Capítulo 5 – Helga Von Vogelweide

Harry acordara sobressaltado naquela manhã.

E logo veio o sono, que não permitiu que seus olhos verdes continuassem abertos por mais do que um minuto. Não fazia ideia da hora que era, mas com certeza era cedo.

Correu com o olhar pelo quarto e constatou que nenhum de seus companheiros havia acordado ainda. Resmungou contra o travesseiro e tratou de se sentar na cama, enquanto esfregava os olhos.

Os acontecimentos da noite passada ainda vinham como flashes em sua mente, o que lhe lembrou da moça que havia chegado pelo Lago Negro na noite passada. Talvez ele devesse se arrumar e andar um pouco. Poderia cruzar com ela pelos corredores.

Mas não sei nem ao menos a sua casa., o rapaz pensou suspirando pesadamente. Criou um pouco de coragem para conseguir se levantar e seguir até o banheiro, onde colocaria o uniforme. Quando já estava aceito para um dia de aula, ele deixou o dormitório e seguiu para o salão comunal.

Ele estava vazio, o que era de se esperar pela hora. Respirou fundo e caminhou até o quadro da Mulher Gorda, que girou para que ele pudesse passar. Desceu as escadas vagarosamente até o Salão Principal, que mesmo vazio, não havia ideias melhores para onde ir.

E foi próximo ao primeiro andar que ele viu a figura do dia anterior.

Seu corpo permaneceu estático enquanto encarava uma moça de quase o mesmo tamanho, com cabelos acobreados, presos num rabo de cavalo, com suas peculiares mechas brancas, que pendiam atrás da orelha. Também era dona de um par de orbes verdes misturado a uma cor amarelada, dando um tom bastante exótico em sua íris, procurava atentamente por alguma coisa. Seu olhar encontrou o olhar de Harry e o fitou intensamente.

A estranha não pôde deixar de sorrir, e olhou para os lados, enquanto procurava as palavras certas para falar o que ela queria.

- Olá. – ela pronunciou por fim, e olhou discretamente para um pedaço de pergaminho em sua mão. – Você sabe onde eu posso encontrar a professora Minerva McGonagall?

A primeira coisa que o moreno percebeu era que ela falava inglês fluentemente, mas havia um leve sotaque em sua fala. Ele não conseguiu identificar de onde seria.

- Na sala dela, no primeiro andar. – o rapaz respondeu, e parecia que ainda estava sob o efeito hipnótico do olhar dela.

- Eu acabei de ir lá, mas não a encontrei. E eu preciso muito falar com ela. – nessa última frase, ela parecia falar mais consigo do que com o rapaz.

- Então a espere no Salão Principal. Daqui a pouco será a hora do café, e ela sempre está lá. – ele informou abrindo um pequeno sorriso.

A outra retribuiu o gesto da mesma maneira, e se virou para descer as escadas em direção ao Hall de Entrada. Quando estava no pé da escada do primeiro andar que ela se virou para encarar Harry, que a seguia com o olhar.

- Você não vem? – a moça se atreveu a perguntar.

Ele assentiu e se apressou em descer a escadaria para se juntar a ela. Em silêncio, eles seguiram para o Salão, que só não estava vazio pela presença de alguns poucos alunos da Sonserina e Lufa-Lufa.

Antes de se sentar a mesa de sua casa, ele se virou para a desconhecida e se atreveu a perguntar:

- Você pertence a qual casa?

Mas a resposta lhe pareceu óbvio logo em seguida. Se ela procurava McGonagall, só poderia refletir uma coisa, que a jovem respondeu em palavras no momento seguinte.

- Eu sou de Grifinória.

- Mas não parece uma primeiranista.

- Ah não, não. – ela disse abanando as mãos num de negação. – Eu sou do sexto ano. E precisava falar com a professora Minerva sobre o meu horário. Não fiz o N.O.M.s que vocês fazem no quinto ano, mas se eles aceitarem as minhas notas da outra escola, eu acho que poderei cursar a maioria das matérias escolhidas.

- Outra escola?

- Eu vim do Instituto de Magchën. – comentou, mas ao ver o outro arquear uma das sobrancelhas. – Alemanha.

Isso explicava de onde vinha o leve sotaque que Harry ouvia a cada vez que ela falava. A garota expressava uma face bastante serena, enquanto procurava algo com o olhar.

Após alguns minutos, Minerva apareceu no Salão Principal para o café, e a aluna nova se despediu dele, que apenas acenou em resposta e a viu correr em direção à entrada. A professora de Transfiguração assentia, até que, por fim, elas deixaram o local, provavelmente para o primeiro andar.

Minutos depois, alguns alunos da Grifinória começavam a surgir para fazerem a primeira refeição do dia, e mais adiante Harry pôde ver Hermione e Rony conversando, ou aparentemente discutindo. Quando o olhar da dupla caiu sobre o moreno, que acenara, eles correram até ele.

- Procuramos você lá em cima e não achamos. – a garota de cabelos castanhos começou a falar, ao se sentar do lado do amigo. – O que esteve fazendo?

- Só andando por ai. Acordei mais cedo.

Ele decidiu não contar, a princípio, sobre a moça que viu emergir do lago, muito menos que a encontrara naquela manhã há minutos atrás. E se arrependeu de não ter perguntado ao menos o seu nome. Mas ela era da sua casa, e estavam no mesmo ano. Com certeza eles se esbarrariam nas aulas.

Uma pessoa se aproximava do trio, o que acabou tirando o rapaz de seus devaneios. Amanda Albadd, a nova aluna que dividia quarto com Hermione e as outras, se aproximou hesitante, mas não pôde deixar de exibir um pequeno sorriso.

- Bom dia, monitora Granger e monitor Weasley. E bom dia senhor Potter. – ela saudou, o que deixou os dois rapazes sem jeito pela forma como havia se dirigido a eles. – Minha primeira aula é de Defesa Contra as Artes das Trevas, com vocês. Porém, eu não sei onde fica a sala.

- Terceiro andar. – Hermione respondeu solidariamente. – Porque não nos espera? Podemos te acompanhar.

- Muito obrigada monitora Granger!

- A propósito, me chame de Hermione, ok?

- E me chame de Rony. Essa coisa toda formal não é a pra mim. – o ruivo disse entre um gole e outro de seu suco de abóbora matinal.

- Creio que me chamar de Harry também seja o suficiente.

- Me lembrarei disso. – ela comentou sorrindo.

O silêncio se instalou mais uma vez entre o trio, que agora estavam acompanhados da nova aluna.

E uma coisa fez com que a ficha de Harry caísse: a primeira aula seria com a nova professora. Não sabia o que podia esperar daquela mulher, mas já foi provado que nenhum professor o deteria. Umbridge e todo o seu poder do Ministério não foi capaz. Ela tampouco seria.

Sentiu que Hermione comentava alguma coisa com os amigos, mas o rapaz estava distraído demais para prestar atenção em qualquer coisa a sua volta. Apenas despertou quando viu um estalar de dedos em frente aos seus olhos. Seus amigos o chamavam, já dizendo que daqui a pouco começaria a primeira aula.

Ele apenas assentiu e se levantou para segui-los até o terceiro andar, onde teriam a primeira aula com os alunos da Sonserina. E o desgosto tomou conta da cara de Harry ao imaginar que teriam aula com Malfoy e seus amigos.

Mas isso não era mais importante. E não teve tempo de concluir seus pensamentos quando fitou a sala de aula. Esperava ansiosamente que a professora não fosse nenhuma megera, pois não pretendia ser torturado como acontecera no ano anterior.

- Bom dia sextanistas. – uma voz com um carregado sotaque pronunciou, vindo de algum ponto atrás da sala de aula. – Vejo que estão todos aqui, certo?

E com um rápido movimento da varinha, ela fechou a porta da sala e se dirigiu para frente da mesma, onde encarou cada aluno atento. Com certeza eles esperavam alguma reação dela, porém, isso não a impediu de fazer qualquer tipo ação por incontáveis minutos que pareciam se estender em horas.

- Vocês já devem saber com certeza que serei a nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas. – ela falou depois que julgou o tempo de silêncio o suficiente para o silêncio. – Eu sou Helga Von Vogelweide. Alemanha, antes que perguntem a origem de nome. Bem, não sei se seria certo começar a aula com uma pergunta, mas o que esperam desta matéria esse ano?

E todos a encararam em silêncio. Ela apenas mantinha um sorriso calmo nos lábios, encarando um a um com seus orbes azuis, que contrastavam com seus cabelos negros, preso num coque, como se memorizasse os seus rostos.

- Ninguém?

Nenhum ruído dava qualquer sinal de que alguém pretendia se manifestar, o que arrancou um suspiro da professora.

- Você! – e apontou para Hermione, que dividia a carteira com Amanda. – Seu nome seria?

- Granger. Hermione Granger, senhorita Vogelweide.

- Granger? – Helga repetiu o nome. – Aluna com certeza aplicada, segundo os outros professores. Mas me diga o que espera dessa matéria no nível que estamos?

Ela não respondeu de imediato. Harry aproveitou para encarar a amiga, que estava visível o nervosismo em seus olhos. Com certeza buscava as palavras certas perante a desconhecida.

- Eu espero desta matéria... – e correu rapidamente o olhar, como se buscasse ajuda. – Que nós realmente aprendamos na prática como nos defender, pois a teoria de nada vale se não puder ser aplicada em situações adversas.

- Concordo com o seu ponto de vista, Srta. Granger...

E um som de portas se abrindo desesperadamente foi ouvido. Provavelmente algum aluno atrasado. De fato era. Quando Harry se virou para ver quem havia sido, ele se deparou com a moça do lago.

Ela se apoiara nos joelhos para tentar recuperar o fôlego. Com certeza subira as escadas da torre de Defesa Contra as Artes das Trevas às pressas. Pôs-se de pé e ajeitou as suas mechas brancas, colocando-as atrás da orelha.

- Eu... Sinto muito. – e respirou fundo. – Eu não encontrava a sala, e... Helga? – e seu olhar mudou, quando encarou os orbes azuis da professora, para desconfiança.

- Você está atrasada, senhorita Hawke.

- O que você faz aqui? – e com isso, a aluna recuou um passo, como se aquilo fosse garantir algum tipo de segurança, enquanto estreitava os olhos. Era claramente visível que ela não parecia satisfeita.

- Porque não se senta? Está atrapalhando a minha aula. – Helga disse calmamente, mesmo com um tom sério na voz.

A professora correu o olhar pela sala até cair em Harry, que se sentava na primeira carteira, ao lado de Rony.

- Senhor... – Vogelweide se dirigiu ao ruivo, e era perceptível que seu olhar também se dirigia ao moreno.

- Rony Weasley.

- Harry Potter.

- Pois bem, senhor Weasley, se importaria de trocar de lugar para que a senhorita Hawke pudesse sentar ao lado do senhor Potter?

O ruivo fez com que não com a cabeça, o que arrancou um sorriso satisfeito por parte da mais velha. Ele se levantou e sentou duas carteiras mais atrás, ao lado de Neville, enquanto a aluna nova se dirigia ao seu novo lugar, mas sem desviar o olhar da docente.

Harry não pôde deixar de lançar um olhar curioso para a sua companheira. Ela havia amenizado a sua expressão facial e retirava o material que fosse precisar para a aula e pousou sobre a carteira.

Seu olhar caiu sobre ele, e ela se deixou sorrir amigavelmente para ele, antes de voltar à atenção para Helga.

- Pois bem, meus sextanistas, nesse módulo de D.C.A.T. nós iremos aprimorar nossas defesas, mas de maneira mais poderosa. E com certeza mais perigosa e difícil de ser trabalhada. – ela voltou a falar, e seu olhar caiu em Harry. – Sr. Potter, poderia, por favor, vir até aqui?

Ele não questionou, e quando se levantou, foi possível ver o olhar de preocupação que a aluna ao seu lado lhe lançou. O rapaz engoliu em seco e andou até a professora.

- Soube que tirou nota máxima no N.O.M. – Helga comentou, e ele assentiu. – E também lecionava técnicas de defesas a um grupo de alunos.

Como ela sabia tanto? Tudo bem que todos já sabiam da A.D. depois que Umbridge os descobrira, mas como ela podia saber tanto se era apenas novata? Aquilo de fato o intrigou, mas ignorou em seguida e assentiu para ela, confirmando as informações.

- Eu quero que lance um feitiço em mim. – ela pediu calmamente, enquanto observava o olhar surpreso de Harry.

- Como é?

- Não tenha medo. É apenas uma demonstração. Mas não use um feitiço simples como Expelliarmus, ok?

O rapaz assentiu e pegou a sua varinha. Helga pediu para os alunos irem um pouco mais para trás com as suas carteiras, enquanto a própria empurrava sua mesa para obter mais espaço.

Ela se preparou e sacou sua varinha, e esperou que Harry a atacasse.

- Estupefaça! – gritou de repente para a professora.

A mulher, parecendo ter previsto a ação do aluno, fez um rápido movimento com a varinha, e o feitiço foi rebatido com força, e acabou por atingir a mesa de madeira, destruindo-a parcialmente.

O grupo de estudantes, exceto pela aluna atrasada, ficou surpreso com o ocorrido. Helga nem ao menos abrira a boca para pronunciar qualquer feitiço de defesa, como o Protego.

- Obrigada, senhor Potter. Pode se sentar agora. – ela se pronunciou, ainda muito calma, e voltou a olhar para o grupo de estudantes. – Alguém sabe me dizer o que eu acabei de fazer?

Hermione, ainda estupefata pelo que vira há pouco, levantou a mão enquanto engolia em seco.

A professora assentiu para que ela se pronunciasse.

- Foi um feitiço não pronunciado. – explicou. – Bastante avançado. Requer uma enorme concentração. Se não houver bastante controle e consciência do que faz, o bruxo pode acabar morrendo.

- Correto! 10 pontos para Grifinória, a sua casa, certo?

Hermione assentiu.

Por fim, Helga continuou a ministrar o resto de sua aula, com perguntas constantes feitas aos alunos, e na maior parte respondidas por Hermione, o que causava alguns incômodos pela parte dos alunos sonserinos.

O toque para a próxima aula soou, o que interrompia a fala da professora, que suspirou tristemente.

- Alunos, na próxima aula, eu irei querer duplas para nossos projetos da matéria. – ela se pronunciou enquanto todos ainda terminavam de arrumar as suas coisas. – A começar pelas aulas práticas da próxima semana.

E com um aceno, Helga dispensou os alunos.

Harry ainda terminava de fazer as anotações finais, quando percebeu que a aluna nova se levantara e se dirigira até a mesa de madeira, da qual a professora usava magia para restaurá-la ao seu estado original.

Fingiu que copiava, enquanto tentava prestar atenção no que elas diziam.

- O que diabos pensa que está fazendo aqui? – a novata falou com a voz controlada, mas era possível que ela estava furiosa.

- Ora, minha querida Annie, você acha mesmo que eles deixariam você sozinha, sem ao menos algum tipo de vigilância?

- Diga logo o que está aprontando!

- Controle-se. – Helga a cortou olhando para os alunos, que só haviam sobrado o moreno e outro aluno mais atrás, ainda copiando.

Depois disso, Harry não entendeu mais nada, pois elas com certeza falavam alemão, com o característico sotaque germânico.

Elas com certeza discutiam, e o que quer que fosse, não agradava a aluna nova.

Por fim, a professora a cortou mais uma vez, e agora voltava a falar inglês, também com a voz controlada, com certeza pelo assunto em questão com a outra.

- Assunto encerrado. Agora você deve se dirigir à sua próxima aula.

- Isso não ficará assim Helga.

- Enquanto estivermos aqui será senhorita Vogelweide para você, entendeu? – e com um tom autoritário, ela disse, por fim. – Dispensada!

Bufando de raiva, a novata se virou para sair da sala de aula.

Harry tratou de guardar as suas coisas, e saiu apressadamente da sala de aula. Como não havia obtido nota o suficiente em História da Magia, ele teria aquele tempo livre antes do almoço, e seguir com suas aulas da tarde.

Lembrou que Hermione seguiria para a aula do professor Binns, então se encontrariam no almoço, enquanto Rony iria para o Salão Comunal da Grifinória.

Antes de ir procurar pelo amigo ruivo, o rapaz se deparou com a aluna nova no corredor. Ela parecia resmungar por alguma coisa, que nem ao menos percebeu que não estava mais sozinha.

- Você está bem? – Harry conseguiu perguntar, ao se aproximar cautelosamente da outra.

Com um sobressalto, a novata se virou espantada para encarar quem falava. Ao reconhecer o moreno, a moça esboçara um sorriso para ele.

- Eu estou sim. Não se preocupe... – se apressou em dizer, sem graça.

- Falou o que queria com McGonagall?

- Ah, sim! Mas pelo meu horário, eu terei tempo livre. – comentou ao olhar para o que seria o horário dela. – Não acho História da Magia uma matéria útil. E você?

- Livre. Porém, eu não obtive nota para continuar para o N.I.E.M.s. – ele riu sem graça. – Também a acho inútil.

Ela assentiu, e não deixou de rir levemente com aquilo. Harry olhou pelo corredor, antes de voltar a fitar a jovem, que jogava a mochila sobre seus ombros, para começar a caminhar pelos corredores.

- Posso pelo menos saber seu nome? – o moreno perguntou, e não pôde deixar de corar levemente com a pergunta.

- Annie Hawke. – a ruiva sorriu ao responder. – E você é Harry Potter, certo?

Ele assentiu.

- Você é famoso até mesmo em Berlim, e creio que na Europa inteira, acredite. Não é qualquer um que pode sobreviver a um Avada Kedavra.

O rapaz sorriu sem graça, enquanto passava a mão pelos cabelos.

- Harry, você poderia me apresentar a escola? – Annie perguntou timidamente sem graça, após um tempo de silêncio. – Eu ainda irei me perder aqui dentro.

- Ah, eu acho que não terá problema.

E com ambos os sorrisos estampados nas faces, a dupla começou a caminhar pelos corredores. Harry ensinava alguns atalhos e mostrava lugares importantes, como a biblioteca e salas de algumas aulas que eles teriam em comum. Annie apenas prestava atenção em tudo, e tentava memorizar cada lugar da escola.

Todo aquele "tour" os levaram até o Salão Comunal da Grifinória, e a dupla já conversava animadamente, como se já fossem amigos há tempos.

O local estava vazio. Rony com certeza deveria estar no dormitório, ou em algum outro lugar da escola. Mas era deveras estranho o fato de o ruivo não estar esperando o amigo.

- Seu dormitório é junto com as garotas do sexto ano? – o moreno perguntou ao olhar para cima de maneira inconsciente.

- Não, não. O professor Dumbledore providenciou um quarto para mim. – ela respondeu ainda sorrindo.

Harry pensou em perguntar sobre a professora Vogelweide, mas não obtivera coragem para tal. Talvez fosse um assunto delicado para ela, isto é, pela forma como elas se hostilizaram na aula de DCAT.

Porém, eles ficaram ali até a hora do almoço, onde tiveram que sair da torre para o hall. Annie apenas perguntava coisas sobre a escola, e às vezes mencionava a anterior, onde havia estudado na Alemanha.

Antes que pudessem continuar, o rapaz observou uma dupla muito peculiar chegando ao Salão Principal: Rony e a outra aluna nova, Amanda.

- Oi Harry. – o ruivo o cumprimentou. – E olá...

- Annie.

- Onde esteve, Rony?

- Ah, a Amanda estava perdida, e a Mione pediu para ajuda-la. Então eu tratei de apresentar a escola para ela. Sabe como é, coisa de monitor.

- E onde está a Hermione?

- Ainda assistindo aula. Vamos entrar ou ficaremos de papo? Estou com fome!

Annie riu levemente, assim como Amanda, o que deixou o ruivo tão rubro quanto os seus cabelos. O quarteto rumou para o Salão, até a mesa da Grifinória, que contava com alguns poucos alunos.

Minutos depois, Hermione chegou e se juntou aos amigos para o almoço.

- E como foi a aula de Binns? – Harry perguntou.

- O mesmo de sempre, eu acho.

- E qual a próxima aula? – o moreno perguntou sem fazer caso.

- Poções. Vocês farão?

- Não. Eu tirei um "Excede Expectativas". Professor Snape não aceita nada menor que um "Ótimo".

- Creio que esteja enganado, senhor Potter. – uma voz grave soou atrás do grupo.

Severo Snape estava parado atrás deles, com o seu típico olhar frio e de pouco caso. Ele era uma das razões de Harry não gostar muito de Poções.

- O professor Dumbledore me... Pediu para que aceitasse alunos com notas a partir de "Excede Expectativas". Não se atrase!

E então, o homem de vestes negras caminhou calmamente até a mesa dos professores.

- Parece que vocês não se livraram dele. – Hermione comentou com os dois amigos.

- Você não iam pagar Poções? – Annie perguntou curiosa, com o seu olhar correndo entre os rapazes e a mesa dos professores.

- Não. Você vai? – perguntou Harry ao arquear uma sobrancelha.

- Vou.

- E Annie, de onde você conhece a professora Vogelweide? – Hermione perguntou.

Era possível ver a face da moça se tornar sério. Ela pensou um pouco, enquanto comia calmamente, antes de responder. Seus olhos de tom amarelado correram pela mesa dos professores. Mas ela não estava lá.

Quando engoliu a comida, ela abriu a boca para falar, e fechou-a novamente.

- Podemos, por favor, não falar sobre o assunto? – a jovem pediu, por fim.

Hermione trocou olhares rápidos com Harry e Rony. Eles sabiam o que ela queria dizer com aquele olhar: Annie escondia alguma coisa, e que era sério.

Contudo, não comentaram em voz alta. Apenas voltaram à refeição, enquanto poucas palavras eram trocadas entre o grupo. A ruiva de mechas brancas apenas se manteve em silêncio. Com certeza estava imersa em pensamentos.

E assim permaneceu até o final do almoço.