9 - O desespero da solidão

Já era quase noite quando Sesshoumaru voltou para casa, estava cansado, pois além de ter feito a prova que durou cinco horas, também vagou pela cidade procurando um emprego.

O rapaz estava satisfeito, suas avaliações feitas sobre a prova concluíam que ele havia tirado uma boa nota, e também tinha encontrado um emprego, o qual ajudaria muito aquele momento.

Chegando em casa, foi direto para o banho, o qual foi consideravelmente demorado e relaxante.

Inu-Yasha que estava fora, chegou enquanto o irmão tomava banho, e quando este terminou, foi para a cozinha fazer um lanche, onde Inu-Yasha estava sentado à mesa comendo algo.

- Você estava em casa? – Perguntou ao irmão com surpresa.

- Acho que não preciso responder a essa pergunta idiota... – Sesshoumaru lançou um daqueles olhares costumeiros ao irmão, que sem dar importância aquele gesto continuou a conversa.

- Como foi na prova?

- Bem, caiu quase tudo que eu estudei durante esses dias.

- E quando sai o resultado?

Sesshoumaru preparou seu lanche a após isso respondeu a um Inu-Yasha sem paciência que o olhava um tanto irritado por ter que esperar pela resposta.

- Daqui a duas semanas...

- O que você vai fazer se não passar? – Inu-Yasha estava com um tom muito irônico na voz quando perguntou, o que o irmão identificou e com um olhar muito serio respondeu.

- A probabilidade disso acontecer é muito pequena, não sou como você, quando faço uma coisa tenho certeza que vou me "dar bem" no final. – Sorriu sarcasticamente, mas sem deixar a seriedade no olhar.

Inu-Yasha levantou-se mas logo o irmão foi lhe chamando a atenção.

- Vai estudando também, sua vez esta chegando, e é melhor começar logo, porque com seu pensamento lento, talvez as matérias tenham dificuldade de entrar nesta cabeça dura.

- Ora...

Inu-Yasha saiu da cozinha pisando afoito com o que o irmão lhe dissera, resmungando seguiu para o banho...

"- Ele gosta de fazer essas brincadeiras irritantes, mas não gosta que brinquem com ele." – Pensou Sesshoumaru em censura, maneando a cabeça e com um leve sorriso debochado nos lábios.

Ao terminar o lanche, Sesshoumaru foi para a sala e ligou a TV no canal de anime, acomodando-se no sofá.

... Ao sair do banho, o mais novo arrumou-se, e passou pelo irmão que o olhou curioso.

- Vai sair?

- Vou a um parque aqui perto, não quero ficar em casa hoje, parece que esta de mau humor...

- Eu não estou mal humorado, é você que não agüenta a resposta das brincadeiras idiotas que faz...

- Desculpe, mas você sempre parece rabugento, tem o temperamento e o humor idênticos aos do papai, - Disse seguindo para a porta onde parou para tocar a maçaneta. - estou indo, ate mais tarde. – Saiu fechando a porta atrás de si, deixando seu irmão pensativo.

"- Rabugento, ora como ousa falar assim de nosso pai... – A imagem do pai que havia se formado na mente do rapaz foi desaparecendo e uma outra surgiu no lugar, era graciosa e alegre, diferente do rude comportamento caudilho do pai

. - ... Rin porque esta me curando? Porque esta em meus pensamentos? Porque sua figura tranqüiliza meus perturbados pensamentos... meus sonhos..."

Aos poucos aquele pensamento tornou-se um sonho após o adormecimento do rapaz em frente à TV, que ainda passava seu seriado.

Foi vencido pelo cansaço e por pensamentos conturbados pelo passado, entregando-se em um profundo sono, onde rudes arames farpados tornou se finos fios de seda delicados.

- Kagome ande logo! – Apressava Rin já impaciente.

- Vamos Rin, estou pronta, Mamãe estamos indo!!

- Esta bem querida, vá com cuidado.

- Ja ne!!! – despediram-se em uníssono.

A caminho do parque, Kagome e Rin conversavam animadamente, e próximo do parque encontraram Sango e Miroku, que também iam para onde elas iriam, e seguiram juntos numa conversa muito animada.

Ao chegar no local, Ris muito alegre começou a saltitar na caminhada, e sem querer esbarrou num rapaz que praticava tiro ao alvo, que acertou o alvo, mas não o que queria.

- Desculpe... - Rin inspirou um pouco de ar. - esse perfume... Inu-Yasha é você?!!

- Rin-chan, esta sozinha!!?

-Não, estou com a Kagome, Sango e Miroku...

- Onde estão?

- Inu-Yasha!!! – kagome chamou alegremente.

Inu-Yasha, ia saindo do local, mas um homem de baixa estatura, e muito esquisito, o chamou de volta.

- Ei, garoto, o urso.

- Eu acertei, que azar. – Disse pegando o urso de má vontade.

- Que bonitinho Inu-Yasha, vai dar a sua namorada? – Perguntou Sango sob um olhar um tanto frustrado de Miroku.

Kagome olhou o rapaz, e sentiu um estremecimento estranho no coração quando ouviu a palavra "namorada."

- Não tenho namorada...

"- Não tem namorada, que bom... porque estou pensando isso!!" – Kagome pegou-se pensando naquilo, e nem percebeu que o rapaz estendia o urso para ela.

- Se não quiser vou jogar fora. – Chamou a atenção dela que ficou surpresa e corada.

- O que? Ah obrigada, é... lindo.

Sem graça Kagome começou a andar com o grupo, estava muito intrigada com o pensamento que viera em sua mente.

- Olha Miroku!! – Sango muito sorridente apontou a roda gigante.

- Sango, você quer ir? – Miroku estava com um sorriso muito malicioso que Sango logo percebeu.

- É melhor não, você é um pervertido, deve estar pensando em alguma sem-vergonhice...

- Não mesmo, vamos eu prometo me comportar.

- Eu juro que se tentar alguma coisa eu te jogo lá de cima.

Sango falou tão seria que uma gota desceu no rosto do rapaz, que sem graça dirigiu-se a Inu-Yasha.

- Inu-Yasha, porque não leva a Kagome também?

- Quer ir Kagome? – Foi à pergunta de Inu-Yasha a garota, que estava calada dês que recebeu o urso, e corada respondeu.

- Não posso deixar Rin sozinha...

- Pode sim Inu-Yasha, eu vou ficar aqui perto do pipoqueiro esperando.

- Mas Rin...

- Se você não quiser ir comigo, pode ir com a Rin, eu posso ficar aqui esperando sem problemas...

- Não mesmo, eu não vou subir naquela coisa. – Rin deu dois passos para trás, deixando claro seu medo de andar no brinquedo.

Kagome sorriu sem graça, e Inu-Yasha a olhou como num convite.

- Esta bem eu aceito, Rin, por favor, fique sentada neste banco ate voltarmos, não saia daqui, sabe que esta sem sua bengala, pode ser muito perigoso...

-Eu já entendi Kagome, pode ficar sossegada estarei aqui quando voltar.

Kagome ficou um tanto sem graça com sua superproteção à prima, e seguiu com Inu-Yasha para a fila, deixando Rin sozinha.

Passaram-se duas horas dês que Sesshoumaru havia dormido no sofá, e num comercial barulhento que passou na TV, ele despertou. Tinha dormido de mau jeito, estando, assim um pouco dolorido.

Levantou-se esticando o corpo num alongamento, após olhou o relógio de pulso ainda bocejando, marcavam oito e meia.

Como era muito cedo para dormir, arrumou-se e saiu sem rumo pela cidade. Dirigiu olhando cada canto para ver se encontrava um local bom para seu divertimento, mas nenhum o agradava. Foi assim por meia hora, ate ver ao longe a roda gigante do parque onde seu irmão havia ido. Acelerou o carro e seguiu para lá.

Na roda gigante, Kagome estava envergonhada, não dizia nenhuma palavra, pois Inu-Yasha a olhava insistentemente, ate que resolveu quebrar o silencio.

- Seu irmão, porque não veio?

- Estava cansado da prova que fez hoje.

- Ah...

- Porque esta com vergonha?

- Er... eu não estou...

Inu-Yasha aproximou-se, e desviou o olhar dela.

- Não... precisa ter vergonha de mim, não vou fazer nada que a deixe encabulada.

- Eu não disse que faria, é que eu...

- Você?

O rosto de Kagome ficou extremamente vermelho e ele arriscou o predicado da frase.

- ... nunca teve um namorado...

Kagome levanto-se muito vermelha e muito sem graça, mas Inu-Yasha segurou no pulso dela, que começou a tremer de nervoso.

- Sente-se, não precisa ficar com vergonha...

Kagome sentou-se novamente, e sem que ela esperasse, ele aproximou-se e rapidamente, antes de uma reação negativa da parte dela, deu um suave beijo, o qual não estava sendo correspondido.

- Kagome, os lábios, abra-os, me deixe beijá-los... – Disse com os lábios encostados aos dela, que ainda estava estática, mas a voz dele saiu tranqüilizante, e ela fechou os olhos e deixou ser beijada por ele, que não perdeu tempo.

Um barulho estremeceu a roda gigante, atrapalhando o beijo dos dois que olharam curiosos o lado de fora, onde do outro lado em outra cabine, um Miroku estava estatelado no chão da cabine onde estava com Sango.

- Eu disse para não fazer gracinhas, seu tarado pervertido!! – Gritou Sango com uma veia saltada na testa.

Kagome baixou o rosto e Inu-Yasha ficou em silencio. Nenhum dos dois comentaram nem disseram nada um ao outro sobre o acontecido.

Onde Rin estava, parecia tudo tranqüilo, ela estava atenta a ouvir vozes conhecidas.

Um grupo de três pessoas se aproximou para comprar pipocas, e viu a garota sentada perto de onde estavam.

- Kojiro, não é aquela garota cega do colégio próximo ao nosso?

- É ela mesma, vamos lá Ayume, e você também Kari...

Os três aproximaram-se da garota, que não identificou o perfume, nem os passos.

- E ai gatinha, o que esta fazendo aqui sozinha? – O rapaz chegou sentando perto de Rin e pondo o braço nos ombros dela.

- Não estou sozinha, meus amigos foram na...

- Kojiro, deixa essa cega por ai e vamos logo, quero ir à montanha russa ainda...

- Meu nome é Rin, e não cega! - Rin levantou-se falando num tom exasperado.

- O que importa, isso não me interessa nem um pouco – Falou Kari aproximando e pondo a mão, aparentemente amigável no ombro de Rin. – você para mim é uma inútil, só existe para ocupar espaço e atrapalhar as outras pessoas.

- Você tem razão Kari, eu sinto pena da Kagome, acho que ela nunca vai ter um namorado... – Comentou Ayume aproximando-se de Kojiro, que curioso levantou-se e foi para perto de Kari, que ainda tinha a mão no ombro de Rin, a qual estava com lagrimas corridas em seu rosto.

- E porque ela não arrumaria um Ayume? Ela é bonita, inteligente...

- Ora Kojiro, pelo simples motivo de servir de bengala para essa cega inútil, você acha que algum garoto vai conseguir se aproximar dela, tendo um permanente castiçal como este ai?

- Ih acho que além de cega agora ela ficou muda. – Comentou Kojiro, o que fez as duas garotas rirem.

Rin de repente pegou delicadamente o braço de Kari, que estava em seu ombro, e começou a andar para trás, ate encostar num muro, o qual ela começou a seguir tateando e se distanciando dos três, que a olhavam confusamente.

Logo, sem dar importância ao afastamento de Rin, os três saíram e foram em direção a montanha russa.

Rin, em passos apressados e tateando o muro, seguiu-o indo diretamente para o final deste. No final, não sentia mais a presença de pessoas só barulho de carro, poucos e ao longe. Ela estendeu as mãos para frente tentando encontrar algo para se guiar, indo diretamente para rua, que ao ouvir a aproximação de um carro parou, supondo que ainda estava na calçada. Rin ainda chorava muito, muitos soluços, aquelas palavras machucaram seus sentimentos.

De repente uma freada assustou-a fazendo com que ela desse um grito agudo, e logo caísse de joelhos no chão. O motorista, que estava de vagar por sorte, estava com os olhos arregalados, e muito assustado também. Ele saiu do carro e abaixou-se para falar com Rin que estava pálida tremendo muito, e de olhos arregalados como se procurasse a luz.

- Rin o que esta fazendo na rua, sozinha!!?

- Se... Sesshou...maru!?

- O que estava fazendo aqui sozinha, cadê a Kagome?

Rin estava em choque, Sesshoumaru pôde sentir a rigidez dos músculos da garota ao levantá-la, e abraçado a ela guiou-a ate seu carro.

- Calma, fique calma esta tudo bem...

Ele abraçou-a encostando o rosto dela em seu peito, que foi molhado com as lagrimas incessantes que saiam dos cegos olhos de Rin.

Ele abriu a porta do carro e sentou uma Rin que mais parecia uma boneca de plástico dentro deste. E logo após seguiu para o parque.

- Esta mais calma?

- Es...tou, um pouco...

- Então conte-me, o que houve com você?

- Eu estava... no parque perto do pipoqueiro... ai três pessoas vieram perto de mim e disseram que... que...

Sesshoumaru parou o carro em frente ao muro onde Rin se guiou, desligou o motor e virou-se para ela.

- Que?

- E...u sou uma invalida, inútil, que só sirvo para atrapalhar a vida da Kagome...

Sesshoumaru estreitou os olhos e formulou algo a dizer.

- ... Você sabe o nome dessas pessoas?

- ... Ayume... Kojiro e...

- Kari?

- Você os conhece?

-São de minha classe na escola, eu vou ter uma conversinha com eles depois...

Rin sem motivo aparente começou a chorar, fazendo Sesshoumaru preocupar-se com aquela crise de choro.

- Rin... você não é nada disso, você não é uma inútil, nem invalida...

- Eles estão certos, eu não sirvo para nada, eu nunca terei um namorado, e ainda atrapalharei a Kagome arranjar um...

Sesshoumaru arqueou uma sobrancelha, estendeu a mão e tocou o rosto molhado de Rin, que automaticamente cessou o choro e arregalou os olhos.

- Você é especial menina, não se sinta assim, eu sei – nesta hora ele começou a acariciar o rosto dela com o polegar – que todos gostam de você pela pessoa que é, e não por sua deficiência, você um dia vai encontrar alguém que...- o coração do rapaz acelerou e ele pode sentir um conforto muito grande tomando seu ser. - ... te ame e te faça muito feliz.

Ela abaixou o rosto saindo da caricia.

- Não precisa ter pena de mim, eu não gosto desse sentimento...

- Não estou com pena de você, eu...

- Você o que? – Um momento de silencio. – Esta vendo, todos tem pena de mim por eu ser assim...

- Meu silencio não quis dizer isso, meus sentimentos estão confusos...

- Mentiroso, você é como eles, parecem raposas, chegam de mansinho e quando menos esperamos dão o bote e...

Ele segurou na mão de Rin e apertou suavemente.

- Eu não senti pena de você quando te beijei...

- O... que...?

- Entende agora?

- Mas aquilo tem tanto tempo, e eu... não entendi o porque ter acontecido.

- Nem eu, eu não sabia o que estava fazendo...

- Não seja irônico, eu não sabia... – Começou enfatizando o pronome, mas logo se calou e ficou levemente corada.

"- Foi o primeiro beijo dela, mas ela me pareceu tão relaxada... geralmente as garotas ficam tensas nesses momentos..."

-Me desculpe se minha atitude a fez sentir-se assim, eu não quis que interpretasse minhas palavras como se estivesse com pena e sim como palavras amigas...

Rin surpreendeu-se com aquelas palavras, e o mais rápido virou o rosto em direção ao dele, e com um brilho diferente nos olhos, pois se a falar.

- Eu peço-lhe desculpas, me portei como uma criancinha e não percebi que só queria me ajudar, eu... sinto muito Sesshoumaru...

- Esta tudo bem. – Sesshoumaru desviou os olhos dos de Rin, os quais eram contagiantes e apoiou os braços no volante do carro.

- Kagome!!! Eu tenho que voltar para onde estava, se a Kagome não me encontrar vai ficar muito preocupada.

- Onde ela esta?

- Ela foi na roda gigante com seu irmão e a Sango e o Miroku também foram...

- Irresponsável!

- Não eu disse para irem, não quis atrapalhar a diversão deles.

Sesshoumaru desceu do carro e Rin fez o mesmo, e, tateando o carro foi para o lado de Sesshoumaru.

- Eu posso ficar junto com você? – Sesshoumaru perguntou, aproximando-se dela.

- Eu agradeceria, se ficar sozinha aqueles três poderão voltar...

- Quer que eu te guie? – Ele segurou suavemente na mão dela e pois sobre seu braço.

Os dois começaram a caminhar em direção ao parque, estavam em silencio, Rin estava ligeiramente corada, e ele tinha os olhos fixos em algum ponto do parque.

Sem perceberem passaram pelos três, Ayume, Kari e Kojiro, que olharam e sem piedade disseram ao longe para que Rin escutasse.

- Vejam só, a inválida arrumou outra bengala... – Ayume comentou ironicamente.

- Sesshoumaru, parece tão serio servindo de bengala para essa inútil, pensei que não se misturasse com esse tipo de gente. – Dessa vez foi Kari quem se pronunciou ofensivamente.

Sesshoumaru lançou um olhar gélido em direção aos três, mas Kojiro não se intimidou, aproximou-se e mais friamente comentou.

- Parece que você não sabe arrumar amizades, veja só o que conseguiu...

- Rin fique aqui, eu volto logo. – Sesshoumaru soltou o braço de Rin e foi em direção ao rapaz, que recuou ao ver a expressão assassina que o outro tinha.

As garotas ficaram assustadas, e afastaram-se de Kojiro que tinha ido para perto delas.

- Veja só o tipo de amizade que você arruma, quando precisa te deixa sozinho...

- Não preciso que garotas para me defenderem ou ajudarem...

O rapaz armou a defesa, os punhos cerrados na altura do peito, mas mesmo assim Sesshoumaru não se intimidou, parou frente a ele, olhou os punhos do rapaz com desdém e frieza.

Sem Kojiro esperar, Sesshoumaru agarrou no colarinho de sua camisa, que arregalou os olhos com a rápida reação de seu adversário.

- Não Sesshoumaru – Rin segurou no braço do rapaz que a olhou. – não faça isso, por favor, solte-o.

Ele olhou friamente ao rapaz que estava com os olhos arregalados, e olhava hora Rin hora Sesshoumaru.

Sesshoumaru soltou-o de uma vez, e sem dizer nenhuma palavra deu as costas e, segurando novamente na mão de Rin foi em direção a roda gigante, esperar que seus amigos terminassem sua diversão.

Finalmente o percurso de meia hora da roda gigante acabou, e uma vermelhíssima Kagome saiu do brinquedo, mas logo seu rosto voltou ao normal, ao ver Rin e Sesshoumaru juntos, e, de braço dados.

Inu-Yasha olhou a cena e ficou boquiaberto, pois viu em muitos anos de convivência com o irmão, sorrir apenas ironicamente, ou quando estava enfurecido.

Ele fez menção em ir ate onde os dois estavam, mas foi impedido por Kagome bem na hora em que Miroku e Sango saíram da cabine, onde uma curiosa Sango foi logo perguntando.

- O que houve Kagome?

- Olha só a Rin – começou ela – eu nunca a vi tão radiante, mais ate de quando ele a beijou... – Kagome rapidamente levou as mãos na boca, e todos a olharam muito curiosos.

Inu-Yasha que estava boquiaberto caiu, e foi um dos primeiros a entrevistar Kagome que estava estática com o que dissera.

- Sesshoumaru já beijou a Rin? Quando foi isso? Aonde foi? Ela esta... apaixo...

- Para!!! – Kagome irritou-se e deu as costas aos três curiosos, e começou a andar em direção ao pipoqueiro.

Inu-Yasha muito curioso estendeu a mão como se quisesse segurar Kagome, andando atrás dela dessa maneira ate chegar perto dela.

- Espere Kagome...

- Se começar a me encher de perguntas de novo...

- Se eu perguntar a ele, - indicou o irmão com o polegar – ele vai me surrar...

- Que tipo de irmãos são vocês? – Dessa vez foi Miroku quem perguntou, chegando atrás dos dois com Sango do lado.

- Sesshoumaru é um ogro quando quer, principalmente quando alguém comenta ou opina sobre a vida pessoal dele.

- Vamos, eu tenho que acompanhar a Rin, afinal ela é minha responsabilidade, e não de se irmão Inu-Yasha.

- Ei, não vai responder minhas perguntas?

Kagome sorriu radiante ao rapaz e deu uma resposta amigável, mas que fez com que ele congelasse.

- Pergunte ao seu irmão, ele tem as respostas...

Kagome foi para onde Rin e Sesshoumaru estavam , e antes de falar algo Sesshoumaru foi logo despejando sermões encima, não só de Kagome, mas também de seus outros amigos.

- Vocês são um grupo de irresponsáveis...

- Sesshoumaru, por favor, eles não tiveram culpa...

- Rin se eu estivesse um pouco mais rápido, teria ate matado você, e a culpa seria de quem a deixou sozinha para ser importunada...

- Matado, do que esta falando Sesshoumaru?

- Kagome, eu encontrei Rin na rua sozinha, e se eu estivesse com o carro um pouco mais rápido, ela estaria num hospital agora.

- Rin porque, você disse que ficaria me esperando...

Rin abriu os lábios para dizer o motivo, mas novamente Sesshoumaru entrou na conversa.

- Vocês conhecem aqueles três ali? – indicou os três ainda na fila da montanha russa.

- Sim, são os irmãos Kari e Kojiro, e a Ayume. – Respondeu Kagome confusa.

- Eles estavam dizendo que você é a bengala de uma invalida, inútil, entre outros nomes...

- Rin, me perdoe, Sesshoumaru tem razão, eu nunca devia tê-la deixado sozinha... – Kagome segurou nas mãos da garota que estava com a expressão um pouco triste dessa vez.

- Kagome, não posso ficar atrapalhando sua vida.

- Atrapalhar, você nunca me atrapalhou...

- Porque não tem um namorado? Por estar sempre cuidando dessa invali...

- Pare Rin, você não atrapalha minha vida, nunca atrapalhou, se eu não tenho um namorado é porque... ainda não encontrei a pessoa certa...

Rin fez cara de quem desconfiava de algo, pois não sentiu firmeza na resposta da Kagome, e um sorriso maroto passou nos lábios da garota, podendo ser percebido por todos.

Inu-Yasha estava um pouco tenso, pois o beijo que ele deu em Kagome revirou seus sentimentos, que agora estavam confusos.

Passavam das dez da noite quando uma bocejante Rin, que estava sendo guiada por sango, chamou a atenção de Kagome, que estava concentrada no enorme algodão doce que Inu-Yasha lhe dera.

- Kagome, Eu estou cansada, acho que vou embora...

- Rin, espere só mais um pouquinho, eu quero ir na montanha russa... – Pediu Kagome num tom que poderia ser comparado a de uma criança encantada por um brinquedo na vitrine de uma loja.

Rin suspirou cansadamente, e Sango ao ver aquela reação olhou a sentindo um pouco de pena no olhar.

Ao ver aquela reação Sesshoumaru fitou Sango que percebeu e o olhou, vendo depois que ele balançava o dedo indicador negativamente para ela com uma expressão seria no rosto.

Sango imediatamente entendeu o recado e ainda caminhando sentiu Rin parar no caminho.

- Eu quero sentar, estou com as pernas doendo...

- Kagome, eu vou levar Rin para casa, ela esta exausta, eu volto para cá depois para buscar meu irmao idiota, e te dou uma carona... – Pronunciou-se Sesshoumaru, que foi interrompido por Rin, a qual estendeu a mão e com o rosto ligeiramente corado acenou ao rapaz negativamente dizendo após.

- Não se incomode, eu posso esperar mais um... – deu um pesadíssimo bocejo continuando após - ... pouco ate Kagome ir na montanha russa.

Kagome olhou Rin, e viu que o cansaço da garota era visível a qualquer um, resolvendo assim ir pra casa, sem ir a montanha russa, a qual esperava por toda a semana.

- Vamos embora, ela esta realmente cansada... – Pronunciou-se Kagome determinada.

- NÃO!! – gritou Rin. – Eu não vou mais atrapalhar seu divertimento Kagome, você esperou por toda a semana para ir nesse brinquedo, e você não sai daqui hoje enquanto não ir.

- Mas Rin, você esta cansada...

- Kagome – Ela estreitou os olhos aparentemente com fúria neles. – a partir de amanha, eu não saio mais de casa sem minha bengala, não quero que me guie mais, não quero que vá me buscar na escola, vou caminhar com minhas propias pernas, e se tentar me seguir vou saber, pois conheço o som de seus passos... e tem mais, e a proíbo de ficar me paparicando...

- O... que esta dizendo Rin, eu...

- Chega Kagome, esta na hora de ter sua vida. Você tem que viver, e eu não estou deixando isso acontecer – Kagome baixou o rosto, e de seus olhos duas lagrimas saíram. – você é jovem demais para ficar com uma responsabilidade dessas...

- Rin, eu gosto muito de você e não quero que fique sozinha...

- Esta com medo de não sermos mais amigas, se for isso, esquece...

Todos, inclusive Sesshoumaru olhava boquiaberto a maturidade com que Rin falava, coisa que não aparentava ter, pois sua figura era delicada como a de uma menina de treze anos.

- Eu sei Rin, mas você nem sabe voltar pra casa sozinha... e...

- Eu sei sim, mas se não soubesse aprenderia, agora fique ai na fila que eu vou me sentar la naquele banco perto do pipoqueiro, e não chore, e não adianta dizer que não esta chorando pois sei que esta.

- Quer que eu te leve lá Rin-chan? – Sango perguntou com um olhar bom humorado.

- Não precisa, ele esta bem aqui em frente, sei por causa do cheirinho de pipoca... – Sorriu alegre, mas cansadamente.

O grupo viu ela se afastar, com as mãos pouco estendidas, e logo encontrar o citado banco.

Continua...


N/A: Olá...

tchau!!

Ate a próxima