oi flores... mais um capitulo para vcs espero que gostem... nesse capitulo tem uma surpresinha... a identidade de alguem vai aparecer... e vcs vão descobrir o que o ed tanto esconde da bella... bjuxx^^ e não se esqueçam das minhas reviews...


Quando Jasper saiu do quarto de Alice e desceu pela escada dos fundos, o céu estava perolado pelo amanhecer. Sua intenção fora a de ir embora antes de o sol nascer. Mas também, pensou ele, com um sorriso satisfeito, Alice tinha um jeito todo especial de persuadir um homem a ficar.

Ela precisara dele. Primeiro, para descarregar sua raiva de Emmet; depois, para falar sobre os problemas da irmã. Podiam conversar sobre essas coisas — e muitas outras — no quarto dela, as vozes abafadas pelos segredos.

Essa facilidade para conversar, refletiu Jasper, era uma das vantagens de estar apaixonado por alguém que você conhecia desde a infância.

Havia também o choque elétrico, a explosão inesperada de surpresa á medida que você passava a conhecer essa pessoa familiar nos níveis mais íntimos. Claro que não era nem um pouco difícil estudar Alice nesses outros níveis. Sua aparência, na pequena camisola de seda que comprara em Savannah, era suficientre para fazer um homem forte cair de joelhos e louvar a Deus pela idéia extraordinária de criar Eva.

Tirar aquela camisola transparente também não fora um problema. Na verdade, ele decidira que compraria outra camisola assim, quando a levasse a Savannah no sábado, só para poder...

A imagem erótica de Alice na seda creme desapareceu de repente quando ele deparou-se com Charlie Swan na cozinha. Era difícil determinar quem ficou mais desconcertado, se o namorado de Alice, com os cabelos ainda despenteados do sexo e do sono, ou o pai dela, tendo na mão uma tigela com flocos de milho.

Os dois tossiram, contrafeitos.

— Sr. Swan...

— Jasper...

— Eu... ahn... estava...

— Cuidando daquele cano com problema lá em cima.

Era uma saída, oferecida com a mesma ansiedade com que quase foi aceita. Mas Jasper ergueu os ombros e disse a si mesmo que não podia seguir o caminho do covarde. Fitou Charlie nos olhos.

— Não, senhor.

Aflito, Charlie pôs a tigela na mesa e despejou leite no cereal.

— Neste caso...

Foi a única coisa que ele pôde pensar em dizer.

— Sr. Swan, não quero que pense que estou saindo furtivamente de sua casa.

O que era exatamente o que fazia, admitiu Jasper para si mesmo.

— Você entra e sai de Santuário à vontade desde que aprendeu a andar. — Deixe por aí, rapaz, suplicou Charlie, em silêncio. Deixe como está e vá em frente. — É bem-vindo aqui quando quiser aparecer. Sempre foi.

— Já apareço aqui há muitos anos, Sr. Swan. E na maior parte do tempo fui... Acho que sabe como me sinto em relação a Alice. Como sempre me senti.

O cereal ficaria empapado, pensou Charlie, desolado.

— Creio que não perdeu o sentimento, como todo mundo pensava que aconteceria.

— Não, senhor. Eu diria até que aumentou. Eu a amo, Sr. Swan. Meus sentimentos por ela são antigos e firmes. O senhor me conhece e conhece minha família. Não sou um irresponsável. Tenho algumas economias guardadas. Posso ganhar a vida com as mãos, com meu trabalho honesto.

— Não duvido. — Charlie franziu o rosto. Mal tomara a primeira xícara de café, mas sua mente já estava bastante lúcida para perceber o rumo da conversa. — Jasper, se pede permissão para... visitar minha filha, tenho a impressão de que já abriu essa porta em particular, entrou e ficou à vontade.

Jasper corou. Torceu para que o ato de engolir em seco não fosse audível.

— Tem razão, senhor. Não posso negar essa verdade. Mas não queria falar sobre essa porta em particular, Sr. Swan.

— Ahn... — Charlie abriu uma gaveta para pegar uma colher, torcendo para que Jasper percebesse a dica e fosse embora, antes que a situação se tornasse ainda mais constrangedora. Mas largou a colher de repente, com algum estrépito, aturdido. — Essa não! Está falando em casar com ela?

Jasper ergueu o queixo, os olhos faiscaram.

— Vou casar com Alice, Sr. Swan. Gostaria de ter sua bênção, mas casarei de qualquer maneira.

Charlie sacudiu a cabeça, esfregou os olhos. A vida sempre se recusava a ser simples, pensou ele. Um homem seguia em frente, cuidando apenas do que lhe interessava, querendo que os outros fizessem a mesma coisa em troca, mas a vida insistia em jogar tachinhas na frente de seus pés descalços.

— Se quer casar com ela, rapaz, não ficarei no seu caminho. Não poderia, mesmo que plantasse as botas no concreto. Vocês dois são maiores de idade e devem ter o bom senso de saber o que querem. - baixou as mãos. — Mas acho que devo lhe dizer uma coisa, Jasper, já que sempre gostei de você. Vai enfrentar muita encrenca pela frente. Terá sorte se experimentar um momento de paz desde o momento em que disser sim até seu último suspiro.

— A paz não éuma das minhas prioridades.

— Ela vai consumir todo o dinheiro que você ganhar e não terá a menor idéia de onde foi gasto.

— Alice não é tão insensata quanto pensa. E sempre posso ganhar mais dinheiro.

— Não vou desperdiçar meu fôlego tentando dissuadi-lo de uma coisa que já decidiu.

— Sou bom para ela.

— Não tenho a menor dúvida quanto a isso. E se quer saber a verdade, você pode ser o que minha filha precisa. — Resignado, estendeu a mão. — Boa sorte.

Charlie ficou observando Jasper afastar-se com um enorme vigor nos passos. Não duvidava que o rapaz estivesse apaixonado; e, se permitisse a si mesmo, poderia lembrar como era se sentir tão inebriado, experimentar um frio no estômago. E um calor no sangue.

Acomodou-se à mesa do café da manhã com a segunda xícara de café e o cereal empapado. Ficou observando o céu clarear para o azul forte do verão. Sentira-se tão fascinado e deslumbrado com Renée quanto Jasper estava agora por Alice. Precisara apenas de um olhar para que o coração saltasse do peito e se jogasse aos pés de Renée.

Ah, como eram jovens! Ele mal completara dezoito anos naquele verão quando chegara à ilha para trabalhar no camaroneiro do tio. Jogar as redes, suar sob um sol implacável, até as mãos ficarem em carne viva e as costas doloridas.

E adorara cada segundo.

Apaixonara-se pela ilha à primeira vista. Os verdes enevoados, os núcleos de solidão, as surpresas em cada curva do rio ou da estrada.

Até que vira Renée Pendleton andando pela praia, recolhendo conchas, ao pôr-do-sol. Pernas compridas e douradas, corpo esguio, a cascata generosa dos cabelos castanhos avermelhados. Os olhos de um chocolate derretido, tão hipnotizantes. A visão de Renée deixara sua visão turva e a garganta apertada.

Ele recendia a camarão, suor e graxa de motor. Queria dar um mergulho rápido para relaxar os músculos que o dia de trabalho deixara doloridos. Mas ela sorrira, com uma concha rosada na mão, e começara a conversar.

Charlie se descobrira apavorado, incapaz de falar. Sempre se sentira intimidado diante das mulheres, mas aquela visão, que já conquistara seu coração com um único sorriso, deixara-o grunhindo respostas, como um macaco mal-educado. Nunca soubera como conseguira gaguejar um convite para um passeio ao final da tarde seguinte.

Anos mais tarde, quando perguntara por que ela aceitara, Renée apenas rira.

Você era muito bonito, Charlie. Compenetrado, decidido e meigo. Foi o primeiro homem e o último a fazer meu coração disparar.

Ela falava sério. Na ocasião, pensou. Depois de trabalhar, de poupar dinheiro suficiente para satisfazê-lo, procurara o pai de Renée para pedi-la em casamento. E fora muito mais formal do que o encontro que acabara de ter com Jasper, refletiu, enquanto tomava o café. E também não saíra furtivamente do quarto de Renée ao amanhecer. Embora houvesse tardes às escondidas na floresta.

Mesmo quando o sangue de um homem mantinha-se frio há anos, ainda podia lembrar como era no tempo em que esquentava. Durante os primeiros anos depois da partida dela, seu sangue ainda esquentava de vez em quando. Resolvia esse problema com uma ida a Savannah.

Não se envergonhara de pagar por sexo. Uma profissional não exigia conversa nem uma corte. Era apenas uma transação. Mas já fazia algum tempo que ele não precisava desses serviços específicos. E,como sentia-se apavorado com a AIDS e outros horrores potenciais do sexo impessoal, experimentava um certo alívio por não ter mais a necessidade.

Tudo o que ele precisava agora podia encontrar na ilha. Descobrira a paz que o jovem Jasper alegava que não queria.

Recostou-se para apreciar o resto do café em sossego. Teve de resistir a uma pontada de irritação quando a porta foi aberta e Bella entrou na cozinha. O fato de que ela hesitou ao vê-lo, com uma expressão de contrariedade, deixou-o ao mesmo tempo envergonhado e surpreso.

Farinha do mesmo saco, refletiu ele, embora não gostasse de partilhar o saco.

— Bom-dia.

Tudo o que Bella queria era tomar um café antes de sair para trabalhar. Não apenas vaguear pela ilha ou ficar sozinha para pensar, mas trabalhar. Pela primeira vez em semanas, acordara sentindo-se revigorada e focalizada. Não queria desperdiçar tanta disposição.

— Uma manhã de sol — comentou Charlie. — Mas teremos uma tempestade e vento forte ao anoitecer.

— Acho que tem razão.

Bella abriu um armário. O silêncio entre os dois prolongou-se, interminável e absoluto. O barulho do café despejado do bule na xícara era tão alto quanto o som de uma cachoeira. Sam mudou de posição, a calça caqui sibilando na madeira envernizada do banco.

— Sue me contou... ela me disse tudo.

— Imaginei que ela contaria.

— Parece que se sente melhor agora.

— Estou me sentindo muito melhor.

— E a polícia está fazendo o que pode.

— Isso mesmo... o que é possível.

— Estive pensando a respeito. Acho que você deveria passar algum tempo aqui. Até que tudo seja esclarecido, é melhor não votar a Charlotte e viajar para outros lugares.

Planejava mesmo ficar e trabalhar aqui, pelo menos durante as próximas semanas.

— Deve mesmo ficar, Isabela, até que o problema seja resolvido.

Surpresa com o tom firme, tão próximo de uma ordem quanto podia recordar de ter ouvido o pai desde a infância, Bella virou-se e levantou as sobrancelhas.

— Não moro aqui, mas em Charlotte.

— Mas não ficará em Charlotte até que tudo fique esclarecido — declarou Charlie, a voz pausada.

Bella ergueu os ombros numa reação automática.

— Não vou permitir que algum maluco governe minha vida. Quando estiver pronta para voltar, eu voltarei.

— Não deixará Santuário até eu dizer que pode partir. Ela ficou espantada.

— Como?

— Ouviu muito bem, Isabela. Sempre teve uma excelente audição e uma perfeita compreensão de tudo. Ficará aqui até que esteja completamente recuperada e seja seguro voltar para retomar sua vida normal.

— Se eu quiser partir amanhã...

— Não partirá. Já tomei a decisão.

— Tomou uma decisão por mim? — Aturdida, ela se aproximou da mesa e fitou o pai, o rosto franzido. — Acha que pode tomar uma decisão sobre alguma coisa relacionada só a mim, depois de tantos anos, e eu aceitarei passivamente?

— Não. Acho que será preciso amarrá-la para que fique, se não concordar... como sempre. Isso é tudo o que tenho a dizer.

Charlie queria escapar, queria sossego. Mas quando começou a deslizar pelo banco para se levantar, a filha estendeu a mão para bloqueá-lo.

— Mas não é tudo o que eu tenho a dizer. Ao que parece, papai, você perdeu a noção do tempo. Já tenho vinte e sete anos.

— E fará vinte e oito anos em novembro. Conheço as idades de meus filhos.

— E isso faz com que seja um modelo exemplar de paternidade?

— Não. — Os olhos de Charlie continuaram fitá-la. — Mas não há como mudar o fato de que sou seu pai mesmo assim. Até agora você tem se saído bem sozinha. Mas a situação se tornou diferente. Portanto, deve permanecer aqui, onde há pessoas que podem velar por você, pelo menos por mais algum tempo.

— Acha mesmo? — Os olhos de Bella eram fendas estreitas. — Pois saiba que continuarei a tomar pessoalmente minhas decisões.

— Bom-dia.

Sue entrou sorridente na cozinha. Ouvira a conversa através da porta nos dois últimos minutos e calculara que era tempo de se apresentar. Sempre se sentia satisfeita quando entrava em qualquer lugar daquela casa sem encontrar apatia ou amargura. Pelo menos a irritação podia ser controlada.

— Esse café está com um cheiro delicioso. E estou ansiosa por tomá-lo.

Num movimento calculado, ela levou uma xícara e o bule para a mesa. Sentou ao lado de Charlie, antes que ele pudesse se levantar.

— Deixe-me encher sua xícara, Charlie. Bella, traga também sua xícara para eu servir mais. Juro que não me lembro da última vez em que sentamos juntos para tomar um café sossegado pela manhã. E Deus sabe que precisamos disso depois do caos no jantar ontem à noite.

— Eu estava de saída — protestou Bella, tensa.

— Ora, meu bem, sente-se e termine seu café primeiro. Emmet já vai aparecer para nos mandar embora. Parece que você teve uma boa noite de sono. — Sue exibiu um sorriso jovial. — Seu pai e eu estávamos preocupados com sua agitação.

— Não precisam se preocupar. — Relutante, Bella levou sua xícara para a mesa. — Tudo que pode ser feito está sendo feito. Na verdade, já me sinto tão mais calma que tenho pensado em voltar para Charlotte.

Ela lançou um olhar desafiador para o pai, antes de acrescentar:

— Muito em breve.

— Seria ótimo, Bella, se quer mandar todos nós para a sepultura mais cedo de tanta preocupação. - Sue falou no tom mais suave possível, enquanto punha açúcar no café.

— Não sei como...

— Claro que sabe — interrompeu Sue. — Apenas está furiosa e tem esse direito. Mas não tem o direito de descarregar sua fúria nas pessoas que a amam. É natural fazer isso...

Depois de uma pausa, Sue acrescentou com um sorriso:

— ... mas não é certo.

— Não é isso o que estou fazendo.

— Ótimo. — afagou sua mão, como se esse assunto estivesse resolvido. — Pelo que vejo, planeja bater algumas fotos hoje.

Ela olhou para a bolsa de equipamento fotográfico que Bella largara em cima do balcão.

— Peguei aquele livro de fotos da ilha do pai de Edward. Pus na sala de estar, depois de ver as fotos de novo. Algumas são maravilhosas.

— Ele era um excelente fotógrafo — murmurou Bella, fazendo um esforço para se livrar do mau humor.

— Era mesmo. Encontrei uma foto de Edward, Emmet e outro menino, que devia ser o irmão caçula de Edward. Eram muito bonitos. Seguravam uma truta enorme e exibiam sorrisos de um quilômetro de largura. Você deveria dar uma olhada.

— É o que farei.

Bella descobriu-se a sorrir, pensando em Edward aos dez anos de idade, com uma truta no anzol.

— E você mesma também deveria pensar em fazer um livro de fotos da ilha — continuou Sue. — Seria maravilhoso para os negócios. Charlie, leve Bella para aquele lugar do pântano em que a acelga-brava está desabrochando. E se os dois atravessarem a floresta e passarem pela beira sudoeste, encontrarão o caminho coberto de trombeteiras. Daria uma foto incrível, Bells. A passagem parece um tapete de flores.

Ela continuou a falar sem parar, apresentando sugestões, sem dar qualquer oportunidade a pai ou filhade interrompê-la. Ao entrar pela porta dos fundos, Emmet ficou aturdido com a cena familiar aconchegante. Sue ofereceu lhe um sorriso radiante.

— Já vamos sair daqui num instante para não atrapalhá-lo, querido. Bella e Charlie estavam decidindo que caminho devem percorrer para circular pela ilha hoje. Bella quer tirar algumas fotos. É melhor vocês começarem logo.

Sue levantou-se de repente e pegou a bolsa de Bella.

— Sei como você é exigente com a luz e essas coisas. Basta dizer a seu pai quando achar que é o lugar certo. Mal posso esperar para ver as fotos que você vai tirar. Mas é melhor se apressarem, antes que Emmet fique impaciente. Charlie, se tiver oportunidade, leve Bella até o lugar em que aqueles filhotes de andorinha-do-mar acabaram de sair dos ovos. Ei, olhe só para a hora! Vocês dois: tratem de se apressar!

Ela quase levantou Charlie à força. Empurrou-o, falando sem parar, até que os dois saíram.

— Mas o que foi isso, Sue? — perguntou Emmet.

— Isso, com um pouco de sorte, foi o início de alguma coisa.

— Os dois seguirão por caminhos separados um metro depois de deixarem a casa.

— Não vão não — discordou, enquanto se encaminhava para o telefone tocando na parede. — Porque nenhum dos dois vai querer ser o primeiro a dar o passo para se afastar. Cada um ficará esperando que o outro seja o primeiro a se desviar, e assim seguirão a mesma direção, para variar.

Ela atendeu ao telefone.

— Bom-dia. Pousada Santuário. — O sorriso desapareceu no instante seguinte. — Sinto muito. Claro, claro...

Automaticamente, ela pegou um lápis e começou a escrever num bloco ao lado do telefone.

— Darei alguns telefonemas imediatamente. Não se preocupe. É uma ilha muito pequena. Ajudaremos em tudo o que for possível, Sr. Peters. Eu mesma irei até o chalé. Não precisa se incomodar. Já estou de saída.

— Mosquitos passando pela tela de novo? — perguntou Emmet, embora já soubesse que era mais do que isso, muito mais.

— Os Peters alugaram o chalé da Wild Horse Cove por uma semana, junto com amigos. O Sr. Peters não encontrou a esposa esta manhã.

Emmet sentiu uma pontada de medo na base da espinha. Não podia ignorá-la, mas disse a si mesmo que era uma reação exagerada e absurda.

— Sue, ainda não são sete horas. Ela deve ter levantado cedo e saído para dar uma volta.

— Ele está procurando há quase uma hora. Encontrou os sapatos na praia. — Preocupada, Sue passou a mão pelos cabelos. — Deve ter acontecido o que você disse, mas de qualquer maneira o Sr. Peters está preocupado demais. Irei até lá para acalmá-lo e ajudá-lo a procurar, até que ela volte para casa.

Sue deu um sorriso contrafeito.

— Sinto muito, querido, mas isso significa que terei de acordar Alice para me substituir no turno da manhã. E é inevitável que ela fique na maior irritação.

— Não estou preocupado com Alice. — Quando Sue já se encaminhava para a porta, Emmet acrescentou: — Sue, pode ligar para mim assim que a Sra. Peters voltar?

— Claro, querido. E sou capaz de apostar que ela já terá voltado quando eu chegar ao chalé.


Mas a mulher ainda não aparecerá, por volta do meio-dia, Tom Peters não era o único em Desire que estava preocupado. Outros turistas e nativos iniciaram uma busca, inclusive Edward. Já vira Tom e Susan Peters uma ou outra vez e tinha uma vaga recordação de uma morena bonita, esguia, não muito alta.

Ele deixou os outros vasculharem a praia e a enseada, enquanto concentrava sua busca na faixa de terra entre os dois chalés. A distância entre os dois era inferior a trezentos metros. A floresta terminava perto de seu chalé, dando lugar às dunas e depressões com vegetação rasteira. Ele cobriu a área devagar. Ao chegar ao trecho de areia, avistou as pegadas cruzadas das outras pessoas que participavam da busca.

Embora soubesse que era inútil, Edward subiu as dunas. A enseada lá embaixo era isolada, mas qualquer pessoa ali seria avistada meia dúzia de vezes pelos outros que procuravam a mulher desaparecida.

Havia apenas uma pessoa ali agora, um homem que andava de um lado para outro.

— Edward?

Ele virou-se e avistou Bella subindo pela encosta entre as dunas. Estendeu a mão para ajudá-la.

— Passei por seu chalé — disse ela. — Creio que já sabe.

— Aquele lá embaixo deve ser o marido. Já o havia visto algumas vezes antes.

— Tom Peters. Estive por toda a ilha. Saí cedo para trabalhar, por volta das sete horas. Um dos garotos Pendleton nos localizou e avisou, há cerca de uma hora. Disse que os sapatos dela foram encontrados na beira da água.

— Foi o que também me contaram.

— As pessoas estão pensando que ela pode ter saído para nadar e... A correnteza aqui não é forte, mas se ela sofreu uma cãibra ou foi longe demais...

Era um cenário sinistro e já ocorrera a Edward.

— Mas se tivesse acontecido assim, a maré já não teria trazido o corpo de volta?

— Ainda pode trazer. Se a correnteza levou-a para longe, podem encontrar o corpo no sul da ilha na próxima mudança de maré. Barry Fitzsimmons afogou-se assim. Tínhamos em torno de dezesseis anos. Ele nadava bem, mas saiu sozinho uma noite, durante uma festa na praia. Bebera bastante. Foi encontrado na manhã seguinte, na maré baixa, a quase um quilômetro para o sul.

Edward deslocou o olhar para o sul, onde as ondas não eram tão serenas. Pensou em James, afundando sob as ondas do Mediterrâneo azul.

— Neste caso, onde estão as roupas dela?

— Como?

— Se ela decidisse dar um mergulho, tiraria as roupas.

— Acho que tem razão. Mas ela pode ter vindo para a praia de biquíni.

— Sem uma toalha? — Não combinava, decidiu Edward. — Não sei se alguém perguntou ao marido se sabe o que a mulher vestia quando saiu de casa. Vou descer para perguntar.

— Acho que não devemos nos intrometer.

— Ele está sozinho e preocupado. — Edward continuou a segurá-la pela mão quando começaram a descer. — Ou teve uma briga com a mulher, matou-a e deu sumiço no corpo.

— É uma idéia horrível e absurda. E um homem absolutamente decente e normal.

— Às vezes os homens absolutamente decentes e normais fazem coisas inconcebíveis.

Edward estudou Tom Peters ao se aproximarem. Quase chegando aos trinta anos, beirando um metro e oitenta de altura. Parecia em boa forma física no short amarrotado e camiseta branca. Devia fazer exercícios numa academia três ou quatro manhãs por semana, pensou Edward. Já tinha um bom bronzeado de férias. Apesar de a barba por fazer proporcionar uma aparência desleixada, os cabelos de um louro escuro haviam sido cortados há pouco tempo... e bem cortados.

Quando ele ergueu o rosto, Edward viu apenas um medo doentio em seus olhos.

— Sr. Peters... Tom...

— Não sei onde mais procurar. Não sei o que fazer. — Enunciar as palavras em voz alta trouxe lágrimas a seus olhos. Ele piscou para contê-las, a respiração acelerada. — Meus amigos foram procurar no outro lado da ilha. Mas eu tinha de voltar para cá, pois ela podia aparecer...

— Precisa sentar. — Bella pegou o braço de Tom Peters, gentilmente. — Por que não voltamos ao chalé, para que possa descansar um pouco? Farei um café.

— Não posso sair daqui. Ela veio para a praia ontem à noite. Tivemos uma briga, porque... Ó Deus, que coisa mais estúpida! Por que brigamos?

Ele cobriu o rosto com as mãos, pressionando os dedos contra os olhos ardendo.

— Ela quer comprar uma casa. Ainda não temos condições. Tentei explicar isso, mostrar que seria inviável, mas ela não queria escutar. Fiquei aliviado quando ela saiu de casa, furiosa. Pensei: agora pelo menos posso dormir um pouco enquanto ela descarrega o mau humor.

— Talvez ela tenha resolvido nadar um pouco para esfriar a cabeça. — sugeriu Edward.

— Susan? — Tom deixou escapar uma risada curta. — Nadar sozinha, à noite? Não havia a menor possibilidade. De qualquer forma, ela só entrava no mar até a altura dos joelhos. Não gosta de nadar no mar. Sempre diz que ouve música de violoncelo no instante em que a água bate em seus joelhos. Sabe...

Ele deu um sorriso fraco, antes de acrescentar:

— ... por causa do filme Tubarão.

Tom Peters virou-se, olhando para o mar.

— Sei que as pessoas estão pensando que ela pode ter saído para nadar, que pode ter se afogado. Mas não é possível. Ela adora sentar na praia e olhar para o mar. Adora ouvir o murmúrio das ondas, sentir o cheiro de maresia. Mas não entra na água. Onde ela pode estar? Oh, Susan, esta é uma maneira terrível de me pressionar para comprar uma casa. Tenho de ir para algum lugar, procurar em algum lugar, Não posso ficar parado aqui.

Ele correu para as dunas. Provocou uma avalanche de areia ao subir apressado.

— Acha que é isso o que ela está fazendo, Edward? Assustando-o porquê ficou furiosa?

— Devemos torcer para que seja isso. — Ele passou um braço pelo cintura de Bella. — Vamos seguir pelo caminho mais longo até o chalé. Mantenha os olhos bem abertos. E quando chegarmos lá vamos tirar uma folga de tudo isso.

— Bem que preciso de uma folga. De quase tudo.

O vento aumentou de intensidade enquanto passavam pelo vale entre as dunas na praia e as dunas mais altas para o interior, onde os sabugueiros e sambucos estabilizavam a areia. Havia rastros por toda parte, de caranguejos, perus selvagens de três dedos, de cervos que vagueavam por ali para se alimentarem de sementes e pequenas frutas.

Pegadas humanas também haviam revolvido a areia, mas o vento apagaria tudo.

Apesar do uso da área como pasto, milhares de juncos brancos, parecidos com estrelas, e frágeis rosas do pântano coloriam a paisagem.

Bella especulou se seria capaz de seguir por aquele caminho sozinha, à noite. Fora uma noite clara e uma praia solitária, do tipo que atraía corações transtornados, além dos satisfeitos. O vento devia ser firme e fresco. E mesmo depois que a maré baixasse, deixando a areia úmida, o vento ainda sopraria a areia, arranhando os tornozelos.

— Ela pode ter deixado os sapatos lá embaixo — sugeriu Bella. — Se queria andar. Estava furiosa, transtornada, queria ficar sozinha. Era uma noite quente. Ela pode ter atravessado a praia e seguido pela beira da água. Isso é mais provável do que qualquer outra coisa.

Bella virou-se para contemplar as pequenas elevações perto do mar. O vento soprava areia e espuma, fazia ondular a aveia-do-mar, a erva-capitão e outras plantas rasteiras emaranhadas.

— Talvez já a tenham encontrado a esta altura. — Edward pôs a mão no ombro de Bella. — Ligaremos para verificar quando chegarmos ao chalé.

— Para onde mais ela poderia ter ido? — Bella olhou na direção do interior da ilha, as dunas sucedendo-se, em curvas suaves, até alcançarem a linha das árvores. — Teria sido uma insensatez entrar na floresta. Ela perderia o luar... e ia querer os sapatos. Estaria bastante furiosa com o marido para se manter a distância, deixá-lo tão preocupado por causa de uma casa?

Não sei. As pessoas fazem coisas inexplicáveis umas com as outras quando estão casadas. Coisas que parecem cruéis, indiferentes ou insensatas para quem está do lado de fora.

— Você fez? — Bella virou a cabeça para estudá-lo. — Fez coisas cruéis, indiferentes ou insensatas quando era casado?

— Provavelmente. — Ele empurrou para trás da orelha os cabelos que esvoaçavam no rosto de Bella. — Tenho certeza de que minha ex-mulher tem uma litania de coisas assim para recitar.

— Na maioria das vezes, o casamento é um erro. Você depende de alguém, inevitavelmente tende a ser muito exigente ou indulgente, às vezes acha a pessoa irritante apenas porque está sempre ali.

— E um ceticismo extraordinário para uma pessoa que nunca foi casada.

— Tenho observado casamentos. Apenas observado.

— Porque é menos arriscado do que participar.

Bella tornou a se virar.

— Porque é isso o que eu faço. Se ela foi para algum lugar, a pé, evitando voltar, deixando o marido, como poderia esperar que ele a perdoasse algum dia?

Subitamente, Bella sentiu uma raiva profunda e amargurada.

— Mas ele vai perdoá-la, não é mesmo? — indagou ela, virando-se para Edward. — Ele a perdoará, cairá a seus pés chorando de alívio, comprará a porra da casa que ela tanto quer. Tudo o que ela precisava fazer era se ausentar, fazê-lo passar pelo inferno durante algumas horas.

Edward estudou os olhos faiscando, o rubor que a raiva pusera em suas faces.

— Talvez você tenha razão. — Ele falou num tom suave, fascinado por como Bella era capaz de passar da preocupação para a condenação num piscar de olhos. — Mas está atribuindo muita culpa e calculismo a uma mulher que nem conhece.

— Já conheci outras como ela. Minha mãe, Jessica, pessoas que fazem exatamente o que querem fazer, sem se importarem com as conseqüências ou a dor que vão causar às outras. Estou cansada das pessoas assim, com seus interesses egoístas, suas preocupações egocêntricas.

Havia uma angústia profunda na voz de Bella. Envolveu Edward por completo, provocando um calafrio que percorreu todo o seu corpo.

Tinha de contar a ela, pensou. Não podia mais reprimir, continuar a empurrar para o lado, por mais que tivesse se empenhado em convencer a si mesmo que o silêncio era melhor para ambos.

Talvez o desaparecimento de Susan Peters fosse um sinal, um presságio. Se ele acreditasse nessas coisas. Mas independentemente de tudo em que acreditava e de tudo o que queria, um dia teria de contar a ela o que sabia.

E Bella seria bastante forte para agüentar firme? Ou a verdade a destruiria?

— Vamos entrar, Isabela.

— Está bem. — Ela cruzou os braços, enquanto nuvens tapavam o sol, e o vento aumentava de intensidade com um uivo de advertência. — Por que estamos aqui fora, preocupando-nos com uma estranha que é bastante egoísta e irresponsável para fazer o marido e os amigos passarem por tamanho sofrimento?

— Porque ela está perdida, Bella. De um jeito ou de outro.

— Quem não está?

Teria de esperar mais um dia, disse Edward a si mesmo. Até que Susan Peters fosse encontrada. Se ele desafiasse os deuses ao esperar por mais um dia, ao roubar mais algumas horas, antes de destruir a vida de ambos, teria de pagar o preço.

E quanto mais terrível poderia ser esse preço, além de tudo o que já pagara?

Quando tivesse certeza de que Bella estaria mais forte, quando tivesse certeza de que ela poderia suportar, contaria o segredo hediondo que só ele conhecia.

Renée nunca deixara Desire. Fora assassinada na floresta, a oeste de Santuário, numa noite de verão, sob a lua cheia. Carlisle Cullen, o pai que ele crescera amando, admirando e respeitando, fora o assassino.

Bella viu um raio riscar o céu, acompanhado pela chuva torrencial, no mar, a alguma distância.

A tempestade está chegando — murmurou ela.

— Eu sei. — disse Edward puxando Bella para dentro do chalé. — Eu sei.


um dos misterios resolvidos... não se esqueçam da enquete... bjuxx^^