Agora sim, o capítulo veio no lugar certo...Divirtam-se XD! Saint Seiya pertence à Masami Kurumada.


Capítulo 6

Realize ¹

Pedi ao vento pra trazer você aqui...

Mudou o meu sentido e a minha memória...

Pedi o vento pra trazer você pra mim…


O ar morno da manhã veio encontrá-lo meditando no terraço da mansão Kido. Gostava do ar matutino, seja qual fosse a cidade no mundo. Era um momento tranqüilo e importante para ele, onde podia colocar-se em dia consigo mesmo e com o que o cercava. Sentia-se mais próximo de Deus e de sua missão. Que logo terminaria.

Ficou pensando no que faria após entregar a armadura de ouro pra Kiki, e é claro...Deu um sorriso, de olhos fechados, terminar de treinar a nova discípula. "Shion quer manter-me por perto...", refletiu. Sabia que se ele não tivesse mais nada a fazer no Santuário, iria embora imediatamente. De volta pra Jamiel. O lugar onde realmente pertencia. Respirou fundo. Talvez porque no Santuário ele sempre estivesse a recordá-la, e, embora soubesse que não era certo ficar a desejar a mulher do próximo, ele amara Helène.

Apertou um pouco o cenho, transparecendo seu ressentimento. Não podia continuar assim, por isso viera passar um tempo longe de tudo. Não que verdadeiramente precisasse, apenas sentiu que seria melhor pra ele. E ainda acompanharia Atena. Isso era unir o útil ao agradável.

Abriu os olhos claros com o dia que nascia, em direção à estrela, dona da luz. Só precisava descobrir qual era o útil e qual era o agradável. Sorriu, inclinando a cabeça, e sacudindo-a de leve, como se quisesse espantar os pensamentos...

"Era o que me faltava...", pensou ao sentir a presença de Saori atrás de si.

– Bom dia, senhorita Kido! – falou, erguendo-se e olhando-a.

– Ah, bom dia... eu não quis atrapalhá-lo, Mu. Vim apenas avisá-lo que preciso ir ao centro logo cedo, e, por isso, terá de tomar café sozinho. – disse ela, sorrindo meio sem graça.

— Não tem problema, senhorita. Eu ficarei bem. — pensou um pouco antes de falar. — Não quer que eu vá com você?

Saori riu. Já previra esta resposta. Ele sempre a respondia assim quando ela dizia que ia a algum lugar, qualquer lugar, sem convidá-lo. E desta vez não foi diferente. Suspirou enquanto ia ao encontro dele, colocando o dedo indicador no peito do cavaleiro. Que por um motivo ou outro, congelou.

— Eu gostaria que parasse de tentar ir! Desde que chegou só tenho ido sozinha ao banheiro, e isto porque fica no meu quarto! Mu, o que acha que pode me acontecer aqui? — apesar de tentar repreendê-lo, seu olhar era tão doce e tranqüilo... Estava pra dizer que era um olhar divertido. — Mas, eu deixo você vir comigo. Será outra reunião enfadonha, eu garanto.

Ele riu.

— É o que sinceramente espero, Senhorita.

Ela olhou pra ele, um olhar de criança arteira.

— Com uma condição.

Ele não entendeu de imediato. Ela estava brincando? Ou falando sério?

— Pare de me chamar de senhorita. Você não é meu empregado. E nem um desconhecido. E parece que sou uma velha quando me chama assim... — fez um bico. — Me sinto como se tivesse milhares de anos.

— Talvez porque seja verdade, Atena. — provocou ele.

Ela o fuzilou com o olhar.

— SAORI! — retrucou ele, sorrindo, vendo a floresta pegar fogo. — Já corrigi.

— Melhor assim. E Kiki?

— Resolveu ir com Seiya e Hyoga a um festival de cinema, acho eu que foi isso que Eri me disse ontem. — pensou cruzando os braços, forçando um pouco a memória.

– Estes garotos estão sempre aprontando alguma...Parece que não crescerão nunca... — murmurou a jovem, sacudindo os cabelos, que movidos pelo vento, insistiam em vedar sua visão. — Então, você ainda não desistiu de ir?

— Não. — falou, decidido.

A Moça sorriu, e virou-se, sendo seguida por ele. Enquanto desciam as escadas, ela explicava à Mu o motivo de uma reunião tão cedo.

–...e, como é a época da reunião de pais dos filhos dele, pediu-me que tomasse café com ele e com a sua adorável esposa. Ele presta-nos serviços na área de educação à distância – sorriu, juntando as mãos. – Caso algumas de nossas crianças queira ficar aqui e não ir pra faculdade, ou qualquer outro negócio.

– Isto é realmente bom, Saori. Ah, esqueci o terno no quarto! – lembrou-se, voltando.

Mas ela o segurou pelo braço, dizendo:

– Não é necessário, será um café informal, Mu. Você está bem do jeito que está.

Na ocasião, ele estava com uma calça azul, de brim, e uma camisa cinza. E ela usava um costume azul com flores bordadas nas mangas e na barra. E uma pequena bolsa branca, com todos aqueles pertences que só uma mulher pode carregar em tão pouco espaço.

Saori continuava a sorrir e a caminhar apoiada em seu braço. Que desconforto é esse que estou sentindo?Queria que ela soltasse seu braço.Porém logo chegaram à garagem, onde Tatsumi os esperava numa limusine.

– Você sabe dirigir, Mu?

– Sim, já faz algum tempo que não pratico e...

– Tatsumi, traga a chave do Lexus, sim?

– Mas, senhorita Kido...

– Já estou indo com uma "babá", por que iria querer outra? – soltou displicentemente o braço do cavaleiro e foi andando em direção ao carro esporte, recém-adquirido. Tocou de leve a lataria, suspirando. Queria tanto poder decidir sempre o que fazer. Na maioria das vezes, tudo que podia era adaptar-se às circunstâncias, e isto era ridiculamente intolerável. "Eu não sou mais uma garotinha! E tenho que decidir minha vida..." Olhou de esguelha para o cavaleiro que trazia em suas mãos a chave da preciosidade em questão. Apesar de não demonstrar, ela sentiu uma tensão nele e atiçou sua recém-descoberta curiosidade.

— O que foi, Mu?

— Nada, só um pressentimento ruim... — ele olhava as chaves com atenção. "Por que ainda me lembro dela... de quando saíamos juntos... ela também me pedia pra dirigir aquele carro conversível... como é mesmo o nome?" — Ferrari... — murmurou.

Saori examinava-o. O que quer que fosse que estivesse pensando, o estava impedindo de ouvi-la. O que poderia tirá-lo de sua distinta gentileza? Viu o cenho dele juntar-se, e seus olhos se perderem em algum lugar além dela. "Como no dia das núpcias de Shion..." Seus próprios olhos abriram-se bem. Então, é isso! "Ele está pensando na jovem Helene! Como pude ser tão distraída a ponto de esquecer este pequeno detalhe..." Condoída de sua suposta desatenção, ela apertou o braço dele, fazendo virar-se completamente em sua direção.

— Desculpe, Saori, eu não ouvi.

— Eu sei. — ela encontrou o olhar dele tão profundo e triste que sentiu o coração apertar. Mas ela sorriu. De tristezas, eles já haviam provado muitas. Finalmente, entendeu o motivo de Mu querer vir sem pestanejar para cá, com ela. — Bem, vamos indo antes que nosso anfitrião pense que desistimos.

— Sim.


¹ - Realize - em inglês é se dar conta. Foi isso qu eu quis dizer...

Oh, enfim mais um capítulo. Eu realmente tenho andado ocupada e sem computador...

Perdão aos leitores. Bem, espero que tenham se divertido...

Bjs e até o próximo!!!