Nota do Autor: E passo a citar:
-Enganei-me – Disse Viriato por fim – Ao pensar que os Romanos são homens. Homens? Que homens? Qual é o povo humano capaz de tal impiedade? Que cidade, Roma, é essa que faz troça dos seus próprios Deuses? O mundo está a ser dominado por um povo de feras!
A sua voz subira de tom até morrer num grito. Recomeçou a falar, quase num sussurro:
-E vou tratá-los como feras, sem poupar ardis, fingimentos nem golpes traiçoeiros. Vamos curvar-nos, amigos; vamos até suplicar. Vamos ceder, aceitar sacrifícios e humilhações; vamos ganhar tempo. E quando o momento chegar…
Fim de citação. A Voz Dos Deuses, de João Aguiar. 1984.
Feathermoon Stronghold, Feralas, Kalimdor.
Arthas Menethil deflectiu outra possante espadeirada destinada a cortá-lo rente à cintura. A força de Zé era superior à esperada por ele. Cada golpe, cada talhada era carregado duma raiva sobrenatural. Os estudiosos dos efeitos que a Scourge tem nas vitimas notariam que Zé ainda não era um Undead total. Sempre conseguia sentir algo, mesmo algo como a raiva, o ódio, a fúria. Essa era uma vantagem que ele tinha.
Desviando-se de uma nova cutilada, Arthas ripostou com uma estocada destinada a penetrar pela dobra do arnês de Thorium negro. Zé retirou a espada do caminho da estocada e atirou-se contra Arthas com uma carga de ombro. A estocada fatal encalhou na espaldeira direita de Zé. Zé aproveitou a posição e começou a dar passadas laterais de maneira a quebrar Frostmourne. Infelizmente para ele, tropeçou numa raiz duma árvore tipicamente Feralasiana, enorme e com copa roxa. Esse tropeção levou à sua queda. Arthas desencalhou Frostmourne e caminhou indolentemente para Zé. Assim que este esboçou a intenção de agarrar na sua espada, Arthas pontapeou-a para longe. Tudo parecia perdido para Zé. Arthas permitiu-se um sorriso, enquanto se preparava para empalar aquela amostra de humano contra a árvore.
Zé impulsionou-se com toda a força na árvore, desta maneira escapando à estocada que o deveria ter morto definitivamente. Arthas Menethil encalhou de novo Frostmourne, desta vez contra a árvore. Zé tentou correr para apanhar a sua espada, mas lembrou-se de um feitiço que aprendera nos seus dias como Paladino: O Chamamento do Cavalo de Batalha.
"Se eu substituir tudo relativo ao cavalo por arma e lhe der um nome…"
-Lança de Batalha, defensora do Paladino, sempre pronta para a batalha, defenderás o teu mestre. Vem, Mastigadora de Ossos!
Enquanto Arthas se recompunha, fragmentos de energia Ley radiavam à volta das mãos mortas de Zé. Arthas libertou Frostmourne e virou-se para Zé. Aí ficou, especado, a ver o que acontecia.
As energias Ley agora envolviam Zé e uma parte azul, mais brilhante que o resto começou a formar uma longa lança, de ponta farpada. De repente, as energias Ley dissiparam-se e deixaram um Zé algo aturdido mas com uma arma de tremendo poder nas suas mãos: Bonechewer, em Thalassiano, a língua do local onde foi criada. A Mastigadora de Ossos.
Arthas investiu temerariamente contra Zé. Este bloqueou a espadada com a lança e contra-atacou com o espeto, visando a garganta de Arthas, que cambaleou para longe, começando a fugir. Antes de conseguir começar a persegui-lo, Zé sentiu de novo as energias Ley, desta vez atrás dele. Virando-se repentinamente, uma coluna de luz incidia sobre um corpo, espalhado junto aos muitos outros corpos de membros da Aliança e da Horda. Os poucos que ainda restavam mantinham a batalha numa guerrilha, escondendo-se atrás das árvores e disparando flechas atrás de flechas contra a Scourge. As energias Ley condensaram-se e o corpo levantou-se. Era uma mulher. Ao lado dela apareceu imediatamente um demónio que Zé classificou como trivial. Um Guarda do Fel, empunhando a Arcanite Reaper. Notando que ela, no seu estado actual não consistia qualquer ameaça, colocou a sua pedra-de-coração no chão e iniciou o ritual da Consagração. Com um urro sobrenatural, energia Ley pura irradiou dela, numa onda dourada que danificou tanto os Undeads como a ele. Tombando no chão de cansaço e dor, agarrou a sua pedra-de-coração e começou a activá-la.
A batalha estava ganha. Os sobreviventes mal podia acreditar ao verem a onda de energia dourada que lhes dava uma reconfortante sensação de segurança ao mesmo tempo que destruía os muitos Undeads restantes.
A pedra-de-coração activou-se. Zé foi portado para o local que ele agora chamava casa.
A Cidadela de Stratholme.
