Capítulo Três: Sai de cima de mim, idiota!
Pansy Parkinson
Não consigo abrir os olhos. Parece que tem alguém martelando minha cabeça. Nem consigo pensar direito.
Estico-me. Faço uma nota mental para despedir a maldita criada que colocou estes lençóis, parecem feitos de palha. Rebolo na minha enorme cama e…
AII!
Onde está o resto da cama? Tenho a certeza que ela era maior!
Estou deitada no chão, com uma enorme dor no traseiro a acrescentar á dor de cabeça que já tinha quando acordei. Abro os olhos imediatamente.
Onde foi parar o meu quarto? Porque eu não estou definitivamente no meu quarto. Nem no meu pior pesadelo eu teria um quarto assim. Isto nem se chama de quarto. É um cubículo.
Só agora é que as memórias da noite passada começam a me chegar ao cérebro.
Lembro-me de uma ruiva bebendo comigo, de falarmos de homens e…
Trocamos de Casa! Quero dizer, troquei minha casa por um palheiro!
O que eu não faço para me ver longe de Blaise.
Ouço fortes pancadas no andar de baixo e congelo. O que está acontecendo?
Ah, claro! Foi o barulho que me acordou. Levanto-me do chão com muitas dificuldades, tentando ver alguma coisa no meio da escuridão. Só agora reparo que ainda está de noite. Onde diabo pus a minha varinha? Apalpo o que julgo ser uma mesinha ao lado da cama e encontro algo feito de madeira, comprido… tenho quase a certeza que é a minha varinha, embora uma parte perversa da minha mente continue imaginando muitas outras coisas.
-Lumos! - Eu digo e fico satisfeita por me aperceber que estava certa.
Não é difícil encontrar a porta, este lugar é minúsculo. Mas quanto ao trajecto até lá já não posso dizer o mesmo. Esta mulher nunca ouviu falar em arrumação?
Desço as escadas rapidamente, tentando não tropeçar em nada.
-Ginny, abre "hic" a porta! - Oiço uma voz masculina gritar do lado de fora. Novamente ele bate fortemente na porta.
Ergo minha varinha o mais firme que o meu cérebro debilitado me permite e abro a porta de rompante. O homem ruivo fica olhando para mim enquanto se agarra á parede para manter o equilibro. Acho que quase consigo ficar com demasiado álcool no sangue só com o cheiro que vem dele. Mas eu também não posso falar porque ainda esta noite eu cheguei a um ponto crítico. Mas nunca chegaria ao estado deste miserável.
-Sabes uma coisa… estou tão bêbedo que "hic" até já vejo o teu cabelo preto, acreditas? - O homem disse-me dando um sorriso apalermado.
-Quem diabo és tu? – Pergunto firmemente, achando repugnante o estado em que o homem ruivo se encontra. Ele mal consegue se aguentar em pé.
-Eu sei "hic" que disse que não voltava a acontecer. Mas "hic"… pronto… é assim… acontece… Não precisas "hic" fingir que não me conheces.
-Mas eu não faço a mínima ideia quem o senhor possa… – mas não acabei a frase pois o estúpido do homem caiu em cima de mim. Perco o equilíbrio também e vamos os dois ao chão. Meu Merlin! Que humilhante e vergonhoso. Definitivamente a minha vida vai de mal a pior. Tento inutilmente tirar o ruivo de cima de mim.
-Eu só posso… hic… estar muito bêbedo. Acreditas que pareces aquela miúda horrível dos Slytherin … hic… Parkinson, acho que se chamava assim.
Sinto meu sangue ferver. Mas afinal quem é este ser burro que caiu em cima de mim e que não faz nada para sair? O que se passa com estes homens? Vejo me livre de um sacana e cai-me um idiota na vida? Um idiota que ainda por cima está me ofendendo. Mas afinal quem é ele e como sabe que estive em Hogwarts?
Oh Górgonas Galopantes! Cabelo ruivo, cara aparvalhada, roupas degradantes, ar estúpido… Nãaaaaaaaaooooooooo! Ele é um Weasley! Ron Weasley, tenho a certeza!
-Sai de cima de mim, idiota! - Eu grito tentando mais uma vez tirá-lo de cima de mim. Novamente sem sucesso.
-Tu até falas como ela. Acho que bati o meu recorde…hic… não podia estar mais bêbedo. - Ele diz rindo como se o seu cérebro não tivesse um único neurónio.
-Talvez porque eu sou mesmo Pansy Parkinson. Agora sai de cima de mim, sua doninha fedorenta!
Acho que as minhas palavras curaram pelo menos metade da bebedeira dele pois ele se levantou de imediato, felizmente, e ficou olhando para mim com cara apalermada. Levanto-me e sacudo minhas roupas.
-O que fazes tu aqui? – Ele pergunta. Realmente, o que faço eu aqui? Como não percebi que aquela mulher era uma Weasley? E agora?
Só tenho uma solução, ficar ali. Acho que prefiro aturar um Weasley idiota do que ter que ver Zabini novamente e cometer um homicídio.
-Troquei de casa com a tua irmã. – Disse friamente.
-O quê? E onde vou dormir então?
Que fiz eu para merecer isto? O que esta criatura espera, que eu apele á minha caridade e o deixe dormir comigo? Por favor, tenha pelo menos decência, Weasley.
-Que tal a tua casa?
-Não posso. – Ele diz corando. Quer ver que ele ainda mora com os pais!?
-Problema teu. Agora sai que eu quero dormir.
-Não podes fazer isso comigo. – Ele choraminga e agarra-se aos meus pés, ajoelhado no chão. Será que este palhaço não tem dignidade?
-Larga o meu pé, Weasley! Podes dormir no sofá mas quando acordares amanhã, quero-te na rua!
Ele sorri para mim e correu até ao sofá. Não consigo deixar de o comparar a um cãozinho amestrado.
Ginny Weasley
Ai minha cabeça!! Quem deixou cair um piano em cima de mim?
Viro-me na cama e coloco a almofada em cima da minha cabeça. Tenho a certeza que há algo estranho ali mas eu nem ligo. Sinto como se tivessem batendo com minha cabeça nos sinos da igreja. O que fiz eu para merecer isto?
Ah, pois, já me lembro! Harry Potter, Cho Sang e muito firewhisky.
Tento abrir os olhos mas só vejo um clarão. Tento ajustar a minha vista á claridade mas quando finalmente consigo, acho que devo ter danificado a vista porque eu definitivamente não estou no meu quarto. Queres ver que ainda estou sonhando?
Belisco-me e…AI! Não estou sonhando. Então onde diabo estou eu? Um quarto enorme, maior do que a minha casa inteira, decorado em tons de preto e prateado, uma cama redonda, lençóis de seda negra, uma grande janela com uma vista sobre um lago maravilhoso. Será que eu bebi tanto que perdi a razão e acabei na cama com um velho rico e poderoso? Ai Meu Deus! Juro que nunca mais coloco uma gota de álcool na boca.
Ouço rebuliço fora do quarto bem perto da porta e puxo os lençóis para me cobrirem pois noto que estou apenas de calcinhas e top branco.
A porta abre-se abruptamente e:
-Quero que tires o Zabini da minha casa imediatamente. Eu já não o aguento usando as minhas roupas, os meus perfumes, até a minha roupa interior. Não sei o que ele fez e nem quero saber. Vocês que resolvam os vossos problemas mas deixem-me fora disto e… tu não és a Pansy! – O homem que acabara de entrar disse elevando uma sobrancelha loura. Eu o olhei um pouco embaraçada e depois corei ainda mais, pois juntei as peças todas: cabelo louro platinado, olhos cinzentos, postura perfeita e lindo de morrer. Draco Malfoy acabava de me ver em roupa interior.
-Eu tentar avisar que Madame não estar! - Um elfo doméstico disse numa voz ainda mais aguda que o normal que entrou nos meus ouvidos e fez meu cérebro em água.
Draco olhou para o elfo com desprezo e depois para mim novamente. Ficou me analisando por alguns segundos e depois os seus olhos arregalaram-se.
-Weasley?
Devo dizer que não sei como minha cabeça não explodiu de vergonha. Mas recompus-me quando o vi adoptar um sorriso arrogante.
-Devo dizer que quando achava que Pansy iria virar lésbica, nunca julguei que fosses tu que a tirasses do armário.
Ele não acabou de dizer isso! Mas ele mencionar Pansy fez-me recordar a noite anterior. Agora lembro-me. Eu troquei de asa com uma mulher de cabelos negros…Pansy Parkinson.
Mas isso não importa. Este furão albino acabou de em chamar de…ele insinuou que eu…e a Parkinson… eu vou matá-lo!
Levanto-me muito depressa, com intenção de esbofeteá-lo, e nem ligo ao facto de eu estar em roupa interior. No entanto ele é muito mais rápido que eu e consegue apanhar meus pulsos quando estão prestes a colidir com a cara dele.
-Não tão depressa, Weasel(doninha)! – Ele diz-me com aquele tom presunçoso dele. Quando ele me olhar de cima abaixo minha raiva aumenta para um ponto crítico. Agora sim minha cabeça vai rebentar! – Já percebi as razões da Pansy.
O que ele quer dizer…? Que cara de pau! Ele está olhando para os meus seios?!
-Estás olhando para onde, idiota? – Eu quase grito e tento libertar meus braços mas ele está me agarrando com demasiada força.
-Não é que faças questão de esconder a tua quase nudez, não é? – Ele diz. Este palerma está me gozando(chingando).
Mais uma vez tento me libertar. Que grande erro! Acabamos caindo os dois em cima da cama, ou seja, fiquei com um muito atraente Draco Malfoy em cima de mim, numa posição bem constrangedora. E eu estou quase nua!
Nãoooooo! Eu não acabei de pensar em Draco Malfoy nesses termos!? Que horror!!!
Trato logo de o empurrar, mais uma vez, ele noto que ele é muito mais forte que eu. Para onde foi aquele rapazinho que mais parecia um rato que andava em Hogwarts?
- Sai de cima de mim, idiota! – Grito, batendo com os punhos no peito dele. Só agora reparo que ele acabou soltando meus braços.
-Diz-me uma coisa antes. Foi por causa do fora que o Harry te deu que tu decidiste começar a sair com mulheres?
Estúpido! Canalha! Presunçoso! Arrogante! Idiota! Eu odeio Draco Malfoy.
Que sorte a minha! Já não basta o que o Harry me fez, ainda tenho que aguentar com este… este… furão com corpo de Apolo?
-Eu não saio com mulheres, seu estúpido! Troquei de casa com a Pansy. – Quase gritei no ouvido dele.
Isto apagou o sorriso arrogante da cara dele e fê-lo sair de cima de mim. Também eu me levantei.
-A Pansy nunca trocaria a mansão dela por uma pocilga, nem que fosse por apenas uma noite e muito menos com uma Weasley!
-Não imaginas o que um desgosto amoroso pode fazer a uma pessoa! – Eu digo com indiferença. E claro, o álcool também ajudou na troca.
-A Pansy? Desgosto Amoroso? Ela nem os seus pais amava, quanto mais um homem! – Ele deu uma gargalhada seca. – Diz-me lá, Weasley. Que poção deste á Pansy, que feitiço fizeste para conseguires trocar de casa?
-Eu não fiz coisa nenhuma. Agora sai daqui!
-Não! Eu preciso falar com a Pansy.
-E eu com isso?!
Tenho que dizer que foi muito prazeroso ver Draco Malfoy perder completamente aquele ar superior dele.
-Eu não estou brincando, Weasley.
-Nem eu. Agora desaparece!
Acho que essa minha coragem evaporou quando ele dá dois passos na minha direcção e me lança um olhar tão intenso quanto frio. Como fui eu esquecer que esse homem foi um Devorador da Morte?
-Não saio sem saber onde está a Pansy.
-Não te posso dizer… – murmurei com a voz muito aguda. Para onde foi a minha grande coragem de Gryffindor?
-Eu acho que podes! Porque senão…
Esse homem está me ameaçando? Mais uma vez esqueço que essa criatura foi um Devorador da Morte e:
-Senão o quê? Vais a correr chamar o paizinho? Poupa-me! Eu não tenho medo dessa tua carinha perfeita! Agora sai daqui que eu quero me vestir!
Ele sorri arrogantemente outra vez.
-Não te estou impedindo de nada e na verdade até tenho curiosidade em saber se as ruivas…
Desta vez a minha raiva é mais rápida que os reflexos dele e a palma da minha mão colide direito na bochecha dele. Como é bom ver aquela pálida face com uma mancha vermelha que é a cópia perfeita da minha mão.
-Eu não digo mais nenhuma vez, Malfoy! Desaparece.
-Isto não fica assim! – Ele diz. Depois vira-se muito depressa e dirige-se para a porta fazendo o manto negro esvoaçar atrás dele. Corro atrás dele e mal ele sai, fecho a porta com força.
O que mais pode me acontecer?
N/A: Sei que demorei muito mas tenho andado ocupada com a outra fic e com a escola. Vou tentar ser breve no próximo capítulo. Como veêm, este capítulo está um pouco diferente do filme, mas espero que gostem. Beijos e obrigado pelas reviews.
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BJS
