Capítulo 7 – As duas chaves
Harry tomou a frente do grupo, guiando-os para a Sala Precisa, enquanto Annie ia mais atrás, com a varinha em punho. Ela parecia murmurar alguns feitiços, da qual o rapaz não ouvira e não dera atenção.
Dessa vez, ele não precisou esperar muito, pois a sala parecia se abrir à medida que se aproximavam. As acomodações, dessa vez, eram diferentes. Havia algumas almofadas, com um sofá e poltrona. Uma lareira pairava em um dos cantos. O local era perfeito para quem precisasse de uma conversa em particular.
Rony e Hermione se acomodaram no sofá, enquanto Harry e Annie ficavam sentados perto deles, olhando a lareira. A moça de cabelos acobreados se ajeitou de forma que visualizasse os três.
- E então, o que você nos tem a dizer? – Hermione indagou para quebrar o silêncio.
- Bem, eu posso ver o seu medalhão. – a outra perguntou, e logo em seguida recebeu o objeto em mãos. Retirou a chave de seu compartimento retangular e mostrou a todos. – Essa é uma das chaves para abrir a Casa da Esfinge.
- Casa de quê? – Rony questionou confuso. – Mas esfinges não são monumentos egípcios?
- São, mas tem todo aquele caso da Grécia, sabe? A esfinge da qual me refiro é um pouco dos dois. Todas as características do Antigo Egito, mas a aparência dada pelos Gregos. Claro, há outras por ai, que estão sob o controle do Ministério, mas nenhuma delas se parece com Ela.
- Então quer dizer que existe mesmo uma esfinge? Tipo aquela da lenda grega que pode comer as nossas cabeças? – o ruivo indagou com um pouco de medo na voz.
- Sim, e... Bem, ela não come as nossas cabeças. No Egito, ela é um símbolo de proteção e de poder. Criatura sábia e bastante poderosa, além de ambiciosa.
- Ah não. Isso já é demais. Aposto que é algum tipo de conto de fada ridículo. – Hermione comentou incrédula, já se levantando para deixar a Sala Precisa.
- É. Um conto de fada na qual Voldemort está muito interessado. – Annie disse calmamente, como se aquilo fosse algo bem normal. – Acha mesmo que ele se interessaria por isso se fosse algo bem bobo?
Harry lançou um olhar estupefato para amiga. Ela parecia captar a mensagem que ele tentava transmitir: "Como ela sabe de tudo isso?". Sentou-se no sofá e pediu perdão pelo comportamento repentino.
- Mas a Esfinge não se perdeu pelo tempo? – o moreno perguntou pensativo.
- Não exatamente. Criaturas que os trouxas nomeiam como mitológicas existem. Ou pelo menos uma boa parte delas...
- Como Fofo. – Hermione disse para os amigos. – O cão de três cabeças do Hagrid.
- Exato. Muitos, é claro, não mantém contato com a civilização porque fugiram da perseguição. A Esfinge se enquadra nesse caso.
- Fugir de quê? – o ruivo questionou.
- A Esfinge, após o Cristianismo se oficializar no Império Romano, derrubando o politeísmo greco-romano, fugiu para os mais diversos lugares e se adaptando. Chegou à Grã-Bretanha, claro, há muitos séculos. – olhou em volta a sala, e depois lançou um olhar desconfiado para a porta. – Na época, quatro grandes bruxos fugiam da Inquisição. Vocês devem conhecê-lo. Godric Gryffindor, Rowena Ravenclaw, Helga Hufflepuff e Salazar Slytherin.
- Os quatro fundadores. – o moreno disse.
- Exato. Eles precisavam de um lugar para passar seus ensinamentos sem serem perseguidos. Acharam este castelo e Hogwarts "nasceu". Lançaram todo tipo de proteção que existiam. Mas sabiam que não duraria para sempre.
"A Esfinge apareceu nas montanhas ao horizonte. Os moradores de Hogsmeade especularam que era algum tipo de monstro, e Grodic, corajoso como era, foi até lá para investigar. Ele acabou por encontra-La, trouxe-A para cá e manteve sob os cuidados. Quando curada, Ela ofereceu algo em troca a ele, que apenas pediu proteção eterna para aquela escola e os estudantes que nela habitam. Com a aprovação dos quatro fundadores, a Esfinge acatou o pedido e se manteve num santuário, ou Casa."
"Porém, Salazar soube que aquela criatura era uma fonte de poder e sabedoria inestimável, a ponto de ser mais sábio até mesmo que Rowena. Ambicioso, ele foi atrás dela. Finalmente expurgaria a escola daqueles que ele julgava não ser digno de magia. Mas Godric, guardião da Esfinge, o impediu quando descobriu. Eles lutaram, e como último ato de Gryffindor, ele selou a Casa e criou duas chaves iguais e as guardou consigo, protegendo a criatura."
"Salazar ficou furioso. Antes de partir, ele selou a sua criatura, o Basilisco, e a Câmara Secreta, fazendo-a com que ninguém achasse. Quando chegasse a hora, o seu herdeiro iria expurgar todos os indignos de aprenderem magia."
- A criatura se foi. Nós a detemos no segundo ano. – Harry falou.
- Eu sei disso.
- Mas o que aconteceu com as duas chaves que Godric possuía? – Hermione questionou temendo a resposta.
- Ficaram com ele, é claro. Com a sua morte, as chaves ficavam sob a proteção dos próximos guardiões, os herdeiros de Gryffindor. Mas as chaves se perderam no tempo, o que seria bom. Contudo, os guardiões da Esfinge, descendentes direto do fundador da casa de Grifinória, ainda estão por ai, apenas de olho na Casa, e prontos para agirem se um dia ela estiver ameaçada.
O silêncio predominou por alguns minutos após o término do relato de Annie. Era muita coisa para assimilar numa única noite. Harry tinha muito que pensar, e também muito que questionar. Mas a principal foi colocada em palavras por Hermione.
- Como sabe de tudo isso?
A moça não respondeu de imediato. Ela mordeu o lábio inferior e olhou para os lados, como se esperasse que algo saísse da espreita. Por fim, terminou por encarar os olhos verdes do moreno.
- É uma outra longa história. – respondeu após soltar um longo suspiro. – Agora vocês percebem? O atual herdeiro de Salazar Slytherin está atrás da Esfinge. Expurgar todos os indignos do mundo mágico. Nem por sonho ele pode imaginar que uma das chaves está nesta escola. Enquanto a outra estiver perdida não há o que temer.
Nesse momento, o trio trocou olhares preocupados. Annie gemeu um "Ah, não!" quando percebeu o que aquilo significava.
Harry contou rapidamente sobre o sonho que tivera antes das aulas começarem, em Agosto, onde Voldemort perguntava pela Esfinge a provavelmente um dos guardiões da chave. Em seguida, contou o sonho de dias atrás, onde alguém dentro da escola possuía o artefato e estava infiltrada, e que ele sabia que a "guardiã" estava em Hogwarts, e esperava que se manifestasse, possivelmente revelando o local da Casa.
- Isso não é bom... – Annie resmungou para si ao final do relato. – O aluno infiltrado pode ser qualquer um. Já o herdeiro...
- O que tem? – Hermione perguntou se aproximando da outra, com a curiosidade estampada em sua face.
- Só há uma pessoa que pode saber quem é e tem conhecimento da localização da Casa. – ela explicou calmamente, atraindo os olhares do trio. Seu sorriso divertido surgiu no rosto. – Quem está aqui a mais tempo do que qualquer um, desde a época dos fundadores?
Os outros se entreolharam mais uma vez, e Harry tomou a palavra para responder a pergunta da moça de cabelos acobreados.
- O Chapéu Seletor.
- Exato! Apenas ele e o guardião sabem onde a Casa está. A pessoa infiltrada não se atreveria a roubar um artefato da escola que está na sala do Dumbledore. Não com o diretor na escola.
- Mas se o guardião revelar? – Rony perguntou.
- Isso jamais aconteceria. Todos que já se submeteram ao papel de guardião são instruídos a morrerem ao invés de falar. Nunca trairiam Godric Gryffindor.
O silêncio voltou mais uma vez, cada um preso em pensamentos.
Para Harry, aquilo parecia loucura, mas sabia perfeitamente que não era. Ele precisava falar com o diretor e alertá-lo do que estava acontecendo. Tomar providências. Mas seria difícil fazer isso sem levar suspeitas. O jeito era agirem normalmente e tentarem encontrar o espião por conta própria.
- Nós precisamos dar um jeito de comunicar ao professor Dumbledore e falar com o Chapéu Seletor. Eles provavelmente saberão o que fazer. – Annie quebrou o silêncio após pensar bastante.
- Nós? O que quer dizer com nós? – Hermione questionou, percebendo a resposta óbvia no exato segundo seguinte.
- Acham mesmo que, depois de tudo o que lhes contei, eu ficaria de fora?
- Annie, não nos leve a mal... – O moreno interveio, buscando as palavras para dizer aquilo. – Não queremos que você se arrisque por minha causa.
- Ora Harry, acha mesmo que eu ligo para isso? – a moça perguntou incrédula. – Só em contar tudo isso para vocês já é um grande risco. Não me venha com essa.
Ninguém ousou falar depois disso. Hermione olhou para o rapaz de cabelos pretos, esperando que este desse a sua resposta. Rony apenas se atrevia a encarar os amigos.
Por fim, Harry se rendeu. Não adiantaria discutir com Annie, pois ela parecia ter personalidade bastante forte e decidida. Seria difícil convencê-la a não se envolver. Principalmente pensando que ela poderia cometer alguma loucura sozinha.
- Agora que está decidido, nós temos que voltar. Não vão demorar a dar pela falta de vocês, já que eu não divido quarto. – a jovem de cabelos acobreados comentou, enquanto ajeitava as mechas brancas e as colocava atrás da orelha.
- Mas ainda é cedo... – o ruivo interveio.
- O tempo passa rápido enquanto conversamos.
Todos se levantaram e se dirigiram para a saída. Annie retirou a sua varinha das vestes e começou a murmurar alguma coisa, aparentemente para encobrir qualquer rastro que pudessem deixar para trás, nos corredores.
Quando alcançaram o Salão Comunal, o quarteto se despediu. Hermione subiu para o seu dormitório, seguido de Rony. Harry avisou ao amigo que ficaria mais alguns minutos ali, pois precisava pensar um pouco.
A jovem de cabelos acobreados se despediu do moreno e se preparava para subir as escadas, quando ele segurou o seu antebraço, impedindo-a de ir. Ela se virou para encará-lo, esperando que ele dissesse algo, porém, só recebeu o silêncio por algum tempo.
- Harry, se você tiver alguma coisa pra... – porém, ele a cortou.
- É perigoso. Se Voldemort imaginar que você sabe demais sobre... Você sabe, a Esfinge. – ele limpou a garganta antes de continuar. – Ele não hesitará em matá-la...
- Harry, eu sei me cuidar. A partir do momento em que saímos daqui para a Sala Precisa e contei o que sei, eu sabia que estava me arriscando. Não tenho medo. – disse em tom decidido. – A propósito, o meu cavaleiro pode me defender, certo?
O casal acabou rindo.
- Agora, se permitir, eu vou para o meu quarto. – a moça disse após algum tempo, já subindo as escadas. – Vejo você depois.
Ela acenou em despedida e subiu a escada.
O rapaz continuou mais algum tempo ali. Suspirou pesadamente. Mais um se arriscaria por causa dele. Desde o incidente no Ministério, ele não queria que ninguém se arriscasse pela sua luta.
Não adiantaria pensar muito naquilo. Pelo menos não de madrugada. Respirou fundo e subiu o lance de degraus até o dormitório masculino do sexto ano.
x-x-x
A semana passou mais rápido do que os alunos pensavam. Logo a sexta havia chegado. Os testes para o time de Quadribol estava marcado para as seis da tarde. Naquele ano, poucas pessoas se interessaram pelo esporte, o que trouxe não muitas inscrições. Além do fato de que nem todos queriam se arriscar com balaços e fazer testes para batedores.
Na hora do almoço, Harry olhava a lista do pessoal inscrito. Hermione parecia ler algo atentamente em um dos livros da biblioteca, enquanto Rony conversava com Amanda.
Minutos depois, o moreno se levantou e olhou em toda a extensão da mesa de sua casa, até encontrar uma garota branca, de cabelos claros, sentada mais adiante e conversando com algumas amigas.
- Katie! – ele chamou, fazendo a outra se virar para encará-lo.
- Oi Harry.
- Katie, porque o seu nome está na lista de teste para artilheiros? Você já é do time. – ele indagou confuso, mostrando o pergaminho em mãos.
- Ah, com tanta coisa acontecendo... Meu último ano, e novos talentos... Nem achei meu desempenho dos melhores na temporada passada, por mais que a Angelina ainda me mande cartas dizendo o contrário.
- Ela tem razão.
- Por favor, Harry, eu não quero ficar no time apenas pela nossa amizade. Quero provar meu valor mais vez, assim como fiz para Wood no segundo ano. – a garota dizia um pouco sem graça.
Por fim, o rapaz suspirou. Olhou mais uma vez o pergaminho. Apenas esperaria para ver no que tudo aquilo daria.
- Certo então, Katie. Às seis horas no campo. Hoje.
A outra assentiu, e ele se virou para voltar onde estava.
O dia correu tranquilamente. Tiveram aulas de Transfiguração, Poções e a última aula livre. Seria o ideal para preparar os testes do time. Annie e Rony acompanharam Harry, para ajudá-lo, enquanto Hermione ajudaria Amanda com alguma lição.
O campo estava vazio naquela hora. Provavelmente a maioria dos alunos ainda estava em aula.
O moreno vestiu o uniforme e pegou a sua Firebolt, além da caixa que continha a goles, os balaços e o pomo. Quando estava no meio do gramado, ele percebeu que Rony já voava baixo, em torno do local. Annie parecia ajeitar suas vestes com uma de suas mãos, já que a outra segurava uma vassoura da qual se lembrava de ter visto uma vez há algum tempo.
Nimbus 2000.
Sua primeira vassoura. Lembrara-se dos jogos que tivera, antes do jogo contra a Lufa-Lufa no terceiro ano. Acabou caindo após um ataque dos dementadores e sua vassoura foi levada pelo vento forte até se chocar contra o Salgueiro Lutador.
Aquilo o deixara arrasado.
Balançou a cabeça levemente para afugentar os pensamentos bem na hora que a moça se postou ao seu lado.
- Algum problema? – ela perguntou um pouco preocupada.
- Não... Apenas me lembrando de algumas coisas. Nada de importante. – e riu sem graça.
Algum tempo depois, outros alunos, provavelmente os que fariam os testes, surgiram no campo. Vestiam o uniforme da Grifinória, cada um com a devida proteção e vassouras em mãos.
Rony e Annie se juntaram ao grupo, enquanto Harry encarava cada um deles, pensando no que falaria. Por fim, limpou a garganta e pediu a atenção de todos.
- Olá... – disse sem graça. – Bem, as habilidades de vocês serão testadas hoje, mas não só de maneira individual, como também em coletivo. Um time não é feito de uma pessoa, e sim de um conjunto. E para dar certo, é preciso ter confiança.
Havia seis pessoas para a vaga de artilheiro, da qual estavam Annie e Katie, sem falar em Gina, Dino e Michael e Tom, dois terceiranistas, e quatro para a vaga de batedor, entre eles os irmãos Creevey, um garoto do terceiro ano chamado Nigel e uma menina do quarto ano chamada Amelie Hilton.
Dividiu o pessoal em dois grupos, cada um contendo dois batedores e três artilheiros. Eles jogariam entre si. O primeiro time era formado por Annie, Katie e um dos terceiranistas, Michael, e os batedores eram a garota Amelie e Nigel. Já o segundo constituía de Dino, Gina e o outro garoto, Tom, enquanto seus batedores eram os irmãos Creevey.
Em minutos, todos já cortavam o ar rapidamente. O "jogo" havia começado. Cada time avançava com a goles em direção aos gols, mas artilheiros dos times adversários sempre impediam ora interceptando ora pegando o objeto antes que passasse o aro. Os batedores até que se saíam bem, desviando os balaços dos companheiros de time e tentando acertar os adversários.
Annie e Gina jogavam com perfeição, tramando estratégias para o roubo da goles e passes eficientes, sem falar nas investidas perigosas contra os aros do gol. Dino também não se saía nada mal. Os dois terceiranistas ainda tinham um pouco de dificuldade para carregar a bola, e costumava perdê-la com certa facilidade.
Os irmãos Creevey estavam se dando bastante bem, e poderiam quase ser comparados aos gêmeos Weasley, se não fosse por algumas trapalhadas que Colin cometia, mostrando que o caçula, Dennis, se saía melhor. Amelie parecia a que mais tinha habilidade. Desviava os balaços facilmente com o uso do bastão, e não errou muitos os seus alvos, que eram os artilheiros adversários. Nigel era o mais atrapalhado. Quase caiu da vassoura duas vezes, e não mostrava muita força para rebater.
Algumas horas depois, Harry deixou o apito soar, anunciando o final da partida. Todos se dirigiram para o gramado, esperando o jovem apanhador recolher as bolas e se juntar ao grupo.
- Todos estiveram ótimos. Parabéns. – o rapaz disse quando se aproximou. – Pena que todos não poderão fazer parte do time.
Ele olhou para o pergaminho com o nome dos inscritos, com algumas anotações feitas às pressas durante o jogo de minutos atrás.
- Para batedores, os escolhidos são Amelie Hilton e Dennis Creveey. – pronunciou após limpar a garganta. – E os artilheiros são Annie Hawke e Gina Weasley. Katie, você ainda permanece no time. Mostrou que está em ótima forma.
A artilheira veterana sorriu um pouco animada para o rapaz.
- Os que não foram selecionados, eu espero que não fiquem chateados. Podem se retirar do campo. Eu quero o novo time no vestiário antes de irmos para o Salão Comunal.
Os integrantes caminharam para uma das saídas laterais. Rony e Harry vinham mais atrás, carregando a caixa onde as bolas estavam guardadas.
Todos tentaram se acomodar como podiam no vestiário do time, enquanto o capitão tomava a frente, esperando e escolhendo as palavras para usar.
- Bem, em primeiro lugar, eu parabenizo aos novos integrantes. Não sei se alguns sabem, mas o nosso primeiro jogo da temporada não será contra a Sonserina, e sim contra a Corvinal em Novembro...
- Corvinal? Quem é o capitão depois de Rogério Davies? – Katie indagou confusa. – E que mudança repentina é essa?
- Eu não sei. Nenhum dos dois capitães se manifestou, já que não só Rogério, mas também aquele Montague, que substituiu Flint como capitão na temporada passada, também se formou. – Harry comentou. – Porém, isso não vem ao caso. Nós teremos treino na quarta às seis. Eu acho que é só. Dispensados.
Todos foram ao banheiro do vestiário para trocarem de roupa. Harry ficara por último, e ficou um pouco pensativo enquanto guardava a sua vassoura. Quando saiu do campo, ele caminhou em direção à escola.
Quando havia alcançado a escadaria, ele encontrou Annie, provavelmente imersa em sua mente, pois ela andava um pouco sem rumo. Apenas quando o rapaz a chamou foi que ela pareceu despertar.
- Você jogou muito bem hoje. – ele comentou, enquanto trilhavam o caminho para o sétimo andar.
- Obrigada. As outras duas artilheiras também foram ótimas, sem falar naquela batedora.
Eles continuaram a conversar até chegarem o Salão Comunal. Ainda havia algumas poucas pessoas conversando ou jogando xadrez de bruxo.
Harry estava cansado naquela noite, por isso, optou por dormir mais cedo. Despediu-se de Annie e de Hermione, que estudava próxima a lareira com Neville e Amanda.
No dormitório masculino, Rony e Dino falavam sobre os testes com Simas, que apenas ouvia tudo. O moreno cumprimentou a todos e se arrumou para dormir. Continuou o falatório com os amigos por mais algum tempo, antes de cair no sono.
x-x-x
As semanas logo se transformaram em meses e Setembro se foi, dando lugar a Outubro, que sem perceber, já estava no final, a pouco menos de uma semana do primeiro jogo de Quadribol. Os professores pegavam pesado em suas aulas, e vários trabalhos por escrito. Sem falar nos treinos do time.
Já era dia de Halloween. Quinta-feira. No sábado era o primeiro jogo contra a Corvinal. Harry havia descoberto há algumas semanas que Cho Chang se tornara a capitã do time.
Além da ansiedade do primeiro jogo como capitão, a chuva começou a castigar Hogwarts, o que nem sempre era bom sinal. Da última vez, dementadores o atacaram.
Os alunos do sexto ano já estavam de saída da aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, que era a última aula do dia, quando Helga pediu para que Harry ficasse. Annie o olhou um pouco tensa.
- Seria algum problema senhorita Vogelweide? – ele questionou ao arquear uma sobrancelha.
- Serei rápida, senhor Potter. E senhorita Hawke, por favor, pode se retirar.
- Helga...
- Senhorita Hawke, você não vai querer uma detenção no sábado durante a hora do jogo, vai?
- Por favor, professora, eu gostaria que a Annie ficasse. – o rapaz interveio entre as duas. – Não se importaria, certo?
- Sem problemas. – suspirou em derrota e se dirigiu à sua mesa. – Apenas gostaria de saber se está acontecendo algo. Parece tenso desde o início da semana.
- Quadribol. Mas nada com o que se preocupar.
- Não se preocupe. Uma chuva não vai lhe abater. Não é pior que uma tempestade sobre um campo onde boa parte é na água. – comentou risonha, como se lembrasse de algo.
- Mas...
- Helga foi apanhadora em Magchën. Antes de se formar. – Annie se apressou em explicar sem fazer caso.
- Boa sorte, senhor Potter. E espero que a senhorita Hawke continue com o seu bom trabalho no campo. – desejou a professora com um meio sorriso. – Lembrem-se que na próxima semana haverá uma revisão de tudo o que vimos em formato de duelo. Dispensados.
A dupla acenou em despedida (mesmo a moça de cabelos acobreados tendo feito a contragosto) e caminharam pelos corredores em direção ao Salão Principal, conversando sobre as expectativas de cada um para o jogo de sábado.
O Salão estava bastante decorado naquele dia, devido ao Halloween. Havia abóboras e morcegos encantados, flutuando pelo local. Várias comidas estavam dispostas nas mesas para o banquete do jantar.
Harry achou os amigos e se juntou a eles. Uma conversa animada sobre as expectativas do jogo de sábado se deu início, e seguiu por alguns minutos, antes do término da refeição e seguirem para o Salão Comunal.
Hermione subiu para o dormitório, alegando que estava cansada e precisava acordar cedo no dia seguinte. Amanda ainda comentava sobre suas aventuras na antiga escola quando Annie soltou o primeiro bocejo, antes de anunciar que iria dormir. Os dois rapazes não demoraram, também, a se despedirem da aluna nova, e subirem para o dormitório.
A sexta amanheceu bastante fria e um pouco nublada, anunciando que viria chuva mais tarde. Aquele dia teria o último treino do time da Grifinória antes do jogo do sábado contra a Corvinal.
O dia passou rápido, até terminar as aulas de Poções, a última do dia. Harry caminhava com Rony e Annie para o campo. O moreno não podia negar que estava tenso.
Não demorou muito para o restante do time aparecer.
O capitão não pegara muito pesado naquela noite. Apenas treinaram bastante o ataque, mas sem descuidar da defesa. Rony já não deixava passar todas, como quando começou a ser goleiro. Katie, Annie e Gina se mostravam mais agressivas no ataque enquanto Amelie tinha facilidade para lançar os balaços contra os alvos adversários, e Dennis a facilidade para afastá-los dos companheiros de time.
A Corvinal tinha a característica de serem ótimos na defesa e no contra-ataque.
Após algum tempo, todos se dirigiram para o vestiário molhados e um pouco sujos de lama, já que a chuva ainda imperava no lado de fora.
- Todos foram ótimos hoje. – o rapaz falou com um meio sorriso. – Amanhã é o jogo. Vamos todos dormir cedo e se alimentar bem amanhã...
- Harry! – Katie chamou a sua atenção. – Você está parecendo o Wood, sabia? Relaxa, você está fazendo um bom trabalho como capitão.
- Ok. Então eu acho que é só por hoje. E eu espero que o tempo esteja melhor amanhã.
Todos se limparam e se secaram antes de trocarem de roupa. Logo em seguida eles caminhavam em direção ao sétimo andar e conversando sobre as expectativas do jogo do dia seguinte.
Como estavam cansados pelo treino, o pessoal do time se dirigiram para os dormitórios, onde caíram logo no sono, mesmo com a ansiedade lhes abatendo.
O sábado amanhecera bastante frio, porém, não parecia dar indícios de que choveria durante o jogo, o que já era um bom sinal para Harry. Alguns de seus colegas de quarto já haviam se levantado. Rony já vestia parte do uniforme quando desceu para o Salão Comunal.
Naquela manhã, o moreno se permitiu tomar um longo banho de cabeça. Sentir a água gelada sobre seus cabelos o ajudava a livrar da tensão que estava sentindo.
Quando desceu para o Salão Principal, todos do time já estavam sentados juntos conversando descontraidamente enquanto comiam. O rapaz se juntou a eles e pegou algumas torradas.
- Harry! – uma voz feminina o chamou, após alguns minutos.
Ele se virou e deparou com Cho Chang, vestida com o uniforme azul da Corvinal.
- Oi Cho. – cumprimentou sem jeito, atraindo a atenção do resto do time.
- Só vim desejar boa sorte. – ela falou com um meio sorriso. – E quem pegue o pomo o melhor. – então acenou em despedida, virando-se para a saída do Salão.
Após alguns minutos, o time da Grifinória começou a deixar o local, recebendo os cumprimentos de alguns alunos. Outros já seguiam para o campo, e pegar um bom lugar para assistir o jogo.
No vestiário, o clima de ansiedade pairava no ar. E de todo o time, quem mais parecia agitada era Amelie Hilton, do quarto ano. Segurava o bastão com certa força, sem falar nos olhos castanhos, que estavam flamejantes.
Harry notou aquilo, e não pôde deixar de questionar para Dennis.
- Ah, ela está assim depois que John Hastings, batedor da Corvinal do quarto ano, a provocou dizendo que garotas como batedoras são inúteis ontem.
- E ele receberá outro olho roxo se vier com gracinhas no jogo de hoje. Não hesitarei se tiver que fazer isso com o bastão. – Amelie comentou após ouvir a explicação de Dennis.
- Ah, homens. – Annie suspirou como se lembrasse de algo semelhante. – Não se preocupe. – e ela trouxe a batedora para perto e cochichou alguma coisa.
- Feito!
- Ok meninas, se não for muita intromissão, eu só tenho a dizer que já está na hora. – o capitão anunciou, pegando a sua Firebolt e acenando para que o time o seguisse em direção ao campo.
Em questão de poucos minutos, quatorze vassouras cortavam o céu. Rony se dirigiu às balizas, apenas aguardando o início do jogo. Os artilheiros de cada time se posicionaram em um círculo. Os batedores voavam mais abaixo, enquanto os dois apanhadores voavam mais acima.
- Capitães, se cumprimentem! – ordenou Madame Hooch de algum ponto no campo.
Harry encarou Cho, que fez o mesmo. Lembrava-se do primeiro jogo em que a vira, no terceiro ano. Desviou os pensamentos e cumprimentou a moça à frente com um aperto de mão.
- Madame Hooch jogou a goles para cima e se deu início o primeiro jogo da temporada. – o novo comentarista, Simas, anunciou.
Após a saída de Lino Jordan, Simas Finnigan o substituiu como narrador dos jogos da temporada daquele ano.
A partida, como Harry pôde constar às vezes, enquanto buscava pelo pomo, seguia intensa. Os artilheiros da Corvinal estavam mais na defensiva, o que dificultava para Gina e Katie marcarem ponto. O contra-ataque logo veio, e o time abriu uma vantagem de dez pontos sobre a Grifinória.
Mas não demorou para que Annie achasse uma brecha na defesa do time adversário e passasse a goles para a ruiva Weasley e marcasse os primeiros dez pontos do time.
O jogo seguiu acirrado por um bom tempo, quase sempre estando no empate entre os dois times. E foi quando o seu time conseguiu abrir vantagem de dez pontos que Harry viu algo reluzindo um pouco mais abaixo das balizas do lado da Corvinal. Sem esperar para saber se Cho percebera ou não, o rapaz impulsionara a sua vassoura em direção ao que seria o pomo.
Foram apenas segundos antes que a apanhadora adversária percebesse e começasse a perseguição junto ao moreno. Estavam ombro a ombro, e a outra simplesmente tentava empurrá-lo para desorientá-lo por alguns segundos, mesmo sendo inútil.
- Está difícil saber quem está mais perto do pomo. – Simas anunciava, quase se levantando com o microfone na mão para olhar a perseguição. – Chang simplesmente tenta distrair Potter.
Harry já estava nervoso por aquele bater de ombros constantes. Precisava distraí-la de alguma forma. Mudar de curso ou algum mergulho arriscado, mas ela tinha seus olhos escuros na pequena bola dourada que estava não muito distante.
Ambos já esticavam a mão para ver quem pegava o pomo, quando o rapaz não sentiu mais a pressão no ombro direito. Olhara para trás de relance apenas para ver Cho tentando se equilibrar na vassoura enquanto mudava de curso. A notícia do que realmente ocorreu veio através Simas, que comentava empolgado.
- Hilton simplesmente acerta um balaço no ombro da Chang, desequilibrando-a por tempo o suficiente para que Potter tenha vantagem. Grande feito! De onde surgiu essa garota? Sem falar que Corvinal empata. Sessenta a sessenta.
O moreno já estava quase lá. Podia sentir o bater de asas frenético do pomo. Deu mais impulso à vassoura, quando Dennis apareceu à sua esquerda para defender o rapaz do que parecia ser um balaço.
- Incrível! Creevey faz um ótimo rebatimento do balaço mandado Hastings em direção ao apanhador da Grifinória... – e interrompeu o que mais iria dizer, quando se debruçou sobre a arquibancada. – É isso mesmo o que está acontecendo? É claro que é! Potter pegou o pomo de ouro! Grifinória ganhou com um placar de duzentos e dez a sessenta! – gritou eufórico, enquanto toda a torcida vibrava.
Harry sorria vibrante com o pomo na mão, enquanto voava em direção ao centro do gramado. Os alunos saíam das arquibancadas para cumprimentarem o apanhador. Recebeu apertos de mãos por parte de Rony e do batedor, enquanto as garotas simplesmente o abraçavam em meio ao tumulto.
Os grifinórios se deslocavam às pressas para o Salão Comunal para os festejos do dia, enquanto o time ia para o vestiário trocar de roupa.
- Vamos Harry! Você merece pelo ótimo trabalho como capitão! – Rony chamou o amigo, que saía do local junto com a irmã e com o caçula dos Creevey.
- Já vou indo! Guardem para mim também. – o rapaz disse entre os risos do time.
Todos já haviam saído, deixando o apanhador sozinho. Ele guardava a Firebolt quando viu Annie, já de roupas mudadas, se dirigindo ao armário de vassoura para guardar a Nimbus 2000.
- Bom jogo, hein? – ele comentou. – Você é uma ótima artilheira.
- Obrigada! Gina e Katie são esplêndidas! – ela sorriu sem graça. – Mas não podemos tirar os seus créditos. Se não fosse persistente contra aquela Chang, nós teríamos perdido feio.
- Ah, isso eu devo a Amelie. Me deu alguns segundos de vantagem. Já vai para o Salão Comunal?
- Vou sim. Acha mesmo que vou perder a comemoração?
- Então espere um pouco só para eu me trocar, ok? – ele pediu um pouco sem jeito, quando a outra assentiu.
Em minutos, a dupla já conversava sobre os acontecimentos do jogo pelos corredores. No Salão Comunal da Grifinória tinha mais festa e vibração. Todos cumprimentaram Harry mais uma vez.
A festa durou até a noite, quando algo inesperado aconteceu.
Uma música animada tocava no rádio trouxa que Dino possuía, e muitos dançavam em meio a risos. Porém, quando a melodia parou, um casal que estava no centro do Salão Comunal, dançando abraçados, se beijou com fervor.
- Harry, não é o Rony e a tal Amanda? – Annie perguntou boquiaberta pelo que via acontecendo.
Alguns deram gritos surpresos, mas logo a euforia voltou e todos congratulavam o novo casal. O rapaz, porém, não pôde deixar de notar que Hermione, próxima a escadaria que levava aos dormitórios, lançou um olhar um pouco... Triste, sem falar nos olhos que pareciam marejar. Logo subiu em direção ao dormitório feminino.
Teria seguido a amiga para falar com ela, se a moça de cabelos acobreados não segurasse o seu braço.
- O que foi? – ele perguntou confuso, e viu o que parecia ser temor nos olhos dela.
- Harry. – ela sussurrou com urgência e apontou para o pescoço de Amanda. – Olhe aquilo!
Do pescoço da morena pendia uma corrente dourada. Ele seguiu com o olhar onde aquilo ia parar, e percebeu um medalhão. Estava de longe, mas não tanto para perceber um leão, como o que havia no brasão da Grifinória, esculpido nele.
Rony nem parecia notar aquilo, devido a grande animação do acontecimento de poucos minutos atrás. Apenas sorria feliz, com a aluna nova em seus braços.
- Harry, aquela é a outra chave! Está com ela! – Annie disse num sussurro quase que desesperado. – Nós... Nós temos que falar com Dumbledore. Agora!
Ele a encarou confuso, mas não podia questionar.
Sem que os outros alunos percebessem, o casal andou até passarem pelo quadro da Mulher Gorda, e descendo as escadarias às pressas, em direção ao primeiro andar.
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NA: Créditos a Sarah, autora de "O Cervo e o Lírio – Corpos Trocados" (./historia/115164/O_Cervo_E_O_Lirio_-_Corpos_Trocados), por me ceder uma de suas personagens, Amelie Hilton. Quaisquer informações, como a localização da sala do professor Dumbledore, consulta o Harry Potter Wikia (.com).
