Capítulo Nove

Jasper estava assoviando de novo. Edward tentou identificar a melodia enquanto comia uma torrada francesa, no balcão da cozinha. Mas não conseguiu. Só pôde presumir que Jasper embrenhara-se tão fundo pelo território da música country que seus conhecimentos restritos não permitiam acompanhá-lo.

Não podia haver a menor dúvida de que o homem era um trabalhador sempre alegre, refletiu Edward. E aparentemente era mesmo capaz de consertar qualquer coisa. Edward tinha certeza de que só com uma fé absoluta Emmett poderia pedir a Jasper para desmontar a lavadora de louça do restaurante no meio do café da manhã na pousada.

Agora, Emmett fritava, grelhava e mexia, Jasper assoviava e consertava a lavadora, e Edward comia uma segunda porção de torradas francesas douradas com chutney de maçã.

Ele não podia se lembrar de outra ocasião em que tivesse comido uma refeição mais saborosa.

— Como está indo Jazz? — perguntou Emmett, enquanto o contornava para por um pedido completo na ponta do balcão.

— Mais ou menos.

— Se não puser essa máquina para funcionar até o final do café da manhã, Edward terá de lavar os pratos manualmente.

— É mesmo? — Edward engoliu um pedaço da torrada. — Mas só usei um prato.

— Regras da casa. Você come na cozinha, tem de ajudar quando é preciso. Não é mesmo, Jazz?

— Claro. Mas acho que não vai chegar a esse ponto. Vou consertá-la. — Ele olhou quando Alice passou pela porta e sorriu. — Ainda vou dominá-la no momento certo.

Ela dispensou-lhe um olhar irritado, contrariada porque Jasper conseguia parecer atraente mesmo com aquele boné de beisebol ridículo e a camiseta encardida.

— Mais dois especiais, um com presunto, outro com bacon. Dois ovos com a gema mole, bacon, uma porção de batatas fritas, torrada comum. Jasper, tire seus pés enormes do caminho.

Alice contornou-os para pegar os pedidos já prontos. O sorriso de Jasper já era enorme quando ela deixou a cozinha.

— Essa sua irmã é a coisa mais linda que eu conheço, Emm.

— É o que você diz, Jasper.

Emmett quebrou dois ovos e os despejou em uma frigideira.

— Ela é louca por mim.

— Deu para perceber. A maneira com que ela se mostrou entusiasmada quando viu você foi embaraçosa.

Jasper soltou uma risada e bateu com o cabo da chave de fenda na palma da mão.

— Éo jeito dela. Alice quer um homem farejando em sua esteira como um cachorrinho e fica de nariz empinado quando não consegue isso. Mas ela vai dar a volta por cima. Basta compreender como funciona a cabeça de uma determinada mulher.

— E quem sabe como funciona a mente de qualquer mulher? Emmett gesticulou com a espátula para Edward. — Você sabe, Eddie?

Edward contemplou o pedaço de torrada francesa que ia morder. O molho pingou no prato.

— Não, não posso dizer que sei. E estudei bastante o assunto. Pode-se até dizer que dediquei uma boa parte de minha vida a isso, com resultados duvidosos.

— Não é uma questão de saber como todas funcionam. — Paciente, Jasper começou a prender os parafusos. — Você tem de se concentrar em uma. É como um motor. Um não funciona necessariamente da mesma maneira que outro, até quando são da mesma marca e modelo. Cada um tem suas peculiaridades. Alice, por exemplo...

Ele parou de falar por um instante, enquanto terminava de pôr mais um parafuso e pegava outro.

— Ela é quase bonita demais para o seu próprio bem. Pensa muito a respeito, preocupa-se com isso.

— Ela tem maquiagem suficiente no banheiro para pintar toda uma fileira de coristas de Las Vegas — comentou Emmett.

— Algumas mulheres acham que isso é uma responsabilidade. Ali fica furiosa se um homem não se mostra deslumbrado com ela vinte e quatro horas por dia... e se fica deslumbrado vinte e quatro horas por dia, ela acha que é um idiota, porque não é capaz de perceber nada além da superfície. O segredo é encontrar a linha, depois escolher o momento e o lugar certo para cruzá-la.

Emmett pôs os ovos num prato. Alice era mesmo assim, pensou ele. Contraditória e irritante.

— Parece trabalho demais para mim.

— Ora, Emm, as mulheres sempre dão trabalho. — Jasper levantou a pala do boné, as covinhas destacando-se. — Isso é parte da atração.

Ele acenou com a cabeça para a lavadora, enquanto acrescentava:

— Ela vai funcionar agora.

Jasper avaliou o tempo e calculou que Alice voltaria à cozinha a qualquer momento para buscar os pedidos prontos.

— Jessica, eu e alguns outros estamos pensando em fazer um luau esta noite. Lá em Osprey, as dunas daáguia pescadora. Tenho muita lenha que juntei e será uma noite clara. — Quando Alice passou pela porta, Jasper sentiu-se satisfeito. — Pensei que você poderia avisar os hóspedes aqui, falar com turistas nos chalés e no camping.

— Avisar sobre o quê? — perguntou Alice.

— Sobre o luau.

— Esta noite? — Os olhos de Alice faiscaram, enquanto ela punha os pratos no balcão. — Onde?

— Em Osprey. — Com todo cuidado, Jasper guardou as ferramentas na caixa de metal amassada. — Você vai, não é, Emm?

— Não sei, Jazz. Tenho de pôr em dia a contabilidade da pousada.

— Deixe disso, Emm. — Alice cutucou-o ao passar para pegar os pedidos. — Não seja um chato. Todos nós iremos.

Na esperança de enfurecer Jasper, ela ofereceu um sorriso sedutor para Edward.

— Você também irá, não é? Não há nada como um luau na ilha.

— Não perderia de jeito nenhum.

Ele lançou um olhar cauteloso para Jasper, torcendo para que o homem já tivesse guardado o martelo.

— Ótimo! — Alice lançou-lhe um sorriso radiante ao passar, o sorriso que reservava para as ocasiões especiais. — Começarei a avisar as pessoas.

Jasper coçou o queixo e levantou-se, enquanto Alice deixava a cozinha.

— Não precisa ficar tão apreensivo, Eddie. O flerte é uma iniciativa natural de Alice.

— Ahn...

Edward olhou para a caixa de ferramentas, pensando em todas as armas em potencial que havia ali.

— Não me incomoda nem um pouco. — A vontade ali, Jasper pegou um biscoito numa tigela e deu uma mordida. — Se um homem decide conquistar uma linda mulher, tem de esperar um pouco de flerte da parte dela, muitos olhares de outros homens. Portanto, pode olhar quanto quiser.

Jasper levantou a caixa de ferramentas e piscou, antes de acrescentar:

— Mas se quisesse fazer mais do que olhar, precisaríamos ter outro tipo de conversa. Até esta noite.

Ele saiu assoviando.

— Quer saber de uma coisa, Emm? — Edward levou seu prato para a pia. — Esse cara tem bíceps mais duros do que pedra. Acho que não vou nem olhar.

— Uma sábia precaução. Agora você pode pagar o café da manhã pondo a louça na lavadora.

***

— Não sinto a menor disposição para uma confraternização social, Sue. Vou trabalhar um pouco no laboratório esta noite.

— Não vai fazer trabalho nenhum. — Sue foi até a cômoda de Bella, pegou uma escova simples de cabo de madeira e sacudiu-a. — Vai passar um pouco de batom nos lábios, arrumar os cabelos e descer para o luau. Vai dançar na areia, tomar vinho e se divertir um pouco.

Antes que Bella pudesse protestar de novo, Sue ergueu a mão, ao estilo de um guarda de trânsito.

— Poupe seu fôlego, menina. Já tive essa briga com Emmett e consegui vencer. E melhor você jogar a toalha no ringue logo de uma vez.

Quando ela jogou a escova, Bella pegou-a antes que acertasse em sua cabeça.

— Não sei por que importa...

— Claro que importa — disse Sue, entre os dentes semicerrados, enquanto abria a porta do armário de pau-rosa. — É importante que as pessoas nesta casa aprendam a se divertir um pouco de vez em quando. Quando acabar com você, vou pressionar seu pai.

Bella soltou uma risada e arriou na cama.

— Não há a menor possibilidade.

— Ele vai ao luau — declarou Sue com uma expressão determinada, enquanto entudava o que havia no armário. — Nem que eu tenha de bater em sua cabeça para deixá-lo inconsciente e arrastá-lo até a praia. Não tem nenhuma blusa que dê a impressão de que se importa com o que veste, mesmo que remotamente? Irritada, ela empurrou os cabides para o lado.

— Não tem alguma coisa que seja pelo menos um pouco atraente ou elegante?

Sem esperar por uma resposta, ela foi até a porta e gritou:

— Alice! Escolha uma blusa para sua irmã e traga até aqui!

— Não quero nenhuma camisa de Alice. — Alarmada, Bella levantou-se de um pulo. — Se eu tivesse de ir, iria com minhas próprias roupas. Mas não importa, porque não vou.

— Vai sim. E trate de ondular os cabelos. Estou cansada de vê-la com os cabelos escorridos.

— Não tenho nada para fazer isso, mesmo que quisesse... e não quero.

— Ah! — exclamou Sue. —Alice, traga a blusa e os bobes para o quarto de sua irmã!

— Fique fora daqui, Ali! — gritou Bella. — Sue, não tenho mais dezesseis anos.

— Não, não tem. — Sue acenou com a cabeça, decidida, os pequenos pingentes de ouro nas orelhas balançando com o movimento. — É uma mulher adulta e adorável. Já faz muito tempo que não se orgulha disso. Mas agora vai se orgulhar de novo, empenhar algum esforço em sua aparência... e não admito nenhum protesto. Crianças terríveis, sempre brigando comigo por tudo...

Ela entrou no banheiro de Bella.

— Você não tem nem mesmo rimel aqui. Se quer ser uma freira, entre para o convento. O batom não é um instrumento de Satã.

Alice entrou no quarto com uma blusa pendurada no ombro e urna caixa de bobes na mão. Seu ânimo era o melhor possível, na expectativa da noite pela frente. Por isso, sorriu e alteou as sobrancelhas para Bella.

— Ela está num dos seus ataques?

— E dos grandes. Não quer ondular os cabelos.

— Relaxe, Isabela.

Alice largou os bobes na cômoda. Contemplou sua aparência no espelho. Mantivera a maquiagem sutil, para combinar com a festa informal. De qualquer forma, a luz da fogueira seria extremamente lisonjeira. A maioria estaria usando jeans, ela sabia, e por isso a saia comprida e larga, coberta com papoulas vermelhas, seria um contraste atraente.

— E não vou usar suas roupas.

— Como quiser. — Alice virou-se, contraiu os lábios e estudou-a rapidamente. Sentia-se bastante bem para ser cordial. — Hum... O luxo afetado não é o seu estilo.

— Isso é uma novidade. Deixe-me anotar.

Alice deixou o sarcasmo escorrer de seus ombros perfumados. Deu uma volta lenta em torno da irmã.

— Tem uma camiseta preta que não seja tão larga que duas de você caberiam?

Cautelosa, Bella acenou com a cabeça.

— Devo ter.

— E um jeans preto?

Quando deu de ombros para informar que tinha, Alice bateu com um dedo em seus lábios.

— É assim que você irá. Elegante e moderna. Talvez com argolas nas orelhas e um cinto como acessório. Mas isso será tudo. E nada de cabelos ondulados.

— É mesmo?

— Mas vai precisar de um novo penteado. — Alice continuou a bater com o dedo nos lábios, ao mesmo tempo que contraía os olhos e balançava a cabeça. — Posso dar um jeito nisso. Bastam uns pequenos cortes aqui e ali.

— Cortes? — Bella pôs as mãos nos cabelos em defesa. — O que está querendo dizer com isso? Não vou deixá-la cortar meus cabelos.

— Por que se importaria? Estão sempre escorridos.

— E isso mesmo interveio Sue. — Alice tem jeito com cabelos. É ela quem apara os meus, se não posso ir ao continente. Lave os cabelos,Bella. Alice, pegue sua tesoura.

— Está bem. — Derrotada, ela ergueu as mãos. — Talvez até seja melhor assim. Se ela me escalpelar, não terei de passar metade da noite sentada na areia, com um bando de idiotas, ouvindo alguém cantar "Kum Ba yah".

Quinze minutos depois, ela sentou com uma toalha em volta do pescoço, com fios de cabelos caindo.

— Ó Deus! — Bella apertou os olhos com força. — Perdi o juízo. Agora é oficial.

— Pare de se contorcer. — Mas havia mais riso na ordem do que irritação. — Não fiz quase nada... ainda. E pense quanto tempo vai conseguir manter a prima Sue a distância.

— Tem razão. —Bella forçou os ombros a relaxarem. — Esse é um ponto positivo.

— Você tem cabelos maravilhosos, Bella. Uma bom volume, uma ondulação natural. — Alice contraiu os lábios, contemplando os próprios cabelos no espelho. — Não sei por que tenho de pagar tanto dinheiro para frisá-los. Meus cabelos são retos como um alfinete.

Com um dar de ombros pelos caprichos da vida, ela tornou a se concentrar no trabalho que fazia.

— Você só precisa de um corte decente. Depois que eu acabar, não precisará fazer mais nada.

— Já não faço nada.

— E isso é evidente. Mas agora será diferente.

— Só não quero que corte demais... —Bella arregalou os olhos e sentiu a garganta fechar quando quase dez centímetros de cabelos caíram em seu colo. — Ó Cristo! O que você fez?

— Relaxe. Estou apenas fazendo um franja, mais nada.

— Franja? Franja? Não pedi nenhuma franja!

— Mas vai ter. Uma linda franja, descendo até as sobrancelhas. Dá uma aparência casual, que combina com você. Alice continuou a passar o pente e cortar, dar um passo para trás, franzir o rosto, cortar mais um pouco. — Eu gosto. E gosto muito.

— Melhor para você — murmurou Bella. — Pode usar.

— Vai me deve um pedido de desculpas. — Alice espremeu um pouco de gel na palma, esfregou as mãos e passou-as pelos cabelos úmidos da irmã. — Só precisa de um pouco disso. Mais ou menos do tamanho de uma moeda de dez centavos.

Bella olhou para o tubo e amarrou a cara.

— Não vou usar essa coisa gordurosa nos cabelos.

— Terá de usar. Só um pouco. — Alice ligou o secador de cabelos. — Pode deixar secar naturalmente, mas isto lhe dará um pouco mais de volume. Não precisará de mais do que dez minutos pela manhã para cuidar dos cabelos.

— Não levo nem dois minutos agora. Qual o sentido?

Bella disse a si mesma que não se importava com o corte. Apenas sentia-se cansada de ficar sentada durante tanto tempo com alguém cuidando de seus cabelos. Não estava nervosa.

— Pronto. — Alice desligou o secador e tirou-o da tomada. — Tudo o que você tem de fazer agora é bancar a chata e encontrar defeitos. Pode começar a reclamar, como uma megera. Não estou ligando.

Ela deixou o quarto batendo os pés. Bella arrancou a toalha com um movimento brusco.

Mas parou assim que viu seu reflexo no espelho. Deu um passo para a frente. Parecia... atraente, ela refletiu. Levantou a mão para roçar pelas pontas. Em vez de penderem, os cabelos se inclinavam na direção das orelhas e para trás da cabeça. Proporcionavam-lhe uma aparência alegre. E a franja até que não era tão ruim assim, no final das contas. Hesitante, ela sacudiu a cabeça. Tudo caiu mais ou menos no lugar. Nada despencou até os olhos para deixá-la irritada.

Ela pegou a escova e passou pela cabeça, observando os cabelos subirem e caírem, as pontas bem cortadas. O que era ótimo. Não exigia muito trabalho, mas tinha classe. Isso mesmo, tinha de admitir que era um corte de classe... e que essa classe lhe era favorável.

E lembrou-se de quando sentava-se na beira da cama, enquanto a mãe escovava seus cabelos.

Seus cabelos são lindos, Isabela. Densos e macios. Serão a sua maior glória.

São da mesma cor que os seus, mamãe.

Sei disso. E Renne riu e abraçou-a. Você será minha gêmea pequena.

— Não posso ser sua gêmea, mamãe — sussurrou Bella agora. — Não posso ser como você.

Não era por isso que ela nunca fizera nada com seus cabelos além de prendê-los atrás da cabeça com um elástico? Não era por isso que não havia rimel no banheiro? Era a teimosia, especulou Bella, ou o medo que a impedia de gastar mais de cinco minutos por dia com sua aparência? De se contemplar de verdade no espelho?

Se pretendia se manter sã, pensou Bella, precisava aprender a enfrentar o que via no espelho todos os dias. E para enfrentar, ela compreendeu, teria de aprender a aceitar.

Ela respirou fundo para se controlar, saiu para o corredor e foi até o quarto de Alice.

Encontrou a irmã no banheiro, escolhendo um batom entre os inúmeros cosméticos no balcão.

— Desculpe. — Como a irmã não dissesse nada, Bella deu o último passo à frente. — Sinto muito, Alice. Você estava absolutamente certa. Banquei a chata, procurando defeitos.

Alice olhava para o pequeno tubo dourado, observando o batom vermelho subir e descer.

— Por quê?

— Tenho medo.

— De quê?

— De tudo. — Era um alívio finalmente admitir. — E verdade, tudo me assusta hoje em dia. Até mesmo um novo corte de cabelo.

Ela conseguiu exibir um sorriso para acrescentar!

— Até mesmo um corte de cabelos espetacular.

Alice foi apaziguada o suficiente para retribuir o sorriso quando seus olhos se encontraram no espelho.

— Está mesmo sensacional. E ficaria ainda melhor se você acrescentasse alguma cor, realçasse os olhos.

Bella suspirou. Olhou para o vasto estoque pessoal de cosméticos.

— Por que não? Posso usar algumas dessas coisas?

— Qualquer coisa aqui daria certo. Somos mais ou menos do mesmo tipo. — Alice tornou a se concentrar em sua imagem no espelho e passou batom nos lábios com todo cuidado. —Bella... você tem medo de ficar sozinha?

— Não. Eu me sinto muito bem sozinha. — Bella pegou o blush. — É praticamente a única coisa que não me assusta.

— Engraçado... é a única coisa que me assusta.

***

As chamas subiam da fogueira, projetavam-se da areia branca na direção de um céu escuro, cravejado de diamantes. Como algum ritual druida do fogo, pensou Edward, enquanto tomava uma cerveja gelada, observando o fogo. Podia imaginar figuras em túnicas dançando ao redor, oferecendo sacrifícios a algum deus primitivo e faminto.

E de onde isso viera? Ele tomou outro gole da cerveja para dissipar a imagem.

A noite era fresca, a fogueira quente e a praia quase sempre deserta transbordava de pessoas, som e música. Ainda não se sentia preparado para ser parte daquilo. Ficou observando os casais na dança de acasalamento, o fluxo e refluxo de masculino e feminino, tão básico quanto a maré.

E ele pensou nas fotos que Bella lhe mostrara naquela manhã, aqueles fragmentos congelados de solidão. Talvez fosse isso, ele refletiu, que o levara a perceber como se tornara solitário.

— Oi, lindo. — Jessica arriou na areia, ao seu lado. — O que faz sozinho aqui?

— Procuro pelo significado da vida. Ela vaiou. Jovial.

— Isso é fácil. É viver. — Ela ofereceu-lhe um salsichão que acabara de tirar da fogueira, um pouco queimado. — Coma.

Edward deu uma mordida. Sentiu o gosto de carvão e areia.

— Hum...

Jessica soltou uma risada. Apertou o joelho dele, num gesto de cordialidade.

— Fazer comida ao ar livre não é um dos meus pontos fortes. Mas posso preparar um sensacional café da manhã, ao melhor estilo sulista, se algum dia... passar por perto da minha casa.

Como uma manobra de sedução, era óbvia e fácil. Lá estava o sorriso de um hectare, um pouco torto agora, da tequila que ela andara bebendo. Edward não pôde deixar de sorrir.

— É uma oferta muito atraente.

— Ora, meu bem, não há uma única mulher sozinha na ilha, entre dezesseis e sessenta anos, que não adoraria preparar seu café da manhã. Quero apenas ficar na frente da fila.

Sem saber direito como deveria responder agora, Edward coçou o queixo.

— Gosto muito de café da manhã, mas...

— Não se preocupe com isso. — Desta vez ela apertou o braço dele, como se testasse e aprovasse o bíceps. — Sabe o que você tem de fazer, Edward?

— O que é?

— Tem de dançar.

— É mesmo?

— Claro que é. — Jessica levantou-se de um pulo e estendeu a mão. — E dançar comigo. Vamos, lindo, vamos levantar um pouco de areia.

Edward pegou a mão de Jessica. Descobriu-a tão quente e viva que foi fácil sorrir.

— Esta bem.

Jessica conseguiu pegar o ianque — comentou Jasper, observando-a levar Edward na direção da areia úmida.

— É o que parece. — Rose lambeu o marshmallow do polegar. — Ela sabe mesmo como se divertir.

— Não é tão difícil.

Com uma cerveja pendendo entre os dedos, Jasper correu os olhos pela praia. Algumas pessoas dançavam ou balançavam, outras se refestelavam em torno da fogueira, ainda outras afastavam-se pela escuridão para ficarem a sós. Crianças corriam e berravam. Os mais velhos sentavam em cadeiras de praia, trocando fofocas e observando os mais jovens.

— Nem todo mundo quer se divertir.

Rose tornou a lançar um olhar para as dunas, mas não avistou ninguém vindo da direção de Santuário.

— Você está com olhos atentos à espera de Emmett, enquanto eu aguardo ansioso por Alice. — Jasper passou o braço pelos ombros de Rose, num gesto cordial. — Por que não dançamos? Podemos ficar de olho juntos.

— É uma boa idéia.

Emmett passou sobre as dunas, Alice de um lado, Bella no outro. Parou lá em cima, contemplando a cena.

— E isso, minhas crianças, tudo isso, será um dia de vocês.

— Ora, Emm, não seja tão mal-humorado — protestou Alice, dando-lhe uma cotovelada de leve.

Ela avistou Jasper no mesmo instante e sentiu uma pontada de ciúme ao vê-lo nos braços de Rose para uma dança lenta.

— Estou ansiosa por um siri — disse ela, jovial, começando a descer para a praia.

— Provavelmente poderíamos escapar agora — sugeriu Bella. — Sue ainda está arrastando papai. Seguiríamos para o norte, daríamos a volta e estaríamos em casa antes que ela chegasse aqui.

— Sue nos obrigaria a pagar por isso mais tarde. — Resignado, ele enfiou as mãos nos bolsos traseiros da calça. — Por que acha que somos tão deficientes nas ocasiões sociais, Isabela?

— Temos Swans demais.

— E poucos Pendletons — arrematou Emmett. — Acho que Alice ficou com toda a nossa quota.

Ele acenou com a cabeça para o ponto da praia em que a irmã se encontrava, já no meio da agitação, cercada por muitas pessoas, e acrescentou:

— Vamos acabar logo com isso.

Mal haviam alcançado a praia quando Jessica foi correndo até eles. Saudou-os com beijos estalados.

— Por que demoraram tanto? Já estou meio acesa. Eddie, vamos pegar uma cerveja para esses dois, a fim de que possam nos alcançar.

Ela virou-se para ir buscar as cervejas, esbarrou em alguém e deu uma risada.

— Ei, Morris, não quer dançar comigo? Vamos embora! Edward soltou um suspiro.

— Não sei de onde ela tira tanta energia. Quase me deixou esgotado. Querem aquela cerveja?

— Pode deixar que eu vou pegar — disse Emmett, afastando-se.

— Gostei dos seus cabelos. — Edward levantou um dedo para roçar na franja de Bella. — O corte ficou ótimo.

— Foi Alice quem cortou.

— Está adorável. — Ele passou a mão pelo ombro de Bella, desceu pelo braço, até pegar a mão dela. — Isso é um problema para você?

— Não, eu... Não comece nada comigo, Edward.

— Tarde demais. — Ele chegou mais perto. — Já comecei. Edward aspirou a fragrância de Bella, envolvente, intrigante, e murmurou:

— Você está usando perfume.

— Alice...

— Eu gosto. — Ele inclinou-se e deixou-a atordoada ao farejar seus cabelos, seu pescoço. — E gosto muito.

Bella sentia dificuldade para respirar. Irritada, ela deu um passo para trás.

— Não é por isso que estou usando.

— Gosto assim mesmo. Quer dançar?

— Não.

— Ótimo. Também não quero. Vamos sentar perto da fogueira e trocar algumas carícias.

Era tão absurdo que Bella quase riu.

— Vamos apenas sentar perto da fogueira. Se tentar qualquer coisa, pedirei a meu pai que pegue sua arma e acabe com você. E como é um ianque, ninguém vai se importar.

Ele riu e passou o braço pela cintura de Bella. Ignorou a reação, pois já compreendera que ela reagia com um sobressalto instintivo ao ser tocada.

— Está bem, ficaremos sentados quietinhos.

Edward pegou uma cerveja e um espeto com um salsichão para ela e foi se acomodar ao seu lado.

— Vejo que trouxe a câmera.

Num movimento automático, ela pôs a mão sobre a velha bolsa de couro na cintura.

— Uma questão de hábito. Esperarei um pouco antes de usá-la. Às vezes uma câmera afasta as pessoas... mas depois que tomam bastante cerveja, não se importam tanto.

— Pensei que não tirava retratos.

— Como regra geral, não tiro. — A conversa sempre fazia com que se sentisse pressionada. Ela meteu a mão no bolso para tirar um cigarro. — Você não precisa persuadir os objetos inanimados com lisonja ou bebida para tirar uma foto.

— Só tomei uma cerveja.

Edward pegou o isqueiro, protegeu-o com a mão em concha contra a brisa que soprava do mar e acendeu o cigarro.

— E você não tentou me persuadir com lisonjas — acrescentou ele. — Mas pode tirar minha foto quando quiser.

Bella estudou-o através da fumaça. Ossos fortes, olhos fortes, boca forte.

— Talvez eu tire. — Ela pegou o isqueiro de volta e guardou-o no bolso. O que veria através da lente? E qual seria sua reação ao que visse? — É bem possível.

— Você se sentiria constrangida se eu dissesse que estava à sua espera?

Ela fitou-o de novo, mas logo desviou os olhos.

— Ficaria sim... e muito constrangida.

— Então não vou mais tocar no assunto nem dizer que a observei parar lá em cima, entre as dunas, e pensei: lá está ela. Por que demorou tanto?

Bella ajeitou o espeto entre os joelhos, a fim de liberar a mão para a cerveja. Podia sentir as palmas úmidas com o nervosismo.

— Não demorei tanto assim. A fogueira não está acesa há mais de uma hora.

— Não estou falando desta noite. E acho que também não deveria mencionar que sinto uma profunda atração por você.

— Não creio...

— Portanto, falaremos sobre outra coisa.

Ele sorriu para Bella, deliciado com a expressão aturdida em seus olhos, a boca adorável um pouco contraída.

— Há muitos rostos para estudar por aqui — acrescentou Edward. — Você poderia fazer outro livro só com isso. Os rostos de Desire.

Ele mudou de posição. Os joelhos esbarraram. Bella fitou-o, surpresa com a suavidade de suas insinuações. E com certeza era só isso, apenas insinuações. Qualquer homem podia fazer com que o coração de uma mulher disparasse com algumas palavras sugestivas e um sorriso que continha muitas insinuações.

— Ainda não acabei o livro para o qual fui contratada, muito menos pensei em outro.

— Mas acabará pensando, mais cedo ou mais tarde. Tem muito talento e ambição para não pensar sobre isso. Mas, por enquanto, por que não satisfaz minha curiosidade e me fala sobre essas pessoas?

— Quem o deixa curioso?

— Todos. E qualquer um.

Bella virou o espeto em cima das chamas, observou ,a gordura subir e borbulhar.

— Aquele é o Sr. Brodie... o velho com o boné branco e o bebê no colo. Deve ser o seu bisneto, o quarto pelas minhas contas. Seus pais foram criados em Santuário, no início do século XX. Ele nasceu em Desire, foi criado aqui.

— E cresceu na casa?

— Passava muito tempo ali, mas sua família ganhou um chalé e um pedaço de terra, por seus serviços longos e leais. Ele lutou na Segunda Guerra Mundial, como artilheiro. Trouxe a esposa de Paris. Ela se chamava Marie Louise e viveu aqui com ele até morrer, há três anos. Tiveram quatro filhos, dez netos e até agora quatro bisnetos. Ele sempre anda com dropes de hortelã no bolso. — Ela virou o rosto para Edward. — Era isso o que queria saber?

— Era exatamente isso. — Ele se perguntou se Bella sabia que sua voz se animara ao contar a história. — Escolha outra pessoa.

Bella suspirou. Achava que aquilo era uma tolice. Mas pelo menos não a deixava nervosa.

— Aquela é Lida Verdon, minha prima pelo lado Pendleton. É a mulher grávida e com cara de cansada que está ralhando com a criança de dois ou três anos. É seu terceiro filho em quatro anos. O marido, Wally, é bonito como seis demônios... e não presta. É motorista de caminhão e se ausenta em longas viagens. Ganha muito bem, mas Lida não vê a cor do dinheiro.

Uma criança passou correndo, com gritos de alegria, o pai indulgente em seu encalço de brincadeira. Bella apagou o cigarro na areia e enterrou-o.

— Quando Wally está em casa, passa a maior parte do tempo de porre ou bebendo para ficar. Ela já o expulsou de casa duas vezes, mas aceitou-o de volta. E tem um bebê ainda aprendendo a andar e outro de colo como provas das reconciliações. Somos da mesma idade, Lida e eu, nascemos com apenas dois meses de diferença. Tirei fotos em seu casamento. Ela aparece linda, feliz e jovem nas fotos, Agora, quatro anos depois, está acabada. Nem tudo em Desire é um conto de fadas.

— Sei disso. — Edward passou o braço pelos ombros de Bella. — Nem tudo é conto de fadas em qualquer lugar. Fale-me sobre Jessica.

— Jess? — Com uma risada rápida, Bella correu os olhos pela praia. — Não é preciso dizer qualquer coisa sobre Jessica. Basta olhar para ela. Está vendo como ela faz Emmett rir? Ele quase nunca ri assim. Só Jessica consegue levá-lo a esse ponto.

— Você cresceu com ela.

— Isso mesmo. Quase como irmãs, embora ela seja mais ligada a Alice. Jessica foi sempre a primeira de nós a experimentar qualquer coisa, especialmente se fosse proibida. Mas nunca havia qualquer mal nisso, ou nela. E apenas uma questão de Jessica gostar de tudo, e gostar muito. E também... ei, aposto que foi ela quem provocou aquilo!

Ele estava absorvido demais a contemplar Bella para notar. Tudo nela se animara e relaxara.

— O que aconteceu?

— Está vendo ali? —Bella recostou-se no braço de Edward e apontou para a beira da água. — Alice e Jasper estão brigando. Os dois vivem às turras desde que usavam fraldas. Jessica gosta de ambos e provavelmente fez alguma coisa para que eles brigassem esta noite.

— Ela queria que os dois brigassem?

— Não, seu cabeça de minhoca. — Bella tirou o salsichão da fogueira, rindo. Enfiou o espeto na areia. — Ela quer que os dois façam as pazes.

Edward pensou um pouco a respeito. Franziu o rosto quando Jasper suspendeu Alice e carregou-a pela praia — ela esperneando e xingando — ao melhor estilo de Rhett Butler.

— Se isso dá certo, terei de conversar com Jessica para que provoque uma briga entre nós.

— Sou muito mais difícil de conquistar do que minha irmã — Comentou Bella, secamente.

— Pode ser. — Edward tirou o salsichão do espeto e jogou-o de uma mão para outra, a fim de fazê-lo esfriar. — Mas pelo menos já consegui fazer com que você cozinhasse para mim.

* * *

Apesar de a mulher estar se debatendo em seus braços, Jasper manteve um ritmo firme, até que a fogueira se tornou um brilho tênue a distância. Convencido de que tinham tanta privacidade quanto podiam conseguir, ele pôs Alice no chão.

— Quem você pensa que é? — gritou ela, empurrando-o com as duas mãos.

— A mesma pessoa que sempre fui — disse ele, calmamente. — É tempo de você dar uma boa olhada.

— Já olhei para você antes e não vi alguém que tivesse o direito de me carregar quando eu não queria. — Por mais emocionante que seja, ela disse a si mesma. Por mais romântico que seja. — Eu estava apenas conversando.

— Não estava não. Flertava com aquele cara só para me irritar. E desta vez conseguiu.

— Apenas me mostrei polida e cordial com um homem a quem Jess me apresentou. Um homem atraente de Charleston. Um advogado que veio passar alguns dias na ilha, acampando com amigos.

— Um advogado de Charleston que estava prestes a babar em seu ombro. — Os olhos normalmente suaves de Jasper pareciam cuspir fogo agora. — Você teve tempo para fazer o que queria, Alice, e eu não me intrometi. Mas, agora que voltou, é tempo de crescer.

— Crescer? — Ela pôs as mãos nos quadris, ignorando a água que espumava na areia, a poucos centímetros de seus pés. — Já sou crescida e você é apenas um dos muitos que ainda não tiveram o bom senso de percebê-lo. Faço o que eu quero, quando eu quero e com quem eu quero.

Ela virou-se e começou a se afastar, o nariz empinado. Jasper coçou o queixo e disse a si mesmo que não deveria ter perdido o controle, mesmo que Alice tivesse se engraçado com um advogado de Charleston. Mas o dano já fora causado.

Ele se moveu depressa. Quando Alice ouviu-o se aproximar e virou se, só teve tempo de gritar antes que ele a derrubasse:

— Estragou minha saia, seu idiota de cérebro de minhoca! — Furiosa agora, Alice usou os cotovelos, joelhos, dentes, rolando com ele pela areia, enquanto as ondas os cobriam e encharcavam. — Eu odeio você! Odeio tudo em você, Jasper Withlock!

— Não, Alice, sei que não me odeia. Você me ama.

— Pode me puxar o saco, beijar meu rabo em súplica, que isso nunca vai acontecer!

— Terei o maior prazer, querida. — Ele imobilizou os braços de Alice e ergueu-se por cima dela com um sorriso. — Mas acho que é bom começar de cima.

Jasper baixou a cabeça. Quando Alice virou o rosto de lado, ele roçou os lábios sobre a pele logo abaixo da orelha.

— E este é um bom lugar para começar.

Tremores percorriam o corpo de Alice, que parecia se derreter de tão quente.

— Eu odeio você! Já disse que odeio você!

— Sei o que disse. — Ele foi descendo pelo pescoço de Alice, devagar, mordiscando, emocionado com a maneira pela qual aquele corpo de mulher se tornava inerte, por baixo do seu. — Pode me beijar, Alice.

Com um soluço, ela virou o rosto. As bocas se encontraram.

— Aperte-me, Jasper. E me acaricie. Ah, como eu odeio você por me fazer desejá-lo!

— Conheço o sentimento. — Jasper acariciou os cabelos, o rosto, enquanto ela murmurava e ficava tensa. — Não se preocupe. Eu nunca a machucaria.

Desesperada, Alice agarrou-o pelos cabelos e puxou com força.

— Dentro de mim. Preciso de você dentro de mim. Estou tão vazia...

Ela ergueu o corpo, gemendo. Jasper estendeu a mão para um seio. Um instante depois, cedendo à sua fome, puxou a blusa, para poder beijá-lo.

O gosto de Alice, quente, úmida, pungente, expalhou-se por seu sangue como uísque. Queria ser lento e terno, mas esperara durante toda a sua vida por aquilo. E ela se mexia ansiosa por baixo, as mãos o puxando, apertando, acariciando. Quando a beijou na boca, Jasper não pôde mais pensar. Mal conseguia respirar. Era tudo gosto e som. Ele ofegava enquanto tentava arrancar a saia molhada. Puxou o tecido fino e grudado no corpo, até que a mão pôde deslizar pela coxa, até que a encontrou, já úmida. Ela comprimiu-se contra sua mão e gozou, antes que ele pudesse fazer mais do que gemer.

— Jesus, Alice...

— Agora, Jasper! Eu o matarei se você parar! Juro que matarei!

— Não vai precisar... — ele conseguiu balbuciar. — Eu já estaria morto. Tire logo essas roupas.

Ele puxou a saia com uma das mãos, os próprios jeans com a outra.

— Pelo amor de Deus, Alice, ajude-me!

— Estou tentando! — Ela ria agora, presa numa saia encharcada, ainda voando no orgasmo rápido e intenso, o sangue latejando tão alto que mal podia ouvir o barulho do mar. — Eu me sinto inebriada. Eu me sinto maravilhosa. Depressa!

— Ora, que se dane!

Ele jogou seus jeans para o lado, arrancou a própria camisa e jogou-a para longe na água. Deu um puxão na saia.

— Mas o que está fazendo? A saia é nova!

— Comprarei outra. Comprarei uma dúzia. Mas, pelo amor de Deus, deixe-me penetrá-la logo de uma vez!

Ele arrancou a saia pela cintura elástica e penetrou-a quase antes mesmo que Alice pudesse se livrar por completo.

Ela gritou em choque e prazer. Passou as pernas em torno de Jasper, cravou os dedos em seus ombros e observou seu rosto. Olhos escuros de desejo, nunca se desviando dos seus, vendo-a apenas.

Quando a onda a encobriu, por dentro e por fora, Alice comprimiu-se contra ele. Sabia que Jasper sempre a traria de volta.

— Eu amo você... — murmurou ele, enquanto seu corpo se precipitava para o orgasmo. — Eu amo você Alice.

Jasper se largou. Estremeceu junto com ela, até que os dois corpos ficaram completamente inertes. Depois, ele abraçou-a com firmeza e deixou que as ondas os empurrassem de um lado para outro. Fora perfeito, pensou, livre, simples e certo. Como sempre tivera certeza que seria.

— Ei, vocês!

Jasper olhou, indolente. Avistou uma figura na praia, acenando com os dois braços. Soltou uma risada e comprimiu os lábios contra os cabelos de Alice.

— Oi, Jessica.

— Vi algumas roupas espalhadas por aí que pareciam familiares. Vocês estão nus?

— É o que parece. Ele sorriu, sentindo o tremor da risada de Alice.

— Jess, ele afogou minha saia.

— Já não era sem tempo. — Jessica soprou beijos efusivos para os dois. — Vou dar uma volta. Para desanuviar a cabeça. Alice, Sue trouxe seu pai para a festa. Ele está sentado junto da fogueira. Se eu fosse vocês, não me esqueceria de arrumar alguma coisa para vestir antes de voltar.

A cambalear mais do que um pouco, sem parar de rir para si mesma, Jessica foi andando pela praia. Sentia-se feliz em seu coração ao ver os dois juntos daquele jeito. Afinal, o pobre Jasper vinha sonhando com ela há anos, enquanto Alice... ora, Alice se limitava a correr atrás do próprio rabo, à espera de que Jasper a alcançasse.

Jessica teve de parar por um momento e esperar que a cabeça girando tornasse a assentar sobre os ombros. Deveria ter evitado as doses puras de tequila, disse a si mesma. Mas, por outro lado, a vida era muito curta para se evitar as coisas.

Um dia ela encontraria o homem certo para segurá-la. E até que isso acontecesse, iria se divertir muito a procurá-lo.

Como se ela tivesse conjurado, um homem atravessou a areia em sua direção. Jessica alteou um quadril, ofereceu um sorriso.

— Oi, lindo. O que está fazendo por aqui sozinho?

— Estava à sua procura, linda. Ela sacudiu os cabelos para trás.

— Não é uma coincidência?

— Nem tanto. Prefiro pensar como destino.

Ele estendeu a mão. Jessica apertou-a, pensando que era sua noite de sorte.

Apenas embriagada o suficiente para tornar tudo mais fácil, pensou ele, enquanto a levava para a escuridão. E sóbria o suficiente para fazer com que fosse... divertido.