Capítulo 12 – Amar é Preciso (SongCap)


O sol se mostrava preguiçoso no horizonte. Na era passada, época de guerras e de sangue inocente derramado, a natureza ainda tentava se mostrar. Não havia prédios enormes. O que se destacava no horizonte eram montanhas verdejantes ou esbranquiçadas como agora, cobertas pela neve fria do inverno. Sango, que até então estivera adormecida recostada ao confortável pelo de sua parceira Kirara, despertou. Notou que Miroku estava ao lado, distraído com uns escritos e mal percebera que ela acordara. Pelo menos era isso o que parecia.

– O que está escrevendo?

– Estou escrevendo sobre tudo isso o que está acontecendo... Faço isso há algum tempo. Apenas para deixar um aviso às gerações futuras sobre os males do poder amaldiçoado da Jóia Shikon.

– Você acha isso bom?

– Como assim? – Nesse momento, ele largou o que estava fazendo e ficou a fitá-la curioso.

– Pense um pouco... As pessoas podem aprender sobre a Jóia Shikon daqui há muitos séculos, mas ninguém nos garante de que irão usar esse conhecimento para o bem. Não há garantias de que iremos conseguir destruí-la...

– Mas se ela for purificada, ela desapareceria, não é mesmo?

– Isso era o que a Kikyou pensava, mas... E se não for assim? E se ela persistir através dos séculos, Miroku?

– Eu... – Recolheu o pergaminho, enrolando-o e prendendo-o com um barbante e guardando-o dentro de suas vestes. – ...não havia pensado nisso... Há outras coisas que escrevi, sobre nós, que deixei com a senhora Kaede... Talvez seja melhor destruir assim que voltarmos ao vilarejo.

– Quanto você escreveu?

– Bem, tudo pelo o que passamos até o começo da noite passada, pouco antes de nos encontrarmos com o Naraku.

– Isso é muita coisa... Deixe as coisas como estão, talvez seus filhos se divirtam com as suas perversões.

– Ora, Sango... – Deu um sorriso sem graça. – Você sabe que eu não faço essas coisas por querer. É mais forte do que eu...

– É, eu sei... – Disse ela, com tom irônico. – Vamos embora. O sol já nasceu e agora temos luz para continuar a procurar Kagome e Inu-Yasha.

– Sim, vamos.

Eles haviam acampado em uma clareira próxima às margens do rio. Não tinham mais como seguir através da escuridão da noite e Kirara não conseguia mais sentir o cheiro dos dois que caíram no rio. Sango colocou sua arma nas costas, enquanto Miroku jogava terra por sobre a fogueira que serviu para aquece-los durante aquela fatídica noite. Mas quando estavam prontos para partir, notaram um vulto aproximar-se. O vulto de um hanyou que parecia carregar seu pequeno tesouro, uma adormecida Kagome, nos braços e uma grande culpa nos ombros. Ele não ousou se aproximar muito dos dois, apenas a deitou sobre o solo e afastou-se alguns passos. Até parecia ter medo de ferir seus próprios amigos.

– Inu-Yasha... – Começou Miroku. – ...O que aconteceu?

Sango nada disse e correu para Kagome. Sentiu um alívio ao notar que a amiga estava viva. Um sorriso brotou-lhe no rosto, mal sabendo ela o que havia se passado. Mas suas roupas estavam desgastadas e sujas de sangue, além, é claro, das marcas feitas por garras nas roupas. "Garras?" A exterminadora levantou os olhos para o hanyou, que não pôde encara-la, como que já sabendo o que ela lhe perguntava com o olhar. Só então ele notou que Miroku se aproximava dele, segurando sua espada, a Tessaiga.

– Você a esqueceu lá atrás, Inu-Yasha.

– E você cuidou bem dela, Miroku... – Disse o hanyou, desviando o olhar para o chão. – Eu preciso que continue a cuidar dela para mim durante mais algum tempo...

E sem dar a chance de receber resposta daquele pedido, deu as costas e seguiu pela mata adentro, desaparecendo do alcance dos olhos. Miroku ficou um tempo perplexo, segurando aquela espada. Não sabia o que fazer. Despertou do transe ao escutar a voz de Sango.

– Acho que devemos leva-la de volta ao vilarejo. A senhora Kaede poderá cuidar dela muito melhor do que nós.

– Talvez, Sango. Vamos esperar um pouco. Ela parece bem e talvez Inu-Yasha se acalme e volte mais tarde para nos contar o que houve.

– E se ele não voltar, Miroku? O que faremos?

– Eu não sei, Sango... Eu não sei...

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A manhã foi passando lentamente. Lentamente para aqueles cujos corações estavam repletos de dor. Houjou saiu do carro, que seu pai estacionara diante da casa. "Quem será essa tal Hikari?" Ele também se perguntava que tipo de coisas ela poderia lhe dizer sobre o passado que ele tanto desejava desvendar. Ainda se sentia enjoado, mas queria saber o que estaria por vir, mesmo que fosse doloroso demais.

Abriu a porta da frente e entrou decidido. Deu de cara com Shippou, parado no centro da sala, de pé e de braços cruzados, como que esperando por ele. Atrás dele, no sofá, uma bela moça de cabelos brancos e compridos aguardava sentada. Os olhos de ambos se cruzaram e ele imediatamente notou o que ela era, ao menos uma parte.

– Uma youkai?... – Resmungou ele, um tanto surpreso.

– Hanyou... – Corrigiu ela. – E você tem algo que me pertence por direito.

Ele não entendeu direito o que ela queria, mas achou a princípio se tratar da Jóia Shikon. Mas então, notou o símbolo de meia-lua que ela tinha no centro da testa. "Eu conheço esse símbolo..." Arregalou os olhos ao lembrar-se de quem carregara aquele símbolo no passado.

– Que tipo de ligação você tem com Sesshoumaru?

– Ele é... – Interrompeu-se ela, como que querendo consertar o que acabara de dizer. – ...Era meu pai.

Só então ele percebeu de que não era atrás da Jóia Shikon de que ela estava e, sim, da espada em sua cintura. Notou seu pai adiantar-se e postar-se no centro da sala. A hanyou levantou-se do sofá e lhe fez reverência, em sinal de respeito.

– Hikari... – Começou o pai. – Este é meu filho Houjou. Creio que Shippou já deve ter lhe falado sobre ele. Sinto muito pelo o que houve, mas nada de mal aconteceu aos artefatos de seu pai. Antes que se vá, eu gostaria que esclarecesse a ele as mesmas coisas que me esclareceu no passado.

– Isso é mesmo necessário, senhor? – Perguntou ela.

– Eu lhe peço...

Ela deu um suspiro e aproximou-se lentamente de Houjou, mantendo-se apenas a um passo de distância.

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Passos apressados através de uma trilha de árvores semi-mortas, desnudas pelo frio. Uma corrida desenfreada em busca do desconhecido. O vento gélido lhe açoitava a face, como se soubesse o crime que cometera e lhe castigasse duramente. Mas o sangue dentro de seu corpo fervia. Não pela sede de mais sangue, como estivera até a pouco tempo. Fervia por causa do fracasso, da culpa, do medo.

Tanto correra que já não mais conseguia discernir o local onde se encontrava. Apesar da fraca luz do sol, aquela mata tinha um ar escuro e frio. Muito frio. Ele parou de repente, para retomar um pouco o fôlego. O ar saía quente de seus pulmões, condensando-se e tornando-se névoa ao encontrar-se com o ar frio da manhã. Respirava ofegante, afinal correra por quase toda a manhã, apenas tentando de alguma forma esquecer-se do que fizera. Em vão.

"O que eu faço agora?" perguntou-se o hanyou.

Deixou o corpo pender para trás, encostando-se em um tronco podre de árvore, enquanto apoiava as mãos nos joelhos. Fixou o olhar no solo. Ainda ofegava, quando balançou a cabeça de um lado para o outro, em sinal de pura desaprovação. Veio-lhe o desespero e, com ele, uma louca vontade de gritar e chorar. Trincou os dentes e segurou sua vontade. Puxou todo o ar que podia com seus pulmões e deixou-se cair sentado. Dessa vez, fixou o olhar nas nuvens que passavam rapidamente. Seu coração ainda estava apertado e, inconscientemente, levou a mão esquerda cerrada à altura do peito, enquanto que, com a direita, esmurrava o solo.

"Minha culpa! Minha culpa! Minha culpa!" Era como se acusava.

Tamanha era sua angústia que mal percebera uma presença. A presença de alguém a observa-lo. Alguém que o odiava e que o amava ao mesmo tempo. O odiava o suficiente para desejar-lhe a morte e o amava o suficiente para entristecer-se diante de toda aquela angústia. Não era assim que o conhecera. Nunca o vira tão perdido como agora. "Talvez ele realmente ame aquela menina... Talvez até mais do que me amou..."

A sacerdotisa novamente sentiu as lágrimas lhe preencherem os olhos, mas dessa vez, a dor era menor. Menor por saber que, de alguma forma, ela estaria sendo amada através daquela jovem colegial de uma época distante.

"De uma época distante... Ela não pertence a este lugar."

Pela primeira vez, tentou imaginar-se no lugar dele. Ele desejava algo que não poderia ter, assim como ela. Ela jamais teria amor algum, família alguma, vida alguma. Levou a mão ao rosto, cobrindo a boca.

"Por quê? Por que, meu Deus? Por que tivemos que passar por tantas provações se, no final, não teríamos nada?... Nem mesmo um ao outro..."

O hanyou ainda soluçava quando percebeu aquela presença aproximar-se. O olhar dela era triste e solidário, como há tempos ele não via naquele rosto tão querido.

– Kikyou...

– O que pensa que está fazendo, Inu-Yasha?

– Como...? – Ficou confuso com a pergunta e mal teve tempo de formular reposta, já sendo interrompido pela sacerdotisa, agora com seu jeito frio e decidido de sempre.

– Pare de ficar choramingando pelos cantos! O Inu-Yasha que eu conheci jamais ficaria se lamentando desse jeito.

– A Kikyou que eu conheci jamais seria tão fria...

Ficaram se encarando por alguns instantes, enquanto o vento novamente soprava. Alguns de seus longos fios negros lhe atravessavam o rosto, dando-lhe um ar mais severo. Ela assistiu praticamente a tudo o que aconteceu, escondida na vegetação. Sabia o que o incomodava.

– Você é patético, Inu-Yasha. Passou a vida toda tentando encontrar uma maneira de se tornar mais forte, um youkai completo. E quando isso finalmente acontece, você fica...

Dessa vez, ela que foi interrompida pelo olhar que ele lançou sobre ela. Ele era quase... Um estranho?

– Se você veio aqui para rir da minha desgraça, então ande! Ria! Se sente melhor? Está com pena? Talvez até desista de ver o meu cadáver! – Avançou alguns passos e parou com o rosto quase que colado ao dela. Ela tentou manter sua máscara fria. – Não haja como se você me conhecesse, Kikyou. Não haja como se soubesse do que eu sou capaz de fazer, porque você poderia ter uma grande e desagradável surpresa.

Ele fez menção de sair, dando-lhe as costas, mas as palavras dela lhe atingiram como uma flecha.

– Tão grande e desagradável quanto a surpresa que aquela garota teve? – Ele engoliu em seco e cerrou o punho. – Você a caçou pela mata e a feriu como se fosse sua presa, Inu-Yasha. Você que sempre a protegeu... O que poderia ser pior?

Ele respirou fundo, levou uma das mãos a boca e mordeu-lhe as costas. Sentiu o gosto do seu próprio sangue descer pela garganta. Mas não havia como negar o que ela dizia. Era tudo verdade.

– Há coisa pior, Kikyou... – Só então se virou para encara-la novamente. – A morte.

– Essa parte eu conheço melhor do que qualquer um. – Disse ela em tom irônico, logo cortado pela simples e direta explicação dele.

– Eu a matei.

Ele não esboçou qualquer expressão no rosto. Já havia aceito a situação na qual se encontrava.

– O quê? – Perguntou ela, incrédula.

– Foi o que você ouviu. Eu matei a Kagome.

Só então ela deixou o véu da frieza cair um pouco e compadeceu-se dele.

– Inu-Yasha...

– Não finja que se importa com isso, Kikyou. Eu sei que você não gostava dela. Não fará diferença para você, mas ela foi salva por uma pessoa, que a trouxe de volta dos mortos. – Notou um brilho no olhar dela. – Funcionou com ela porque o corpo sem vida dela ainda existia inteiro. Com você não daria certo porque o seu corpo não é verdadeiro...

– E por que você acha que eu...? – Interrompeu sua fala ao notar o embargo nas palavras.

– Kikyou... Eu sei o que você deseja. E por minha culpa você não pode mais ter. Não fui eu quem causou a sua morte, mas eu fui o meio que Naraku usou. Eu queria poder devolver a vida que foi tirada de você, mas não posso. Não posso... Eu sinto muito.

Ele voltou a caminhar por um caminho incerto, sem rumo. E, dessa vez, ela não retrucou suas palavras. Nem o seguiu. Já havia escutado as palavras que queria. "Eu também sinto muito, Inu-Yasha..."

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Kaede e Shippou estavam diante da cabana da velha senhora, separando ervas. Shippou já havia despertado e se recuperado do susto de ter sido levado por Kouga. O que Kaede não entendia era porque, de uma hora para a outra, Kouga desistira de Shippou. Ela havia levado um grande susto quando ele trouxera de volta o filhote de raposa na noite anterior. Até achou que estaria sendo atacada por alguma cria do Naraku. Afinal, tanto ele já havia feito que, profanar o vilarejo natal de Kikyou, não estaria muito fora de suas vontades.

Enquanto separavam as ervas notaram uma sombra cobrir-lhes a luz do sol. Shippou tremeu de medo e escondeu-se nas vestes da velha sacerdotisa sem ao menos sequer ver a fonte de tal sombra. Kaede apenas ergueu o rosto, deparando-se com um abatido hanyou.

– Pelo visto, nem aquele lobo fedido agüentou você, não é, Shippou?

A raposinha fechou a cara e mostrou a língua para ele. Mas estranhamente, Inu-Yasha não retrucou. Apenas encarou Kaede.

– Eu preciso falar com você. – Disse ele, quase como um sussurro.

Ela recolheu as ervas, as colocou na cesta e levantou-se.

– Entre, Inu-Yasha.

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Gotas de neve derretida caíram sobre a face adormecida de Kagome, fazendo com que ela acordasse. Sua visão doeu um pouco por causa da claridade, mas logo seus olhos se acostumaram, enquanto ela os protegia com as costas de uma das mãos. Ela se sentia dolorida, como se houvesse sido atropelada. Levou um segundo ou dois para organizar seus pensamentos turbulentos e lembrar-se de parte do que havia acontecido.

– Inu-Yasha! – Gritou ela. Sentiu uma mão afagar-lhe o ombro e pôde ver o rosto de Sango, o qual encarou com um triste sorriso.

– Eu sei que você esperava ver outra pessoa, Kagome. Mas eu estou muito aliviada em vê-la a salvo.

Só então a colegial pôde notar as lágrimas nos olhos da exterminadora. Ambas se abraçaram. Miroku as observava a uns três passos de distância. Também esboçou um sorriso aliviado.

– Sango, o que aconteceu? Onde está Inu-Yasha? – Perguntou Kagome, separando-se do abraço.

– Ele, bem...

Ela olhou para Miroku, meio que sem saber o que dizer e pedindo por um apoio. O monge deu de ombros e Kagome pôde notar um objeto no colo dele. Um objeto que ela conhecia muito bem.

– A Tessaiga? Por que está com ela, Miroku? – Ela começou a entrar em desespero. – Por favor, me digam o que aconteceu com ele!

– Calma, Kagome... – Começou Miroku. – Não sabemos onde ele está agora e nem mesmo quando vai voltar, mas, quando ele saiu daqui, a única coisa que queria era que você estivesse bem. Quanto à espada, ele me pediu que tomasse conta dela por enquanto.

– Mas por quê?

– Olha, eu não sei, Kagome. Só ele vai poder responder quando voltar. "Se voltar" Talvez fosse melhor que o esperássemos no vilarejo e...

– Não. Eu não vou sair daqui. Vou esperar por ele... – Finalizou ela, abraçando os joelhos e fitando a fogueira onde assavam alguns peixes para o almoço.

"Vou esperar por você, Inu-Yasha..."

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– Esse garoto que você encontrou com a Tessaiga... Ele bem que pode ser a sua reencarnação.

– Mas se isso é verdade, velha Kaede, por que ele não se parece nem um pouco comigo?

– A alma reencarnada não necessita que seu novo corpo seja idêntico ao anterior. Isso aconteceu com Kagome e Kikyou talvez porque Kikyou tenha morrido achando que sua missão não havia terminado. Minha irmã morreu cheia de ódio e amargura no coração porque achava que você a tinha traído. Pode ser que haja uma força maior que controle os nossos destinos e, não importa o que façamos, talvez realmente não possamos mudar nossa sina.

– Mas então, de que adianta continuar?... Será que ela faz parte do meu destino? – Inu-Yasha tinha tristeza no olhar. Estava começando a se convencer de que seria melhor e mais seguro para Kagome permanecer em seu próprio tempo. – Eu sei o que eu tenho que fazer, só que eu não quero perdê-la...

– Inu-Yasha... – Kaede o fitou com uma enorme tristeza. – Talvez ela nunca tenha sido sua...

Aquelas palavras o atingiram como uma bomba. E, por mais que não quisesse admitir, sabia que havia um fundo de verdade nelas. Simplesmente levantou-se e saiu silenciosamente.

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– Será que ele está bem? – Perguntou Kagome, mais para si mesma do que para os dois que lhe faziam companhia.

– Kagome... – Começou Sango. – Não seria melhor voltarmos para o vilarejo? Talvez ele...

– Ele vai voltar... Eu sei que vai... – Havia um embargo em sua voz.

– Mas... – Sango interrompeu-se quando sentiu a mão do monge tocar-lhe o ombro. Ela o encarou confusa, mas logo entendeu o gesto quando ele balançou a cabeça negativamente. Não haveria como convencer Kagome a sair daquele lugar. Somente uma pessoa poderia.

– Shippou ainda está com Kouga... – Murmurou a colegial enquanto observava as cinzas da fogueira desprenderem um tênue fumaça.

– Sim, ele ainda está. – Estimulou Sango. – Precisamos ir busca-lo.

Kagome respirou profundamente e levantou-se, caminhando na direção da margem do rio. Ficou observando as águas turvas e geladas. "Como foi que saímos de lá?" perguntou-se ela. Lembrou-se de estar agarrada a ele e da forma como ele a abraçara, pouco antes de empurra-la e lança-la sozinha no rio. "Só pode ter sido ele quem me tirou de lá. Mas então, por que teria ido embora?" Só então se lembrou da sufocante sensação de estar se afogando. "Não pode ser! Eu estou viva!" Voltou a encarar seus amigos. "Ou será que isto tudo é uma ilusão?... Ou talvez..."

– O que foi, Kagome?

– Sango, Sesshoumaru esteve por aqui?

– Sesshoumaru? Não vimos sinal dele. Por quê?

– Não é nada. – Ficou pensativa por um momento e tomou uma decisão. – Sango, Miroku, vocês dois deveriam ir atrás de Shippou.

– O quê? – Surpreendeu-se Sango.

– Kagome, não podemos deixa-la sozinha aqui. E além do mais, Kouga quer Inu-Yasha, não vai nem nos dar atenção.

– Errado, Miroku. Ele quer a mim. Ele levou Shippou por minha causa. Ele sabe que se Inu-Yasha fosse atrás dele, eu também iria com ele. Se você lhe disser que o levará até mim, ele virá com certeza.

– Isso é loucura...

Dessa vez, foi o monge quem sentiu a mão da exterminadora em seu ombro, interrompendo-o. Mas ela não estava olhando para ele e, sim, para a amiga diante de si. Ela sabia o que Kagome queria fazer. Estar sozinha talvez atraísse Inu-Yasha de volta.

– Está bem, Kagome. Não temos mais fragmentos, acho que Naraku perderá o interesse por nós por enquanto. Mas vou deixar Kirara, ela tomará conta de você até a nossa volta.

– Certo. Tenham cuidado.

– Você também.

Kagome permaneceu alguns instantes observando a direção pela qual seguiram o monge e a exterminadora. A pequena Kirara aproximou-se e esfregou-se nela, como que fazendo um carinho.

– Obrigada, Kirara. – Forçou a si mesma para dar um sorriso e, depois, sentou-se à margem do rio, com Kirara em seu colo. Ela acariciava a testa da pequena youkai, pensativa. – O que aconteceu conosco, Inu-Yasha? – Perguntou-se ela.

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Enquanto caminhavam, o monge e a exterminadora permaneciam calados. A idéia de deixar Kagome sozinha não era agradável, mas como conheciam a natureza arredia do hanyou, ele se manteria por perto, protegendo-a.

– Se andarmos rápido, sem parar para dormir esta noite, chegaremos mais depressa, Sango. Você agüenta?

– Quem você pensa que eu sou? É claro que eu agüento!

Ele sempre demonstrou um certo cuidado com ela. "Ele seria um ótimo marido, se não fosse esse seu lado pervertido..." pensou ela, enquanto lhe admirava o perfil. Corou e virou o rosto quando ele voltou o olhar para ela.

– Algum problema, Sango?

– Não é nada.

– Como assim nada? Você está com febre? Está toda vermelha e... – A mão esquerda ele levou a testa dela. Mas a gota d'água foi ter colocado a mão direita no peito dela, para sentir as batidas do coração, que logo em seguida 'escorregou' para um lugar 'mais macio'.

POW!

– Ai!... Mas o que foi que eu fiz?...

Ficou ele parado, com o pesado Hirai Kotsu sobre sua cabeça, após recebê-lo com vontade das mãos de Sango. Ela ainda estava mau-humorada e de cara fechada para ele quando recolheu sua arma e, após coloca-la nas costas, seguiu caminho. Ele, por sua vez, limitou-se a segui-la, tropeçando aqui e ali, tonto por causa da pancada.

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"O que aconteceu conosco, Inu-Yasha?"

Uma lágrima escorregou pelo canto de seus olhos, lentamente. Mas ela mal teve tempo de chegar ao final de seu rosto jovem. Escutou algo nas árvores atrás de si. A princípio achou serem Miroku e Sango, retornando por terem esquecido algo ou por terem desistido de deixa-la ali, sozinha. Mas se alertou quando Kirara arrepiou-se e saltou de seu colo, transformando-se me fera.

– Kirara! O que foi?

Kagome levantou-se e permaneceu observando as árvores, tentando vislumbrar o que ou quem atrás delas se escondia. O dia estava finalizando e seus rubros raios de luz não facilitavam a visão.

– Você já se esqueceu de como é a minha presença... – Kouga surgiu por entre as árvores e notou que sua presença fez Kirara esbravejar ainda mais. – Eu não vim aqui para machucar ninguém.

– Kirara, se acalme, está tudo bem.

A youkai olhou meio que em dúvida para Kagome, mas saiu do meio de ambos e permaneceu ao lado da jovem, em estado de alerta. Não retornaria a sua forma inofensiva até Kouga partir.

– Kouga, sem os fragmentos eu não poderia saber que era você.

– É... Os fragmentos que aquele miserável fez você tirar de mim. – Cerrou o punho.

– Não há porquê brigar por isso agora. Onde está Shippou?

– Primeiro me diga o que aconteceu com eles.

– Naraku os tomou de nós. – Notou que ele mal esboçou reação. – Naraku está com os fragmentos que eram seus, Kouga. Não está zangado?

– Eu perdi muito mais do que os fragmentos, não foi, Kagome?

A pergunta dele a surpreendeu um instante. Podia notar tristeza nos olhos dele. Doeu em seu peito saber que ela era a razão daquela tristeza. Espantou-se quando ele deu alguns passos na direção dela.

– Você acha que eu vou machucar você? Eu não sou igual àquele cara de cachorro!

– O que você sabe sobre Inu-Yasha?

Só então ele se dera conta de que falara demais. Havia presenciado o final do fatídico encontro entre Inu-Yasha e Sesshoumaru, às escondidas.

– Havia um outro youkai, com uma espada mágica. Ele... salvou você com aquela espada porque Inu-Yasha deixou que você morresse, Kagome...

"Então... foi isso..." Ela levou uma das mãos à boca, cobrindo-a. "Ele deve ter engolido todo o orgulho que tinha para conseguir pedir isso a Sesshoumaru..." Lágrimas desciam por seu rosto. Ela estava certa de que o hanyou se importava muito com ela, a ponto de fazer o que sempre jurou não fazer: dever um favor a Sesshoumaru.

– Kagome, eu sei que é difícil de acreditar, mas...

– Eu acredito em você, Kouga... – Ele surpreendeu-se e ela enxugou as lágrimas. – Agora, onde está Shippou?

– Eu... eu o deixei com aquela velha sacerdotisa. Kagome... – Ele aproximou-se um pouco mais, até estarem a poucos centímetros de distância um do outro, mas dessa vez, ela não se moveu. – Eu o levei apenas porque estava de sangue quente e não sabia o que fazer. Queria conversar com você, mas eu achava que de outra forma você não iria me ouvir.

– Kouga, eu... – Interrompeu-se um pouco, sem saber o que dizer a ele. Não queria magoá-lo, mais do que provavelmente ele já estaria.

– Tudo o que eu já lhe disse sobre o que sinto é verdadeiro. Eu quero sempre proteger e amar você, Kagome...

Ela fechou os olhos e respirou fundo. "Não quero magoá-lo mais do que já magoei, mas isso tem que acabar agora..." Ao reabrir os olhos, o lobo teve medo da decisão que via dentro deles.

– Eu sei o que você sente, Kouga. Eu também sinto a mesma coisa, mas por outra pessoa. Eu gosto muito de você, você sempre esteve disposto a me proteger não importando o quão perigoso fosse, mas... Mas eu não amo você.

– Kagome... – Ele elevou sua mão e alisou gentilmente a face dela. – Ele deixou que você morresse... – Sua voz era não mais que um sussurro, além do embargo que havia nela. Lágrimas discretas lhe vieram umedecer os olhos, mas ele não permitiu que elas caíssem. – Como pode querer continuar com alguém que tenha falhado tão gravemente com você?

– Porque eu o amo. Apenas isso. E não me importa o quão perdido ele esteja, eu sempre vou estar ao lado dele, tentando traze-lo de volta ao caminho certo.

Havia lágrimas nos olhos dela. Mas, juntamente com aquelas lágrimas, também havia muita certeza. Um vento frio soprou e ele pôde sentir um odioso cheiro familiar. "Inu-Yasha..." Ele cerrou os olhos e engoliu a raiva que sentia. "Apesar do que aconteceu, você também não consegue se afastar dela, não é? Mas não tem coragem de se mostrar por causa do seu erro"

Delicados flocos de neve começaram sua queda solitária rumo ao solo. Ao abrir os olhos, ele a encarou. Ela mantinha a mesma face decidida e ao mesmo tempo tão doce. "Você é um cara de muita sorte por ter alguém como ela, Inu-Yasha" Deixou sua mão chegar até os lábios dela e os acariciou carinhosamente. Lábios macios e quentes, os quais ele tanto desejara, mas nunca provara.

– Posso pedir um beijo de despedida?

Ela surpreendeu-se com a proposta.

– O beijo você pode pedir, Kouga, mas não haverá nele o sentimento que você quer...

Finalmente uma lágrima escapou pelo canto dos olhos do lobo. Ele abaixou a mão e respirou profundamente. Permaneceu silencioso enquanto virava-se de costas para aquela jovem e caminhava em direção a floresta.

"Kouga..." Ela respirou fundo e manteve-se onde estava. Tinha que ser daquela maneira, qualquer sinal que desse de que se importava com a mágoa dele poderia ser o estopim de alguma esperança escondida dentro do coração dele. E ali, era para ser um adeus. Subitamente ele parou de caminhar, mantendo-se de costas para ela, como que esperando por alguma palavra dela. Para surpresa dela, ele confessou:

– Você sempre será a única em meu coração, Kagome...

Ela fez menção de dizer algo, mas antes disso levou a mão à boca, enquanto ele desaparecia por entre as árvores.

"Adeus, Kouga... E obrigada por tudo."

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– Até quando você vai ficar se escondendo, cara de cachorro?

Kouga estava parado, um pouco distante de onde havia deixado Kagome, no meio de uma clareira. A luz avermelhada do sol poente era fraca e pouca visão oferecia do local. Mas ele podia sentir o cheiro de seu rival bem próximo a ele. O hanyou resolveu mostrar-se, saindo de detrás de uma das árvores. Os dois permaneceram olhando-se alguns momentos.

– E então? Não vai se vangloriar por ela ter escolhido você? Mesmo depois do seu fracasso na noite passada? – Inu-Yasha permanecia em silêncio, encarando o lobo, que ficava cada vez mais irritado. – Não vai dizer nada?

– O que mais há para se dizer, Kouga? E eu não quero me vangloriar pela escolha dela.

– Mas... – O lobo ficou confuso.

– Nenhum de nós dois é o vencedor.

Sem mais nada dizer, Inu-Yasha começou a caminhar na direção do local onde estava Kagome, passando pelo lobo que trincou os dentes, mas manteve sua posição.

– Só não falhe com ela novamente, do contrário, vou fazer você desejar não ter nascido.

Apesar de não possuir mais os fragmentos da Jóia, Kouga ainda era muito veloz e saiu dali rapidamente. Inu-Yasha permaneceu um segundo ou dois parado e depois continuou seu caminho. "Eu já quase desejo isso, lobo"

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A neve continuava a cair, formando um manto branco pelo chão. Kagome sentou-se às margens do rio, abraçando o próprio corpo. O frio aumentava conforme a noite crescia sobre ela. Mas, maior que o frio, era a saudade que sentia daquele que ela desejava ter ao seu lado naquele momento.

Everybody needs a little time away
(Todo mundo precisa de algum tempo distante)
I heard her say
(Foi o que a ouvi dizer)
From each other
(Um do outro)
Even lovers need a holiday
(Até mesmo amantes precisam de uma folga)
Far away from each other
(Distantes um do outro)

Ela notou uma presença e logo em seguida, sentiu-se envolvida por um manto. Um manto vermelho que barrava o frio. Ela permaneceu um pouco incrédula, achando estar sonhando e continuou com o olhar fixo no rio. Logo notou o hanyou sentar-se ao seu lado.

– Está ficando muito frio. Por que não voltou para o vilarejo?

– Eu... Eu queria esperar por você.

– E se eu não voltasse?

Ela sorriu e o encarou.

– Eu sabia que você voltaria, Inu-Yasha. – E, antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa, ela continuou. – O que aconteceu ontem à noite não foi culpa sua. Você estava fora de si.

Hold me now
(Me abrace agora)
It's hard for me to say I'm sorry
(É difícil para eu dizer "Eu sinto muito")
I just want you to stay
(Apenas quero que você fique)

Ele desviou o olhar. Não havia nada que ele pudesse dizer que acertasse as coisas. Pelo menos era o que ele pensava.

– Eu não queria machucar você, Kagome. E, depois do que aconteceu, eu só queria ter certeza de que você estaria segura.

– Eu já disse isso antes e repito. Eu me sinto segura quando estou com você.

After all that we've been through
(Depois de tudo pelo o que temos passado)
I will make it up to you
(Vou fazer dar certo com você)
I promise to
(Eu prometo)

– Não importa. Nada do que eu diga ou faça vai apagar o que aconteceu, Kagome. Eu deixei você morrer!

Ele levantou-se para se retirar, mas ela segurou sua mão.

– Inu-Yasha, senta.

Ela pronunciou a frase com calma, mas isso não diminuiu a força com que ele bateu no solo.

– Por que você fez isso? – Perguntou enquanto tirava o rosto da neve.

– Para que você se acalmasse. Você não pode simplesmente fugir dos problemas, não vai fazer com que você se sinta melhor, Inu-Yasha... E eu preciso de você comigo.

And after all that's been said and done
(E depois de tudo que tem sido dito e feito)
You're just a part of me I can't let go
(Você é uma parte de mim que não posso deixar partir assim)

"Eu também preciso de você, Kagome..."

Ele ajeitou-se, sentando novamente ao lado dela, mas manteve o olhar distante. Porém, ao varrer o local com os olhos, notou a Tessaiga ao lado da pequena Kirara, que dormia calmamente àquela altura. Lembrou-se das palavras de Houjou: "A Tessaiga é dominada pelo espírito daquele que a carrega, Inu-Yasha. Pelo espírito, independente dele estar no corpo de um hanyou ou de um humano..."

Couldn't stand to be kept away
(Não poderia continuar sendo mantido longe)
Just for a day
(Mesmo que por mais um dia)
From your body
(Do seu corpo)
Wouldn't want to be swept away
(Eu não iria querer perambular)
Far away from the one that I love
(Tão longe de quem eu amo)

"Tessaiga... Acho que o meu espírito está tão fragmentado quanto aquela maldita Jóia."

– Inu-Yasha?

Ele voltou seu olhar para ela. Ela, com aqueles grandes e doces olhos castanhos, fitando-o tão profundamente que chegava a lhe causar falta de ar. E aqueles lábios, que ele provara há tão pouco tempo atrás, cujo gosto ele ainda podia sentir tão fortemente. Estendeu a mão e os acariciou.

Hold me now
(Me abrace agora)
It's hard for me to say I'm sorry
(É difícil para eu dizer "Eu sinto muito")
I just want you to know
(Eu só quero que você saiba)
Hold me now
(Me abrace agora)
I really want to tell you I'm sorry
(Eu realmente quero lhe dizer "Eu sinto muito")
I could never let you go
(Nunca poderia deixar você partir)

– Nunca mais vou permitir que você se machuque daquele jeito novamente, Kagome... Nunca mais. Prefiro morrer a...

Não pôde completar a frase, pois fora surpreendido com um beijo. Ele permaneceu de olhos abertos, incrédulo. Sequer teve tempo de abraça-la, pois logo ela estava se jogando nos braços dele, envolvendo-o com os dela. Sem nenhuma sombra de medo.

After all that we've been through
(Depois de tudo pelo o que temos passado)
I will make it up to you
(Vou fazer dar certo com você)
I promise to
(Eu prometo)

– Você não precisa me fazer nenhum tipo de promessa, Inu-Yasha. Eu confio em você. Sempre confiarei.

Aos poucos ele se rendeu e também retribuiu o abraço, desesperadamente. Envolvendo-a com força, afagando-lhe os macios cabelos negros. Sentiu que ela começou a soluçar, foi quando ele também sentiu os próprios olhos encherem-se de lágrimas.

After all that's been said and done
(E depois de tudo que tem sido dito e feito)
You're just a part of me I can't let go
(Você é uma parte de mim que não posso deixar partir assim)

– Eu continuo fazendo você chorar, como sempre.

Ela ergueu a cabeça o fitou profundamente nos olhos.

– Eu choro porque não quero que você me deixe...

– Então não precisa mais chorar. Eu sempre vou estar com você, Kagome...

After all that we've been through
(Depois de tudo pelo o que temos passado)
I will make it up to you
(Vou fazer dar certo com você)
I promise to
(Eu prometo)

Guiados pelo próprio instinto, beijaram-se novamente. Mas dessa vez não havia tanto desespero, apenas o crescente desejo de se entregarem um ao outro.

A luz da lua crescente os iluminava enquanto se amavam naquele começo de noite. Kirara observou curiosa por um instante, para depois voltar ao seu sono. Não havia porque se preocupar com Kagome agora, pois Inu-Yasha estava com ela.

-x-x-x-x-x-

– Kagome, tem algo que você precisa saber e, seja lá o que você decidir, eu vou respeitar...

O sol havia nascido preguiçosamente. Ele a mantinha junto a seu corpo, envoltos naquela roupa feita de pele de rato-de-fogo, permanecendo assim aquecidos. Inu-Yasha contou sobre o que havia acontecido entre ele e Houjou e sobre parte da conversa que teve com Kaede, então ela pôde compreender o motivo de tanta preocupação nos olhos dele.

– Então quer dizer que o Houjou é a sua reencarnação?

– É bem provável.

– Mas se o Houjou é um descendente do Miroku, então quer dizer que nós vamos conseguir vencer o Naraku. Houjou não tem o Kazaana na mão direita.

– Pensando bem, você até que pode ter razão, Kagome. Mas isso só quer dizer que de alguma forma Naraku foi derrotado. Não quer dizer que tenha sido por Miroku. Eu acho melhor não contar a ele sobre Houjou.

– É, você tem razão... – E, como que adivinhando os pensamentos dele, ela conclui. – Mas isso não muda em nada o que eu sinto. É com você que eu quero ficar.

E, esboçando um sorriso, ele se deitou virando-se para fitar o céu claro, enquanto ela o abraçava apoiando a cabeça em seu peito. Era um momento de tranqüilidade como há tempos ele não tinha. Praticamente havia se esquecido do monstro em que se transformara anteriormente. Até aquele momento. O rosto do youkai dentro dele surgiu furioso diante de seus olhos e ele se levantou, em alerta.

– O que foi, Inu-Yasha?

– Não é nada. – Olhou de um lado para o outro. – É melhor nos vestirmos e irmos atrás daqueles dois. Eles não vão encontrar Shippou com Kouga.

Ela concordou meio desconfiada da reação súbita dele, mas tinha praticamente certeza do que se havia passado na mente dele. Achou melhor naquele momento não remexer no recente passado doloroso.


Música: Hard to say I'm sorry (Peter Cetera)