OI FLORES... MAIS UM CAPITULO... ESPERO QUE GOSTEM... AMEI AS REVIEWS QUE RECEBI... E BEM ALGUMAS JÁ ESTÃO MATANDO A CHARADA MAIS NÃO VOU DIZER QUAL... ESTAMOS NA RETA FINAL, APESAR DE TER AINDA 10 CAPITULOS... AGORA QUE AS COISAS VÃO PEGAR FOGO... BEM NÃO SE ESQUEÇAM DAS REVIEWS PRA AUTORA AQUI... BJUXX^^ E ATÉ A PRÓXIMA...
— Fique. - Edward passou os braços pela cintura de Bella e deu um beijo em sua nuca. Ela ainda tinha os cabelos úmidos do banho de chuveiro que haviam partilhado. O cheiro de sabonete em sua pele deixou-o excitado mais uma vez.
— Farei o café da manhã para você — acrescentou ele.
Bella passou um braço pelo pescoço dele. Sentia-se espantada pela facilidade da intimidade.
— Não precisa fazer nada.
— Tenho pão em casa. — Ele a virou. — E sei fazer uma torrada espetacular. Sou famoso por minha torrada.
— Por mais apetitoso que pareça... Edward... — Com um som que se situava entre uma risada e um gemido, ela tentou se desvencilhar das mãos que vagueavam por seu corpo. — Assim vamos acabar matando um ao outro... e tenho de voltar.
— Só passaram alguns minutos da meia-noite.
— Já passa de uma hora.
— Neste caso, já é praticamente de manhã e você pode ficar. - Bella queria ficar. Quando ele a beijou, persuasivo, sentiu uma vontade ainda maior.
— Tenho coisas para fazer em casa. E preciso compensar Emmet pelos problemas que lhe causei esta noite.
Ela estendeu as mãos para o rosto de Edward. Gostou da sensação que experimentou. Maxilar, queixo, o princípio de barba. Alguma vez explorara o rosto de um homem daquela maneira? Ou tivera vontade?
— E tenho de pensar. — Finalmente, ela se afastou. — Sou uma pensadora, Edward. Uma planejadora. Este é um território novo para mim.
Ele esfregou um polegar sobre a linha que se formava entre as sobrancelhas.
— Vai me obrigar a mudar de direção em relação a você.
Bella sentiu um princípio de nervosismo.
— Neste caso, terei de permanecer um passo à frente. Mas agora preciso voltar para casa.
Edward compreendeu que essa decisão era irrevogável. Forçou-se a reajustar a imagem agradável de acordar pela manhã ao lado de Bella.
— Vou levá-la.
— Não precisa...
— Bella, você não vai voltar sozinha na escuridão — declarou ele, a voz calma e decidida, pondo as mãos em seus ombros.
— Não tenho medo. Não vou mais sentir medo.
— Melhor para você. Mesmo assim, vou levá-la em casa. Ou podemos discutir o assunto no quarto... e eu a levarei em casa pela manhã. Seu pai tem alguma arma?
Bella riu. Empurrou os cabelos para trás.
— É bastante improvável que ele dê um tiro em você por ter me levado para a cama.
— Mas, se ele der, conto com você para cuidar do ferimento. - Edward pegou as chaves em cima do balcão.
— Sou uma sulista — disse ela ao se encaminharem para a porta. — Posso até arrumar uma anágua para rasgar em pedaços e fazer ataduras.
— Quase valeria a pena levar um tiro por isso. Ao entrarem no Jeep, Bella perguntou:
— Já levou um tiro alguma vez?
— Não. — Ele sentou ao volante e ligou o motor. — Mas arranquei as amígdalas. Poderia ser pior do que isso?
— Eu diria que muito pior.
Bella esticou as pernas, recostou-se no banco e fechou os olhos. Sentia-se cansada, mas de uma maneira agradável, os músculos relaxados, a mente despreocupada. O ar era suave em sua pele.
— As noites são melhores na ilha quando o silêncio ressoa em meus ouvidos e não há mais ninguém acordado — murmurou ela. — Pode-se sentir a fragrância das árvores e a maresia. As ondas são um sussurro ao fundo, como uma pulsação.
— A pessoa pode estar sozinha e não se sentir solitária.
— É verdade. Quando eu era pequena, costumava imaginar como seria ficar completamente sozinha, ter a ilha só para mim durante alguns dias. Seria tudo só meu, por onde quer que andasse, para onde olhasse. Mas depois sonhei com isso e senti medo. No sonho, não parava de correr, através da casa, pela floresta, pela praia. Queria encontrar alguém, qualquer pessoa, para ficar comigo. Mas estava absolutamente sozinha. Acordava chorando.
— Agora tira fotos da solidão.
— Acho que sim. — Bella deixou escapar um suspiro e abriu os olhos. E ali, através da escuridão, avistou uma luz. — Sue deixou uma luz acesa para mim.
Era confortador aquele brilho do lar. Ela observou-o oscilar entre as árvores, prevalecer sobre as sombras. Houvera um tempo em que fugira daquela luz e outro em que correra cm sua direção. Esperava que agora chegasse um tempo em que poderia seguir em qualquer direção sem medo.
Ao se aproximarem do final do caminho, ela viu alguém se erguer do balanço na varanda. Sentiu uma pontada de dor no estômago, antes que Edward pusesse a mão sobre a sua.
— Fique aqui. E tranque as portas.
— Não. Eu... — Ela deixou escapar um suspiro trêmulo. — É Emmet.
Bella sentiu-se uma tola pelo imenso alívio que a envolveu. Edward acenou com a cabeça, também reconhecendo Emmet quando ele se adiantou para ficar sob a luz acesa na varanda.
— Vamos saltar — disse ele.
— Não. — Bella apertou a mão que cobria a sua. — Não vamos complicar a situação. Se ele quiser brigar comigo, eu mereço. Não quero que os dois fiquem se olhando furiosos, tentando conciliar o fato de que você é um amigo, mas levou sua irmã para a cama.
— Ele não parece estar armado.
O comentário a fez rir, como era a intenção.
— Volte para casa. —Bella virou-se e descobriu que era muito fácil inclinar-se e dar um beijo de leve nos lábios de Edward. — Deixe Emmet e eu cuidarmos das desavenças de família. Somos polidos demais para falarmos com franqueza na sua presença.
— Quero vê-la amanhã. Ela abriu a porta do Jeep.
— Venha para o café da manhã... a menos que prefira comer sua torrada de fama internacional.
— Estarei aqui.
Bella encaminhou-se para a varanda. Esperou até ouvir o Jeep dar marcha à ré antes de subir os degraus.
— Boa-noite — disse ela para Emmet, friamente. — Uma noite agradável para sentar na varanda.
O irmão fitou-a em silêncio por um momento, depois avançou tão depressa que ela quase gritou. Os braços envolveram-na e apertaram com força.
— Lamento muito... mas muito mesmo...
Aturdida, incapaz de falar, Bella começou a afagar as costas do irmão. Mas soltou um grito estridente quando ele a sacudiu.
— Mas a culpa é sua... típico de Isabela...
— O quê? — O insulto em cima da surpresa, Bella empurrou-o. Mas do que está falando? E pare de me agarrar!
— Eu deveria dar umas palmadas em você para deixá-la uma semana sem poder sentar! Por que não contou a ninguém o que estava acontecendo? Por que não me disse que estava com problemas?
— Se não me largar agora...
— Nada disso. Você seguiria seu caminho sozinha como sempre fez até hoje, empurrando as pessoas para o lado...
Emmet parou de falar com um grunhido quando a irmã acertou um soco em sua barriga. Foi um golpe rápido e bastante eficiente pata pegá-lo desprevenido. Ele baixou as mãos e fitou-a com os olhos contraídos.
— Isso também não mudou. Seu soco sempre foi poderoso.
— Teve sorte de eu não acertar essa carinha bonita. — Ela esfregou as mãos nos braços, onde os dedos do irmão haviam-na apertado, Não queria ficar com marcas. — Obviamente, você não se encontra em condições de manter uma conversa racional e civilizada. Por isso, vou subir para dormir.
— Dê um passo na direção da porta e levará as palmadas que prometi.
Ela ergueu-se na ponta dos pés para fitá-lo nos olhos.
— Não me ameace, Emmet Swan.
— Não me provoque, Isabela. Estou sentado aqui há mais de duas horas, na maior preocupação. Não sinto a menor disposição para aturar seus desafios.
— Eu estava com Edward, que você conheceu muito bem. E não há motivo para se preocupar com minha vida sexual. - Emmet rangeu os dentes.
Não quero saber nada sobre isso. Não quero nem pensar a respeito. Não estou falando sobre você e Edward sendo... Não estou falando sobre isso.
Bella mordeu a parte interna da bochecha para não sorrir. Se soubesse que era tão fácil deixar o irmão confuso e atordoado, já estaria usando aquele método há muitos anos.
— Neste caso... — Satisfeita com o pequeno triunfo, Bella foi sentar no balanço na varanda. Inclinou a cabeça para o lado, enquanto pegava um cigarro. — Sobre o que você quer ouvir, pensar e conversar, Emmet?
— Não deveria tentar o papel da grande beldade sulista, Bella. Não combina com você.
Ela acendeu o isqueiro.
— Já é tarde e estou cansada. Se tem alguma coisa a dizer, diga logo, para que eu possa ir dormir.
— Não deveria ter enfrentado tudo sozinha. —A voz era suave, o que atraiu a atenção de Bella. — Não precisaria ficar no hospital sozinha. E quero que saiba que a decisão de fazer isso foi sua.
Bella deu uma tragada lenta.
— Isso mesmo, a decisão foi minha. Porque o problema era meu.
— Tem toda razão, Bella. — Ele deu um passo à frente. Enganchou os dedos nos bolsos dos jeans, para evitar que as mãos se contraíssem em punhos. — Seus problemas, seus triunfos, sua vida. Você nunca admitiu partilhar qualquer dessas coisas. Por que agora seria diferente?
Ela sentiu um frio no estômago.
— O que você poderia ter feito?
— Poderia ter estado lá. E teria ido. O que a deixa surpresa, não é mesmo? — Emmet fez a indagação antes que a irmã baixasse os olhos. — Não me importo quão desunida seja esta família, você não teria passado por tudo sozinha. E não vai enfrentar o resto sozinha.
— Estive na polícia.
— Não estou falando apenas sobre isso, embora qualquer pessoa com cérebro de minhoca teria procurado a polícia em Charlotte, quando tudo isso começou.
Ela bateu a cinza do cigarro e deu outra tragada.
— Terá de tomar uma decisão, Emm, se quer me envergonhar ou me insultar.
— Posso fazer as duas coisas.
Irritada, Bella jogou o cigarro longe. Observou a brasa voar pela escuridão até desaparecer.
— Vim para casa, não é?
— Isso pelo menos foi meio sensato. Mas voltou com a aparência de alguma coisa arrastada por dez quilômetros de uma estrada toda esburacada. E mesmo assim não contou a ninguém qual era o problema. Exceto a Rose. Contou a ela quando a levei até lá, não é? — Os olhos de Emmet faiscaram. — Terei uma conversinha com ela.
— Deixe-a em paz. Falei sobre o colapso, mais nada. É um problema médico, e ela não tem obrigação de contar ao namorado o histórico médico dos pacientes.
— Contou a Edward.
— Contei esta noite... e contei tudo porque achei que era certo e justo.
Exausta agora, Bella esfregou a testa. Uma coruja piava, monótona, em algum lugar da escuridão. Ela desejou encontrar sua árvore, subir pelos galhos e encolher-se lá no alto, em paz.
— Quer que eu relate tudo de novo, Emmet? Quer saber todos os pequenos detalhes?
— Não. — Ele deixou escapar um suspiro e sentou ao lado de Bella. — Não, não precisa contar tudo de novo. Acho que teria me falado antes se o nosso relacionamento não fosse tão precário. Pensei muito a respeito enquanto estava sentado aqui, acumulando fúria contra você.
— Não deve ter demorado para chegar ao máximo. Já estava com raiva de mim antes. Expulsou-me de casa.
Ele soltou uma risada rouca.
— A culpa é sua por ter deixado. Afinal, a casa é sua também.
— É sua casa, Emm. Sempre foi mais sua do que nossa. — A voz de Bella era gentil, com uma aceitação tranqüila. — É você quem mais se importa, quem mais cuida.
— Isso a incomoda?
— Não... isto é, talvez um pouco. Mas, acima de tudo, é um alívio para mim. Não preciso me preocupar se haverá um vazamento no telhado, pois sei que você cuidará de tudo.
Ela inclinou a cabeça para trás e olhou para o teto da varanda, pintado de branco. Contemplou o jardim iluminado pelo luar. Os sinos de vento tilintavam, o chafariz estava silencioso pela noite, a brisa trazia a fragrância de rosas.
— Não quero viver aqui — acrescentou Bella. — Durante muito tempo, pensei que nem queria vir mais para cá. Mas estava enganada. Quero visitar Santuário. Tudo aqui significa mais para mim do que me permitia acreditar. Quero saber que posso voltar de vez em quando. Posso sentar aqui numa noite quente e clara como esta, sentir o perfume das ervilhas-de-cheiro, dos jasmins, das rosas de mamãe. Alice e eu não podemos permanecer aqui, como você. Mas acho que ambas precisamos saber que Santuário continua no alto da colina, como sempre, e que ninguém vai trancar a porta para impedir nossa entrada.
— Ninguém jamais faria isso.
— Sonhei que as portas estavam trancadas e que eu não conseguia entrar. Ninguém veio quando chamei. Todas as janelas estavam escuras e vazias. — Bella fechou os olhos, querendo reconstituir tudo em sua mente, querendo ter certeza de que agora poderia enfrentar. — Eu me perdi na floresta. Estava sozinha, assustada, não conseguia encontrar o caminho. E de repente me vi parada no outro lado do rio. Só que não era eu. Era mamãe.
— Você sempre teve sonhos estranhos.
— Talvez eu sempre tenha sido louca. — Bella deu um pequeno sorriso. Correu os olhos pela noite. — Pareço com ela, Emm. As vezes tenho um sobressalto quando vejo meu rosto no espelho. No final, foi isso que me fez cair no abismo. Quando as fotos chegaram, todas aquelas fotos minhas, pensei que uma era de mamãe. Só que ela estava morta. Nua, os olhos aberios, vazios, sem vida, como os de uma boneca. Eu era igual a ela.
— Bella...
— Mas a foto não estava ali. Nem sequer existia. Apenas imaginei. Sempre detestei ver fotos que tiram de mim, porque a vejo nelas.
— Você pode parecer com ela, Bells, mas não é igual a ela. Você acaba o que começa, sempre persiste.
— Fugi daqui.
— Saiu daqui — corrigiu Emmet. — Saiu para ter sua própria vida. É diferente de deixar uma vida que já começara e todas as pessoas que precisavam de você. Você não é Renée.
Ele estendeu o braço pelos ombros da irmã e deixou que o balanço se movimentasse, enquanto acrescentava:
— E é apenas tão louca quanto o resto das pessoas nesta casa.
Bella riu.
— O que é confortador, não é?
Já era tarde quando Susan Peters saiu do chalé alugado e encaminhou-se para a enseada. Tivera uma briga terrível com o marido, obrigada a falar em voz baixa para não perturbar o casal que havia alugado o chalé por uma semana.
O homem era um idiota, decidiu ela. Não podia imaginar por que casara com ele, muito menos por que permanecera casada durante três anos... sem falar nos dois anos em que haviam vivido juntos antes de legalizarem a união.
Cada vez que ela sequer mencionava a possibilidade de comprarem uma casa, ele ficava de cara amarrada. E desatava a falar sobre entrada, pagamentos de hipoteca, impostos, despesas de manutenção...dinheiro, dinheiro, dinheiro. Mas para que os dois trabalhavam tanto? Deveriam passar o resto da vida naquele apartamento emAtlanta?
Que se danasse o que era mais conveniente, pensou ela, sacudindo os cabelos castanhos curtos. Queria um quintal, um jardim, uma cozinha em que pudesse preparar os pratos de gourmet que aprendera no curso de culinária.
Mas tudo o que conseguia arrancar de Tom era a promessa de um dia... um dia... Mas quando esse dia chegaria?
Irritada, ela desceu para a praia. Tirou os sapatos, a fim de poder enfiar os dedos na areia. Olhou para o mar tranqüilo, as ondas que arremetiam contra o casco do pequeno barco com motor de popa que haviam alugado.
Tom não se incomodava em gastar dinheiro com um barco estúpido, a fim de poder pescar todos os dias da permanência em Desire.
Já tinham dinheiro suficiente para a entrada. Ela sentou na areia. Apoiou um cotovelo no joelho e contemplou a lua, de cara amarrada. Fizera uma pesquisa sobre financiamento, pagamentos de hipoteca, taxas de juros. Queria comprar aquela casinha fascinante na Peach Blossom Lane.
Claro que ficaria um pouco apertado durante dois ou três anos, mas poderiam sobreviver. Tinha certeza de que o marido concordaria quando tomara a iniciativa de conversar a respeito, comprar uma casa financiada para romper o ciclo do pagamento de aluguel todos os meses.
Sentia-se angustiada porque Mary Alice e Jim estavam prestes a fechar negócio com uma linda casinha num condomínio. Com uma magnólia na frente e um pequeno pátio junto da cozinha.
Ela suspirou e desejou ter esperado voltarem para casa antes de conversar com Tom. Teria sido mais sensato. Sabia como o momento oportuno era importante quando lidava com o marido. Mas sentia-se tão transtornada que não fora capaz de se conter.
Quando voltassem para Atlanta, Tom visitaria a casa na Peach Blossom nem que tivesse de arrastá-lo pela orelha. Quando ouviu os passos por trás, ela continuou a olhar direto para a frente.
— Não adianta vir até aqui para tentar fazer as pazes. Tom Peters. Ainda estou furiosa com você. E talvez nunca mais deixe de me sentir assim.
Irritada por ele se manter calado, em vez de tentar dissuadi-la, ela passou os braços em torno dos joelhos.
— Pode voltar e descobrir o saldo de sua conta bancária, já que dinheiro é a única coisa em que você pensa. Não tenho mais nada a lhe dizer.
Quando o silêncio se prolongou, ela rangeu os dentes e virou a cabeça.
— Escute aqui, Tom... Oh! — O embaraço deixou suas faces vermelhas, quando deparou com o rosto de um estranho. — Desculpe. Pensei que era outra pessoa.
Ele sorriu, encantador, com um brilho divertido nos olhos.
— Não tem problema. Também vou pensar em você como outra pessoa.
0 estranho a golpeou no mesmo instante em que um princípio de alarme fez um grito subir pela garganta da mulher.
Não seria perfeito, pensou ele, estudando-a, desacordada, a seus pés. Não planejara aquela sessão de prática improvisada. Não conseguia dormir, a mente povoada por Bella. E sentia naquela noite uma necessidade sexual inesperadamente intensa.
Estava muito aborrecido com ela. E isso fazia com que a desejasse ainda mais.
Encontrara a morena bonita na praia, sozinha, sentada perto da água, como uma dádiva, sob o luar.
Um homem sensato tinha um princípio: a cavalo dado não se olham os dentes. Era isso mesmo, pensou ele, rindo, enquanto a suspendia pelos braços. Era melhor se afastarem um pouco. Afinal, o cara chamado Tom — quem quer que fosse — podia descer até a enseada.
A mulher era uma carga leve e ele não se importou com o exercício. Assoviava baixinho enquanto a carregava pela praia e através de uma passagem nas dunas. Como precisaria do luar, parou à beira da floresta. Era um cenário pitoresco, com o luar prateando as moitas, pensou ele, enquanto a estendia no chão.
E estava deserto.
Ele usou seu cinto para amarrar as mãos da mulher e um dos lenços de seda com que sempre andava para amordaçá-la. Despiu-a primeiro, satisfeito em descobrir que seu corpo era esguio e atlético. Ela gemeu um pouco enquanto ele tirava os próprios jeans.
— Não se preocupe, querida. Está muito bonita, muito sensual. E o luar parece torná-la ainda mais atraente.
Ele pegou a câmera — a Pentax de lente sem reflexo que preferia para retratos — satisfeito porque a carregara com um filme de exposição lenta. Queria os menores detalhes agora, a maior definição. Provavelmente teria de usar alguns recursos no laboratório para obter os contrastes e texturas que desejava.
Aguardaria ansioso por esse momento, a oportunidade de aperfeiçoar as cópias.
Outra vez assoviando baixinho, ele ajustou o flash e tirou três fotos antes que as pálpebras da mulher se agitassem.
— Assim é melhor. Quero você acordada agora. Um lento despertar. Alguns closes desse rostinho bonito. Os olhos são a melhor coisa. Sempre são.
Ele ficou ainda mais excitado e duro quando os olhos se abriram, turvos da dor e confusão.
— Lindo, lindo... Olhe para mim agora, meu bem. Assim é que eu gosto. Focalize.
Exultante, ele captou a compreensão e o medo. Largou a câmera quando ela começou a se mexer. Os movimentos deixariam as fotos tremidas e não tinha um filme de reserva de velocidade maior. Ainda sorrindo, ele pegou a arma, que deixara em cima de seus jeans, dobrados com todo cuidado. Mostrou para a mulher.
— Não quero que se mexa. Quero que permaneça imóvel, absolutamente imóvel, e faça tudo que eu mandar. A última coisa que eu quero fazer é usar esta arma. Compreende isso, não é?
As lágrimas afloraram aos olhos da mulher e começaram a escorrer. Mas ela acenou com a cabeça. O terror borbulhava em seu cérebro. Embora tentasse permanecer imóvel, os tremores sacudiam seu corpo.
— Só vou fotografá-la. É uma sessão de fotos. E uma mulher tão bonita quanto você não precisa ter medo de ser fotografada.
Ele trocou, a arma pela câmera e sorriu, cativante.
— Explicarei agora o que quero que você faça. Dobre os joelhos. Isso mesmo. E vire o corpo para o lado esquerdo. Tem um corpo adorável. Por que não mostrá-lo nos melhores ângulos possíveis?
Ela fez o que o homem mandava. Virou os olhos para a arma. O cromado brilhava. Ele só queria tirar algumas fotos, disse a si mesma, enquanto estremecia, com dificuldade para respirar. E a deixaria em paz depois. Iria embora. Não a machucaria.
O terror aumentou nos olhos da mulher, tornou a pele leitosa. Ele sentiu que sua pulsação acelerava, as mãos tremiam, uma indicação de que não podia mais esperar pelo próximo estágio.
O coração batia forte quando largou a câmera com todo cuidado em cima de sua camisa. Gentilmente, pôs a mão no pescoço da mulher e fitou-a nos olhos.
— Você é linda — murmurou ele. — E está desamparada. Sabe disso, não é? Não há nada que possa fazer. Eu tenho o controle. Eu tenho todo o poder. Não tenho?
Ela sacudiu a cabeça em concordância, os soluços abafados pela seda. Quando a mão fechou sobre o seio e apertou, ela gemeu uma súplica e sacudiu a cabeça em desespero. Fincou os calcanhares na areia, na tentativa de escapar. Ele montou nela.
— Não vai adiantar. — Ele estremeceu quando a mulher arqueou o corpo e contorceu-se. — Quanto mais você resistir, mais eu gosto. Tente gritar.
Ele tornou a apertar os seios. Baixou a cabeça para mordê-los.
— Grite, sua filha-da-puta! Grite!
Um som áspero e agudo saiu da mulher, queimando sua garganta. Cada vez mais desesperada, ela fez um esforço para remover a mordaça usando os dentes, a língua, os lábios.
Ele abriu as coxas da mulher, machucando-a deliberadamente. E pensou em Bella enquanto a estuprava. Pensou nas pernas compridas dela. Na boca sensual. Nos olhos, enquanto arremetia contra sua substituta com uma violência suada.
O orgasmo foi intenso, trazendo lágrimas de surpresa e triunfo a seus olhos. Muito melhor do que o último, pensou ele. Distraído, fechou a mão no pescoço da mulher e apertou, só até ela parar de se debater.
Escolhera bem desta vez, pensou ele, enquanto o orgasmo se transformava em doçura. Encontrara seu anjo na prática. A brisa esfriava a pele úmida quando se levantou para pegar a câmera.
Recordou como o processo fora delineado em seu diário e lembrou a si mesmo para não apenas repetir, mas também melhorar.
— Posso estuprá-la de novo ou posso não fazê-lo. — Ele sorriu, rugas atraentes formando-se nos cantos dos olhos e da boca. — Posso machucá-la ou posso não fazê-lo. Tudo vai depender de seu comportamento. Agora, meu anjo, fique quieta e pense a respeito.
Satisfeito porque ela ficou quieta por um momento, ele trocou a lente. As pupilas eram enormes luas pretas, com apenas uma faixa estreita de castanho-claro a contorná-las. A respiração era curta e superficial. Ele assoviava, contente, ao pôr um novo filme na câmera. Bateu todas as chapas do segundo filme antes de estuprá-la outra vez.
E decidira que a machucaria. Afinal, a opção, a disposição, o controle, todo o poder estava em suas mãos.
Ela parou de resistir. Em tudo, exceto no sentido físico, não se encontrava mais ali. O corpo, dormente, pertencia a outra pessoa. Em sua mente, estava sã e salva, com Tom, sentados juntos no pátio da linda casa que haviam acabado de comprar, na Peach Blossom Lane.
Mal sentiu quando o homem tirou a mordaça. Conseguiu soltar um soluço contido. Fez um esforço patético para encher os pulmões com ar suficiente para gritar.
— Sabe que é tarde demais para isso agora. Ele falou gentilmente, quase afetuoso, enquanto passava o lenço de seda em torno de seu pescoço. — Você será meu anjo agora;
Ele apertou o lenço devagar, querendo prolongar o momento. Observou-a abrir a boca, num esforço para respirar. Sua cabeça batia na areia, o corpo se contorcia.
A respiração do homem tornou-se ofegante, o poder fazendo sua cabeça vibrar, acelerando a circulação. Perdeu a noção das vezes em que parou, deixou-a recuperar a consciência, antes de levá-la de novo à beira do precipício. Apontaria a câmera várias vezes. Não apenas um momento decisivo, mas vários. O medo da morte, a aceitação, o vislumbre de esperança, enquanto a vida voltava. E a rendição quando começava a se extinguir de novo.
Ele lamentou a falta do tripé e do controle remoto.
Até que finalmente perdeu o controle e acabou com tudo.
A respiração entrecortada, murmurou palavras de carinho, beijou-a agradecido. Ela lhe mostrara um novo nível, aquele anjo inesperado que o destino lançara em seu caminho. Tinha de acontecer, é claro. Ele compreendia isso agora. Tinha mais para aprender antes de ir ao encontro de seu destino com Bella. Muito mais.
Ele removeu o lenço, dobrou-o e ajeitou-o reverente em cima da arma. Levou algum tempo para ajustar a pose da mulher, ajeitar as mãos, depois de soltá-las. As marcas nos pulsos perturbaram-no um pouco, até que enfiou as mãos por baixo da cabeça, como um travesseiro.
Pensou que daria àquela foto o título de Dádiva de um Anjo.
Vestiu-se e fez uma trouxa com as roupas da mulher. Decidiu que o pântano ficava muito longe. O que os aligátores e outros predadores haviam deixado do corpo de Jessica já se encontrava lá no fundo. Não tinha tempo nem energia para ir de novo até lá.
Havia lugares convenientemente profundos no rio, o que seria suficiente. Ele a levaria para seu lugar de repouso final, prenderia um peso no corpo e jogaria na água.
E depois, ele resolveu, com um bocejo profundo, daria a noite por encerrada.
