Antes de iniciar este capítulo acho importante eu dizer algo para que as pessoas não se confundam depois. Minha fic segue a versão do anime, portanto, o velho decrépito do Kido, vovô da Saori, não é o pai dos cavaleiros de bronze, mas o pai do Hyoga é um japonês cuja importância surge no capítulo que vem. Lembrando queas minhas fics nunca seguem a cronologia do Kurumada, então o Hyoga está com dezessete para dezoito anos, o que eu acho uma idade mais condizente com a aparência do rapaz. É tudo. Boa leitura!

Noites Brancas

Capítulo 3

- Este é o único quarto da cabana, não é? – Nastássia indagou quando ela e Kamus pararam diante da porta no segundo andar.

- Eu não vou ficar. Entrarei apenas para pegar uma roupa de cama. Dormirei lá embaixo no sofá. – O cavaleiro respondeu enquanto entrava no quarto e se dirigia a um baú para pegar um conjunto de lençóis.

- De jeito nenhum! Esta é a sua casa e eu já disse que não quero incomoda-lo. Eu durmo lá embaixo, faço questão! – A garota falou tirando a roupa de cama das mãos do aquariano.

- Não seja tola! Acha que eu vou deixa-la dormir desconfortável naquele sofá sendo que além de minha responsabilidade você é minha convidada. Não está totalmente recuperada do acidente e precisa dormir bem para renovar suas forças - Ele disse firme após retomar o tecido de algodão branco.

- Mas não é justo que... – Ela não conseguiu terminar sua argumentação. Assim que começou a falar, Kamus a pegou no colo e a levou até a cama.

Nastássia sentiu o coração disparar aos ser ver nos braços de seu salvador. Ser levada até a cama de uma forma tão sedutora e ao mesmo tempo rigida e até um pouco agressiva lhe despertou desejos que ela jamais imaginou que um dia iria sentir. Queria intensamente que aquele homem passasse a noite ao seu lado e se recriminou mentalmente por tais pensamentos. Ela nunca deveria sentir isso, por homem nenhum. Não permitiria se submeter aos desígnios masculinos mais uma vez. Porém ela não conseguia negar para si mesma a grande atração que Kamus lhe exercia. O conhecia ha apenas algumas horas, mas sentia que estas horas se equivaliam a anos. Será que era isso que as pessoas costumam chamar de amor à primeira vista? Não! Ela não poderia estar apaixonada por um desconhecido, poderia?

Kamus percebeu que a jovem parecia estar absorta em seus pensamentos, provavelmente pensava no filho que ela tanto ansiava em reencontrar. Delicadamente ele afofou os travesseiros e a acomodou sobre eles.

- Durma bem e descanse! – Ele disse a despertando de suas abstrações.

Assim que ela se acomodou ao seu próprio gosto, ele a cobriu e, sem nem mesmo entender o que o levou a agir tão carinhosamente, a beijou na testa. Nastássia fechou os olhos para sentir melhor o leve toque dos lábios do cavaleiro. Sem dúvida ele não a ajudava em nada; como não se apaixonar por uma criatura tão doce e irresistível?

- A cama é bem grande – Ela disse hesitante – Quero dizer, ela é grande o suficiente para que nós dois possamos dormir confortáveis e sem que você tenha que guerrear com aquele sofá minúsculo.

Era tudo que Kamus queria ouvir: uma autorização para passar a noite ao lado dela sentindo o perfume delicado que sua pele macia possuía. Porém ele não queria evidenciar sua vontade aceitando a proposta facilmente.

- Não acho que seja correto. As pessoas comentam, confundem as coisas. Poderia prejudicar meu trabalho na equipe de resgate e ... – E ele sabia que já estava falando demais, se continuasse com esta argumentação tão convincente acabaria por faze-la desistir do convite.

- Acho que não teremos esse problema, estamos completamente isolados e eu não acho que a senhora Veruska seja uma fofoqueira de plantão. Não seja tão rígido, Kamus, somos adultos e sabemos que não vai acontecer nada que não seja de nossa vontade. – A última frase saiu como um sussurro, não queria ter dito aquilo, por mais que sua vontade em estar com ele fosse um fato. Sentia como se tivesse acabado de se oferecer para o cavaleiro, morrendo de vergonha por não ter conseguido controlar seu desejo. Sentia-se suja, uma mulherzinha qualquer que se joga vulgarmente nos braços do primeiro homem que a trata com o mínimo de consideração.

A sensação de arrependimento pelo que havia dito foi imediatamente percebida por Kamus.

- De fato, Natássia, não acontecerá nada que não seja, realmente, a "nossa" vontade. Durma bem e até amanhã! – O aquariano usou toda a frieza que conseguiu reunir para dizer aquilo e em seguida saiu do quarto antes que ela dissesse qualquer coisa, mesmo sabendo que essa atitude a magoaria profundamente.

Ela também o desejava, mas se mostrou tão assustada com isso que ele achou que não poderia agir de outra forma, se ficasse ali perderia a razão. Como resistir se ela também o queria? Geralmente, quando a mulher por quem ele estava interessado lhe era receptiva, ele não pensava duas vezes, mas ela era diferente, era especial, ele nunca havia sentido nada se quer parecido com o que sentia agora. Sua vontade era de conforta-la, ve-la feliz de estar ao seu lado só por estar, não entedia o que estava exatamente acontecendo com ele e isso o perturbava. A atração que sentia lhe parecia completamente inexplicável, ela nem fazia muito seu tipo, o pior era ser correspondido e não poder fazer nada.

"Não posso me envolver com a mãe de um discípulo, eu jamais seria perdoado e nunca mais teria autoridade para treinar nem ursos polares. Me desculpe, Nastássia, mas isso que sentimos é um erro. Um erro que eu não posso me dar ao luxo de cometer, até mesmo porque sei que em breve você me odiará, não quero me aproveitar de você!". Foi com esse pensamento que o aquariano adormeceu encolhido no sofá da sala da cabana.

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Nos dois dias que se seguiram a impressão que a velha Veruska tinha era que o clima entre os habitantes da cabana era mais frio que o rígido inverno siberiano. Kamus e Nastássia mal se falavam, fora quando não usavam a pobre empregada de intermediária de seus diálogos 'Fale para o senhor Kamus que eu estou indo dormir!' 'Diga a essa senhora que ela não tem que me dar satisfação de todos os seus passos!'.

Para piorar a situação de ambos, toda aquela hostilidade em nada diminuiu os sentimentos que um nutria pelo outro, pelo contrário. Cada olhar triste que a loira lançava ao aquariano aumentava sua vontade de abraça-la e dar vazão aos seus desejos. Por outro lado crescia a vontade que a jovem tinha de se entregar ao cavaleiro, principalmente após espiar, sem querer, ele tomar banho e quando via o semblante de dor que ele exibia ao se deitar no sofá.

Finalmente havia chegado o dia em que Hyoga chegaria a Sibéria trazendo um grande alívio a seu mestre, pelo menos ficaria livre da tortura de ter Nastássia tão próxima e não poder fazer nada além de trata-la com um falso desdém.

A loira estava mais ansiosa que nunca. Contava as horas que a separavam do tão desejado reencontro. Além disso, ela carregava a certeza que a presença do filho afastaria de sua mente um certo rapaz alto, de pele clara, corpo definido, belo rosto, cabelos lisos e magníficos olhos azuis. "Nem toda a frieza ofusca a beleza que ele possui. Senhor, afaste de mim esses pensamentos que só me fazem sofrer. Traga-me logo meu filho para que eu possa sumir desse lugar para nunca mais voltar!".

Porém naquela mesma tarde, Kamus recebeu um telefonema do Santuário e para sua surpresa a própria Athena lhe informava que precisaria de Hyoga por mais um dia e que ele estaria liberado na noite do dia seguinte. Obviamente o Cavaleiro de Ouro de Aquário não ousou contestar a deusa e disse que o que queria com o discípulo não era tão urgente.

Preocupado sobre o que diria para Nastássia para justificar o atraso do filho ele acabou por pensar em algo que seria realmente convincente, mas sentiu-se muito frustado em ter que engana-la mais uma vez. Afinal de contas ele não havia sido sincero nem por um minuto, que diferença faria mais uma mentira? Elevou seu cosmo e provocou uma grande tempestade que impediria que qualquer pessoa se aproximasse da região da cabana. Nada como o fenômeno "natural" para convence-la de que o filho não poderia chegar naquele dia para sua própria segurança.

Somente após iniciar a tempestade que o cavaleiro percebeu que a jovem não estava na cabana, o que significava que ela estava lá fora sofrendo com o ataque das fortes rajadas de vento gelado e cortante. Ele saiu a sua busca e usou sou cosmo para abaixar a força da ventania. Acabou a encontrando em frente a um penhasco de gelo, olhando para o horizonte e se abraçando tentando enganar o frio.

- Eu sei que ele não vem mais! É impossível viajar com uma tempestade dessas. Só espero que ela não se perdure por muitos dias. Você deve estar ansioso para se livrar de mim! – Nastássia nem se esforçava para disfarçar o choro e começou a falar assim que ouviu os passos de Kamus se aproximando.

- Não diga bobagens! Não quero me livrar de você. Venha! Ficará doente se continuar aqui.

- É mesmo, eu me esqueci, sou sua responsabilidade e o seu empreguinho de salva-vidas vai por água abaixo se algo me acontecer – Ela disse nervosa, quase gritando tentando aliviar a angustia que sentia por ter que ficar mais tempo do que pretendia ao lado dele.

Aquilo era demais! Não suportava o fato de ve-la sofrer e saber que suas atitudes éque provocavam esse sofrimento. Caminhou até onde ela estava e a abraçou com força. A loira resistiu por um tempo, mas logo cedeu e retribuiu o abraço com igual intensidade, enquanto chorava apoiada nos ombros do cavaleiro.

Sentiu o rosto ser erguido por uma sas mãos do aquariano forçando-a a olha-lo. Com o polegar ele secou as lágrimas da jovem e passou a fita-la com paixão. Umedeceu os próprios lábios com a língua antes de tomar a boca da jovem com a sua, dando-lhe um beijo ardente e apaixonado.

O beijo se intensificava arrancando gemidos dos amantes a cada momento que paravam para respirara para logo em seguida se entregarem de volta a carícia. As línguas travavam um duelo excitante e prazeroso. Kamus sentia o corpo inteiro arder de desejo e contemplação por finalmente senti-la entregue em seus braços de tal forma que os dois se encontravam em um estado febril apesar do frio que os circulava. O cavaleiro se libertou dos lábios rosados para se aventurar em outras partes do corpo de Nastássia, beijando-lhe a orelha e o pescoço sem mais conseguir as reações que o corpo masculino tinha com tamanha proximidade.

As mudanças no corpo de Kamus foram imediatamente percebidas por Nastássia que viu a mente ser tomada por uma onda de arrependimento e de um medo incontrolável, levando-a a afasta-lo com um forte empurrão. O cavaleiro ficou impressionado com a reação da jovem. Sabia que aquele beijo era uma vontade de ambos, então qual era o motivo dela reagir daquele jeito? Fosse o que fosse era algo muito sério, pois ela nem lhe deu tempo para questiona-la, saiu correndo em direção da cabana sem nem se importar com tempestade e deixando-o sem saber como agir.

C.O.N.T.I.N.U.A

Estou adorando os reviews, muito obrigada, nunca pensei que esse casal fosse agradar tanto, espero não decepcionar ninguém ao longo da fic, pois ela já está prontinha na minha cabecinha e será pequena. Beijos

Analuisa.