oi flores do meu jardim... fiquei tão animada com as reviews que tenho uma surpresa nesse capitulo... esse capitulo ta meio tenso no final... mas vcs vão adorar o próximo... o tão esperado momento da Bella e do Edcat... espero que gostem...
Ei, para onde vocês estão indo?
Alice avistou Sue e Bella no momento em que elas saíram pela porta lateral. Seus olhos faiscavam, o sorriso era esfuziante. Estava quase dançando.
— Bella e eu precisamos ir ao continente para resolver um problema — respondeu Sue. — Voltaremos...
Alice correu pela porta, passando apressada, antes que Sue pudesse segurá-la pelo braço.
— Não é uma viagem de passeio, Alice.
— Cinco minutos! — gritou Alice. — Só vou levar cinco minutos para me aprontar!
— Essa menina... — deu um suspiro. — Sempre quer ir para algum lugar em que não está. Vou dizer a ela que tem de ficar.
— Não. — Bella apertou os dois envelopes que tinha na mão. — Nas circunstâncias, pode ser melhor se ela souber o que está acontecendo. Até descobrirmos mais alguma coisa,acho que ela precisa ser cuidadosa.
O coração de Sue parou de bater por um instante, mas ela acenou com a cabeça em concordância.
— Tem razão. Avisarei a Emmet que vamos ao continente. Não se preocupe, querida. — passou a mão pelos cabelos de Bella. — Cuidaremos de tudo.
Porque teve medo de ficar para trás, Alice cumpriu o prometido. Sabia que Sue implicaria com o short curto que usava e por isso trocou para uma calça de algodão em tempo recorde. Escovou os cabelos e prendeu-os com um lenço verde na expectativa da viagem pelo mar. A caminho do cais particular de Santuário, ela retocou a maquiagem e falou sem parar.
Os ouvidos de Bella zumbiam quando embarcaram na velha e confiável lancha com cabine.
Outrora existira uma embarcação branca e reluzente, com frisos vermelhos. A Island Belle era o orgulho e alegria do pai, recordou Bella. Quantas vezes a família embarcara para navegar em torno da ilha, desafiar as ondas, fazer uma excursão inesperada ao continente para tomar um sorvete ou ir ao cinema?
Podia lembrar as ocasiões em que a pilotara, em cima dos pés do pai para ter mais altura. As mãos do pai pousavam de leve sobre as suas na roda do leme.
Um pouco para boreste, Isabela. É isso mesmo. Você possui um talento natural.
Mas Charlie vendera a lancha no ano seguinte à partida de Renée. Todas as substitutas haviam ficado sem nome. E a família não se reunira mais para passeios emocionantes.
Ainda assim, Bella sabia a rotina. Verificou o combustível, enquanto Alice e Sue soltavam os cabos. Numa reação automática, ajustou sua postura para compensar o ligeiro balanço junto do cais. As mãos seguraram o timão com facilidade. Ela sorriu quando o motor pegou no mesmo instante.
— Vejo que papai ainda a mantém em perfeitas condições.
— Ele retirou o motor para manutenção no inverno.
Sue sentou. Os dedos, nervosos, começaram a mexer na corrente de ouro que caía sobre a blusa branca engomada. Deixaria Bella pilotar, pois isso a ajudaria a permanecer calma.
— Estive pensando que a pousada deveria investir numa lancha nova, de aparência mais atraente. Poderíamos oferecer excursões em torno da ilha, com paradas em Wild Horse Cove, Egret Inlet, essas coisas. Claro que isso significa que teríamos de contratar um piloto.
— Papai conhece a ilha e o mar ao redor melhor do que qualquer um — comentou Bella.
— Sei disso. — Sue deu de ombros. — Mas sempre que levanto o assunto, ele resmunga e descobre que tem outra coisa para fazer. Charlie Swan não é um homem fácil de convencer.
— Poderia dizer a ele que teria melhores condições de vigiar tudo se pilotasse a lancha. — Bella verificou a bússola, fixou o curso e iniciou a travessia do estreito. — Teria condições de evitar que as pessoas destruíssem a vegetação ou desequilibrassem o ecossistema. Se outro pilotar, não vai se importar tanto, não será tão vigilante.
— É uma boa idéia.
— Se comprar uma lancha nova, ele terá a maior dificuldade para resistir. — Alice reajustou o nó do lenço que cobria sua cabeça. — E depois comente que precisa encontrar o piloto certo... não apenas alguém que seja experiente e competente, mas que também compreenda a fragilidade do meio ambiente e saiba como explicar isso aos turistas, para que entendam por que Desire permaneceu pura durante todos esses anos.
Bella e Sue viraram-se para fitar Alice, atônitas. Alice abriu os braços.
— Só é preciso saber como persuadir as pessoas, mais nada. Se você falar em educar os turistas para respeitarem a ilha e deixarem-na como a encontraram, esse tipo de coisa, papai não apenas vai aceitar, mas também acabará pensando que a idéia foi sua.
— Você é uma criança esperta e hábil, Allie — comentou Sue. — Sempre admirei isso em você.
— A ilha é a única coisa que importa para papai. — Alice inclinou-se sobre a amurada, para deixar que o vento batesse em seu rosto. — Usar esse recurso para persuadir papai não é esperteza, mas apenas básico. Não pode ir mais depressa, Bella? Eu poderia nadar nesse ritmo até Savannah.
Bella já se preparava para sugerir que Alice fizesse isso, mas limitou-se a dar de ombros. Por que não? Por que não ir mais depressa e sentir-se livre por algum tempo? Ela olhou para trás, observou a costa de Desire, a casa branca na colina, e depois aumentou a velocidade.
— Segurem-se!
A mudança abrupta na velocidade, Alice soltou um grito. Inclinou a cabeça para trás e riu. Ó Deus, como ela adorava ir para lugares! Qualquer lugar!
— Mais depressa, Bella! Você sempre pilotou essas banheiras melhor do que nós!
— E ela não pilota um barco há dois anos...
O comentário de Sue foi interrompido por um grito estridente, quando Bella deu uma guinada no timão, fazendo a lancha descrever uma curva larga e rápida. O coração disparado, ela se segurou na amurada com as duas mãos, enquanto Alice pedia por mais.
— Ei, lá está o barco de pesca de Jared Pendleton! Vamos passar por ele, Bella, fazer com que balance um pouco em nossa esteira!
— Isabela, não pode fazer isso! — Sue reprimiu a risada que aflorava em seus lábios. — Trate de se comportar!
Bella partilhou um raro sorriso com Alice, antes de revirar os olhos.
— Pois não, madame — murmurou ela, irônica.
Bella reduziu a velocidade, fez uma saudação para o barco de pesca e acrescentou:
— Eu queria apenas testar o motor e verificar a reação.
— Agora já sabe — declarou Sue, formal. — E espero que a viagem seja mais sossegada daqui por diante.
— Eu só quero chegar lá o mais depressa possível. — Alice recostou-se na amurada. — Estou ansiosa em ver uma porção de pessoas nas ruas. E tenho de fazer compras. Por que cada uma não compra uma roupa bonita? Vestidos de festa. E poderemos fazer uma festa. Todas elegantes, com música e champanhe. Há meses que não ponho um vestido novo.
— Porque seu armário já está quase estourando de tantas roupas — comentou Bella.
— Tudo roupa antiga. Nunca sentiu vontade de ter alguma coisa nova... apenas ter? Alguma coisa maravilhosa?
— Eu gostaria muito de ter um novo flash especial — respondeu Bella, sarcástica.
— Isso acontece porque você está mais interessada em vestir sua câmera do que a si mesma. — Alice inclinou a cabeça para o lado.
— Alguma coisa ousada e azul cairia bem em você, para variar. De seda. Com roupas de baixo também de seda. Assim, se algum dia deixar Edward chegar até elas, ele terá uma agradável surpresa. E aposto que você também teria.
— Marie Alice... — Sue ergueu a mão e contou lentamente até dez.
— A vida particular de sua irmã é isso mesmo... particular.
— Que vida particular? O cara está morrendo de vontade de entrar dentro desses jeans folgados que ela usa desde que a viu.
— Como sabe que isso já não aconteceu? — indagou Bella.
— Depois que ele conseguir, você vai se mostrar muito mais relaxada — respondeu Alice, com um sorriso felino.
— Se tudo o que é necessário para uma mulher relaxar é dar uma rapidinha, você já estaria em coma.
Alice apenas riu. Tornou a virar o rosto para o vento.
— Tenho me sentido muito serena esses dias, queridinha. O que é mais do que se pode dizer a seu respeito.
— Já chega, Alice. — Sue levantou-se. — Não vamos ao continente para fazer compras, mas sim porque sua irmã está com problemas. Ela queria que você viesse para lhe contar tudo, a fim de evitar que esses problemas também a atinjam.
— Mas do que está falando? — Alice empertigou-se. — O que aconteceu?
— Sente-se. — Sue pegou os envelopes que Bella trouxera. — Vamos contar tudo.
dez minutos depois, Alice examinava as fotos, sentia um frio no estômago, mas as mãos permaneciam firmes e a mente lúcida.
— Ele a está espreitando.
— Não sei se é essa a palavra certa.
Bella olhava pelo mar, na direção do tênue nevoeiro que era o continente.
— É exatamente isso e é assim que vamos relatar para a polícia. Há leis contra isso. Conheci uma mulher em Nova York que teve um problema parecido. O ex-namorado não a deixava em paz. Aparecia de repente, telefonava, seguia-a por toda parte. Viveu apavorada durante seis meses, até que a polícia decidiu tomar uma providência. Não é justo que você viva apavorada.
— Mas ela sabia quem era — ressaltou Bella.
— Você tem de descobrir quem é esse homem. — Porque as fotos a assustavam, Alice largou-as no banco. — Havia rompido com alguém íntimo na ocasião em que isso começou?
— Não. Nunca fui íntima de ninguém.
— Você não precisa pensar que tinha qualquer intimidade. Basta que ele pensasse. Estava namorando alguém... teve um único encontro?
— Não namorava ninguém e não tive nenhum encontro.
— Bella, você deve ter jantado com alguém, ido a um show, um almoço rápido.
— Não saí com ninguém.
— Não seja tão literal. Seu problema é que tudo tem de ser preto no branco em sua mente. Como as fotos. Mas até as fotos têm tonalidades de cinza, não é mesmo?
Sem ter certeza se devia se sentir insultada ou impressionada com a analogia da irmã, Bella franziu o rosto.
— Apenas não imagino...
— É justamente esse o problema. Faça uma lista dos homens que recusou quando a convidaram para sair. Talvez alguém a tenha convidado duas ou três vezes, você recusou e pensou que ele havia desistido.
— Estive muito ocupada durante o último ano. Praticamente não há ninguém.
— Assim será mais fácil encontrar o homem certo. — Alice cruzou as pernas, assumindo uma pose analítica. — Talvez haja alguém em seu prédio em Charlotte que tentou puxar conversa quando se encontraram no corredor. Abra a mente e tente se lembrar.
Ela fez uma pausa, antes de acrescentar, impaciente:
— Uma mulher sabe quando um homem tem interesse por ela, mesmo quando não sente nenhum por ele.
— Não prestei muita atenção.
— Pois então preste atenção agora. Pense um pouco. É você quem tem de permanecer no controle. Não pode deixar que esse homem saiba que conseguiu assustá-la. Não vai lhe proporcionar a satisfação de pensar que pode mandá-la outra vez para o hospital. — Alice inclinou-se e sacudiu o ombro de Bella. — Portanto, trate de pensar. Sempre foi a mais inteligente. Use a cabeça agora.
— Deixe-me ficar no timão, Bella. — Gentilmente, Sue desprendeu as mãos tensas de Bella. — Sente-se e respire fundo.
— Ela pode respirar mais tarde. Neste momento, tem de se concentrar em pensar.
— Vamos com calma, Alice.
— Não. — Bella sacudiu a cabeça. — Ela tem razão.
Ela lançou um longo olhar para a irmã, que se permitira pensar que era uma pessoa frívola. Mas desta vez via firmeza, substância.
— Você está certa. E faz as perguntas certas... que eu nunca me fiz. Quando eu for à polícia, vão me fazer as mesmas perguntas.
— Espero que sim.
— Muito bem. — Bella deixou escapar um suspiro tremulo. — Quero que me ajude.
— É o que estou fazendo. Vamos sentar. — Ela pegou o braço de Bella. Sentaram lado a lado. — Agora, pense primeiro nos homens.
— Não são muitos. Não os atraio como abelhas para o mel.
— Faria isso se quisesse, mas esse é outro problema. — Alice descartou o assunto com um aceno da mão. Uma coisa para ser resolvida mais tarde. — Talvez haja alguém com quem você tenha mantido contato regularmente. Não dá muita atenção, mas os dois se vêem com freqüência.
— O único homem que vejo regularmente é meu estagiário. Foi Mike quem me levou para o hospital. Estava presente quando o último envelope com fotos chegou pelo correio.
— Não era uma presença das mais convenientes? Bella arregalou os olhos.
— Mike? Isso é absurdo.
— Por quê? Disse que ele era seu estagiário. Isso significa que também é fotógrafo. Saberia como usar uma câmera, revelar um filme. Aposto que também sabia onde você estaria, qual era sua agenda sempre que partia para um trabalho.
— Claro. Mas...
— As vezes até ia com você, não é mesmo?
— Como parte de seu treinamento.
— E talvez sentisse alguma coisa por você.
— Isso é um absurdo. Ele só sentiu uma pequena atração a princípio.
— E mesmo? — Alice alteou uma sobrancelha. — E você correspondeu?
— Ele tem vinte anos de idade.
— E daí? — Alice deu de ombros. — Muito bem, você não foi para a cama com ele. Mas Mike era parte regular de sua vida, sentia-se atraído por você, sabia onde estaria, conhecia sua rotina e podia usar uma câmera. Eu diria que está no topo da lista curta.
Era assustador, ainda mais assustador do que as possibilidades sem rosto e sem nome.
— Ele cuidou de mim, levou me para o hospital.
Mike dissera que não vira a foto, recordou Bella, sentindo uma contração dolorosa no estômago. Só os dois estavam presentes e ele dissera que não vira.
— Ele sabe que você voltou para Santuário?
— Sabe. Eu... —Bella fez uma pausa, fechando os olhos. — É verdade, ele sabe onde estou. Falamos pelo telefone esta manhã. Ele me ligou.
— Por que ele telefonou para você? — indagou Alice. — O que ele disse?
— Deixei um recado para que entrasse em contato comigo. Era importante... eu precisava perguntar uma coisa. E ele me ligou hoje.
Sue lançou um rápido olhar para trás.
— De onde ele ligou?
— Não perguntei... e ele não disse. — Com um supremo esforço, Bella conteve o medo crescente. — Não faz qualquer sentido Mike ter mandado as fotos. Há meses que eu trabalhava com ele.
— É por esse tipo de relacionamento que a polícia vai se interessar — insistiu Alice. — Quem mais sabe onde você está... ao que tenha certeza?
— Meu editor. — Bella ergueu a mão para massagear a têmpora. — A agência do correio, o chefe da portaria do prédio, o médico que me tratou no hospital.
— Isso significa que qualquer um que quisesse saber poderia descobrir. Mas Mike permanece no alto da lista.
— Isso me faz sentir nauseada... nauseada e desleal. Mas é lógico. — Bella fez uma pausa, apertando o alto do nariz com o polegar e o indicador. — Ele é bastante bom para ter tirado as fotos... se estivesse concentrado, sem se apressar. Tem muito potencial, mas ainda comete erros... precipitações, opções erradas no laboratório. Isso pode explicar por que algumas fotos não têm tanta qualidade quanto outras.
— O que há de errado com elas? Curiosa, Alice pegou algumas fotos.
— Algumas têm sombras muito acentuadas ou estão fora de enquadramento. Está vendo aqui? — Ela indicou a sombra que incidia sobre seu ombro em uma das fotos. — Ou esta aqui. Os tons não estão bem definidos. Algumas estão manchadas de uma maneira que sugere que ele usou um filme para outro tipo de luz e depois ampliou demais no laboratório. Ou algumas estão esmaecidas... negativos com pouca exposição. E falta criatividade em outras.
— Acho que está sendo muito rigorosa. Você aparece muito bem em quase todas.
— A composição não é tão cuidadosa e artística quanto as que foram tiradas em Charlotte ou Hatteras. Na verdade... — ela franziu o rosto, como se estivesse repassando as outras fotos, uma a uma — ... se estou lembrando direito, as últimas fotos são menos profissionais, menos criativas. Como se ele estivesse se tornando entediado... ou descuidado.
Bella fez uma pausa.
— Um estudante no primeiro ano, com algum talento e um bom equipamento, poderia tirar esta foto minha na rede. O alvo está relaxado, não sabe que é fotografado, a iluminação é boa porque é filtrada através das árvores. É uma foto fácil. Já tem tudo armado. Mas nesta aqui, a foto na praia, deveria ter usado um filtro amarelo para reduzir o clarão, suavizar as sombras, definir as nuvens. Isso é básico. Mas ele não se deu a esse trabalho. A foto perde a textura, o drama. É um erro cometido por descuido... um erro que ele nunca havia cometido antes.
Ela tirou as fotos do outro envelope.
— Aqui está outra foto na praia, desta vez em Hatteras. Um ângulo similar, mas ele usou um filtro, não se precipitou. A textura da areia, meus cabelos esvoaçando ao vento, a posição da gaivota sobrevoando as ondas, uma boa definição da nuvem. É uma foto adorável, à altura de uma exposição, enquanto a outra, a que foi tirada aqui, é inferior.
Mike foi com você para Hatteras?
— Não. Trabalhei sozinha.
— Mas há muito mais pessoas em Hatteras em comparação com Desire. Você poderia não tê-lo notado. Ainda mais se ele usasse um disfarce.
— Um disfarce? Ora, Alice, não acha que eu teria percebido se encontrasse alguém com óculos de Groucho Marx e um narigão falso?
— Com a maquiagem apropriada, uma peruca, uma linguagem do corpo diferente, eu poderia passar por você na rua e não me reconheceria. Não é tão difícil assim ser outra pessoa. — Alice sorriu. — Faço isso o tempo todo. Pode ter sido esse seu estagiário ou meia dúzia de outras pessoas que você conhece. Pintar os cabelos, usar um chapéu, óculos escuros. Deixar crescer ou raspar a barba. Tudo o que sabemos com certeza é que ele esteve em Hatteras e esteve aqui.
Bella acenou com a cabeça, lentamente.
— E pode voltar.
— Isso mesmo. — Alice pegou a mão da irmã. — Mas agora estaremos atentos à sua presença.
Bella olhou para a mão que cobria a sua. Não deveria surpreendê-la, ela refletiu, encontrar aquela mão ali, descobrir que era quente e firme.
— Eu deveria ter falado com vocês duas antes. Deveria ter contado tudo. Mas queria resolver sozinha.
— Isso é novidade — disse Alice, jovial. — Prima Sue, Bella diz que queria cuidar de alguma coisa sozinha. Dá para imaginar, a garota original do "saia da minha frente que eu mesma faço" querendo cuidar de alguma coisa sozinha?
— Muito engraçada... — murmurou Bella. — Também não dei crédito suficiente à sua disposição para me ajudar.
— Más notícias, Sue. — Alice não desviava os olhos de Bella. — É uma depois de outra. Bella não me deu crédito suficiente como um ser humano inteligente, com um pouco de compaixão. Não que ela ou qualquer outra pessoa jamais tenha percebido, mas essa é a notícia que aparece agora.
— Eu havia esquecido como você éboa no sarcasmo... e como provavelmente mereci os comentários mordazes, não vou estragar ao demonstrar que sou melhor no sarcasmo do que você pode imaginar.
Antes que Alice pudesse falar, Bella virou a mão e entrelaçou os dedos nos dela.
— Eu me sentia envergonhada. Quase tanto quanto assustada. Envergonhada por ter sofrido um colapso. E não queria que minha família soubesse.
A compaixão envolveu Alice. Ainda assim, ela manteve o sorriso no rosto e a jovialidade na voz.
— Ora, Isabela, isso é um absurdo. Somos sulistas. Há bem poucas coisas que admiramos mais do que os lunáticos de nossa família. Esconder no sótão os parentes pirados é uma característica dos ianques. Não é mesmo, Sue?
Surpresa e orgulhosa da garota mais nova, Kate olhou para trás.
— É sim, Allie. Uma boa família sulista apoia seus malucos e os exibe na sala de visitas, junto com sua melhor porcelana.
A própria risada breve fez Bella piscar de surpresa.
— Não sou uma lunática.
— Ainda não. — Alice apertou a mão da irmã, num gesto afetuoso. — Mas, se continuar assim, pode acabar se tornando como a tia-avó Lida. Pelo que me recordo, ela usava um vestido com lantejoulas dia e noite e alegava que Fred Astaire vinha buscá-la para dançar. Com algum esforço, você pode aspirar a isso.
Bella riu de novo, desta vez uma risada mais longa e alegre.
— Talvez possamos fazer algumas compras, no final das contas. É possível que eu encontre um vestido com lantejoulas, para qualquer emergência.
— Sua cor é o azul. — E como sabia que era mais fácil para ela do que para a irmã, Alice abraçou-a e apertou com força. — Esqueci de lhe dizer uma coisa, Bella.
— O que é?
— Seja bem-vinda de volta ao lar.
já passava das seis horas quando elas voltaram para Santuário. Haviam feito compras no finaldas contas, e carregavam muitas bolsas e caixas para comprová-lo. Sue ainda se perguntava como permitira que Alice a levasse por aqueles frenéticos noventa minutos de delírio comprista. Mas já sabia a resposta.
Depois de passarem uma hora na delegacia de polícia, todas precisavam fazer alguma coisa insensata.
Quando entraram na cozinha, ela já estava preparada para o protesto de Emmet. Ele viu a prova da traição nos braços carregados das três e resmungou:
— Essa é muito boa, não é? Tenho seis mesas ocupadas, estou atolado no preparo da comida e vocês saem para fazer compras. Tive de chamar Sissy Brodie para servir às mesas e ela não tem um pingo de bom senso. Papai está cuidando das bebidas... que oferecemos de graça, como um meio de compensar o péssimo serviço. E acabei de queimar dois pedidos de galinha porque a desmiolada da Sissy derrubou um prato de fettuccine de camarão à Alfredo no colo de Becky Fitzsimmons e tive de sair daqui para limpar.
— Becky Fitzsimmons está aqui e você manda Sissy servi-la? — Alice largou suas bolsas no balcão. — Não sabe de nada, Emmet Swan? Sissy e Becky são inimigas irreconciliáveis desde que brigaram por causa de Jesse Pendleton, que levava as duas para a cama durante quase seis meses. Até que Sissy descobriu e partiu para cima de Becky na porta da igreja, depois do serviço da Páscoa, e chamou-a de puta com cara de sapo. Houve necessidade de três homens fortes para separá-las.
Alice tirou o lenço da cabeça e sacudiu-a para soltar os cabelos, enquanto recordava a cena com evidente satisfação.
— Um prato de fettuccine de camarão não é nada. Teve sorte de Sissy não pegar um de seus facões e partir para o ataque.
Emmet respirou fundo para não perder a paciência.
— Já me sinto grato por essa bênção. Agora, pegue um bloco de pedidos e comece a trabalhar. Já está uma hora atrasada.
— A culpa é minha, Emm. — Bella preparou-se para as críticas quando o irmão virou-se para fitá-la. — Eu precisava de Allie e acho que perdemos a noção do tempo.
— Não posso me dar ao luxo de perder a noção de qualquer coisa, e não preciso de você para entrar na minha cozinha e assumir a culpa, quando ela é irresponsável demais ao fazer o que não deveria.
Ele levantou a tampa da panela em que dourava o peito de galinha e virou-o, enquanto acrescentava para Sue:
— E não tente aliviar a situação. Não tenho tempo para ouvir desculpas.
— Eu nem sonharia em oferecer alguma — respondeu Sue, empertigando-se. — Mais do que isso, nem sonharia em desperdiçar meu fôlego com alguém que fala comigo dessa maneira.
Ela empinou o queixo e foi para a sala de jantar, a fim de ajudar Charlie com as bebidas.
— A culpa foi minha, Emm — reiterou Bella. — Sue e Alice...
— Não perca seu tempo. — Alice acenou com a mão, num gesto jovial, para disfarçar a irritação que sentia. — Ele não vai mesmo ouvir. Afinal, já sabe tudo o que há para saber.
Ela pegou um bloco de pedidos e deixou a cozinha.
— Fútil, frívola, irresponsável — resmungou Emmet.
— Não fale assim de Alice. Ela não é nenhuma dessas coisas.
— Mas o que aconteceu? As duas fizeram uma aliança repentina enquanto faziam compras? Procuraram sapatos juntas e descobriram no processo que são almas gêmeas?
— Não pensa muito bem da espécie, não é? Eram as mulheres que eu precisava, as mulheres que se puseram à minha disposição. Se chegamos um pouco mais tarde do que convinha a você...
— Convinha a mim? — Emmet pôs a galinha numa travessa e acrescentou as guarnições. Não permitiria que as mulheres arruinassem sua apresentação. — Não éuma questão do que me convém. É uma questão de administrar uma pousada, manter uma reputação que estamos desenvolvendo há vinte e cinco anos. É uma questão de deixar a espera vinte pessoas à procura de uma boa refeição, servida de uma maneira rápida e eficiente. É uma questão de cumprir a palavra.
— Você tem todo o direito de ficar furioso. Mas fique comigo. Fui eu quem as tirou daqui hoje.
— Não se preocupe. — Emmet encheu um cesto com pequenas broas de milho. — Sinto raiva suficiente de você.
Ela olhou para as panelas fumegando no fogão, os legumes já cortados na tábua. Os pratos acumulavam-se na pia. Emmet trabalhava de uma maneira um tanto desajeitada, prejudicado pela mão lesionada.
Era mesmo uma situação difícil, concluiu Bella. E todos tinham uma parcela de responsabilidade.
— O que quer que eu faça para ajudar? Posso cuidar da louça...
— Pode ficar longe do meu caminho — declarou Emmet, sem fitá-la. — É o que você faz melhor, não é mesmo?
Ela absorveu o golpe, aceitou a culpa.
— Acho que sim.
Bella saiu pela porta dos fundos, sem dizer mais nada. Santuário não era um lugar proibido para ela, pensou, não como imaginava em seus sonhos. Mas o caminho de ida e volta seria sempre difícil e acidentado.
E Emmet tinha razão. Ela sempre fora hábil em se manter a distância, em deixar para os outros os prazeres e os problemas que fervilhavam naquela casa.
E não tinha certeza se queria que fosse diferente.
Bella foi andando pela floresta. Se alguém a observava, muito bem. Que tirasse fotos suas até ficar com os dedos dormentes. Não levaria uma vida dominada pelo medo. Esperava mesmo que ele estivesse ali. Torcia para que estivesse. E bem perto. Torcia para que se mostrasse. Agora. Naquele momento.
Ela parou, virou-se, fez um círculo lento, a expressão ameaçadora, enquanto esquadrinhava as sombras de um verde escuro. Uma confrontação combinaria perfeitamente com seu ânimo. Não havia nada que ela apreciaria mais naquele momento do que uma boa luta física.
— Sou mais forte do que você pensa. — Ela falou em voz alta e escutou o tom furioso de sua própria voz ecoar em resposta: — Por que não aparece, cara a cara, para descobrir, seu filho da puta?
Bella pegou um galho pequeno caído no chão e bateu com ele na palma da mão.
— Isso mesmo, você é um filho-da-puta. Pensa que pode me assustar com uma pilha de fotos de segunda classe?
Ela bateu com o galho numa árvore. Ficou satisfeita com a onda de choque que se espalhou por seu braço. Um pica-pau saiu do tronco, por cima dela, e voou para longe.
— Sua composição é péssima, a iluminação pior ainda. O que você sabe sobre captar ânimo e textura não caberia num dedal. Já vi fotos melhores de uma criança de dez anos usando uma Kodak descartável.
Os dentes cerrados, ela esperou, ansiosa em ver alguém, qualquer pessoa, surgir na sua frente. Queria que ele a atacasse. Queria fazê-lo pagar. Mas nada aconteceu, apenas o sussurro do vento entre as folhas, os estalos das folhas das palmeiras. A claridade mudou, foi diminuindo pouco a pouco.
— Agora estou falando sozinha — murmurou Bella. — Nesse ritmo, estarei tão pirada quanto a tia-avó Lida antes de chegar aos trinta anos.
Ela jogou o galho para longe. Observou-o voar dando voltas, num arco, até cair numa moita espessa.
Não viu os tênis velhos a poucos centímetros do lugar em que caiu, nem as bainhas desfiadas do jeans desbotado. Embrenhou-se ainda mais pela floresta e não ouviu o som tenso de respiração contida, nem o sussurro rouco que vibrava de intensa emoção.
— Ainda não, Isabela. Ainda não. Não enquanto eu não estiver pronto. Mas agora terei de machucá-la. Agora terei de fazer com que se arrependa.
Ele ergueu-se devagar. Decidiu que mantinha o controle absoluto, nem sequer notou o sangue que surgiu em sua palma quando cerrou os punhos.
Pensava que sabia para onde ela ia; e como conhecia a floresta, cortou caminho entre as árvores para chegar primeiro.
