Quando Grissom entra na sala de descanso, na terça-feira, fica surpreso ao ver Sara sentada junto dos demais. Por que ela voltou tão cedo? Questiona ele. Demora alguns segundos, para começar a distribui os casos, deixando todos meio sem graça. Principalmente Sara. Catherine estranha quando ele manda todos saírem, com exceção de moça. O que será que aconteceu?

"Acha que está pronta para trabalhar?" Perguntou Grissom, depois que o último csi saiu.

"Sim".

"você poderia pedir umas semanas de folga..."

"Obrigada. Mas não acho que seja uma boa idéia".

"ela precisa ocupar o tempo para não pensar nisso... eu sei como é isso... mas ela não está preparada" pensa ele "eu sinto que ela não está preparada. Mas vai ficar muito brava se eu disser não e eu não quer brigar com ela".

Ele fica quieto por mais alguns minutos e acaba aceitado.

"Quer escolher seu parceiro?" Indagou ele.

"Talvez fosse melhor trabalhar com Warrick" respondeu ela, deixando-o bastante surpreso. Warrick era a pessoa mais legal para aquele momento: calado e focado no trabalho.

"Ok... Se é isso que você quer...".

Sara abre um sorriso e vai atrás do companheiro.

"Pelo visto você vai ter que me aturar hoje" disse ela.

"Acho que isso vai ser difícil" brincou ele.

Trabalhar com qualquer um que soubesse do assunto ia ser embaraçoso. E Catherine eventualmente ia fazer varias perguntas do por que Grissom quis conversar com ela em particular, e ia acabar percebendo que alguma coisa estava errada. Era difícil mentir para Catherine.

A jovem resolveu ficar até mais tarde, para terminar o que estava fazendo. Ela escuta passos no corredor e seu coração dispara. Não sabia que tinha mais alguém aliEla olha para o lado e fica aliviada ao ver que era grissom.

"Pensei que você já tinha ido" disse ela.

"ia dizer o mesmo de você. Está tudo bem?"

"Já estou acabando".

"Não foi isso o que eu perguntei".

"Eu sei" disse ela, suspirando. "Acho que com o tempo as coisas vão melhorar".

Grissom foi se aproximando devagar. Não havia mais ninguém além deles então ele não precisava recuar.

Uma voz dentro dela pedia para ele não fazer isso. mas a voz não saiu.

"Sinto muito que isso tenha acontecido com você" disse ele, acariciando o cabelo dela. Tão macio, tão lindo...

Estar tão perto dele, sentindo o seu toque, fez com que a força que ela achou durante o trabalho com Warrick, se dissipasse. Era muito doloroso. Ela o abraçou fortemente, enquanto as lagrimas rolaram pelo seu rosto.

"Eu me sinto são suja... como se eu tivesse uma doença incurável" confessou ela.

"Por favor, não diga isso". exclamou ele para si.

"Acordo toda noite, mais de uma vez... achando que ele vai estar lá."

"Está tudo bem agora. Você não precisa mais ter medo. Nem ele e nem ninguém vai fazer isso de novo, eu prometo".

Ela ficou surpresa e contente em ouvir aquelas palavras tão sinceras e tão emotivas. Estava esperando por um grissom frio, ou então alguém que ia desaprovar o fato dela o estar abraçando, mas não... Ele não se importou. E soube dizer as palavras certas.

Sara o soltou e enxugou as lagrimas.

"Deixe as evidências para outra hora" falou grissom. "Vamos, eu vou te acompanhar até em casa"

"Você faria isso?"

"Sim".

A jovem sorri timidamente e aceita a carona.

"Você tem coisa para comer no seu apartamento?"

"Na verdade, eu não tenho comido muito ultimamente... E quando fico com fome, peço algo por telefone".

"Entendo. Então nós vamos passar num restaurante antes de eu te deixar em casa".

"Não precisa fazer isso, Gris".

"Não vou deixar você sem comer. E se eu te conheço, é capaz de "esquecer" de pedir alguma coisa".

"ele tem razão. Provavelmente eu faria isso".

Ela olha para ele e sorri.

Os dois vão então para um restaurante que grissom conhecia. Segundo ele a comida era bem gostosa. Sara ficou um pouco desconfortável, entrando num lugar bonito, usando calça jeans e uma blusa não tão nova, e que ela tinha usado o dia e a noite toda, mas como Grissom não se importou, ela resolveu não fazer desfeita a ele. Grissom por outro lado estava mais bem vestido. Ela desconfiava que ele tivesse uma roupa de reserva no laboratório, pois muitas vezes, no final do turno, aparecia com uma camisa de cor diferente.

Os dois sentaram-se à mesa, que ficava ao fundo, e um garçom veio logo os atender. Sara pediu um suco de maracujá e grissom uma água com gás.

"no que está pensando?" Perguntou ele, depois de alguns minutos de silencio.

"aprecio muito que você tem feito por mim..."

"eu não sou uma má pessoa, Sara. Reservada talvez, mas não má".

"eu sei que você não é..."

"juro que não quis te machucar".

"Eu acredito em você".

Era uma sensação tão gostosa estar ali juntinhos, finalmente se acertando. Sara passa a mão entre a vela e o tempero e pega na mão dele. Ele segura fortemente nela e só solta quando o garçom aparece trazendo as bebidas.

Grissom olha o cardápio e sugere salmão para o jantar. Algo leve e saboroso. Enquanto ele a olha aguardando a resposta ele vê seus cabelos balançarem enquanto venta. A pesar de tudo o que aconteceu, Sara continua linda.

"acho que aceito a sugestão" disse ela.