é isso ai SURPRESA...capitulo duplo especialmente pra vcs... esse capitulo está simplesmente ... bjuxx^^ e não se esqueçam da minhas reviews...


Bella não sabia que tomara a decisão de ir ao chalé de Edward até que estava quase chegando lá. No momento mesmo em que parou e pensou em mudar de rumo, ouviu o som de passos aproximando-se. Houve um fluxo de adrenalina, ela cerrou os punhos, contraiu os músculos. Virou-se, preparada para o ataque.

O crepúsculo aumentava ao seu redor, diminuindo a claridade, deixando o ar mais denso. No céu, uma fatia de lua pairava entre a luz e a escuridão. A água murmurava ao esbarrar na vegetação nas margens do rio. Numa súbita rajada de vento, uma garça subiu pelo ir, voando para longe.

E Edward saiu das sombras.

Passou a andar mais devagar ao vê-la e parou a meio metro de distância. Os tênis e as bainhas desfiadas dos jeans estavam úmidos, os cabelos esvoaçando à brisa. Ao notar que ela assumira uma posição de combate, Edward levantou uma sobrancelha.

— À espera de uma briga?

Bella ordenou que os dedos se abrissem, um a um.

— Pode ser.

Ele adiantou-se e bateu de leve no queixo de Bella.

— Creio que posso derrubá-la em dois rounds. Quer tentar?

— Talvez em outra ocasião.

O sangue que zumbira nos ouvidos de Bella já começara a assentar. Edward tinha ombros largos, ela pensou. Um bom lugar para encostar a cabeça... se você era desse tipo.

— Emmet me expulsou de sua cozinha. —Bella enfiou as mãos nos bolsos. — Saí para dar uma volta.

— Eu também. Mas cansei de andar. — Edward abriu a mão e passou os dedos pelos cabelos de Bella. — E você?

— Ainda não decidi.

— Por que não entra... — Ele pegou a mão de Bella, acariciando os dedos. — Pense a respeito.

Bella ergueu o rosto para fitá-lo nos olhos.

— Não pode querer que eu entre e pense, Edward.

— Então entre sem pensar. Já jantou?

— Ainda não.

—Aqueles filés continuam esperando. — Ele apertou com mais firmeza a mão de Bella e começou a conduzi-la para o chalé. — Por que Emmet a expulsou?

— Crise na cozinha. A culpa foi minha.

—Acho que não vou lhe pedir para me ajudar a fazer os filés. — Edward entrou e acendeu a luz. — Só tenho para acompanhar batatas fritas congeladas e um Bordeaux branco.

— Parece perfeito para mim. Posso usar seu telefone? Preciso avisar que não voltarei... por algum tempo.

— À vontade.

Edward foi até a geladeira e tirou os filés do congelador. Bella estava muito nervosa, pensou ele, enquanto levava a carne até o microondas para descongelar. Furiosa por cima, infeliz por baixo.

Ele se perguntou por que sentia uma necessidade tão intensa de descobrir as razões para as três coisas. Ouviu o murmúrio da voz de Bella, enquanto olhava perplexo para os controles do microondas. Já ia tomar uma decisão executiva e torcer pelo melhor quando ela desligou e aproximou-se.

— Essa parte eu conheço. —Bella apertou uma série de botões. — Sou uma perita em microondas.

— Eu me saio melhor quando a embalagem dá as instruções. Vou acender a grelha. Tem alguns CDs ali, se você quiser ouvir música.

Ela foi até a pilha de CDs, junto do estéreo compacto, na mesinha de canto ao lado do sofá. Parecia que ele preferia um rock puro, sem frescuras, com uma mistura daqueles primeiros rebeldes, Mozart e Beethoven.

Bella não conseguia tomar uma decisão, não podia se concentrar no ato simples de escolher entre "Moonlight Sonata" e "Sympathy for the Devil".

Romance ou paixão ardente, ela perguntou a si mesma, impaciente. O que você quer? Basta tomar uma decisão sobre o que prefere neste momento e ir em frente.

— O fogo não deve demorar a ficar bom — avisou Edward, enquanto recuava da grelha e limpava as mãos nos jeans. — Se você...

— Sofri um colapso.

Ele baixou as mãos, lentamente.

— Tudo bem.

— Achei que você deveria saber antes que a situação vá mais longe do que já foi. Passei algum tempo no hospital em Charlotte. Tive um colapso, um colapso mental, antes de voltar para cá. Talvez eu seja louca.

Os olhos de Bella eram eloqüentes, os lábios comprimiam-se com força. Edward concluiu que tinha cinco segundos para determinar como lidar com a situação.

— Que tipo de loucura? A loucura de correr nua pelas ruas e advertir as pessoas de que precisam se arrepender? Ou a loucura de alegar que foi abduzida por alienígenas? Porque não estou completamente convencido de que as pessoas que dizem ter sido abduzidas por alienígenas são mesmo loucas.

A boca de Bella não relaxou, mas entreabriu-se.

— Ouviu o que eu disse?

— Claro que ouvi. Só estou pedindo um esclarecimento. Aceita uma bebida?

Ela fechou os olhos. Talvez os lunáticos fossem atraídos para os lunáticos.

— Ainda não corri nua pelas ruas.

— Melhor assim. Eu precisaria pensar duas vezes se isso tivesse acontecido.

Porque ela começou a andar de um lado para outro, Edward decidiu que tocá-la não era a melhor coisa a fazer naquele momento. Ele foi até a geladeira, para pegar a garrafa de vinho e abri-la.

— Isso significa que você foi abduzida por alienígenas... e se foi, é verdade que eles parecem com Ross Perot?

— Não consigo entendê-lo — murmurou Bella. — Não consigo entendê-lo nem um pouco. Passei duas semanas sob avaliação psiquiátrica. Não estava com a cabeça em ordem.

Ele serviu o vinho em dois copos.

— Parece que está muito bem agora — comentou Edward, a voz gentil, entregando um dos copos.

— Você não sabe de nada. — Ela gesticulou com o copo antes de beber. — Estive a um passo de sofrer outro colapso hoje.

— Está se gabando ou se queixando?

— Fui fazer compras depois. — Bella virou-se, dando uma volta pela sala. — Não é um sinal de estabilidade cambalear à beira de um colapso emocional e depois sair para comprar lingerie.

— Que tipo de lingerie?

Os olhos contraídos, ela fitou-o com uma expressão furiosa.

— Estou tentando me explicar.

— E eu estou escutando. — Edward resolveu correr o risco. Ergueu a mão para roçar os dedos pelo rosto dela. Bella, pensou que eu reagiria ao ouvir isso me afastando de você e dizendo que fosse embora?

— Talvez... — Bella deixou escapar o ar retido nos pulmões. — Pensei.

Edward beijou-a na testa, o que a deixou com os olhos ardendo.

— Então você é mesmo louca. Sente-se e me conte o que aconteceu.

— Não posso sentar.

— Está bem. — Ele encostou-se no balcão da cozinha. — Ficaremos em pé. O que aconteceu?

— Eu... foi... uma porção de coisas. Trabalho relacionado com estresse. Mas isso não me incomoda. Posso usar o estresse. Serve para manter a pessoa motivada, concentrada. Sempre aproveitei as pressões e prazos improrrogáveis. Gosto de ter meu tempo marcado, minha rotina determinada e cumprida. Quero saber quando tenho de me levantar pela manhã, o que farei em primeiro lugar, em segundo, por último.

— Ou seja, podemos dizer que a espontaneidade não é o seu forte.

— Um ato espontâneo e todo o resto muda. Como se pode manter o controle?

— Um ato espontâneo e a vida se torna uma surpresa, mais complicada, mas com freqüência mais interessante.

— Pode ser verdade, mas não estou à procura de uma vida interessante. — Bella virou-se. — Só queria uma vida normal. Meu mundo explodiu uma vez e nunca fui capaz de recolher os pedaços. Por isso, construí outro mundo. Tinha de fazê-lo.

Edward ficou tenso, empertigou-se, o vinho que perdurava em sua língua pareceu azedar.

— Por causa de sua mãe?

— Não sei. Pelo menos em parte, deve ser. Foi o que os psiquiatras pensaram. Ela era mais ou menos da minha idade quando nos deixou. Eles acharam que esse fato era muito interessante. Eu repetia o ciclo ao abandonar a mim mesma?

Ela sacudiu a cabeça e tornou a ficar de costas para Edward.

— Mas não foi apenas isso. Convivi com isso durante a maior parte de minha vida. E agüentava firme. Fazia minhas opções e seguia em frente, em linha reta, sem desvios. Gostava do que fazia, dos lugares para onde ia. Era satisfatório.

Como sabia que sua mão não se manteria firme, Edward largou o copo no balcão.

— Bella, o que aconteceu antes, o que outras pessoas fizeram, não importa quem eram para nós, não pode destruir o que somos. O que temos. Não podemos deixar que isso aconteça.

Ela fechou os olhos, aliviada e acalmada pelas palavras.

— É o que digo a mim mesma. Todos os dias. Comecei a ter sonhos. Sempre tive sonhos muito intensos, mas esses me deixavam nervosa. Não dormia bem, não comia direito. Não posso me lembrar se isso começou antes ou depois que as primeiras fotos chegaram.

— Que fotos?

— Alguém começou a mandar fotos que tirava de mim. Apenas os olhos, a princípio. Apenas os olhos. — Bella passou a mão pelo braço, para se livrar do calafrio. — Era assustador. Tentei ignorar, mas a coisa não parou. Até que chegou um pacote, com dezenas de fotos minhas. Em casa, no trabalho, no supermercado. Em todos os lugares a que ia. Ele sempre estava por perto, vigiando-me.

A mão passou a esfregar o peito, devagar, por cima do coração disparado.

— E pensei ter visto... outra coisa. Mas era uma alucinação. Entrei em pânico. E sofri o colapso.

A raiva dominou Edward, intensa, implacável.

— Algum desgraçado a persegue, atormenta, espreita por toda parte e você se culpa por perder o controle?

As mãos eram firmes agora quando ele as estendeu para pegar Bella e puxá-la.

— Não enfrentei isso.

— Pare com isso. Quanto alguém é capaz de enfrentar? Que filho-da-puta, submetendo-a a essa pressão! Ele olhava por cima do ombro de Bella, desejando ter alguma coisa contra a qual lutar, alguém para esmurrar. O que a polícia de Charlotte fez?

— Não apresentei queixa em Charlotte.

Bella arregalou os olhos quando ele recuou, num movimento brusco. E arregalou mais ainda quando viu a fúria nos olhos de Edward.

— E por que não apresentou queixa? Vai deixá-lo escapar impune? Sem fazer nada?

— Eu tinha de escapar. Só queria sair de lá. Não podia enfrentar a situação. Mal conseguia pensar.

Quando percebeu que seus dedos apertavam os ombros dela, Edward largou-a. Pegou seu copo e afastou-se alguns passos. Lembrou como ela parecia quando a vira pela primeira vez na ilha. Pálida, exausta, os olhos magoados e infelizes.

— Você precisava de um santuário.

A respiração de Bella saiu em três arrancos.

— Acho que sim. Mas descobri hoje que não havia encontrado. Ele esteve aqui. — Decidida, ela reprimiu um novo ataque de pânico. — Despachou de Savannah fotos que tirou de mim na ilha.

Um novo ímpeto de fúria dominou Edward. Virou-se lentamente, recorrendo a toda a sua capacidade de controle.

— Neste caso, vamos descobri-lo. E detê-lo.

— Nem mesmo sei se ele continua na ilha. Se voltará, se... Não sei por que ele age assim, e isso é o pior de tudo. Mas estou enfrentando agora, lidando com o problema.

— E não precisa enfrentar sozinha. Você é importante para mim, Bella. Não deixarei que enfrente tudo sozinha.

— Talvez seja por isso que vim até aqui. Talvez seja por isso que senti necessidade de procurá-lo.

Edward tornou a largar o copo de vinho, para poder pegar o rosto de Bella entre as mãos.

— Não deixarei que ninguém a machuque. Pode ter certeza.

Ela acreditou, com facilidade demais, com convicção demais. Tentou recuar.

— É bom saber que você está do meu lado, mas tenho de ser capaz de lidar com o problema.

— Não. — Ele baixou o rosto para beijá-la. — Não precisa fazer isso.

O coração de Bella começou a palpitar, num tipo diferente de pânico.

— A polícia disse...

— Procurou a polícia?

— Hoje. Eu... — Ela perdeu a linha de pensamento quando Edward tornou a beijá-la. — Disseram que iam investigar, mas que não podiam fazer muita coisa, porque não fui ameaçada.

— Você se sente ameaçada. — Ele desceu as mãos para os ombros de Bella. — Isso é mais do que suficiente. Temos de fazer com que pare.

Edward roçou os lábios pelo rosto, a têmpora e os cabelos dela, enquanto murmurava:

— Cuidarei de você.

As palavras giraram em sua mente conturbada, que se recusava a absorvê-las.

— Como?

Edward duvidava que qualquer dos dois estivesse preparado para encarar o que ele descobrira subitamente. Precisava cuidar dela, afastar seus problemas, tranqüilizar seu coração. E precisava ter certeza de que suas ações não romperiam os tênues laços do relacionamento que começavam a se consolidar.

— Deixe o problema de lado por um momento. Tire uma noite para relaxar.

Ele passou os dedos para cima e para baixo da coluna de Bella, antes de recuar um passo para estudá-la.

— Nunca vi ninguém que precisasse tanto de um filé malpassado e um copo de vinho.

Bella compreendeu que ele estava lhe dando um tempo. O que era bom. O que era o melhor. Ela conseguiu sorrir.

— Parece uma boa perspectiva. Seria ótimo não ter de pensar a respeito de tudo isso durante uma hora.

— Muito bem. Começarei a preparar a carne, enquanto você pega as batatas fritas. E pode ter certeza de que vou entediá-la até as lágrimas falando sobre meu novo projeto.

— Pode tentar, mas não choro com facilidade. — Ela virou-se para o freezer, abriu-o, tornou a fechar. — Não gosto de sexo.

Edward afastou-se um passo do microondas. Foi necessário tossir uma vez antes de poder fitá-la de novo.

— Como?

— Obviamente, isso é parte do pacote que estamos montando aqui.

Bella cruzou as mãos. Era melhor abordar o assunto antes, pensou ela. Mais prático. Especialmente agora que as palavras haviam sido enunciadas e não podiam ser retiradas.

Edward decidiu que precisava tomar mais vinho. Pegou o topo e tomou um gole longo e lento.

— Você não gosta de sexo.

— Não detesto. — Bella separou as mãos para poder acenar. - Não é como coco.

— Coco...

— Detesto coco... o simples cheiro me causa repulsa. O sexo é mais como... não sei... flã.

— Sexo é como flã.

— Sou ambivalente em relação ao sexo.

— Ahn... Ou seja, pegar ou largar. Se encontra, tudo bem, mas porque se dar ao trabalho de procurar?

Os ombros de Bella relaxaram.

— É mais ou menos isso. Achei que era melhor lhe dizer antes, para que você não tenha grandes expectativas se formos para a cama. Edward passou a língua pelos dentes.

— Talvez você não tenha encontrado um flã bem preparado... em sua experiência.

Ela riu.

— É tudo a mesma coisa.

—Acho que não. — Edward terminou de tomar o vinho e largou o copo vazio. Seus olhos passaram de divertidos para cautelosos quando se adiantou: — E me sinto obrigado a debater o assunto. Agora.

— Não foi um desafio, Edward. Foi apenas... — As palavras ficaram presas na garganta quando ele a levantou. — Espere um instante.

— Participei da equipe de debates na escola.

Era mentira, mas ele pensou que era uma alegação boa demais para deixar escapar.

— Não falei que ia para a cama com você.

— Por que se importa? — Ele começou a levá-la pelo corredor. — Lembra que disse que era ambivalente?

Edward largou-a na cama e deitou por cima, enquanto acrescentava:

— E um pouco de flã nunca fez mal a ninguém.

— Não quero...

— Quer sim. — Ele baixou o rosto, as bocas separadas apenas por um ou dois centímetros. — Eu também quero... e quero desde o início. Está num ânimo de franqueza esta noite, não é mesmo, Bella? Vai me dizer que não especula como pode ser... que não quer?

O corpo de Edward era firme e quente, os olhos claros e diretos.

— Claro que especulo.

— Isso é suficiente.

Ele beijou-a. E o gosto desse beijo, a necessidade que aflorou de repente, intensa, afastou todas as preocupações da mente de Bella. Grata, sabendo que Edward esperaria mais do que ela tinha a oferecer, Bella ergueu os braços para enlaçá-lo.

— Sua boca... — Ele roçou os dentes pelo maravilhoso lábio superior. — Ó Deus, sempre desejei essa boca... ela me deixa louco.

Bella teve vontade de rir... e quase riu. Mas depois a língua de Edward se encontrou com a sua e um calor inesperado espalhou-se, para latejar entre suas pernas. Foi preciso apenas um gemido para que ele aprofundasse o beijo ainda mais.

Atordoada, Bella fechou os punhos nos cabelos dele. Edward não a beijara assim antes. Numa imaginara que a pressão de boca em boca pudesse causar mil ânsias, em mil lugares diferentes. As mãos de Edward continuaram a emoldurar seu rosto, como se tudo o que ele quisesse se concentrasse ali.

Ela mexeu-se por baixo dele, um tremor, logo acompanhado pelos quadris erguendo-se. Edward teve de afastar os lábios da boca de Bella e comprimi-los contra o pescoço para evitar que ambos se precipitassem. O cheiro de sua pele, uma fragrância de início da primavera, era um estimulante para seu corpo. E ele continuou a beijá-la no pescoço, atormentando a ambos, até que a pulsação sob sua língua disparou.

Começava a relaxá-la, a desatá-la, nó a nó. Momento a momento, o corpo de Bella soltava-se mais e mais, os sobressaltos e tremores interiores espalhavam-se, aumentavam de intensidade. Havia excitamento em não ser capaz de recuperar o fôlego, em não ter certeza sobre os rumos da boca dele. Encantada, ela passou as mãos por seus ombros, desceu pelas costas, fascinada pela firmeza dos músculos.

Quando os lábios de Edward voltaram aos seus, sôfregos, ela recebeu-os agradecida, exultante com os tremores nervosos que provocavam por todo o seu corpo. Tornou a arquear as costas, um pouco frustrada pelas barreiras que o impediam de possuí-la. A necessidade de liberação física era maior do que imaginara. Ele deu uma mordida de leve no lóbulo de sua orelha enquanto murmurava:

— Não vamos nos contentar com a ambivalência desta vez. Edward recuou, mantendo-se de pernas abertas sobre ela. Os últimos raios do sol entravam pela janela do lado oeste e pareciam incendiar o ar. Os cabelos de Bella eram como um halo em torno de seu rosto. Os olhos eram como o mais puro chocolate derretido, a pele exibia o tom rosa delicado da primavera.

Ele levantou a mão de Bella e beijou os dedos, um de cada vez.

— O que está fazendo?

—Saboreando-a. Sua mão treme e os olhos transbordam de nervosismo. Gosto disso. — Ele roçou os dentes pela articulação de um dedo. — É excitante.

— Não estou com medo.

— Sei que não está. Apenas sente-se confusa. — Ele baixou a mão e desabotoou o primeiro botão da blusa. — E é melhor assim. Não sabe qual será a próxima sensação que vai experimentar.

Depois de desabotoar todos os botões da blusa, ele abriu-a. E contemplou-a. Bella usava um sutiã azul escuro, o brilho do cetim descendo além da suave elevação dos seios claros.

— Ora, ora... — Edward sentiu uma contração no estômago, com a necessidade de devorá-la. Levantou os olhos para fitá-la. — Quem poderia imaginar?

— Não é meu... —Bella ficou consternada quando ele sorriu. — Isto é, só comprei e saí da loja usando para que Alice parasse de me pressionar.

— Deus abençoe Alice.

Gentilmente, observando o rosto de Bella, ele deslizou os polegares pela beira do cetim azul. Ela pestanejou, fechou os olhos.

— Você está se contendo. — Edward deslizou os polegares uma fração mais baixo. — Não vou permitir. Quero ouvir você suspirar, Isabela. Quero ouvir você gemer. E, depois, quero ouvir você gritar.

Bella abriu os olhos, mas prendeu a respiração quando ele roçou o polegar por seu mamilo.

— Ó Deus...

— Você esconde muita coisa, e não é apenas seu corpo deslumbrante. Esconde muita coisa de Bella. Quero ver tudo e terei tudo antes de acabarmos.

Ele soltou o colchete da frente do sutiã e contemplou os seios se soltarem. Baixou a cabeça para beijá-los.

Bella gemeu. Não demorou muito para que os sons se tornassem lamúrias rápidas e frenéticas. A ânsia era insuportável, irracional. Ela se mexia irrequieta por baixo dele para aliviá-la, mas só aumentava a vibração.

Puxou a camisa de Edward e arrancou-a pela cabeça. Jogou-a para o lado, num movimento brusco, pois queria sentir sua pele quente. Sentia uma tempestade interior, que a projetava cada vez mais perto do ponto mais alto, para depois arrastá-la de volta para baixo, um instante antes da explosão.

A boca e as mãos de Edward vagueavam por seu corpo todo agora, desafiando-a a acompanhar o ritmo, tornando impossível fazer qualquer outra coisa que não tatear às cegas. Ela se contorceu, tentou se desvencilhar. Em qualquer outro lugar havia ar, uma âncora em que podia se segurar.

Mas Edward a mantinha acuada, prisioneira daquele prazer assustador. E não lhe dava outra opção a não ser suportar a violenta guerra de sensação batalhando contra sensação. Ele puxou a calça que Bella usava pelos quadris, deixando à mostra uma faixa de cetim azul. Desceu os lábios pela barriga lisa, a respiração ofegante confundindo-se com a respiração dela.

Ela não se ouviu suplicar, mas ele ouviu. Só precisou deslizar um dedo por baixo do cetim, só precisou tocá-la para que ela explodisse.

O corpo de Bella estremeceu, sacudido por ondas sucessivas de prazer. Ele comprimiu os lábios contra a barriga que tremia, seu próprio corpo estremecendo em resposta.

Graças a Deus, graças a Deus, foi tudo o que Bella conseguiu pensar, enquanto a tensão se dissipava. Seus músculos relaxaram e ela respirou fundo, ainda ofegante. Apenas para expelir todo o ar de novo, num grito abafado, quando os dedos hábeis e insistentes de Edward provocaram novas ondas de prazer.

Ela pensava que isso era tudo? O sangue pulsou intensamente na cabeça, no coração, entre as pernas, no momento em que Edward removeu a barreira final. Pensava que ele deixaria qualquer dos dois se contentar com menos do que a loucura agora? Ele ergueu os quadris de Bella e usou a língua para destruí-la por completo.

E ela gritou.

Estendeu os braços para trás, os dedos envolvendo as colunas pintadas da cabeceira da cama, apertando com toda força, como se assim pudesse impedir que seu corpo fosse arrebatado . Por trás das pálpebras fechadas, luzes vermelhas pulsavam sem parar; por baixo da pele, o sangue fervia perigosamente. E ela teve uma nova explosão, com mil fragmentos de seu corpo projetando-se em todas as direções.

No instante seguinte, as mãos de Edward seguraram as suas nas colunas da cama. Ele penetrou-a, preencheu-a por completo, levando-a para outro orgasmo, em movimentos longos, lentos, deliberados. Mesmo quando a visão se tornou turva, ela ainda pôde ver os olhos de Edward, em toda a sua intensidade, o verde virando preto.

Desamparada, Bella acompanhou o ritmo dele, a respiração difícil quando os movimentos aceleraram. Seus quadris subiam e desciam enquanto ele arremetia cada vez mais depressa e mais impetuoso.

E quando Edward beijou-a na boca, ela não foi capaz de fazer outra coisa senão se entregar. E quando seu corpo escapou por completo ao controle, ela não pôde fazer outra coisa senão se soltar.

E ele não pôde fazer outra coisa a não ser acompanhá-la.


Bella não sabia se dormirá, quase especulou se simplesmente não entrara em coma. Mas já estava escuro quando abriu os olhos. Ou era isso, pensou Bella, sem qualquer preocupação, ou ficara cega.

Ele estava deitado com a cabeça entre seus seios. Bella podia ouvir as batidas de seu coração, o suspiro do vento ao passar pela tela na janela. Edward sentiu que ela se mexia e murmurou:

— Vou parar de esmagá-la em um segundo.

— Não tem importância. Quase posso respirar.

Os lábios de Edward se contraíram quando ele roçou-os pelo lado do seio ao se afastar para o lado. Antes que Bella pudesse se mexer, ele passou um braço em torno de seu corpo e puxou-a.

— Flã coisa nenhuma...

Bella abriu a boca, certa de que faria algum comentário forçado, mas saiu apenas uma risada.

—Talvez eu tenha passado tempo sem sobremesa.

— Neste caso, vai querer uma repetição. Bella aconchegou-se contra ele, sem pensar.

— Se tentarmos uma repetição, vamos matar um ao outro.

— Não vamos não. Primeiro, comeremos aqueles filés e você ficará um pouco embriagada. O que era meu plano original, diga-se de passagem. E depois voltaremos à sobremesa.

— Planejava me deixar de porre?

— Era uma das minhas idéias. Outra era subir pela treliça até sua sacada. Um roteiro romântico de capa e espada.

— Teria quebrado o pescoço.

— Não. Emmet e eu costumávamos subir por ali como macacos.

— Só que tinha dez anos na ocasião. —Bella ergueu-se, apoiada num cotovelo. Sacudiu os cabelos para trás. — Está quarenta quilos mais pesado e duvido que tenha a mesma agilidade.

— Este não é o momento apropriado para questionar minha agilidade.

Ela sorriu e baixou a testa contra a dele.

— Tem toda razão. Talvez você me surpreenda uma noite dessas.

— É bem possível. Mas agora... — Ele deu um puxão de leve nos cabelos de Bella antes de sentar na cama. — Vou preparar seu jantar.

— Edward... — passou a mão pela colcha amarrotada, enquanto ele pegava seus jeans. — Por que está se dando a tanto trabalho por mim?

Ele não disse nada por um momento. Não podia ter certeza de seus atos, nem de suas palavras. Depois de vestir os jeans, contemplou a silhueta de Bella no escuro.

— Só tive de vê-la de novo, Bella. Isso foi tudo o que era preciso. Deixou-me completamente sem fôlego... e ainda não consegui me recuperar,

— Sou uma terrível confusão, Edward. — engoliu em seco e sentiu-se grata porque ele não podia ver seu rosto no escuro. O anseio que irrompera dentro dela devia transparecer. —Não sei o que penso ou sinto sobre qualquer coisa. Sobre qualquer pessoa. É melhor se afastai de mim.

— Segui pelo caminho mais fácil algumas vezes. Acabou se tornando uma chatice. E até agora você tem sido qualquer coisa, menos uma chatice.

— Edward...

— Está perdendo seu tempo ao argumentar comigo, enquanto senta nua em minha cama.

Ela passou a mão pelos cabelos.

— Bom argumento. Discutiremos mais tarde.

— Combinado. Vou pôr mais carvão na grelha.

E como planejava tê-la de novo nua e na cama antes de a noite terminar, Edward refletiu que não teriam muito tempo para discutir.