Carta 8
Shaka a Aioros
No Santuário
Ontem à tarde estava eu visitando um amigo psicólogo, e tive a sorte de ouvir uma consulta que há de te interessar.
Veja como é pequeno este mundo, adentrou no consultório uma mulher de longos cabelos negros, desarrumados, pequenina, mas com um aspecto pesado, um olhar profundo. Chama-se Emiliana ''. Surpreso? Pois sim, uma prima de 1º grau da musa de Shura, a Juanita.
Muito nervosa, durante um tempo conseguia apenas soluçar em meio às lágrimas. Segundo o que me contou o meu bom amigo, ela visitava o consultório periodicamente, o motivo era sempre o mesmo, a morte da prima. Indaguei-lhe se ela amava tanto a parenta ao ponto de chorar só de ouvir o nome. Disse-me ele que não sabia, tratava-se de um caso deveras complicado. Ora, já não faz um tempo desde a morte dela? Penso que tanta tristeza é saudade ou remorso.
Remorso de quê? Eis a questão.
Quando finalmente conseguiu acalmar-se, pudemos compreender sua confissão. Escrever-te-ei as palavras dela da melhor maneira possível, lamento muito não ter em mãos nenhum gravador de voz, sei que te faria mais feliz que esta carta.
"Oh, doutor! Como me sinto culpada pela morte de minha prima! Nunca nutri nenhum afeto por ela, mas agora..." falara isto entre soluços. Cícero, meu amigo, não podendo crer que em tantas consultas não houvera nenhum avanço, perguntou o que, segundo me disse, já havia perguntado muitas vezes, e só agora Emiliana conseguira responder. "Se não tinha nenhum afeto por ela, então por que choras pelo seu falecimento?", ela, ainda em suas lágrimas, respondeu "Juanita matou meu irmão. Ela não tinha o direito de roubar a vida dele! Agora que se foi, também não sei..." A partir daí, eu mesmo não entendi mais nada.
Cícero ministrou um calmante na mulher, que, grata, saiu do consultório. Contei-lhe a triste história de Shura, e como te interessaste por ela. Cícero não aprovou tua decisão, mas como o bom homem que é, prometeu me auxiliar, contando os avanços na consulta com Emiliana.
Deixo mais uma interrogação. Juanita era uma assassina? Mataram-na por vingança?
Espero que não tire o teu sono, Aioros. Vou procurar mais informações, por hora, boa noite!
Shaka Madrid, 05 de Junho de 1987
Carta 9
Aioros a Shura
Em MadridDe quê desconfio? Por enquanto de nada, meu amigo. Apenas tenho curiosidade.
Como sabes, Shaka se encontra em Madrid, neste momento. Assim, como eu, ele também achou interessante a sua história, e tem curiosidade. Por intermédio dele, pude saber de coisas ainda mais interessantes.
Bom, se quiser unir-se a nós, responda esta carta, e por obséquio, conte-nos sobre a família dela. Sim, você nunca teve contato com os familiares , porém, ela nunca comentou nada a respeito deles? Nem de um primo... por exemplo?
Pense bem, caro amigo, conheço-te bem para saber que tens sede de vingança e queres encontrar o assassino dela.
Mando em anexo o endereço de Shaka.
Seu companheiro,
Aioros
Santuário, Grécia. 16 de Junho de 1987
N/A - Meu Zeus.. eu empaquei... Sim, estive estudando para o vestibular, mas depois de consumir até o último neurônio, não tive mais idéias de como levar o enredo... Perdon... -.-
