Catedral,Stormwind,Elwynn,Eastern Kingdoms,Azeroth.

A sala da Catedral para a qual Zedotelhado tinha sido levado era bastante acolhedora. Tinha uma janela com vitral enorme que era trespassado pela luz, formando um padrão complexo de cores, curvas e contracurvas no chão do quarto. Zé foi tratado com mezinhas de ervas, emplastros e cataplasmas de coisas que era melhor desconhecer, uma reza ou duas e várias horas de agonia. Após duas semanas, Zedotelhado estava finalmente restabelecido e pronto para entregar a mensagem acerca dos acontecimentos em Northrend ao rei Varien Wrynn. Infelizmente, o rei partiu numa missão diplomática e não mais se ouviu falar dele. Zé foi obrigado a ter de transmitir tamanhas noticias ao filho de Varien, Anduyn, um rapaz imberbe e que devia estar a correr atrás de gatos e a pescar, mas estava a reger o reino com a protecção de Bolvar Fordragon. Assim que Zé entrou no Keep, Bolvar chamou-o.

-Então, tu és Zedotelhado, o Paladino de Northrend, hem?

-Sou.

-Então ouve-me: O rei é um puto. Sim eu sei que não devo falar assim, mas ele é um miúdo sem a mínima noção de gerir um reino, por isso, cuidado com as noticias que lhe dás.

-Certo.-Zé fez uma vénia cortês a Bolvar e virou-se para Anduyn:

-Regente de Stormwind, Anduyn, é um honra estar aqui presente para lhe dar umas noticias que temo serem péssimas. Arthas chegou mais longe do que pensáveis e já derrotou por completo as guarnições Lordaeronianas instaladas em Northrend.

-As tropas Lordaeronianas perderam? Mas…e os guerreiros de Northrend?

-Mortos, senhor, e transformados naquilo que é conhecido pel'A Prógenie De Arthas, a Scourge.

-Todos eles?

-Temo que sim, meu rei.

-Mas…não podemos ficar quietos! Tenho de mandar a Vigília Nocturna de Duskwood, o Exército de Lakeshire, a Milícia Popular de Westfall! Northrend era nosso aliado!

Bolvar pronunciou-se:
-Majestade, pensai. Não podemos deixar nem Duskwood, nem Lakeshire nem Westfall desguarnecidas! Precisamos de tempo!

-Sábio como sempre, Bolvar. Farei assim. Seguirei o teu conselho. Entretanto, alguém providencie alojamento, comida e entretenimento a Zedotelhado. Não posso culpar um mensageiro pelas suas noticias, e ele será útil para levar por fim a força de ataque a Northrend.

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Algures entre Stormwind Keep e Stormwind Catedral, Elwynn, Eastern Kingdoms, Azeroth…

Zé caminhava confiante. A perspectiva de passar alguns dias em Stormwind agradava-lhe. Não que Northrend fosse um antro de bárbaros, muito pelo contrário! Northrend maravilhava visitantes com a sua beleza em bruto, dum branco resplandecente. Talvez a única coisa que afastasse turistas fossem as temperaturas negativas, ás quais os Sulistas (Todos aqueles nascidos a Sul de Hillsbrad) não conseguiam suportar.

Zé achava Stormwind muito "quente" e de várias maneiras. Não só o facto de a temperatura ser amena (O que para um Nortenho equivalia a um calor insuportável) mas também os vários bordéis, estalagens, casa de ócio e prazer que ele descobrira apenas no caminho da Catedral para o Keep. Em Northrend tamanha coisa seria sem dúvida punida com um levantamento popular, dado que as gentes Nortenhas eram muito mais conservadoras, trabalhadoras e resistentes.

Lá não havia tempo para o prazer de Stormwind. Para Zé, em Northrend, prazer era correr pelas planícies atrás de um lobo ou pantera das neves. Prazer era acordar cedo com o vento gelado de Northrend a bater na cara. "Faz-nos sentir vivos!"-Dissera um dia o pai de Zedotelhado, Antóniodotelhado. Antóniodotelhado morrera no mesmo dia que Zé escapou de Arthas, lutando para defender a sua aldeia…o pequeno exército Northrendiano consistia apenas de lanças e espadas, ao passo que os lacaios de Arthas exibiam todo o tipo de armas de destruição conjugadas com feitiços mortíferos e todo o tipo de horrores. Afastando essas memórias, Zedotelhado dirigiu-se uma vez mais á Catedral.

Quando finalmente chegou, reparou que lhe tinham vestido um robe branco, de padre. Zé passou-se dos carretos com isto. Abrindo a caixa de esmolas com um destro murro, Zé agarrou no dinheiro e chispou-se até ao Distrito Comercial. Entrando no Arsenal Aqui do Weller's, reparou que a sua espada estava degradada, e comprou uma nova. A nova espada era extremamente pesada mas com um tamanho incomensurável e uma lâmina larga, era uma arma potente nas mãos certas. Sobrando-lhe alguns tostões, Zé dirigiu-se até a uma loja de armaduras onde adquiriu uma armadura corporal para substituir a sua armadura consagrada de Northrend, que estava inutilizável. Satisfeito, devolveu o resto do dinheiro á caixa das esmolas, evitando o padre élfico que lhe olhava com desconfiança.

Marcus apareceu do nada:

-Zedotelhado! Soube que melhoraste! Precisas de exercício homem! Que me dizes a irmos a Goldshire ajudar o bom velho Dughan? Parece que ele precisa duma mãozinha a lidar com os Defias de Stone Cairn.

-Excelente ideia…