Capítulo 3 – Sensação familiar
Já era por volta do meio-dia quando Harry finalmente pôde descer do carro para visualizar melhor A Toca. A casa da família Weasley não havia mudado nada desde a última vez em que estivera ali há dois verões.
Uma figura feminina de cabelos castanhos veio correndo até ele e Rony, que acabava de descer do carro.
- Hermione chegou há dois dias. Ela ficou super animada quando dissemos que iríamos buscá-lo. - o ruivo contou. - Claro, foi ela quem sugeriu que fôssemos da maneira mais trouxa possível. Papai adorou a ideia.
Hermione cumprimentou Rony e abraçou Harry com um sorriso na face.
- Como foi o seu verão? - ela perguntou ao se afastar dele.
- O mesmo de sempre eu acho. - o rapaz falou dando de ombros. - A não ser que você ache um atentado contra a vida uma velha senhora muito interessante.
Tanto o ruivo quanto a garota arregalaram os olhos para ele, e em suas expressões era óbvio que eles queriam saber o que realmente havia acontecido.
Harry espiou por trás do ombro e viu o Sr. Weasley retirar o malão do garoto do carro. O rapaz correu até ele e perguntou se precisaria de ajuda, mas este negou e puxou a varinha.
Quando finalmente o pai de Rony havia sumido para dentro d'A Toca, o moreno se virou para os amigos e contou calmamente o incidente com a Sra. Figg. Ao término do relato, os dois ficaram calados, ainda estupefatos com o que tinham ouvido.
- Incrível! - foi a única coisa que saiu da boca de Rony.
- Incrível? Eu achei perigoso. - Hermione retrucou o ruivo e se virou para Harry. - Você teve sorte de que não precisou usar a varinha. Por mais que poderia ter sido em defesa de alguém, não sabemos o que pode acontecer com você. Já basta uma audiência por vida.
O moreno concordou e sentiu um ronco leve. Aquilo indicava a fome. Ele se lembrou de que não havia comido nada desde o dia anterior, e não tinha parado para fazer um lanchinho na casa dos Dursley. O garoto lançou um olhar sem graça para os amigos, que riram e o arrastaram para A Toca.
A Sra. Weasley estava arrumando a mesa com a ajuda de Gina no momento em que o trio se fez visível na porta da cozinha.
- Harry querido! - ela exclamou ao se juntar ao rapaz e dar um abraço. - Fez uma boa viagem até aqui?
- Sim senhora.
- E chegaram bem na hora do almoço. Sentem-se! - Molly continuou a dizer animada.
- Oi Harry. - Gina cumprimentou com um sorriso simples, da qual Harry retribuiu.
Rony e Hermione se acomodaram um a cada lado de Harry na mesa, enquanto Gina sentava de frente para ele. O Sr. Weasley surgiu um pouco mais arrumado que antes, enquanto a esposa foi cumprimentá-lo.
- E onde estão Fred e Jorge? - perguntou Harry ao sussurrar para o amigo ruivo.
- Moram em cima da loja de logros agora. - ele comentou. - Mamãe não parava de chorar nas duas primeiras semanas.
A Sra. Weasley serviu o almoço, e logo em seguida se sentou à mesa, ao lado de Gina.
Os Weasley, Harry e Hermione conversavam animadamente sobre as férias e o que fariam até o embarque para Hogwarts. Por fim, Arthur pigarreou chamando a atenção de todos, que trataram de ficar em silêncio para ouvi-lo.
- Crianças, Molly e eu, bem... - e ele parecia buscar as palavras para contar o que quer que fosse acontecer. - Nós iremos viajar por alguns dias.
- Alguns dias? Quantos dias? - Rony indagou.
- Uns quatro ou cinco dias. Problemas da Ordem.
Desde que Sirius se fora na batalha no Ministério, Harry tinha recebido periodicamente notícias de Lupin e de Rony sobre o destino da Ordem. Eles não usavam mais o Largo Grimmauld 12 como base. E a situação tinha ficado um pouco mais difícil desde que Voldemort aparentemente não dera mais notícias. O rapaz sabia que seu sonho devia significar alguma coisa, mas optou por não mencioná-lo à mesa. Conversaria mais tarde com Hermione e Rony sobre o que tinha visto.
- Mas não se preocupem queridos. - a voz da Sra. Weasley trouxe o rapaz de volta à realidade. - Fred e Jorge virão cuidar de vocês.
- Eles virão O QUÊ? - Rony questionou mais uma vez, mas dessa vez indignado. - Mamãe, nós podemos cuidar da casa sozinhos. Não iremos explodi-la durante a ausência de vocês.
- Eu sei querido, mas é sempre bom prevenirmos. - Molly comentou e lançou um olhar sério para o filho, o que significava que aquilo não se discutia mais.
- E quando partirão? - Gina perguntou.
- Amanhã cedo. Seus irmãos deverão chegar na hora do jantar. - ela respondeu calmamente. - Não se preocupem, tudo vai ficar bem.
Após o almoço, Harry e Rony foram para o quintal, enquanto Hermione e Gina ficaram para ajudar Molly a desarrumar a mesa e lavar os pratos.
Os rapazes se afastaram um pouco, até Harry poder julgar que aquele lugar era isolado o suficiente a ponto de ninguém indesejado ouvir. Rony o olhou com a sobrancelha arqueada, com certeza esperando que ele se pronunciasse sobre alguma coisa que talvez queira contar.
Minutos depois, as meninas saíram d'A Toca, e se juntaram aos rapazes.
- Porque estão afastados? – Hermione questionou para Harry.
- Err... Precisamos conversar. – o moreno falou dando de ombros. – A sós.
- Ah certo, eu entendi. – Gina bufou e deu as costas para o grupo, mas ouviu um pedido de desculpas do amigo.
O trio viu a mais nova dos Weasley se afastar, e quando Harry a julgou estar numa distância consideravelmente boa para que não pudesse ouvir nem ao menos ruídos do que falava, ele se virou para os amigos.
- A Ordem realmente não tem tido mais notícias dele, não é?
- De Você-Sabe-Quem? – questionou a moça, mas já sabendo da resposta.
O outro apenas assentiu.
- Bem, não que a Ordem saiba. – Rony contou.
- Teve outro sonho fora do comum, não foi Harry? – Hermione perguntou outra vez.
E mais uma vez, ele assentiu.
- Foi ontem... – o rapaz contou. – Ele não parecia estar na Inglaterra. Mas definitivamente ele não tirou férias.
- O que ele estava fazendo? – questionou o ruivo, que foi repreendido por Hermione, que dissera para deixar o moreno continuar o relato.
- Ele foi atrás de um homem. Queria saber sobre uma esfinge. Seja lá o que isso signifique, o homem se recusou a falar, e ele acabou o matando.
O silêncio predominou os minutos seguintes. Harry se manteve pensativo, até que Rony quebrou o silêncio quase que perturbador aos ouvidos do outro.
- Que tipo de esfinge? Algo do tipo foi mencionado no sonho? – o ruivo perguntou distraidamente, enquanto tentava pensar em algo.
- E-eu acho que não. – o moreno disse confuso. – Mas o que isso tem a ver?
- Não quero parecer a Hermione falando, sem ofensas é claro, mas há dois tipos de esfinge. A esfinge grega, caracterizado por um demônio e também conhecida por aquele enigma da criatura que tem quatro pernas de manhã, duas de tarde e três à noite, e a esfinge egípcia, construções que demonstravam poder no Antigo Egito, além de algumas serem "guardiãs" dos mausoléus de antigos soberanos.
- Como sabe disso tudo? – indagou a moça boquiaberta.
- O Gui me contou quando nós fomos ao Egito.
- Eu não me lembro de ele ter especificado sobre que tipo seria. Mas precisava dela para alguma coisa.
- Já contou ao Dumbledore? – Hermione questionou.
Harry negou.
Ele pensou muito em lhe mandar uma carta. Porém, talvez devesse esperar até o início de seu período letivo, que seria em torno de uma semana e meia.
O trio passou o resto da tarde ali, discutindo sobre várias coisas, como a escola e os resultados do N.O.M.s. Hermione havia passado em tudo com a nota máxima, enquanto Rony e Harry haviam levado notas como E[1], com exceção de História da Magia e Adivinhação, onde ficaram com um D[2].
Também comentaram sobre quem assumiria o cargo amaldiçoado de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, visto que Umbridge não continuaria depois do incidente com os centauros na floresta proibida. O próprio Dumbledore também não permitiria tal coisa. Não dessa vez.
O céu rosado do crepúsculo logo deu lugar à escuridão da noite, onde o trio retornara para A Toca para o jantar.
A Sra. Weasley, com a ajuda de Gina, pôs a mesa e se acomodou na cadeira perto do marido.
- Quando será que Fred e Jorge vão chegar? – Rony se atreveu a perguntar curioso.
- Bem a tempo de comer a deliciosa comida da mamãe. – responderam os gêmeos em uníssono, que haviam acabado de aparatar na cozinha.
Eles pareciam dois palhaços com o terno um pouco surrado e de uma cor verde berrante com tons de lilás espalhados pelo paletó.
Desde que eles se mudaram para a loja de logros, os irmãos usavam roupas mais cafonas a cada vez que apareciam para jantar na casa dos pais.
Hermione e Harry precisaram prender o riso ao verem as vestes usadas naquela noite. Molly pareceu ignorar e se levantou da mesa para cumprimentar os filhos recém-chegados.
- Nós estamos bem mãe! – Fred comentou risonho. – Olá papai.
- Olá meus filhos. E como vai a loja?
- Estamos indo muito bem nos negócios. Com a volta do período letivo, nós estamos com mais encomendas do que nunca. – disse Jorge.
Eles se acomodaram à mesa, enquanto mantinham a conversa animada na mesa sobre os negócios da loja de logro.
- Quando partirão? – Fred interrompeu a conversa ao olhar para os pais.
- Iremos amanhã cedo. Eu espero que se comportem como dois adultos! – Molly respondeu com um tom repreensivo ao lançar um olhar sério para os gêmeos.
- Não se preocupem. Essas crianças são um amor! Não darão trabalho algum. – Jorge comentou ao passar a mão para bagunçar os cabelos de Rony, que bufou de raiva.
- E quando iremos ao Beco Diagonal para comprar as coisas da escola? – Gina questionou.
- Bem, nós ainda temos uma semana e meia, então iremos na semana que vem querida. – a Sra. Weasley disse amorosamente para a filha.
O resto do jantar seu deu de maneira animada, com conversas irrelevantes, mas que trazia um clima de felicidade da qual Harry estava sentindo falta depois da morte deu seu padrinho, da qual sempre procurava não pensar, para não sofrer.
Após a refeição, o moreno e Rony ajudaram Molly a retirar a mesa e a limpar os pratos. Logo em seguida, o filho deu um beijo em sua mãe, que foi retribuído, e logo se virou para Harry e fez o mesmo.
Com um aceno, eles se retiraram da cozinha e passaram pela sala, onde os gêmeos conversavam com Arthur, onde também deram boa noite. Subiram as escadas, passando pelo quarto de Gina, onde ela e Hermione já começavam a se preparar para dormir, e seguiram até os andares superiores, para o quarto de Rony.
O local ainda era o mesmo. Pequeno, laranja e com pôsteres do Chudley Cannons, o time de quadribol favorito do amigo. O que fizera se lembrar da carta de Hogwarts que recebera naquele ano, há alguns dias atrás, ainda na casa dos Dursley.
- Você já sabe quem é o novo capitão da Grifinória? – o ruivo perguntou de repente. – Já que a Angelina terminou o sétimo ano, nós precisamos de um capitão novo.
- Eu ia comentar justamente isso. – disse Harry sem graça. – Acabei sendo escolhido. Não sei como vou conseguir dar conta de um time.
- Ah Harry, você conseguiu dar conta da AD! O time de quadribol será moleza.
- Eu espero...
E com uma tapa leve nas costas, Harry começou a rir com o amigo.
Finalmente quando terminaram de se arrumar, os garotos se acomodaram no minúsculo quarto e não demorou para que ambos caíssem num sono.
x-x-x
No dia seguinte, todos d'A Toca acordaram cedo para se despedirem do casal Weasley, que não ficariam para o café da manhã. Antes de aparatarem, Molly deu instruções aos gêmeos (que nesta manhã usavam roupas mais normais), e logo em seguida deu beijos em todos. E sem demoras, eles aparataram.
O grupo voltou para a cozinha, onde a mesa já estava preparada para recebê-los no café da manhã. Aparentemente a Sra. Weasley havia deixado tudo preparado antes de partir, já que suspeitava de Fred e Jorge não fazerem nada.
A refeição se deu em um silêncio quase que perturbador.
- O que faremos esta manhã? – Gina se atreveu a perguntar ao olhar para os irmãos mais velhos.
- Bem, a mamãe deixou uma lista de coisas para vocês fazerem. – Jorge comentou ao pegar um pedaço de pergaminho e passá-lo para a irmã.
- Como assim nós? – Rony questionou ao lançar um olhar desconfiado para o irmão. – E o que vocês irão fazer?
- Nós estaremos produzindo novidades para a nossa loja. É claro que vocês não irão precisar de nós para arrumar a casa. – Fred falou.
O resto da refeição se deu mais uma vez em silêncio. Os gêmeos terminaram primeiro o seu café da manhã. Acenaram para o quarteto que ficara e desapareceram pelas escadas, onde subiram para o quarto.
Minutos depois, eles também terminaram. Harry e Rony arrumaram a mesa, enquanto Gina e Hermione trataram de lavar os pratos. Em seguida, eles limparam a cozinha antes de irem para a sala, que estava um pouco bagunçada ainda.
Teriam que arrumar o restante da enorme casa à maneira trouxa. Dividiram alguma das tarefas, com os meninos limpando a sala e o jardim, enquanto as garotas cuidariam dos andares superiores.
Os dois dias que se seguiram não eram diferentes. Acordavam, tomavam café e arrumariam A Toca. Fred e Jorge raramente saíam de seus quartos. Hermione ficara desconfiada com tanto segredo dos gêmeos, que ela havia resolvido bater na porta do quarto para tentar descobrir alguma coisa.
- Não se preocupe Mione. – Jorge disse com um sorriso bobo. – Estamos apenas trabalhando. Agora, se nos der licença, Fred e eu temos muito que fazer!
E sem mais nem menos, o ruivo fechou a porta do quarto mais uma vez, deixando a moça de cabelos castanhos plantada no corredor. Bufando, ela voltou para a sala, onde os dois irmãos Weasley mais novos e Harry estavam sentados no sofá, esperando pela amiga.
Com os ombros caídos, ela anunciou que não obtivera sucesso em conseguir qualquer pista sobre o que os irmãos faziam. Deixou-se no sofá ao lado de Harry.
- Acho que estamos ficando loucos. Passaram-se dois dias e nada aconteceu. Com certeza papai e mamãe devem chegar amanhã. Fred e Jorge não se atreveriam a destruir a casa. – Rony comentou depois de alguns minutos no absoluto silêncio do cômodo.
- Então eu acho que devemos dormir. Nós precisamos estar bem dispostos para receber papai e mamãe. – Gina sugeriu cansada.
Todos concordaram, e o grupo se arrastou pelas escadas até os andares superiores. A ruiva e Hermione se despediram quando alcançaram ao quarto de Gina, enquanto Harry e Rony continuariam a subir um pouco mais.
Permitiram-se cair nas respectivas camas, onde não tardaram a adormecer.
No dia seguinte, todos haviam se levantado cedo após uma coruja chegar durante o amanhecer, com uma carta do Sr. e Sra. Weasley. O conteúdo dizia que eles chegariam por volta do almoço.
E justamente por essa razão, Gina e Hermione pretendiam cozinhar algo para os pais que chegariam ao meio-dia. Rony e Harry ajudavam as meninas onde podiam, e de vez em quando davam uma limpada no jardim.
Porém, quando faltava menos de uma hora para o meio-dia, um barulho semelhante a uma explosão veio de um dos andares mais acima. Do quarto dos gêmeos. O quarteto correu para cima, e nas escadas encontraram Fred sorridente, com o rosto completamente inchado. Enquanto isso, Jorge tinha as mãos inchadas, como se enchessem um balão de festa e tivessem colocado dentro delas.
- O que diabos vocês estão fazendo? – Rony perguntou estupefato. – E o que aconteceu com vocês?
- Nosso incha-balão funcionou! – comentou Fred vitorioso.
- Quase. – Jorge interveio. – Não estamos voando. E nem estamos inchando por completo!
- Mas o que... Esquece! – Hermione disse enquanto olhava dos gêmeos para os amigos. – O Sr. e a Sra. Weasley vão chegar a qualquer momento! Vocês dois vão arrumar isso e se juntarão a nós lá embaixo!
Todos assentiram (mesmo que os irmãos mais velhos não estivessem muito satisfeitos), e cada um deles correu para terminar de deixar a casa em ordem, enquanto Fred e Jorge iriam desinchar.
Quando Harry e Rony terminaram de arrumar a mesa para o almoço, eles ouviram um estalo vindo do lado de fora d'A Toca.
Molly e Arthur haviam acabado de aparatar no jardim. Seus sorrisos apareceram ao verem os filhos correndo até eles para cumprimenta-los.
- Onde estão Fred e Jorge? – Sra. Weasley perguntou ao olhar em volta completamente desconfiada. – O que aqueles dois estão aprontando desta vez?
- Eles estão lá em cima, se arrumando para recepciona-los, mas parece que eles demoraram muito. – Gina disse no improviso.
- Pois bem, eles não se importarão que eu suba até lá.
- Mas mãe, você nem irá almoçar? A gente até cozinhou. – Rony interveio.
- Ah, eu fico agradecida meus filhos, mas preciso falar com seus irmãos. – Molly continuou a andar em direção a casa. – Sinto que aqueles dois estão aprontando alguma...
E assim que o grupo entrou na cozinha, eles encontraram os gêmeos sorridentes e receptivos, com roupa semelhantes à usada em que chegaram n'A Toca. A Sra. Weasley olhou desconfiada para os filhos, que exibiam um sorriso nervoso para a mãe.
Molly olhou desconfiada por algum tempo para eles e depois passou um olhar pela cozinha. Tudo estava na mais perfeita ordem, sem bagunças ou qualquer sinal de destruição.
- Não se preocupe Molly. – disse Arthur despreocupado. – Eu disse a vocês que ficaria tudo bem.
- É mamãe, nós não somos mais crianças. – completou Fred.
A Sra. Weasley, então, abriu um sorriso e cumprimentou os gêmeos e reparou no que cozinhava. Virou-se para os filhos e beijou cada um deles, além de Hermione e Harry.
- Eu agradeço pelo que tenham feito. Agora sentem todos. Hora do almoço!
x-x-x
Ainda faltavam três dias para o final das férias. Os Weasley, assim como Harry e Hermione, foram para o Beco Diagonal, comprar todo o material que seria necessário naquele ano.
O tumulto era muito grande, devido a enorme quantidade pessoas (entre elas alunos de Hogwarts com seus pais) vinham e iam pelas lojas, em busca dos livros, de roupas e materiais necessários.
Sr. e Sra. Weasley estavam com Gina na Floreios e Borrões, assim como Hermione, que aproveitava para comprar mais livros além daqueles indicados pelos professores naquele ano. Harry e Rony estavam na loja de logros, olhando distraidamente os produtos que havia lá.
- Nosso querido Harry. – disse Fred, enquanto se aproximava do rapaz. – Jorge eu temos uma coisinha pra você.
- O que vocês estão aprontando dessa vez? – o moreno perguntou desconfiado ao olhar para o ruivo.
- Nada. Só é o seu presente de aniversário atrasado. Não conseguimos termina-lo a tempo, mas agora que vai começar as aulas, nós temos que te dar algo!
- E o que vocês fizeram? – Rony questionou.
- Ora, só uma coisinha caso tenha algum tipo de sapo como professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. – Jorge explicou pegando um pequeno pacote fechado. – Pode colocar no suco de abóbora matinal.
- Ou no chá. – Fred completou.
- E o que seria isso? – Harry se atreveu perguntar ao arquear a sobrancelha.
- É segredo. Não abra até que realmente ache necessário usar. – os gêmeos disseram em uníssono, com um sorriso inocente.
O moreno assentiu, e guardou nos bolsos do casaco que usava.
Hermione apareceu na entrada da loja e chamou os rapazes, pois já era quase hora de voltarem para A Toca. Eles assentiram e se despediram dos gêmeos, que foram atender um cliente próximo.
- Eles nos esperam no Caldeirão Furado. – a moça informou, enquanto segurava vários pacotes da Floreios e Borrões.
A dupla assentiu e eles começaram a caminhar por entre a rua estreita, enquanto Hermione conversava animada sobre os livros extras que tinha comprado. Porém, ela parou de falar quando alguém esbarrou nela, o que a fez derrubar alguns dos pacotes.
Harry se abaixou para ajuda-la, e percebeu que a pessoa que esbarrara na amiga. Era uma garota da mesma idade que ele, com cabelos castanhos escuros e pele morena. Seus olhos castanhos encararam o trio.
- Ah, eu sinto muito. – ela se apressou em dizer.
- Não se preocupe. – Hermione falou ao pegar o último pacote no chão, e se levantou para encarar a jovem.
Os olhares das duas se mantiveram fixos por alguns instantes. Uma sensação familiar abateu Hermione naquele instante, porém, Rony e Harry a despertaram de seu transe.
- Agora nós precisamos ir, Mione. – chamou o ruivo.
- Certo...
E depois dos rapazes a puxarem, a garota desviou o olhar e permaneceu pensativa por alguns instantes.
- Eu tenho a sensação de que já a vi antes... – ela começou.
- Ah Hermione, relaxe. Talvez deva ser coisa da sua imaginação, não? Ela não parece ser estudante de Hogwarts, então onde mais a veria?
- Talvez seja mesmo da minha imaginação.
Então, em silêncio, o trio caminhou para o Caldeirão Furado, onde a família Weasley os esperava.
