Noites Brancas
Capítulo 1
Estava ansioso para chegar à superfície, afinal de contas por mais que seu cosmo o possibilitasse de respirar debaixo d'água por um tempo razoável, ele percebeu que logo sentiria a falta de ar. Era inverno na Sibéria e isso dificultava ainda mais as coisas, pois ele não tinha como se guiar pela claridade. Durante o inverno o lugar era tomado pela escuridão que se mantinha inabalável por quase seis meses.
O corpo que carregava estava estranhamente leve o que ele achou ótimo, pelo menos seria algo para facilitar a difícil tarefa de resgata-lo da profundidade em que o navio se encontrava. Foram mais cinco minutos de esforço intenso, mas finalmente ele voltara ao buraco que havia aberto para adentrar ao mar.
Saiu das águas com dificuldade puxando o corpo inerte para cima. Passou a fitar a mulher que usava um fino vestido rosa que combinava perfeitamente com seus fios loiros. Como era linda! Kamus se amaldiçoava por manter esse pensamento que insistia em habitar sua mente desde o momento que pôs os olhos naquela figura angelical.
Ele passou a mão pelo rosto delicado surpreso com a tonalidade da pele. Ela deveria estar pálida, na verdade deveria estar até meio roxa, uma vez que esteve anos mergulhada nas gélidas águas do mar Ártico. Mas pelo contrário sua pele estava alva, porém com uma certa aparência de saúde e seus lábios estavam rosa, e extremamente convidativos. Do rosto ele desceu a mão até o pescoço e ao tocar esta parte do corpo sem vida, o cavaleiro sentiu que seus sentidos estavam lhe pregando peças.
Ele sentiu, teve certeza disso: eram pulsações! Mas como uma mulher que esteve naufragada por mais de dez anos poderia ter pulsações? Isso era um sinal de que aquele corpo não estava morto. Não era possível e era muito ilógico, mas Nastássia estava viva? Os batimento eram bem fracos e quase imperceptíveis, mas não poderiam ser ignorados. Kamus não encontrava razões para aquele acontecimento tão inusitado. Ele conceberia uma hibernação dentro de um esquife de gelo, isso ele sabia ser possível, não foi justamente seu objetivo ao prender Hyoga em um! Mas que uma pessoa pudesse hibernar imerso em águas, mesmo que elas estivem em tão baixas temperaturas, era algo que fugia a racionalidade do aquariano.
Bem, ele não poderia perder tempo em divagações, agora que ela não estava mais dentro do mar cada minuto que se passava sem que lhe fosse devolvida a temperatura normal de um ser humano e sem que sua respiração fosse regularizada, seria um minuto a menos de vida. Hyoga até podia perdoa-lo por ter aprofundado o navio, mas jamais o perdoaria de não ter salvado sua mãe quando soube que ela estava viva.
Ele deitou a jovem sobre o gelo e iniciou uma massagem cardíaca, mas não obtinha êxito, o coração mantinha os batimentos fracos. Tentou então fazer-lhe uma respiração boca-a-boca, sentiu a boca formigar ao tocar os lábios da mulher, mas fingiu para si mesmo que não havia sentido nada e prosseguiu na tarefa. Sopro-lhe ar pela boca e depois fez o mesmo pelo nariz, e voltava a fazer a massagem, mas já perdia as esperanças de reanima-la. Não havia mais jeito, ela iria morrer.
Tentou uma última vez a massagem e as respirações e nada, então caiu exausto ao lado da jovem se conformando com o fato de que havia feito de que lhe era possível, todavia não teve sucesso. Ele escutava as batidas do próprio coração de tão acelerado que ele estava, porém percebeu que, ou estava com um problema cardíaco sério, eu a emoção daquela situação o deixara muito desconcertado, pois ele ouvia cerca de seis batimentos seguidos enquanto o correto era escutar apenas três. Ele olhou para Nastássia, e viu que seu abdome se expandia e contraía. Ela estava respirando! Colocou a cabeça sobro o belo colo que era valorizado pelo decote do vestido e pode sentir fortes batimentos vinham do seu coração.
Conseguiu! Não sabia e nem queria entender como aquelas coisa poderiam estar acontecendo, mas o fato era que ela estava viva e isso o deixava muito feliz só de pensar na felicidade que traria a Hyoga. E pensar que seu objetivo inicial era o de resgatar o corpo da mãe de seu discípulo para lhe fazer uma bela sepultura de gelo que Hyoga poderia visitar sempre que desejasse sem correr o risco de morrer ao enfrentar as nem um pouco confiáveis águas do mar Ártico.
Mais que depressa ele a pegou no colo e seguiu rápido para cabana que estava ocupando durante estes dias que resolvera passar na Sibéria. Agora era fundamental recuperar a temperatura da garota. Como desejou ter um cosmo bem quentinho naquele momento, assim seria muito mais fácil, mas infelizmente o cosmo de Kamus era mais gelado que as águas que envolveram o corpo de Nastássia por todos esses anos.
Chegou à cabana e pediu desculpa a jovem desacordada antes de começar a despi-la. Ele tinha que tirar o vestido molhado e gelado e para isso teria que deixar qualquer pudor de lado por alguns instantes. Kamus sentiu a boca secar ao fitar o corpo absolutamente perfeito da garota. Resistiu a tentação de toca-la; não poderia se aproveitar de uma situação dessas. Ele a deitou na única cama que existia naquele lugar, a cobriu com o máximo de cobertores que encontrou. Depois foi até ao banheiro e encheu a banheira com água bem quente. Ele a colocou na banheira e a deixou por lá por quase uma hora. Ia medindo a temperatura do corpo e viu que esta já estava quase normalizando.
Os deuses eram testemunhas que ele fizera de tudo para não ter recorrer a isto. Mas a banheira não estava mais surtindo efeito e a temperatura ainda não estava em um grau aceitável. Ele a retirou da banheira, a secou e voltou a deita-la na cama. Respirou fundo e rezou para que Hyoga nunca lha perguntasse o que havia feito para recuperar a calor do corpo de sua mãe. O cavaleiro se despiu e cuidadosamente se deitou sobre Nastassía. Depois cobriu os dois corpos e passou a esfregar o corpo da garota cor força e velocidade para que com a fricção os últimos graus fossem recuperados. Ele estava nú porque dessa forma o calor do seu próprio corpo poderia servir de aquecedor para o da jovem. Poderia parecer indecente, mas nada como o calor do corpo humano para reaquecer outro e ele não estava disposto a deixa-la morrer.
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Era um pouco mais que quatro e meia da madrugada quando Kamus acordou completamente suado. Tivera sonhos, e estava se amaldiçoando por isso. Ao olhar para o corpo nu repousando ao seu lado, chegou a bufar de raiva de si mesmo. A temperatura do corpo de Nastássia já havia voltado ao normal, mas toda aquela proximidade fez com que o corpo do aquariano atingisse temperaturas febris. Sabia que era errado, mas como não se sentir daquele jeito tendo uma mulher nua e, absolutamente, exuberante debaixo do seu corpo?
Assim que adormeceu, depois de constatar que ela estava bem, sua mente foi invadida por imagens suas e de Nastássia. Sonhos eróticos que o deixaram profundamente perturbado. Não poderia sentir algo assim por ela. Não deveria sentir nada por ela, isso sim. Ela é a mãe do Hyoga e, além disso, é muito mais velha que ele; tá isso não tem nada a ver e considerando o fato de que e as águas congeladas deixaram-na coma aparência de 20 e poucos anos, eles tinham em tese a mesma idade. Ele tentava repreender os próprios pensamentos, não importava a idade ou o tanto que ela era linda. Era mãe de seu discípulo e isso deveria ser o suficiente para que ele não especulasse qualquer possibilidade de estar com ela em qualquer sentido.
- Deveria te-la deixado lá, maldita hora que resolvi ser bom samaritano. E você tinha que estar viva? Não podia estar simplesmente morta e me poupar de todo esse contratempo? E agora como que eu explico para seu filho que você está viva? E que tive que me esfregar a noite toda em você para deixa-la quentinha? Ai, Zeus, vou pro esquife de gelo! – Ele praguejava enquanto olhava para o semblante tranqüilo que Nastássia mantinha enquanto dormia.
Levantou-se da cama e foi procurar por algo para vestir, não só a si mesmo como a mulher. Colocou uma calça de moleton velha e uma camisa regata. Pegou uma camisa de malha qualquer e vestiu a garota. Agora pelo menos não teria que resistir a tentação de passar o resto da infindável noite siberiana olhando para aquela escultura dos deuses. Ele se deitou novamente ao lado da loira e logo voltou a dormir.
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O corpo estava fraco e ela sentia dores por todas as partes. Abriu os olhos com grande dificuldade e deu uma boa olhada em tudo a sua volta. Era uma cabana rústica e ela estava deitada em uma confortável cama de casal, e coberta por varias mantas.
Pôs a mão sobre a têmpora na expectativa de se lembrar como fora para ali. A última coisa que se lembrava era de ter deitado em sua cama no navio que naufragava com esperança de que a morte a levasse logo e não tivesse que ficar por muito tempo pensando no rostinho desconsolado do filho que não suportava a idéia de perde-la. Seu filho, como será que ele estaria? Será que realmente sobreviveu aquele terrível acidente?
Aqueles pensamentos a forçaram a se levantar, mas a fraqueza não permitiu. Ela voltou a se deitar e poucos minutos depois a porta do quarto se abriu.
- A senhoria acordou? Que bom! – Disse uma senhora de aparentemente 50 anos, corpulenta, de rosto redondo onde se estampava um grande sorriso. – E bem na hora que eu lhe trazia algo para comer. Como se sente?
- Estou um pouco fraca! Mas acho que no mais estou bem. Onde estou? – Nastássia inquiriu a senhora que colocava uma bandeja farta de alimentos perante a garota.
- Está segura, e é isso que importa. Não posso lhe dizer nada. São ordens do patrão. Ele mesmo irá conversar com a senhorita quando voltar. Ele teve que fazer uma viagem até um vilarejo mais distante para trazer alguns mantimentos que não encontramos por aqui. – a mulher respondeu ainda com um grande sorriso no rosto. – A senhorita vai gostar muito do patrãozinho. Ele é um encanto de pessoa. Além de ... ka para nós , ele ser um pedaço de mau caminho! – A velha disse zombateiramente e saiu do quarto antes mesmo que a Nastássia responder qualquer coisa.
- Minha senhora, seu patrão pode ter a melhor das intenções e eu lhe sou muito grata por ter me salvado e cuidado de mim. Mas assim que me sentir um pouco melhor que seja vou atrás de meu filho. É uma pena, mas acho que não conhecerei esse "pedaço de mau caminho" – Ela falou para porta que se fechou a sua frente.
Comeu tudo que pode com todo o entusiasmo. Estava surpresa com a própria fome, parecia que não comia ha anos. Mas sabia que isso tudo era uma grande vontade de se fortalecer o mais rápido possível para ir em busca de seu pequenino filho. Onde estaria Hyoga?
Continua...
Está ai o primeiro capítulo da fic desse casal tão diferente, mas que eu achei encantador, como já havia dito. Gente alguém avisa para Nastássia que ela está toda preocupada com seu pequenino filho, mas ele deve estar por ai fazendo netinhos para ela.
Até a próxima, beijos
Analuisa
P.S - Eu queria ter falado inverno siberiano no capítulo passado, mas escrevi inferno, mas no fundo, com aquele frio todo, deve ser tudo a mesma coisa!
