FLORES MAIS UM CAPITULO... ESPERO QUE GOSTEM... ACABEI DE POSTAR UM FIC NOVA... " VOCÊ TEM QUE LEMBRAR" DEEM UMA PASSADINHA LA... BJUXX^^^...E NAO ESQUEÇAM DAS REVIEWS...


Jasper avistou Alice quando subia pela estrada para Santuário. Ela estava no terraço do segundo andar, as pernas compridas e atraentes além do short de algodão, os cabelos presos sem muito cuidado no alto da cabeça. Lavava as janelas, o que era a garantia de que estaria no ânimo menos receptivo.

Por mais fascinante que fosse a cena, no entanto, ela teria de esperar.

Ela viu Jasper estacionar a picape, mas mal lhe dispensou um olhar. Seu sorriso era presunçoso, enquanto removia com uma folha de jornal a mistura de vinagre e água, até o vidro brilhar. Sabia que ele viria, embora tivesse demorado mais tempo do que esperava.

Mas já decidira perdoá-lo... depois que ele rastejasse um pouco.

Alice abaixou-se para molhar o pano de novo. Aproveitou o movimento para virar um pouco a cabeça e olhar para baixo. Mas ergueu-se abruptamente quando constatou que Jasper não seguia para a casa, mas para o velho defumadouro, onde Emmet pintava os móveis da varanda.

Que cascavel pensou Alice, batendo com o pano encharcado na janela seguinte. Se Jasper esperava que ela fosse procurá-lo, teria um grande desapontamento. Nunca mais o perdoaria. Nem que vivesse mil anos. Ele poderia rastejar sobre carvões em brasa, pensou ela, furiosa, enquanto limpava a janela. Podia suplicar, argumentar e chamar seu nome no leito de morte que ela riria, indiferente, e se afastaria.

Daquele momento em diante, Jasper Withlock significava menos do que nada para ela.

E Alice pegou o balde e deslocou-se por três janelas, a fim de continuar a observá-lo.

Naquele momento, Alice e suas oscilações de ânimo não ocupavam o primeiro plano dos pensamentos de Jasper. Ele sentiu o cheiro adocicado de tinta fresca, ouviu o zumbido da pistola de pintar. Projetou um sorriso ao contornar o canto do defumadouro de pedia e avistar Emmet.

Pequenos pontos de tinta azul-clara salpicavam seus braços, além dos cotovelos, e os velhos jeans que usava. Havia uma lona verde-oliva estendida no chão, com cadeiras e espreguiçadeiras por cima. Emmet aplicava uma segunda mão de tinta num velho balanço.

— Gostei da cor — disse Jasper.

Emmet deslocou a pistola de um lado para outro, lentamente, antes de desligá-la.

— Conhece a Sue. A intervalos de poucos anos ela quer alguma coisa diferente... e sempre acaba com azul.

— Mas é uma cor tranqüilizante.

— Tem razão. — largou a pistola. — Ela também encomendou novos guarda-sóis para as mesas e almofadas para as cadeiras. Devem chegar na barca dentro de um ou dois dias. Ela ainda quer que as mesas de piquenique no camping sejam pintadas.

— Posso cuidar disso, se você não tiver tempo.

— Provavelmente terei, Emmet mexeu com os ombros, para aliviar a tensão muscular. — Preciso respirar um pouco de ar fresco. E me dá tempo para sonhar.

Ele acabara de ter um devaneio dos mais agradáveis, reconstituindo suas noites com Rose. Sabia que nunca mais pensaria num estetoscópio da mesma maneira que antes.

— Como está a varanda?

— Estou com a tela na picape. Parece que o tempo vai continuar bom e devo terminar no fim de semana, como senhorita Sue queria.

— Isso é ótimo. Tentarei encontrar tempo para passar por lá e dar uma olhada.

— Como vai a mão? — indagou Jasper, apontando com o queixo para a mão enfaixada.

— Hum... — O rosto franzido, Emmet flexionou os dedos. — Ainda um pouco rígida.

Emmet não perguntou como ele soubera. As notícias flutuavam pelo ar da ilha... em particular as fofocas mais suculentas. Era de admirar, refletiu ele, que ninguém ainda soubesse que passara a maior parte da noite na mesa de exame de Rose.

— Você e a Dra. Rose, hem?

— Como?

— Você e a Dra. Rose. —ajeitou o boné. — Meu primo Ned esteve na praia esta manhã. Sabe que ele recolhe conchas, dá um polimento e vende aos turistas de um dia que chegam na barca. Parece que ele viu você deixando o chalé da nossa doutora ao amanhecer. Sabe como Ned gosta de falar.

Não havia mais por que admirar, pensou Emmet.

— Claro que sei. Quanto tempo ele levou para dar a notícia?

— Bom... — Distraído, Jasper coçou o queixo. — Eu seguia para a barca, a fim de verificar se a tela havia chegado, e encontrei Ned na Shell Road. Dei uma carona. Deve ter sido há cerca de cinqüenta minutos.

— Ned se tornou mais lento.

— Ele está envelhecendo. Fará oitenta e dois anos em setembro. — Jasper fez uma breve pausa. — A doutora é uma boa pessoa. Não conheço ninguém na ilha que não a tenha na mais alta conta. O que também acontece com você, Emm.

— Passamos algumas noites juntos — murmurou, agachando-se para limpar com um pano a ponta da pistola. — As pessoas não devem começar a sentir o cheiro de flores de laranjeira.

Jasper alteou uma sobrancelha.

— Não falei que era esse o caso.

— Apenas nos encontramos de vez em quando.

— Certo.

— Ninguém está pensando num relacionamento permanente, nem em aprofundar para algo mais sério.

Jasper deixou passar um momento.

— Está tentando me convencer, Emm, ou há mais alguém aqui?

— Eu só queria dizer...

Emmet fez um esforço para se controlar. Ergueu as mãos, como se sinalizasse para si mesmo que deveria parar. Empertigou-se de novo, tentando não se irritar com o sorriso afável e inocente de Jasper.

— Veio até aqui apenas para me dar os parabéns por levar Rose para a cama ou pensava em mais alguma coisa?

O sorriso de Jasper desapareceu.

— Jessica.

Emmet suspirou. Descobriu que a tensão deixara a nuca rígida e não conseguia relaxá-la.

— A polícia ligou para cá esta manhã. Imagino que também falaram com você.

— Não tinham nada para dizer. E acho que não se dariam ao trabalho de telefonar se eu não os estivesse pressionando. Sabe muito bem que não a estão procurando, Emmet. Mal fizeram qualquer coisa.

— Eu gostaria que fosse diferente.

— Disseram que poderíamos imprimir cartazes e distribuí-los em Savannah. Mas de que isso adiantaria?

— Quase nada. Eu gostaria de saber o que lhe dizer, Jazz. Mas sabe como é... Jessica tem vinte e seis anos, élivre pata ir e vir como quiser. Éassim que a polícia considera.

— Pois é a maneira errada de considerar. Ela tem uma família aqui, possui uma casa e amigos. Não há a menor possibilidade dela partir sem avisar ninguém.

— Às vezes as pessoas fazem coisas que você nunca esperava que pudessem fazer — murmurou Emmet, lentamente. — Nunca acreditava que fossem capazes. Mas elas fazem assim mesmo.

— Jessica não é sua mãe, Emmet. Lamento que isso traga de volta um momento terrível para você e sua família. Mas aconteceu agora. E com Jessica. Não é a mesma coisa.

— Não, não é. — Emmet forçou-se a manter a voz sob controle, a não perder a calma. — Jessica não tinha um marido e três filhos. Se decidisse tirar a areia dos sapatos, não deixaria vidas arruinadas para trás. Continuarei a ligar para a polícia, pelo menos uma vez por semana, para que não tirem ela de seus pensamentos. Faremos os cartazes no escritório. Apenas não posso fazer mais do que isso, Jasper. Não quero que minha vida seja virada pelo avesso outra vez.

— Isso é ótimo. Sairei de seu caminho para que você possa continuar a tocar sua vida.

A fúria alongava seus passos quando voltou para a picape. Embarcou e bateu a porta. Baixou a cabeça para o volante.

Cometera um erro. Um erro grande. Por falar com Emmet daquele jeito, arrogante e esnobe. Não era culpa de Emmet, nem sua responsabilidade. E não era certo, acrescentou Jasper para si mesmo, enquanto se recostava e fechava os olhos, que um amigo se intrometesse na vida de outro daquela maneira. Daria a si mesmo um momento para se aquietar, depois voltaria para pedir desculpas.

Alice saiu da casa. Descera em disparada a escada interna, quase quebrando o pescoço em sua pressa para alcançar Jasper antes de sua partida, a fim de escarnecer pelo que ele não podia ter. E seu coração ainda estava disparado. Mas forçou-se a ir mais devagar agora, a mão roçando no corrimão, um sorriso distante no rosto.

Encaminhou-se para a picape. Esqueceu que as mãos recendiam a vinagre e apoiou-as na janela aberta.

— Oi, Jazz. Estava saindo para uma caminhada pelo bosque e vi sua picape.

Ele abriu os olhos para fitá-la.

— Pois continue, Allie — murmurou ele, inclinando-se para virar a chave na ignição.

— O que aconteceu? — O sofrimento nos olhos dele era um bálsamo para a alma dela. — Não anda se sentindo bem, Jazz? Talvez esteja deprimido.

Ela passou a ponta de um dedo pelo braço de Jasper.

— Talvez você esteja desejando saber como me pedir desculpas, para não se sentir tão solitário.

Os olhos permaneceram angustiados, mas as sombras passaram de desespero para raiva. Ele empurrou a mão de Alice.

— Quer saber de uma coisa, Alice? Nem mesmo meu pequeno e limitado mundo gira apenas em torno de você.

— Você tem muita desfaçatez, pensando que pode me falar assim. Se acha que me importo sobre o que faz seu mundo girar, está redondamente enganado. Não me importo nem um pouco.

— Somos dois nesse ponto. Afaste-se da picape.

— Não vou me afastar enquanto você não ouvir o que tenho a dizer.

— Não estou interessado no que você tem a dizer. E agora recue para não sair machucada.

Alice fez o contrário. Inclinou-se pela janela, para virar a chave e desligar o motor.

— Ninguém me dá ordens. — Ela aproximou o rosto de Jasper. - Não pense por um instante sequer que pode me dizer o que fazer ou me ameaçar.

Alice respirou fundo, disposta a censurá-lo com mais veemência ainda. Mas havia muito sofrimento em seus olhos outra vez, mais do que ela esperava, mais do que jamais vira antes. A raiva desapareceu. Ela pôs a mão no rosto dele.

— O que aconteceu querido? O que o deixou tão magoado?

Ele começou o balançar a cabeça, mas Alice não retirou a mão.

— Podemos ficar furiosos um com o outro mais tarde. Converse comigo agora. Diga o que está errado.

— Jessica. — deixou escapar um grunhido, que escaldou sua garganta. — Não há uma única notícia dela, Allie. Absolutamente nada. Não sei mais o que fazer. Não sei mais o que dizer à minha família. Nem mesmo sei como devo me sentir.

— Eu compreendo. — Ela recuou e abriu a porta. — Venha.

— Tenho muito trabalho para fazer.

— Faça o que estou dizendo uma vez na vida. Agora quero que venha comigo.

Alice pegou a mão dele e puxou, até que Jasper saiu da picape. Sem dizer nada, levou-o pelo lado da casa até a sombra das árvores.

— Sente aqui.

Ela sentou-o no lado da rede de corda, passou um braço ao redor, ajeitou a cabeça de Jasper em seu ombro.

— Descanse por um momento.

— Não penso a respeito durante todo o tempo — murmurou ele. — Acho que enlouqueceria se fizesse isso.

— Eu sei. — Ela pegou a mão dele. — Apenas aflora de vez em quando e dói tanto que você pensa que não conseguirá suportar. Mas agüenta, até a próxima vez.

— Sei o que as pessoas estão dizendo. Ela era impetuosa e decidiu ir embora de repente. Seria mais fácil se eu pudesse acreditar nisso.

— Não, não seria. Doeria de qualquer maneira. Quando mamãe foi embora, chorei sem parar por ela. Pensei que, se chorasse bastante, ela ouviria e voltaria. Quando fiquei mais velha, pensei que ela não se importava muito comigo. Por isso, também não me importaria. Parei de chorar. Mesmo assim, ainda dói.

— Continuo a pensar que ela mandará um cartão-postal idiota da Disney World ou outro lugar parecido. Neste caso, eu poderia ficar apenas furioso com ela, em vez de me sentir tão preocupado.

Alice tentou imaginar essa possibilidade. Não era difícil. Jessica absorvida numa viagem insensata e pitoresca, dando risadas durante todo o tempo.

— Ela poderia muito bem fazer isso.

— Também acho. — Ele olhou para as mãos unidas, os dedos entrelaçados. —Acabei de discutir com Emmet por causa disso. Uma estupidez.

— Não se preocupe. Emm tem a pele bastante grossa e pode agüentar.

— E como é a sua?

Jasper inclinou-se para trás. Puxou distraído um grampo solto nos cabelos de Alice, presos no alto da cabeça.

— Todos nós, Swans, somos mais duros do que parecemos.

— Lamento mesmo assim. — Ele levantou as mãos entrelaçadas e beijou as articulações de dela. — Temos de ficar furiosos um com o outro mais tarde?

— Acho que não. — Ela beijou-o de leve, depois sorriu. Os passarinhos cantavam na árvore por cima. As flores perfumavam o ar. — Porque tenho sentido saudade de você... só um pouquinho.

Ela prendeu a respiração quando Jasper a puxou e comprimiu o rosto contra seu pescoço.

— Preciso de você, Allie... preciso muito.

Quando ela soltou a respiração, saiu tremendo dos pulmões pela garganta e os lábios. Alice pôs as mãos nos ombros de Jasper, os dedos comprimindo aqueles músculos firmes. Depois, ela recuou, levantou-se, fazendo um esforço para controlar suas emoções.

Virou as costas para ele, Jasper esfregou as mãos sobre o rosto, para baixá-las em seguida, desolado.

— O que eu disse agora? O que eu faço que sempre a afasta?

— Não me afastou.

Alice teve de comprimir os dedos contra os lábios para que parassem de tremer, antes de virar para fitá-lo. Quando o fez, seu coração transbordava dos olhos.

— Em toda a minha vida, Jazz, ninguém jamais me disse isso. A menos que fosse um homem referindo-se a sexo.

Ele se levantou ...

— Eu sei. — Ela piscou, impaciente com as lágrimas. — Tenho certeza de que não foi o que você quis dizer. E não estou me afastando, mas apenas tentando me controlar antes de bancar a idiota.

— Eu amo você. — Ele disse suavemente, para que ela acreditasse. — Sempre amei e sempre amarei.

Alice fechou os olhos, apertando-os com força. Queria que tudo ficasse gravado em sua memória. O momento... cada som, cada fragrância, cada sentimento. Depois, lançou-se nos braços de Jasper. A respiração saía em pequenos arrancos, o que a deixava tonta.

— Abrace-me, Jazz. Aperte com toda força. Não importa o que eu diga, não importa o que eu faça, nunca me deixe ir embora.

— Alice... — Sufocado de amor, ele comprimiu os lábios contra seus cabelos. — Sempre a amei. Apenas você não sabia.

— Também amo você, Jasper. Não posso me lembrar de uma única ocasião em que não o tenha amado. E isso sempre me deixou furiosa.

— Está tudo bem agora, meu amor. — Jasper sorriu e aconchegou-a em seus braços. — Não me importo que você fique furiosa, desde que não pare de me amar.

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Em seu quarto, Bella desligou o telefone, Mike finalmente entrara em contato. E dera-lhe pelo menos uma resposta.

Ele não tirara a foto de seu apartamento.

Mas você viu a foto, não é? Era um nu, misturado com fotos minhas. Parecia comigo, mas não era eu. Segurava a foto quando perdi os sentidos. Você deve ter visto.

Ela podia ouvir a própria voz, estridente no pânico, e a preocupação e hesitação na voz de Mike quando respondeu.

Sinto muito, Bella, mas não vi nenhuma foto assim. Apenas aquelas fotos suas. Ahn... e não havia nenhum estudo de nu. Ou pelo menos eu não notei.

Estava ali. Caiu virada para baixo, no meio das outras fotos. Estava ali, Mike. Tente se lembrar.

Devia estar... se você disse que viu.

O tom era apaziguador, pensou Bella agora. Compadecido. Mas não fora convincente.

Nauseada e trêmula, ela afastou-se do telefone. Disse a si mesma que era inútil desejar que ele não tivesse ligado, não tivesse dito nada. Era melhor, muito melhor, saber a verdade. Tudo o que tinha a fazer agora era conviver com isso.

Pela janela de seu quarto, Bella avistou a irmã e Jasper. Uma linda cena pensou ela. Duas pessoas jovens e saudáveis, abraçadas, com flores desabrochando ao redor. Um homem e uma mulher borbulhando de amor e expectativa sexual, numa tarde de verão.

Parecia muito fácil, muito natural. Por que não podia deixar que fosse fácil e natural para ela também?

Edward a queria. Não pressionava, não parecia estar irritado por ela manter alguma distância entre os dois. E por que ela agia assim? Bella fez a especulação enquanto observava Jasper inclinar o rosto de Alice. Por que ela não podia se soltar?

Edward deixava-a acesa. Proporcionava prazer, fazia alguma coisa ferver dentro dela, sugerindo que a satisfação se espalharia e aprofundaria, se permitisse.

Por que tinha medo de permitir?

Em repulsa, ela afastou-se da janela. Porque ela questionava tudo hoje em dia. Observava seus próprios atos, analisava-os de unia maneira imparcial. Em termos físicos, sentia-se melhor. Os pesadelos e ataques de pânico, que a deixavam coberta por um suor frio, eram menos imensos e mais espaçados.

Mas...

Havia sempre a dúvida, omedo de que não estivesse realmente estável. Por que outro motivo continuaria a ver aquela foto em sua mente, a foto da mulher morta? Em um momento era sua mãe, no instante seguinte era ela própria. Os olhos fixos, a pele branca como cera. Ainda podia ver a textura da pele, lisa e pálida. As sombras e a ondulação dos cabelos. A maneira com que a mão fora ajeitada, o cotovelo dobrado, o braço estendido entre os seios. E a cabeça virada, meio inclinada, num cochilo tímido.

Como podia ver com tanta nitidez uma coisa que nunca existira?

E porque podia, tinha de acreditar que ainda não estava bem. Não podia sequer considerar uma relação com Edward — com qualquer homem — enquanto não estivesse recuperada por completo.

E isso, ela admitiu, era apenas uma desculpa.

Tinha medo dele... essa era a conclusão. Tinha medo de que Edward passasse a significar mais para ela do que podia controlar. E que esperaria dela mais do que podia dar.

Ele já despertava nela sentimentos que ninguém mais conseguira produzir. Por isso, ela se protegia com uma covardia que exibia a máscara da lógica.

Estava cansada de ser lógica e sentir medo. Seria tão errado tirar uma página do livro de sua irmã, das normas que Alice seguia, para variar? Agir por impulso, pegar o que pudesse conseguir?

Ó Deus, ela precisava de alguém para conversar, alguém para lhe fazer companhia. Alguém que pudesse, mesmo por pouco tempo, expulsar todas as dúvidas e preocupações.

Por que não deveria ser Edward?

Ela saiu correndo do quarto, antes de ter tempo de mudar de idéia. Por uma vez, nem mesmo se deu ao trabalho de pegar a câmera. Hesitou, impaciente, quando Sue a chamou.

— Estou de saída.

Bella parou na porta do escritório. Sue estava sentada a uma escrivaninha enorme, coberta de papéis e folhetos.

— Comecei a cuidar das reservas para o outono. — Sue tirou um lápis da orelha. —Temos um pedido para realizar um casamento na pousada em outubro. Nunca fizemos esse tipo de coisa antes. Querem que Emmet forneça o bufê. A cerimônia e a recepção seriam aqui. Seria maravilhoso se pudéssemos descobrir como fazer.

— Gostaria de ajudá-la agora, Sue, mas preciso sair.

— Desculpe. — Ela tornou a enfiar o lápis na orelha e sorriu, embaraçada. — Eu me distraí outra vez. Isso aconteceu durante toda a manhã. Sua correspondência está comigo. Ia entregar em seu quarto, mas o telefone tocou e não saí mais daqui nas últimas duas horas.

Como para confirmar a declaração, a campainha do telefone tocou nesse instante. Além disso, a segunda linha bipou, para anunciar a chegada de um fax.

— Se não é uma coisa, são duas, eu juro. Antes de sair, meu bem, pegue o pacote que chegou para você. — Sue atendeu ao telefone. — Pousada Santuário. Em que posso ajudar?

Bella não ouviu nada além do zumbido de colméia em seus ouvidos. Adiantou-se devagar, sentindo o ar ao seu redor engrossar, como se fosse água. O envelope pardo parecia áspero em sua mão quando o pegou. Seu nome fora escrito em letras maiúsculas, com uma caneta preta de ponta de feltro:

ISABELA SWAN

SANTUÁRIO

LOST DESIRE ISLAND, GEORGIA

O aviso no canto se destacava: FOTOS. NÃO DOBRE.

Não abra, ela disse a si mesma. Jogue no lixo. Não veja o que tem dentro. Mas seus dedos já rompiam o lacre, rasgavam a aba do envelope. Não ouviu a exclamação de surpresa de Sue quando virou o envelope e deixou as fotos caírem no chão. Com um gemido, Bella ficou de joelhos e começou a empurrar as fotos para um lado e outro, numa busca desesperada pela que esperava. A foto que importava.

Sem hesitação, Sue desligou o telefone — um pedido de reserva — e apressou se em contornar a mesa.

— Bella, o que é isso? Qual é o problema, Isabela? O que está acontecendo?

— Ele esteve aqui! Esteve na ilha!

Bella examinou as fotos de novo. Lá estava ela, andando na praia. Dormindo na rede, no fundo de uma duna, armando seu tripé à beira do pântano salgado.

Mas onde estava a foto que era a importante?

— Tem de estar aqui!

Alarmada, Sue levantou Bella e sacudiu-a. — Pare com isso! Quero que pare imediatamente! Porque reconhecia os sintomas, ela arrastou Bella até uma poltrona, obrigou-a a sentar e fez com que baixasse a cabeça entre os joelhos.

— Concentre-se em respirar. Isso é tudo o que tem de fazer. Não desmaie nas minhas mãos. Fique sentada, está bem? Não se mexa.

Ela foi até o banheiro para pegar um copo com água e molhar uma toalhinha. Quando voltou correndo, Bella continuava como a deixara. Aliviada, Sue ajoelhou-se e pôs a toalhinha na nuca.

— Fique calma. Procure se controlar.

— Não vou desmaiar — murmurou Bella, apática.

— Isso seria uma boa notícia para mim, posso garantir. Agora recoste-se, devagar, e tome um pouco de água. — Ela própria levou o copo aos lábios de Bella. Sentiu-se grata quando começaram a recuperar a cor. — Pode me contar o que aconteceu?

— As fotos... —Bella recostou-se e fechou os olhos. — Não escapei. No final das contas, não consegui escapar.

— Escapar do quê, querida? De quem?

— Não sei. Acho que estou enlouquecendo.

— Não diga bobagem.

Sue falou num tom ríspido e impaciente:

— Não sei o que é. Já aconteceu uma vez.

— Como assim?

Bella manteve os olhos fechados. Seria mais fácil dizê-lo dessa maneira.

— Tive um colapso há poucos meses.

— Oh, Bella... — Sue sentou no braço da poltrona e começou a acariciar os cabelos. — Por que não me disse que esteve doente, querida?

— Não podia contar. Depois que as fotos começaram a chegar, veio um momento em que não pude mais me controlar.

— Fotos como estas?

— A princípio, apenas fotos de meus olhos.

Ou dos olhos dela, pensou Bella, estremecendo. Nossos olhos.

— Isso é terrível. Você deve ter ficado apavorada.

— E fiquei. Disse a mim mesma que alguém tentava atrair minha atenção, para que eu o ajudasse a entrar no mercado.

— Provavelmente era apenas isso, mas foi uma maneira horrível de agir. Você deveria ter procurado a polícia.

— E dizer que alguém estava me mandando fotos... para mim, uma fotógrafa? —Bella abriu os olhos. — Pensei que poderia resolver o problema. Bastava ignorar que a pessoa desistiria. Até que recebi pelo correio um envelope como este. Cheio de fotos minhas e... uma foto que pensei que era de outra pessoa. Mas não era!

Bella concluiu com veemência. Teria de aceitar isso. Se nada mais, teria de aceitar esse fato.

— Apenas imaginei. Não era absolutamente. Apenas fotos minhas. Dezenas. E desmoronei.

— Decidiu então voltar para cá.

— Tinha de escapar. E pensei a sério que poderia escapar. Mas não consegui. Estas fotos foram tiradas na ilha. Ele está aqui, observando-me.

- E estas fotos vão para a polícia. — Numa fúria intensa, Sue levantou-se para pegar o envelope. — Carimbo postal de Savannah. Há três dias.

— De que adiantaria, Sue?

— Não saberemos até mandar.

— Ele pode estar ainda em Savannah ou ter viajado para qualquer outro lugar Pode até ter voltado para a ilha. — Bella passou as mãos pelos cabelos. Deixou-as cair de volta em seu colo. — Vamos pedir à polícia para interrogar todas as pessoas com uma câmera?

— Se for necessário. Que tipo de câmera? Onde e como foram reveladas? Quando foram tiradas? Deve haver uma maneira de descobrir algumas dessas coisas. De qualquer forma, é melhor do que ficar sentada de braços cruzados, sentindo-se apavorada, não é? Recupere sua coragem, Isabela.

— Quero apenas que isso acabe.

— Pois então faça com que desapareça. Estou envergonhada de que tenha deixado alguém fazer isso com você sem lutar. — Sue pegou uma foto e estendeu-a. — Quando esta foi tirada? Examine-a bem e descubra.

Bella sentiu o estômago embrulhar ao olhar para a foto. As palmas estavam úmidas quando estendeu a mão para pegá-la. O ângulo de iluminação era péssimo, projetando uma sombra por seu corpo. Ele era capaz de um trabalho muito melhor, pensou ela. Deixou escapar um longo suspiro. Ajudou-a pensar de uma forma objetiva, até mesmo crítica.

— Acho que ele se precipitou nesta foto. É uma área do pântano bastante aberta. Obviamente, ele não queria que eu soubesse que tirava as fotos, e por isso teve de se apressar.

— Ótimo. É assim que se faz. Quando esteve ali pela última vez?

— Há apenas dois dias... mas não levei o tripé. —Bella franziu a testa, enquanto se concentrava. — Esta foto deve ter sido tirada há duas semanas. Não, três. Estive ali na maré baixa, há três semanas, para fazer um estudo das lagoas de maré. Deixe-me ver outra foto.

— Sei que é difícil para você, mas gosto desta.

Sue ofereceu um sorriso animador ao estender a foto. Mostrava Bella aninhada no colo de Charlie. As sombras estendiam-se sobre os dois, fazendo com que a imagem fosse quase de sonho.

— O camping... — murmurou Bella. — No dia em que me trancaram no banheiro dos homens e papai abriu a porta. Não foram garotos. Foi o desgraçado. Ele me trancou no banheiro e depois esperou para tirar esta foto.

— Não foi no dia em que Jessica desapareceu? Já tem quase duas semanas.

Bella ajoelhou-se no chão outra vez, mas agora não sentia pânico. Tinha as mãos firmes, a mente focalizada. Examinou foto a foto, de maneira fria e objetiva.

— Não posso ter certeza de todas, mas aquelas que consigo reconhecer já foram tiradas há esse tempo, no mínimo. Portanto, devo presumir que todas foram. Não há nenhuma das duas últimas semanas. Ele se absteve. Esperou. Por quê?

— Ele precisava de tempo para revelá-las e selecioná-las. Para decidir quais fotos enviaria. Deve ter outras obrigações. Um emprego. Alguma coisa.

— Não. Acho que ele é bastante flexível nesse ponto. Tirou fotos de mim num trabalho que fiz em Hatteras e outras em Charlotte. Coisas do dia-a-dia. Não está preocupado com obrigações.

— Muito bem. Pegue sua bolsa. Vamos na próxima barca para o continente. Levaremos tudo isso para a polícia.

— Você está certa. É melhor do que ficar sentada de braços cruzados, sentindo medo. — Com todo cuidado, Bella enfiou uma foto depois de outra no envelope. — Peço que me desculpe, Sue.

— Pelo quê?

— Por não ter contado antes para você. Por não confiar o suficiente em você para relatar o que aconteceu.

— Deveria mesmo ter me contado. — estendeu a mim para ajudar Bella a se levantar. — Mas agora isso é um fato consumado e ficou para trás. Daqui por diante, você e todos os outros nesta casa terão de se lembrar de que somos uma família.

Não sei como você consegue nos aturar, Sue sorriu e acariciou o rosto de Bella.

Meu bem, devo confessar que não são poucas as ocasiões em que me pergunto a mesma coisa.