Capítulo Dois

Coração Traído

Pansy Parkinson

Tenho vinte e sete anos e tenho tudo o que quero na vida. Na verdade, eu sempre tive o que quis. Nasci rica, com sangue puro, meus pais sempre me deram tudo o que pedi, tive o namorado mais bonito de Hogwarts, agora sou dona de uma grande empresa de utensílios mágicos de cozinha e tenho um homem lindo vivendo comigo há já cinco anos. Sou linda, poderosa e realizada.

Mas neste momento nada disso me importa. Estou capaz de matar Blaise Zabini, meu namorado há já cinco anos.

-Pansy! - Ele me diz enquanto jogo mais uns quantos objectos na direcção dele. Ele salta de um lado para o outro tentando evitar que eu acerte. - Já te disse que não dormi com ela!

Claro! E eu sou a Rainha de Inglaterra.

-Deves achar que sou burra! Porque razão ias ficar no escritório até ás três da manhã com a tua secretária? - Atiro um jarrão antigo, mas nem me importo. Desta vez quase o acertei. Estou melhorando.

-Estávamos trabalhando! - Ele diz com cara desesperada.

-Então jura pela minha vida como não dormiste com ela! - Eu desafio.

-Oh, por favor...

Eu sabia que ele não seria capaz. Filho de uma pu... Canalha! Eu vou matá-lo! Atiro um cadeira que passa a poucos centímetros da cabeça dele.

Blaise corre até á porta. Eu sigo-o atirando tudo o que me aparece á frente. Começo a me sentir frustrada por ainda não ter conseguido acertar na cabeça dele.

-Estou á espera que jures!

-Eu não tenho que jurar nada! Estás me acusando de uma coisa que eu...

Ele parou. Acho que ficou com medo da minha expressão. Tenho a certeza que estou no ponto em que meu olhar é quase capaz de matar.

-Com uma secretária, Blaise! - Eu digo, ainda incrédula e jogo mais um jarrão na direcção dele.

Ele desce as escadas a correr enquanto eu o sigo, sem para de fazer as coisas á minha volta voarem.

-Ainda bem que não casamos... – desta vez o jarrão parte mesmo nos pés dele. Eu dou uma gargalhada ao vê-lo saltar. Já está perto da porta. - Também foi por este tipo de cenas que eu te disse para não venderes a tua casa. Agora vais dormir na rua!

-Mas... – as palavras dele foram cortadas pela moldura que chegou a roçar no cabelo dele. Ele foge pela porta da rua.

-Acho que até já sabia que me ias fazer uma coisa destas! - Continuo meu monólogo, sem ligar para o que ele diz, mas sei que ele está tentando falar. Provavelmente inventando uma desculpa qualquer.

-Por favor, acalma-te! - Ele diz. Eu respiro fundo e olho para ele com ódio.

Decido deixá-lo falar para ver até onde ele é capaz de continuar com esta mentira.

-Em primeiro lugar: eu não dormi com ela... – ele diz colocando as mãos á frente da cara provavelmente pensando que eu vou atirar mais alguma coisa. Limito-me a cruzar os braços. Ele tem exactamente dez segundos.

Neste momento ele está na minha frente, usando apenas uns calções e com cara desesperada. Lá no fundo até é uma situação divertida. Mas só mesmo lá no fundo onde meu humor é sádico. Porque eu estou mais furiosa do que nunca.

-Em segundo lugar, nós já andamos com problemas há algum tempo...

Eu sabia que esse cretino ia tentar arranjar uma justificação. Que Cara de Pau. Eu mato esse homem!

-Tu andas sempre tão ocupada com o trabalho... – Ele continua mas está cada vez mais assustado.

-Isso não é desculpa para ires para a cama com outras. - Eu quase grito.

-Eu não fui para a cama com ninguém! Eu não tenho sexo há... meu Deus, desde que tu e eu não temos sexo... e isso é há já...eu nem me lembro!

OK, foi a gota de água. Eu fecho a porta na cara dele, deixando-o quase nu na rua. Subo a correr até ao andar de cima, abro o armário, retiro a roupa toda dele e jogo pela varanda.

A expressão dele muda.

-Tudo bem! Fazes sempre isso, quando te deparas com um problema, corres com ele pela porta fora, porque lá no fundo não o sabes resolver. É isso que estás fazendo comigo. Além disso eu já devia adivinhar que isto ia acontecer porque tu acabas arruinando todas as relações que tens! És demasiado egoísta, egocêntrica, mimada e fria para conseguir teres uma relação com alguém.

Eu não acredito que ele disse isso!

-És a única mulher á face da terra que acaba o namoro e não deita uma lágrima! Nem de raiva! - Ele continua.

Sinto meu sangue começar a ferver. Olho para o lado e sorriu diabolicamente. Minha varinha está mesmo ao meu lado. É hoje que Blaise Zabini descobre o que eu sou capaz de fazer.

-E mesmo assim eu continuo aqui, fazendo uma figura patética porque quero que percebas que eu não quero me separar de ti!

Como odeio que ele seja um Slytherin! Está tentando fazer com que eu amoleça com as palavras que eu quero ouvir. Pois eu conheço esse joguinho Zabini, já o joguei e não caio nele!

-Acabou, Blaise! - Eu digo. Ainda penso em amaldiçoá-lo. - Mas por favor sê honesto comigo pelo menos uma vez!

Ele olha para mim e levanta os braços no ar, incrédulo.

-Diz-me, dormiste com ela?

Ele continua calado mas coloca as mãos na cintura.

-Vá lá, Blaise! Que importância tem agora? Eu não te vou deixar voltar de qualquer maneira.

Ele mexe a cabeça indignado e depois volta a olhar para mim.

-O que custa dizer a verdade? Eu só quero saber...

-OK, pronto! Eu dormi com ela! Já estás feliz?

EU SABIA! Minha cólera atingiu o ponto de ebulição. Saio do quarto a passos rápidos e decididos. Desço as escadas quase voando. Abro a porta e estou em frente dele o olhando como acho que nunca olhei para ninguém.

-Perguntaste se eu estou feliz? - Pergunto incrédula, mas nem dou tempo para ele responder. Dou a maior bofetada na cara dele, ergo meu joelho que colide com as partes íntimas dele e ainda lhe lanço um Furnunculus.

Viro-me, entro em casa, fecho a porta.

Respiro fundo três vezes, tentando me acalmar. Não dá!

AAAAAAAAAAAAAHHHHHH! Estou gritando com todos meus pulmões. MORRE, ZABINI, TU E A TUA SECRETÁRIA! CANALHA! PUTA! ODEIO-VOS!

Ele bate na porta. Oiço-o dizendo:

-Tenta perceber o meu ponto de vista! Tu tens trabalhado tanto que nem te lembras de mim!

-EU VOU TENTAR PENSAR NO TEU PONTO DE VISTA QUANDO TIRAR A IMAGEM DE TU E AQUELA VACA NA CAMA DA MINHA CABEÇA!

-Sabes que mais! É melhor assim mesmo! Tu és tão egocêntrica que deves preferir ter sexo contigo mesma! És incapaz de amar o que quer que seja, Parkinson e eu estou farto de tentar apanhar as tuas migalhas. Eu vou embora! - Oiço ele dizendo.

Incapaz de amar? Eu? Eu que vivi com ele cinco anos, suportei as birras dele e... eu sou capaz de amar! Ele é que é um cubo de gelo, um canalha! Eu sou a vitima aqui, não ele.

Vou até ao meu quarto. Olho para o relógio.

São horas de ir para a empresa.

Passei o dia trabalhando, mas a verdade é que ainda tenho a imagem de Blaise e aquela secretária loura de vinte anos se esfregando em cima da secretária dele.

Que ódio!

São quase onze horas da noite e ainda estou aqui enfiada, no meu escritório. Não quero ir para casa. Vou encontrar a cama vazia, tal como me estou sentindo agora. Completamente vazia e... sinto-me quase doente por isso. Eu deveria estar chorando, afinal o homem que eu vivi durante cinco anos acabou de me trair. Eu devia estar já ter inundado esta sala.

Eu não sou insensível, não sou fria, sou apenas reservada. Não gosto de andar choramingando por aí. Não gosto de mostrar minhas fraquezas aos outros.

Mas não está ninguém aqui. Estou sozinha.

Eu consigo chorar. Claro que consigo. Na verdade vou chorar agora mesmo

Agora!

Vou chorar!

Quase já sinto uma lágrima no olho...

Não. É apenas uma mosca irritante que parou na minha cara.

Vejo meu reflexo no vidro da janela. Estou com uma careta horrível devido ao esforço que estou fazendo para chorar. Que horror!

Ai, não! Eu não consigo chorar!

Consigo sim, simplesmente não estou disposta a derramar lágrimas por um homem que não merece!

Levanto-me e saio do escritório. Não quero ir para casa então vou onde?

Preciso de uma bebida bem forte.

Vou até um bar que me falaram no outro dia. Sento-me numa mesa e peço um firewhisky.

Fico olhando para a porta, revivendo dentro da minha cabeça as cenas desta manhã.

Vejo uma ruiva chorosa entrando. Ela parece um farrapo. Está completamente molhada da chuva, tem a maquilhagem borrada e parece desesperada.

Ela pede um firewhisky e senta-se á minha frente.

-Problemas com homens? - Pergunto. Mas há por acaso outra razão para nós mulheres ficarmos naquele estado? Não! Os homens são o maior problema que existe na nossa vida.

-Que mais podia ser? - Ela me responde encolhendo os ombros e dando um gole bem grande na sua bebida.

-Junta-te ao clube! - Eu digo e faço o mesmo que ela.

N/A: É a primeira vez que escrevo sobre a Pansy como protagonista. Quem leu minhas outras fics deve ter pensado que eu não gostava muito dela. Na verdade eu só precisava de uma mulher que fizesse papel de vilã. Aqui tenho uma Pansy diferente. E eu estou adorando esta Pansy.

É também a primeira vez que escrevo na primeira pessoa.

Não consegui esperar e coloquei dois capítulo no mesmo dia. Este segundo capítulo é mais parecido ao filme do que o primeiro, mas os outros não seguiram a mesma linha.

NÃO SE ESQUEÇAM DE DEIXAR REVIEW, POR FAVOR! LOL