oi flores... mais um capitulo... fiquei chocada que vcs não desconfiaram do carlisle... a enquete continua... quem sera o assassino... será que carlisle ainda esta vivo... as coisas agora vão ficar ainda mais sombrias porque esta acabando...

só respondendo a visil... sim o ed sabia que o assassino era o carlisle... ele voltou a ilha só para dizer isso... mas se apaixonou pela bella... será que ela vai perdoa-lo...bjuxx^^ e não se esqueçam das reviews...


As primeiras gotas, enormes, caíram no solo. Rose acelerou os passos. O grupo de busca de que ela participara havia se separado na bifurcação do caminho. Rose decidira seguir para Santuário. Estremeceu agora, quando a chuva passou por galhos e trepadeiras entrelaçadas para deixá-la encharcada. Ao se aproximar da casa, a chuva era forte, soprada pelo vento, surpreendentemente fria. Avistou Emmet, sem chapéu, os ombros vergados, subindo pela estrada, à sua direita.

Encontrou-o na beira do terraço leste. Sem dizer nada, ele pegou-a pela mão e levou-a para a varanda fechada. Por um momento, ficaram parados ali, a água escorrendo de seus corpos, enquanto os raios riscavam o céu e as trovoadas explodiam em resposta.

— Nenhuma notícia? — perguntou Rose, transferindo a maleta médica para a outra mão.

— Nada. Venho do lado oeste. Jasper levou um grupo para o norte. — Cansado, Emmet ergueu a mão para esfregar o rosto. — Isso está começando a se tornar um hábito.

— Já tem mais de doze horas que ela foi vista pela última vez. — Rose olhou para o aguaceiro. — É tempo demais. Terão de suspender a busca até a tempestade passar. Por Deus, Emm, temos de encontrar o corpo na praia trazido pela maré depois disso. É a única explicação. Tenho pena do marido.

— Não há mais nada que possamos fazer agora a não ser esperar. Você precisa de uma camisa seca e um café.

— Tem toda razão. — Ela afastou os cabelos molhados do rosto. — Preciso mesmo. Aproveitarei para dar uma olhada em sua mão, já que estou aqui, e fazer um novo curativo.

— A mão está ótima.

— Eu é que decido isso, depois de examinar o ferimento — disse ela, entrando na casa atrás de Emmet.

— Como quiser. Agora suba e pegue uma roupa no armário de Bella. A casa parecia silenciosa e isolada sob a chuva violenta.

— Ela está?

— Pelo que sei, Bella também saiu. — Emmet foi até o freezer e pegou uma sopa que fizera semanas antes. — Vai se abrigar em algum lugar, como todo mundo.

Quando Rose voltou, quinze minutos depois, a cozinha recendia a café e sopa borbulhando. O calor dissipou o resto de tensão nos ombros dela. Encostada na porta por um momento, observou-o trabalhar.

Apesar da mão enfaixada, Emmet cortava com precisão grossas fatias de pão de centeio, que ele mesmo indubitavelmente fizera. A camisa molhada aderira ao corpo, deixando à mostra contornos atraentes de músculos e costelas. Quando ele fitou-a, os olhos azuis pareciam enevoados, o que provocou um agradável arrepio em Rose.

— O aroma é maravilhoso.

— Achei que você ainda não havia comido.

— E acertou. Não como nada desde... um pão dinamarquês esta manhã. — Ela estendeu a camisa que pegara no armário de Emmet.

— Vista isto.

— Obrigado. — Ele notou que Rose havia vestido um dos trainings cinza de Bella. Era enorme e fazia com que ela parecesse ainda mais delicada. — Parece perdida nessas roupas.

— Bella é pelo menos quinze centímetros mais alta do que eu. Ela alteou uma sobrancelha quando ele tirou a camisa molhada pela cabeça. A pele úmida era bronzeada e lisa.

— Ah, como você é atraente, Emmet! — Ela riu quando Emmet franziu o rosto, num óbvio embaraço confuso. — Devo apreciar seu corpo maravilhoso em dois níveis, como médica e como mulher. É melhor vestir logo essa camisa ou posso perder o controle... como as duas coisas.

— Isso pode ser interessante. — A camisa pendendo dos dedos, Emmet deu um passo para ela. — Qual seria a primeira?

— Nunca deixei que as inclinações pessoais interferissem com as obrigações profissionais. — Ela subiu um dedo pelo braço dele, depois desceu até o pulso. — E é por isso que vou examinar o ferimento primeiro.

— E depois?

Antes que ela pudesse responder, Emmet pôs as mãos em concha sobre seus cotovelos e levantou-a. Quando as bocas ficaram no mesmo nível, ele inclinou-se para a frente e beijou-a de leve.

— Uma força excelente na parte superior do corpo. —A voz era apenas um pouco ofegante quando ela passou as pernas em torno da cintura de Emmet. Encostou os lábios na pulsação do pescoço e murmurou: — Seu pulso está um pouco acelerado.

— Tenho um caso de atração por você, Dra. Rose. — Emmet roçou o rosto pelos cabelos dela, que recendiam a chuva e limão. — Não parece ser passageiro. E estou até começando a pensar que pode ser terminal.

Como Rose ficou imóvel, ele mudou-a de posição até poder ver seus olhos.

— O que você quer de mim, Rose?

— Pensei que sabia. — Ela sentiu um tremor nos dedos quando os passou pelo rosto de Emmet. — Já não tenho mais certeza. Talvez seja contagioso o caso a que você se referiu. Sente uma pressão em torno do coração?

— Como se estivesse sendo apertado.

— E a sensação de que o estômago sobe e desce aos solavancos?

— Durante todo o tempo ultimamente. O que há de errado conosco, doutora?

— Não tenho certeza, mas...

Ela soltou-o quando ouviu a porta de tela ser batida. Vozes se elevaram e invadiram a cozinha. Com um suspiro, Rose encostou o rosto no de Emmet, até que ele a pôs no chão.

— Parece que Alice e Jasper voltaram. — Ele continuou a olhar para Rose. — É possível que alguns dos outros tenham vindo também e vão precisar de uma refeição quente.

— Neste caso, eu o ajudarei a servir a sopa.

— Eu agradeceria. — Emmet levantou a tampa da panela, deixando escapar o vapor e o aroma. — Vamos terminar a conversa em outra ocasião, mais cedo ou mais tarde.

— Isso mesmo. — Rose abriu um armário para pegar as tigelas. — Mais cedo ou mais tarde.


D a varanda do chalé de Edward, Bella olhava para a chuva e fumava, irrequieta. Ele tentara a televisão ao chegarem ao chalé, na esperança de ouvirem um boletim meteorológico. Mas a TV a cabo já estava fora do ar e por isso tiveram de se contentar com o rádio. Havia muita estática, enquanto o locutor dava avisos a pequenas embarcações e alertas de súbitas inundações.

Ficariam também sem eletricidade se a tempestade se prolongasse, pensou Bella. E era inevitável o transbordamento de rios e lagoas. Já dava para ver poças se formando e aprofundando.

— Ainda não há notícia. — Edward veio se postar ao lado dela na varanda. — Um grupo de busca foi se abrigar em Santuário, enquanto espera que a tempestade passe.

Ele estendeu uma toalha sobre os ombros de Bella e acrescentou:

— Você está tremendo. Por que não entra?

— Gosto de observar. — Um raio riscou o céu, provocando um calafrio em Bella. — Tempestades assim são horríveis quando a pessoa está desabrigada, mas emocionantes quando se assiste do lugar certo.

Ela respirou fundo quando o céu ficou quente e branco. O cheiro de ozônio perdurou no ar.

— Onde está sua câmera? Deixei a minha em casa.

— No quarto. Vou buscá-la.

Impaciente, Bella apagou o cigarro numa concha quebrada. Excesso de energia, pensou ela. Vibrava por todo o seu corpo. Ela quase arrancou a câmera das mãos de Edward quando ele voltou.

— Que tipo de filme você tem aqui?

— Quatrocentos — respondeu ele, observando-a examinar a câmera.

— Ótimo. Um filme de exposição rápida, como eu quero agora. Bella levantou a câmera, apontou para as árvores fustigadas pela chuva, o musgo balançando.

— Vamos, vamos... — murmurou ela, para bater a foto no relâmpago seguinte. — Outro, quero outro.

A trovoada ressoou pelo ar, enquanto ela trocava de ângulo, o dedo ansioso, como se estivesse no gatilho de uma arma.

— Preciso sair para tirar uma foto debaixo daquela árvore.

— Não. — Edward abaixou-se para pegar a toalha que caíra dos ombros de Bella. A varanda oferecia pouca proteção. Os dois já estavam ficando encharcados. — Não pode sair assim. Nunca se sabe onde o próximo raio vai acertar.

— É a metade da satisfação, não é mesmo? O fato de não saber, não se importar. — Bella sacudiu a cabeça. A temeridade era evidente em sua atitude, um brilho perigoso nos olhos. — Não sei o que estou fazendo com você, ou quando posso ser atingida de novo. Quando você vai me magoar, Edward, e quanto tempo levarei para superai? E quanto tempo antes que um de nós faça alguma coisa cruel, indiferente ou insensata?

Antes que ele pudesse falar, Bella agarrou-o pelos cabelos e puxou seu rosto para um beijo.

— Não me importo — murmurou ela, apertando o lábio de Edward com os dentes.

— Mas precisa se importar.

Revoltado com o destino, ele pegou o rosto de Bella entre as mãos e puxou-a. Seus olhos estavam tão sombrios e violentos quanto a tempestade.

— Quero que você compreenda que não tive opção, quando a magoar.

— Não me importo — repetiu ela, beijando-o. — Só quero o agora. Este momento. Quero você. Não quero pensar. Não quero que nós dois pensemos. Quero apenas sentir.

Edward já estava atordoado quando passaram cambaleando pela porta. Bella balançou a câmera, rindo e gemendo, enquanto ele arrancava sua camisa.

— Rápido — balbuciou ela. — Ainda quero rápido. Edward levou-a para o chão. A câmera caiu no tapete, enquanto tiravam roupas e sapatos. Bella ainda tinha as mãos presas nas mangas da camisa quando ele a penetrou. Fez um esforço para retirá-las, a emoção momentânea de estar presa e desamparada acrescentando outra camada de excitamento. Até que soltou as mãos e comprimiu os dedos contra os quadris de Edward, pressionando-o para ir mais fundo e mais depressa.

Ele não podia se conter e deixou que a rapidez, o calor e a fúria do acasalamento dominassem os dois. Se a necessidade de Bella era frenética, ele sentia-se desesperado. Para conquistá-la, possuí-la, mantê-la. Por mais um dia, mais uma hora. Uma dúzia de vidas.

Se sua punição pelo crime do pai era se apaixonar, então estava perdidamente apaixonado. Por isso, queria aproveitar todos os momentos possíveis, antes de chegar a hora do ajuste de contas.

Bella soltou um grito agradecido quando alcançou o orgasmo. O corpo de Edward arremeteu contra o seu numa explosão final, para depois ficar quieto. Ofegava quando se ergueu para contemplá-la.

— Era isso que você queria?

— Era.

— Rápido e sem coração?

— Isso mesmo.

Edward fechou a mão. Fora exatamente o que lhe dera.

— Acha que vai parar com isso?

Ela fechou os olhos por um instante, mas logo fez um esforço para abri-los.

— Não.

— Ainda bem.

Ele abriu a mão e acariciou o rosto de Bella. Outro momento roubado, pensou Edward, quando ela abriu os olhos para fitá-lo.

— Detestaria ter de discutir com você quando ainda a desejo. Dê-me mais, Isabela. — Ele baixou a boca para provocá-la. — Não me faça tomar desta vez.

Ela ergueu os braços para enlaçá-lo. — Tenho medo de você.

— Sei disso. Dê-me mais, mesmo assim. Corra o risco.

A boca de Edward permaneceu gentil, esperando que ela reagisse e depois exigisse. Queria mais, muito mais do que o sexo rude e nervoso que ofereceram um ao outro. Mais do que a investida animal do sangue quente. E quando Bella murmurou seu nome, com um suspiro, ele compreendeu que tinha o princípio da entrega total.

A boca de Bella tornou-se mais faminta, as mãos começaram a vaguear. A necessidade ressurgiu, mais intensa ainda, como se nunca tivesse sido satisfeita antes. Ela ansiou pelo gosto da pele de Edward e levou os lábios e a língua numa excursão por seu rosto e pescoço. O som um murmúrio de aprovação, rolou para cima dele, com a liberdade de fazer o que bem quisesse.

O vento uivava, sacudindo a porta de tela. A casa estremecia em torno dos dois. Em contraste, seus movimentos eram lentos, quase lânguidos. O tato e o gosto, o suspiro e o murmúrio. Bella perdeu-se nos movimentos fáceis, no roçar dos corpos, nos ritmos iniciados e acompanhados.

Pensou que poderia flutuar por cima de Edward e admirou como fazia cada músculo tremer.

Edward inclinou-a para trás, sentou e acomodou-a em seu colo. Era de ternura que precisava para ambos agora, a fim de aliviar a dor já sofrida. E a dor que ainda viria.

Seus olhos se encontraram e se mantiveram assim quando ele a beijou, um beijo cada vez mais profundo e ardente, fazendo com que uma onda de calor percorresse o corpo de Bella. A intimidade do momento fazia-a vibrar. Ela poderia ter resistido e até ergueu a mão como se fosse fazê-lo. Mas logo ficou inerte e perdeu-se por completo.

E deu a ele mais.

Era a rendição que ele queria, para ambos. A sua e a dela. A entrega. Beijos suaves e ternos foram se sucedendo, levando-os ao excitamento, sem qualquer pressa. Quando ele a penetrou de novo, Bella soltou um gemido suave e um pequeno suspiro de prazer. Foi uma transa lenta e gentil, culminando com um orgasmo longo e envolvente.

Os dois tremeram. Ao estender a mão, Bella ficou emocionada ao encontrá-lo duro e pronto. Seus lábios se contraíram num sorriso, sem romper o beijo.

— Outra vez... — murmurou ela. — Da mesma maneira... outra vez...

O prazer dominou-a, fazendo sua cabeça girar, em vertigem, como se tivesse tomado muito vinho. Ainda vibrando, Bella mudou de posição, ficando por cima dele, a boca em seu peito, sobre o coração.

— Adoro o que você pode fazer comigo. — Ela desceu, espalhando beijos de leve, com a boca entreaberta, pela barriga de Edwad. — E agora quero saber o que posso fazer com você.

Ele estremeceu quando ela fechou a boca quente e generosa em seu pênis. Um prazer intenso deixou-o com a visão turva e provocou um rugido em sua cabeça que abafou o barulho da chuva. Bella levou-o à beira do orgasmo. Ele se entregou ao prazer, só conseguindo manter o controle e a sanidade por muito pouco.

Bella ergueu-se, o corpo brilhando na semi-escuridão. Baixou por cima dele, engolindo-o. Arqueou as costas, para que fosse ainda mais fundo. Ergueu os braços e cruzou-os atrás da cabeça, como em triunfo. Seus olhos se encontraram com os de Edward, enquanto ela se mexia.

Devagar, mas incontrolável. E o corpo todo estremeceu quando as mãos de Edward fecharam-se sobre os seus seios, firmes e possessivas. Ele prendeu a respiração, soltou um gemido estrangulado, enquanto Bella apoiava as mãos em seu peito.

A cabeça de Bella pendeu para trás, o corpo ficou esticado, os músculos apertaram-no, enquanto ela se projetava para o orgasmo. Mas mesmo enquanto o coração parava, o cérebro parecia se desmanchar, o organismo ansiava por mais. Ela não podia mais suportar, mas também não podia parar. O corpo se movimentava, para a frente, para trás, em busca de um novo prazer.

O suor era como orvalho em sua pele. Quando ele se ergueu, para envolver o mamilo com a boca, sentiu gosto de sal e calor. Bella gozou de novo, gritando em choque, quase em pânico. Ele enlaçou-a e lançou-se também, os dois alçando vôo.

Ela sentia os pulmões ardendo, a garganta ressequida, como se fosse poeira. Tentou engolir em seco, desistiu e baixou a cabeça para o ombro de Edward. Quando os ouvidos pararam de zumbir, Bella ouviu o silêncio.

— Parou de chover.

— Hum-hum...

Com uma risada, ela quase conseguiu encher os pulmões de ar.

— Vamos ter a maior dificuldade para explicar essas esfoladuras causadas pelo tapete. — Apreciando a sensação, Bella passou as mãos pelas costas úmidas de Edward. —Acho que preciso de litros de água.

— Vou buscar.

— Está bem. Esperarei aqui.

— Embora me aflija admitir, acho que ainda me sinto um pouco fraco para carregá-la até a pia.

Edward deslocou-a para o lado e sorriu quando ela rolou inerte para o tapete.

Ele levantou-se e foi pegar um copo com água. Parou ao voltar para contemplá-la. Bella tinha a pele toda rosada do prazer. Os cabelos formavam um halo castanho em torno de seu rosto. A boca era suave, ainda inchada, um pouco contraída em contentamento. Num súbito impulso, ele largou o copo e pegou a câmera.

Bella abriu os olhos quando ouviu o clique da máquina. Soltou um grito e instintivamente cruzou os braços sobre os seios.

— O que está fazendo?

Roubando momentos, pensou Edward. Precisaria muito de todos aqueles momentos.

— Como você é linda!

Ele abaixou-se e bateu outra foto, enquanto Bella arregalava os olhos.

— Pare com isso. Ficou louco? Estou nua.

— Você é incrível. Toda desgrenhada, corada, saindo de uma transa. Não se cubra. Tem lindos seios.

— Edward... — Ela cruzou os braços ainda mais firme, num gesto defensivo. — Largue essa câmera.

— Por quê? — Ele baixou a câmera, mas continuou a sorrir. — Você mesma revelaria as fotos. Quem mais poderia ver? Não há nada mais artístico e de maior beleza visual do que um estudo de Jo ergueu a outra mão. — Deixe-me fotografá-lo.

— Claro.

Ele estendeu a câmera, divertindo-se ao vê-la franzir o rosto em surpresa.

— Você não está nem um pouco embaraçado.

— Não.

Ela inclinou a cabeça na direção da câmera, que Edward ainda segurava.

— Quero esse filme.

— Eu não planejava mesmo levá-lo para a Fotomat, querida. — Ele verificou o número de fotos. — Só resta mais uma. Deixe-me tirá-la. Apenas o seu rosto.

— Apenas o rosto. — Ela relaxou o suficiente para sorrir. — Pronto. Agora, quero o filme.

— Claro.

Edward movimentou-se depressa quando ela baixou o braço e tirou a última foto.

— Você disse que tinha acabado.

— Eu menti. — Ele levantou-se, rindo, e pôs a câmera na mesa. — Mas agora acabou mesmo. Vou querer ver os contatos para escolher as fotos que eu quero.

— Se acha que vou revelar esse filme, está redondamente enganado.

Bella levantou-se e pegou a câmera.

— As fotos que você tirou da tempestade também estão no filme.

Ele sorriu ao vê-la dividir-se entre o impulso de arrancar o filmo da máquina e destruí-lo e a necessidade de preservar suas própria fotos.

— Você me enganou, Edward.

— Tem toda razão. — Quando Bella se abaixou para pegar sua camisa, ele acrescentou: — Não vista isso. Ainda está molhada. Vou buscar uma camisa seca.

— Obrigada.

Ela observou-o dirigir-se ao quarto, contraindo os lábios pelas nádegas firmes e musculosas. Na próxima vez, decidiu ela, enquanto vestia a calça, não deixaria de ter sua própria câmera à mão.

E foi com esse pensamento que ela tirou o filme da máquina e guardou-o no bolso de trás da calça.

Edward jogou-lhe uma camiseta ao voltar, para depois abotoar os jeans que vestira.

— Voltarei para Santuário com você. Vamos verificar qual é a situação.

— Está bem. Os grupos de busca já devem ter saído de novo. — Bella passou os dedos pelos cabelos para desembaraçá-los. — Deve estar tudo enlameado por causa da tempestade. Se eu fosse você, calçaria botas.

Ele olhou para os tênis verdes de Bella.

— Você não está de botas.

— Estaria se as tivesse trazido.

— Neste caso, ambos ficaremos enlameados. — Ele pegou a mão dela e percebeu a surpresa aflorar em seus olhos quando a ergueu para beijar os dedos. — E esta noite eu a levarei para jantar fora.

— Jantar fora?

— Jantar dentro. Sentaremos no restaurante da pousada, estudaremos o cardápio, pediremos vinho. Já me disseram que há pessoas que costumam fazer isso.

— Não tem sentido. Eu moro ali.

— Mas eu não moro. E quero jantar com você. O tipo de noite em que um casal senta à mesa de frente um para o outro, à luz de velas, conversando. As outras pessoas fingem que não estão observando, mas pensam durante todo o tempo que formamos um casal muito atraente. — Ele pegou um boné na mesa e pôs na cabeça. — E posso olhar para você durante todo o jantar e pensar em fazer amor de novo. É o que se chama de romance.

— Não dou para qualquer romance.

— Disse a mesma coisa sobre o sexo. Estava enganada. — Ele pegou a mão de Bella e levou-a para a porta. — Vamos ver o que acontece. Talvez Emmet possa nos fazer um flã.

Ela teve de rir.

— As pessoas acharão muito estranho que eu ocupe uma mesa na pousada.

— Será alguma coisa para comentarem.

Os pés escorregaram na terra encharcada quando desceram os degraus. O calor recomeçara. O vapor subia, tornando o ar mais denso. A floresta era de um verde escuro, exuberante e fértil. A água pingava das folhas e caía sobre suas cabeças quando seguiram na direção do rio.

— O rio ficou caudaloso — comentou Bella. — Está subindo depressa. Pode transbordar das margens, mas duvido que cause maiores danos.

Ela fez um desvio para olhar mais de perto, aceitando resignada os tênis estragados, enquanto afundava na lama até os tornozelos.

— Imagino que papai vai querer verificar a situação, mas não há muita coisa que possa ser feita. Pode haver problemas no camping. Porém, a praia deve ter resistido bem. O vento não foi bastante forte para acabar com as dunas. E teremos uma boa colheita de conchas arrastadas para a praia.

— Fala como seu pai. Contrariada, ela olhou para trás.

— Não é bem assim. Quase nunca penso no que acontece por aqui. Durante a temporada dos furacões, posso prestar mais atenção aos boletins meteorológicos para esta área, mas nunca sofremos grandes danos em muitos anos.

— Isabela, você adora esta ilha. Não deveria se preocupar por ter de admitir.

— Não é o centro da minha vida.

— Pode não ser, mas é importante para você. — Edward se adiantou. — Muitas coisas e muitas pessoas podem ser importantes para você sem que tenham de controlar sua vida. Você é importante para mim.

O alarme soou no coração de Bella. Ela deu um passo precipitado para trás.

— Edward...

Ela quase caiu quando a terra sugou seus pés.

— Assim vai acabar caindo no rio. — Ele segurou-a pelos braços. — E, se isso acontecer, vai me acusar outra vez, de empurrá-la. Não é o que estou fazendo. Não quero empurrá-la, Bella. Mas não vou lamentar se escorregar e cair em meus braços.

— Gosto de manter os pés firmes no chão e saber onde o terreno cede antes de pisar.

— As vezes você tem de se aventurar pelo desconhecido. E também é um território inexplorado para mim.

— Isso não é verdade. Você já foi casado e...

— Ela não era você. — Bella ficou imóvel em seus braços, enquanto ele acrescentava: — Nunca senti por ela o que sinto por você neste momento. Ela nunca me olhou como você me olha. E nunca a desejei tanto quanto desejo você. Era isso que estava errado desde o início. Eu não sabia, não compreendia quanto era minha culpa, até que tornei a me encontrar com você.

— Está indo depressa demais para mim.

— Pois então me acompanhe. E mais uma coisa, Isabela... — Ele soltou um suspiro impaciente, enquanto inclinava a cabeça dela para trás. — Ceda um pouco.

Ela sentiu a impaciência quando Edward beijou-a, assim como uma necessidade mais profunda do que se permitira admitir. A erupção de pânico dentro dela colidiu com o tremor de exultação. E o calor que fazia ferver seu sangue era como um brilho de esperança.

— Talvez você não esteja me pressionando. — Ela não resistiu quando Edward apertou-a mais um pouco. — Mas tenho a sensação de que estou afundando.

Bella encostou a cabeça no ombro dele, fazendo um esforço para que o cérebro se desanuviasse.

— Parte de mim quer deixar que aconteça, mas outra parte se debate para voltar à superfície. Não sei o que é melhor, para mim e para você.

Edward precisava desse brilho de esperança, o sussurro em seu coração prometendo que, se ela o amasse bastante, se amassem um ao outro, poderiam sobreviver ao que acontecera. E ao que estava para acontecer.

— Por que não pensa no que a torna mais feliz, não no que pode ser melhor?

Parecia tão simples que ela começou a sorrir. Olhou para a correnteza do rio e perguntou-se se não seria tempo para apenas mergulhar e descobrir para onde isso a levava. Quase podia se ver na correnteza.

Presa abaixo da superfície, olhando para cima. Arrastada para longe do ar e da luz.

O grito explodiu em sua garganta, a fez cair de joelhos, antes que Edward pudesse ampará-la.

— Bella, pelo amor de Deus!

— Na água! Na água! — Ela tapou a boca com a mão para conter a crescente histeria. — É mamãe? É mamãe na água?

— Pare com isso! — Edward ajoelhou-se ao seu lado. Virou-a pelos ombros, até que os rostos ficaram juntos. — Olhe para mim. Quero que você pare com isso. Não vou deixar que desmorone. Não permitirei que isso aconteça. Portanto, olhe para mim e trate de se controlar.

— Eu vi... — Ela teve de fazer um grande esforço para respirar. — Na água... eu vi... Estou perdendo o juízo, Edward. Não posso mais me controlar.

— Pode sim. — Desesperado, ele abraçou-a. — Pode fazer isso por mim. Abrace-me.

Enquanto ela estremecia, apertando-o com força, Edward olhou para a superfície do rio.

E viu o fantasma pálido olhando para ele.

— Ó Deus!

Seus braços comprimiram Bella convulsivamente. Depois, ele empurrou Bella para trás e deslizou temerário até a beira do rio crescente.

— Ela está mesmo aqui! — gritou ele, segurando-se num galho para não ser arrastado pela correnteza. — Dê-me uma ajuda!

— Como?

— Você não está perdendo o juízo. — Ofegante com o esforço, Edward estendeu a mão livre e agarrou os cabelos. — Há alguém na água. Ajude-me a tirá-la.

— Ó meu Deus! — Sem hesitação agora, Bella arrastou-se até a beira do rio, fazendo um esforço para se firmar com as pontas dos pés na lama escorregadia. — Dê-me sua mão, Edward. Tente segurá-la e eu o ajudarei a puxar. Ela está viva? Ainda respira?

Edward já pudera olhar melhor. E seu estômago se contraiu em horror e compaixão. O rio não fora gentil.

— Não. — Ele falou em tom incisivo, mudando a posição em que segurava o galho. Olhou para Bella. — Não, ela não está viva. Eu a manterei aqui, para não ser arrastada pela correnteza, enquanto você vai buscar ajuda em Santuário.

Ela estava calma agora, fria e calma.

— Vamos tirá-la juntos — murmurou Bella, estendendo a mão.