As falas em negrito referem-se as das pessoas com quem o Kamus está conversando ao telefone.
Saint Seiya não me pertence e sim ao Kurumada e empresas por ele autorizadas.
BOA LEITURA.
Noites Brancas
Capítulo 2
Após três dias de viagem ao vilarejo para fazer compras de mantimentos, Kamus, finalmente, voltava à cabana que havia alugado. Estava ansioso, queria logo vê-la, saber se estava bem. Ele pensou em ligar para Hyoga e pedir que fosse a Sibéria, iria surpreendê-lo com a presença da mãe. Mas faltou-lhe coragem. Esta era uma situação em que ele não estava no controle das coisas e isso o deixava completamente desconcertado.
Durante os dias em que esteve fora, a imagem da Nastássia não saiu de sua mente nem por um minuto se quer. Porém a imagem sempre vinha acompanhada de um Hyoga tremendamente irritado querendo mata-lo por dar em cima de sua mãe. Mas o que ele estava pensando? Ele nunca deu em cima daquela mulher! Tudo bem que ele esteve por cima dela, mas foi unicamente com o objetivo de salva-la. Por que ela tinha que ser tão bonita? Era melhor que tivesse sido comida pelos peixes. A culpa que sentia por estar tão atraído pela mãe de seu discípulo não o permitia nem de pensar direito.
- Como está, Veruska? – O cavaleiro cumprimentou a mulher que havia contratado para lhe servir nestes dias.
- Que bom vê-lo, senhor Kamus! Estou ótima e nossa visitante também, sei que seria sua próxima pergunta! – A senhora disse com um belo sorriso.
- Onde ela está? – Kamusassustou-se com o tom de urgência de sua voz.
- No quarto, ainda não está forte o suficiente para ficar andando. É uma garota adorável, mas acho que ela está um pouco transtornada! Tem tido muitos pesadelos e fica dizendo que tem que encontrar o filho.
Kamus sentiu o coração apertar. O que ele diria a ela? Olha querida, seu filho já não é mais o mesmo, ele é quase do meu tamanho e a julgar pelo o tanto de mulher que ele já pegou as essas alturas você é avó. O cavaleiro balançou a cabeça. Era incrível a quantidade de besteiras que começaram a habitar sua mente desde que a resgatou.
- Vou ve-la. Arrume as coisas, por favor. E faça o jantar, estou faminto! – Dizendo isso ele tomou as escadas que levavam ao único quarto da cabana. Ele entrou no aposento procurou por todos os lados, mas não viu a jovem. O quarto estava encoberto por um pouco de neve. Ele olhou para janela e o viu que ela fizera uma corda de lençóis. Havia fugido. "Mal agradecida", foi o que ele pensou, espumando de raiva, quando pulou a janela para sair a sua busca.
Para o cavaleiro não foi difícil localizar a mulher que andava vagarosamente; a neve estava fofa e vazia com que seus pés afundassem até metade da canela, dificultando a locomoção. Ele se aproximou sem fazer barulho.
- Devia denuncia-la por furto. Onde pensa que vai com meu casaco? – Kamus perguntou com certa frieza na voz, mas estava se divertindo com o olhar assustado que jovem lhe lançou.
Nastássia, que havia pegado um dos casacos de Kamus para fugir, pois seria impossível enfrentar as temperaturas do lugar sem a devida proteção, o olhou com ar de superioridade e simplesmente retirou o casaco jogando-o aos pés do cavaleiro e voltou a caminhar.
- É muito mal agradecida, sabia? E teimosa. Se continuar andando só com esse vestido, irá congelar!
- Já lhe devolvi seu casaco, senhor! E se tivesse prestado a devida atenção quando entrou no quarto, teria visto que lhe deixei um bilhete onde lhe agradeço por tudo e lhe desejo felicidades. Mas renovo agora os meus agradecimentos. Tenho que ir! – A loira disse tudo sem olhar para Kamus, mas, do pouco que viu do rapaz, foi obrigada a concordar com Veruska, ele era lindo!
Ela voltou a andar, mas o cavaleiro se pôs a sua frente.
- Não vou me dar ao trabalho de salva-la de novo!
- Não estou lhe pedindo nada! Apenas quero encontrar meu filho. Não posso pensar em minha segurança enquanto um garotinho de apenas sete anos está perdido por ai.
- Se morrer congelada de nada terá valido seu esforço, ainda irá deixar o garoto com sentimento de culpa.
Nastássia parou ao ouvir as palavras de Kamus. De fato, de nada adiantaria sua busca se acabasse morrendo. Mas ela estava desesperada, a lembrança do filho sendo levado aos prantos pelo bote salva-vidas a atormentava todo tempo. Ela acabou se entregando ao choro, enquanto se atirava nos braços do cavaleiro em busca de conforto e consolo.
Kamus a abraçou e acariciou seus cabelos, sentindo o corpo inteiro queimar com a aproximação. Nastássia se envolveu ainda mais nos braços fortes e acolhedores do rapaz. Era estranho, mas ela se sentia absolutamente segura e, de certa forma, até feliz em estar com ele.
- Tenho que encontra-lo, ele é tão pequeno e indefeso. – Ela disse entre um soluço e outro.
- Vamos voltar para cabana – Ele falou vestindo o casaco na mulher – Prometo que a ajudarei a encontrar seu filho. Tenha calma e tudo dará certo.
Os dois caminharam abraçados e em silêncio. Kamus não sabia por onde começar o assunto, como explicar que ela esteve hibernando durante mais de dez anos que seu pequeno filho agora era um homem? Teria que pensar em algo rápido. Ela estava muito decidida em encontrar Hyoga e com certeza tentaria fugir de novo se ele não lhe desse uma explicação plausível o mais breve possível.
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O jantar servido por Veruska estava divino e ambos comeram até se fartarem. Nastássia começava a se sentir culpada por ter fugido daquela forma. Realmente ela havia sido muito grosseira. Mas, quando soube que a cabana pertencia a um homem, uma conhecida onda de pânico tomou conta de seu ser. Não queria ter que passar por aquilo nunca mais, então aproveitou-se de sua ausência para fugir, além de estar extremamente ansiosa para rever o filho.
Não ficaria pensando nessas coisas, aquele homem a sua frente em nada lembrava Kensou. Era gentil, amável, cordial e estava tratando-lhe maravilhosamente bem. Não tinha o que temer, logo estaria com seu filho e era só isso que lhe importava.
- Diga-me Kamus, é esse seu nome não é? Como foi que me encontrou, a última coisa que me lembro foi te ter entrado na cabine do navio que estava naufragando. Você fez parte da equipe do resgate? – A pergunta pegou o aquariano de surpresa. O que dizer, pelos deuses, alguma luz!
- Fiz, sim. Quando a encontrei na cabine você estava completamente desacordada, mas perecia bem, como o hospital estava dando preferência às pessoas em estado grave eu a trouxe para cá. Mesmo que estivesse bem você precisava de cuidados. – "Miro, eu te amo! Graças as estes anos de convivência constante me formei na arte de inventar desculpas esfarrapas e altamente convincentes. Pela cara, ela acreditou." Kamus pensou aliviado.
- Sou muito grata mesmo, espero não ter te dado muito trabalho. Não gosto de incomodar ninguém.
- Não foi nada. Era minha obrigação como salva-vidas. Eu preso pela completa segurança dos meus resgatados. – "Eu já to abusando! Como me sinto mal de estar fazendo isso. Por que não digo logo a verdade. Só porque ela é totalmente ilógica e eu provavelmente não acreditaria em mim mesmo no lugar dela?"
- Sabe para onde foram as pessoas que foram resgatas pelos botes antes do naufrágio? Meu filho foi resgatado por um deles, então. deve estar junto a estas pessoas.
- É muito provável. Por sorte eu estou com o meu comunicador aqui. Com ele posso falar com qualquer das unidades de resgates. Vou me informar agora mesmo. Não quero que fique aflita sem notícias. – Kamus saiu da copa e foi até uma sala ao lado pegar o celular. Nunca chegou pensar que realmente usaria o telefone celular com transmissão via satélite que havia comprado. Quando ia a Sibéria era sempre em busca do mais completo isolamento.
Assim que atenderam do outro lado da linha, o cavaleiro sussurrou antes mesmo de falar alô:
- Estou apenas fingindo, mas preste atenção no que vou dizer, use a inteligência, que eu espero que você tenha, para captar as coisas nas entrelinhas. – Assim que disse isso falou alto o suficiente para que Nastássia ouvisse a conversa – Miriano! Justamente o homem que eu procurava! Foi você que ficou responsável pelo pessoal dos botes, não foi?
- Kamus, eu sabia que quando você ia sozinho para esse fim de mundo era para se encher de drogas e vodka. – Disse a voz do outro lado da linha.
- Não quero que pense que eu estou abusando de você. Mas preciso muito saber se um garotinho loiro, de aproximadamente sete anos, olhos claros que atende pelo nome de Hyoga, não estaria em um de seus botes.
- Não sou pedófilo para ter garotinhos de sete anos no meu bote não, tá? E eu já te disse para parar com essa coisa de tratar o Hyoga como criança. Pera aí, cê ta me chamando de gay? – Miro tentava de todas as formas descobrir se estava seguindo a mesma linha de raciocínio de Kamus, mas para ele o amigo não falava nada com nada e ainda estava insinuando coisas das quais ele não estava gostando.
- Não pode ser tão difícil para uma pessoa tão capacitada como você, localizar uma simples criança. É muito importante. – Kamus estava a ponto de socar Miro. Quanta ignorância em um único ser.
- Aaaahhhhhhh, você quer que eu chame o Hyoga para você. Agora sim, eu entendi. Ele está aqui em casa mesmo. Estamos fazendo uma festinha. Cada gata! Você está perdendo. Já vou chamar.
- Eu sabia que podia contar com você, Miriano. – Kamus ficou mais calmo. Pelo menos Miro conseguiu juntar dois com dois, isso era fenomenal considerando o estado etílico que o amigo deveria estar em virtude da festinha. Hyoga logo atendeu ao telefone e, para alegria de Kamus, ele parecia estar sóbrio.
- Diga mestre, Kamus! Algum problema?
- Quero que venha a cabana em que estou ocupando, venha o mais rápido que puder. E traga a criança com você, a mãe dele está a sua espera.
- Do que o senhor está falando?
- Simplesmente venha para cá! Deixe as perguntas para quando estiver aqui.
- Poderei viajar em três dias. Saori pediu para que recebesse seus novos discípulos para senhor, pode ser?
- Que seja. Contanto que o tragam em segurança. Diga ao senhor Miriano que eu voltarei a ligar mais tarde. – E sem se despedir ele desligou o telefone e fitou Nastássia que parecia aflita.
- E então? – Ela perguntou ansiosa.
- Eles o localizaram, sim. Pedi para que o trouxessem, pois você não está em condições de viajar, ainda está fraca. Ele chega em três dias!
Kamus ficou surpreso coma reação de mulher. Ela se levantou eufórica e se jogou em cima dele com tanta empolgação que ambos perderam o equilíbrio caindo sentados no sofá que estava atrás do cavaleiro. Com a queda os lábios de Nastássia roçaramlevemente nos de Kamus e ambos sentiram uma estranha corrente elétrica invadir seus corpos. Ficaram se olhando enquanto sentiam a pele das bochechas queimar de vergonha. A garota desviou o olhar e se levantou rápido.
- Me desculpa. É que a notícia me deixou tão feliz. Não pude me conter. Muito, muito obrigada!
Kamus também se levantou e tentou se recompor da situação, deliciosamente, constrangedora. Mal conseguia olhar para mulher, e achou melhor assim. Se a fitasse não iria resistir, a pegaria no colo e ia mostrar a forma correta de se comemorar uma notícia tão boa.
- Como disse, está é a minha obrigação. É melhor irmos dormir! – Ele disse secamente, pois temia que todo seu desejo pudesse transparecer em sua voz.
- É melhor mesmo! – Ela respondeu perecendo estar um pouco magoada.
Os dois seguiram para o segundo andar da cabana com sentimentos bem diferentes quanto ao esperado dia da chegada de Hyoga. Ela radiante de felicidade e ele cheio de tristeza; seria o dia em que descobria o quanto ele havia mentido para ela.
C.O.N.T.I.N.U.A
