10 - Dois corações apaixonados, porém separados pela distância
Uma fila enorme se formou atrás do grupo, todos ansiosos, inclusive Kagome, mas percebia-se uma preocupação em seu olhar.
Sesshoumaru se afastou, e desapareceu na multidão, depois que Rin saiu de perto do grupo, mas o restante do grupo permaneceu ansiosos na fila.
"- Não quero mais atrapalhar a vida de ninguém, vou ser independente..."
- Vou ser independente de verdade! – Pronunciou em voz alta, mas em tom baixo.
- Esta falando sozinha garotinha?
- Você! – Rin estreitou os olhos, o que foi percebido por Sesshoumaru, que chegou no momento da frase pronunciada. – Não venha me provocar ou...
- Ou o que? – a voz do rapaz saiu em tom de deboche, o que pode ser percebido pelo ouvido apurado de Rin.
- Ora, esta me deixando brava de verdade...
- E o que você faria se eu não parasse de te chamar de ga-ro-ti-nha? – falou pausadamente, fazendo Rin ficar vermelha de tão furiosa.
A garota levantou-se abruptamente, pondo-se a frente do rapaz, que continuou com a expressão passiva, olhando profundamente nos olhos da garota, os quais estavam muito estreitos.
- Você, é um grande idiota, - disse tocando o peito dele com o dedo indicador, num gesto de acusação. – não entende que eu detesto apelidos, e um dia quando voltar a enxergar, vou olhar dentro de seus olhos e dizer com muita raiva o que estou pensando neste momento de sua pessoa...
- Isso é para eu ficar com medo? – Ironizou o rapaz, percebendo que Rin estava a ponto de gritar, de tão brava que estava.
- Não-brinque-co-mi-go seu... seu...
- Idiota? - ele completou, em uma pergunta sarcástica.
- CRETINO, PARE COM...
Sem Rin esperar, Sesshoumaru a puxou pela cintura, e calou sua boca com um beijo, fazendo ambos os corações acelerar, mas Rin tentou se desvencilhar dos braços do rapaz, que a abraçava com força, mas delicadamente. Repentinamente ele a soltou e ela afastou-se quase caindo, levando as mãos nos lábios.
- Por... porque fez isso?
- Acho que precisa aprender a controlar esse seu gênio.
- O que?
- Você fica nervosa fácil, e se quer andar sozinha por ai, vai ter que aprender a ser mais controlada.
- Não mude de assunto, porque me beijou?
- Não sei, mas acho que você esta beijando melhor que da outra vez...
Rin deixou o corpo cair no banco, e ficou vermelha ate a raiz dos cabelos, a voz travou na garganta, ficando um pouco sem ar com aquela reação.
- Você esta bem? – Ele perguntou sentando-se ao lado dela, e a olhando atento.
Um tempo depois, Rin séria sentou-se reta no banco, e virou o rosto em direção onde o rapaz, ainda a olhando, estava.
- Nunca mais toque em mim, não se aproxime de mim...
- Não posso?
- Porque não pode?
- Moramos no mesmo bairro, nossas escolas são próximas e...
- Escute bem, Sesshoumaru, estou falando sério, nunca mais chegue perto de mim, - Rin estava com o coração a ponto de sair voando do peito, de tão rápido que batia. – Esqueça que eu existo esta bem.
- Tome, eu peguei isso para você. – Ele estendeu um urso e pois nas mãos dela. – É rosa, sei que gosta dessa cor...
- Por favor, faça o que te pedi... – Rin abaixou o rosto, e após deu as costas ao rapaz, que se levantou, e antes de partir disse a ela.
- Tudo bem, eu não vou mais chegar perto de você, espero que não esteja magoada comigo, depois que a conheci direito, passei a ter um... carinho especial por você...
Após dizer isso ele se afastou, a deixando sozinha.
- Não posso, não posso... – falou numa voz fraca e baixa, apertando o urso contra o peito, sentindo lagrimas escorrerem de seus olhos.
"- Droga, estou apaixonada por ele, meu coração esta batendo rápido, mas eu não posso atrapalhar a vida dele como atrapalhei a de Kagome ate hoje. Tenho que esquecê-lo... eu preciso esquecê-lo..."
Distante dali, em seu carro, Sesshoumaru, estava, nervoso, com gestos exasperados.
"- Que droga, porque me trata assim, me ignora... e – controlou a tensão neste momento, passou a mão nos cabelos e olhou para fora do veiculo. – porque estou tão nervoso por causa disso, por causa dela? – Apoiou o braço na porta do carro ainda com o olhar fixo para o lado de fora do carro. Sentiu um vento gelado passar, desarrumando os cabelos longos dele. – Estou... Não isso não pode ser, depois que Kagura me deixou, determinei em minha vida que nunca mais sentiria isso por mais ninguém. Não quero me envolver com mais ninguém, não quero mais... sofrer por mais ninguém."
Ligou o carro, e encaixou a marcha ré, manobrando o carro em seguida. Olhou o relógio no painel do carro, e de vagar e parou em frente a entrada do parque, desligou o motor e saiu, caminhou ate onde o grupo de amigos despediam-se. Rin estava junto com Kagome, e ao terminar de despedir-se de Miroku, Sango e Inu-Yasha, também despediu-se de Sesshoumaru. Rin fez o mesmo, mas ignorou a presença do irmão de Inu-Yasha, deixando claro para ele que realmente ela não o queria por perto.
O grupo de amigos se separou, indo cada um para suas respectivas casas.
- Rin, porque não se despediu de Sesshoumaru?
- Kagome, por favor, nunca mais pronuncie este nome perto de mim.
Kagome arregalou os olhos e olhando Rin, surpreendeu-se com o que ela disse após.
- Ele é um homem muito gentil, carinhoso, mas não quero mais ouvir falar dele ou o nome dele e, por favor, não pergunte o porquê. – Rin deu um sorriso muito sem graça, deixando claro a Kagome que ela estava muito triste com o que aconteceu entre os dois.
Elas continuaram o percurso para casa num silencio mortífero, comum entre duas garotas que tiveram suas vidas mudadas em questão de horas.
- Esta preparada para amanha? – Kagome quebrou o silencio, quando faltava alguns metros para chegarem em casa.
- Estou... acho que vai dar tudo certo. – respondeu Rin em tom meio receoso.
- Mas amanha eu vou ter que ir te buscar na escola, para irmos ao doutor...
- Eu sei, ele recomenda tanto para que me faça companhia, chega a irritar as vezes.
Kagome abafou um sorriso na mão, e ao chegarem, ao pé da escadaria, começaram a subir, Rin amaldiçoou as escadas em pensamento, por estar exausta daquele dia.
Ainda na estrada, os irmãos estavam mergulhados num silencio pior do que o das garotas, Inu-Yasha estava se roendo de curiosidade, sobre o beijo que Kagome mencionou, e de vez em quando fazia um gesto de quem ia perguntar algo, mas desistia ao ver o rosto sério do irmão, ate que...
- Inu-Yasha, parece que esta querendo me dizer algo, o que é?
- Nada... – o rapaz se encolheu no estofado do veículo ao perceber um pouco de irritação na voz do irmão.
- Fala logo, antes que eu me irrite ainda mais do que estou.
- Kagome mencionou uma coisa sobre... você, e eu fiquei um pouco curioso.
- E o que foi que ela disse?
- Prefiro não comentar, ou você vai querer me agredir...
Sesshoumaru agarrou o colarinho do irmão, com a mão que antes passou a marcha do carro, e puxou-o para perto de seu rosto, fazendo-o olhar nos olhos.
- Fala logo, ou eu te jogo pelo para brisas.
- Calma, eu direi se soltar minha camisa, esta... me sufocando...
O rapaz soltou o irmão, e logo após passou outra marcha, seguindo caminho pela estrada escura.
- Ela disse que... você... beijou a Rin...
- E?
- Como assim "e?"
- Eu a beijei sim, no mesmo dia em que te dei aquele soco, e beijei hoje também. Esta satisfeito seu enxerido?
Inu-Yasha arregalou os olhos, e não comentou, por segurança.
Ao chegarem em casa, os rapazes, um de cada vez, tomaram um banho, após foram dormir.
De madrugada um vento gélido entrou pela janela do quarto de Sesshoumaru, que estava quase todo descoberto, o fazendo acordar. Muito irritado levantou-se, e, como costumava dormir nu, foi ate os pés da cama para pegar seu roupão, mas estranhamente, não estava lá.
"- Mas que (censurado) , cadê meu roupão, será que aquele idiota do Inu-Yasha pegou. Mas se ele fez isso, vai acordar apanhando."
Furioso, o rapaz foi ate o quarto do irmão, mas não o encontrou na cama, confuso, foi ate o outro lado da cama e viu Inu-Yasha dormindo no chão, também nu, encoberto por um lençol fino.
" – Ele não pegou, será onde deixei?"
Deu as costas ao irmão, mas antes de começar a andar de novo, o olhou novamente, e viu que ele estava sentindo frio, pois estava com a pele arrepiada.
O mais velho foi ate o armário do irmão, e pegou um cobertor, e quando puxou-o, alguns pedaços de papel caíram, Sesshoumaru olhou curioso aquilo, e depois de cobrir o irmão, pegou algumas partes e viu que eram de uma fotografia, onde ele e a ex-namorada estavam abraçados. Também tinha uma carta, que ele ainda curioso abriu e leu o conteúdo, que dizia:
" Seja feliz com sua nova família, como você eu também vou ser, pois encontrei alguém para faze isso, que além de ser muito bonita, tem um coração muito bom...
Obrigado por ter me ensinado "aquilo".– Sesshoumaru riu e olhou para o irmão que ressonava no chão do quarto. – Apesar de ter sido você a causadora de todo o meu sofrimento, eu te perdôo, e quero que realmente seja muito feliz, porque eu realmente te amei, e talvez ainda amo, não sei.
Adeus kikyou...
"- Por isso que ele era tão apaixonado por ela, foi sua primeira mulher. Pelo menos agora ele esta esquecendo dela – Ajeitou a carta no envelope, e colocou no armário novamente junto com os pedaços de fotografia. – espero que cresça agora..." – deu mais uma olhada no ressonante irmão e maneou a cabeça negativamente, saindo em seguida do quarto.
Voltou a procurar o roupão, e o achou no banheiro, levou-o para o quarto e depois de fechar a janela, olhou seu armário por alguns segundos, foi ate ele e pegou uma pequena caixa, sentou-se na cama e a abriu.
"- Pai..." – Pensou ao olhar a imagem do seu pai na fotografia.
Outras foram vistas por ele, as vezes dava um sorriso outras vezes ficava muito sério, ate chegar a que queria.
- Esta aqui... – falou com uma voz baixa, que pareceu chateada.
Olhou a imagem da mulher ao lado dele, ambos sorriam e ele estava com a mão no ventre dela, indicando que ele fazia carinho ali no momento em que tiraram a foto.
"- Ela me enganou, o filho não era meu..."
Repentinamente rasgou a imagem em vários pedaços e jogou no lixo, e após guardar as outras fotografias, deitou-se, e olhando para o teto pensou.
" – Ora de esquecer o passado, vou fazer como meu irmão, vou seguir a vida, e não vou desistir dela... hã? – Ele arregalou os olhos dourados e sentiu o coração pulsar mais forte. – No que estou pensando? – Fechou os olhos, enrugando a testa como numa repreensão a si próprio. – Não vou mais fugir, não sou um fraco, estou apaixonado pela Rin, - Abriu os olhos e virou de lado, fixando o olhar em algum ponto do quarto. – não vou ficar me enganando..." – O sono caiu em seus olhos que lentamente se fechou, entregando-o no mais profundo adormecimento.
O dia se passou tranqüilamente, e após as aulas, Rin segurando sua bengala seguiu para o colégio de Kagome, que sairia um pouco mais tarde aquele dia, questão de dez a vinte minutos.
Sesshoumaru já tinha saído, e quando caminhava em direção ao carro, passou por Rin, que sentiu o coração acelerar quando o perfume conhecido dos cabelos de Sesshoumaru invadiu seu sentido.
Ele não falou com ela, como ela havia pedido, mas ao chegar em seu destino, observou a figura delicada da garota cega parar em frente ao colégio onde estudava.
Algum tempo depois, Kagome saiu na companhia de Inu-Yasha e seus outros dois amigos.
Despediram-se, e elas seguiram para o hospital junto com Sango e Miroku, onde Rin faria a biópsia.
Algumas horas depois, no hospital...
- Rin, você vai ficar sonolenta, e eu vou mexer...
- Doutor Akitoki, eu sei qual é o procedimento, eu só quero saber logo o resultado desse exame...
- Esta bem então relaxe, eu vou aplicar o anestésico no local...
Depois da biópsia, Rin estava um pouco embriagada por causa dos efeitos do anestésico. Kagome a levou para junto de Sango e Miroku, após foi conversar com o doutor.
- Kagome, fiz uma radiografia dela, e os resultados foram... péssimos. – Kagome boquiabriu, e os olhos encheram de lagrimas. – O nódulo careceu consideravelmente, e tudo indica que realmente é um câncer, falta saber se é maligno ou benigno.
- Então... a cirurgia será necessária?
- Será, eu não quero arriscar com uma quimioterapia, eu vou tirar logo isso dela. Não se preocupe vai ficar tudo bem... – O medico pousou a mão no ombro de Kagome que estava com lágrimas escorridas no rosto.
- Eu quero acreditar nisso...
-Assim que sair o resultado eu ligo para vocês e agendo a cirurgia, e por favor, cuidado ao falar com ela sobre isso, ela me pareceu triste hoje.
Kagome confirmou com a cabeça, saindo do consultório depois.
Como Rin estava sonolenta, Miroku levou-a nas costas ate em casa, onde ela repousou por longas horas.
Ao acordar, Rin sentou-se na cama, e sentindo uma leve dor de cabeça, resolveu ir a sala, onde provavelmente a família estaria.
- Rin, você acordou, como esta se sentindo?
- Bem titia, e a Kagome, onde esta?
- No quarto, eu vou chamá-la...
Após Kagome descer as duas sentaram-se com Rin e tiveram uma longa conversa, Rin não ficou preocupada, e saiu tranqüilamente, voltando ao seu quarto.
Um tempo depois Kagome foi ate lá, e suavemente bateu na porta.
- Entre...
- Rin!! O que houve, porque esta encolhida ai?
- Kagome – a garota levantou e foi para a cama, fazendo Kagome sentar-se perto dela. – eu vou morrer né?
- Não, claro que não...
Rin baixou o rosto, mas não chorou.
- O que esta acontecendo Rin, você anda triste desde ontem, o que foi que ele te fez?
- Ele... me beijou de novo Kagome, mas agora eu percebi que...
- Você esta apaixonada por ele não é? – Kagome sorriu, mas logo o sorriso se desfez ao ouvir o que Rin disse.
- Estou, mas quero que ele fique bem longe de mim?
- Por quê?
- Eu não quero dividir minha dor com ninguém, quero esquecê-lo, e tentar viver o resto da vida só, pois não quero ninguém sendo chamado de bengala de novo, e depois sei que ele nunca iria querer alguém com defeito.
- Rin você esta tirando conclusões precipitadas. - Kagome repreende-a.
- Kagome olhe para mim, eu sou cega, e nem sei se vou conseguir viver depois da cirurgia!
- Kagome telefone. – gritou a mãe da sala.
- Pare de pensar nessas coisas, eu não quero ouvir isso nunca mais, entendeu?
Kagome deu as costas, e quando fechou a porta, Rin levantou-se e pegou sua maquina de escrever – em braile – e começou a digitar uma carta.
Ao terminar, segurou-a firme contra o peito, e depois guardou dentro do livro que lia já algum tempo.
- Alô... Sesshoumaru...?
- Eu liguei para saber como a Rin esta?
- Ela esta bem...
- E os exames?
- Amanha conversamos, não quero comentar isso por telefone...
- Estou indo para ai, me espere no fim das escadarias...
- Mas...
O rapaz desligou, e Kagome confusa olhou a mãe.
- O que houve Kagome?
- Um amigo meu, o Sesshoumaru, esta querendo saber como Rin esta...
- Que bom...
- Ele esta vindo para cá, eu não entendi.
Algum tempo depois, Kagome estava com o rapaz que sério como sempre convidou-a para ir a uma lanchonete, onde poderiam conversar mais a vontade, e ela aceitou um pouco desconfiada.
- Espero que não tente mentir para mim.
- O que quer saber?
- Quero saber como ela esta.
Kagome baixou o rosto, e começou a contar ao rapaz.
- Ela esta com um câncer no olho esquerdo, e vai ter que fazer a cirurgia para retirada...
- Kagome, eu estou apaixonado por ela, não sei como começou isso mas...
O queixo de Kagome caiu, e com os olhos estreitos pronunciou-se.
- Não esta mentindo?
- Não. Ela quer que eu fique longe dela, e eu não vejo motivos aparentes para isso, e como você a conhece dês de criança pensei que pudesse me explicar.
- Ela esta com medo de ser rejeitada por ser cega e... – parou de falar ao ouvir o celular tocando. – Só um momento... oi mãe?
- Kagome, eu estou no hospital, poderia vir para cá...
- O que aconteceu mamãe? – A voz dela saiu trêmula e nervosa.
- A Rin passou mal, venha para cá, e eu explicarei tudo.
- Já estou indo. – desligou o aparelho e levantou-se rapidamente.
- O que aconteceu?
- A Rin passou mal, esta no hospital, eu vou pra lá agora...
- Eu te levo.
- Esta bem, então vamos...
Chegando ao hospital Kagome viu sua mãe conversando com o médico, ela se aproximou rapidamente, mas ao chegar perto o medico seguiu para as escadas que davam acesso ao setor de cirurgias.
- O que aconteceu mamãe, o que houve com a Rin?
- Ela vai ter que ficar internada...
- O que aconteceu? – Sesshoumaru perguntou um pouco nervoso com aquelas repetitivas respostas.
- Ela estava no quarto ai de repente desceu as escadas com a mão no olho esquerdo, as mãos dela estavam cheias de sangue, parece que algum vaso sanguíneo arrebentou com a pressão que o tumor estava fazendo.
- E agora mamãe? – Kagome começou a chorar e abraçou a mãe.
- Agora ela vai ter que fazer a cirurgia, neste momento, o doutor Akitoki esta operando ela.
Um tempo depois, quando tudo se acalmou...
- O que vai acontecer depois mãe?
- Não sei filha, teremos que esperar.
- Ela já sofreu tanto, porque isso agora. Ela estava tão deprimida hoje, e me disse que nem sabia se ia sobreviver à cirurgia, estou muito preocupada.
Na sala de cirurgia...
- Doutor Akitoki, o nervo óptico...
- Não será necessário cortá-lo, o tumor esta alojado fora do alcance dessas partes...- Após a retirada do tumor, o medico limpou o local e deu a ordem aos companheiros na sala de cirurgia. - Agora é só suturar, trabalhem meninos, e faça um bom trabalho, não quero o rosto dela com cicatrizes assustadoras.
Após terminar, o doutor desceu as escadas e foi conversar com a família.
- Senhora Higurashi, Kagome...
- E então? - Rapidamente levantaram-se. Sesshoumaru se aproximou para ouvir a conversa.
- Correu tudo bem, eu retirei o tumor, estava quase do tamanho do olho dela, e uma ótima noticia, não estava sob o nervo óptico, ela voltara a enxergar com o olho esquerdo.
- Doutor, gostaria de fazer uma pergunta, e queria que o senhor respondesse sinceramente...
- Kagome quando foi que eu menti para vocês?
- Kagome, ele tem razão... – Comentou a Senhora Higurashi, olhando a filha.
- Queria saber... Doutor, se ela realmente vai voltar a enxergar um dia?
O medico juntou as mãos, e deu as costas as duas, que se entreolharam.
- O senhor não sabe não é? – Dessa vez foi Sesshoumaru quem perguntou, olhando o medico com uma frieza que o deixou congelado.
- Eu... tenho quase certeza que... esse problema de visão dela é psicológico... – Respondeu o medico, sentindo-se pressionado.
Ele caminhou ate perto de Kagome, e olhou nos olhos da garota.
- Talvez seja necessário que consultem um psicólogo e...
- Como esse problema dela pode ser psicológico, ela é cega dês dos cinco anos de idade, eu acho que se fosse mesmo um problema assim, ela já teria se recuperado nesses doze anos não acha?
- Sesshoumaru, esta sendo muito enérgico... – Kagome repreendeu-o mas este continuou.
- Parece mais enganação, acho que ele realmente não sabe o porquê de Rin ser cega. – Ele virou as costas e caminhou ate a entrada do hospital.
- Meu jovem, quem é você para questionar minha avaliação?
- Eu? – ele virou e apontou para si. – Sou alguém quem aquela garota que esta lá em cima na sala de cirurgia viu em um flash de visão; - Ele caminhou ate o medico e o olhou nos olhos de um modo que o deixou estático. – Eu acho que esta mentindo para a família de Rin, – Ele estreitou os olhos, e uma gota desceu no rosto do doutor Akitoki. – e se eu fosse da família dela o processava...
O medico suspirou fundo, e começou a andar de costas, mas logo se virou e subiu para onde Rin estava.
Sesshoumaru caminhou ate um banco e sentou-se.
- Como pode dizer aquilo ao doutor Akitoki, ele cuida de Rin dês que ela sofreu o acidente... – Kagome andou ate ele falando friamente, o que não fez a expressão impassível do rapaz mudar.
- Então esta na hora de consultar a opinião de outro medico, não acham?
- Kagome... talvez seu amigo tenha razão...
- Mas mamãe...
- Kagome ate sua mãe esta vendo o óbvio, eu acho que você é mais cega do que a Rin, pois não enxerga as coisas que estão a milímetros de seu nariz.
Kagome se irritou, e saiu de perto do rapaz, sentando se bem longe. A mãe da garota sorriu um pouco sem graça, e sentou-se perto do rapaz que sem nenhum sentimento notável na expressão, não mais falou.
Duas horas depois da cirurgia, finalmente Rin foi para o quarto, onde pôde receber as visitas de Kagome e sua mãe. Sesshoumaru ficou do lado de fora do quarto esperando pelas duas.
- É estranho ela estar aqui de novo...
- Porque diz isso mamãe?
- Quando eu soube que ela ficou cega por causa do acidente, ela estava neste quarto...
Rin começou a se remexer no leito, e vagarosamente abriu o olho sem o curativo, bem na hora em que Sesshoumaru entrou e a olhou.
" Sesshoumaru, você... é diferente do que eu toquei, do que eu vi com as mãos, tem um olhar tão penetrante..."
Ela estendeu a mão que estava com o soro na direção do rapaz; Kagome e a mãe ao ver aquele gesto arregalou os olhos e se entreolharam.
- Ses...shoumaru...
Ele chegou mais perto e olhou com atenção no olho direito da garota, que fitava todos os movimentos que ele fazia.
- Rin, você consegue me ver?
- Mamãe!!! Ela esta...
Sesshoumaru aproximou-se do rosto da garota e tocou-o com a mão, mas logo ela adormeceu por causa dos efeitos do anestésico.
O medico chegou repentinamente, chamado por Kagome.
- O que aconteceu?
- Doutor ela ... enxergou, eu tenho certeza, acompanhou os gestos de Sesshoumaru...
O medico olhou incrédulo aos três, após pegou sua lanterna abriu o olho de Rin e colocou a luz, e viu que a pupila se retraiu com a luz, uma reação de quem enxerga...
- Temos boas noticias, talvez ela esteja curada da cegueira quando acordar...
- Esperamos por isso doutor... – Sesshoumaru deu as costas a todos presentes e saiu do quarto.
No dia seguinte, Rin ainda não tinha recobrado a consciência.
- Kagome eu soube que a Rin foi operada, o que houve?
- Foi sim Sango, o tumor no olho esquerdo dela fez pressão e uma veia se rompeu, ela foi operada as pressas ontem.
- E você conta isso com essa naturalidade, parece ate estar feliz por isso.
- E estou Sango, ela enxergou ontem, e o medico disse que as chances dela recobrar a consciência e estar enxergando são grandes...
Uma mão um tanto pesada pousou no ombro de Kagome forçando-a olhar o dono dela.
- Não conte com isso Kagome, aquilo pode ter sido por causa da anestesia...
-Ei Sesshoumaru, não seja pessimista. – dessa vez foi Inu-Yasha quem falou, repreendendo-o ao ver a expressão triste de Kagome.
Ele fechou os olhos e após olhou o irmão.
- Idiota...
Miroku que tinha acabado de chegar olhou para Inu-Yasha e depois para Sesshoumaru dizendo.
- Com certeza, dessa vez tenho que concordar com você Sesshoumaru, seu irmão é um grande idiota...
- Ei porque eu sou um idiota Miroku?
Miroku passou um braço pelo ombro do amigo, e suspirou.
- Como você pôde dizer não para aquela princesa da Yura, se fosse eu...
Parou de falar ao receber um olhar muito assustador provindo de uma Sango enfurecida.
Inu-Yasha tirou a mão de Miroku de seu ombro, e com os olhos fechados concluiu numa frase o motivo de ter dito não a garota.
- Eu gosto de uma pessoa, e não gosto de me enganar namoricando com uma ou outra.
Sesshoumaru olhou o irmão sério, maneando a cabeça depois.
- O que foi agora, porque sou um idiota dessa vez?
- Cala a boca, eu não falei nada...
- Mas pensou.
Sesshoumaru arqueou as sobrancelhas após levou a mão no rosto maneando a cabeça negativamente novamente.
Frustrado com aqueles gestos do irmão Inu-Yasha saiu de perto do grupo e seguiu sozinho em direção ao ponto de ônibus.
- Onde vai Inu-Yasha? – Perguntou o irmão mais velho.
- Vou para o hospital ver Rin-chan.
Ele suspirou fundo, e dando as costas ao irmão seguiu para o estacionamento.
- Vamos também, só que de carro, ate lá – Sesshoumaru olhou para traz com uma expressão divertida no rosto, ao ver irmão boquiaberto. – I-D-I-O-T-A...
- Espere ai, eu também vou...
- Não, vá de ônibus não cabem os cinco no carro, a não ser que queira ir na mala. – Sesshoumaru deu um sorriso travesso, após virou-se e continuou andando.
Inu-Yasha, muito revoltado deu as costas ao irmão e bem na hora um ônibus passou, ele então embarcou neste e seguiu para o hospital um pouco invocado.
- Porque você trata seu irmão assim Sesshoumaru? – Kagome curiosa perguntou, com um olhar igualmente curioso.
- Ele precisa crescer, tem a mente muito infantil...
A caminho do hospital, Sesshoumaru permaneceu calado por todo o percurso, e Kagome de vez em quando olhava para o rapaz, dando um suspiro seguido de um sorriso camuflado em sua mente.
"Um homem serio como ele, apaixonado, parece estranho..." – Esse pensamento residia na mente de Kagome, mas um outro já tinha se apossado não só da mente, mas também de um pouco do coração da garota.
No hospital, o doutor Akitoki, estava medicando Rin, que começou a acordar...
- Kagome...
- A Kagome ainda não chegou Rin, agora não abra os olhos por favor, eu coloquei um remédio neles, e vai ter que os deixar assim por doze horas. Como esta se sentindo?
- Um pouco estranha...
- Me refiro a dores, esta sentindo alguma dor?
- Não...
- Que bom, eu vou colocar uma faixa em seus olhos, não se mexa por favor, para ficar bem fixo.
- Esta bem.
Ao terminar o medico desceu, e na recepção do hospital encontrou Kagome e os outros amigos de Rin, que esperavam para visitar a garota na enfermaria em que ela estava.
- Boa tarde jovens.
- Boa tarde doutor... – Saudou Kagome reverenciando o medico que sorriu aos presentes.
- Eu sinto dizer mas, só poderão entrar duas pessoas de cada vez... – uma enfermeira anunciou ao grupo de amigos, que combinaram duplas para entrar.
A primeira dupla foi Sango e Miroku...
- Tentem não fazê-la falar muito, por favor. – pediu o medico sorridente ao casal que entraram no quarto onde Rin estava.
- Esse medico é estranho não acha Miroku? – pronunciou Sango desconfiada.
- Porque esta dizendo isso Sango?
- Não sei, ele é esquisito...
- Sango? – Rin estendeu a mão procurando por Sango que sorriu para o namorado e segurou na mão da garota.
- Rin-chan, você esta bem? – Miroku perguntou abraçando Sango, que deu um beijo carinhoso no rosto de Rin que sorriu.
- Estou sim, parece que agora tenho mais esperanças de voltar a enxergar...
- Que bom Rin-chan, estamos muito felizes por você estar se recuperando bem... agora tente não falar muito ta, o medico pediu, acho que deve repousar... – Sango, acariciava os cabelos da garota, que quase dormiu com a caricia.
Alguns minutos depois, o casal saiu do quarto dando espaço para Kagome e Inu-Yasha entrarem.
Kagome ficou muito confusa ao ver Rin com os dois olhos enfaixados, pois se ela só tinha operado um.
- Rin, o que aconteceu com seu olho direito?
- Eu não sei... quando estava acordando esta manha, o doutor pediu que eu não abrisse os olhos, pois tinha posto um remédio... depois colocou isso, disse que o remédio iria agir em doze horas, mas meus olhos estão doendo um pouco...
- Quer que eu chame o doutor Kagome? – Perguntou Inu-Yasha um pouco preocupado.
- Não se incomode Inu-Yasha, eu sinto essa dorzinha toda vez que ele põe remédios nos meus olhos... – Esclareceu Rin, deixando Kagome muito curiosa com aquilo.
- Você já disse isso a ele Rin, talvez esse remédio não esteja te fazendo bem... – Kagome rebateu com uma ponta de desconfiança, pois lembrou do que Sesshoumaru havia dito ao medico.
- Eu disse, mas ele diz sempre que esse remédio é para não deixar que meus olhos fiquem danificados, eu não entendo o porquê ficariam, mas eu confio no doutor Akitoki...
- Danificados? Estranho não acha Kagome?
- Inu-Yasha tem alguma coisa muito estranha acontecendo...
- Kagome, eu já disse não se preocupe, eu estou bem, e... – pode ser ouvido um tom de muita tristeza na voz de Rin neste momento, e Kagome ficou atenta pois sabia que a garota diria algo muito ruim. - ... eu tive a certeza de que eu não vou mais voltar a enxergar...
- Rin-chan... – Inu-Yasha olhou a garota e após Kagome que deixou duas lagrimas escorrerem de seus olhos.
- Rin... quem disse isso para você? – Kagome parecia desorientada neste momento, as lagrimas pareciam querer sair, mas ela controlou o choro, inutilmente.
Inu-Yasha abraçou-a que não tentou resistir, e chorou molhando um pouco da camisa do rapaz, que olhava assustado, ora Kagome, ora a garota no leito, sem entender o porque daquela crise aparentemente sem motivos...
- Kagome, ninguém me disse isso, eu sei, eu... sinto isso...
Kagome secou as lagrimas e afastou-se de Inu-Yasha, que ainda estava olhando para ela de olhos arregalados.
- Inu-Yasha, vamos embora, seu irmão quer conversar com Rin...
- Não, Kagome espere...
Do lado de fora do quarto, todos olharam curiosos para Kagome que começou a falar, direcionando a conversa a Sesshoumaru.
- Ela esta sendo induzida a pensar isso, o medico esta induzindo ela Inu-Yasha...
- Como pode saber disso Kagome... – Perguntou Sango muito curiosa em ver a certeza nas palavras de Kagome.
- Eu andei observando o comportamento dela, e quando se consulta com esse medico, ela fica triste, desse jeito que viram.
Sesshoumaru levantou-se de onde estava, e caminhou em direção a porta do quarto, como não tinha par, iria entrar sozinho. Parou para tocar a maçaneta olhando atento para Kagome, entrando em seguida.
Ao entrar fechou a porta atrás de si, mas ficou parado ao ver Rin estender a mão, pedindo para ficar onde estava.
- Eu disse para não se aproximar mais de mim...
- Rin, eu andei pensando, e queria lhe dizer...
- Eu não quero saber, não me interessa.
Uma pontada no peito de Sesshoumaru o fez olhar com um pouco de ódio para a garota que se calou após ter dito a ultima frase ofensiva a ele.
- Eu não sabia que tratava as pessoas que gosta de você com tanta ofensa, o que eu te fiz garota para me tratar dessa maneira?
- Não fez nada.
- Então porque me odeia tanto?
- Eu não te odeio, só não quero me envolver em amizades...
- Mas eu não vejo você tratar assim o Miroku nem a Sango...
- Você foi motivo de chacota por minha culpa naquele dia no parque, não quero que você ou outra pessoa seja ofendida por minha causa, você não entende meus motivos?...
Sesshoumaru aproximou-se silenciosamente e sem que Rin esperasse, tocou a mão dela.
- Esta tentando me proteger de que?
- Proteger? – rebateu Rin tirando a mão da dele que a olhou mais interessado.
- Eu entendo o que sente como uma proteção.
- E eu entendo como quem quer distancia de você...
- Rin, não tente fazer com que me afaste de você, porque vai ser inútil. Eu não ligo para o que os outros dizem, não quando gosto de uma pessoa, e sinto que a pessoa sente o mesmo por mim.
Rin gelou ao ouvir aquilo, mas logo teve uma resposta.
- Quem disse que eu gosto de você? Eu não acredito, nisso...
- Eu senti – começou ele tocando os lábios da garota com o indicador, calando-a – quando eu beijei você naquele dia no parque... você só esta insegura, e tem medo de se entregar a esse sentimento porque ainda esta cega... – Ele tirou o dedo dos lábios dela e jogou a franja, que estava caindo em seus olhos para trás com a mesma mão, mas esta voltou ao lugar quando ele tirou a mão.
- Eu não sinto nada por você, e talvez eu nunca volte a enxergar, agora saia daqui, me deixe em paz.
- Você não é cega Rin, você enxerga, pois me viu ontem depois da cirurgia, lembra?
"- Eu pensei que tinha sido um sonho..." – Pensou a garota boquiaberta.
- Saia...
- Rin...
- SAIA! Eu não quero ouvir – Rin tampou os ouvidos e começou a chorar. – eu não quero ouvir, eu não quero...
Com o olhar sereno e impassível, ele fitou a figura da garota por alguns segundos, mas logo deu as costas, fazendo os cabelos balançarem, e um perfume inconfundível invadir os sentidos de Rin. Mas antes de sair, Sesshoumaru olhou-a novamente e disse com um tom suave, que fez o coração de Rin acelerar.
- Rin... eu a amo...
Ele saiu, e ela ao ouvir a porta se fechar virou-se de lado e ainda chorando pronunciou em alguns soluço o nome dele.
- O que houve lá dentro Sesshoumaru, porque a Rin não quer você perto dela? – Sem noção do perigo, Miroku perguntou.
Sesshoumaru caminhou calmamente ate o rapaz e olhou-o nos olhos.
- Meta-se na sua vida seu idiota, e da próxima vez que fizer qualquer pergunta – estreitou os olhos, e começou a estalar os dedos. – sobre minha vida essa sua carinha vai ficar muito diferente de quando nasceu...
- Calma Sesshoumaru, se a Rin te deu um fora não desconte nos outros, ninguém tem culpa de ela não gostar de você...
- Inu-Yasha... – um sorriso maléfico abriu-se nos lábios do rapaz. – acertamos as contas depois, agora vá para o carro, e me espere lá, se fugir será pior...
- Antes, preciso dizer uma coisa a Kagome...
Kagome arregalou os olhos, pois Inu-Yasha pegou nas mãos dela, e ela sentiu o quanto o rapaz estava gelado.
- Kagome, você aceita namorar comigo, se eu ainda estiver vivo depois de... acertar as contas com meu irmão?
Os olhos de Kagome viraram pontos castanhos, a boca estava aberta, a garota ficou estática, como todos, inclusive Sesshoumaru.
- Eu...eu... er... eu... posso ...pensar, eu não esperava... quer dizer...
- Adeus Kagome... – o rapaz virou as costas, mas parou e encarando o irmão, voltou ate Kagome e pegando-a de surpresa tascou-lhe um molhado beijo na garota que em princípio ficou tensa mas depois envolveu-o com os braços entregando-se ao beijo.
Sesshoumaru revirou os olhos, e saiu andando da recepção do hospital.
Quando ele estava dentro do carro, Inu-Yasha separou-se de Kagome e a olhou nos olhos...
- Desculpe Kagome, mas você acabou de salvar minha vida.
- O... que exatamente você quis dizer com "salvar minha vida"
Kagome lançou um olhar pior do que o de Sesshoumaru ao rapaz, que logo se arrependeu de ter feito o que fez.
- Eu quis dizer que se não tivesse aceitado namorar comigo, eu, provavelmente estaria morto agora.
- Inu-Yasha tem razão, aquele irmão dele parece um assassino... – Miroku comentou, passando a mão no pescoço.
- Você não imagina o quão perigoso ele se torna quando alguém comenta sobre a vida dele, ele sempre fica sozinho por isso... – completou Inu-Yasha com um olhar um pouco apreensivo, ao ver a vergonha de Kagome.
No carro, Sesshoumaru estava tenso, seu coração doía, mas não podia fazer nada a não ser aceitar a decisão da garota, ela não o queria, ela não entendia os motivos, e aquilo machucava seu coração.
Ligou o motor do carro, e saiu com este pelas ruas sem direção aparente. Seus pensamentos só tinham ela, o sorriso, o jeitinho doce de falar, toda a delicadeza de seu corpo, a maciez de seus lábios.
O rapaz chegou a odiar-se por sentir aqueles sentimentos não correspondidos, queria a esquecer, mas não conseguia.
N/A: Bem... é isso...
Agora vai ter uma pequena confusão mas eles vão se entender ...
Sobre os acessórios que as pessoas deficiêntes visuais usam, eu vou postar no meu Live journal...
Beijo para todos...
