PRESA: REMO LUPIN

Eu me espicho no espaço feito um gato
Pra pegar você, bicho do mato
Saciar a sua avidez mestiça
Que ao me ver se encolhe e me atiça
Que num mesmo impulso me expulsa e abraça
Nossas peles grudando de suor
Hoje é o dia da graça
Hoje é o dia da caça e do caçador

Mais uma quente e solitária madrugada se anunciava na sede da Ordem da Fênix. No quarto em que costumava se hospedar, Nymphadora Tonks suspirava e revirava-se em sua cama, enroscando-se nos lençóis, abraçando o travesseiro e olhando para a lua através da sua janela aberta.

Faltavam apenas dois dias para a lua-cheia. Isso queria dizer que homem com quem ela sonhava todas as noites estava também, naquele exato momento, revirando-se em sua cama. A lua provavelmente estava o afetando, fazendo a sua libido subir a níveis astronômicos...

Tonks deu um pequeno gemido e abraçou-se mais ao travesseiro.

...E certamente estava completamente excitado. Exatamente igual a ela.

Mais um suspiro.

Já fazia alguns meses que Tonks vinha se encontrando com Remo Lupin. Não era um romance convencional; oficialmente, era só sexo. Ele sempre dizia que, se não fosse pela sua condição especial, eles estariam namorando... E ela acreditava plenamente na sua sinceridade, afinal Lupin não era o tipo de homem que inventaria desculpas para se livrar de um relacionamento. Se ele não quisesse uma mulher, não faria sexo com ela e pronto...

...Logo, isso queria dizer que ele gostava dela – ou então não lhe faria visitinhas noturnas vez por outra.

Mais uma vez, Tonks suspirou. Sentou-se na cama, passou as mãos pelos cabelos e olhou demoradamente para a porta fechada.

Seria ótimo se ele simplesmente entrasse por aquela porta... No entanto, na última vez em que estiveram juntos, duas semanas antes, Remo deixara bem claro que eles não deveriam mais se encontrar. Que, por ser um lobisomem, ele jamais poderia assumir um relacionamento sério com alguém; nem mesmo com ela. E que era melhor que os dois parassem de se envolver antes que alguém acabasse se machucando...

Tonks mordeu o lábio. Na ocasião, quis avisar a Remo era já era tarde demais; que, se ele a deixasse, ela sairia machucada, sim. Mas não disse uma palavra – era só sexo, afinal.

Olhou mais uma vez para a porta. E uma idéia iluminou a sua mente.

Com um sorriso nos lábios, Tonks foi até uma sacola de compras que estava displicentemente jogada no quarto e tirou dela uma pequena tanga vermelha. Uma peça íntima bem vulgar, ela sabia... Mas, se usada na ocasião certa...

Vestiu-a por debaixo da gigantesca camisa de flanela que Lupin esquecera em seu quarto e, olhando para o espelho, fez os seus cabelos ficarem longos e ruivos.

Decidida, ela abriu a porta do quarto e respirou fundo. Nunca foi mulher de esperar as coisas acontecer; sempre correu atrás do que queria. E, se era Remo que ela queria naquela noite, ela conseguiria.

Saiu.

XxXxXxX

A porta do quarto estava apenas encostada.

Após um longo suspiro para afastar o nervosismo, Tonks a empurrou. As dobradiças antigas a fizeram ranger, imediatamente chamando a atenção do homem que, sentado na beirada da sua cama, olhava absorto para a lua.

Remo Lupin sobressaltou-se. Os lábios de Tonks se curvaram suavemente ao ver o rosto preocupado do amante.

- Olá.

Ela percebeu que ele tentou reprimir um sorriso por um momento... mas não conseguiu. Logo Remo fechava os seus olhos, suspirava e a presenteava com o mais doce dos sorrisos. Ela imediatamente se sentiu encorajada a entrar no quarto e fechar a porta atrás de si.

- Nymphadora Tonks, o que você está fazendo aqui?

Tonks mordeu o lábio inferior e se aproximou lentamente enquanto Lupin levantava-se da cama para recebê-la. Com um sorriso lânguido ela percebeu que aquele homem espetacular não trajava absolutamente nada além do short de algodão branco do seu pijama, deixando o seu corpo perfeito à mostra.

- Nada demais, Remo. Apenas vim ver se você estava dormindo. Sabe, estou com uma insônia terrível...

Ele assentiu, puxando uma velha cadeira de madeira para perto da cama e convidando Tonks a sentar-se. Perguntou:

- Que horas são?

- Duas da manhã. – Tonks se acomodou. – Mas eu tinha quase certeza que você estaria acordado!

- Quase certeza? – Ele ergueu uma sobrancelha, sentando-se de frente para ela. Tão perto... – Posso saber como?

- É simples: nos últimos três meses eu me aproximei de você de tal forma que me fez perceber pequenos detalhes em sua personalidade. Um deles é que você não consegue dormir muito em vésperas de lua cheia.

O breve sorriso de Lupin cresceu.

- Sim, sim. Grande defeito meu, essa insônia. Não sabia que você tinha percebido.

- E como não perceber?... Para ser sincera, no entanto – os lábios de Tonks se curvaram num sorriso malicioso –, eu sempre vi isso como uma das suas grandes qualidades.

Por um momento, ele apenas a olhou... Mas logo se lembrou o que eles sempre faziam naquelas noites de insônia.

As maçãs do rosto de Lupin coraram imediatamente, deixando-o com uma expressão patética, porém adorável.

- Dora... – ele disse lentamente num tom de aviso.

O sorriso de Tonks apenas se alargou.

- Mas, pode ficar tranqüilo: A minha visita não tem nada a ver com o fato que faltam apenas dois dias para a lua cheia e você está obviamente cheio de tesão reprimido! Eu não vou mencionar nenhuma vez que eu sei como a lua lhe deixa; tampouco lhe lembrarei que as nossas noites mais selvagens aconteceram quando a lua estava mais ou menos como está hoje.

Remo corou ainda mais. Tonks quase riu, mas não queria quebrar o clima que estava tentando construir. Ela sabia bem que uma das coisas que mais excitava Remo era ouvi-la falar sobre sexo de uma maneira displicente... E naquela noite esta tática parecia estar funcionando, a julgar pelo volume que já começava a aparecer pelo short branco que ele usava.

Ela encarou aquele volume por um tempo. Lambendo os lábios, voltou encarar Remo. O pobre homem já a olhava com a expressão sofrida de quem não agüentaria essa tortura por muito tempo. Displicentemente, ela comentou:

- A lua está grande e amarelada... Você deve estar subindo pelas paredes!...

- Dora, por favor...

- ...Eu também estou.

Remo fechou os olhos e deu um longo suspiro. Com um sorriso, Tonks colocou as duas mãos sobre os joelhos nus dele e acariciou levemente a coxa, enroscando os seus dedos nos pelos espessos. Levantou-se e inclinou-se sobre ele, apoiando-se nas pernas dele. Remo, de olhos ainda fechados, apenas percebeu a aproximação dela quando a voz rouca soou em seu ouvido.

- Mas não se preocupe. Como eu disse, não estou aqui para me aproveitar do seu momento de fraqueza... a menos, é claro, que você queira que eu me aproveite de você.

Tonks sentiu-o suspirar e os lábios roçarem de leve em seu pescoço. Ela fechou os olhos.

Remo ainda quis resistir por um tempo... Mas, como Tonks bem sabia, a força de vontade não era a maior virtude do seu amante. Logo as suas mãos grandes deslizavam carinhosas pelas pernas dela...

Um tanto sarcástica, ela comentou:

- Então você quer que eu me aproveite de você?

- Eu pensei que nós tínhamos combinado...

- Quer ou não quer?

Em resposta, Remo apenas suspirou. Carinhosamente, ele puxou as pernas dela, fazendo-a ajoelhar-se sobre ele. Tonks sorriu – a noite já estava ganha.

Lentamente, ela moveu o quadril, sentindo a ereção dele... E sentindo sobre seus lábios as vibrações da garganta dele num mais que contido gemido.

- Você gosta disso? – ela sussurrou, movendo-se mais uma vez.

- Sim... – ele respondeu rouco, jogando a cabeça para trás.

As mãos de Remo escorregaram das coxas para as nádegas de Tonks, apertando-as e fazendo-a se mexer mais uma vez, agora com um pouco mais de força, sobre ele.

Tonks aproveitou que a garganta dele estava totalmente exposta para beijá-la lentamente. Subindo... Mordiscando-lhe o queixo másculo e arranhando-se com a barba mal-feita... até, finalmente alcançar-lhe os lábios.

Tentando se manter o mais sensual possível, Tonks passou a língua sobre os lábios dele antes de encostar levemente os seus. Mordiscou o lábio inferior, sorvendo o gosto delicioso da boca dele. Fechou os olhos para apreciar. Os lábios de Remo partiram-se mais e ele se inclinou um pouco, forçando uma aproximação mais profunda entre os dois. Tonks sorriu, tomando Remo com fúria num beijo quase desesperado.

As mãos dele deslizaram para a sua cintura por debaixo da camiseta de flanela, acariciando-a até encontrar-lhe os seios. Tonks arqueou as costas para trás e abriu alguns botões da camisa, expondo os seus seios para ele. Erguendo uma sobrancelha e com uma adorável expressão de divertimento em seu rosto, Remo comentou:

- Essa camisa é minha.

- Se você quiser, pode tirá-la.

Ele mordeu os lábios, tomando novamente os seios com as mãos e começando a beijar o colo dela. Tonks agarrou-se aos cabelos castanhos e sorriu quando sentiu que os beijos de Remo traçavam um caminho para os seios. Gemeu baixinho quando a língua ávida chegou ao seu destino e começou a provocá-la.

Quase em retribuição, as mãos finas e delicadas passaram a deslizar sobre o peito cabeludo de Remo. Descendo cada vez mais, até atingir o ponto que sabia que o faria esquecer qualquer objeção que ele porventura tivesse àquela noite. Tomou-o com a sua mão experiente e sentiu Lupin expressar o seu prazer ao morder seu seio mais fortemente.

Por um momento, Tonks pensou que aquilo poderia durar para sempre. Mas, tão logo as suas carícias passaram a provocar sensações mais intensas em Remo, ele soltou os seus seios e passou a se concentrar apenas em seu próprio prazer, jogando a cabeça para trás e se deixando levar pelas sensações.

Nymphadora, naturalmente, viu isso apenas como uma deixa. Decidida a abater a sua presa naquela noite tomou-lhe mais uma vez a garganta com os lábios ávidos. Remo, desta vez, não economizou nos sussurros roucos de palavras desconexas e certamente imorais.

Ele estava quase enlouquecido... Mas Tonks o queria completamente louco. Por tanto, não evitou que os seus lábios macios começassem a fazer um já tão conhecido caminho que passava pelo peito de Lupin, descia pelo seu abdômen...

Ele segurou os cabelos dela, encorajando-a a continuar o que estava fazendo. Tonks desceu da cama, ajoelhando-se na frente dele para ficar numa posição mais confortável para aquilo. Olhou para cima e molhou os lábios, subitamente intensificando os movimentos da sua mão.

- Você gosta disso, Remo?

O lobisomem apertou os olhos e, quase a obrigando a continuar, empurrou a cabeça dela levemente para baixo... respondendo à sua pergunta, mesmo que sem nenhuma palavra.

Com um sorriso no canto dos seus lábios, Tonks voltou a dar atenção á pele de Remo – enquanto diminuía o ritmo dos seus movimentos; afinal, não queria que ele ficasse alegrinho demais antes do tempo.

Beijos lascivos foram demoradamente aplicados no umbigo dele... e então desceu mais um pouco por aquela tão conhecida trilha de pelos que levava exatamente aonde ela queria chegar.

Ele deu um gemido rouco quando Tonks finalmente chegou ao seu objetivo, afastou-lhe a cueca e tomou-lhe com os lábios... Sentindo o gosto tão masculino que aquele homem possuía. A respiração ofegante dele e as vezes que, mesmo sem querer, ele puxava o seu cabelo com mais força apenas a deixava mais e mais excitada. Era incrivelmente erótico como provocar aquelas sensações nele e saber o poder que ela tinha sobre ele fazia a sua libido aumentar... isso sem falar nas batidas aceleradas do coração e daquela deliciosa sensação de estar... sim, de estar apaixonada.

- Já chega... – ele disse num tom rouco.

Graciosamente, Tonks voltou a se ajoelhar sobre ele. Remo a olhou de uma forma tão apaixonada que fez o se coração pular.

Quase num sussurro, ela perguntou;

- Você quer que eu me aproveite de você, Remo?

Ele não respondeu, tomando apenas os seus lábios em mais um beijo apaixonado. Com um sorriso, Tonks se afastou.

- Eu quero você, Remo. Você quer transar comigo?

Remo a olhou por um tempo. E então, para a surpresa de Tonks, respondeu:

- Não.

Tonks respirou fundo, sentindo o peso da primeira batalha perdida. Mas a guerra não havia terminado. Reunindo toda a dignidade que lhe restava, ela se levantou – o que deixou Remo com uma inexplicável cara de desapontamento – abotoou a camisa e encaminhou-se à porta do quarto, confiando-se que, para que aquela noite acontecesse, ela poderia apostar no seu maior trunfo: o incontrolável fetiche que Lupin tinha por lingeries.

- Espere, Dora, não vá! Deixe-me explicar...

Fingiu que ia sair.

- Ah! – Ela disse voltando-se para ele, já com a porta aberta. – Só mais uma coisa: Sabe por que eu estou hoje com cabelos bem vermelhos?

Ainda parecendo um tanto aflito por Tonks ter lhe deixado – literalmente – na mão, Remo respondeu:

- Por quê?

Marota, ela mordeu levemente os lábios.

- Porque combina perfeitamente com a calcinha nova que estou usando nesse exato momento.

E, mesmo antes de absorver o semblante completamente excitado de Lupin, ela saiu. Apressou-se pelos corredores, até que voltou ao seu quarto.

Na certeza da visita de Remo, tirou a camiseta e deitou-se de bruços, esperando-o apenas com a sua mais nova peça íntima. E não demorou absolutamente nada para que ela ouvisse a sua porta sendo aberta lentamente e os passos vacilantes de Remo aproximando-se dela. Já esquecendo completamente a rejeição de pouco tempo atrás, ela sorriu.

Ele sentou-se na cama, mas ela ainda não o olhou. Fechou os olhos quando sentiu as mãos grandes passearem lentamente pela sua coxa, demorar no bumbum exposto pela indiscreta lingerie, subir pelas suas costas, causando arrepios e chegar ao pescoço. Foi quando ela sentiu o hálito quente do seu amante perto do ouvido... e, num sussurro que mais pareceu uma carícia ele confessou:

- Eu não transarei com você essa noite, Dora. Eu nunca transei com você. Com você eu só faço amor.

Foi como se o tempo tivesse parado.

Sentindo lágrimas tomarem conta dos seus olhos, Tonks finalmente soube: o amava...

Lentamente, ela se virou, acariciou o rosto daquele homem, fechou os olhos e se entregou. Entregou-se para o beijo mais romântico e profundo que já experimentara. Entregou-se para a mais maravilhosa noite de amor que jamais tivera.

Naquela noite, ela se tornou dele. Remo Lupin abatera a sua presa.

Espere um pouco, quando ela deixou de ser a caçadora e se transformou na presa?

Espere um pouco, desde quando ela se importava?

XxXxXxX

Reviews, por favor.

Bjus para a Shey, Maninha perfeita que betou a fic. E, claro, para as lindas que revisaram: Shey, Nandda, Dory LeFay, DevilAir, Roxanne Norris, Angie Rose e BastetAzazis