiais, mas o que o fez realmente perder o ar foi "ele".
Entre os corpos no chão mortos ou inconscientes – o americano passou indiferente até ao que viera buscar: o seu japonês.
Este estava acorrentado a uma cama, completamente drogado e sem condições de se mover – decerto, dera muito trabalho para chegarem a este ponto. Sem se dar tempo para admirá-lo mais, Duo não podia parar para pensar no que fazer; não podia ficar muito tempo parado. Para falar a verdade, a lista do que ele realmente poderia fazer diminuía a cada segundo que se passava – era uma surpresa não ter sido pego.
Lendo com dificuldade o rótulo de um frasco que tinha em uma das prateleiras, Duo não pensou duas vezes – pegou o frasco, preparou a seringa e aplicou andrenalina direto no coração de Heero(2).
A dor foi imensa e o japonês se contorceu na cama em um grito sufocado, seus olhos esbugalhados encararam o americano com assombro, mas não pronunciou uma palavra sequer.
Arrombando o cadeado das correntes que prendiam Heero, Duo coloca o braço dele por sobre seu ombro, pondo-o de pé. Ainda não poderiam correr, mas pelo menos poderiam sair daquela odiosa sala.
Do lado de foraos soldados apareciam em cada corredor que dobravam, e para ódio de Duo, aquela maldita sirene não se calava. Ainda conseguindo evitar as balas, apesar do peso extra, Duo não podia dar conta de tudo sozinho.
Mesmo sabendo que ele ainda não estava em forma, Duo obriga a mão de Heero a segurar uma de suas armas.
Com Heero em sua retaguarda – um cara que passara quinze dias sendo torturado, drogado, e que acabara de ser acordado com uma injeção de andrenalina – Duo consegue se livrar da maioria dos inimigos.
Mas já quase sem balas, e sem condições de se dar ao luxo de uma luta corpo a corpo, com Heero naquele estado, ele tentava ao máximo tomar atalhos e desvios, despistando aos poucos os homens da OZ, mas sempre por pouco tempo.
Com passos rápidos, Duo corria enquanto Heero mantinha sua mira nos soldados atentos que deixaram para trás; não trocaram uma palavra entre si, mas Duo estava doido por dentro: finalmente Heero estava em seus braços!! Não era a melhor das circunstâncias, com o som de balas que passavam raspando por seu rosto, mas era inegável que estava feliz.
Entrando em um elevador, Duo jogou o corpo de Heero de qualquer jeito no chão e ainda trocando alguns tiros, apertou em qualquer botão. Assim que a porta se fechou, pôde, enfim, respirar aliviado: jogou-se no chão ao lado de Heero e fechou os olhos. Não sabia bem para onde ir, mas no momento não importava: estava finalmente sozinho com Heero. Abrindo novamente os olhos e vendo-o encará-lo com curiosidade, Duo sorri e diz:
- Heero, você...
- Você veio sozinho me buscar? – Heero o cortou com sua voz fraca.
- Não, todo mundo veio e...
- Todo mundo?
- Todo mundo, sabe? Quatre, Trowa, Wuf... WUFEI!!! MERDA, o chinês vai me matar!! Tenho que entrar em contato com ele. – tirando o seu comunicador, Duo encolhe os ombros, já sabendo o que vinha pela frente – Wu... digo Biakko, aqui é Genbu, eu...
//Me diga, Maxwell: por que eu estou ouvindo o som de sirenes por todo o complexo?//
- Pensei que devêssemos usar os codinomes, nessa freqüência...
//E por que o número de guardas triplicou?//
- ...sabe? Segurança e tal... a gente nunca se sabe quem está ouvind...
//DUO, ME RESPONDA!! POR QUE EU TIVE QUE PASSAR POR TRÊS FOGOS CRUZADOS GRAÇAS AO AUMENTO DE SEGURANÇA??!!//
- TÁ BOM, tá bom!! Desculpe!! Eu me precipitei um pouco, mas é que eu achei o Heero, e... e como parecia que iam começar alguma coisa com ele, eu pensei que seria melhor...
//Não, Maxwell!! Você NÃO PENSOU, porque 'pensar' envolve uma parte de seu corpo que estava inativa naquele momento: o seu cérebro, seu...!!O quê? O Heero está aí?//
- Está aqui! – diz, vitorioso – Custou um pouco, mas consegui tirá-lo daquela sala, mas agora não sei ao certo para onde ir.
//Entendo. Acho que voltar por onde entramos está fora de questão – a segurança está muito forte, e os pequenos fios soltos que deixamos quando entramos já devem ter sido notados. Será melhor nos reagruparmos em algum ponto e...//
- NÃO! – Heero entra na conversa.
//Esse foi o Yuy??// – Wufei se assusta.
- Digo... – Heero toma o comunicador das mãos de Duo – Não acho uma boa idéia nos movermos desnecessariamente.
Duo ficou assustado com a reação de Heero – expulso literalmente da conversa, viu o japonês segurar de forma possessiva o aparelho.
Tendo que desprender sua atenção da conversa, o americano fica tenso ao sentir o elevador parar. E já que o japonês estava ocupado demais conversando com seu "amiguinho", foi bufando que Duo sacou sua arma, apontando-a para a porta. Esta se abre e dois soldados da OZ são pegos de surpresa com dois tiros no peito.
- Sinto muito, este já está lotado!
Voltando a atenção para a conversa a seu lado, vê que Heero conseguira, em fim, dobrar Wufei.
//Tudo bem Yuy.// – Wufei fora convencido, do outro lado da linha – //O que você sugere, então? Não podemos nos dar ao luxo de ficar andando a esmo, por aqui!//
- E se eu disser que conheço todas as rotas de fuga deste complexo?
Duo pega Heero novamente, o apóia em seu ombro e volta a andar – ficar naquele elevador não parecia mais uma boa opção.
Verifica sua munição e vê que só tem um pente para sua arma. Ele a guarda e puxa sua faca, deixando para trás a arma que tinha dado a Heero, esta agora vazia. E segue seu caminho, atento a qualquer investida inimiga e à conversa dos dois.
//Eu lhe perguntaria como você saberia disso.//
- Digamos que eu não ganhei algumas dessas cicatrizes novas por ser um bom garoto. De vez em quando conseguia fugir das celas que me botavam, e eu cheguei a por as mãos em algumas plantas daqui. Agradeça a minha teimosia e memória fotográfica.
//Sei... Maxwell, ainda está aí?//
- Muleta Maxwell, a seu dispor.
//Ainda está com o localizador gps que te dei?//
- Tá na mão – Duo puxa um aparelho que mostrava quatro pontinhos se mexendo.
//Aí está mais ou menos a nossa localização e a dos outros dois.// – ele diz, com um tom ainda desconfiado – //Com essas coordenadas e com os supostos mapas memorizados por Heero, suponho que consiga tra...//
- Bote os outros dois na linha. – Heero lhe ordena, sem emoção.
//Certo.//
Dando um pequeno tempo para Wufei, logo se pôde ouvir os outros dois na linha:
//Suzaku na linha.//
//Seiryyu falando.//
//Suzaku, Seiryyu, aqui é Biakko: o pacote já foi resgatado – a prioridade agora é abandonar o território inimigo.//
//Eu percebi isso.// – Diz Trowa em meio a um combate, tentando equilibrar o comunicador ao mesmo tempo em que dá uma pirueta no ar arremessando sua faca no pescoço de um soldado – //A sutileza de vocês deve ter sido impressionante.// – arranca a arma do corpo do defunto a tempo de cravá-la no corpo de outro soldado que investia contra ele.
//Agradeçam a Genbu.// – Wufei resmunga
- Certo, certo!! Espanquem a pobre tartaruga!!(3) Agora, dá para fazerem o favor de pararem com esses codinomes ridículos? – Duo perde a paciência quando vê mais soldados vindo em sua direção
//A conversa tá muito boa, mas eu adoraria saber para onde ir.// – Quatre deixa seu comunicador cair ao receber um murro no estômago. Encolhendo-se, ele consegue segurar o punho que vinha novamente em sua direção e usando o próprio peso de seu adversário, o joga para longe. Pega o aparelho novamente – //A coisa tá ficando cada vez mais difícil!//
- Apenas me ouçam. – Heero comanda – Eu faço mais ou menos idéia da onde vocês estão, então direi a cada um de vocês a rota que deverão tomar, sendo estas as mais seguras de suas áreas, ficou claro?
- Hee-chan, agüenta aí que a coisa tá feia!
Sentando Heero no meio do corredor, Duo o deixa para trás ainda ainda falando com os outros, enquanto partia para a luta – preferia guardar suas balas a gastá-las contra quatro gatos pingados.
Ainda empunhando sua faca, ele parte para cima do inimigo antes que esse tomasse qualquer reação. Ele era o pior oponente que aqueles caras poderiam arranjar.
"Que merda!! Faz quinze dias que não nos vemos... e ele nem me pergunta como eu tô!!"
Dizer que os soldados não tentaram disparar contra ele seria mentira, mas quem liga para uma bala se ela não acerta seu alvo? ...e foi isso que aconteceu: Duo se moveu por entre aqueles homens com uma agilidade assombrosa.
"Nem comenta sobre como eu voltei ao normal!"Depois de algum esforço, consegue cortar o pescoço do primeiro, mas isso custou um tiro em seu braço. Sem se dar tempo para lamentar a dor, ele gira o corpo a fim de acertar quem o atingiu, e falha, mas consegue se abaixar, evitando um segundo disparo.
"...Nem diz que ficou feliz em me rever..."
Ainda abaixado, ele investe a faca para cima e perfura a virilha do homem mais próximo, jogando-o ao chão, levantando-se. Ele não suportava mais manter aquela dança, e sem mais paciência, saca a arma e com apenas dois disparos põe fim aos outros dois que ainda investiam contra ele.
"...Nem falou que ainda me ama...!!"
Foi coberto de sangue – dos pés à cabeça – que ele voltou para perto de Heero. Quatre e Trowa já haviam abandonado a freqüência e seguiam suas rotas; não foi muito feliz que ele viu que ele falava com Wufei – apenas Wufei.
"Estou ficando louco de novo – estamos em missão!! Eu não devia ter vindo; não me recuperei de todo daquele quadro bizarro em que me encontrava – só isso explica esses pensamentos fora de hora. Merda, só vou conseguir atrapalhar os outros!"
Apertando o ferimento de seu braço ele olha para Heero, e percebeu algo que o perturbou:
"Esse ferimento não é nada, mas por que eu sinto que até mesmo essa dor seria menor, se você me olhasse daquela forma?? ...Não digo aquele olhar carinhoso de dias atrás, mas sim do brilho gélido de antes – ele era intenso, misterioso... esse seu olhar de agora não consegue me dizer nada!"
- Pois bem Wufei, só falta você, então. – Heero olha por alguns segundos o aparelho de localização e faz alguns cálculos mentais. - Você está na área oeste do complexo, perto das salas de cirurgia de cobaias animais: vire à direita da porta do primeiro laboratório e vai achar um longo corredor; no fim dele, vai achar uma bifurcação, pegue o caminho da direita, entre na terceira porta que achar e lá vai ver uma tubulação de ar. Eu sei que é clichê, mas entre nela e siga em linha reta: é o melhor jeito de seguir esse caminho sem ser pego; no final dele você vai sair em uma sala - lá a segurança é fraca e você vai chegar do lado de fora facilmente.
//Entendi.// – Wufei pára um pouco para pensar – //Só tenho mais uma pergunta a fazer.//
- Diga
//Quando sairmos daqui, e tudo for resolvido...//
Duo prendeu a respiração – será que Wufei também não estava conseguindo separar a missão de toda aquela confusão sentimental em que os três haviam se metido? Pior: dependendo de qual fosse a pergunta, qual seria a resposta de Heero?
Já Heero, esperava pela pergunta sem a mesma ansiedade.
//O que você vai fazer para a gente comer no jantar? Frango ou peixe?//
- Hããã???? – Duo se assombra.
- O... O que eu vou fazer para o jantar? – Heero acha a pergunta mais estranha que o americano. - Sei... sei lá, acho que frango.
//Por quê?//
- Por que... Todo mundo gosta de frango?
//Hum... Tem razão. Pois é, te vejo lá fora.//
- Te vejo lá fora.
Heero desliga o comunicador.
- Que pergunta estranha... – Duo comenta – O que será que ele quis dizer com isso?
- Sei lá.
oOo
Wufei desliga o seu comunicador e passa alguns minutos olhando para ele. Respirando fundo, ele guarda o aparelho e segue o caminho que o japonês indicou, partindo do laboratório que Heero dissera que estaria lá.
"Wufeeei, olha só o que eu comprei..."
Depois de poucos passos, achou o corredor que Heero lhe dissera que teria que cruzar.
"O que você vai querer comer no jantar? Peixe ou frango?"
Parou em frente da bifurcação que Heero afirmara que acharia.
"Poxa Wuffy, você é mau! Como assim 'tanto faz'?"
E não pensou duas vezes.
"Eu quero fazer algo que você goste."
Pegou o caminho da esquerda.
"Assim posso te ver sorrir, pra variar."
oOo
Emburrado, Duo corria por entre salas e corredores, ainda apoiando Heero, e sendo guiado por este. Mas isso não quer dizer exatamente que o clima entre os dois estava dos melhores.
- Tem certeza de que não tem mais nada para conversar com seu amiguinho?
- Tenho.
02 não sabia mais ao certo o que o irritava mais: se ter tido que ouvir a conversa no mínimo íntima, daqueles dois; ou o sorriso que Heero usara para responder sua pergunta – sendo este a maior prova de que suas palavras embebidas de veneno haviam sido gastas em vão. Enquanto neutralizavam alguns "obstáculos" que teimavam aparecer pelo percurso, sua mente optou pelas duas opções.
- Você... ficou bem íntimo do Wufei neste último mês, né?
- Parece que sim, Maxwell. Vire à direita.
- Certo. – Duo dobra uma esquina – E ele parece menos tenso, agora que eu te achei.
- Se a sua meta era me achar, então o alívio dele é mais que justificável – agora à esquerda, Maxwell.
- Está bem. – desceram dois lances de escada. – Vocêficou aliviado em ouvi-lo?
- Claro que sim. – sua voz saiu sem excitação ou medida de peso – Assim como fiquei aliviado em te ver.
Aquilo doía. Não devia doer – mas doía. Apesar de ouvi-lo dizer sem receio nenhum que tinha sentido alívio em vê-lo, o americano não conseguia ficar feliz em receber um sentimento tão semelhante ao dado a qualquer outra pessoa, vindo do peito de Heero; era ambicioso demais para tanto.
Inconsciente, aperta o corpo debilitado de Heero contra o seu com mais força que o normal.
- ARGH!! Não me aperte tão forte, Maxwe...
- CHEGA!!!
- Ugh! – Heero geme de dor ao sentir seu corpo ir contra o chão.
Duo largou o japonês à sua própria sorte, mesmo sabendo que este não conseguiria ficar de pé por mais do que alguns segundos.
- O que foi Maxw...
- Por que? Por quê está me chamando assim? O Wufei você chama de Wufei, mas agora deu para me chamar de Maxwell? – Duo andava de um lado para o outro como um animal enjaulado – Nem mesmo antes, você me chamava assim!!
- Mas... esse não é o seu nome?
Duo pára sua caminhada sem rumo e volta a encarar o japonês – aquele brilho frio ainda não estava lá. Mas o que viu em seu lugar partiu seu coração. Viu nos olhos do jovem caído no chão confusão e angústia: o azul cobalto daqueles olhos pertenciam a uma criança que revia inutilmente cada palavra que dissera, na busca daquela que acabara por irritar ao 'adulto' à sua frente.
Era tão autêntico, que em Duo só sobraram forças para cair de joelhos e abraçar aquele corpo de ombros tensos à sua frente, de surpresa. As portas que tinha estavam começando a se fechar... não sabia mais decisão tomar.
- Não sei o que fazer...!! – desabafou Duo, com a voz sufocada – Fizeram alguma coisa com você... e desta vez eu nem sei o que é – só pode ser isso! Eu realmente, realmente não sei o que fazer...!
- Eu pensei que sua missão fosse simplesmente me tirar daqui. – uma voz desprovida de sentimentos sussurrou em seu ouvido – Me parece... algo simples de se entender. Talvez não de executar, mas...
- Não falo disso!! – aperta mais o abraço, fazendo o outro gemer – Eu não sei... eu não sei o que fazer para você parar de se distanciar de mim!
- Estamos bem próximos, ao meu ver.
- ...Então... por que eu sinto que nos revezamos, cada um, para botar cada um 10 km de distância, entre nós?
- Sua noção de proporção está alterada – eu não vejo nem sequer 10cm, nos separando.
Afastando seu rosto do ombro de Heero, Duo o encara; ainda não conseguia ver nada lá, apenas um semblante confusoEstava preparado para tudo, mas não aquilo J havia dito que o Heero que encontrariam seria diferente do de antes, mas até agora não conseguia ver sequer um "Heero", ali... fosse ele qual fosse.
- Heero, eu...
pi pi pi pi
O localizador começou a apitar. Soltando a cintura de Heero, a qual até aquele momento estava agarrado, Duo pega o aparelho para tentar achar o motivo do alarme.
- O que houve? – Heero também olha o aparelho.
- Eu não sei, para mim parece tudo norm... Espera um pouco: o pontinho que representa o Trowa sumiu!
- Como assim, 'sumiu'? – Heero toma o aparelho da mão de Duo – O que isso quer dizer?
- Eu não sei... – Duo coça a cabeça, nervoso.
- Agora o sinal de Wufei também sumiu – Maxwell, alguma coisa está acontecendo!!
Vrmmm vrmmm vrmmm- O comunicador! – Duo atende – Suzaku? É você, Suzaku?
//Sou eu, Genbu. O que está acontecendo?//
- Você viu o localizador? Eu não sei o que pensar: a única coisa que pode fazer essa droga de sinal sumir é sair da área de alcance, ou se o próprio dono desativar!
//Ou se alguém quebrar o aparelho.//
Um silêncio perturbador se instalou na linha.
//Esqueça o percurso de antes, temos que nos encontrar.// – disse Quatre.
- Não: vamos continuar – temos que sair daqui.
//NEM LOUCO QUE EU VOU EMBORA E DEIXAR O TROWA AQUI!!!//
- Calma loirinha!! Quer chamar a atenção dos cães que estão nos perseguindo? Não perca a cabeça agora: nossa prioridade nessa missão, é tirar o Heero daqui – depois pensamos num jeito de salvar os outros.
//Ótimo, então – pode ir. Se pelo menos você levar o Heero a salvo, nossa missão já vai estar cumprida, então eu já estou livre para entrar na enrascada que eu quiser.//
- Quatre...!
//Se cuida, Duo, e cuide do Heero – que dos outros dois, cuido eu.//
- Por favor, Quatre, seja racional!! Você nem sabe se eles dois estão vivos! Quatre!
//Mas eu tenho que ten... merda// – o som do comunicador de Quatre caindo no chão pôde ser ouvido por Duo.
- Quatre?? – Duo apertava tão forte o aparelho que era um milagre ele não quebrar: do outro lado se ouvia sons de gritos e de luta – QUATRE!!!
- O que ouve?
- O Quatre, ele está com problemas! Temos que fazer alguma coisa!! – Duo olha para o localizador, mas esse já tinha perdido o sinal de Quatre – Droga, o que eu faço?
Duo pressiona a cabeça com as duas mãos, atrás de respostas – não podia deixar seus companheiros para trásmas também não podia perder tempo em uma busca cega e de prazo indeterminado: não tinha esse tempo... Heero não tinha esse tempo.
- Parados aí!!!
Duo levanta a cabeça a tempo de ver dúzias de soldados saírem de todos os corredores e os cercarem. Nunca houvera tantos soldados em meio a uma missão... era impossível enfrentar todos sozinho!!, era o que gritava o ferimento em seu braço.
Respirando fundo, tentou arquitetar varias modos de fugir; mas todas as vezes, por mais corpos que houvesse no chão, ao final de cada investida, invariavelmente o seu e o do japonês estariam inclusos.
Suspirou. "Talvez eu deva me entregar – se eu tiver sorte, caio em uma cela perto dos outros... O que de pior pode me acontecer? Não é como se fosse a primeira vez que me capturam e..." olha para trás e vê um corpo trêmulo, de encontro à parede.
Ciente que a sua derrota não significaria apenas a sua prisão, ele volta a encarar seus algozes com olhos ferozes: "Uma gota de meu sangue e vocês perdem um braço; duas, vocês perdem a cabeça – uma gota do de Hee-chan... e nem as suas mães serão capazes de os reconhecer!!"
Olha para a faca caída no chão, e que até o momento havia sido sua companheira. Uma investida corpo a corpo contra aquele grupo era impensável, e isso daria brecha para que atacassem o momentaneamente indefeso Heero. Sacou sua arma – e por mais que olhasse desolado para ela, não mudaria o fato dela ter agora menos de um pente.
- Vamos ver como anda seu blefe, Maxwell... – sussurrou para si mesmo. Coloca todo seu corpo como uma barreira para Heero, imprensando-o. Sentados ambos contra a parede, ele não olha nem um segundo sequer para trás, e diz: – E AI, PESSOAL? A "SOCIAL" ESTÁ BOA, MAS EU E MEU AMIGO TEMOS QUE DAR O FORA – QUEM VAI SER O PRIMEIRO A SE DESPEDIR?
Nem em sonhos teria balas o suficiente para todos, e por mais que seus olhos irônicos tentassem blefar, era mais que óbvia, a situação crítica em que aquele adolescente se metera. Mas mesmo assim não teve um soldado que investisse contra eles – era visível o fato que, mesmo que isso significasse a própria morte, Shinigami levaria pelo menos cinco ou seis com ele, e ninguém ali queria entrar naquela lista.
Duo respirava pesadamente – tanto esforço o estava desgastando, e seu ferimento sangrava muito; sua visão começava a ficar turva, mas nada disso era suficiente para fazê-lo abaixar a arma. A qualquer minuto teria de atirar, e quando as balas acabassem, apelaria para a faca – lutaria até sua última gota de sangue cair; mas só fecharia os olhos quando tivesse certeza de que Heero estivesse bem.
- Ugh...!!
Só conseguiu ouvir o som seco de algo perfurando seu quadril, e a dor que se espalhou por todo seu corpo.
Suas mãos vacilaram alguns instantes, e seus olhos se encheram de lágrimas involuntárias, embaçando mais ainda os rostos – agora não mais preocupados, mas satisfeitos – de seus perseguidores.
"O que... que droga é essa?" – Só conseguiu pensar nisso; ainda estava confuso, mas nem mesmo isto o fez abaixar a arma."Será que alguém conseguiu se esgueirar por trás?!? MAS... MAS ATRÁS SÓ TEM A PAREDE, PORRA!! A parede e o Hee..."
- HEERO!!!
Temendo que quem o tivesse atacado também tivesse pego Heero, ele abaixa a guarda pela primeira vez e se vira para ver se o japonês estava bem. Toda aquela movimentação, apenas fez com que seu ferimento perdesse mais sangue, mas o que importa?
Com os olhos esbugalhados e preocupados, ele encara Heero. Este estava bem.
E com um suspiro aliviado, ele se esquece dos inimigos que agora ficaram às suas costas... mas estes mesmo não se manifestaram – dando tempo para Duo avaliar Heero com mais cuidado.
Seu rosto estava calmo, não parecia ter sido afetado.
"Que bom!, fiquei preocupado que tanto stress agravasse o estado dele."
Seu corpo não tremia mais e não parecia estar ferido.
"Bom, pelos menos agora a morte do FDP que me feriu não será tão dolorosa.".
... mas as mãos de Heero próximas aos pés, estavam cobertas de sangue...
"Mas que... É HOJE QUE ALGUEM VAI BATER UM PAPINHO COM O SHINIGAMI!!!!"
... Em meio a todo aquele sangue – muito bem segura – entre aquelas mesmas mãos, estava a sua faca. E foi aí que a ficha caiu.
"Esse sangue... é meu."
- Hee... ro?
Outra investida daquela lâmina veio contra seu corpo, e dessa vez ele pôde ver bem a mão que o ferira... e para seu horror, era a de Heero.
Sem mais forças, deixou-se cair para frente e de maneira delicada sentiu sua arma ser tirada de suas mãos. Seus olhos negavam-se a se fechar, mas era impossível resistir mais – o escuro tomou posse de tudo a sua volta... mas pôde ainda, pode ouvir a voz de Heero, fria, comandar:
- O invasor foi abatido – levem-no logo aos médicos antes que perca mais sangue. Acredito que Treize-sama irá preferi-lo vivo.
- Sim, senhor. – várias vozes responderam-lhe.
- Treize-sama? – Heero parecia falar ao comunicador – O invasor já foi devidamente capturado. Como o senhor disse, eles tentaram me tirar da base... sei... sei... Sim, os mandei para as áreas de maior concentração de soldados... sim... Estou indo para aí, mas ainda estou meio debilitado – não esperava que o intruso fosse me reanimar à base de andrenalina... Estou indo.
E então tudo ao redor de Duo se transformou apenas em murmúrios ininteligíveis, até que o silêncio veio fazer companhia à escuridão... e com ele, veio a paz, pois antes de apagar completamente, sua mente, confusa e exausta, só pode sorrir, ao pensar:
"Agora posso fechar os olhos... o Heero está bem..."
Continua no próximo capítulo...
Duo – "Mas... mas... o Heero me matou?!" ( pergunta um inconsolável americano ajoelhado no chão, com os olhinhos lacrimejantes e dois dramáticos esparadrapozinhos em forma de cruz, presos à sua cintura.)
Luana – "Claro que não, Duo-kun." ( a escritora o consola, enquanto afaga sua cabeça.)
Duo – "Mesmo?" (seus olhos se enchem de esperança.)
Luana – "Mas é claro... afinal, é como o Heero mesmo disse: se é para te entregar para o Treize-sama, você tem quer ainda estar vivo."
Duo - " ..." ( estático em plena crise de depressão.)
Wufei – "ONNAAAAAAA!!!" ( barulho de coisas quebrando em algum lugar não muito distante.)
Luana – "Hii, lá vem o chinês!!" ( fecha os olhos, esperando o pior.)
Wufei – "Onna!!" – o piloto 05 se aproxima – "Este não era para ser o último capítulo desta sandice?"
Luana – "É né...??" – responde, olhinhos brilhando – "Acontece que eu me animei tanto, que o último capítulo ficou gi.gan. então eu preferi cortá-lo ao meio."
Wufei – Incompetência é fogo.
Luana – Awww... Não seja mau, Wuffy: o próximo com certeza será o último, sério!
Wufei – Ainda bem. ( ainda mantêm um olhar desconfiado.)
Luana – ...Isso se, por acaso, eu não resolver fazer ainda um epílogo... Ou algumas side-stories... Ou uns extras, uns...
Wufei – ONNA!!! ( desembainhando a espada.)
Luana – ( sai correndo que não é besta.) "Por isso, aquelas que acompanham esta fic, não percam o último capitulo!!! o/ heheheehe
Notas da Autora:
Olá, queridas!!!
Umas pequeninas explicações às adoráveis fãs que gentil e amavelmente, mandaram reviews para esta escritora fajuta.
(1) Quem já teve o prazer de ler Fushigi Yugi, Inu-Yasha ou Yu Yu Hakusho (ou tem um conhecimento maior sobre estas séries do que esta viciada em anime e manga que vos fala), já deve saber o porque do Wufei ter escolhido os famosos codinomes com os quais o Duo deu tanto piti neste capítulo, já que esses quatro deuses chineses, Suzaku, Biakko Seiryyu e Genbu protegem respectivamente as constelações do sul, oeste, leste e norte, as posições adotadas pelos bebês, na invasão à base em que o Hee-chan estava preso.
2) O modo delicado de reanimar Heero que o Duo usou, tirei de um filme de ação. Eu não sei se isso é verídico e/ou funcional na vida real, mas se não for, por favor, relevem. Afinal, tanto lá – no filme – quanto aqui – na fic – TUDO é ficção, ne?
(3) Bem, o Deus Genbu é representado pelo símbolo de uma tartaruga – às vezes ela apresenta até uma segunda cabeça, a de uma cobra – por isso a associação tosca de Duo.
Luana – "Olha, a opção n° 04 não está à vista, mas..." - olha de um lado, para o outro, desconfiada – "...A culpada pelo... ahem... 'corte' no capítulo, foi..." - olha novamente, para não ser pega desprevinida – "... a Illy!!!! Sim, ela conseguiu me convencer a para ro capítulo aqui... Olha, vocês confiam tanto assim nela? Porque... Como justificativa, ela disse que "Lú, parando a fic aqui, você vai matar todas as suas fãs do coração!" e depois começou a ficar rindo sozinha, etc..." - preocupada com as gargalhadas megalomaníacas da amiga ainda ressoando em seus ouvidos. – "Ela disse também que, se ela quase tinha tido um enfarto, era justo que vocês também tivessem!!" - faz esforço para lembrar as palavras certas – "Assim..." - limpa a garganta - "...a culpa é dela, se vocês não estão com o capítulo final todo, agora!! HOHHHOHOHOHO!!!"
Wufei – "ONNA!!! Largue de dizer que a culpa é da Illy – Afinal, não é você, a autora desta sandice toda? Você é que toma as decisões finais!"
Luana – "Er... Ops..." – pega no flagra - "Olha o Heero ali!!!!" (Aponta)
Wufei - "Onde? Onde?!?! CADÊ??!?!!?"
