Esse capítulo em especial, contêm alto teor de spoler dos capítulos 23, 24,25 e do final do anime, aqueles que ainda não viram Gundam Wing, ou não chegaram no final, já estão mais do que avisados.

Luana: Ultimo capitulo, o que vou escrever? O que farei os g-boys passarem?
Wufei: Como se fosse alguma novidade, o que mais você mais sabe nos obrigar a fazer? Gritar?
Duo: Sangrar
Heero: Chorar
Quatre: Lamentar
Trowa: Enlouquecer...
Luana: Luana: Que é isso, eu também não fui tão má assim durante essa fic, admitam.
Wufei: Wufei: O capítulo em que eu me estressei menos foi no primeiro, e olha que eu ainda tive que agüentar levar um soco de Maxuell, e no fim das contas vou ficar sozinho.
Luana: Luana: Quem disse?
Duo: Duo: PERA AÍ, não vai me dizer que depois de tudo aquilo eu não vou ficar com o Hee-chan!?
Luana: Luana: Quem disse?
Wufei: Wufei: Então com quem eu vou ficar?
Heero: E eu afinal de contas?
Duo: Duo: E eu?
Luana: Luana: Rí - sorriso maligno – Aguardem e confiem.
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Por que Seus Olhos não me Enganam

Capitulo 10 - Rhythm Emotion

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Todos os presentes se assustaram com a chegada inesperada, no mínimo chamativa, do chinês na cela em que estavam presos.

- Wufei – Quatre se levanta em direção ao companheiro – eu pensei que você...

Dzzz

Uma descarga elétrica percorre o corpo de todos os três prisioneiros, Duo atordoado olha para frente e vê que Heero faz uso pela primeira vez do dispositivo que segurava, e este, ativava uma corrente elétrica atordoante das algemas que os prendiam, explicando o por que de Treize ter deixado apenas Heero de guarda dentro da cela.

- Quatre Raberba Winner, retroceda , afaste-se já da porta – diz a maquina perfeita de forma seca.

Caído no chão, Trowa rasteja até seu namorado, que não estava muito longe, e ambos se escoraram na parede sem muitos movimentos bruscos, já que ficou claro que qualquer ato suspeito de qualquer prisioneiro ocasionaria na punição de todo o grupo, menos é claro do recém chegado.

- Wufei, não pense nada de errado, o Heero apenas...

- Agora não Winner.

Wufei passa direto por Quatre e Trowa, que diante de seu tom autoritário nem ousaram se manifestar mais. Ele andava em passos decididos em direção a Heero.

Duo viu o chinês indo até Heero, e pensou em mil maneiras de tentar explicar a situação bizarra em que o japonês se tornara seu carcereiro, mas sua linha de raciocínio foi interrompida com uma mão em seu ombro que o empurrou para o lado bruscamente, agora Heero se levantara guardando o dispositivo em seu bolso, e também caminhava na direção de Wufei.

- Você é um dos invasores, Wufei Chang suponho, se entregue e ...ufh

Wufei não dá nem tempo de Heero terminar, já estava com o pé na cara do japonês. Heero vacila alguns passos para trás e logo se põem em posição de combate, no manual que instalaram em seu cérebro, o momento de negociação acabou.

Depois de um momento se analisando, os dois voaram para cima um do outro praticamente ao mesmo tempo, entre chutes e socos não havia lugar para diálogos. Os outros nem tentavam mais aparta-los, esperando apenas o desfecho de tudo.

Depois de se esquivar de uma seqüência de socos, Wufei abaixa um pouco o tronco, e subindo em seguida com tudo mete o cotovelo na mandíbula de Heero, que é empurrado contra a parede. Aproveitando a brecha. Wufei vai com tudo prensando o japonês contra a parede, e tira algo de dentro da roupa.

- Não queria ter que fazer isso.

E abaixando com tudo crava algo no peito de Heero.

- NÃÃÃO!!!

Duo sai de seu estado de transe e se levanta ignorando seus ferimentos. Passa de telespectador para coadjuvante neste enredo confuso que Wufei parecia ter traçado desde que entrara na cela.

Arrancando o chinês de perto de Heero, vê horrorizado o corpo do amado cair molemente no chão.

- O que você fez?– Duo se vira, e furioso, segura a camisa de Wufei.

- Saberia se olhasse direito para o corpo dele, Maxuell.

Achando que Wufei estava tirando uma com sua cara, Duo relutante olha para o corpo inerte de Heero mais uma vez, e percebe que seu peito subia e descia lentamente e o japonês soltava um ressonar calmo e tranqüilizador.

- Ele esta dormindo...

- É o que acontece quando se é aplicado uma certa dose de tranqüilizantes – Wufei diz irônico mostrando o projétil que enfiara no peito do outro – não temos tempo a perder.

Wufei se desvencilha de Duo e volta para perto de Heero, pega o dispositivo que o japonês guardava no bolso e com ele ativa a tranca das algemas, libertando seus amigos, e destruindo o aparelho em seguida. Erguendo o tronco do Japonês parecia procurar um ponto exato em seu pescoço e desfere uma pequena e precisa seqüências de golpes.

- Mesmo que acorde agora eu neutralizei alguns pontos onde suas terminações nervosas ligam seus movimentos ao chip que instalaram em seu cérebro, resumindo, não vai conseguir se mover por algum tempo.

- Chip? – Duo pergunta

- Não temos tempo para maiores explicações – joga imediatamente o corpo adormecido sobre seu ombro, para desgosto do americano, mas este não contestou.

Tudo o que se seguiu foi rápido demais para que qualquer um dos outros piloto pudesse ter tempo de raciocinar o suficiente e formular mais pergunta para seu líder, o momento era de Wufei.

- Barton – se vira para Trowa – Maxuell não parece estar em condições de acompanhar um passo mais puxado, dê apoio a ele – pondo as mãos por debaixo da camisa saca duas armas e joga para o americano e para o latino – talvez vocês não fiquem confortáveis o suficiente para mirar, por isso mesmo Winner – saca mais uma arma e joga para Quatre – dê cobertura a esses dois.

Seguindo em frente, a formação já estava mais que definida meio que naturalmente. Em uma fila, Wufei, que parecia saber por onde estava andando foi na frente, Trowa apoiando Duo foi no meio e Quatre na retaguarda foi no final. Não trocaram uma palavra sequer no percurso que se seguiu, tendo que se esgueirar, e de vez ou outra eliminar algum vigia. Eles avançavam de maneira segura e rápida, o que logo atiçou a desconfiança de alguns deles.

Wufei era de longe, no momento, o líder mais confiável que já tiveram, mas grandes detalhes daquele resgate inesperado incomodavam um certo latino.

Aproveitando um trecho do percurso mais tranqüilo – lendo-se tranqüilo por não tendo balas raspando por suas orelhas – Trowa não suportou mais segurar e teve que perguntar.

- Wufei, não acha que nos deve uma explicação? – abaixa sua arma por alguns momentos, por falta do que mirar.

- Pensei que depois de salvar suas vidas quem devesse alguma coisa a alguém aqui fossem vocês Barton – diz seco ainda mais à frente. Sua arma sempre em punho.

- Só estou curioso – ignora a resposta anterior – como você conseguiu escapar da emboscada que armaram para você, sim, por que pelo que Quatre me contou e pelo que vê do estado de Duo, todos nós estávamos sendo esperados por uma comitiva nada amistosa. – Um ruído o faz erguer novamente a arma.

Wufei diante do primeiro sinal de movimento inimigo se joga em direção a uma porta aberta e sinaliza para que seus companheiros fizessem o mesmo, já que a sala estava vazia. Com todos dentro, eles esperam os soldados passarem.

- Devo me livrar deles? – Trowa pergunta ao ouvido de Wufei.

- Não, devemos poupar as balas, não gasta-las de maneira estúpida – responde atravessado.

Sabendo que a área estava segura, voltam a caminhar sem mais interrupções.

- Ainda não respondeu minha pergunta – Trowa não largaria Wufei tão fácil

- Simples, não caindo nela – Wufei responde tentando por um fim no assunto, mas apenas atiçando mais a curiosidade de seus protegidos.

- E pode dizer como? – Trowa não via as feições do chinês mais à frente, mas soube que sua pergunta o alterou.

- Barton, quando voltarmos pedirei a J que dê mais umas reguladas na sua cabeça, não acho que o serviço que ele fez tenha tido o resultado esperado. O que você está querendo me questionando tanto?

- Desculpa se eu acho estranho o fato de você ter sobrevivido a um ataque de dezenas de soldados, da OZ fortemente armados, ileso diga-se de passagem, e aparecendo do nada com sua arma acompanhada de mais quatro, fora não sei quantos explosivos, munição para as cinco armas, e uma perfeita noção de direção dessa droga de labirinto de metal.

- Esqueceu os tranqüilizantes. – Wufei emendou irônico.

- Fora que você parece mais do que ciente do estado de Heero. Mas tem razão, por que eu desconfiaria de você, que provas eu tenho? Como posso ser tão paranóico?

Wufei ficara surpreso com a enxurrada de palavras sarcásticas que saíram da boca de Trowa, que antes parecia se contentar em guarda-las para si mesmo. O que era a prova definitiva de que mesmo depois de voltar ao normal os pilotos gundam nunca mais seriam os mesmos.

Se perguntou por que só Trowa se manifestara, esperava que quem o enchesse o saco nesse percurso fosse outra pessoa. Virando a cabeça disfarçadamente, Wufei olha para essa pessoa, mas esta parecia ter seu olhar travado na carga do piloto 05, isso encheu seu coração de pena e ciúmes.

Por mais alguns minutos, o percurso seguiu silencioso, mas era inevitável, Wufei teria que dar a resposta que eles esperavam, em uma missão, um líder desacreditado, só traria a ruína a seus companheiros, por mais que ele preferisse morrer a dizer aquilo na frente dos outros. Pelo menos Heero estava inconsciente, para ouvi-lo.

- Eu não caí na emboscada, por que não segui o percurso que Yuy me passou, pensei por um segundo em avisa-los, mas se a OZ acreditasse que a emboscada deu certo por mais alguns minutos eu teria mais tempo livre para invadir algum computador, e seguindo a própria idéia de Yuy, conseguir alguns mapas dessa instalação, armamento, e saber aonde vocês estavam presos, claro que antes eu destruí meu localizador. Fora que de brinde achei relatórios médicos que mostravam projetos de um chip que ao ser instalado no cérebro humano deixa a pessoa em questão tão manipulável quanto um boneco de pano. Depois de conseguir informação e munição eu armei alguns explosivos em determinados pontos da base e os acionei por meio de temporizadores para parecer que me distanciava da cela de vocês, e assim afastar o grosso da segurança.

- Ainda não entendo, isso você só descobriu depois de sair do percurso e achar os você sabia que não era para seguir o caminho que o Heero disse? – Quatre não deixa passar o principal detalhe que Wufei tentou esconder.

Estava encurralado, teria que dizer.

Trowa e Quatre mais atrás insistiam por uma resposta, e Duo permanecia em um silencio depressivo. O peso de Heero parecia triplicar a cada passo que dava, e sua mente latejava à medida que buscava as palavras certas, até que não suportou mais.

- Calem a boca – respirava de forma pesada, não mediria palavras, simplesmente as poria para fora – Winner, qual foi a primeira coisa que você sentiu quando acordou, depois do acidente com aquela maquina estúpida.

- Eu senti... – O árabe dá graças à Ala por ser o ultimo na formação e ninguém poder ver seu rosto avermelhado – os lábios de Trowa contra os meus.

- E qual foi sua reação?

- Eu não sei o que isso tem haver com a história.

- Qual foi sua reação? – Wufei refez sua pergunta secamente.

- Eu... Afaguei a cabeça dele.

- Você teria afagado a cabeça de qualquer um que não reconhecesse como o Barton.

- Claro que não – Trowa sorri com a indignação do namorado.

- Então como pode pedir que eu confie a minha vida a qualquer um que não reconhecesse como "alguém que eu mesmo considero importante para mim"?

Depois disso ninguém mais se manifestou. Quatre mastigava as palavras de Wufei atrás de um sentido, e só pode concluir que o chinês queria apenas dizer que mesmo que Heero estivesse com outra personalidade ele continuaria sendo o Heero, assim como o Trowa, mas que a pessoa que falou com ele naquele momento nem ao menos era o Heero, era apenas uma casca, conclusão que muito o perturbou, vendo que os sentimentos do chinês estavam mais maduros do que realmente gostaria de admitir.

Só que mais à frente do árabe, as conclusões foram diferentes um pouquinho, já que Trowa foi alem do namorado, e se guiando pelo tom do chinês viu que ele soltou uma alfinetada indireta em um certo rival, e esta, o feriu de morte. Viu isso nos olhos do rapaz que ajudava a caminhar, o rapaz que mesmo tendo ao seu lado a pessoa que tanto ama não pode ver que aquela estava fora de si.

O latino observou as costas de seu guia e nunca o havia considerado tão cruel quanto naquele momento. Mas reconsiderou qualquer tipo de reprimenda que seu cérebro formulá-se, afinal, em menos de 5 horas tudo haveria de terminar, e tudo o que Wufei passou com Heero viraria apenas enchimento de relatórios dessa missão desastrosa, só restava para o chinês nesse momento extravasar sua dor, mesmo que para isso tenha que chutar quem já está no chão.

Trowa sente a mão que segurava seu ombro o apertar mais forte que o normal. Duo mantinha seu rosto livre de qualquer expressão. Por isso que por mais que aquela mão começa-se a machuca-lo, como pedir para alguém conter a única forma que achou de libertar sua dor.

Olhando para o americano ao seu lado, e ao chinês a sua frente, Trowa só pode pensar que riria daquilo tudo se não fosse trágico, será que ninguém mais daquele grupo sabia se expressar sem ter que ferir alguém?

Mas não era hora nem lugar para avaliar sentimentos, era o que os disparos que vinham em suas direções gritavam. Em meio a outro fogo cruzado, os pilotos mais uma vez tiveram que se jogar de cabeça contra o inimigo e esquecer coisas pequenas como seus corações.

Assim como Wufei previra, Trowa e Duo estavam tendo dificuldades de se virarem naquela posição, mesmo com a cobertura de Quatre, parecia que o inimigo resolveu se concentrar no elo mais fraco, seus dois companheiros.

Vendo que se permanecessem ali só iriam gastar munição, ia mandar que avançassem a todo custo antes que chegasse reforço, quando teve seu pé alvejado. Caindo no chão, ainda pode acertar uma bala na cabeça de quem o feriu.

Foi com desgosto que constatou que mesmo caindo não largou a arma, mas Heero tombou de seu ombro.

O piloto joga seu corpo de lado para alcançar Heero e o puxa para perto de si, sempre atirando para afastar o máximo de inimigos possíveis, mas tanto movimento só piorava seu ferimento.

Vendo as dificuldades de seu líder, Trowa solta Duo, e vai até Wufei, o chinês já ia reclamar, mas o latino o ignorou, e puxou uma das bombas que o líder guardava.

- Está louco? Vai chamar mais atenção para nós!!!

- Não estamos em posição de pensar nisso.

O moreno arma a bomba e a arremessa, sem se dar ao luxo de ver sua obra. Pega Heero nos braços e apóia Wufei voltando para junto dos outros, Quatre em pé e Duo sentado davam conta dos poucos soldados que sobreviveram à explosão, e mais uma vez o corredor tinha apenas cinco pessoas, mas a um alto preço.

- Merda – Wufei gemeu entre dentes apertando a perna – não vou conseguir acompanhar o ritmo de vocês.

Os outros três pilotos se entreolharam e entendendo a mensagem de seu líder fecharam a cara.

- Nem vem Wufei, não vamos deixar você para trás – Trowa foi categórico

- Não sei se você percebeu, mas tanto eu quanto o Heero não estamos em melhor estado que você. – Duo diz sentado ao lado do chinês.

- Dois pilotos feridos, dois pilotos saudáveis – Wufei os fuzilou – Trowa apóia Duo e Quatre carrega Heero, me ajudar a andar vai retardar mais ainda a missão, e Heero precisa chegar em J o mais rápido possível – engatilha a própria arma – eu posso me defender, vou procurar uma saída sozinho.

- Então por que você não vai no meu lugar? – Duo se altera – de nos dois você é o que conhece o resto do trajeto.

- Sigam por esse corredor, dobrem a direita passe pela quarta porta, desçam um lance de escadas e atravessem uma sala, vão dar de frente a um grande portão, a senha da tranca é 34627 , vão precisar da retina de um dos cientistas chefes também, mas para isso vocês se viram. De lá já estarão do lado de fora, espero que não precisem da babá para achar a nave.

- Mas Wufei...– Quatre tenta começar a argumentar.

- Vocês estão perdendo tempo – revira os olhos – pelo visto me tornei um fator de erro nessa missão – coloca a arma na têmpora – por favor, não me façam gastar minhas balas de forma estúpida.

Todos se surpreenderam com a posição do chinês, mas depois de um curto espaço de tempo encarando aqueles olhos livres de blefe, Quatre tomou Heero dos braços de Trowa, e o moreno volta a apoiar Duo, sem palavras seguem em direção da fumaça que se levantou na frente deles, graças à explosão.

Respirando mais aliviado, quando seus companheiros saem de seu campo de visão, Wufei se pôs de pé, e caminha na direção por onde estavam vindo antes, procuraria outra rota de fuga e retardaria qualquer inimigo que viesse atrás de seus companheiros.

"Ele nem o reconheceu" sua mente turva pela dor e a pressão gritava consigo mesmo "você deixou o Yuy aos cuidados de alguém que nem o reconheceu mesmo o tendo do lado".

Deixava para trás um rastro de sangue, seus passos eram lentos, por isso tentava andar o mais próximo das sombras possível, mesmo sabendo que com a trilha que estava deixando para trás era impossível permanecer escondido para sempre. "Você o reconheceu, assim que o ouviu percebeu que tinha algo de errado com ele, mas aquele americano idiota nem reparou".

Rasgando uma tira de sua camisa, finalmente Wufei tem o bom senso de estancar o ferimento, e se esgueirando entre corredores o tecido, antes branco, ia se tingindo aos poucos de vermelho "assim como Yuy repararia se eu mudasse... não, assim como repararia se Maxuell mudasse".

- Acho que devo me dar por satisfeito, vou viver o suficiente para ter certeza de que Yuy vai ficar vivo.

Tentando ignorar a existência de Duo, Wufei solta um pequeno sorriso aliviado, e se deixa escorregar na parede, sentando calmamente e mantendo sua arma engatilhada a coloca com o buraco de disparo embaixo de seu queixo.

Não só para essa missão, ele se tornara um fator de erro para toda missão meteoro. Se ficasse vivo só daria motivos para que os outros voltassem para busca-lo, pondo em perigo mais pilotos, fora às informações que poderiam tirar dele sob tortura ou drogas.

- Soldados perfeitos... maquinas… deuses … demônios… essa droga de missão só fez provar que na verdade não passamos simples humanos. Yuy, você é o pior de todos, por que tinha que me mostrar o quão egoísta eu posso ser? Por que me fez desejar tanto ver de novo...

'Seus olhos'

"Eu pensei que não fosse mais tirar seus olhos de mim"

- He, he – Wufei não contem uma pequena risada – por que você sempre tem que ir contra todas as minhas decisões? - se levantando com dificuldade apoiando seu ombro na parede – sobre comida ou programas de televisão você sempre tentava me agradar – tenta firmar os pés sem apoio com sucesso – mas o principal você sempre discordava "a pessoa que você devia amar" e agora "o local e momento em que devo morrer" – a arma lhe pesava na mão, mas mesmo assim a mantinha um pouco erguida – está certo japonês idiota, não vou ser eu que vou te salvar para por uma expressão triste em seu rosto de novo.

Ele volta, em meio a passos trôpegos, a calcular uma rota de fuga. Mas o esperando na porta que daria fim a aquele corredor, um homem estava parado barrando o caminho. E para essa pessoa desarmada, não teve coragem de apontar sua arma, e isso o incomodava bastante.

- Saia do meu caminho – diz entre dentes.

- Uma arma? – olha para o objeto que o chinês segurava com desleixo – devo dizer que a espada te dava um certo charme.

- Saia do meu caminho – apesar de sua voz conter confiança ainda era incapaz de erguer a arma.

Wufei arriscava alguns passos sempre em frente, ignorando a pessoa que o observava com interesse. Quando estavam enfim frente a frente, Treize Kushirenada sorri de maneira marota, o que fez Wufei desejar pela primeira vez dar um passo para trás, mas mesmo assim não ergueu sua arma.

- Quantos segundos foram da ultima vez?

- Eu nunca te pedi nada.

- Acho que foram dez – diz ignorando o chinês – mas dado o seu estado, desta vez te darei vinte.

- Já disse que assim como antes eu dispens...

- Siga pelo caminho atrás de mim, vai dar em um de meus depósitos de MS, lá achara uma condução mais que apropriada.

- Por que você nunca parece me ouvir?

- Boa sorte – o líder da OZ começa a andar para frente passando pelo chinês e liberando a passagem – vinte, dezenove, dezoito, dezessete...

Sem se fazer de rogado Wufei corre na direção indicada pelo temido líder da OZ sem pensar duas vezes.

"Mais uma vez… essa é a terceira ou quarta vez? Nem sei mais, e não importa, eu nunca pedi isso".

Cinco, quatro, três, dois, um...

E foi quando todos os alarmes daquela área dispararam e todos puderam ouvir a voz irritada do grande líder Treize Kushirenada bradar comandos e reprimendas, por seus soldados perderem cinco inimigos, tendo entre eles três feridos. Todos estavam desesperados de mais querendo agrada-lo, sendo assim apenas Zechs Merquise tinha calma o suficiente para raciocinar algo tão obvio que o fez sorrir de maneira enigmática tão logo se pôs ao lado de seu amigo e superior.

"Até aonde eu sei apenas dois estão feridos, 02 e provavelmente 01, só assim para poderem leva-lo com tanta facilidade, mas diz ele que são três... sinto que alguém encontrou o quarto invasor..."

E dado alguns minutos, vários Áries deixaram o complexo, para fazer uma vistoria geral na área, atrás dos invasores, e entre eles um piloto que saiu do plano de vôo traçado por seu superior e que tinha a mente transbordante em lembranças e uma simples frase que tinha dito pouco tempo atrás. Olhando em um de seus monitores a base que acabara de abandonar, uma pequena dor de cabeça, que há algum tempo foi esquecida volta a latejar, afinal...

"Como pode pedir que eu confie a minha vida a qualquer um que não reconhecesse como 'alguém que eu mesmo considero importante para mim?'".


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Fugir daquele complexo se provou uma de suas mais difíceis missões, mas por fim, depois de se passar por um dos seus perseguidores, logo se viu fora daquelas paredes de metal, e dentro de um Áries que roubara já tinha algum tempo, voava para onde deveria encontrar seus companheiros.

- 2 horas – diz alto – falta apenas duas horas – percebendo que estava falando sozinho, envergonhado, termina seu comentário apenas dentro de sua cabeça "aposto que já devem tê-lo tratado, tirar aquele chip de sua cabeça não deve ser tão difícil com as informações eu enviei para J antes de ir atrás deles".

Tendo um trajeto tranqüilo, Wufei pode se dar ao luxo de se perder em sua mente, "Yuy, quanto de mim você amou enquanto estava naquele estado, será que ainda mantêm esses sentimentos?"

Na metade do caminho considerou fortemente a idéia de nem aparecer no esconderijo, mas logo desistiu, teria que encara-los mais cedo ou tarde.

Pousando o MS em uma floresta o autodestruiu e a poucos metros da cidade roubou uma moto e foi bater no hospital em ruínas que agora usavam para se esconder. Subiu algumas escadas e chegou no andar que desejava. Sua perna o matava, se perguntava como conseguira manter o equilíbrio na moto.

Após alguns passos, começou a ouvir gritos, com uma carranca de desaprovação cogitou a idéia de Duo estar comemorando a volta do namorado, mas quando ouviu as vozes de Trowa e Quatre entrarem em coro e distingue a palavra "desgraçado" entre todas as outras embaçadas, ele correu em direção ao quarto que de certo estavam, e abrindo a porta se viu diante da seguinte cena:

Heero amarrado na cama se debatendo, J com um semblante irredutível sentado em uma cadeira, e Quatre e Trowa segurando Duo que avançava para cima de J.

O chinês se perguntava quantas vezes teria que rever essa cena, a circunstancia em que o americano era segurado pelo árabe e o latino parecia se repetir de forma anormal. Sem querer tirar conclusões precipitadas, decidiu por observar mais um pouco a situação.

- Seu puto, como ousa dizer isso, o Heero precisa de ajuda. – Bradava Duo

- É isso então? Nós nos matamos para traze-lo aqui e agora isso? – Quatre parecia tão bravo quanto o americano mais mesmo assim não soltava o amigo.

- Eu já disse – diz o cientista calmamente – não posso fazer nada.

Duo fica histérico diante do cinismo do cientista.

- MENTIRA!!!! Seu filho da pu...

- O QUE ESTÁ HAVENDO AQUI??? – Wufei enfim resolve por fim a essa baixaria.

- Wufei!! – Os olhos de Duo se arregalaram de alegria, se desvencilhando de Trowa e Quatre, que ficaram mais calmos ao vê-lo, corre na direção do chinês e o pega pela gola o puxando até o dr – venha logo, e diga de uma vez o que esse desgraçado quer ouvir.

- Calma – Wufei se livra das mãos tremulas do americano com apenas um tapa, era visível o quão seu rival estava alterado – o que está havendo?

- J diz que não fará a operação de Heero até ter sua autorização. – Explica Trowa lançando um olhar furioso para o cientista.

- Então vocês ainda não ativaram a maquina? – Wufei diz incrédulo – pensei que depois daquele desespero todo...

- Estávamos esperando apenas você chegar – J diz entre sorrisos – afinal, você é o líder da missão, e Heero ainda está sob sua responsabilidade, só posso traze-lo ao normal com sua autorização – J o fitou com um olhar inquisidor – e então Wufei, você quer que Heero volte ao normal?

Era para ser um momento dramático, pensou J, mas para sua decepção, Wufei apenas revirou os olhos, e fez cara de poucos amigos.

- Que pergunta estúpida, você acha que eu ferrei a minha perna para quê? – Wufei dá as costas para os outros e vai em direção a saída – começa logo essa droga de operação.

- Bom, bom - J se levanta – Quatre e Trowa, caiam fora, só vão atrapalhar aqui, e você Duo, creio que não vai adiantar te mandar embora, então pelo menos ajude aqui. Vamos primeiro retirar esse chip de segunda da cabeça do meu garoto.

Fora da sala, Quatre se gruda no braço de Trowa e junto com o namorado vê Wufei se distanciar.

- Sua perna esta ferida – Quatre apenas diz o obvio – Não seria o caso de você ficar? J pode dar uma olhada nela.

- Eu quero que aquele idiota com complexo de Deus fique com suas mãos bem longe de mim – Wufei não se dá ao trabalho de se virar – até onde sei com todos de volta ao normal, não há mais motivos de ficarmos juntos, se precisarem de mim, vocês sabem a freqüência do Nataku.

E assim as costas do chinês continuam a se afastar, e por todo corredor ainda podia-se ouvir os gritos de Heero, até que esses se silenciam, e se ouve apenas J bradando ordens a Duo.

- E quando pensamos que J não podia ser mais desprezível... – Quatre murmura.

- Então você percebeu também? – Trowa pergunta sem tirar os olhos do chinês – mas era necessário. Fazer Wufei responder essa pergunta era tudo o que faltava para encerrar de vez essa missão bizarra. Ele se apaixonou por uma das faces de Heero, mas aquele lado desprotegido e estável, não era o real, era apenas um reflexo de algo que ele reprimia.

- O que não torna tudo menos trágico, afinal, mais triste do que não ser amado, é saber que aquilo que amamos não é real. Parece que Wufei está começando a se conscientizar disso da pior forma

- Ele vai ficar bem, se uma coisa eu aprendi disso tudo, é que Wufei é o mais forte de nós, por tudo o que passou e como encara tudo o que um dia passará. – Trowa olha pela primeira vez para Quatre desde que deixaram o quarto – mas que tal mudarmos de assunto? Sabia que "até onde sei com todos de volta ao normal, não há mais motivos de ficarmos juntos"? – diz isso simulando uma carranca parecida com as de Wufei.

- É mesmo? – Quatre gira seu corpo de modo que podia envolver o namorado, o deleitando com um de seus sorrisos safados que guardava apenas para aquele moreno. – E que tipo de assunto gostaria de discutir antes de nos separarmos novamente?

- Tipo… Ouvi por um certo passarinho de olhos azuis que esse será um dos futuros terrenos Winner, logo, alguém agora mesmo deveria começar a averiguar suas instalações.

- Concordo plenamente, todos os cômodos dessa instalação precisam de meu aval, gostaria de me ajudar? Creio que aquele quarto mais a frente é um bom lugar para começarmos.

- Adoraria.

E simulando uma pose séria, entram em um quarto um pouco mais à frente onde testaram se as paredes do cômodo eram a prova de som. Claro que no dia seguinte, Duo pode dizer para um certo árabe de expressão satisfeita e face rubra que com certeza elas não eram.
-


-

Dois dias desde a operação de Heero haviam se passado, a maquina em fim explodira, sem não antes ser devidamente usada para trazer o soldado perfeito de volta, e o chip devidamente retirado. Mas depois de tantas operações e tratamentos, Heero ainda não abrira os olhos.

Desconsolado, Duo ficou ao seu lado dia e noite sem dormir, queria ser a primeira pessoa que Heero veria ao abrir os olhos, mas depois desse longo tempo acordado, caiu no sono.

JUST FEEL "RHYTHM EMOTION"
Kono mune no kodou wa
Anata e to tsuzuite 'ru SO FARAWAY...

Uma voz cantava ao longe, uma voz conhecida.

I JUST FEEL "RHYTHM EMOTION"
The beat of my heart
Goes on towards you SO FARAWAY...

Sentia-se aquecido, sua cabeça estava sendo acariciada no colo de alguém

Mou kizutsuite mo ii hitomi wo sorasazu ni
Atsuku hageshiku ikite itai

Pensara seriamente em abrir os olhos, mas tinha medo de que tudo aquilo não fosse real, que aquele carinho, fosse apenas ilusão.

It's already all right to be hurt Without closing my eyes
I want to live hot and fierce

Que aquela voz quando voltasse a realidade se calasse

Akiramenai tsuyosa wo kureru anata kara dakishimetai

O calor... Todo aquele calor se transformaria em frio quando abrisse os olhos, Não, não iria abrir os olhos, não abriria os olhos nunca mais.

'Coz you gave me the strength to go on I want to embrace you...

Mas mesmo sem abrir os olhos, a musica parou.

- Até quando vai fingir que está dormindo? Se quiser que eu continue tudo bem, só peço que não se mova tanto.

Descoberto, Duo abre os olhos, estava ajoelhado no chão com sua cabeça deitada no colo de Heero, este não esboçava nenhum sorriso, mas o olhava de maneira carinhosa. Sem saber o que falar, Duo arrisca.

- Onde... Onde aprendeu essa musica?

- É uma musica antiga, acho que foi feita antes mesmo da Colonização, não me lembro aonde aprendi.

- Ah

Com o silencio entre eles, ficaram a se encarar. Quanta coisa se passou, e agora diante um do outro, era como se nada tivesse acontecido, ou seria assim se Duo não tivesse levantado em um pulo e sentado na cama de maneira mais intima do que antigamente Heero permitiria e o fitasse mais de perto de maneira ansiosa, queria ter certeza de que Heero voltara ao normal.

Primeiro segurou suas mãos, estas estavam quentes, passou por seus braços e ombros. Seus olhos deslizaram por seu peito e subiram para aquela face que não conseguia conter um pequeno sorriso "sorriso?". A mente de Duo se arrepiou, e preocupado analisou mais a fundo aquele semblante a sua frente. Não era o sorriso do soldado imperfeito, não era tão luminoso, era algo mais discreto e contido, seus olhos não eram calorosos, ainda eram frios, mas para o peito de Duo aquele frio era como uma brisa refrescante. Mesmo já sabendo a resposta, Duo não pode evitar perguntar.

- Você está bem? Digo, se sente...normal? – cogitou a idéia de chamar J para examina-lo, mais logo a dispensou, queria passar mais tempo a sós com Heero – Nossa, eu tenho tanto para te falar, tanto para me desculpar – como se essa fosse a única oportunidade que teria para falar com Heero por décadas, Duo bota tudo o que tinha para dizer de uma só vez para fora, como uma metralhadora. E se atropelando em cada palavra, mal acabava um assunto, já partia para outro – Heero, mesmo estando ao seu lado eu não pude ver que você estava diferente... Quero dizer, não como o Wufei pelo menos, mas eu estava tão feliz de te ver que... Bem, eu até notei que você estava estranho, mas não queria aceitar... E depois teve aquele ataque... E antes aquele lance com o camafeu, eu não queria realmente fazer aquilo, eu nem me lembro direito o que aconteceu, mas me lembro que o guardei depois que você saiu... E a sua comida, ela é um pouco estranha, mas não é ruim eu até comi uma panela inte...

- Shhh – Heero apenas sibilou.

- Como assim Shhh? Nem vem, eu esperei tanto e...

- Duo – Heero se moveu para frente e deitou seu indicador sobre os lábios do americano – Shhhh.

Duo ficou paralisado diante da ação do japonês, fitando os olhos azuis a sua frente, sabia que estava diante das portas que guardavam a alma de seu amado, e isso não poderia lhe deixar mais feliz, mas esta mesma pessoa o pedia que se calasse, que guardasse por mais tempo aquilo que o machucava tanto por esse longo período que percorreram separados, era inaceitável, mas também era impossível contrariar aqueles olhos.

Queria ao menos dizer uma vez "eu te amo" sem qualquer interrupção.

- Duo, eu estava lá – Heero diz baixo, mas de maneira firme – vi o que você sofreu, e o que eu sofri, vi o que me fez sofrer e o que eu te fiz sofrer – seu tom aumentava, mas ainda de maneira branda e tranqüilizadora, sua mão deslizou pela face de Duo em uma caricia – falar sobre o passado não vai muda-lo, por isso, eu só quero que você me responda uma coisa, você está aqui?

- Como assim se eu estou aqui? – os olhos de Duo se arregalaram estranhando a pergunta, e quando eles refletiram uma leve compreensão, se arregalaram mais ainda de pânico – Não me diga... não me diga que... EU SABIA QUE DEPOIS DE TANTO FICAREM BRINCANDO COM A SUA CABEÇA IAM ACABAR AFETANDO AS SUAS RETINAS!!!! Não se preocupe Heero, eu vou chamar o J e em dois tempos ele...

- NÃO!!! – Heero segura o pulso de Duo para que ele voltasse a sentar – Não é isso – e o puxando mais forte, descansa o peito dele contra o seu e o prende em um abraço possessivo, sinal de resquícios de seu "eu" abandonado – vou perguntar de novo – sua voz volta a ser branda e veio como um sussurro ao ouvido de Duo – Você está aqui?

- E...Estou... – Duo se acomodou nos braços de Heero, mas ainda estranhava aquela pergunta.

- E eu? Eu estou aqui?

- Está – sorrindo ao finalmente compreender a linha de pensamento de Heero, deita sua cabeça na curva do pescoço do amado.

- Então é tudo o que eu preciso saber, se são suas mãos que me envolvem, não importa se vai ser apenas por semanas, dias, horas ou minutos – nessa parte do discurso, a mente de Heero voa em direção a um casal que de certo também está aproveitando o pequeno recesso, pensamento que o faz sorrir mais ainda – eu só preciso saber que tenho você do meu lado, tudo bem para você?

Foi então que Duo percebeu o quanto suas palavras eram inúteis, pois mesmo sem poder dize-la, aquela frase que carregava entalada por tanto tempo em sua garganta era a mais obvia, e se questionando o do porque disso tudo, sua mente só achou uma resposta, "Mas é tão obvio, é simplesmente por que seus olhos não me enganam".

- Claro que sim, afinal, o amor do Shinigami é seu.

Ignorando seu passado e fugindo de seu futuro, aquele casal se abraçou por todo o tempo que suas vidas traçadas pela guerra permitiram. Seus destinos eram incertos. Sem uma bússola, voltariam a correr sem rumo atrás de campos de batalha onde seriam adorados como deuses e julgados como demônios, sempre recebendo todo o fel que a vida poderia lhes dar, mas naquele momento, e por toda à noite que se estendeu, nada daquilo importava, pertenciam apenas um ao outro, um amor que depois de tantos percalços finalmente pode se encontrar.
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E assim como a historia sempre mostrou, a guerra não pára para quem ama. Entre encontros e desencontros, batalhas e mal entendidos, os pilotos gundam lutaram bravamente, pelas colônias, por quem amavam e por si mesmos.

E assim, o campo de batalha passou da terra para o espaço.

Seguindo suas vidas, rumos estranhos foram tomados, até o ponto em que Quatre tivera que resolver problemas "familiares" em L4, e quatro dos famosos pilotos gundans se encontravam no que chamavam de base lunar da OZ. Mas nem todos estavam do mesmo lado como era de se esperar.

- Para fora 01

Em uma cela, ambiente bem familiar para aqueles três jovens, estavam Wufei, Heero e Duo, que apesar de por caminhos diferentes irem contra a OZ, tiveram por coincidência o mesmo cárcere, ou não tão por acaso, levando em conta que tanto Heero quanto Duo tiveram a mesma brilhante idéia de invadir sozinhos uma das mais fortemente armadas bases da OZ.

Os três olharam para a porta aberta da cela, e viram ao lado do soldado que intimou Heero, Trowa Barton, que sob uma identidade falsa se aliou a OZ, e mesmo sem saber ao certo a quem o moreno jurava lealdade, não o desmascararam.

- Pera lá, por que ele de novo? Eu sou muito mais piloto que o 01, sabia? Deixa eu tomar conta na próxima batalha e você vai ver.

Heero se remexeu nervoso onde estava ouvindo aquela conversa absurda, Duo, apesar de tanto tempo longe, ainda não parecia ter aprendido que na brincadeira de "carcereiro e prisioneiro" aquele que usa as algemas nunca tem um script muito longo se não souber fechar a boca?

O soldado que acompanhava Trowa pareceu dividir a mesma idéia que o piloto 01, percebendo isso, o moreno toma a frente.

- Não pode fazer nada nesse estado, mesmo um piloto de Gundam corre um risco de morrer na próxima missão, por que vai lutar contra outro piloto Gundam.

- O que? – Wufei faz pela primeira vez sua presença ser notada.

O soldado, não pareceu feliz diante da informação que aquele novato "queridinho da Lady Une" soltou para os outros prisioneiros. Mas já Trowa pareceu feliz com o resultado da noticia, os ânimos da cela se acalmaram. Então resolveu botar mais lenha na fogueira.

- Aparentemente um modelo novo, ele arrasou uma divisão da OZ, com apenas um MS.

- Quais as características e armas – Pergunta Heero realmente interessado no assunto.

- Os engenheiros fizeram a mesma pergunta – sorri – isso mostra que você sabe o que diz – finge desconhecer as reais habilidades de Heero.

- Ótimo, vamos lá , com o vermelho 1 e o Mercurius... – Heero se põem a analisar – eu acho eu isso vai uma bela briga.

- Você vem goste disso ou não. – Trowa é categórico.

Parecia que tudo estava decidido, mas alguém realmente não estava gostando do rumo da conversa, cerrando os punhos, Duo não gostou da idéia de que mais uma vez a OZ usaria Heero como piloto de testes em um de seus Gundans, e contra algo que a única informação que tem era que arrasou uma divisão inteira da OZ, "nem ferrando". Preferia explodir ele mesmo em campo de combate do que sair no meio do espaço juntando os pedacinhos do seu Hee-chan (apelido que apesar de já terem algum tempo de namoro a distância, Duo ainda não tinha coragem de usar na frente de seu Koibito sem botar seu pescoço em risco).

- Ta bom. Dois pilotos Gundam vão se enfrentar e você vai ficar assistindo? Ei 01, não faça isso, deve ser um teste de desempenho dos Suits.

Trowa já sabia aonde aquele papo ia dar, mas não podia deixar as coisas correrem para aquele lado, tinha que ficar logo a sós com Heero, fora que tinha um certo presente para duas pessoas, e o japonês não estava na lista.

E antes que o previsível americano se oferecesse no lugar do amado, o falso piloto da OZ o socou no estomago, sem antes, é claro, de deixar um presentinho que o americano não se fez de rogado em esconder ao se encolher mais que o necessário em meio ao soco.

- É melhor vocês ficarem quietos aqui, vai ter a sua chance no final.

E lendo a ultima fala de Trowa nas entrelinhas, Duo, ainda encolhido, e Wufei que preferiu por não se intrometer, observaram o soldado, Trowa e Heero, deixarem a cela.

- Ai – Duo geme.

- Acho que aquele cara não estava fingindo, temos que aceitar que ele nos traiu de verdade.

Wufei dizia aquelas palavras sem ele próprio querer acreditar nelas, pois Trowa Barton , nas poucas chances que teve de lutar a seu lado, principalmente em um certo mês, se provou um dos pilotos que mais se apegou. Apesar de sempre misterioso.

Duo em resposta do comentário do chinês, só pode sorrir de maneira desafiadora.

- Não precisamos nos preocupara com isso, nele nós podemos confiar. – se deixa cair no chão.

- Como tem tanta certeza – se aproxima de onde o americano estava.

- Por que nenhum traidor iria nos trazer um presente desses, que estamos precisando tanto.

- Hei, isso...

E com Duo acionando um pequeno dispositivo, slides começaram a aparecer na parede da cela, e a voz de Trowa se fez ouvir.

- Duo Maxuell e Wufei, isso me foi dado pelo mestre O, usem-no para matar o tempo.

- Inacreditável – Wufei se assombrou diante das imagens dos reparos que os cientistas faziam escondidos, dentro da mesma base, em seu Gundam nesse exato segundo.

- Legal...

Os minutos que se seguiram, nenhum dos dois pilotos sequer olhava para o lado. Com a ausência de Heero, um enorme abismo se abriu entre eles, que o faziam lembrar que desde o incidente em Luxemburgo não haviam falado a sós.

Com um ruído do lado de fora da cela, Duo desliga o aparelho antes que algum soldado fazendo ronda visse as imagens. Wufei vai até a porta e esperando ouvir o barulho da tranca, após alguns minutos, sem uma ameaça aparente, acena ao americano para voltar a ligar a maquina.

- Essa foi por pouco – fala apenas por falar.

- Eu sei – concorda o chinês.

O silencio entre eles se entendeu.

- Ele... Ele está bem? Depois de autorizar a operação eu nunca mais o vi – Wufei toma coragem de perguntar.

- Está – diz sem jeito – pelo menos foi o que me passou, apesar da minha palavra não ser muito confiável... – e se lembrando de algo desagradável, termina de forma ferina – afinal, não sou nem capaz de reconhecer "alguém que eu mesmo considero importante para mim".

- Desculpe por aquilo. – vê a magoa nos olhos do americano – existem coisas que não devem ser ditas, e aparentemente eu me tornei mestre em traze-las à tona. Não levei em conta o quão tenso era a circunstância em que você o achou e nem...

- Deixe para lá – Duo apenas abanou a mão despreocupadamente – acho que no momento temos coisas mais serias para nos preocuparmos.

Surpreso por ter suas desculpas interrompidas, Wufei se deixou guiar novamente por Duo e voltou a olhar os slides.

- Mas vocês se viram, digo, agora a pouco, vocês estavam sozinhos na cela antes de me trancarem aqui – Duo diz ruborizando – vocês não chegaram a conversar?

- Apenas o necessário – Wufei contem o riso diante a curiosidade mal disfarçada do americano – Devo admitir que Heero se tornou uma pessoa mais difícil de se tratar agora que voltou ao normal.

- A gente pega o jeito depois de algum tempo de convivência – Duo parecia se animar com o rumo do assunto.

- Se você diz...

De novo entre eles o silencio reinou, isso se a curiosidade não atiçasse um certo americano.

- Vocês... Até onde vocês foram?

Duo realmente parecia desconfortável com isso, mas era necessário, já que Heero, se negava terminantemente a falar qualquer coisa que envolvesse o passado, principalmente se o assunto puxasse Wufei, ato que só alimentava mais minhocas em sua cabeça.

- Até onde fomos? Não tínhamos para onde ir, éramos apenas amigos.

- Sei – Duo revira descrentes os olhos.

- É verdade, Heero sempre falava de você – mentiu, já que o japonês sempre respeitou os momentos passados com o chinês, falando de Duo apenas quando estava muito chateado – e afinal, não tem do que se preocupar, hoje em dia um beijo não é nada...

- BEIJO??? – Duo é pego de surpresa – Vocês se... se...

- E... eu disse beijo? Não, foi um abraço, tudo o que tivemos foi um abraço.

- Sei.

Duo o olhava de maneira desconfiada, e Wufei, não gostava daquela situação, pensava que uma pessoa como Heero, já teria revelado sem muita enrolação algo pequeno, mas que de certo magoaria Duo se descobrisse sozinho. Preferiu achar que Heero estava bêbado demais para se lembrar, do que o japonês ter dado pouca importância ao fato chegando a ponto de nem ao menos ter mencionado isso ao novo namorado.

- Mas... – Wufei dá entre ombros, tentando fingir indiferença, não pode conter um pequeno sorriso diante do ciúme de Duo – Mas mesmo mais fechado, ele não abandonou aquele tique com a mão direita.

- Você percebeu? Eu falei para o Heero que ele fazia aquilo, mas o teimoso insiste que é coisa da minha cabeça.

- Ele disse isso para você também? – Wufei se assombrou – quando ele ainda tinha a personalidade de Quatre disse o mesmo para mim, humpf, sempre tão orgulhoso.

Era oficial, a cela da OZ virou um antro de fofocas de lavadeiras.

- Eu que o diga, alem de sempre tentar carregar tudo nas costas, depois reclama quando eu fico brincando de contornar a cicatrizes dele com o dedo, ninguém mandou ele fazer uma coleção.

- Eu também fiquei preocupado quando vi tantas, mas algumas até que são bonitinhas, você viu aquela que parece um coelhinho perto da virilha.

- JÁ!!! JÁ SIM, ele ficou doido quando eu falei que parecia uma lebre, mas pensando bem, até que as orelhas são mesmo grandes demais para serem de uma lebre, parecem mais as de um coe... HEEI!!!! QUANDO FOI QUE VOCE VIU A VIRILHA DO HEERO???

- Opa...

Duo já se preparava para um interrogatório "sutil", quando a porta se abriu, e sem jeito, ambos pularam no aparelho desligando os esquecidos slides.

- Piloto 05, venha comigo.

O soldado que estava com Trowa, agora voltara sozinho.

- Há não, nem ferrando – Duo se altera – se querem interroga-lo, usa-lo como piloto ou ratinho de laboratório, vão ter que entrar na fila que esse aí agora é meu.

Wufei cobre o rosto com a mão, descrente das palavras do americano, quase se jogando nos braços do soldado para se afastar desse, no mínimo, lunático piloto de gundam.

- Estou aqui sob ordens fedelho, agora piloto 05, me acompanhe.

Wufei passa por Duo pensando na sorte ou no azar que acabara de ter, seja qual for a opção, estar longe do americano naquele momento seria muito bem vindo.

Enquanto caminhava com o soldado pelos corredores da base, sua consciência estava pesada, afinal como explicar algo de uma situação que envolve o namorado de outro, completamente bêbado, se jogando em cima de você para dançar uma valsa em uma festa de 15 anos, que depois de carrega-lo até o apartamento teve que despi-lo, lavá-lo e fazer tudo isso ainda com o gosto do beijo que ele havia dado nele antes de cair em "coma alcoólico"?

Mas a cada passo que dava, sua mente se distanciava de Duo e Heero, e se aproximava de outra pessoa. Não estranhava ter sido tirado de sua cela. Para falar a verdade se perguntava quando isso iria acontecer.

"Pois é Sally, acho que uma das coisas que se sempre me atraiu em você era sua capacidade de observação".

Chegando na frente de uma sala, o soldado digitou um código e entrando ao lado de Wufei, se viu diante daquele que intimara a presença do chinês. Treize kushirenada.

- Muito bem, agora tire as algemas dele e se retire.

- Mas senhor, tem certeza de que quer ficar sozinho com ele?

- Não se preocupe, do lado de fora ficaram alguns soldados, e se lembre, não diga nem uma única palavra de que estou aqui.

- Mas a Lady Une...

- Muito menos para ela.

- Sim senhor.

E sem mais "mas", o soldado se retirou.

- Eu devia estar na Terra agora, em algumas horas haverá uma reunião importante com figuras no mínimo influentes.

- Como sempre – Wufei diz em tom de zombaria – sabe como impressionar as pessoas, falando assim me sinto até importante.

- Obrigado, mas creio que isso faz parte do meu trabalho – Diz Treize se aproximando do chinês. – e quem disse que você não é importante? Pelo menos para mim...

- É sobre isso que quer falar? – diz Wufei dando as costas para o líder da OZ, ato que muitos de seus colegas não ousariam – se for...

- Desculpe – diz áspero – me esqueci que você prefere ignorar o que sente por mim.

- Por que se for – continua ignorando Treize – não acho que o "líder da OZ" devia ficar perdendo seu tempo com um prisioneiro.

- Wufei – Treize segura o braço do rapaz – por que faz isso? Eu sei que o que sinto não é unilateral, das vezes que consegui roubar um beijo seu, eu senti que você retribuía, mesmo que você no final fugisse de mim, fugisse de si mesmo.

"Não olhe para trás, vai ser mais fácil se não olhar para trás".

- No começo eu achei que era por eu ser homem, por isso não forcei nada, até te ajudava a fugir de vez em quando.

- EU NUNCA PEDI A SUA AJUDA – Wufei sempre sentiu seu orgulho ferido ao lembrar desses raros episódios que sempre deixavam sua mente mais confusa depois de cada encontro.

"Não se vire, não olhe para ele, não fraqueje agora, não seja fraco".

- No começo pensei em apenas te conquistar, e guarda-lo como a um bibelô, mas a força que via em seus olhos era uma coisa impressionante, comecei a pensar que poderia seduzi-lo e depois de tê-lo na cama o teria em campo de batalha como um piloto a serviço da OZ.

- Como se algum dia eu fosse aceitar isso.

- Eu sei.

Treize sorriu amargo ao lembrar do resultado de suas duas experiências que fracassaram , a primeira, em que a cobaia, ao ter sua personalidade trocada, mudara totalmente de atitude, mas parecia manter firme suas convicções, mesmo escondendo todos os traços de sua personalidade anterior, e a segunda, em que depois de implantado um certo chip, acatara a todas as suas ordens, mas nem ao menos um fulgido brilho de força conseguia ver em seu olhar.

Tremia sempre que se lembrava do olhar vazio que viu no piloto que atendia pelo nome de Heero Yuy. Ao pensar que no lugar dele na idéia original quem devia estar lá era o...

"Mesmo que outra pessoa tivesse a sua personalidade não seria você, e mesmo se você mudasse de personalidade, por que eu iria querer alguém, diferente de quem eu me apaixonei. E novamente, mesmo que você um dia me obedeça, do que adianta se isso irá ocultar aquilo que mais amo em você? Obrigada pela idéia Yuy, mas eu não quero um soldado perfeito, mas um amante mais que perfeito" pensa Treize olhando para aquelas costas teimosas, e a tornando mais tensas ao abraça-la.

- Por isso, sempre que eu tiver a chance eu sempre vou tentar tê-lo perto de mim.

- Não fale isso... – sua voz sai fraca diante de tanto carinho

- Sei que me odeia por estarmos em caminhos diferentes, mas você não pode impedir que eu tente uni-los quando achar uma chance. – suas palavras saiam macias.

- Não torne mais difícil...

- Por que, mesmo que você não possa corresponder ainda, eu te amo.

- NÃO FAÇA TUDO PARECER TÃO FACIL!! – Wufei empurra Treize para trás e se vira para encara-lo, apenas para mostrar que seu rosto estava coberto de lagrimas – Você acha que para mim é fácil, droga? Você pode até dizer que no começo para você só era uma brincadeira, mas para mim, ERA MUITO SÉRIO, o ódio que eu sentia era sério, e mais profundo que qualquer coisa que eu pude sentir por qualquer pessoa em toda a minha vida, você me derrotou, me mostrou o quão fraco eu era, CACETE!

- Wufei, eu... – Treize tenta seca-lhe o rosto com a mão, era a primeira vez que via o chinês tão irritado a ponto de falar palavrões.

- Não chegue perto – Wufei bateu na mão de Treize – foi por você chegar tão perto de mim, a ponto de povoar meus pensamentos, que conseguiu confundir minha mente a ponto de achar que o que eu sentia por você era amor.

- O que? – Treize se assusta, pois era a primeira vez que ouvia aquela palavra sair da boca do chinês.

- AMOR, PORRA!!! JÁ OUVIU FALAR??? Pois é, era a única conclusão que eu cheguei depois de provar a sua boca pela primeira vez, e era inaceitável!!!

- Por que?

- Por que eu não queria... eu ... eu te via como... Droga – Wufei encara fundo os olhos de Treize e diz com um sorriso tão amargo quanto suas palavras – Sabe o que eu fiz quando descobri que te amava?

Treize balançou a cabeça negativamente, temeroso.

- Fui para a cama com a primeira mulher eu achei na frente.

Era mentira, sabia muito bem disso, se um dia aceitou dividir a cama com Sally foi por ver toda a determinação, que aquela mulher poderia ter, mesmo sendo tão fraca. Não se sujaria com alguém menos cativante que ela.

- Eu ficava repetindo para mim mesmo "ele é um homem, que nojo, é antinatural, e amoral"

Treize vira o rosto como se levasse uma bofetada, mas para sua surpresa sente duas mãos guiarem-no novamente para encarar Wufei.

- Foi então, que a mulher que usei para me enganar, me mostrou o grande covarde que estava sendo, ao me esconder de mim mesmo. Ela era tão orgulhosa que me jogava quase todo o dia na cara que à noite eu ficava chamando o nome de uma pessoa enquanto dormia, adivinha quem era.

Kushirenada arrisca um sorriso.

- Diante disso, eu não podia mais ficar com ela, a deixei e me afundei mais ainda em meus fantasmas, e o fato de ficar te encontrando de vez em quando não me ajudava... queria derrota-lo, mas ao mesmo tempo... queria tê-lo – sua voz fraquejou - Foi quando o conheci.

O ouvinte sente uma pitada de ciúmes.

- Ele me desarmou diante de todos os tabus que eu tentava me cercar, éramos do mesmo sexo, e ele alimentava meu ego, eu precisava dele, como precisava de ar, apesar dele não tão correspondido quanto eu gostaria, aquele sentimento me ajudou a apagar a sombra que você plantou em mim.

Os olhos de Wufei se fecharam e na sua frente apareceu a imagem do Heero sorridente com quem dividiu poucos mais felizes dias.

- Então... Você tem alguém? – pergunta Treize ainda procurando esperança.

- Teria, se depois disso tudo eu não percebesse que tudo o que eu amava em Heero, era o fato de que ele estava tão fragilizado que precisava desesperadamente que alguém o protegesse. Ao lado dele eu me sentia... Forte.

- E ao meu lado?

- Olhe para você, é forte, imponente, e me de...

- Não repita isso.

- E me derrotou – Diz Wufei com olhos queimando em desafio – eu me sinto tão pequeno ao seu lado, acho que era disso que eu tentava tão desesperadamente me esconder.

- Você está me dizendo – Nunca Treize fez tanto esforço para não perder a paciência – que a única coisa que separou você de mim, foi a droga do seu orgulho?

- Colocando dessa forma...

- Idiota – Treize é rápido e enlaçando a cintura de Wufei o puxa para um abraço – Eu me apaixonei pelo mais belo dos idiotas. A única pessoa que tem que ver força ou qualquer outra coisa em você sou eu, e isso, é algo inegável quando te vi pela primeira vez, tão determinado, audacioso, e lindo, mesmo que no momento fosse apenas como um brinquedo, eu o quis mais que tudo.

- Treize – Wufei suspirou entre os braços de seu amado, nunca se sentiu tão seguro, embalado pela única pessoa que se sentia intimo o bastante para chamar pelo primeiro nome – eu não agüento mais me afastar, toda vez que levanto armas contra você eu me sinto vivo, lutando eu tento me aproximar do patamar que você se encontra, mas depois...

- Só resta o vazio, não é? – o mais velho se lembra de como se sentia toda vez que deixava o chinês fugir para longe dele.

- É, como eu curo isso? – sua voz era de uma criança que pedia ao pai um remédio para todas as dores do mundo.

- Assim.

E erguendo o queixo de Wufei, Treize toma seus lábios em um beijo demorado, e sentindo o gosto das lagrimas do menino dançarem entre suas bocas, desejou que esse momento se eternizasse para sempre, pois sabia o que aconteceria quando se separassem mais uma vez.

Mas um momento o beijo teve que ter um fim, e para a surpresa do líder da OZ, Wufei permaneceu nos seus braços, e aqueles olhos negros como o ébano, sem esquivar um milímetro de seu olhar, não mostravam nojo ou confusão, apenas desejo.

- Você sabe que isso não muda nada, não é? – Wufei pergunta

- Hum rum – Treize apenas confirma com a cabeça como se não quisesse se desvencilhar de Wufei.

- Estamos em lados opostos de uma guerra que envolve a Terra e todas as colônias, circunstancias em que teremos que lutar entre nos mesmos poderão não faltar.

- Hum rum – aperta mais forte Wufei contra si. – você ainda pode mudar de lado – diz com a voz divertida.

- Até parece – empurra Treize para longe, mas agora conseguia sorrir – como se você fosse capaz de amar alguém que trairia seus amigos e princípios.

- Poderia me esforçar arduamente, sou um homem, bem maleável dependendo do prêmio. – olhando para o rosto de Wufei, não pode esconder um tom triste ao dizer – mas mesmo assim, não desistirei de perguntar toda vez que nos encontrarmos, Wufei, tem certeza de que não quer mudar de lado? Nunca te negarei ajuda, mas não vai ser sempre que estarei presente para te ajudar a fugir.

- Já disse que não faço questão, eu sou um guerreiro treinado, se daquelas vezes aceitava sua ajuda, é por que era realmente a saída mais fácil – fala sem conseguir esconder um certo tom de birra em sua voz, que Treize só podia descrever como adorável. – Agora me manda de novo para a minha cela. Vamos, tanto eu como você temos mais o que fazer, estamos no meio de uma guerra, sabia?

- Wufei, eu não estou brincando, se não vai aceitar mudar de lado, me deixe ajuda-lo a fugir daqui, muita coisa esta acontecendo por trás dos panos, e a base lunar não é um bom lugar para...

- Ta tudo bem – Wufei surpreende Treize ao ter a iniciativa de deitar a cabeça contra seu peito – não é você mesmo que diz que eu sou forte? Vou sobreviver dessa e todas as vezes que forem necessárias, e você também, o homem que reconheço como forte, não morreria pelas mãos de qual quer um, e quando isso tudo acabar, não importa que lado ganhe, tanto eu quanto você estaremos vivos, e enfim não haverá mais arma alguma entre nós.

- Wufei

Treize ia abraça-lo, quando o mais baixo se afasta e em sua mão segurava a arma de Treize.

- Você não está falando sério? – Treize olhava cético para a arma segurada firmemente nas mãos de Wufei – se fosse um duelo em que eu estivesse armado, vá lá, mas você nunca conseguiu erguer sequer um estilingue contra mim quando estou desarmado.

- E não é que tem razão Treize-sama? – diz sarcástico – mas se for esperar que chame a minha escolta não sairei daqui tão cedo, fora que tenho uma imagem a zelar.

Apontando a arma para cima, atirou três vezes para o teto, golpeou o próprio rosto com a empunhadura da arma e se deixou cair no chão. Adentrando o cômodo, guiados pelos disparos, três soldados, cercam o prisioneiro que aparentemente fora abatido por Treize-sama, ao tentar alveja-lo com a própria arma, e rindo da estupidez do pirralho o pegam de qualquer jeito e saem do recinto sob ordens expressas que de jeito maneira informem o ocorrido a qualquer pessoa.

Olhando para a porta que se fechou, Treize sorriu satisfeito.

- Você diz que nada mudou – toca delicadamente os próprios lábios – será mesmo? Meu amado chinês.

-


-

Como se não fosse nada, arremessaram Wufei novamente dentro de sua antiga cela.

O pensamento que o pior havia passado sumiu no instante que duas mãos sanguinárias o seguraram pela gola.

- Agora você vai dizer direitinho que historia era aquela de... Wufei?

Duo ficou sem reação, era a primeira vez que vira os olhos do chinês tão inchados e em seu rosto pequenos vestígios de lagrimas, não sabia como reagir, e fez apenas o que achou no final ser o mais certo, envolveu o ombro do rapaz silencioso com seu braço, e voltando a passar os slides diz.

- Não sei o que fizeram com você, mas não se preocupa cara, eles vão receber em dobro quando o deus da morte voltar a voar. E olhe pelo lado bom, pior não pode ficar.

Wufei, se surpreendeu com a atitude de Duo, sabia que o americano não era de todo o mal. Apesar de ter dado uma interpretação totalmente errada para suas lagrimas, era inegável que a sua tentativa, no mínimo infantil de consola-lo, era admirável.

Deixou-se aquecer por aquele braço, e satisfeito por ver o quão bondoso podia ser o mais novo "responsável" pelo soldado perfeito, se deu ao luxo de fazer mais uma exigência antes de por um fim na história mau começada que escreveu com o japonês.

- Heero vai ficar bem, não é? – pergunta sem pensar muito em suas palavras.

- Ele é um excelente piloto, vai se sair bem. – Duo tentava convencer mais a si mesmo.

- Não é disso que estou falando – Wufei olha com olhos afiados para o americano – espero que quando tudo isso acabar, Heero esteja muito bem, ou você vai se ver comigo.

Pensando que isso era apenas um rompante de ciúmes, Duo apenas confirma, não conseguindo se indignar por tanta importância voltada para Heero, não com Wufei ainda com o rosto manchado de lagrimas.

E de novo os pilotos se prenderam as imagens na parede.

Muita coisa iria rolar, a guerra estava longe de acabar, mesmo mantidos naquela cela, seus espíritos ainda estavam presos aos seus gundans, que clamavam por seus corpos, e logo os guiar para mais uma vez o combate. E assim seguiriam.Um sorriso nasceu no rosto de Wufei diante das simples palavras de Duo, que de certo modo lhe passaram esperança, afinal "pior não pode ficar".

Claro que naquele momento ninguém precisava saber que cinco minutos depois alguém cortaria o ar das celas...

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FIM.


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Notas da Autora:

E assim termino essa fic... ufa, achei que nunca teria fim, e o que não faltou nesse capitulo foi homenagem, primeiro a minha amada Illy-chan, que sempre que ouvia "Rhythm Emotion" só faltava pular de um pé para o outro enquanto repetia que aquela era a musica do Duo, como ela era a cara dele, por isso, eu achei que ninguém ficaria melhor cantando ela para o Duo se não o próprio Hee-chan.

Segundo, minha idolatrada Ilía-chan, que foi de quem eu roubei a frase de Trowa "Wufei é o mais forte de nós, por tudo o que passou e como encara tudo o que um dia passará" um pouco adaptada, mas mantendo o mesmo sentido que ela usou para me consolar dias a fio quando tinha crises de consciência por tirar o Heero do Wufei.

E em terceiro, minha queridíssima Aninha SaganoKai, já que sempre foi ela que me repetia quase que diariamente que o maior motivo para Heero acabar com Duo era por que o sentimento de Wufei nunca foi direcionado para o "verdadeiro"Heero, e sim para um lado mais fragilizado do japonês.

E em quarto, a minha adorada idolatrada salve, salve irmã, que sem ela nem uma única linha teria sido escrita e... – Luana tentando ler um pedaço de papel – o que é isso aqui?

Joana – incompetente – pegando o roteiro que ela mesma escreveu – "incentivou meu baixo intelecto mostrando todo o caminho que deveria seguir por todos os percalços literários" agora repete isso dez vezes ou nunca mais verá sua coleção de Angel Sanctuary Hihihihehehehahaha
Luana – cabeça baixa – Hai hai...

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Luana - Nhaaa - se espreguiçando - agora é só me concentrar nas outras fics que não tem um final. Duo e Heero finalmente se entenderam, Trowa e Quatre resolveram seus pequenos desentendimentos, e graças à troca de personalidade conseguem se entender e entender seu parceiro melhor, fora Wufei que se for um chinês esperto, não vai terminar sozinho. Falando nisso, como o Wufei e o Treize terminam mesmo no anime?

Luana saca o seu bloquinho de anotações sagrado

Luana - Se não vejamos...bla bla bla fuga... bla bla bla exilio... bla bla bla presa branca... bla bla bla rei da Terra, e da-lhe Treize... bla bla bla duelo final... bla bla bla Wufei mata Treize... bla bla bla Heero salva a patria... É, eu sabia que ia ter um final fe... – Olhar esbugalhado ao cair a ficha – Wu... Wu... Wu... fei... mata Treize?

E uma nuvem negra se aproxima de escritora e fã fajuta

- LU... A... NA... – por entre a fumaça negra só se ouvia alem de vozes glaciais o som de correntes.

- Pa... Parece que vocês não gostaram do final que eu dei para o Wuffy. – a escritora dá uma passo para trás.

- WU... FE...I... – braços trêmulos de ódio apareceram e eles carregavam armas, algemas, bestas, e chicotes.

- Acham que... Que eu deveria tentar de novo?

- JUS...TI...ÇA... – O som de armas engatilhadas, correntes, chicotes estalando no ar e fechaduras de algemas ecoaram por todo o recinto.

- Não se preocupem, farei um epílogo, um lindo epílogo, um maravilhoso epílogo, tão perfeito, que vai valer por dois epílogos!!!!!!! – escritora medrosa corre desembestada. Ainda conseguindo desviar de uma flecha que pegou sua orelha de raspão.

Com a saída da escritora fajuta, a fumaça se dispersou revelando quem se escondia nela, e saindo do meio de um grupo de garotas, Wufei apareceu com um semblante satisfeito.

Wufei – obrigado garotas, se deixassem àquela insana preguiçosa iria deixar tudo por aquilo mesmo.
Illy-chan – que é isso Wufei – abaixa a besta que "sem querer" deixou dispara a flecha – foi um prazer.
Aninha SaganoKai – Lógico Darling – guarda com carinho as algemas que tinha nas mãos – temos que proteger nossos futuros pets.
Blanxe – agora que Duo terminou com Heero, e o sentido e a proposta inicial da fic foi mantida – brinca com o par de correntes que trouxe – ela tem o dever de escrever um final decente para você.
Tina-chan – eu torci por você, apesar de ser meio lógico com quem o Hee-chan ia ficar – trava novamente a arma que apontava antes – mas não chora não feifei, eu posso ser uma excelente substituta.
Ilía – que chorar o que, nosso Wufei é o mais forte dos G-boys, pode agüentar numa boa ficar sozinho por mais um tempo – recolhia os socos-ingleses que havia emprestado para as outras garotas em uma caixinha – É claro que se a Luana botar ele para ficar com alguém eu não vou reclamar, MAS NADA DE PERSONAGENS ORIGINAIS.
Mady-chan – eu como boa amante de 1x2x1, já esperava por esse final para os meus anjinhos – vestindo uma camisa do movimento 1x2x1 com uma estampa de Heero vestido de anjinho SD e Duo de diabinho SD com um sorrisinho safado – mas felicidade é que nem biscoito, tem que dar pra todo mundo, vamos torcer agora para o nosso chinês.
Lyocko-Litales – é né, já que o Heero não ficou com os dois, pelo menos ficou com o Duo – perguntando para Mady-chan aonde ela comprou a camisa.
Ayame-Yuy – Hn – fazendo bico – ainda acho que o Heero e o Wufei estavam muito Kawaii juntos, agora vê se capricha no final do meu chinês.
Iva-chan – suspense suspense, agora sim parece final de novela - fazendo sua famosa pose dramática – "com quem o Wufei vai terminar? veremos no próximo episodio" rsrs
Wufei – Nossa – sem jeito por ser o centro das atenções – eu... nem sei o que falar, se tiver alguma coisa para fazer por vocês...
Litha-chan&Rafaella – já que tocou no assunto... – pegam as algemas de estimação da Aninha e os socos ingleses da Ilia.
Larkan&likaah – tem uma coisa sim – ambas pegando uma das correntes da Blanxe emprestada.

A nuvem negra volta a se formar e dentro dela podia-se ouvir risinhos maliciosos

Wufei – me... me... meninas, alooou, eu... Não quis dizer... que... ai Nataku quem em sã consciência deixa correntes nas mãos de pessoas como elas... me... meninas... para que vocês querem lubrificantes... e essa sunga...não acho seja meu numero... é tão pequeno... por que vocês estão me olhando assim... ai... SOCOOOOORRO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Wufei sai correndo com a nuvem negra o perseguindo

Trowa - que assistia a tudo bem escondidinho –Também, quem manda fazer acordo com fãs de Yaoi? É pior que pacto com o demônio.
Quatre – Trowaaa – grita de algum lugar distante – volta para cá, ainda faltam 47 quartos para averiguaaaar!!!!!!!!!!!!!!
Trowa – Tô indo. O dever me chama, até a próxima fic.

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Bem, espero que nenhuma das leitoras citadas acima tenha ficado ofendida, eu só queria fazer uma pequena homenagem para aquelas que me incentivaram por meio de reviws ou pessoalmente, se alguém quiser entrar em contato comigo, eu vou adorar conversar com vocês, seja por orkut (Luana Rosete) e-mail ou msn (idem), deu para ver pelos meus endereços que sou uma pessoa beeeeem original, mas eu não mordo, e vou...

Illy LUANA ROSETTE!!! – estalando o chicote no ar – já começou o epílogo?

Luana - TÔ INDO!!!