O Little Desire Cottage não era um desvio muito longo na volta para Santuário. E de qualquer forma, pensou Bella, com um esforço para justificar, a caminhada lhe faria bem.
Talvez tirasse algumas fotos do rio à tarde, verificasse quantas flores silvestres haviam desabrochado. E como passaria por perto, seria uma grosseria se não parasse para cumprimentá-lo.
Além do mais, era propriedade da família.
Ela até desenvolveu uma desculpa, de que estava apenas de passagem, e fez um ensaio mental para encontrar o tom casual. Por isso, foi uma decepção quando chegou ao chalé e descobriu que o Jeep de Edward não estava ali.
Parou na base da escada para a varanda, sem saber se entrava ou não. Acabou subindo, apressada, antes que pudesse mudar de idéia. Não havia nada de errado em entrar, apenas por um instante, deixar um bilhete. Não incomodaria ninguém, não bisbilhotaria. Queria apenas... Droga! A porta estava trancada.
Foi outro pequeno choque. As pessoas em Desire quase nunca trancavam suas portas. Curiosa demais agora para se preocupar com as boas maneiras, ela encostou o rosto no vidro e espiou.
Na mesa comprida na área da cozinha havia um laptop, fechado, o que era uma frustração. Uma impressora do último modelo estava ao lado. Tubos compridos, que ela presumiu que continham plantas de arquitetura, empilhavam-se em seguida. Um quadrado de papel grande fora desenrolado, preso nos cantos por um pote de café solúvel, um cinzeiro e duas canecas. Mas independente da posição que assumia ou de como virava a cabeça, não dava para ver o que estava escrito ali.
De qualquer forma, não é da minha conta, ela lembrou a si mesma, esforçando-se em ver. Ao barulho de folhas pisadas, ela recuou apressada e olhou para trás. Um peru selvagem saiu do meio das árvores, soltou seu gluglu e tratou de fugir, meio desajeitado. Com um revirar dos olhos, Bella apalpou seu coração disparado. Seria demais se o próprio Edward saísse do meio das árvores e a surpreendesse a espionar sua casa.
Bella refletiu que havia dezenas de coisas que podia fazer, dezenas de lugares a que podia ir. Não era tão importante assim que tivesse se desviado de seu caminho para vê-lo.
Provavelmente era melhor não o ter encontrado, ela disse a si mesma, enquanto deixava a varanda e tomava o rumo de Santuário. Pegou a Trilha das Palmeiras, que seguia a curva do rio, passando por áreas escuras, de densa vegetação, onde as muscadíneas e as samambaias da ressurreição formavam uma autêntica selva exuberante.
Não precisava no momento daquele tipo de distração, do tipo de complicação que Edward Cullen inevitavelmente acarretaria em sua vida. Mal começava a se recuperar.
Se mantivesse um relacionamento com ele, teria de lhe contar sobre... coisas. E se contasse, isso seria o fim do relacionamento. Quem haveria de se envolver com uma mulher louca em suas férias?
A trilha era sinuosa, repleta das pequenas palmeiras típicas do Sul dos Estados Unidos, a Saereno repens, que lhe davam o nome. Ouviu de novo o chamado do peru e o canto longo de um passarinho A bolsa da câmera batia em seu quadril, enquanto acelerava os passos e argumentava consigo mesma.
Ao não começar qualquer coisa, ela apenas poupava aos dois algum tempo e embaraço.
Mas por que ele não estava em casa?
— Psiu... — Jasper pôs a mão na boca de Alice ao ouvir passos na trilha, perto da clareira que era protegida por carvalhos e trepadeiras. — Alguém está passando.
— Oh... — Num movimento rápido, Alice pegou a blusa descartada e cobriu os seios. — Pensei que havia dito que Edward passaria o dia no continente.
— E ele foi mesmo. Encontrei-o a caminho da barca.
— Então quem... ahn... — Alice soltou uma risadinha, enquanto espiava entre as folhas. — É apenas Bella. E parece irritada com o mundo, como sempre.
— Fique quieta. — Jasper abaixou a cabeça de Alice, junto com a sua. — Prefiro que sua irmã não me pegue de calça arriada.
— Mas é tão bonito seu...
Ela estendeu a mão para pegá-lo e os dois lutaram, com risadinhas abafadas, até que Bella desapareceu.
— Você é terrível, Allie.
Jasper imobilizou-a, sorrindo. Ela ainda usava o sutiã — não houvera tempo para tirá-lo — e ele gostava da sensação do tecido liso roçando em seu peito.
— Como eu poderia explicar se ela nos encontrasse?
— Se Bella não sabe o que está acontecendo, é tempo de alguém lhe mostrar.
Com um balanço de cabeça, Jasper inclinou-se para beijá-la na ponta do nariz.
— Você é muito dura com sua irmã.
— Eu sou dura com ela? — Alice soltou uma risada. — Experimente o contrário. É muito mais apropriado.
Talvez cada uma seja dura demais com a outra. Mastenho a impressão de que ultimamente Bella passou por momentos muito difíceis com alguma coisa.
— Bella tem uma vida perfeita para ela. — Alice fez uma cara de contrariada e girou uma mecha dos cabelos de Jasper entre os dedos.
— Tem seu trabalho, todas aquelas viagens. As pessoas se babam por suas fotos, como se fossem bebês recém-nascidos. Ou estudam-nas como se fossem compêndios idiotas. E ganha muito dinheiro, o suficiente para não ter de se preocupar com seus fundos de investimentos miseráveis.
O amor o envolvia quando roçou os dedos pelo queixo de Alice.
— Meu bem, é puro desperdício de tempo sentir inveja da sua irmã.
— Inveja? — Ao choque do insulto, os olhos de Alice se tornaram sombrios e arregalados. — Por que eu haveria de sentir inveja de Isabela?
— Exatamente. — Jasper beijou-a de leve. — Vocês duas estão atrás da mesma coisa. A maneira de vocês serem e como procuram são tão diferentes quanto à noite e o dia, mas o objetivo é o mesmo.
— Acha isso? — A voz era tão suave quanto leite fresco. — E qual seria esse objetivo?
— Ser feliz. No fundo, é o que a maioria das pessoas quer. E deixar sua marca. Mas só porque ela conseguiu antes de você não significa que a sua seja menos importante. E, no final das contas, ela tem três anos de vantagem.
Não apaziguou Alice nem um pouco. A voz passou de suave para gelada:
— Não sei por que você me trouxe aqui se tudo o que queria era falar sobre minha irmã.
— Foi você quem me trouxe, meu bem. — Ele sorriu e a manteve imobilizada, apesar de Alice se debater com evidente irritação.
— Pelo que recordo, você apareceu no Sand Castle Cottage, onde eu cuidava da minha vida, trocando as telas. Sussurrou alguma coisa em meu ouvido... e como já tinha esta manta em sua mochila, o que um homem podia fazer?
Ela ergueu o queixo, alteou uma sobrancelha.
— Não sei, Jazz. O que um homem pode fazer?
— Acho que terei de lhe mostrar.
Ele não se apressou. Ao final, deixou-a um pouco fraca e trêmula. Na noite anterior, tudo acontecera num ímpeto ardente. A necessidade prevalecendo sobre o prazer, o prazer atropelando a necessidade. Mas agora, ao ar fresco e na claridade difusa da clareira, as mãos de Jasper foram lentas, os calos roçando de leve sobre a pele de Alice, os dedos pressionando, deslizando. E embora a boca fosse ardente, não demonstrava qualquer pressa. Procurava a boca de Alice, muitas e muitas vezes, como se fosse o único sabor de que precisava.
Quando ela suspirou, veio lá do fundo.
Podia ser seduzida tanto quanto possuída. Esperara durante a vida inteira para fazer as duas coisas, para observar a si mesma a deixá-lo fazer as duas coisas. Não havia nada nela que não fosse uma coisa preciosa para ele. Agora, ele podia lhe mostrar, centímetro por centímetro. Um dia, muito em breve, ele diria tudo, palavra por palavra.
Quando ele a penetrou, o gemido de recepção foi doce e suave. Ele se preparou para dar mais, tirar mais, num ritmo tão lento e suave quanto o rio que corria ali perto. Ela gemeu de novo quando ele baixou a cabeça para chupar os seios.
— Você goza primeiro — murmurou Jasper. — Para que eu possa ver.
Ela não seria capaz de se controlar. Tinha a sensação de que era arrastada como folha na correnteza do rio. O orgasmo envolveu todo o seu corpo, interminável, adorável, profundo. Mal pôde sussurrar o nome de Jasper, enquanto todo o seu organismo vibrava.
Ele tornou a beijá-la na boca, e um instante depois também gozou.
— Hum...
Isso foi tudo o que Alice conseguiu dizer, enquanto se virava e aconchegava a cabeça no peito de Jasper. Nunca tivera um orgasmo assim... que a envolvesse por completo.
E ele parecia ter mantido um controle absoluto. Somente o trovejar de seu coração, sob o rosto de dela, indicava que se encontrava tão atordoado quanto. Alice sorriu de novo e virou os lábios para o peito dele.
— Você deve ter praticado muito.
Jasper manteve os olhos fechados, apreciando o ar em seu rosto e os cabelos de Alice em sua mão.
— Acredito firmemente que se deve praticar uma habilidade até fazê-la da maneira certa.
— Eu diria que você já faz da maneira certa.
— Eu a desejei durante toda a minha vida, Allie.
Alguma coisa dentro dela estremeceu ao ouvi-lo dizer isso, tão simples, tão fácil. Na exultação posterior, ela ergueu a cabeça. Quando o fitou, sentiu de novo o estremecimento.
— Acho que, lá no fundo, também sempre o desejei. Quando ele abriu os olhos, a expressão ali deixou-a com a boca ressequida, levou-a a oferecer um sorriso provocante.
— Mas você era magricela demais.
— E você tinha o peito liso. — Ele estendeu a mão para tocar em seus seios, fazendo-a rir. — As coisas mudam.
Alice ergueu-se e montou em cima dele.
— E você costumava puxar meus cabelos.
— Mas você costumava me morder. Ainda tenho as marcas de seus dentes no ombro esquerdo.
Alice soltou uma risada e jogou os cabelos para trás. Seria difícil desembaraçar os cabelos depois, mas ela tinha de admitir que valera a pena.
— Não tem não.
— Claro que tenho. Mamãe diz que é a marca Swan.
— Quero ver.
Ela puxou-o até que o pôs de lado. Aproximou o rosto para espiar, contraiu os olhos, embora pudesse ver com bastante nitidez a cicatriz esbranquiçada. Sua marca. Ela sentiu uma estranha emoção ao saber que ele a carregava.
— Onde? Não vejo nada. — Alice abaixou mais o rosto. — Ah... está falando dessa coisinha de nada? Posso fazer muito melhor agora.
Antes que Jasper pudesse se defender, ela cravou os dentes em seu ombro. Ele gritou, derrubou-a, rolou para o outro lado, os dois embolados. As mãos dele apertaram aqui, apertaram ali, até que Alice ficou ofegante do desejo renovado, tanto quanto do riso.
— Eu diria que é tempo de pôr minha marca em você.
— Não se atreva a me morder, Jasper! — Ela riu, debateu-se, rolou para o lado. — Ui! Droga!
— Ainda não mordi você.
— Alguma coisa me mordeu.
Jasper moveu-se depressa, visões de cobras aflorando em seu cérebro. Levantou-se, pegou-a no colo, numa fração de segundo. Ela ficou boquiaberta ao fitar os olhos dele, subitamente duros e frios, esquadrinhando o chão.
— Puxa!
Isso foi tudo o que ela conseguiu balbuciar, o coração romântico disparando.
Não havia nada a rastejar ou andar ao redor. Mas ele avistou um brilho prateado. Pôs Alice em pé e virou-a. Havia um tênue arranhão vermelho nas costas, quase na altura do ombro direito.
— Você rolou em cima de alguma coisa, só isso. — Ele deu um beijo no arranhão, depois abaixou-se para pegar o objeto prateado — O brinco de alguém.
Os olhos falseando, Alice estendeu a mão para trás e esfregou distraída a área em que sentia um pouco de dor. Jasper a pegara no colo como se ela não pesasse nada, pensou, sonhadora. E dera a impressão de que a defenderia contra um dragão cuspindo fogo.
Imagens de Lancelote e Guinevere, de castelos envoltos por brumas, afloraram em sua mente, antes que ela conseguisse focalizar o brinco que Jasper segurava. Havia uma fileira de pequenas estrelas prateadas.
— Esse brinco é de Jessica. — O rosto um pouco franzido, ela pegou-o. — De seu par predileto. Não entendo como veio parar aqui.
Jasper alteou as sobrancelhas.
— Tenho a impressão de que não somos os primeiros a usar a floresta para outra coisa além de um passeio pela natureza.
Com uma risada, Alice tornou a sentar na manta. Pôs o brinco ao seu lado, com todo cuidado, antes de pegar o sutiã.
— Acho que você tem razão. Mas esta clareira fica bem distante do camping e de seu chalé. Ela usava os brincos ontem à noite?
— Não costumo prestar atenção às orelhas de minha prima — comentou Jasper, sarcástico.
— Tenho quase certeza...
Alice parou de falar, fazendo um esforço para recordar a cena. Jessica vestia uma camisa vermelha com tachões prateados, uns jeans bastante justos, com um cinto de caubói. É isso mesmo, concluiu, quase com certeza ela usava seus brincos prediletos, das estrelas prateadas. Jessica gostava de como balançavam e refletiam a luz.
— Ora, não importa. Devolverei para ela. Se conseguir encontrá-la.
Jasper sentou para vestir a cueca.
— Como assim?
— Ela deve ter encontrado alguém muito interessante no luau. Não apareceu para trabalhar esta manhã.
— Não apareceu? Jess nunca falta.
— Mas faltou esta manhã. Eu soube quando desci para o trabalho em Santuário. —tirou uma escova da mochila e iniciou o árduo processo de desembaraçar os cabelos. — Ui... droga! Havia uma porção de gente entrando e saindo do camping, sem a presença dela. Sue mandou papai e Bella até lá para cuidarem de tudo.
Jasper vestiu os jeans e levantou-se para fechá-los.
— Verificaram sua cabana?
— Acabei o serviço e saí antes que eles voltassem, mas presumo que foram até lá. Sue ficou furiosa.
— Jess não é de se comportar assim. Pode ser impetuosa, mas nunca deixou Sue nessa situação.
— Talvez ela tenha passado mal. — Alice esfregou o brinco entre os dedos, antes de guardá-lo no bolso do short mínimo, que vestira para levar Jasper à loucura. — Estava tomando tequila sem parar.
Ele acenou com a cabeça, em concordância. Mas sabia que Jessica, mesmo de ressaca, iria trabalhar, ou providenciaria alguém para substituí-la. Recordou como ela parecia, cambaleando pela praia, no escuro, acenando para ele e Alice, soprando beijos.
— Vou verificar como ela está.
— Faça isso. — Alice levantou-se, adorando como ele admirou suas pernas. — E talvez mais tarde...
Ela abraçou-o, antes de acrescentar:
— ... você possa me verificar também.
— Também pensei nisso. Achei que seria uma boa se fosse jantar na pousada. E deixar... você me servir.
— Ahn... — Os lábios de Alice contraíram-se num sorriso felino, enquanto ela recuava, ajeitando os cabelos encaracolados. — Foi essa a sua idéia?
— Foi sim. E pensei também que depois poderia subir, talvez descobrir seu quarto... Poderíamos experimentar numa cama, para variar.
— Hum... — Ela passou a língua pelo lábio superior. — Talvez eu esteja disponível esta noite... dependendo do tipo de gorjeta que você oferecer.
Jasper sorriu e captou aqueles lábios umedecidos num beijo, que a deixou atordoada. Quando conseguiu respirar de novo, Alice soltou um suspiro e murmurou:
— É um bom começo.
Ela abaixou-se para pegar a manta, virando deliberadamente para provocá-lo, as nádegas saltando no short apertado. Olhou para trás e acrescentou:
— Vou lhe oferecer... um excelente serviço.
De volta a picape, na estrada para o camping, Jasper sentiu o coração quase voltando ao normal. Aquela mulher era dinamite, pensou, e a vida com ela seria uma incessante aventura. Calculava que Alice ainda não estava preparada para ajustar suas noções à perspectiva de passar o resto da vida com ele, mas pretendia trabalhar para chegar a esse ponto.
Ele sorriu para si mesmo. Ligou o rádio e ouviu Clint Black murmurar pelos alto-falantes. Tinha tudo planejado, refletiu. O namoro... que progredia muito bem, em sua opinião. O pedido de casamento, o casamento, a vida conjugal.
Assim que a convencesse de que ele era exatamente o que ela precisava, estaria tudo resolvido. Enquanto isso, poderiam se divertir ao máximo.
Ele entrou no camping. Franziu o rosto ao ver o adolescente dentro da cabine, no lugar de Jessica.
— Oi, Colin. — parou a picape. Inclinou-se pela janela. — Guarnecendo o posto hoje?
— Isso mesmo.
— Viu Jess?
— Nem de longe. — O garoto tentou uma piscadela lasciva. — Ela deve ter passado uma noite bastante animada.
— Imagino... — Mas Jasper sentiu um frio desconfortável no estômago. — Vou dar uma olhada na cabana, para descobrir o que aconteceu.
— À vontade.
Jasper foi guiando devagar, preocupado com a possibilidade de uma criança surgir correndo na sua frente. Com o verão se aproximando, ele sabia que mais pessoas iriam para a ilha, armariam barracas no camping, ocupariam os chalés, estenderiam toalhas na praia. As pessoas nos chalés fritariam ao sol durante metade do dia e depois ligariam o ar-condicionado ao máximo. O que significava, em geral, que ele ficaria ocupado com os consertos.
Não que ele se importasse. Era um trabalho bom e honesto. E embora sonhasse com algo mais desafiador, imaginava que seu dia chegaria.
Parou ao lado da cabana de Jessica e saltou. Esperava encontrá-la na cama, gemendo, com a cabeça numa bacia. Isso explicaria o silêncio. Quando estava em casa, ela tinha sempre o rádio ligado a todo o volume, a televisão também, sua própria voz alteada numa canção ou numa discussão com um dos programas de entrevistas em que era viciada. Os sons colidiam na maior alegria. Ela alegava que isso a impedia de se sentir solitária.
Mas não ouviu nada, exceto os estalos das folhas de palmeiras e o barulho das rãs na água. Foi até a porta. Como se sentia tão à vontade ali quanto em sua própria casa, não se deu ao trabalho de bater.
Teve um sobressalto quando abriu a porta e deparou com um homem à sua frente.
— Deus Todo-Poderoso, Emmet! Assim você me mata de susto!
— Desculpe. — Emmet sorriu. — Ouvi a picape e pensei que poderia ser Jessica.
Ele olhou por cima do ombro de Jasper, enquanto perguntava:
— Ela veio com você?
— Não. Acabei de saber que ela não foi trabalhar e vim descobrir o que aconteceu.
— Ela não está aqui. Parece que não veio em casa hoje, embora seja difícil saber com certeza. — Emmet olhou para trás. —A mulher é tão desarrumada quanto três adolescentes se arrumando para uma festa.
— Talvez ela esteja em um dos pontos de acampamento. Emmet esquadrinhou as árvores em torno dos tufos de capim dourado do pântano. Mas ele não avistou qualquer sinal do habitante humano daquele pequeno canto da ilha.
— Estacionei perto do número um e dei a volta completa para chegar aqui. Perguntei por ela, mas ninguém a viu desde ontem.
— Há alguma coisa errada. — O frio no estômago de Jasper se transformou em dor. — Alguma coisa muito errada, Emm.
— Concordo com você. Já passa de duas horas da tarde. Mesmo que ela tivesse dormido em outro lugar, já teria aparecido a esta altura. — A preocupação era como um punho pressionando sua nuca. Emmet esfregou-a, distraído, enquanto tornava a correr os olhos pela bagunça que era a cabana de Jessica. — Acho que está na hora de começarmos a telefonar para as pessoas.
— Falarei com minha mãe. Ela fará meia dúzia de ligações antes que qualquer de nós consiga completar a primeira. Vamos embora. Eu o deixarei em seu carro.
— Obrigado.
Enquanto se acomodava ao volante, Jasper comentou:
— Ela estava no maior porre ontem à noite. Eu a vi... Alice e eu a vimos. Estávamos na água... dando um mergulho.
— Um mergulho... posso imaginar.
Jasper deixou passar um instante, antes de puxar a pala do boné.
— Como posso lhe dizer que estou transando com sua irmã? Emmet comprimiu os dedos contra os olhos.
— Acho que essa foi uma maneira. É um pouco difícil para mim dizer a palavra "parabéns" nas circunstâncias.
— Quer saber quais são minhas intenções?
— Não, não quero. — Emmet ergueu a mão. — Juro que não quero.
— Vou casar com ela.
Agora nunca mais poderei lhe dizer a palavra "parabéns". — Ele mudou de posição no banco, fitando Jasper com um olhar curioso. — Você enlouqueceu?
— Eu a amo. —engrenou a ré e partiu. — Sempre a amei.
Emmet imaginou Alice sorridente a chutar o coração ainda sangrando de Jasper do alto de um penhasco.
— Você já é crescidinho, Jazz. Sabe em que está se metendo.
— Isso mesmo... e também sei que você e o resto de sua família nunca deram a Alice o crédito que ela merece. —A voz normalmente suave de Jasper assumia um tom defensivo firme, o que levou Emmet a altear as sobrancelhas. — Ela é inteligente, forte, tem um coração tão grande quanto o mar e, quando se eliminam as frivolidades, é tão leal quanto qualquer outra pessoa.
Emmet deixou escapar um longo suspiro. A irmã era também temerária, impulsiva e egocêntrica. Mas as palavras de Jasper haviam tocado um ponto sensível e deixaram-no envergonhado.
— Você tem razão. E se alguém pode acentuar as melhores qualidades dela, eu diria que é você.
— Ela precisa de mim. —tamborilou com os dedos no volante. — Eu agradeceria se você não mencionasse a nossa conversa. Ainda não chegamos a essa parte.
— Pode ter certeza de que a última coisa sobre o que eu gostaria de conversar com Alice seria sua vida amorosa.
— Melhor assim. Mas desviei-me do assunto. Como eu dizia, vi Jessica ontem à noite. Deve ter sido por volta de meia-noite. Eu não prestava muita atenção na ocasião. Ela seguia para o sul, pela praia... parou e acenou para nós.
— Estava sozinha?
— Estava. Disse que precisava desanuviar a cabeça. Não notei se ela voltou... fiquei ocupado com outras coisas.
— Se ela apagou na praia, alguém já a teria encontrado a esta altura. Portanto, deve ter voltado ou cortou caminho pelas dunas.
— Encontramos um de seus brincos naquela clareira junto do no, no lado de Santuário.
— Quando?
— Há pouco tempo. — Jasper parou a picape ao lado do carro de Emmet. Allie e eu estávamos...
— Por favor, não ponha essa imagem em meu cérebro. O que vocês são? coelhos? — Emmet sacudiu a cabeça. — Tem certeza de que o brinco era de Jessica?
— Alice tinha certeza... e também tinha certeza de que ela usou o brinco ontem à noite.
— É o tipo de coisa que Allie costuma notar. Mas é um caminho estranho para Jess seguir, se estava voltando para casa.
— Foi o que pensei. Mas ela podia estar com alguém na ocasião. Jess não tem o hábito de deixar uma festa antes que termine... a menos que tenha outra espécie de festa planejada.
— Nada disso é típico dela.
— Tem toda razão. Estou começando a ficar preocupado, Emmet.
— Eu também. — saltou da picape, virou-se e apoiou-se na janela. — Fale com sua mãe para começar a telefonar. Darei um pulo até o cais. É possível que ela tenha encontrado o homem de seus sonhos e pegou a barca com ele para Savannah.
Às seis horas, uma busca intensiva fora iniciada. Através dos caminhos na floresta, ao longo das acidentadas trilhas de excursões para o norte, pela curva da praia, nas sendas sinuosas que contornavam as pequenas lagoas. Alguns dos participantes da busca podiam lembrar-se de outra busca, por outra mulher.
Vinte anos não haviam ofuscado a lembrança. E embora procurassem por Jessica, muitos comentavam sobre Renée.
Era provável que ela tivesse partido, como Renée fizera. Era o que alguns pensavam. Ela sempre tivera uma ânsia de aventura e decidira satisfazê-la. A garota Pendleton sempre fora desenfreada. Não, não Renée, ressaltavam as pessoas, mas Jessica. Renée era como as correntezas profundas, enquanto Jessica era como as ondas arrebentando na praia.
Mas as duas haviam partido.
Edward ouviu uma das conversas no cais, enquanto largava sua pasta no banco do passageiro e guardava os suprimentos atrás.
Fez seu coração bater um pouco mais depressa, com mais vigor. Deixou o estômago embrulhado. Ouviu o nome de Renée ser pronunciado várias vezes e sentiu um zumbido nos ouvidos. Viera para enfrentar a realidade, Edward lembrou a si mesmo, e depois tentara ignorá-la. Também não tinha certeza do que mais podia fazer. Ou se seria capaz de conviver com o curso que tivesse de tomar.
Ele seguiu para Santuário.
Avistou Bella sentada nos degraus da varanda, a cabeça apoiada nos joelhos levantados. Ela ergueu o rosto ao ouvir o Jeep e Edward divisou todos os fantasmas em seus olhos.
— Não conseguimos encontrá-la. — Bella comprimiu os lábios. — Jessica desapareceu.
— Já soube.
Sem saber o que mais fazer, ele sentou ao lado dela. Passou o braço por seus ombros, a fim de que ela pudesse se aconchegar.
— Acabo de sair da barca.
— Procuramos por toda parte. Durante muitas horas. Ela desapareceu, Edward, simplesmente desapareceu, como...
Bella não podia dizer. Não diria. E decidiu, enquanto respirava fundo, fechar a porta ao pensamento.
— Se ela estivesse na ilha, alguém já a teria visto, alguém já a teria encontrado.
— É muito terreno para cobrir.
— Não é não. — Bella sacudiu a cabeça. — Se ela estivesse tentando se esconder, é claro que poderia se manter um passo à frente. Jess conhece a ilha tão bem quanto qualquer um, cada enseada, cada trilha. Mas não havia razão para se esconder. Ela simplesmente foi embora.
— Não a vi na barca da manhã. E verdade que dormi durante a maior parte da viagem, mas Jessica não conseguiria passar despercebida.
— Já verificamos isso. Ela não pegou a barca.
— Muito bem. — Ele subiu e desceu a mão pelo braço de Bella enquanto tentava pensar. — Barcos particulares. Há muitos na ilha... de pessoas que moram aqui e pessoas de fora.
— Ela sabe pilotar um barco, mas nenhum dos nativos comunicou o desaparecimento de sua embarcação. E ninguém se apresentou para dizer que a levou ao continente.
— Não poderia ser alguém que só veio passar o dia aqui?
— É possível. — Bella balançou a cabeça, tentando aceitar. — É o que a maioria das pessoas começa a pensar. Ela é impetuosa e pode ter partido com alguém. Já fez isso antes, mas nunca sem dar um aviso... muito menos quando tinha trabalho no dia seguinte.
Edward recordou a maneira que Jessica lhe sorrira. Oi, lindo.
— Ela bebeu bastante tequila ontem à noite.
— Estão falando sobre isso também. — Bella desvencilhou-se, num movimento brusco. — Jessica não é uma bêbada vulgar e irresponsável.
— Eu não disse isso, Bella, nem tive a intenção.
— É muito fácil dizer que ela não se importava, não ligava para nada. Que simplesmente partiu sem avisar a ninguém, sem pensar em ninguém. —levantou-se de um pulo, enquanto as palavras continuavam a sair, incontroláveis: — Deixou sua casa e sua família, todas as pessoas que amava, sem pensar duas vezes, sem imaginar como todos ficariam preocupados e magoados.
Os olhos faiscavam em fúria, a voz se elevava. Bella não se importava mais se era de sua mãe que falava agora. Não se importava mais se percebia, pela expressão séria e compadecida em seus olhos, que Edward compreendia tudo.
— Não acredito nisso. — Ela respirou fundo e deixou escapar o ar lentamente. — E nunca acreditei.
— Sinto muito.
Edward também se levantou. Abraçou-a. Embora Bella o empurrasse, tentasse se desvencilhar, ele não cedeu.
— Sinto muito, Bella.
— Não quero sua compaixão. Não quero nada de você, nem de qualquer outra pessoa. Largue-me.
— Não.
Ela fora deixada de lado por muitas pessoas, com muita freqüência, pensou Edward. Ele comprimiu o rosto contra os cabelos de Bella e esperou que a fúria passasse. Até que ela parou de se debater. Abruptamente, Bella abraçou-o também.
— Oh, Edward, estou com tanto medo... É como passar por tudo de novo, e ainda sem saber por quê.
Ele olhou por cima de sua cabeça, para a profusão de bocas-de-leão e campânulas no jardim.
— Faria alguma diferença? Ajudaria saber por quê?
— Talvez não. Às vezes penso que tornaria ainda pior. Para todos nós. — Bella baixou o rosto para o pescoço de Edward, sentindo uma gratidão patética por ele estar ali, por ser tão sólido. — Detesto ver meu pai se lembrar... e Emmet e Alice. Não falamos a respeito... parece que não somos capazes de falar a respeito. Mas o problema existe. Sempre nos pressiona e acho que nos afastou uns dos outros durante a maior parte de nossas vidas.
Ela deixou escapar um longo suspiro, embalado pelo ritmo firme do coração de Edward.
— Eu me descubro a pensar mais em mamãe do que em Jess e me detesto por isso.
— Não fique assim.
Ele roçou os lábios pela têmpora, pela face e depois na boca de Bella.
— Não fique assim — repetiu ele.
E aprofundou-se no beijo mais do que tencionava. Ela não se desvencilhou; em vez disso, abriu-se para ele. O mero conforto transformou-se em algo mais com a pressão da urgência. Edward ergueu as mãos, emoldurou o rosto dela, tornou a baixá-las, numa carícia lenta e longa, que fez o estômago de Bella despencar para os joelhos.
A necessidade que a envolveu nesse instante era doce, madura, imensa. Acima de tudo, queria se entregar. De onde vinha aquilo?, pensou ela, atordoada. E para onde poderia ir? Ela desejou subitamente, com toda a força de seu coração, que pudessem ser apenas duas pessoas se afogando uma na outra, naquele beijo lento e interminável, enquanto o sol mergulhava pelo céu e as sombras se tornavam mais longas e profundas.
— Não posso fazer isso — murmurou ela.
— Mas eu tenho de fazer.
Edward mudou o ângulo do beijo. Quando Bella baixou os braços, inertes, ele murmurou:
— Abrace-me de novo, apenas por um instante. Precise de mim outra vez, apenas por um instante.
Ela não podia resistir, não podia negar aos dois. Por isso, apertou-o com força e deixou que o momento os envolvesse. Vagamente, ouviu o barulho de pneus na estrada. A realidade se insinuou e Bella recuou.
— Tenho de ir.
Edward estendeu as mãos, segurou-a pelas pontas dos dedos.
— Volte comigo. Vamos para casa. Escape de tudo isso por algum tempo.
As emoções afloraram nos olhos de Bella, fizeram com que se tornassem ainda mais claros.
— Não posso.
Ela subiu correndo os degraus, entrou em Santuário e fechou a porta, sem olhar para trás.
Oi flores... então tinha deixado a fic em de lado um pouco mais estou de volta... obrigada a todas que lerão e que estão lendo... bjuxx^^ e até o próximo capitulo...
