Prometi e acabei não cumprindo ... A desculpa é que um vírus para lá de peso-pesado me levou a nocaute; tanto que nem consegui ler os capítulos novos que esses dias postaram no ffnet. Mesmo este capítulo só vai ao ar agora porque o trabalho de edição já estava adiantado. Sorry pessoas.
Recomendações:
Kwannom – HALDIR E HALETH VERSÃO REVISADA, cuja versão em inglês ganhou o 2º LUGAR do concurso MY PRECIOUS AWARD, do site ELVENLORDS, na categoria INGLÊS COMO SEGUNDA LÍNGUA... Texto de cunho adulto, que insisto imprescindível como estudo do desenvolvimento de personagens plausíveis, carismáticos e não-maniqueístas (além de heroínas belas, dignas, fortes e ainda assim sexualizadas). Só pode ser visualizado ajustando a página do ffnet para o ratting R ou All.
Nimrodell Lorelin – CRÔNICAS ARAGORNIANAS ... Nimrodel modificou o sumário para dar conta do rumo adulto e romântico que a fic tomou. Beta-reader SADIE SIL. Imperdível.
Kika-Sama – APRENDENDO e ensinando a todos os fãs de Estel uma lição de persistência, esforço e aprimoramento.
Kiannah – ESTRELA SILENCIOSA vem ganhando corações sorrateiramente. Triângulos amorosos tocantes e muita ação aguardam os que a acompanharem. Vale a pena enfrentar mesmo os capítulos que pareçam longos, MESMO QUE ESTES CONTINUEM DEMORANDO.
Regina – ELDAR E EDAIN. Romance envolvendo ... Ora! Se vocês estão interessados em saber, tratem de ler!
Soi – IDRIL NUMENESS. História promissora. Correspondente gentil. Atualizadora sofrível.
Sadie Sil – após o final da inigualável VIDAS & ESPÍRITOS, a autora nos brinda com O DESTINO DE MUITOS; tenho certeza que não preciso explicar o motivo da recomendação.
Nanda's Menelin – inicia com o pé direito sua carreira de autora no original plot de UMA HIST"RIA MUITO ESPERADA.
Agradeço as manifestações favoráveis ao último capítulo, e agora fico com medo de que este – apesar de importante – pareça longo e tedioso, centrado na figura de Daror e dos haradrim, e no duro recomeço que os encontra na volta ao seu adorado Harad, confrontando-os a deixar pra trás os erros e as premissas do passado à medida em que a grande marcha de retorno dos haradrim adentra finalmente seu destino.
DAROR E MÍRIEL
Capítulo V – O Harad Próximo
O CONSELHO DOS HARADRIM
A primeira terra a que chegaram foi a da Casa de Cassor. Devastada.
Os campos queimados, o oásis poluído, as construções em escombros.
- Todos querem chegar à própria terra. Eu também quero chegar à minha terra. Mas o Harad precisa da Casa de Cassor forte ao Norte, para a vigilância da fronteira. Todos juntos em mês aramos seu campo e reconstruímos seus fortes. Basta estabelecer um suprimento do oásis de Nâk, que está preservado.
Daror pisava pesado e impunha sua presença aos Clãs reunidos. Deviam mandar batedores para colher informações mais detalhadas sobre a situação das Terras de todas as Casas sim, os oásis remanescentes, os sobreviventes refugiados ... Que um grupo com membros de todas as Famílias partisse à cavalo, enquanto os demais pousassem nos domínios de cada Casa do caminho, soerguendo-as.
- E quanto tempo vai levar isso, Daror? E quem vai me auxiliar quando por fim minha Casa chegar ao Sul?
- Com os campos arados e algum abrigo em condições, só as Casas da fronteira precisam de todos os seus homens. Os filhos do Médio Harad e do Haradwaith prosseguem para o Sul até a necessidade da última Casa, antes do Extremo Harad.
- Ah! Isso é que não!
- Ah sim, Tarick! – Daror aprumou-se em toda sua altura, jogando os ombros para trás, a voz grave e perigosa, impondo-se mesmo sem um aumento sensível de volume, e aproximou-se do chefe do Haradwaith – Harad se mantém unido, para sobreviver unido.
- Sobraram muito poucos à minha Casa.
- Que não darão conta nem de arar seus campos se não forem ajudados. Aramos os campos juntos, depois seus filhos seguem para arar os campos do Sul.
- Você fala em arar. E quem colhe?
- As mulheres colhem.
- Essa é boa! Deixar minha Casa na mão de mulheres estrangeiras, para que outro venha e tome a terra e as mulheres.
- A Casa que violar a confiança de outra Casa, violará a confiança de todas as Casas, o que tomou será retomado, e o que um dia foi seu nunca mais será. Escuta ó Harad, é Daror que fala.
E Daror ainda era o mais forte, e o mais rico, o Pai da maior Casa, e havia sentido em suas palavras.
ISOLADOS
A defesa da Fronteira tinha de constituir um consenso entre os Senhores de Harad, mas a destruição que atingira suas duas Casas era a mesma, a profanação absoluta da região um empecilho imenso.
O Norte não era a região mais seca de Harad, ao contrário, dele vinham as fontes que alimentavam boa parte de seus oásis, mas os reservatórios que serviam os fortes da fronteira estavam todos poluídos: escombros, corpos e carcaças de animais apodrecendo-os.
- Daror, não há como manter os fortes sem água – argumentava Terair – Foi a presença da água que definiu a fronteira na época dos avós dos avós de nossos avós.
- Recuar a fronteira para Nâk e Segir vai reduzir o território das Casas de Cassor e Nássar à metade.
- Se essa for sua sentença, Nássar e Cassor terão de se curvar.
- Porque um trabalho tão minucioso de ruína em nossa fronteira, Terair?
- Todo Harad foi atingido, Daror
- Os oásis principais de cada Casa, Terair me disse, as capitais saqueadas. Aqui na fronteira cada fonte de abastecimento de nossa linha de defesa foi cuidadosamente apodrecida.
- Daror, a Casa de Nássar não tem filhos suficientes para manter guarnição nos antigos fortes, arar e colher em Segir, e fazer ligação entre os dois extremos. Não temos homens, não temos cavalos, não temos grandes animais. O rico Harad de Raor está morto, ordene o recuo da fronteira!
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Talvez fosse o calor ... não era por ser noite que arrefecia significativamente ... no coração do deserto sim, mas não no vale do Nâk. Não agora, no auge do verão daquela terra cada vez mais quente em que estavam penetrando.
Talvez fosse o desânimo do acampamento. Era como se os haradrim não houvessem acreditado na ruína narrada pelos batedores até se defrontar com ela. Como se só acreditassem finalmente que suas mães e tias não estariam lá, aguardando o retorno de seus filhos, quando tiveram de dar funeral às centenas de corpos irreconhecíveis que eram a família que os estaria esperando em cada Casa.
Ou talvez fosse o silêncio.
Era o mais estranho de tudo: o silêncio.
Míriel virou-se muito vagarosamente na cama; será que Daror não estaria deitado ao seu lado?
Daror estava lá, o olhar perdido no teto. Devia estar vagando, sonhando de olhos abertos, pois não deu nenhuma demonstração de ter percebido a mulher virando-se para ele, inconscientemente sobraçando uma almofada para apoiar o ventre.
Míriel fitava Daror.
Daror fitava suas encruzilhadas.
O rico Harad de Raor está morto! O rico Harad de Raor está morto! Ah, Meu Pai, o que fiz de tua herança?
Míriel quase estendeu sua mão para tocar Daror, mas ... será que deveria?
Meu Pai! Meu Pai! Meu Pai!
Meu Pai jamais entregaria um palmo de terra.
O que o inimigo urdia? E quem era esse inimigo, se diziam que Sauron estava morto?
Bah! O que nunca faltara a Harad eram inimigos
Recuar a fronteira era chancelar uma zona de ninguém.
Era trabalho para muitos anos, mas a terra poderia ser recuperada, Terair sabia disso.
A terra poderia ser recuperada se houvesse recursos: homens, cavalos... tempo...paz.
Não tinha como recuperar a terra e defendê-la ao mesmo tempo, era o que seu mestre estava tentando lhe fazer ouvir. A manutenção da fronteira nos antigos marcos iria exaurir a Casa de Nássar.
- Você...
Daror voltou o rosto, um pouco espantado, para os olhos verde-claros que o fitavam.
- ...
- O quê?
- Nada. – Míriel deu as costas a Daror tão rápido que deixou a almofada atrás de si, sem coragem sequer de esticar o braço para buscá-la.
Daror ficou olhando para os cabelos dourados que haviam tomado o lugar dos olhos verdes em frente a ele, antes de percorrer o resto da imagem estendida ao seu lado.
Divisou vagamente o contorno das ancas, acentuado pelo avanço da gravidez.
Quanto pano! Aquela mulher não sentia calor?
Há quantas noites Daror aguardava encontrá-la nua, à sua espera ... mas nem, era sempre coberta dos pés à cabeça que ela se deitava. A recatada Míriel e sua recatada camisola.
Daror respirou profundamente.
Por que não a tomara ainda? Pensou na decepção de Seu Pai se soubesse.
Mais uma.
Pensou em como escarneceria dele.
Escarneceria dele com Darai.
Darai a filha favorita.
Darai, o tesouro de Raor, a herdeira de seu espírito. Darai que se entendia com o pai numa troca de olhares. Darai que tinha o favor de Raor pelo que era.
Ah Darai, como gostaria de tê-la ao seu lado agora!
De muitas maneiras. Por muitas razões.
Mas naquele momento...queria que estivesse aqui exatamente como filha de Raor, ira de Harad, tempestade do deserto.
Queria que ela decidisse a decisão sem dúvidas, que se impunha pelo que era, sentença do Pai de Harad.
Se ela estivesse aqui. Se ela pudesse estar aqui, se não tivesse de tê-la afastado...
Daror lançou um último olhar às costas de Míriel e levantou-se em direção ao lago.
Tinha de haver uma maneira, tinha de haver. Não podia abrir mão da faixa de fronteira!
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- Daror é o primeiro que se levanta e o último que se recolhe, Míriel, e trabalha por dez homens, ele não dorme? – perguntou Thanaë enquanto dispunham os cachos de uva para secar sobre a rocha negra.
Míriel levantou os olhos para Thanaë, embora fosse doloroso expor seus olhos delicados àquela claridade abrasiva.
Belos olhos castanhos sorriram amistosos para ela. Seu pai fora um comerciante, mas sua mãe vinha de uma família nobre; a mãe de Míriel chegara a retribuir-lhe o cumprimento algumas vezes, em ocasiões públicas. Thanaë demonstrava uma desenvoltura que Míriel admirara desde o início da viagem, e que a fazia ainda mais bela e nobre.
- Estava no lago com Mahor à noite. Daror nadou mais de uma hora. Só estou comentando.
- Todos os homens parecem ... inquietos desde que instalaram o acampamento no oásis ... tantos corpos. Parecem tristes, preocupados do que podem encontrar mais para frente. Mahor também não está ... pesaroso?
- Não. – Respondeu Thanaë, para rapidamente acrescentar – Isto é, está, um pouco, mas você sabe, eu o consolei como podia.
Thanaë lançou um sorriso cúmplice para a dama da cidade alta.
Míriel baixou os olhos, mas apesar do embaraço procurou retribuir o sorriso ... não sabia ser maliciosa, mas estimou aquela camaradagem. Precisava dela, desesperadamente; era a pessoa mais só daquela terra: não falava a língua dos homens ... não participava da vida das mulheres.
Ninguém poderia se sentir mais sozinho.
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- Vai unir o Harad sim. Vai unir o Harad inteiro contra você!
- É minha sentença.
- Parece que faz de propósito! Nenhum Pai vai querer abrir mão de seus Filhos para defender terra de Nássar ou Cassor. Nem Nássar e Cassor vão querer Filhos de outro Pai entrincheirados em sua terra. Vai conseguir desagradar a todas as Casas, inclusive a sua!
- Cada Casa fará um sacrifício igual, e Nássar designará os comandante dos fortes dentre os filhos de sua escolha.
- Não se submeterão! – Rugia Terair – e nem a Casa de Daror pode se opor a todas as Casas se elas se unirem.
- Se todas as Casas de Harad se unirem, ainda que seja contra a Minha Casa ... já será alguma coisa.
- Os filhos da Casa de Daror não pensarão assim.
- E o que você fará, Terair, se os Meus Filhos se voltarem contra mim?! Você os comandará?!
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E Daror quase teve de matar, mas mesmo os ferozes haradrim estavam por demais exaustos de guerra. Foi de muito má-vontade que os Senhores comprometeram-se em ceder algum rapaz solteiro para as guarnições, mas ao final curvaram-se, embora aí tenham tido de lidar com os ânimos acirrados de suas próprias Casas. Nenhum dos potenciais candidatos estava disposto a ficar sob o comando de uma Casa estranha, num forte sem água, repleto de homens ... não quando estavam tão perto de sua própria terra.
Mas por fim, mais aquela sentença de Daror se impôs.
A questão era até quando.
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NOTA DA AUTORA: Capítulo informalmente dedicado a Nimrodel Lorelim, com a esperança de que se permita entrever a majestade de uma outra forma de realeza.
