Sentimento Nefasto
Carta 2
Aioros a Shura
Em Madrid
Shura, meu amigo. Adoraria poder reconforta-lo dizendo que sei a dor sentes, infelizmente não faço idéia. Saber que a mulher a quem amou por toda a vida trocou-o por outro qualquer já é doloroso, porém, no outro dia ser informado de seu falecimento, deve ser uma dor pior que a própria morte. Nós que já morremos um dia, temos conhecimento dessa terrível experiência.
O que somos, Shura? Dizem-nos que devemos ser acima de tudo, humanos. Mas.. O que é ser um humano? Qual o significado dessa expressão complexa?
Shura, meu caro amigo, eu gostaria de poder lhe enviar palavras reconfortantes, elas fogem de minha mente! Acho que sei o porquê.
Juanita não te descartou friamente como pensas. Dizer-te-ei duras verdades, espero que aceite, é também obrigação minha, como teu amigo, abrir-te os olhos para a verdade. Nunca contaste tudo o que passava por tua vida. Abandonaste-a sem olhar para trás, repleta de dúvidas. Sumiste, nem um sinal de vida sequer. Esperava que ela te aguardasse durante tantos anos?
Amigo, não perca a fé no amor, se ele existe, deve ser eterno. Juanita te recebeu, durante dias esteve em tua companhia, mesmo diante de comentários maliciosos (certamente existem), não pensas, Shura, que ela ainda te amava? Somente um apaixonado se arrisca.
Do além-vida desconheço muitas coisas, quem sabe não exista a possibilidade de um encontro após essa experiência?
Não deixe de enviar notícias!
Pense bem, meu caro Shura.
Seu amigo,
Aioros.
Santuário, Grécia, 19 de Abril, 1987.
N/A - Agradecimentos especiais a Arashi Kaminari./o/
