APREENSÃO E RUÍNA
A semana passou. A primeira quinzena do mês também. Era uma tarde ensolarada de domingo, Tonks ouvia música sentada na varanda da casa de seus avós e folheava uma revista trouxa, observando a moda, quando uma sombra tampou a luz do raro sol naquela região.
― Harry - disse espantada, depois de levantar os olhos e descobrir que a sombra era de uma pessoa.
― Oi, Dora - ele respondeu com a voz embargada. Tonks pôde ver certo desespero e uma grande tristeza dentro dos olhos dele. - Eu... preciso de ajuda - continuou, gaguejando, os olhos tornaram-se vermelhos pelas lágrimas que se formavam.
― Ah, Harry! O que está acontecendo? - quis saber Tonks, levantando e abraçando-o, na tentativa de retirar toda dor que emanava dele.
― Estou completamente perdido... sem você...
― Você se afastou de mim - Tonks se defendeu, mas Harry prosseguiu.
― Não quero perder você, Dora. Sei que fui um idiota. - Tonks segurou o choro. - Estou com um enorme problema.
― O que é? O que foi que fez? É a tal vingança? O que você fez? - insistiu, segurando o rosto de Harry.
― Você não vai me perdoar... mas eu lhe peço, por favor, fique comigo; nem que seja como amiga... Já é o bastante saber que não vou perder sua companhia.
― Por Merlin, o que... - ela não terminou a frase porque Harry lhe deus as costas, enfiando as mãos nos bolsos e balançando a cabeça.
Ele chorou baixinho, e foi o que impulsionou Tonks a uma aproximação, abraçando-o por trás, causando um forte arrepiou pelo corpo de Harry. Ele, no entanto, não recuou ao toque. O cheiro dela era tão bom, o calor do abraço era um refúgio. Harry se virou, agarrou os cabelos de Tonks e a beijou como jamais o fizeram antes. Quando Tonks se afastou para tomar fôlego poderia jurar que aquele homem não era Harry Potter se não fosse por uma coisa, um pequeno gesto que Harry sempre fazia depois de beijá-la: acariciava levemente, e única vez, o lóbulo de sua orelha esquerda.
― Não me deixe, por favor, eu não vou conseguir sozinho - ele suplicou com a mão no pescoço dela.
― Harry, eu não vou te deixar, que bobagem - ela beijou o dedo dele, que acabara de passar sobre seus lábios.
― Sei que não sou nem a metade do homem que foi Remo...
― Não faço comparações entre pessoas, meu anjo. Você é especial em vários sentidos. Só não me deixe de fora da sua vida... eu amo você.
Finalmente aconteceu. O último encontro entre Harry e Snape não foi nem no apartamento de Harry, como o combinado, nem no moquiço de Snape, mas num hotel nas proximidades, o que mudara completamente tudo o que Harry e os aurores haviam planejado. O principal era que o ponto de encontro não ficava longe do QG que os aurores montaram quando Tonks os avisaram sobre o encontro dos dois bruxos que supostamente se odiavam.
O encontro foi demorado para Harry, talvez porque quisesse que tudo aquilo terminasse logo e pudesse enterrar e esquecer tudo aquilo. E não demorou a Snape adormecer, logo depois de consumarem o ato que os havia marcado o encontro. Adormecera porque Potter havia arriscado a vida para conseguir pegá-lo: colocara um pouco da Poção do Sono no chá gelado que costumavam tomar. Se não tivesse feito aquilo, se não tivesse ousado, seria impossível sair do hotel e buscar ajuda.
A penumbra não denunciava, mas o frio era tanto que Snape soube estar numa masmorra. Assim que seus olhos desanuviaram, focalizou quatro homens bem vestidos a sua frente, um deles era Harry Potter.
― Golpe baixo, Potter.
― Cale a boca, Snape.
― Por quê? Não quer que descubram nosso segredinho?
― Já sabem, meu caro. E não me arrependo de nada, pois peguei você, seu calhorda!
― Certo - murmurou Snape.
O julgamento foi mais rápido do que se esperava. Não houve rodeios, não houve defesa suficientemente boa; Snape foi condenado e sua sentença foi Azkaban, mesmo que ele preferisse lutar com mais de dez aurores de uma vez só e morrer. Os aurores, porém, não aceitaram o duelo, preferiam ver o algoz do maior mago de todos os tempos apodrecer no inferno dos Dementadores.
Potter não sentiu pena ou remorso, sorriu feliz com o veredicto, e logo após passarem com Snape pela porta de saída, era felicitado ininterruptamente por sua façanha. Mas o que não sabiam era a verdadeira história - não a que ele inventara ao Ministério, que envolvia Tonks e Snape num caso tórrido apenas para capturá-lo; não sabiam o que a mente, o subconsciente de Harry sabia, e jamais iriam saber que, para capturar Snape, o rapaz tinha mantido relações profundas com outro homem, a ponto do outro querer vê-lo outra vez, e de novo e novamente...
FIM
NOTA DO AUTOR
Este foi um breve momento de inspiração "biba" em mim.
