WARNING: Capítulo VERY RESTRICTED, and I will say no more.
DAROR E MÍRIEL
Capítulo XIII – O Retorno dos Homens - Parte 2
O BEIJO
Míriel fitava-se no espelho, ainda abalada pelo odor selvagem exalado por Daror, o vestido de seda verde arruinado pela multidão de bárbaros na qual se metera. O delicado bordado das barras pisado e rasgado, as mangas também, esgarçadas e rasgadas, e o corpo do vestido todo imundo do contato com o gigante.
Não fora assim que fantasiara o seu reencontro.
Que vestido deveria pôr agora? Ou talvez fosse melhor pôr a camisola – Míriel respirou fundo - era o que estava para acontecer, não era? E de certa forma, seria sua primeira vez com Daror, a primeira vez sem estar enjoada, inchada, sem aquela barriga imensa, sem o desconhecimento de que ele era um homem bom, apenas nascido e criado em Harad ... Ele era um homem bom afinal. Precisava aprender que as coisas nunca são como fantasiamos.
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Hum ... a bendita camisola toda fechada ... Era para dissuadi-lo? Para lembrá-lo de refrear-se? Para avisá-lo de que era frágil e não poderia ser tomada como uma mulher de Harad, sob o risco de partir-se? Bem, mesmo suas primas nos oásis mais de uma vez não o haviam admoestado? Ai Daror, te controla!
Sem saber o que fazer, viu o cesto sobre a mesa:
- Como está o menino?
- Agora dorme, brincou de manhã e à tarde.
Daror aproximou-se para olhar. Louro, louro, louro. A pele branca rosada de sol.
- É um belo menino, parecido com você, goza de boa saúde?
- Oh sim. Já quase anda, come bem...
Míriel não prosseguiu. Os olhos de Daror estavam fixos nela, fora gentil da parte dele perguntar, mas não estava realmente prestando atenção em seu filho ... porque deveria? Não era filho dele.
Míriel tentou se lembrar das palavras de agradecimento que ensaiara no idioma de Harad. Bem poucas por sinal, não havia fórmulas de cortesia entre aquele povo rude. A mesma palavra poderia servir para muitas coisas; o mais aproximado seria dizer que ele era um homem de honra, e que ganhara o favor dela.
Daror estava ao seu lado em frente à mesa em que repousava o cesto do bebê, debruçado para ela, sua boca entreaberta, como se implorasse esse favor.
Timidamente Míriel aproximou sua boca da boca de Daror, e seus lábios tocaram os lábios dele.
Foi preciso coragem, pois ela esperava que aquele bárbaro enorme a engolisse ao primeiro contato.
Mas não, ao contrário, Daror beijou-a muito suavemente.
Primeiro ele acompanhou o movimento da boca de Míriel, abrindo a sua na medida em que ela abrisse a dela, não mais.
Depois ela sentiu o toque das mãos dele em suas costas, leve, quase que só seu calor, apenas apoiando-a.
Então a língua dele buscara a sua devagar, e lhe parecera grande e quente, fazendo Míriel arrepiar, no que Daror retraiu a própria língua,voltando a beijá-la apenas com os lábios, que agora, entretanto, faziam só um pouco mais de pressão.
Era surpreendente que um homem tão grande pudesse beijá-la de uma maneira tão delicada. Daror lentamente envolveu-a em seus braços, sem apertá-la, sem constrangê-la de qualquer forma, e tomou Míriel no colo, elevando-a a uma altura considerável. Estivera esse tempo todo abaixado, para que ela tivesse acesso a ele, em atenção a ela.
Agora seus braços a carregavam para cama. Mais uma vez.
Daror deitou Míriel, reclinando-se sobre ela. Sua língua já ia mais fundo e Míriel tocou-a com a dela.
Daror soltou um gemido.
Aquele som produziu uma vibração no corpo de Míriel, um calor.
Míriel se assustou, não sabia o que fazer com os braços que pusera nos ombros dele. Estava abraçando-o? Poderia correr as mãos pela cabeça lisa de Daror?
A língua dele ganhara espaço na confiança dela, mas até na forma como ele bebia de sua boca ainda havia gentileza. Ela precisava disso, na verdade, nunca houvera tanta saliva em sua boca antes.
O calor da mão dele, quente, estava em sua cintura, em sua barriga, agora ele a comprimia, subindo, subindo para seus seios.
Suas bocas se descolaram quando Míriel fugiu com o corpo, a enorme mão de Daror segura pela sua mão fina.
- Míriel ... Míriel ... Do que você tem medo? Não vou machucá-la – ofegava Daror – confie em mim.
Medo? Sim, ela tinha muito medo ... Daror era tão grande ... O Grande Daror ... todas gostavam de comentar e rir e dizer que o tinham visto ... mas ele já a tivera quando estava grávida, não é mesmo? Seja corajosa Míriel.
- ... Eu confio em você.
Daror gemeu e beijou-a novamente, um beijo confiante, um beijo sorridente, se se pudesse dizer.
Míriel sentiu as mãos dele comprimindo os bordados brancos da camisola branca sobre seus seios, sentiu a vibração de seu corpo novamente, o calor intenso.
A mão dele já estava em suas coxas, subindo rapidamente a camisola.
Passando-a por baixo de suas ancas.
- Não Daror – suspirou Míriel em sua timidez.
- Tire, tire – respondeu Daror num sussurro rouco – não sentirá frio, eu a aquecerei, estou queimando.
- Mas ... Daror – Míriel estava totalmente atordoada.
- Tire ... esperei tanto ... preciso tanto.
Ele esperara, ele esperara muito por ela, ela sabia, ele precisava, os homens precisavam daquilo, ela já ouvira isso antes.
Míriel submeteu-se às mãos que a despiam e fechou os olhos ao seu toque, sentindo uma espécie de agonia ser-lhe transmitida pela boca e pelas mãos que percorriam seu corpo.
Finalmente as mãos dele chegaram lá, e fizeram com que as pernas de Míriel se separassem.
Ela o sentiu, e ele era realmente grande.
Mas Daror foi suave novamente, e não a penetrou de uma vez, mas por um longo tempo foi como se apenas brincasse em sua entrada, subindo e descendo, adiantando-se um pouco para logo depois retroceder.
Suas bocas voltaram a se descolar, apenas o suficiente para que ele lhe perguntasse:
- Está bom para você?
Se estava bom para ela? Oh, Daror era mesmo gentil. Não, ele não a estava brutalizando de forma alguma ... sim, estava sendo bom para ela ... estava sendo melhor do que ela jamais supusera que pudesse ser.
- Estou machucando você?
- Não ... assim está bom para mim.
Daror voltou a beijá-la, e ela sentiu-o todo dentro de si, era simplesmente perfeito. Do que tivera medo? Já haviam feito isso quando estivera grávida. Ele realmente não a machucava ...
- Você me quer também?
- ... quero.
Daror foi e voltou, foi e voltou, foi e ...
Voltara maior?
- Ai.
- Calma, relaxe, já vai melhorar.
Ele ia e voltava dentro dela, mas certamente estava mais largo, ela só não sabia como.
Não é que fosse ruim, o movimento dele era até agradável ... mas é que às vezes sentia uma pressão maior dentro de si ... diferente.
Míriel abriu os olhos e descolou sua boca da dele, olhando por um momento para os olhos ainda fechados.
Desceu o olhar pelo tronco reclinado de lado sobre o seu.
Deparou-se com um grande e gotejante Daror pronto para penetrá-la.
Assim que os dedos lhe cedessem a vez.
A RECUSA DE MÍRIEL
Sem saber como, Míriel deu um salto para longe de Daror, livrando-se daquelas mãos.
- O quê foi? – sobressaltou-se ele, podia jurar que não a estava machucando.
- Não! – Míriel encolheu-se do abraço com que Daror queria prendê-la novamente. – Eu ... não posso ... você é grande demais.
- Não vou machucá-la, pode confiar em mim.
- Confiar? ... Mas ... mas ... você ... você me enganou ... esse tempo todo ... eu não sabia .... quando eu estava grávida ... eram só seus dedos?
- Claro que não. Quando estava grávida estava mais larga, agora voltou a ficar estreita, e faz quase um ano para nós. – Daror segurava Míriel em seus braços tentando acalmá-la. "Não faça isso comigo. Não agora. Não posso mais" – Eu só estava preparando você.
- Nunca poderei estar preparada para isso. – Acabara de ver claramenteo que evitara mirar todo esse tempo. Parecia-lhe um cavalo.
- Pode sim, pôde antes, pode de novo. Nós já fizemos, também não é uma menininha.
- E me machucou.
- Não machuquei.
- Machucou sim. Eu não quero! – Míriel começou a chorar.
Daror fitou-a em ira.
Não, não era ira, uma palavra tão simples não poderia descrever a violência daquele olhar. O turbilhão de emoções e sentimentos que rodopiavam enfurecidamente nele.
Uma mesa voou quando Daror saiu da tenda, a toalha presa à cintura.
O SENTIDO DAS PALAVRAS
Daror observou o vulto de camisola branca a procurá-lo. Melhor que não o encontrasse, a afogaria se viesse para dentro da água onde estava. Odiava aquela mulher, odiava, odiava. Odiava-a mais do que se lembrava de jamais ter odiado Darai.
Darai ao menos não tinha culpa nenhuma de ser sua irmã.
Essa mulher tinha toda a culpa de se negar a ajudá-lo, quando ele colocara sua sanidade nas mãos dela.
Fria! Mais fria que aquela terra gelada de onde ela vinha!
Tinha certeza que não a machucara ... tomara tanto cuidado, tanto carinho.
Devia ter escolhido uma mulher de Harad, ainda que através dessa acabasse tomando Darai.
Merda! Ela o vira, aquela mulher cheia de merda!
Míriel ajoelhou-se na margem próxima de onde a cabeça de Daror estava.
- Eu ... sinto muito ... me desculpe.
- Você as usa muito, mas até hoje não entendi direito o que significam essas palavras, não existem na minha língua.
Míriel não queria chorar, sabia que era algo que ele não gostava, embora não soubesse porque.
Não sabia muitas coisas.
Não sabia que na gravidez estivera mais "larga", como ele dissera, e que depois supostamente teria voltado a ficar estreita.
Não sabia que o leite empedrava, e só com ele aprendera a retirá-lo.
Não sabia que se podiam pôr os dedos dentro de si para prepará-la, mas quando pensara nisso ... fazia algum sentido.
Não sabia por que se sentira tão mal quando ele saíra da tenda, talvez para nunca mais voltar-se para ela. Não a matara nem lhe batera, como seus olhos escreveram nos olhos dela que iria fazer momentos antes.
E se nunca mais se voltasse para ela, não seria de todo mal ... ou seria?
Por que esse aperto na garganta, essa fisgada no peito?
Era por pena? Estava com pena dele? Da mágoa que julgara ver em seu olhar?
Era por perder a própria dignidade, sentir que o enganara ao deixá-lo tomá-la por esposa, grávida de outro, e depois negar-se a ele?
Era por, de alguma forma, a ânsia dele por ela ter-se transmitido para o seu próprio corpo, deixando-lhe aquelas sensações esquisitas a cada vez que o imaginava consumando o seu desejo?
Estava confusa. Era confusa.
E não sabia como se explicar.
- Eu, sei que deveria agir diferente.
Só a cabeça de Daror aparecia à tona d'água, os olhos sem expressão.
- Eu sei que você precisa e ...
- Preciso do quê? De você? Não por isso. Já me aliviei. Venho me aliviando sozinho há tanto tempo que nem me importo mais.
- Oh! Eu, sinto muito ... eu ... da próxima vez não será mais necessário ... Sei que lhe devo este sacrifício.
- Sacrifício? Sacrifício! Estou dispensando o seu sacrifício, há muita mulher disposta a estar no seu lugar.
- Não! – falou Míriel, o coração disparado sem saber por quê – não ... eu ... lamento.
- Lamento como o lamento pela morte de alguém? Ninguém morreu, continuo sem entender.
- Quer dizer que eu não devia ter agido assim.
- Quer dizer que cometeu um erro? Então está à disposição do meu castigo, pode submeter-se a ele ou implorar clemência, mas deve curvar-se às conseqüências dos seus atos de um jeito ou de outro, não podemos mudar nossos atos, Míriel. Está pedindo a minha clemência, é isso que quer dizer "desculpe"?
- Quer dizer que se eu pudesse voltar atrás, teria agido diferente.
- Mas não pode! Que coisa sem sentido está me dizendo. Todos gostaríamos de voltar atrás e fazer algo diferente, EU gostaria muito, só que isso não é possível ... ninguém vai perder seu tempo de viver nisso, não resolve nada. O quê quer afinal, mulher?
- Quero ... quero que volte para a tenda comigo.
- Para quê? Para que amanhã todos vejam que passamos a noite juntos e pensem que você tem o meu favor, quando não passaria de uma mentira? Para isso?
- Não ... para que ... para que ... possamos nos entender e ser felizes ... como Raanat e Hellë.
- Nunca será feliz, Míriel, nunca nos entenderemos. Ofertei-lhe o meu favor, mais de uma vez, e você o desprezou, tem merda na cabeça, tem beleza e não sabe usá-la, é apenas uma cruel miragem de água que atormenta o viajante sedento, ou é como se fosse uma rica e bela caixa, cheia de merda por dentro. Você é cheia de merda!
Míriel baixou a cabeça, o que poderia dizer? Era mesmo, era cheia de merda ... Daror merecia coisa melhor, merecia uma mulher que simplesmente não tivesse tantos medos, vivesse a vida, soubesse o que queria. Ele nunca a machucara, e em seu íntimo Míriel sabia que também não a teria machucado aquela noite. Era ela que trazia consigo um medo que a fazia sofrer mais em antecipação do que no momento em que as coisas realmente aconteciam: não fora assim quando Daror a possuíra na gravidez? Não fora assim quando dera a luz? Carregava tanto medo dentro de si que estava permanentemente paralisada, dando vida a uma dor e uma tragédia que existiam apenas em sua cabeça.
Míriel afastou-se lentamente de volta para a tenda.
- E desiste muito fácil do que quer – Daror estava ao seu lado. – Se lutasse, talvez o meu favor se voltasse para você novamente – a água escorria pelo corpo nu que segurava seu braço.
E Míriel não se entendia, mas sentia ali o desespero de uma última chance, e menos ainda entendia porque se sentia tão desesperada, e não pensou, porque se pensasse por um segundo não faria, e depois que pensou não soube como o fez, mas simplesmente saltou para a boca de Daror, dependurando-se em seu pescoço.
As mãos dele a seguraram ao mesmo tempo em que as pernas dela o enlaçavam, e a camisola dela subira, e o favor dele estava dentro dela, de pé, à beira do Sûr, e ninguém que estivesse olhando deixaria de vê-los, mas por um instante isso não teve importância para Míriel.
O instante em que descobriu o quanto desejava Daror.
Senti-lo.
Vê-lo ser tomado pelos movimentos e pelas expressões do prazer.
Olhar seu rosto no momento do gozo.
- Entrou ... bem ... fácil – ofegava Daror – você .... estava ... molhada.
O sorriso, o sorriso de menino estava lá.
Míriel abraçou ainda mais a Daror com suas pernas, e ele gemeu e quase cambaleou naquela posição inusitada.
Ela não era peso nenhum para ele, era o próprio corpo que Daror sentia tonto.
E naquela noite Míriel dormiu aconchegada a Daror.
Até ser despertada pela potência do seu ronco de exaustão.
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ENTENDIMENTO
- Diga-me rapaz, quando estaremos indo ao combate juntos?
Míriel abriu os olhos, tateando por uma coberta para seu recato. Mal dormira, e de repente percebeu que era tarde. Naraor estava nos braços de Daror, lambuzando as frutas da bandeja que o gigante de Harad lhe oferecia.
- Olha só, a flor dorminhoca do norte despertou. – Daror aproximou-se com o menino todo sujo de figo.
Míriel sentia-se nua e enrolava-se nas cobertas, não encontrando um jeito de pegá-lo.
Daror simplesmente deitou-se novamente à cama, com Naraor e a bandeja de frutas, protagonizando uma lambança.
- Está sujando tudo.
- Arre! Tome, coma também para calar a boca. – Riu-lhe o menino gigantesco enfiando um caqui inteiro em sua boca, que escorreu sumo pela face de Míriel.
Daror prontamente lambeu o rosto da mulher, tomando a metade do fruto que pendia-lhe da boca com a própria boca.
- Agora vista-se, leve esse lindo menininho para a tenda de uma mulher que não tenha ficado com o marido fora por meses e volte rápido.
Era assim? Era assim tão simples? Estavam realmente se entendendo? Era tão fácil ... como fora tonta ... como fora cheia de merda ... quase o perdera ... quase perdera o favor que ele lhe ofertava ... tudo que precisava agora
Tudo que precisava agora era de alguém para ficar um pouco com seu filho.
Mas quem?
Como iria pedir isso? Ninguém nunca pedira a ela que ficasse com seus filhos.
Hellë? Ah, não! Raanat também estivera fora, não podia.
Thanaë?
Mahor não se ausentara, mas de certa forma Thänae também não parecia uma boa escolha. Haviam-se distanciado desde o parto, só agora Míriel percebia.
- Mariän – chamou Míriel do lado de fora da tenda, sem graça.
Mariän lhe surgiu calorosa:
- Pode entrar, essa tenda está repleta de crianças hoje.
Míriel sorriu grata e espantada, realmente havia mais de 10 crianças na tenda, além dos 2 meninos já maiores que Mariän trouxera de Gondor. Estavam todos espalhados pelos tapetes, o marido de Mariän também.
Míriel se julgara corajosa? Julgara que era necessário coragem para permitir-se a Daror? Aquilo era coragem! Acolher alegremente 12 bebês em sua tenda, engatinhando pelos tapetes, mexendo em tudo.
Mariän tomou Naraor dos braços da surpresa Míriel apenas para botá-lo no chão, deixando-o engatinhar até as outras crianças.
Mariän não era uma mocinha inexperiente, era uma mulher vivida, calejada, de fibra, e séria mesmo quando alegre, não perguntou nada a Míriel, apenas olhou em seus olhos.
Míriel sorriu, corou e abaixou os dela.
Mariän pegou sua mão e deu-lhe um aperto caloroso entre as suas.
- Fico feliz por vocês dois, agora vai ter com seu homem. Corre, anda.
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NOTA DA AUTORA: Este capítulo nunca me pareceu realmente terminado, está praticamente igual ao esboço que rascunhei muitos meses atrás, entretanto espero que me desculpem; precisava fechar este ciclo de um jeito ou de outro.
Myri
