Nota do Autor: Já acabaram de vomitar? Óptimo, então podem continuar a ler.
Stratholme, Eastern Plaguelands, Lordaeron, Eastern Kingdoms.
Amarylis postou-se à porta de Stratholme. A ponte levadiça estava manchada de sangue e com inúmeras marcas de machadadas e espadeiradas e até um enorme buraco de um projéctil de catapulta. Finalmente tinha chegado.
Após a derrota de Arthas Menethil em Feralas, Amarylis fora incumbida de encontrar e matar Zedotelhado.
A separação de Drawner, Zé e Amarylis deu-se em circunstâncias…bizarras no mínimo. Drawner morreu contra Khadgar, Zé foi morto por Turalyon e ressuscitou não como um Forsaken livre, mas como um Scourge renegado, e Amarylis limitou-se a escapulir-se pelo Dark Portal de volta para Azeroth, porém desta vez directamente para Feralas, onde chegou tarde demais para participar na batalha em que Arthas foi temporariamente derrotado.
Aprestando o seu bastão de guerra, Amarylis entrou em Stratholme…
Dentro do seu "reino" em Stratholme, Zé não esperava o que estava a acontecer e que foi despoletado pela entrada de Amarylis em Stratholme. Um aperto na cabeça, uma sensação enregelante e um vento gelado começou a soprar. Antes que Zé se apercebesse do que estava a passar, uma voz, fria como o gelo da meia noite, cortante como mil adagas e ao mesmo tempo, suave como uma tira de cetim soou na sua mente:
-Servo…porque recusas a vontade do Rei dos Mortos de Northrend, hm? Fui eu que te tornei naquilo que és…Deves-me isso…Pensa bem, e certifica-te que a tua resposta é a resposta correcta…
O vento amainou, a pressão deixou de se sentir e o gelo que se formara nos dedos e nariz de Zé derreteu assim que a sua respiração voltou.
"Não…eu sei o que ele quer…quer quebrar-me…mas não vou ceder. Irei abandonar Stratholme neste preciso dia mas…diferente. Não suporto mais isto. Não consigo."
Saiu da sua pequena cidadela dentro de Stratholme. Dirigiu-se ao lado do quartel-general dos soldados Escarlates. Assim que se mostrou às sentinelas, foi recebido por uma saraivada de alguns arqueiros sonolentos. Com uma pequena imprecação, desviou-se delas e rebolou até mais perto da paliçada. Assim que estava perto o suficiente e antes que os sentinelas renovassem o ataque, soltou a espada. A lâmina saltou da garganta de um, para o torso de outra e finalmente entalou-se no meio do crânio de outro. As três sentinelas, dois homens e uma mulher jaziam mortos, a mulher serrada pela cintura, um homem decapitado e o outro com um rasgo da testa quase até ao pescoço. Foi deste último de onde Zé retirou a espada, limpando-a de seguida no tabardo desse homem, fazendo jus ao nome de Tabardo Da Crusada Escarlate. Antes do macabro trabalho de Zé, era branco. Agora era de um vermelho tinto.
Deixando os cadáveres para trás, Zé continuou a sua marcha dentro do castelo Escarlate de Stratholme. Não encontrando mais almas desafortunadas, entrou no Arquivo Escarlate, em tudo semelhante ao Arquivo de Deathpool. Dirigiu-se sem medo para os tomos bafientos e carregados de bolor e procurou o seu nome. Assim que reparou:
Zedotelhado(Zé-Du-Tailhádo), Nado em Stromgarde antes da sua destruição, presumivelmente morto em Feralas, desconhecem-se as datas e família ascendente e descendente.
Relendo essas linhas, adicionou:
…morto em Feralas, desconhecem-se as datas e a família ascendente e descendente. Posteriormente ressuscitado como um Scourge renegado. Libertou-se. Vive agora uma vida normal, curta e efémera como as dos humanos, sendo seu verdadeiro nome Melo.
Após a mudança de nome e de vida, Zé (Nota do autor: Perdão, Melo.) sentiu a Scourge infecta escapar-se do seu corpo, primeiro devagar como quem não quer sair, mas depois rápida e dolorosamente. Vários urros de dor atraíram soldados para as portas do Arquivo, mas nenhum queria entrar. Após uns minutos agonizantemente longos, um homem saiu. De tranças cor de cobre até ao ombro. Com uma armadura negra marcada de vários cortes e falhas. Empunhando uma espada de duas mãos com o fio da lâmina marcado com bocas e cortes, demonstrando a antiguidade da arma.
Primeiro surpreendidos, mas depois alegres por mais um voluntário, e depois ainda pesarosos ao saberem que o desconhecido apenas queria ser escoltado para fora de Stratholme. Assim fizeram.
Amarylis entrou numa cidadela. Estava carregada de corpos e carne putrefacta, e exalava um odor a morte e putrefacção. Vários corpos quer de Escarlates quer de zombies decoravam o chão e até o tecto em posições macabras. Após a náusea inicial, saiu e decidiu dirigir-se de novo para as portas da cidade. Mais cedo ou mais tarde o rato iria sair, nem que tivesse de fumigar o buraco…
A coluna de soldados escarlates que escoltava Melo para fora da cidade foi emboscada. Logo após sair dos limites da cidade, perto da afamada Plaguewood (Tinham-se comprometido a escoltar Melo até Darrowshire) a coluna foi atacada por grande número de corpos animados. Apesar da valentia, disciplina e inegável loucura que assolava os humanos, foram derrotados. Apenas Melo e alguns soldados escaparam, cavalgando a toda a brida para Sul, para Darrowshire. Segundo o ultimo relatório de há três anos, ainda estava de pé. Com o exército na sua cauda, chegaram a Darrowshire, e toda a esperança foi-lhes varrida da alma.
Darrowshire, Eastern Plaguelands, Lordaeron, Eastern Kingdoms.
Centenas de espiritos de guerreiros vestidos com o Tabardo de Darrowshire estavam a ser massacrados por outro exército fantasmal de zombies e outras aberrações. Escondendo-se a observar, a coluna Escarlate perdeu algum tempo a descobrir as personalidades. Marduk Blackpool, montando o seu cavalo negro distribuía espadeirada atrás de espadeirada contra quem quer que se lhe atravessasse à frente, amigo ou inimigo. O Rei dos Zombies limitava-se a observar a acção. Na linha da frente, Davil Lightforge, revestido da sua armadura forjada por um Naaru, A'dal para ser mais preciso, encorajava os defensores com toda a sua presença majestosa e fúria santa. Ao fundo, Joseph Redpath defendia um golpe com o escudo, que se desfez em pedaços. O seu atacante foi varado por trás à cutilada, e Joseph retirou-se para uma casa, onde se deitou a chorar. Carlin Redpath, seu irmão, fugia pelas colinas, com vários cortes e arranhões a decorar-lhe o corpo já fustigado de sujidade e imundície.
Decidiram não intervir. Não valia a pena mudar o curso da Batalha de Darrowshire. Montaram a cavalo e continuaram a fugir, desta vez para a capela da Argent Dawn. Sem o exército no seu encalço, pois este ficou retido na batalha lá atrás.
Amarylis sorriu. Conseguira espantar o rato para fora do seu ninho e para dentro da jaula ao pé do lobo… Kel'Thuzad em Naxxramas e Ner'Zhul em Northrend ficar-lhe iam gratos…
Light's Hope Chapel, Eastern Plaguelands, Eastern Kingdoms.
Assim que a coluna de soldados Escarlates penetrou no sagrado recinto da capela, foi recebido por vários soldados da Argent Dawn, que rapidamente os retiraram das selas dos cavalos e os levaram para dentro da capela. Teriam feito o mesmo a Melo se este não tivesse recusado veementemente. Dirigiu-se para Oeste. Caminhando calmamente. A sua lança há muito perdida, contentou-se em surripiar uma espada de duas mãos ao Comandante de Despachos. Continuou a sua calma caminhada. Para Oeste, sempre para Oeste.
A Oeste da capela, apenas estava Amarylis rodeada de vários corpos animados e esqueletos. Via ao longe o vulto do Paladino a avançar lentamente… Como quem não tem receio do seu destino, mas está relutante em ir de encontro a ele. Com uma ordem ríspida, mandou a Scourge à volta dela atacar apenas após a conversa.
Melo começou a ver o vulto de uma Blood Elf, segurando um bastão e ainda na mesma armadura vermelha e dourada de que ele se lembrava. Com corpos à volta. Animados. Prontos a matar. Engolindo em seco, continuou a caminhar. Sempre o mais lentamente possível.
-Então Zé. Finalmente nos vimos depois de…tanto tempo – havia uma certa rouquidão na voz de Amarylis, mas esta dificilmente se poderia tornar sedutora, devido talvez às circunstâncias.
-Já não sou o "Zé". Sou Melo agora. Fala. O que é que Ner'Zhul quer? – Atirou Melo de chofre. Calma e friamente.
-Bem, isso não é óbvio? – Amarylis soltou uma pequena risada infantil. – Ner'Zhul quer-te morto. Simples quanto isso.
-Bem. Ele que me venha buscar! – Com este desafio, saltou para cima de um esqueleto que já se estava a aproximar, esmagando os seus ossos frágeis debaixo do peso da sua armadura.
Levantou-se rapidamente, pronto para a luta. Amarylis dera um passo atrás, deixando a Scourge cumprir o seu nefando propósito. O de retirar a vida àquele humano.
Varrendo rapidamente a lâmina, Melo desferiu um golpe circular, decepando as mãos e outras partes da anatomia a vários dos seus opositores. Uma mão conseguiu um golpe fortuito e derrubou Melo. Antes que pudesse aproveitar da posição da vitima, Melo escoiceou com o pé, acertando na cabeça do seu agressor. Essa cabeça virou e dobrou até exceder o limite que um pescoço permite até se partir. Três vezes.
Vendo-se contra tamanho algoz, os corpos rapidamente retiraram com uma sinfonia de berros semelhantes a vidro estilhaçado.
Amarylis viu-se forçada a defrontar Melo. Antes que este se apercebesse, ela iniciou o lançamento da Explosão Pirotécnica. Assim que Melo se encaminhou a passos largos na sua direcção. Antes que a pudesse alcançar, uma explosão arrancou-o do solo e lançou a voar largos metros antes de se enfaixar com toda a força de volta ao chão. A gravidade é maléfica. Todo ele fumegava, o único resultado além do salto que a Explosão teve nele.
Amarylis olhou aterrorizada para Melo. Se ele conseguia aguentar aquilo…Toda e qualquer dúvida se dissipou quando ele resistiu na integra a uma Explosão Arcana de alta intensidade.
Melo começava a ressentir-se de deflectir tantos feitiços tão poderosos…Daí a pouco um feitiço penetrava e ele estava feito.
Amarylis lançou uma Bola de Fogo. Melo vacilou e caiu. Estava a uns escassos quatro passos dela.
Melo tombou. Sentiu o calor excruciante que a Bola de Fogo lhe tinha causado, e que abrira um buraco na armadura, mas que não tinha penetrado na pele. Melo sentiu a hemorragia interna causada pela atribulada queda. Sentiu a visão ficar-lhe rodeada por um halo negro. Sentiu o sangue aflorar-se à boca. Cuspiu-o, e o simples acto de abrir a boca lhe doeu. Por mais ferido que estivesse, não pôde deixar de pensar no seu destino.
"Abandonado aos abutres. Nas Plaguelands. Morto por uma feiticeira. Que nunca irá ser apanhada. Duthorian meu tutor…Davil Lightforge meu ídolo…Falhei-vos…falhei-vos…"
Antes que algo mais se juntasse ao seu rol de males, a adaga de Amarylis desceu misericordiosamente sobre a sua jugular. Uma morte rápida e nada limpa.
Epílogo.
Uma figura solitária vagueia pelo local que antigamente se chamava Plaguelands. Supostamente lá estaria o corpo de seu pai, um Paladino de Northrend. Sua mãe, Iseultha, fora um pouco vaga acerca do destino do pai. E agora tanto ela como ele estavam mortos. Ela ceifada pela espada de Arthas e ele morto, tanto quanto se pode saber, por qualquer monstro das Plaguelands. Uma espada, ou metade dela chamaram a sua atenção. Dirigindo-se a ela, notou numa espaldeira que sobressaía ligeiramente perto. Começou a escavar freneticamente em redor. Alguns minutos depois, o que estava debaixo da terra revelou-se. Um humano de armadura, com marcas óbvias de bárbaros tratamentos às mãos de um ou mais magos. Os ossos apresentavam o odor a magia, e várias costelas estavam partidas, no que ele esperava ser o "coice" da Explosão Pirotécnica. O seu pai…morto de forma tão inglória…Deixado aos animais selvagens…Nada havia a fazer por ele, porém. Azeroth estava a ferro e fogo. Todos os locais eram potenciais alvos da Scourge. Antes que Azeroth se libertasse da anterior ocupação, estava a ser re-invadido. A Argent Dawn fora extinta na batalha por Caer Darrow. A Ordem Escarlate pereceu em Stratholme e em Tirisfal, no seu Mosteiro. Stormwind era uma nova Stratholme. Ironforge, uma grande cratera. Orgrimmar, Undercity, Silvermoon, Darnassus? Todas elas ruínas fumegantes. E para piorar tudo, fogo chovia dos céus.
A Legião Ardente vinha aí.
