Noites brancas
Capitulo 5
Nastássia tinha a certeza que nenhuma palavra no mundo, em qualquer língua que fosse, era capaz de descrever sua alegria quando acordou e sentiu os braços de Kamus a envolvendo carinhosamente. Sentia-se protegida e completamente realizada como mulher. Era incrível constatar como ele fora capaz de apagar toda negritude do seu passado apenas com aquela noite.
Ela se aconchegou mais um pouco dentro do abraço, buscado ficar ainda mais perto dele. O movimento acabou por despertá-lo, mas ela apenas percebeu o fato quando recebeu um cálido beijo na testa.
- Desculpe! Não queria acordá-lo.
- Não se incomode com isso. Tenha certeza que nenhum sonho que é melhor do que estar acordado com você aqui. – Disse ele voltando a beijá-la na testa e a abraçando com mais força.
- Não gosto daqui, principalmente no inverno. É tudo tão escuro, nem sabemos quando é dia e quando é noite.
- Eu acho ótimo, sabia? Assim eu posso enganá-la dizendo que nossa noite ainda não terminou ... – A voz saiu rouca de desejo, e o corpo já reagia à presença do corpo nu e perfeito da loira deitada ao seu lado. – Você é linda, perfeita, é a única que desejo e que gostaria de estar por toda a vida... – Nem mesmo ele sabia o que o fazia falar aquelas coisas, nunca foi desse tipo de coisa, mas sabia que cada uma de suas palavras era sincera.
Nastássia sentiu os olhos lacrimejarem. Achou aquilo um pouco ridículo, não era hora de chorar ou de ser sentimental, mas era impossível tentar negar o efeito que aquela declaração fazia com sua alma e seu corpo. Ela também sentiu o desejo de tê-lo crescer novamente, com uma intensidade que ela não sabia que era capaz de sentir. Tomou ela mesma a iniciativa de beijá-lo ardentemente, deixando que uma lágrima corresse, ela não tinha porque conter sua felicidade.
- Faça amor comigo de novo... Agora! Quero senti-lo dentro de mim, sentir de novo todo o prazer que é estar com você... – Ela disse enquanto o beijava ao longo do abdome, chagando até o seu baixo ventre... Por um momento ela estancou, mas logo tomou coragem e passou a estimulá-lo com os lábios ávidos, cheios de uma luxúria que o cavaleiro não conheceu em nenhuma outra. Ele realmente havia despertado a mulher que havia dentro dela e não poderia estar sendo recompensado de melhor forma.
Ele deixou-se levar pelo prazer que a carícia lhe proporcionava até que o estimulo chegou ao incontrolável e ele a tomou para amá-la quantas vezes seus corpos permitissem. Somente quando chegaram à exaustão é que se entregaram mais uma vez ao sono restaurador.
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- Odeio frio, odeio frio, odeio frio...
- Miro, para com isso, nem está tão frio assim...
- Fala isso porque é o filhote do Happy Feet. Porque eu fui sair do meu país quentinho para me enfurnar nesse inferno gelado? Não me bastou a experiência em Hades, não?
- Você veio porque está morto de curiosidade sobre o que o mestre Kamus está fazendo aqui. Foi você mesmo quem disse que ele não estava falando coisa com coisa no telefone.
- Eu sei que ele está aprontado algo, o Happy não sabe mentir sem se entregar, não para mim!
- Ai que lindo! Fico sensibilizado com esta cumplicidade que existe entre vocês – Hyoga disse fingindo limpar uma lágrima. – Só quero ver a cara dele quando souber do novo apelido carinhoso que você arranjou.
- Não provoca, pato! Você sabe o que te aconteceu quando achou que podia me enfrentar. Vamos logo ver o que ele quer para que eu possa ir embora dessa geladeira.
Os dois homens caminharam a passos largos até a cabana de treinamento do Cavaleiro de Aquário. Assim que entraram, Miro foi logo retirando os quatro casacos pesados que usava; ao que parecia a casa estava com o aquecedor ligado no máximo.
- Que estranho! O mestre não usa o aquecedor, diz que dessa forma consegue aprimorar o controle do seu cosmo.
- Eu disse que ele não está normal, mas eu estou morto com essa viagem. Me acorde em meia hora, certo? – Miro falou jogando-se no sofá da sala, dormindo quase que imediatamente.
- Isso é um cavaleiro de ouro! Que Athena nos proteja. – Hyoga deu o sorriso e seguiu até a cozinha, estava com fome e sabia que Veruzka devia ter deixado a despensa cheia.
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A fome foi mais forte que a vontade continuar deitada. Tomando cuidado para não acordar Kamus, a jovem se levantou e seguiu para parte de baixo do da cabana. Passou rapidamente pela sala e não percebeu o ronco que vinha do sofá. Ao entrar, distraída, na cozinha ela colidiu com uma pessoa que saia de lá carregando uma bandeja. No mesmo estante as duas pessoas se abaixaram para recolher as coisas que haviam caído.
- Desculpe-me senhorita, eu não sabia que o mestre tinha companhia, do contrário eu jamais estaria incomodando – Hyoga foi logo se justificando, completamente envergonhado por ter invadido a intimidade de seu mestre. Ele nem parou para fitar a jovem de tão desconsertado que estava.
- Eu que peço desculpas! Kamus também não me avisou que estava esperando alguém e... olha só meus trajes... que vergonha! – Nastássia também não cabia em si de constrangimento. Ela estava vestida apenas com uma camisa, que por sinal, era de Kamus.
Hyoga sentiu que o sangue parou de circular quando ouviu a voz da mulher. Não importa quantos anos se passasse, ele jamais esqueceria aquela voz. Era impossível que pudessem existir duas pessoas com a voz tão parecida. Tomando coragem, ele ergueu a cabeça para fitá-la e foi ao encontrar os belos olhos azuis da mãe que ele teve a absoluta certeza que não poderia estar diante de outra pessoa.
Nastássia não entendeu o que houve com o jovem. Assim que ele a olhou, seus olhos encheram-se de lágrimas e parecia que as palavras haviam fugido de sua boca. Ele a olhava de uma forma estranha, um misto de descrença, admiração...felicidade? O rapaz estendeu a mão para tocar-lhe o cabelo e, sem saber o porquê, ela permitiu. A loira também sentia que fora acometida por estranhos sentimentos quanto aquele belo jovem que estava a sua frente, seu coração batia descompassado, como se anos estivessem passado sem que o visse ao mesmo tempo em que tinha a estranha sensação de tê-lo visto ontem mesmo.
- Mãe... Não pode ser... Não é real...Só pode ser um sonho! – Ele deslizou a mão até o rosto da mulher e o acariciou. Novamente ela não o impediu, mas as palavras dele lhe causaram um aperto enorme no coração. Por que ele a chamava de mãe?
- Quem é você?
- Mamãe, a senhora não se lembra de mim? Mãe sou eu Hyoga, a senhora tem que se lembrar – Hyoga trazia a mão da mulher para próximo dele. Tentado faze-la tocar-lhe o rosto achando que assim a faria lembrar.
No momento em que ouviu o nome do filho ser proferido pelo jovem, Nastássia se afastou bruscamente dele. Estava completamente estupefata. Seu filho era um garotinho de sete anos, não um rapaz que era quase um homem. Aquilo só poderia ser uma brincadeira de péssimo gosto.
- VOCÊ NÃO É MEU FILHO... MEU FILHO É UM GAROTINHO! – ela gritou a plenos pulmões, mas ao mesmo tempo ela mesma não tinha certeza do que dizia. Aquele jovem tinha o mesmo olhar doce que seu filho, os mesmos traços, a mesma beleza... era como se fosse uma versão amadurecida do seu pequeno Hyoga. Ela andava para trás sem olhar até que bateu em uma outra pessoa, mas esta ela sabia muito bem quem era.
- Mestre! Quem é essa mulher? Porque ela se parece tanto com a minha mãe? O que está havendo aqui?
- Hyoga, se acalme e eu irei explicar tudo! – Kamus abraçava Nastássia, mas no momento em que ela o ouviu chamar o rapaz pelo nome do filho ela se afastou imediatamente e o olhou incrédula e raivosa.
- NÃO VAI TENTAR ME CONVENCER QUE ESTE... ESTE... ESTE... HOMEM É MEU FILHO! – Os olhos se encheram de lágrimas e ela voltou a falar com a voz embargada – Você me enganou! Como pode? Só queria ganhar minha confiança, não é? Não faz idéia de onde está meu filho por isso criou esse circo, não foi? Não prestou atenção quando eu disse que ele era uma criança?
- Eu to perdendo alguma coisa? Que gritaria é essa? Que mulherão é esse, meu senhor... – Miro calou-se no segundo seguinte ao ver o olhar assassino que Kamus e Hyoga lhe lançaram. Resolveu ficar quieto e acompanhar o desenrolar dos acontecimentos para ver se entedia algo.
- Nastássia, não tire conclusões precipitadas, por favor! Me escute, há uma explicação para tudo isso...
- A ÚNICA EXPLICAÇÃO QUE VEJO É A QUE VOCÊ É UM SÓRDIDO, MENTIROSO... E eu cai! Acreditei em você, confiei em você... AMEI VOCÊ!- Ela sentiu as forças faltarem e caiu desmaiada e só não foi ao chão porque foi segurada por Kamus.
- Mestre Kamus! O que está acontecendo?
- Hyoga, venha e eu lhe contarei tudo, mas tente ficar calmo, sim?
O discípulo balançou a cabeça em sinal de aprovação e os três cavaleiros seguiram para sala da cabana, mas antes Kamus foi até o segundo andar deixar Nastássia repousando na cama.
O Cavaleiro de Aquário contou tudo a Hyoga, desde sua decisão de recuperar o corpo de Nastássia até a estranha constatação de que a jovem esteve viva durante todos estes anos, mesmo submersa. Miro olhava para o amigo atônito, mas o próprio Kamus deixou claro que ele também achou o fato estranhíssimo. Ele apenas não mencionou o relacionamento dos dois, tinha muita vergonha de admitir isso para o discípulo.
- Não posso acreditar! Minha mãe...ela está viva! Porque não contou a ela a verdade? Poderíamos ter nos encontrado antes...Quero vê-la, agora mesmo! Quero abraçá-la, ter certeza que é real! – Hyoga não cabia em si de felicidade, não lembrava de nenhum momento de sua vida que fosse comparado ao que estava acontecendo. Foi quando ele olhou para Kamus e percebeu a grande tristeza que o rondava. Lembrou das palavras de sua mãe na cozinha e no mesmo momento entendeu o que havia ocorrido.
- Pode me odiar se quiser! Tem total razão para isso, não é mesmo? Primeiro eu afundo ainda mais o navio dela para não deixar que a visse. Depois eu a resgato e a engano, também não conto nada para você. Ainda por cima a seduzo e me satisfaço ignorando tudo que aconteceu a ela. Não mereço seu respeito muito menos sua consideração, Hyoga – Nem Miro, nem Hyoga jamais haviam visto Kamus daquele jeito, sua fala era descontrolada e ele estava terrivelmente nervoso. Passava a mão pelos cabelos enquanto lutava para que a vontade de chorar não fosse mais forte que seu orgulho.
- Mestre... Eu posso ver seus defeitos, mas nunca ficaria cego para suas qualidades. Sei que não é uma pessoa leviana, mas deveria ter sido honesto com ela, por mais que a história fosse absurda deveria ter lhe dito a verdade.
- Eu sei! Mas eu estava tão chocado com tudo e... eu não queria me envolver, foi mais forte que eu.
- Eu sempre te disse que quando se apaixonasse ia perder a compostura, quem mandou ser certinho?
- Miriano, hoje, só hoje, me poupe de você, sim?
- O que pretende fazer agora? Ela está irada com você. Se livrou dos tapas do moleque porque ele deve estar imaginando a cena da família feliz: Mamãe, Mestrinho e filhinho, mas Kamus, ela não vai te perdoar.
- Cala a boca Miro! Que saco, vai para o inferno e não faz me sentir pior do que eu estou!
- Mestre, eu posso tentar falar com ela, quem sabe ela me escuta. E se você fizer mais uma brincadeira em relação a isto aqui, Miro, teremos uma revanche da luta da casa de Escorpião e se eu fosse você, não confiaria na vitória.
- Se acalme pato, só estou pondo as coisas como elas são.
- O Miro está certo! Ela não vai me ouvir e não vai te ouvir também. Esqueceu que ele acha que o filho dela é uma criança?
- De qualquer forma, eu quero tentar. É minha mãe, ela terá que me ouvir, sei que eu a farei a acreditar.
- Ela vai acreditar Hyoga, eu sei disso, ela só não vai me perdoar e eu não a culpo, eu abusei da confiança dela, há coisas que você não sabe e nem deve saber... Eu vou dar uma volta. Vê o que consegue fazer. Vai comigo, Miro?
- Claro! Afinal eu não terei muita escolha, mais cedo ou mais tarde você ia chorar as mágoas comigo, quanto antes melhor.
Enquanto os dois cavaleiros saiam da cabana (depois de dez minutos de espera para que Miro recolocasse seus casacos), Hyoga subia a escadas para encarar sua mãe e tentar convencê-la da verdade.
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Quando Hyoga entrou no quarto, Nastássia já havia acordado. Estava sentada na cama abraçando os joelhos. Chorava silenciosa e virou-se para fitá-lo.
- O que quer aqui rapaz? Se pensa que vai me convencer deste absurdo, está perdendo seu tempo. Suma daqui! Deixe-me em paz!
- Mãe...
- Não ouse me chamar assim! Tenha respeito com meu sofrimento – Ela se levantou e o encarou com fúria – Não sei quanto ele está te pagando, ou que ele fez para convencê-lo de participar disso, mas tenha a decência de não continuar!
- Está julgando ele mal. Apesar de errado, ele fez tudo para protegê-la. Por favor, Nastássia! Olhe bem para mim! Afaste a raiva que está sentindo. Sabe quem eu sou...
- É impossível! Para que você fosse meu filho eu teria que ter envelhecido. Posso admitir que eu tenha ficado em coma, algo assim, mas continuo a ter 22 anos. Não dá para acreditar em você, não insista!
- Apenas então me escute. Se depois do que eu lhe contar, ainda assim pensar que eu estou mentindo, sairei daqui e não a importunarei.
Nastássia deu um longo suspiro. Escutar aquele rapaz era o mesmo que da certa credibilidade a Kamus, e isso ela não queria. Mas ao mesmo tempo ela sentia que tinha que ouvir.
- Que seja!Pode começar, estou ouvindo.
Reunindo coragem, Hyoga contou tudo a mãe. É lógico que ela estava completamente relutante em crer nas coisas que ele dizia, principalmente quando ele tentou explicar que era um cavaleiro de Athena assim como Kamus, que havia sido seu mestre. Para fazê-la acreditar em seus poderes ele fez uma pequena demonstração e que impressionou. Ele explicou que Kamus tinha os mesmos poderes, mas que era ainda mais forte. Apesar de ainda estar bastante incrédula, Nastássia começava a acreditar nas coisas que o rapaz dizia.
Ela levou uma das mãos ao rosto do jovem e o fitou com intensidade, tentando de alguma forma encontrar naquele homem algum resquício do seu garotinho. Ela não via nada, mesmo com a grande semelhança, ela estava diante de um homem, alguém que ele não acompanhou o crescimento para saber o que o fazia ser como era hoje.
Foi quando Hyoga deu sua cartada final. Sabia que depois disse ela não mais duvidaria.
- Sabe, eu me lembro da irmã Amália. Sempre que você não podia me por para dormir ela o fazia. Nunca era mesma coisa, mas ela até que cantava direitinho... – Nastássia olhou para o jovem, o coração batia com força. Se não fosse seu filho, ele não teria como saber essas coisas, não mesmo!
- Em baixo das infinitas nuvens, estava com a minha mãe naquele dia...Abri um guarda-chuva...ela puxou minha mão para a trilhar o verão... – ouvir a canção de ninar que ela mesma inventara foi a constatação final. Era mesmo Hyoga, não restava mais nenhuma dúvida!
Ela segurou o rosto dele com as duas mãos e o fitou com grande amor. As lágrimas que antes eram de tristeza e decepção agora eram o reflexo da felicidade. Ela o abraçou com toda força e o choro ganhou maior intensidade. Agora as lágrimas do cavaleiro acompanham as suas.
- Oh, meu Deus! Meu filhinho é um homem. Um homem lindo devo dizer! Quanto tempo de sua vida eu perdi, meu anjo!
- Não importa isso agora, mãe! Estamos juntos e assim ficaremos...
- Passaram-se dez anos, não é incrível! Na aparência temos quase a mesma idade.
- Você está linda, mãe! Mais linda do que eu me lembro, não é atoua que o mestre Kamus ficou tão encantado e...
- O fato de você está aqui não muda o que ele fez! Mentiu para mim, me enganou, criou uma fantasia para me manter aqui. Sei que é subordinado a ele e que o respeita, mas eu não quero mais vê-lo, Hyoga, não mesmo!
- Mãe, tente entendê-lo, ele fez o que achou melhor!
- O melhor é sempre a verdade! Não quero mais falar nele, pode ser?
- Claro! Eu não vou insistir.
Os dois ficaram mais um tempo no quarto. Nastássia queria saber tudo sobre a vida do filho, cada pequeno detalhe. É claro que muitas coisas Hyoga preferiu omitir para não impressioná-la. Ele também falou sobre os avanços tecnológicos, os eventos mundiais para que ela não se sentisse tão deslocada. O clima entre eles era de total felicidade e carinho, mesmo que Hyoga ainda visse uma pontada de tristeza no semblante materno. Ele sabia por que, mas como havia prometido, ele não iria insistir.
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Já era bem tarde quando mãe e filho desceram do quarto. Os dois riam e pareciam estar muito felizes, mas os risos de Nastássia morreram ao ver Kamus e Miro jantando na mesa da cozinha. O cavaleiro de ouro percebeu a mudança no humor da jovem e no mesmo instante levantou-se, embora não tivesse terminado a refeição.
- Fiquem a vontade, não quero incomodá-los.
- De forma alguma, meu senhor, está e sua casa, sou eu que incomodo – Nastássia falou de uma forma tão fria que até mesmo Hyoga se espantou.
- Você sabe muito bem que em nenhum momento a sua presença me foi desagradável e não será agora, mas sei que a magoei e que tem todos os motivos para me querer longe. Minha casa continuará a sua inteira disposição, sei que terá muita coisa a resolver por aqui e precisará de um lugar para ficar. Cumpri minha promessa, está com seu filho e, como pode ver, ele tem totais condições de cuidar de você.
Ele passou pela porta da cozinha sem olhar para jovem. Miro achou melhor acompanhar o amigo e também deixou o cômodo.
Pouco tempo depois Nastassia e Hyoga já haviam terminado de jantar. Na verdade, a mulher mal tocou na comida, chorava em silêncio e não permitia que o filho falasse nada a respeito. Ao saírem da cozinha e entrarem na sala os dois viram que os Kamus e Miro estavam prontos para partirem. Nastássia seguiu para o quarto sem dizer nada, mas seu coração gritava em desespero, sabia que se o deixasse ir poderia perdê-lo, mas naquele momento ela não tinha condição de passar por cima de sua magoa.
- Estão indo embora, Mestre?
- Agora mesmo, Hyoga! Cuide bem de sua mãe. Eu avisarei a Saori sobre o ocorrido. Tenho certeza que a Senhorita Kido não medirá esforços em ajudá-los a regularizar a situação dela. Usem a cabana pelo tempo que for necessário.
Kamus e Miro já estavam na porta quando Hyoga chamou pelo o nome do mestre que imediatamente virou para lhe ouvir.
- Obrigado!
O aquariano nada disse, apenas sorriu para Hyoga antes de fechar a porta. De certa forma, mesmo sofrendo devido ao desprezo de Nastássia, ele estava feliz por Hyoga. Havia cumprido seu compromisso de reunir mãe e filho novamente e, naquele momento, era isso que importava.
Da janela do segundo andar da cabana, Nastássia observava a sombra do homem que se perdia na escuridão, sabendo que uma parte de si a com ele. Nunca ela desejou tanto que o sol viesse dar fim aquelas noites intermináveis; queria vê-lo por mais tempo, antes da certeza de que havia ido de vez.
C.O.N.T.I.N.U.A, só mais uma vez...
Será que alguém ainda acompanha esse fic? Espero que sim! Perdoem à demora. No próximo, o final, nem acredito que vou terminar um fic meu, é tanta emoção!
Beijos para todos e ates.
Analuisa.
