2ª Parte – O Serviçal e o Rei
O vento agreste cortava o ar num rodopio que levantava as palhas que cobriam os telhados das pequenas casas camponesas, levantava poeiras e obrigava os infelizes a correrem em busca de abrigo. Apenas um indivíduo resistia a tal violência, sentado no seu habitual posto de vigia na enorme muralha que cercava o castelo. Os seus cabelos negros curtos esvoaçavam e as suas vestes curtas e justas ao corpo estavam a tornarem-se mais geladas. Levantou-se e caminhou através da muralha. A noite estava quase a despertar mas até lá ainda tinha umas horas para poder detectar um ataque inimigo.
Um outro homem apareceu a correr e gritou do fundo da muralha.
- Sai, Sir Naruto quer falar contigo.
O jovem sem emoções esboçou um sorriso sem alegria e desceu. Cruzou o pátio e entrou dentro do castelo. Caminhou pelos átrios que abrigavam alguém da ventania que se levantava aos poucos. Bateu numa porta e, após ouvir a licença, entrou.
- Sai… ainda bem que vieste. Surgiu aqui um problema e parte da muralha sul acabou por desabar. Este não é o teu habitual posto mas gostaria que te encarregasses dele enquanto não a restauramos.
- Às ordens. – acatou a ordenação e fez uma pequena vénia. Preparava para se retirar, quando vozes ouviram-se do outro lado da porta. O rei estava a passar e mais uma vez trazia atrás de si muitos criados inúteis, pois a sua voz estava ríspida e cruel.
- Não estou interessado nessa reunião e já dei as minhas ordens. Quanto à muralha, ela só deixará de desabar quanto tivermos arquitectos capazes que não façam esboços errados da sua reconstrução.
- Mas Alteza… devíamos começar a reconstruir aquela parte antes de mais nada.
- Para voltar a cair? Quero alguém competente que o faça.
- Alteza e…
- Eu já entreguei esse assunto ao Naruto, por isso desamparem-me a loja. Vão escovar roupas, cavalos, pedras, o que quiserem mas deixem-me.
Barulhos de passos apressados afastaram-se pelo corredor e este em breve ficou mais calmo. Naruto do outro lado da porta suspirou e voltou a olhar para os seus papéis.
- Ficas então encarregado daquilo até estar reconstruída.
- Sim. – murmurou Sai com o olhar preso na porta fechada, tentando ignorar o jovem criado atrás de si.
Uma nova rebelaria voltou a ouvir-se do outro lado da porta, o que mostrava que ainda estava lá alguém. Uma voz potente e indelicada voltou a elevar-se.
- Chamem-me o Sai!
- Parece que o rei pensa no mesmo que eu. Ele deve estar a chamar-te para te atribuir a mesma função.
Naruto começou a rir e sentou-se numa poltrona a reler os restantes pergaminhos que tinha para assinar. O outro jovem abriu a porta e, sem dizer nada, saiu. Sabia perfeitamente onde o rei o esperaria, apesar de situações como aqueles serem raríssimas. No corredor cruzou-se com um criado apressado que corria por todo o lado.
- Aí está, senhor Sai. A sua majestade mandou chamá-lo. Ela o aguarda…
O moreno fez um sinal a pedir para o servo se calar.
- Eu sei muito bem onde ele está e vou já apresentar-me diante dele. Podes retirar-te.
Sai caminhou pelas amplas divisões, pelas escadarias, subiu as escadas em espiral da torre sul, entrou numa porta e deteve-se a olhar para o grande compartimento. Quadros e tapeçarias cobriam todas as brechas das paredes, tapetes impediam que uma laje sequer do chão fosse pisada descuidadamente e o mobiliário provava claramente que ali ficava mais uns aposentos de sua majestade.
Uma mulher semi-despida saiu de uma das portas. Trazia uma túnica simples e branca a cobrir-lhe o fino corpo e nas mãos transportava um tabuleiro com frascos de loções e cremes. Parou ao ver o rapaz à sua frente, fez um sinal para dentro do quarto de onde saíra e prosseguiu a sua tarefa de arrumar tudo o que trazia no tabuleiro.
O jovem moreno voltou a pôr a sua atenção na porta entreaberta e tentou ganhar coragem antes de entrar. Segundos depois ouviu uma voz sua conhecida, a mesma voz que estava sempre a ouvir a todos os momentos quer acordado quer em sonhos.
- Podes entrar Sai. Estava à tua espera.
Ele avançou, passou pelo intervalo da porta e, de repente o seu olhar encheu-se cheio de luz, proveniente de várias velas que iluminavam a escura divisão e deixavam um aroma estranho no ar. Uma enorme piscina cheia de água quente ocupava a maior parte da sala. Várias mulheres encontravam-se por toda a parte. Umas regulavam a temperatura da água numa pequena chaleira, outras faziam a mistura da água quente que saía com a que esfriava. Uma tratava de limpar as vestes reais, outras iam buscar cremes e as últimas rodeavam o rei dentro de água, enquanto lhe aplicavam as loções e massajavam a pele.
- Quais são as ordens de sua Alteza? – perguntou o serviçal, fazendo uma vénia como sinal de respeito.
- Já deves ter ouvido que uma parte da muralha sul desabou esta tarde. – falou o imponente, enquanto erguia uma mão de dentro de água e a fitava.
- Sim, já ouvi.
- Quero que te encarregues de refazer o esboço dela e a mandes construir.
- Lamento mas não sou arquitecto e não percebo nada disso…
Os olhos de Sai prenderam-se na figura real oculta parcialmente por entre o vapor de água.
- Mas percebes de cimento, de pedra, de rigidez, de suporte e de vulnerabilidade. Sei que consegues reconstruir aquela muralha de forma competente para não voltar a cair. Tens passado grande parte do tempo a caminhar por ela e quem melhor do que tu para tratar disso. Só precisas de ordenar que os outros farão a construção do modo que quiseres.
- Sinto-me lisonjeado, sua Alteza, mas vejo-me obrigado a refutar e a aconselhar a escolha de outro mais habilitado para o cargo.
Água molhou o chão violentamente e algumas criadas assustaram-se. Sasuke tinha acabado de bater com força na água e espalhá-la.
- Não contradigas o que eu ordeno. Se digo que tu és adequado para o fazer, então irás seguir as minhas ordens.
Sai fechou os olhos e deformou a sua boca numa expressão agradável mas que se tornava estranha.
- Eu também conheço as minhas habilidades e estou a avisar que não sou o indicado para essa missão. É normal, por vezes, um rei enganar-se e atribuir mal os cargos. Eu apenas estou a corrigi-lo antes que cometa uma loucura.
As mulheres que massajavam o rei pararam de o fazer e apressaram-se a sair da água, o quanto antes. Porém Sasuke apenas fez um sinal desagradável e ordenou para que saíssem todas. Levantou-se e saiu de dentro de água. Caminhou altivamente e sem colocar nada sobre o corpo nu até ao servo.
- Admiro a tua coragem em contrariares as minhas ordens. Nem mesmo Naruto alguma vez o fez.
- Sua Alteza deve ter em conta que eu não sou como esse parvo do Naruto que basta pedir-lhe para abrir as pernas e ele abre.
Sasuke parou diante do outro moreno e fitou-o mais intensivamente. O seu olhar mirou-o de alto a baixo e cruzou os braços.
- Queres dizer que és mais capaz do que o Naruto?
- Apenas digo que não me deixo controlar como ele. – Sai fitava-o com uma expressão séria e tinha desistido do seu sorriso falso.
- Interessante…
O serviçal sentiu o seu corpo a ser invadido pelo olhar do seu rei, que quase o devorava.
- Então mostra-me do que és capaz…
Sasuke agarrou na mão áspera do rapaz e guiou-o até à piscina. Voltou a entrar dentro de água e fez sinal para que o imitasse. Sai também entrou dentro de água. Sem despir as suas roupas.
- Então queres dizer que sabes do que se passa entre mim e o Naruto.
- Sim. – sorriu mais uma vez e falhando verdadeiramente. – Como disse, não sou igual a todas essas pessoas à sua volta que fazem tudo o que lhes é ordenado.
- E se eu ordenar para tirares a tua roupa, o que farás? – perguntou o rei, mergulhando o seu corpo todo dentro de água, com excepção da cabeça.
- Não farei nada porque sei que se não o fizer a própria majestade o fará de forma impaciente.
Sasuke mordeu o lábio e fechou os punhos nervosamente. Estava a tentar não perder a paciências mas já não estava a resultar. Sai o fitava cobiçosamente e desafiante.
- Que queres então?
- Saber que me acharás melhor que o Naruto e saber se conseguirei pôr-te a gemer e gritar.
- Então mostra-me tudo o que tens.
Sasuke atirou-se para cima do outro e despiu-lhe as vestes apertadas dentro de água. Levou a mão ao órgão do moreno e apertou-o. Sai libertou um gemido e arqueou-se um pouco.
- Então que se passa? Já não me pareces tão confiante de ti e estás a portar-te como o Naruto.
- Apenas sua Alteza me apanhou desprevenido.
Sai abriu os olhos e fitou os olhos escuros à sua frente. Sasuke aproximou-se mais dele e levou a boca ao ouvido.
- Desculpas como essas não serão aceites…
O rei mordiscou-lhe a orelha e começou a descer, dançando com a sua língua sobre a pele fria e pálida de Sai, enquanto fazia momentos circulares sobre o membro dentro de água.
- Dou-te dois pontos por isto, porque a esta hora Naruto já estaria a gritar.
A boca continuou a descer e começou a brincar com os mamilos. Sai permanecia imóvel, sério e sem evidências que ia solta o mínimo gemido. Sasuke continuou a descer pelo tronco enterrando a cabeça dentro de água e abocanhou o membro do criado. Segundos depois regressou à superfície mas a expressão do outro moreno continuava a mesma.
- Nada ainda? Vais pagar ainda mais caro esse teu atrevimento.
A fúria percorria toda a expressão do Sasuke, estava a perder a paciência… Saltou para a borda da piscina e sentou-se com as pernas dentro de água.
- Se agora me der licença majestade…
Sem esperar pela resposta, Sai introduziu a sua cabeça entre as coxas do indivíduo real e lambeu o órgão. Começou por movimentos em ziguezague, substituindo-os de seguida por movimentos de vaivém. Sasuke tentou a toda a força fechar a boca e controlar um gemido.
- Isso é batota majestade. Eu não engoli nenhum grito de prazer há bocado.
Sai obrigou Sasuke a deitar-se sobre a laje e voltou a abocanhar o seu membro. Sasuke abriu os braços sobre o chão e sentiu o seu órgão a ser aquecido.
- Ahhh!!! Hummnn!!!
- Parece que consegui.
Sai sorriu e apesar de o sorriso desta vez não lhe ter saído mal, continuava a dar o aspecto de sarcasmo. Colocou um joelho na borda da piscina e subiu. Jogou com os mamilos reais e certificou-se que não deixava nenhuma parte do corpo do seu rei por ser coberta com a sua saliva. Quanto já estava satisfeito com os gemidos que ouvia, abriu as coxas e penetrou o moreno. Sasuke gritou ainda mais alto e deixou que as estocadas começassem.
- Confesso que és melhor que o Naruto nessa função. Mas ainda não é suficiente.
- Fico feliz que sua Alteza seja demasiado exigente.
Sai vergou o corpo do outro e virou-o de costas. Obrigou Sasuke a arrebitar o seu traseiro e voltou a enfiar aí o seu membro. Agarrou com força nos quadris e regressou aos seus movimentos iniciais. Sasuke mordeu o lábio com força, fazendo sangue, tentando evitar que os gemidos que saíam da sua boca fossem mais altos. Quando Sai chegou ao seu clímax, agarrou com mais força na cintura do rei e puxou-o mais para si, enquanto vertia o seu sémen dentro dele. Retirou o seu membro e deitou-se ao lado exausto.
- Confesso que nunca esperei que fosses tão bom assim Sai. Não acredito que tenho estado a perder isto…
Sasuke levantou-se e voltou a entrar dentro de água. Mergulhou e regressou à superfície. Sai continuava deitado no chão a ofegar. Nadou e meteu-se em pé dentro da banheira. Abriu as pernas do criado e foi a vez dele o penetrar.
- Humnnn!!!
O primeiro gemido soltou-se da garganta de Sai. Sasuke puxou-o para si, fazendo-o sentar-se na banheira e foi-lhe mordiscando os mamilos, enquanto continuava com as investidas. Sai gemia cheio de prazer e nem tentava evitar os pequenos gritos que lançava.
- Isto é mais uma vitória para mim.
- Não, sua Alteza. Desta vez a vitória foi minha. Eu nunca tinha dito que não ia gemer. Apenas agora é estou a sentir a verdadeira satisfação para o fazer.
O moreno fechou os seus braços sobre as costas de Sasuke o que fez com que ambos sentissem com a mesma intensidade as estocadas. Sasuke sentiu chegar ao limite e os dois corpos esticaram-se e caíram dentro de água juntos. Ficaram a boiar enquanto tentavam recuperar o fôlego.
Apertaram as mãos e nadaram juntos até as escadas. Sai libertou a sua mão da do seu soberano e foi recolher a sua roupa espalhada pela água. Subiu por uma das bordas e caminhou ao longo da piscina até ficar frente a frente com Sasuke mais uma vez.
- Regresso ao meu posto e farei o possível para corresponder às suas expectativas. Boa noite, Alteza.
Sai fez uma pequena vénia e sem esperar pela confirmação, retirou-se da grande sala. Encontrou o caminho vazio, vestiu-se e avançou. Desceu as escadas em espiral e quando estava quase a chegar ao fim, cruzou-se com Naruto.
- O que aconteceu Sai? Estás todo molhado!
- Foi só um acidente. Já sabes como sua senhoria perde o controlo às vezes.
O loiro suspirou e concordou com a cabeça. Olhou para o topo das escadas e tentou imaginar qual o estado de espírito que ia encontrar no seu parceiro.
- Vou então regressar ao meu posto de vigia. Até depois…
- Está bem, mas primeiro vê se vestes outra roupa.
Sai esboçou mais um sorriso falso e continuou o seu caminho. O pajem subiu as escadas, entrou no compartimento e dirigiu-se até à piscina. Aí encontrou Sasuke sentado dentro de água, com os braços apoiados na borda e relaxando.
- Escusavas de teres feito aquilo ao Sai. O coitado estava todo molhado.
Sasuke permaneceu com o olhar fechado e não se moveu. O loiro endireitou umas toalhas e tirou as suas botas. Ia a entrar na piscina quando reparou que o chão estava molhado.
- O Sai escorregou? – perguntou, olhando para o seu senhor que continuou silencioso.
Naruto despiu as suas roupas e entrou dentro de água também. Aproximou-se e começou a esfregar o tronco de Sasuke.
- Posso começar o meu serviço de hoje?
Debruçou-se para beijar o moreno, mas foi detido por uma mão forte que agarrou na sua cara.
- Não estou com paciência hoje.
Sasuke afastou-o e saiu de dentro da piscina. Cobriu o seu corpo com uma toalha, limpou o cabelo e retirou-se daquele salão.
- Raios Sasuke! E a minha recompensa pelo árduo trabalho de hoje? Afinal quem teve a ideia de encarregar o Sai da muralha fui eu.
Ouviu-se um candelabro a bater contra a parede e a partir-se em cacos no chão. O humor do rei não parecia ser o melhor no momento. Naruto cobriu o seu corpo com água e tentou relaxar. A qualquer momento ele sabia que o seu parceiro regressaria.
Após ter trocado de roupas, Sai voltou a sair à rua e regressou ao seu posto. Caminhou ao longo da muralha até ter à sua frente a parte que teria de mandar reconstruir. Já tinha escurecido e desta vez não havia estrelas no céu que iluminassem a sua observação. Aconchegou-se num manto comprido que trouxera consigo e sentou-se numa pedra fria a relembrar tudo o que tinha sucedido momentos antes. A noite estava muita fria, mas aquelas recordações o aqueciam. Fechou os olhos e sorriu. Na próxima noite e na outra e ainda na outra… tentaria o mesmo. E assim tentando… um dia iria ter o seu posto onde bem ambicionava.
Fim da 2ª Parte
