Falta pouco para o final!!! UHUUUUU!!! ÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!
Aposto que vocês pensaram que eu ia demorar mais seis meses para atualizar a fic, não? Peguei vocês! Agora que retomei o embalo, vou trabalhar adoidado!
Gostaram do capítulo passado? Críticas por favor! Quero melhorar essa fic! Não tenho manuscritos, por isso estou na fórmula "pense, digite e depois revise!", e revisão é um jogo de paciência... Tenho que reler a história inteira pra ver como ela está caminhando e aí vou escrevendo, obedecendo ao roteiro que há um bom tempo está no computador, mas que às vezes não me ajuda muito... ú.ù Afff. Vou pensar mil vezes antes de escrever um livro... Só de pensar que tem autor por aí escrevendo oitocentas páginas fico impressionada... coitado do revisor...
Boa leitura!
Angel – san
CAPÍTULO XII : A PEDRA DOS ANCESTRAIS
– É uma fênix! – admirava–se Miroku.
– Minha nossa! – disse Sango – Como isso é possível?
– Pensando bem, Sango, como é que era aquele túmulo?
– Havia a estátua de uma mulher com as mãos no peito – respondeu Sango, com a mão no queixo – E... Sim! Se não me engano, as mãos estavam numa posição que lembrava as asas de um pássaro!
Enquanto Miroku e Sango conversavam, Kikyou, escondida entre as árvores, percebeu Inuyasha se aproximando e afastou–se ainda mais para o oeste da montanha.
– Olha só, Inuyasha! – disse Kagome – A barreira que tínhamos visto antes desapareceu!
Kikyou não pôde evitar que o ressentimento invadisse sua alma ao ouvir a voz de Kagome. Lembrou–se das palavras de Nadeshiko.
"Uma reencarnação que é tudo aquilo que você desejava ser e não pôde..."
Mas por que estava pensando nisso agora? Havia outras coisas mais importantes à sua frente. Kohaku dissera anteriormente que havia uma caverna por perto, então o mais viável era procura–la para desvendar os segredos que aquela mulher guardava. Porém, o garoto também havia dito que uma pedra com uma espécie de árvore genealógica se encontrava no meio daquelas ruínas. Kikyou hesitou por um momento. Deveria procurar a pedra? Mas se fizesse isso, encontraria Inuyasha e, claro, Kagome. Contudo, talvez algo naquela pedra revelasse alguma coisa sobre Nadeshiko.
– Não! – murmurou – Se eu encontrar a entrada dessa caverna, quem sabe eu encontre mais indícios que me digam quem é essa mulher e o que ela esconde.
E correu pela floresta.
Enquanto isso, Miroku e Sango aterrissavam para junto de Inuyasha e Kagome e logo adentraram no local. O meio–youkai, instintivamente olhou para o céu, a tempo de enxergar os youkais carregadores de alma da sacerdotisa.
"Kikyou, você está aqui?" pensou o rapaz.
Teve o impulso de segui–los, porém pensou em Kagome. "Não posso ir atrás da Kikyou... Não..." pensava, cerrando o punho.
– Inuyasha! – gritou Kagome – Vem aqui e olha isso!
"Não vou atrás de você Kikyou" continuava pensando Inuyasha, olhando para Kagome "Por mais que no fundo eu queira te ver mais uma vez, eu tenho alguém que precisa de mim e eu não vou deixa–la. Eu também preciso dela."
– Keh, o que foi? – perguntou o meio–youkai para a garota – O que é tão importante que precisa da minha aten...ção?
Inuyasha não conseguiu disfarçar o desgosto.
– Ruínas de um castelo?! Ah, Kagome, por favor! Todo aquele estardalhaço só por causa de um castelo todo quebrado?!
– Não é isso, Inuyasha. – disso Miroku em meio às ruínas do que parecia ser o salão de entrada do castelo – Vem aqui e verá uma coisa realmente interessante que envolve você.
O meio–youkai se dirigiu para o lugar em que Miroku se encontrava e quando chegou lá, não conseguiu esconder a admiração. Uma grande pedra fincada firmemente no chão mostrava o que seria uma espécie de árvore genealógica de uma família.
– Mas, o que é isso?
– Surpreso? Veja a última linha do lado esquerdo...
Inuyasha obedeceu Miroku e procurou a última linha do lado esquerdo. Seus dedos percorriam suavemente a superfície rochosa. Os nomes escritos estavam quase todos apagados, mas as últimas linhas não estavam tanto assim, possibilitando lê–las. Inuyasha nem havia chegado à ultima linha quando se deparou com um nome muito conhecido.
– Izayoi... O que o nome da minha mãe faz aqui?
– Veja mais abaixo – disse Miroku.
Inuyasha obedeceu.
– Mas o quê... QUE DIABOS O MEU NOME TÁ FAZENDO AQUI?
– Interessante, não? Parece ser a árvore genealógica da SUA família!
– Miroku, o que significa isso?
– Se você não faz idéia, imagina eu!
– Inuyasha, que legal! – disse Kagome – A maioria das minhas amigas só conhece até o tataratataravô!
– Tata... O quê?
– Tataratataravô, Inuyasha! O pai do pai do pai do pai do pai do seu avô!
– Hã...Como é que é?
– Deixando isso de lado... – disse Sango, interrompendo–os – Parece que você Inuyasha, tem parentes vivos...
– O quê?! – gritaram Inuyasha, Kagome ao mesmo tempo.
– Ah, coitada... – disse Shippou, balançando a cabeça.
Inuyasha olhou de novo para pedra e viu que realmente havia nomes de três gerações logo abaixo do seu.
– Sua mãe teve mais filhos, Inuyasha?
– Não, Shippou. Eu sou filho único. Mas que nome é esse? Não consigo ler...
Kagome se meteu na frente de Inuyasha, toda curiosa.
– Ah, deixa ver!
A garota apertou os olhos para ver, aproximou a cara até ter a distância de cinco centímetros da pedra.
– I...su... Ai, mais que coisa! Metade do nome ta apagado!
– Estamos perdendo tempo aqui – disse Miroku – Vamos seguir em frente? Parados aqui não conseguiremos encontrar as respostas que queremos.
Inuyasha parecia relutante, mas concordou.
– Vamos então.
Todos saíram do local, mas Inuyasha voltou–se, olhando mais uma vez para aquela pedra. Lembrou–se do sonho que tivera na noite anterior. "O que isso significa?"
Kikyou agora podia se movimentar livremente. A barreira estava desfeita, portanto, seus youkais podiam se aproximar e depositar almas em seu corpo de barro.
Procurava a caverna que Kohaku falara que vira; ao mesmo tempo, pensava sobre Kagome ser sua reencarnação e ter viajado quinhentos anos no passado para trazer de volta a Jóia de Quatro Almas. A mesma Jóia que ela quis proteger com sua vida. Morrera para impedir que o objeto se corrompesse, mas...
"Você morreu... no entanto, a Jóia ainda não havia cumprido a sua missão. Por isso ela retornou a este mundo no corpo de sua reencarnação..."
Seria por isso que ela a chamou de erro necessário? Kikyou não sabia.
"Uma reencarnação que é tudo aquilo que você desejava ser e não pôde..."
Por mais que quisesse parar de pensar nas palavras daquela mulher, Kikyou era incapaz de ignorar. Sentia inveja de Kagome, essa é que era a verdade. Afora o fato das roupas esquisitas e de seus poderes espirituais, ela parecia tão...
... normal...
"Como será a vida dela?" pensava a sacerdotisa, "Ela é minha reencarnação... no entanto, eu nunca fui normal. Fui escolhida como sacerdotisa muito cedo, e enquanto as outras crianças brincavam, eu estudava com meu mestre. Caçava youkais. Nem quando conheci Inuyasha me senti alguém normal. Mas a Kagome..."
Sentiu a presença de um fragmento. Kikyou olhou ao redor e não viu ninguém, mas sabia que o fragmento estava próximo. Correu; e quanto mais avançava, mais forte era a sensação.
– Kohaku? – gritava.
Sim, era o fragmento de Kohaku.
– Kohaku?
O fragmento não se movia. O que terá acontecido?
– Kohaku?
Logo encontrou o garoto; estava caído no chão, próximo a entrada de uma caverna.
– Kohaku! Acorde, vamos!
O menino não abria os olhos. Kikyou deu leves tapas no rosto do garoto, tentando acorda–lo. Enfim, o garoto acordou.
– Senhorita Kikyou...
– O que aconteceu? – perguntou a sacerdotisa – Você de repente sumiu!
– Eu não sei... – respondeu Kohaku, ainda zonzo – Ouvi alguém me chamando... A partir daí não lembro de mais nada...
Kikyou olhou para a caverna. "Ela me atraiu até aqui porque sabia que eu viria atrás de Kohaku!"
– Kohaku, estamos naquela montanha que vimos antes. Mas a barreira foi desfeita. Você não sentirá mais dor, nem eu perderei as minhas almas. Vamos entrar.
– Tem idéia do que encontraremos lá?
– Não. Mas quem nos atraiu até aqui sabe e está preparado. Tome cuidado.
"Ela não está interessada somente no Inuyasha. Ela está interessada em todos. Ela quer que todos estejam presentes aqui!"
– Vamos, Kohaku!
– Certo!
– Olha só essa coluna em frente ao castelo! – disse Shippou – Que bonita!
No alto da coluna havia uma escultura, ou melhor, quatro, representando as quatro direções, norte–sul–leste–oeste.
– Vejam – observou Miroku – são representações dos monstros sagrados! Pássaro vermelho, cão branco¹, dragão azul e tartaruga junto a serpente!
Inuyasha continuava inquieto em meio às ruínas. Algo o estava alertando, como que um pressentimento. Miroku olhava de uma lado a outro, como se lembrasse de alguma coisa.
– Estou reconhecendo este lugar – disse Miroku aos outros.
– Como é? – perguntou Kagome.
– Não é à toa que achei a história que me contaram tão familiar...
O monge olhava de um lado para o outro, em todas as direções.
– Niwakami.
– O quê?
– O nome da família que morava neste castelo era Niwakami. Lembro perfeitamente que meu pai e eu os visitamos há muitos anos atrás. Era uma família muito feliz e próspera. Foi a melhor noite da minha vida!
Todos olharam para Miroku com uma cara de espanto. Sango tinha "aquele" olhar.
– Como assim a melhor noite? – perguntou a exterminadora.
– Miroku, você ainda era uma criança! Como você foi precoce! – exclamou Kagome.
– Não é nada disso que vocês estão pensando – disse Miroku, cerrando a testa – O que eu quis dizer foi que neste castelo todos tratavam os viajantes muito bem, eram bastante hospitaleiros. Eu e meu pai fomos tratados como se fôssemos o senhor do lugar.
– Quando foi isso, Miroku?
– Eu devia ter uns dez anos, Shippou. Meu pai morreu pouco tempo depois.
– E o que aconteceu aqui?
– Alguns anos depois, eu ouvi falar de uma guerra entre feudos das regiões próximas – respondeu Miroku – O palácio ficava num ponto estratégico. O resto eu não preciso dizer... Todos do castelo foram mortos. O que me dá pena é que eu soube que a senhora Niwakami tinha acabado de dar à luz.
– Nossa... – disse Kagome com tristeza – Guerras realmente não perdoam ninguém... Até crianças...
– É, essa guerra foi há muito tempo, uns seis anos atrás, acho – disse Miroku – Mas os invasores não ficaram lá por muito tempo. Youkais começaram a invadir o lugar, matando a todos. A quantidade era grande... Tão grande que formaram uma nuvem negra ao redor do lugar.
– Aaah!
– Quando aquele senhor me contou sobre esta montanha, tudo me pareceu muito familiar e...
– Niwakami... – murmurou Inuyasha, suando frio – Você disse... Niwakami?
– O que foi, Inuyasha?
O meio–youkai virou as costas, correndo em direção à pedra que vira anteriormente.
– Ei, Inuyasha, onde você vai? Volta aqui! – disse Kagome correndo atrás dele, separando–se de Miroku e Sango.
"Não pode ser!" pensava o meio–youkai "Não pode ser! Esse nome...". Mas antes que pudesse chegar até o enorme objeto, um raio de luz quase o atingiu. Inuyasha olhou para trás.
– VOCÊ?!
Era Nadeshiko, de pé, equilibrando–se em cima da coluna que havia em frente ao castelo, a única construção inteira daquele lugar. Vestia o manto longo e escuro com o capuz que, naquele momento, cobria–lhe parcialmente o rosto. Segurava uma espada que não parecia ser aquela que usara na luta contra Naraku.
– Inuyasha, cuidado! – gritou Miroku – Veja a espada dela!
A espada que ela segurava era diferente. Tinha um brilho dourado e uma aura vermelha. Quando a mulher a balançava no ar, Kagome e Miroku podiam ver que um rastro de fogo era deixado no ar.
– Não é... a mesma espada... – murmurou Inuyasha.
– Essa mulher parece mais poderosa do que antes – disse Sango à Miroku.
– Com certeza é devido aquela espada. Inuyasha! Kagome! Shippou! Tomem cuidado!
– Mas que espada é essa? – perguntava Kagome, pressentindo algo – Sinto uma aura poderosa... como se fosse de um deus...
Nadeshiko continuava na mesma posição. Inuyasha não se atrevia a usar a Ferida do Vento. Olhou para Sango, que entendeu o que ele pensava. Ela, mais que rapidamente, levantou sua arma e a lançou.
– OSSO VOADOR!
A arma de Sango atingiu em cheio Nadeshiko; porém, ao invés de sangue, o que se viu foram pedaços de papel no ar.
– Um shikigame²!
– Maldição! Onde você está, sua...
Inuyasha sequer teve tempo de fazer qualquer coisa. A espada que o shikigame carregava caiu ao chão, lançando um ataque que fez tudo explodir, abrindo buracos abaixo dos pés de todos – uma armadilha habilmente preparada.
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!! – gritaram todos enquanto eram tragados pelo solo.
Sesshoumaru pousou bem ao pé da montanha, no lado leste. Assistira a quebra da barreira de longe e ouvira uma explosão. Uma leve brisa lhe revelou que Inuyasha e seus amigos também estavam no local.
– Humph...
Decidiu não ir até o topo. Conhecia bem a região e sabia que só o que existia ali era um castelo em ruínas.
"Que lugar mais deprimente que aquela mulher escolheu para se esconder..." pensou o irmão de Inuyasha. Aliás, de todos os lugares, aquele foi o único que Naraku não se escondeu. Uma montanha nas terras centrais poderia ser estratégico para os humanos expandirem seu território, mas com certeza era uma péssima localização para um youkai permanecer oculto por muito tempo, como Naraku. A montanha era visível a quilômetros de distância. "Ela não foi muito inteligente ao escolher essa montanha como esconderijo..." dizia Sesshoumaru em pensamento, quando ouviu um farfalhar de folhas secas.
Rapidamente o youkai se escondeu. Não muito longe de onde estava caminhava uma figura com manto longo e escuro que ele reconheceu imediatamente. Sesshoumaru ergueu–se no ar, rodeado por sua estola, para evitar que seus pés fizessem algum barulho que chamasse a atenção de Nadeshiko. "Vou segui–la até o lugar onde essa mulher escondeu a Rin..." E assim o fez.
A mulher caminhava tranqüilamente, muitos metros à frente de Sesshoumaru, e aparentemente, não percebera a presença dele... se é que ela era a Nadeshiko...
Quando Inuyasha despertou, por um momento achou que estivesse sonhando, mas uma dor no corpo ao levantar o fez ver que tudo era real.
– Ai, minha cabeça...
Olhou para cima e viu o buraco em que caíra momentos antes. Caíra de uma altura significativa.
– É mesmo... Nós caímos numa armadilha quando destruímos aquele shikigame... – murmurou Inuyasha, que logo lembrou–se de chamar os outros – Kagome! Miroku! Sango! Shippou! Kirara! Onde vocês estão?! Me respondam!
Silêncio. Ao que tudo indicava, ninguém estava por perto.
– Estou sozinho...
Ajoelhou–se no chão. Suas mãos cerravam a terra e logo Inuyasha descontou sua frustração jogando uma pedra para longe.
– Maldição! Por que não reparei logo?! Niwakami! Castelo dos Niwakami!
–Flashback–
– Mamãe, por favor, não me deixe!
– Inutaisho... Meu amor... Finalmente vou encontra–lo... no castelo... dos Niwakami... Meu amor...
–Fim do Flashback–
– Droga! Droga! Droga! – gritava Inuyasha, socando o chão – Como eu sou idiota! Minha mãe antes de morrer falou sobre esse castelo! Como eu poderia imaginar que aqui é o mesmo lugar onde ela nasceu?! O nome dela naquela pedra!!!
Inuyasha levantou–se e a raiva transparecia em seu olhar. Entretanto, logo que ergueu os olhos, viu uma sombra à sua frente.
– Nadeshiko!
Não poderia usar a Tessaiga, então tudo o que podia fazer era lutar com as suas garras.
– Não sei o que você quer comigo, mas... Espera... O que é isso?!
Logo atrás de Nadeshiko, havia várias outras com o mesmo semblante.
– Keh! Escuta Nadeshiko! – gritou Inuyasha para o vazio – Você acha que esses shikigames vão ser páreo para as minhas garras? Ora, sua estúpida! Apareça e lute!
Nenhuma resposta. Os shikigames sacaram as suas armas, cada uma com uma diferente. Inuyasha avançou, pronto pra estraçalhar uma a uma, mas aqueles pedaços de papel ambulante eram perfeitos, tanto na aparência, quanto na habilidade de luta. Inuyasha percebeu que não seria uma luta fácil, suas garras só atingiam as armas... Chegou a despedaçar algumas, mas foi só se distrair reduzindo mais uma a pedaços que foi atingido no ombro pela lança de outra shikigame.
– Maldição... Elas são muitas! – dizia Inuyasha, enfiando suas garras no próprio ferimento – O pior é que só vou sair daqui se acabar com todas elas! GARRAS VOADORAS!!!
Entretanto, quanto mais Inuyasha destruía os shikigames, mais outros surgiam.
"E agora?..." pensava o meio–youkai "Como eu vou sair dessa?"
Quando Kikyou e Kohaku entraram na caverna, encontraram os caminhos iluminados, embora precariamente. O menino pegou uma iluminária e seguia à frente de Kikyou, que por sua vez, tivera sua intuição confirmada ao ver o preparo daquela mulher em recebe–los.
– Como essa mulher é arrogante...
– Como, senhorita Kikyou? – perguntou Kohaku.
– Disse que essa mulher é arrogante. Parece que fez tudo isso para nos provocar!
– Ela estava certa de que a senhora viria atrás dela... Ah, olha só.
Diante deles, dois caminhos. Qual seria?
– Vamos nos separar.
– Não, Kohaku. Vamos para a direita. Sinto uma energia pura vindo desse caminho.
Foram para a direita. Não demorou muito para que os dois conseguissem ver uma iluminação mais forte. Kikyou notou que o fragmento nas costas de Kohaku começava a brilhar. Estavam perto. Mas de repente Kohaku parou.
– O que foi, Kohaku? – perguntou Kikyou ao ver que o menino jogara a lâmpada.
O menino estava em transe. No fim do caminho, estava Nadeshiko, embainhando a espada.
– Oh... Olá, Kiykou.
A mulher deixara a espada no descanso, pouco se importando com a presença dos dois. Kikyou preparou uma flecha e mirou no peito de Nadeshiko.
– O que você quer com Inuyasha? Me diga!
– Não é da sua conta. – respondeu a misteriosa mulher – Pensa que me intimida com essa flecha apontada para mim?
Kikyou olhava perifericamente para Kohaku, ainda em transe.
– O que você fez com Kohaku?
– Eu não fiz nada.
– Mentira!
– É a mais pura verdade. Se você não quiser acreditar, não é problema meu!
– Você sabia que eu viria atrás de você mais cedo ou mais tarde para buscar respostas e eu as quero agora!
– Voluntariosa você, hein? Não pense que pode conseguir tudo o que quiser! Se quiser atirar essa flecha, atire!
Kikyou mantinha o arco e a flecha firme em suas mãos. A arrogância daquela mulher a irritava profundamente. Diante das provocações, então, era insuportável.
– Vamos, atire!
E Kikyou atirou. Um feixe de luz iluminou ainda mais o lugar.
Dessa vez, Nadeshiko não erguera qualquer uma das mãos. Deixou–se atingir pela flecha purificadora de Kikyou. E para a surpresa desta última, a mulher retirou a flecha do peito sem problemas, e a ferida no local fechou–se completamente. E mais: munida de um arco, Nadeshiko pegou a flecha de Kikyou, cuja seta ficou com um pouco de sangue, e sem hesitação, atirou – a luz de purificação que cercou a flecha era muito mais forte e por alguns milímetros não atingiu Kikyou.
– Mas... como?... – disse Kikyou, não acreditando no que testemunhara.
– Não a acertei de propósito. Mais um pouco e esse corpo de barro seria totalmente desfeito e sua alma retornaria ao corpo original. Mais ainda assim...
A flecha purificadora de Nadeshiko fez com que algumas almas saíssem do corpo de Kikyou. Um espírito foi atraído pela mulher, que a tomou entre as mãos.
– Almas de crianças... Hunf. Kikyou, você deveria poupar as crianças.
Kikyou enfraquecera com a perda daquelas almas. Nadeshiko, ao ver isso, balançou a cabeça negativamente.
– Chame seus carregadores. Não lhe devolverei estas almas, elas merecem um lugar melhor do que uma prisão de barro.
– Su..a...
Sem alternativas, Kikyou fez com que um carregador de alma lhe trouxesse alguns espíritos. Mas como teria que permanecer imóvel por um tempo, ficaria a mercê daquela mulher.
Longe dali, Kagome não parava de reclamar.
– Ai, onde viemos parar?
– Isso aqui está me dando calafrios! – disse um arrepiado Shippou.
– Temos que encontrar Inuyasha e os outros!
Shippou estava usando o fogo de raposa para iluminar o lugar. Quando se recuperaram da queda, perceberam que estavam numa espécie de câmara e ao que tudo indicava, não havia saída.
– Mas que droga! O que aquela sacerdotisa esquisita quer com a gente? Fala sério! Nessa era ninguém é de conversa! Todo mundo já parte pra briga!
– Kagome, parece que vamos ter que subir...
A garota tateava a parede em busca de uma saída. Shippou pegou a folhinha do casaco e pôs em sua cabeça.
– Transformação!
E logo surgiu a bola rosa de grandes olhos em meio a muita fumaça.
– Sobe Kagome!
Enquanto subiam, a garota sentiu uma vibração no peito muito familiar.
– Shippou! Estou sentindo a presença de um fragmento!
– Tem certeza Kagome?
– Absoluta! E essa sensação... é o Kohaku! Rápido Shippou! Temos que chegar naquelas ruínas e procur...
Uma flecha quase os acertou antes que Kagome completasse a frase. A colegial olhou na direção de onde a flecha saíra e viu que se tratava de várias Nadeshikos.
– Shikigames!
Logo aqueles papéis ambulantes prepararam mais flechas. Shippou conseguiu atravessar o buraco com Kagome e ela pôde ver que estavam em menor número.
– Minha nossa! São muitos!
– Kagoooomeee!
Miroku e Sango, até na queda, caíram juntos. Mas Kirara se transformou e pôde salvar sua dona. O monge não teve a mesma sorte. Muita terra caiu sobre o rapaz, para desespero de Sango.
– Miroku! Miroku! Por favor! Cadê você?
Kirara farejava o chão. Soltou um miado e começou a cavar. Sango foi até ela e fez o mesmo. E para seu alívio, o monge surgiu no meio da terra, tossindo muito, sem fôlego.
– Cof! Cof! Cof!
– Miroku! Você está bem?
– Por um instante pensei que fosse o fim...
Sango ia dizer mais alguma coisa, entretanto, sentiu ALGO amaciando–lhe "aquela" região... A moça cerrou os punhos com raiva e acertou o rosto de Miroku com toda a sua força – que obviamente não era pouca!
– Eu não sei porque ainda me preocupo com você!!!
– Fácil... – disse o monge, esfregando o rosto – É porque você me ama... Bem que poderíamos aproveitar que estamos sozinhos e fazer o que todo mundo faria nessa situação...
– O quê, por exemplo? – disse a exterminadora, olhando de um jeito como se quisesse estraçalha–lo com o Osso Voador.
– Ora, Sango, mas que pergunta! É óbvio que é procurar a saída!
Sango, por um momento, ficou com cara de boba. Esperava outra coisa vinda do monge...
– Ah, olha só. Há um caminho por aqui... E está iluminado.
– Talvez seja outra armadilha. Por que não voamos para a superfície?
– Porque com certeza haverá mais armadilhas lá. E talvez se andarmos por este caminho, encontraremos alguma pista.
– Resumindo...
– Tanto em cima quanto em baixo há perigos a enfrentar...
– Não é uma situação muito boa.
– Há situações que são... – disse Miroku, suspirando. Sango não entendeu – Bom, mudando de assunto, o fato é que temos que seguir em frente.
E assim foi. Caminharam bastante, chegando a pensar que aquele era um labirinto sem fim. Mas uma energia estranha envolveu o local.
– Miroku!
– Sim, já vi! São shikigames!
Era uma espécie de exército. Só de shikigames de Nadeshiko.
– O que você vai fazer comigo? – perguntou Kikyou à mulher.
– Nada – respondeu–lhe Nadeshiko, indiferente.
Kikyou olhava para a flecha que quase a atingira. A energia que ela continha ainda estava lá. O que Nadeshiko fizera com aquela arma? A jovem pensava, tentando se lembrar de algo semelhante àquilo.
– O Lacre Proibido... – disse em alto em bom som para chamar a atenção da mulher.
– Ah, então você já ouviu falar?
– O lacre proibido é uma técnica onde se usa o sangue da sacerdotisa na ponta da flecha para poder lacrar um ser maligno. É proibida porque o sangue a ser usado deveria vir direto do coração e punha em risco...
– ...A vida de quem usava essa técnica. – completou Nadeshiko.
– Você queria fazer comigo o que fiz com Inuyasha?
– Errado. Primeiro porque você lacrou o corpo de Inuyasha. O fez dormir e apenas isso. A técnica do Lacre Proibido lacra a alma. E segundo, errei o alvo porque quis. Uma segunda morte sua não é algo que me interesse, por isso a flecha retirou apenas as almas dos mortos, que entreguei para os emissários do outro mundo.
Kikyou percebeu que alguns seres rodeavam Nadeshiko.
– O que é você?
A mulher permaneceu calada. Ela virou–se para Kohaku e estendeu a mão.
– Você será imprescindível na luta final que se aproxima. Mas antes você irá me ajudar.
– Pare! – gritou Kikyou – O que vai fazer?
Nadeshiko entregou para Kohaku uma espada.
– Vá! E não faça nada até segunda ordem!
– Não dê ouvidos a essa mulher, Kohaku!
– Não adianta Kikyou. Como você pode perceber, o fragmento reage na minha presença. A mente de Kohaku adormeceu, restando apenas a consciência da Jóia!
Kikyou tentava desesperadamente levantar. Ainda não tinha almas suficientes para se restabelecer.
– Você... tem poder sobre a Jóia? Como pode? Só se você fosse...
Um estalo surgiu nos pensamentos de Kikyou.
– Você... foi uma guardiã da Jóia de Quatro Almas!
– Errada de novo – disse Nadeshiko – Eu não fui uma. Eu fui a única!
OBS.:
1– Na verdade, a mais conhecida representação dos pontos cardeais é a chinesa, que é a que usei, porém com um diferencial: a lenda chinesa elege o tigre branco como representante do oeste. Entretanto, lendo mais sobre mitos e lendas, encontrei uma oriunda do Japão que traz a seguinte ordem: a ave de fogo do norte (conhecida como fênix, detentora da imortalidade, que ao morrer pelo fogo que causava, renascia das próprias cinzas), a raposa branca do sul (a raposa da neve, mais conhecida como yuki-kitsune), o dragão do leste (o dragão que traz a primavera e a fertilidade) e o cachorro sagrado do oeste (o cachorro guardião do vento). E pra não comprometer a história, pus o cão no lugar do tigre, hehehe...
2 – Essa é pra quem tem boa memória... É uma magia que se utiliza usando papel cortado na forma que quiser. Lembram daquelas duas crianças que andavam com a Kikyou na saga do último fragmento? São exemplos de shikigames...
NO PRÓXIMO CAPÍTULO:
A turma de Inuyasha segue lutando contra os shikigames de Nadeshiko. Esta por sua vez, faz revelações importantes para Kikyou. Já Sesshoumaru vai descobrir que a pessoa que ele segue, digamos, não é exatamente quem deseja... Mas depois de tudo acabado, a verdadeira Nadeshiko surgirá para iniciar a última batalha!
Até lá!
Angel–san
