oi flores... adorei as reviews... que bom que estão gostando da fic... então vou dizer o mesmo que disse na outra fic... essa fic é uma adaptação... mas só coloco o nome do livro e da autora no ultimo capitulo... que já acompanha as minhas fics sabe disso... então é isso... espero reviews para saber o que acharam desse capitulo... bjuxx^^
Foi um esforço horrível e macabro. Por duas vezes Edward soltou a mão enquanto tentava desembaraçar os cabelos de Susan Peters dos galhos que prendiam o corpo. Ele afundou, bloqueando a mente, decidido, quando os braços da mulher bateram em sua barriga. Podia ouvir Bella chamando-o. Com uma calma desesperada, concentrou-se em sua voz, enquanto se empenhavam juntos em tirar do rio o que restava de Susan.
Bella ignorou o estômago embrulhado e desceu ainda mais pela margem. A água alcançava seu queixo quando se inclinou e enfiou os braços por baixo do corpo de Susan. Sua respiração era curta e superficial quando, por um momento angustiante, ficou cara a cara com a morte.
Sabia que o obturador em sua mente clicara, captando a imagem, preservando-a. Para que se tornasse parte dela para sempre.
Puxou o corpo grunhindo, joelhos e pés fincados no terreno encharcado. Deixou o corpo rolar paro o lado. Não suportava sequer olhar. Estendeu as mãos, sentiu que Edward aspegava, escorregava, pegava de novo. Quando ele já estava com metade do corpo acima da superfície, saindo do rio, Bella virou para o lado e vomitou.
— Volte para o chalé.
Edward tossiu violentamente. Cuspiu várias vezes, para tirar da boca o gosto do rio e da morte.
— Ficarei bem. — Ela balançou sobre os calcanhares. Sentiu as primeiras lágrimas quentes descerem pelas faces geladas. — Só preciso de um minuto para me recuperar.
Bella não tinha mais cor do que o corpo que haviam acabado de tirar do rio. Tremia tanto que ficou surpresa por Edward não ouvir o barulho de seus ossos chocalhando.
— Volte para o chalé. Você precisa de roupas secas. — Ele pegou a mão de Bella. — E precisa também ligar para Santuário e pedir ajuda. Não podemos deixá-la aqui.
— Tem razão.
Ela respirou fundo e virou a cabeça. O corpo era de um cinza pastoso, inchado, os cabelos escuros, emaranhados, cheios de detritos. Mas fora outrora uma mulher.
— Trarei um cobertor para cobri-la.
— Acha que pode ir sozinha?
Bella respondeu afirmativamente com um aceno de cabeça. Embora sentisse seu corpo vazio e assustadoramente frágil, conseguiu levantar-se. Olhou para Edward. Ele tinha o rosto pálido e sujo, os olhos avermelhados de entrar na água. Bella pensou em como ele se lançara no rio furioso, sem hesitação, sem pensar em qualquer outra coisa que não o que precisava ser feito.
— Edward...
Ele usou a base da mão para remover a lama do queixo, num gesto brusco.
— O que é?
— Nada. Conversaremos mais tarde.
Ele esperou até ouvir os passos se afastarem, esperou até que só pudesse ouvir o rugido do rio e as batidas de seu coração angustiado. Só então é que se aproximou do corpo, virou-o, forçou-se a olhar.
Ela fora uma mulher bonita... ele sabia. Nunca mais seria bonita. Edward tocou-a, rangendo os dentes, virou a cabeça para o lado, até poder ver, até ter certeza.
As marcas vermelhas em seu pescoço. Ele retirou a mão, bruscamente, ficou de joelhos, inclinou-se para comprimir o rosto contra os jeans sujos.
Querido Jesus, querido Jesus... o que estava acontecendo?
O medo era pior do que a dor, mais intenso do que a culpa. E quando uma coisa se encontrou com a outra, levou sua alma ao desespero.
Mesmo assim, teve de recuperar o controle quando Bella voltou. Ela não mudara de roupa, mas ele não disse nada. Ajudou-a a estender o cobertor amarelo sobre o corpo.
— Eles já estão vindo. — Bella esfregou os dedos sobre a boca. — Emmet e Rose. Contei a Emmet. Ele disse que a traria, uma médica, mas não falaria com mais ninguém até...
A voz definhou. Ela olhou para as árvores por um momento, desamparada, antes de acrescentar:
— Por que ela teria vindo para cá, Edward? Por que se aproximou do rio? Talvez tenha tropeçado e batido com a cabeça. E horrível. Eu estava preparada para que ela fosse encontrada afogada, o corpo levado até a praia pelas ondas. De certa forma, isto é pior.
A poucos metros de sua porta... Edward só conseguia pensar nisso. A poucos metros do lugar em que acabara de fazer amor com Bella. Onde desafiara os deuses, pensou ele, estremecendo.
O corpo descera pelo rio de um ponto acima, ou fora posto ali, tão perto que quase poderia vê-lo da janela de sua cozinha numa tarde clara?
Ela pegou a mão de Edward, preocupada porque ainda estava gelada e tão sem vida quanto o corpo estendido à margem do rio.
— Você está encharcado e gelado. Vá vestir roupas secas. Esperarei por eles.
— Não quero sair daqui. Não vou deixá-la. Nem a ela. Bella abraçou-o, pensando em aquecê-lo e confortá-lo.
— Foi a coisa mais generosa e corajosa que já vi alguém fazer. — Ela comprimiu os lábios contra o pescoço de Edward, querendo que ele reagisse. — Você entrou no rio para tirá-la. Poderia tê-la deixado ali, mas entrou na água. Buscá-la não seria importante para alguns.
— Era importante para mim.
— Para você. É um bom homem, Edward. Nunca esquecerei o que você fez.
Ele fechou os olhos e apertou com força. Recuou no instante seguinte, sem tocá-la.
— Eles estão chegando.
No exato momento em que Edward se virava, Emmet e Rose surgiram apressados pelo caminho. Rose lançou um olhar rápido para os dois.
— Entrem e tomem um banho quente de chuveiro. Irei examiná-los daqui a pouco.
Ela foi se ajoelhar ao lado do corpo. Bella permaneceu onde estava.
— Só pode ser a Sra. Peters. Ela ficou presa naquele galho. Deve ter caído em algum momento da noite passada e a tempestade trouxe o corpo para cá.
Bella respirou fundo e tornou a pegar a mão de Edward. Emmet ajoelhou-se ao lado de Rose. Acenou com a cabeça quando Rose puxou o cobertor.
— É ela mesma. O casal foi comer em Santuário duas ou três vezes. — Ele ficou de cócoras. Ergueu as mãos para esfregar o rosto.
— Vou procurar o marido. Precisamos levá-la para algum lugar... algum lugar melhor do que este.
— Não podemos tirá-la daqui. — Rose teve de fazer um enorme esforço para que as palavras passassem pelo aperto na garganta.
— Você precisa chamar a polícia, dizer para vir o mais depressa possível. Não creio que ela tenha se afogado.
Gentilmente, ela ergueu o queixo, mostrando as equimoses.
— Esta mulher foi estrangulada... assassinada.
— Como é possível? Como isso pode ter acontecido? — Alice estava sentada toda contraída no canto do sofá, na sala de estar da família em Santuário. Mantinha as mãos entrelaçadas para não roer as unhas. — As pessoas não são assassinadas em Desire. É impossível. Rose deve estar enganada.
— Descobriremos em breve. — Sue ligou o ventilador no teto para agitar o ar pesado. — A polícia nos dirá. De qualquer forma, aquela pobre mulher morreu e o marido... Isabela, pare de andar de um lado para outro e sente-se. Tome logo aquele conhaque ou acabará com uma tremenda gripe.
— Não consigo sentar.
Bella continuou a andar de uma janela para outra, embora não pudesse dizer o que procurava.
— Eu gostaria que você sentasse. — O tom de Alice era queixoso. — Vai me deixar transtornada se continuar assim. Eu gostaria que Jasper estivesse aqui. Não sei por que ele tem de ficar com os outros, deixando-me sozinha aqui.
— Pare de se lamentar por cinco minutos — disse Bella, ríspida.
— Segure a sua própria mão, para variar.
— Não comecem vocês duas! — Sue ergueu as mãos em protesto. — Eu não poderia suportar neste momento.
— E eu não consigo suportar esta espera. Vou sair. — Bella encaminhou-se para a porta. — Preciso saber o que está acontecendo, tenho de fazer alguma coisa.
— Bella! Não saia sozinha. — Sue comprimiu a mão contra a cabeça. — Já estou na maior preocupação. Por favor, não saia sozinha.
A prima parecia tão velha e trêmula que Bella mudou de idéia.
— Tem razão. Nenhuma de nós deve sair sozinha. Só poderíamos atrapalhar. Sente-se também, Sue. Agora. — Ela pegou a prima pelo braço e levou-a para sentar no sofá, ao lado de Alice. — Tome um conhaque. Está esgotada.
— Vou pegar o conhaque.
Pode dar o meu — disse Bella, quando Alice se levantou. — Não vou tomar.
— Se ficar preocupada comigo impede vocês de brigarem, podem continuar. — Sue pegou o copo trazido por Alice. Deu um sorriso desanimado. — Devemos ter um café fresco à espera quando eles voltarem. Não sei quando Emmet fez café pela última vez.
— Eu cuidarei disso. — Alice inclinou-se para dar um beijo no rosto de Sue. — Não se preocupe.
Mas quando ela se empertigou, deparou-se com Jasper na porta.
— Eles estão vindo para cá. Querem conversar com Bella.
— Não tem problema. —Bella apertou a mão que Alice pusera em seu braço, agradecida. — Estou pronta.
— Por quanto tempo mais vão interroga-lá? - Emmet estava parado na varanda da frente, ouvindo os sons da floresta, o canto das cigarras e o coaxar das rãs.
— Não deve demorar — respondeu Rose. — Estão falando com ela há quase uma hora. A conversa com Edward não durou muito mais do que uma hora.
— Ela não deveria ter de passar por isso. Já foi terrível achar o corpo e ajudar a tirá-lo do rio. É demais ter de relatar tudo várias vezes.
— Tenho certeza de que serão tão gentis com ela quanto é possível nas circunstâncias. — Rose apenas suspirou quando ele virou-se com uma expressão de censura. — Emmet, não se pode fazer outra coisa. Não há opções. Uma mulher foi assassinada. É preciso fazer perguntas.
— Bella com certeza não a matou. — Ele arriou no balanço na varanda. — É mais fácil para você. Uma médica da cidade grande. Já viu tudo, já fez tudo.
— Talvez isso seja verdade. — Rose falou friamente, para encobrir a mágoa. — Mas ser mais fácil ou mais difícil não muda os fatos. Alguém decidiu que não deixaria Susan Peters viver por mais tempo. E usou as mãos para acabar com sua vida. Agora épreciso fazer perguntas.
Emmet pensou um pouco, no escuro.
— Vão procurar o marido em seguida.
— Não sei.
— Tenho certeza. Pela lógica, é o próximo passo. Alguma coisa aconteceu com a esposa, procure o marido. É sempre possível que tenha sido ele. Procuraram meu pai quando mamãe foi embora. Até que ficaram convencidos de que ela apenas... foi embora. Levarão o pobre-coitado para alguma sala e começarão a fazer perguntas. É até possível que tenha sido ele quem decidiu que Susan Peters não continuaria a viver.
Ele olhou para Rose. Ela estava empertigada, mantendo um controle absoluto, sob a luz amarela da varanda. Ainda usava a enorme calça de training de Bella. Mas Emmet vira-a com a polícia, observara-a transmitir informações, enunciar os termos médicos, antes de se abaixar junto do corpo com os peritos.
Não havia nada de delicado em Rose.
— Você deve ir para casa, Rose. Não há mais nada que possa fazer aqui neste momento.
Ela teve vontade de chorar. Teve vontade de gritar. Queria bater com os punhos na parede fina e transparente que Emmet erguera subitamente entre os dois.
— Por que está me excluindo, Emm?
— Porque não sei o que fazer em relação a você. E nunca tive a intenção de deixá-la entrar, em primeiro lugar.
— Mas deixou.
— Fui eu que deixei, Rose? Ou você arrombou a porta?
A sombra de Bella interpôs-se entre os dois antes que ela saísse para a varanda.
— A polícia já acabou aqui.
— Você está bem? — Rose aproximou-se. — Deve estar exausta. Quero que suba e deite. Posso dar alguma coisa para ajudá-la a dormir.
— Não se preocupe. Estou bem. — Bella apertou de leve a mão de Rose. — Foi até melhor ter de repassar tudo passo a passo. Apenas me sinto triste e desolada, mas agradecida por estar inteira. Edward foi embora?
— Sue levou-o para cima. — Emmet levantou-se e foi estudar a irmã de perto. Bella parecia mais firme do que ele previra. — Acho que não será preciso muito para persuadi-lo a passar a noite aqui. A polícia deve passar algumas horas procurando pistas ao longo do rio.
— Neste caso, vamos persuadi-lo. Você também deve ficar aqui, Rose.
— Não, obrigada. É melhor eu voltar para casa. Não há mais necessidade de minha presença aqui. E tenho certeza de que um dos detetives me levará. Vou buscar minha maleta.
— Pode ficar, se quiser — disse Emmet.
Rose olhou para trás, com uma expressão fria e contida.
— É melhor eu voltar para casa — repetiu ela, saindo e deixando a porta de tela bater.
— Por que a está deixando ir embora? — perguntou Bella, gentilmente.
— Talvez eu tenha que me testar. Talvez seja melhor assim.
Bella pensou no que Edward dissera pouco antes de o mundo começar a enlouquecer de novo.
— Talvez devêssemos começar a pensar no que nos faz felizes, não no que pode ser melhor. Sei que vou tentar, pois as chances começam a se esgotar depois de algum tempo. Tenho uma coisa para lhe dizer. Perdi muitas oportunidades de dizer isso antes.
Emmet deu de ombros. Enfiou as mãos nos bolsos, no que Bella considerava a sua sombria postura Swan.
— Pode falar.
— Eu amo você, Emm.
O prazer de dizer isso foi quase ofuscado pela satisfação de observar o espanto no rosto do irmão.
Mas Emmet concluiu que era um truque, um pretexto para distrair sua atenção, antes que Bella desfechasse o golpe decisivo.
— E que mais?
— Eu gostaria de ter dito isso antes e com mais freqüência. — Ela ergueu-se na ponta dos pés e deu um beijo rápido e firme em seu rosto desconfiado. — Se eu tivesse falado antes, porém, não teria a satisfação de ver agora seus olhos esbugalhados, como uma truta pendurada no anzol. Vou subir e fazer Sue deitar, para que ela possa fingir que não sabe que Edward passará a noite em meu quarto.
— Isabela...
Emmet encontrou a voz quando a irmã alcançou a porta, mas tornou a perdê-la quando ela virou-se para fitá-lo.
— Pode falar. — Ela ofereceu um sorriso largo. — Basta dizer. É muito mais fácil do que você imagina.
— Eu também amo você.
— Eu sei. É você quem tem o melhor coração, Emm. E é isso que o preocupa.
Bella fechou a porta sem fazer barulho e subiu ao encontro do resto da família.
Ela sonhou que passeava pelo jardim de Santuário. Os cheiros do auge do verão, o ar do auge do verão. No céu, a lua era tão cheia e clara quanto um desenho de criança. Branco sobre preto. As estrelas eram um interminável mar de luz.
Napelos e campânulas balançavam gentilmente à brisa, as flores brancas destacando-se na noite. Ah, como ela amava as flores brancas, a maneira como brilhavam na escuridão. Eram mais fadas do que flores, pensou ela, e dançavam enquanto os mortais dormiam.
Também se sentia imortal... forte e vibrante. Ergueu os braços, especulando por que simplesmente não saía voando. A noite também era seu tempo. Seu tempo para ficar sozinha. Podia vaguear pelo jardim como um fantasma. O tilintar dos sinos de vento proporcionava a música para dançar.
E de repente uma sombra surgiu do meio das árvores. E a sombra tornou-se um homem. Imortal, apenas curiosa, ela avançou em sua direção.
E depois corria pela floresta, na escuridão ofuscante, a chuva fustigando seu rosto, violenta. A noite era diferente agora, ela era diferente agora. Apavorada, perseguida. Caçada. O vento era como mil lobos uivando, as presas à mostra, com sangue pingando. As gotas da chuva eram como pequenas lanças arremessadas para dilacerar sua carne. Os galhos projetavam-se contra ela, implacáveis. Arvores surgiam de repente para bloquear seu caminho.
Era agora mortal, de uma forma patética e apavorante. Seu fôlego ficou preso num soluço quando ouviu o caçador gritar seu nome. Mas o nome era Renée.
Bella afastou os lençóis emaranhados em torno de seu corpo e sentou na cama, num movimento abrupto. Mesmo enquanto a visão ainda desanuviava, sentiu a mão de Edward em seu ombro. Ele não estava deitado ao seu lado, mas em pé, o rosto na escuridão.
— Você está bem. Foi apenas um sonho. Um pesadelo.
Sem confiar em sua voz, Bella acenou com a cabeça. A mão em seu ombro esfregou-o uma vez, distraída, antes de se retirar. Era um gesto de conforto distante.
— Quer alguma coisa?
— Não. — O medo já começava a desvanecer. — Não é nada. Já estou acostumada.
— Seria de admirar se não tivesse pesadelos depois do que aconteceu hoje.
Ele afastou-se, foi até a janela, virou as costas. Bella viu que ele havia vestido os jeans. Passou a mão pelos lençóis ao seu lado e constatou que estavam frios. Edward não dormira ao seu lado. Não quisera, refletiu ela. Só ficara em Santuário porque Sue tornara impossível recusar. E só partilhara sua cama porque seria embaraçoso se não o fizesse.
Mas não a tocara, não se virará para ela.
— Você não dormiu?
— Não.
Edward não tinha certeza se algum dia voltaria a fechar os olhos em paz. Bella olhou para o relógio. Três horas e cinco minutos. Já tivera a sua quota de acordar angustiada depois das três horas da madrugada.
— Talvez você devesse tomar uma pílula para dormir.
— Não.
— Sei que foi terrível para você, Edward. Não há nada que alguém possa dizer ou fazer para tornar melhor.
— Nada jamais fará com que se torne melhor para Tom Peters.
— Ele pode tê-la matado.
Edward torcia para que fosse verdade... uma esperança que acalentava com toda a força de seu coração. E sentia-se sórdido por isso.
— Eles discutiram — continuou Bella, obstinada. — Ela saiu sozinha. Tom Peters pode tê-la seguido até a enseada. Continuaram a discutir e ele explodiu. Seria preciso apenas um minuto de acesso de raiva. Depois, ele entrou em pânico e carregou o corpo para longe. Queria ter distância e por isso jogou o corpo no rio.
— As pessoas nem sempre matam por raiva ou pânico. — A amargura dominava a voz de Edward, ameaçando sufocá-lo. — Não devo ficar nesta casa. Nem com você. O que me deu na cabeça para voltar? Queria reparar o quê? Como pude pensar que seria capaz de fazer alguma coisa?
— Mas do que está falando?
Bella detestou o tremor em sua voz. Mas a maneira com que ele falava, a voz fria e dura, deixava-a apavorada.
Edward virou-se para fitá-la. Ela sentou na cama enorme e feminina, com os joelhos levantados numa posição defensiva, o rosto uma sombra pálida. Ele compreendeu que cometera erros, desde o início. Erros egoístas e estúpidos. Mas o maior de todos fora o de se apaixonar por ela, pressioná-la a se apaixonar por ele. Bella passaria a odiá-lo antes de chegarem ao fim. Era inevitável.
— Não posso explicar agora. Já tivemos o suficiente por enquanto.
Encaminhar-se para ela, pensou Edward, era tão difícil quanto afastar-se. Ele sentou na beira da cama. Pôs as mãos nos braços de Bella.
— Você precisa dormir.
— E você também, Edward. Estamos vivos. — Ela pegou a mão dele e comprimiu-a contra o seu coração. — Passar por tudo e seguir em frente... isso é importante. É uma lição que aprendi da maneira mais difícil.
Bella inclinou-se para a frente e roçou os lábios pelos dele.
— Neste momento, vamos apenas ajudar um ao outro a chegar ao fim da noite. — Ela continuou a fitá-lo enquanto o beijava. — Faça amor comigo. Preciso abraçá-lo.
Edward deixou que ela o puxasse, permitiu-se afundar. Bella o odiaria antes de chegar ao fim, mas por enquanto o amor seria suficiente.
Pela manhã, Edward, já fora embora da cama de Bella, Santuário e de Desire.
— Ele partiu na barca da manhã?
Bella olhou aturdida para Emmet, sem entender como ele era capaz de fritar ovos quando o mundo tornara a virar pelo avesso.
— Passei por ele ao amanhecer, quando ele voltava para seu chalé. — Emmet verificou o pedido e serviu o cereal. As crises vinham e passavam, pensou ele, mas as pessoas sempre conseguiam comer.
— Disse que precisava resolver alguns problemas no continente. Ficaria fora por dois ou três dias.
— Dois ou três dias...
Sem se despedir, sem dizer que voltaria a vê-la. Sem qualquer coisa.
— Edward parecia bastante nervoso. E você também parece. — As últimas vinte e quatro horas não foram fáceis para ninguém.
— Não, não foram, mas ainda tenho uma pousada para cuidar. Se você quiser ser útil, pode varrer os pátios e terraços, ajeitar as almofadas de volta em seus lugares.
— A vida continua, não é?
— E não há nada que possamos fazer para evitar. — Emmet tirou os ovos da frigideira, as gemas tremendo. — E você faz o que tem de ser feito em seguida.
Emmet observou-a pegar a vassoura no armário e sair. E perguntou-se o que ele próprio deveria fazer em seguida.
— Estou surpresa que as pessoas ainda possam comer, com a maneira com que suas bocas trabalham depressa. — Alice entrou na cozinha, trocou um bule de café vazio por outro cheio, pôs os novos pedidos no balcão. — Se mais alguém perguntar por aquela pobre mulher, acho que vou gritar.
— E inevitável que as pessoas falem, que façam perguntas.
— Você não tem de escutá-las. — Alice permitiu-se uma folga. Encostou o quadril no balcão. — Acho que não dormi mais do que dez minutos durante a noite inteira. Tenho a impressão de que nenhum de nós dormiu. Bella já levantou?
— Saiu para limpar os terraços.
— Ótimo. Procure mantê-la ocupada. — Ela deixou escapar um suspiro quando Emmet fitou-a com uma expressão especulativa.
— Não sou uma desmiolada, Emm. Tem sido mais difícil para ela do que para os outros. Depois de tudo por que ela passou. Qualquer coisa que mantenha seus pensamentos longe do que aconteceu, mesmo que seja por apenas cinco minutos, já é uma bênção.
— Nunca pensei que você fosse desmiolada, Allie. Por mais que fingisse ser.
— Não vou me importar com seus insultos esta manhã, Emmet. Mas estou preocupada com Bella. — Ela virou-se para espiar pela janela. Ficou satisfeita ao ver a irmã varrendo vigorosamente. — Um bom trabalho manual deve ajudar. E graças a Deus por Edward. Ele éo que Bella mais precisa neste momento.
— Ele não está aqui.
Alice virou-se tão depressa que o café balançou na beira do bule.
— Como assim?
— Foi passar alguns dias no continente.
— Para quê? Ele deveria permanecer aqui, com Isabela.
— Edward tinha problemas para resolver.
— Problemas?— Alice revirou os olhos. Pegou a bandeja com os novos pedidos. — Não é típico dos homens? Todos vocês são tão inúteis quanto um touro de três tetas.
Ela saiu, furiosa, os quadris subindo e descendo. E Emmet, por alguma razão, descobriu-se muito mais animado. As mulheres, pensou ele. Não podemos viver sem elas. Não podemos jogá-las do alto de um penhasco.
Alice saiu uma hora depois e encontrou Bella abrindo o último guarda-sol das mesas no pátio.
— Tudo está arrumado aqui. Em ordem, limpo. Suba e ponha um maiô. Vamos até a praia.
— Para quê?
— Porque sim. Suba e troque de roupa. Já peguei o protetor solar e as toalhas.
— Não quero sentar na praia.
— Acho que não perguntei o que você quer fazer. Precisa de um pouco de sol. E se não for comigo durante uma hora, Emmet ou Sue arrumará mais alguma coisa para você varrer ou esfregar.
Bella olhou para a vassoura com repulsa.
— Tem toda razão. Por que não? Faz bastante calor. Bem que preciso de um mergulho.
— Pois então vamos logo, antes que alguém nos encontre e nos ponha para trabalhar.
Bella passou da arrebentação e começou a nadar com a correnteza. Esquecera quanto adorava o mar... lutar contra a correnteza, deixar-se levar. Ouviu um grito feminino a distância e avistou um casal enfrentando as ondas. Mais adiante, um jovem bronzeado tentava pegar uma onda, para deslizar em seu bote inflável até a praia.
Quando os braços cansaram, ela ficou boiando de costas. Os raios do sol passavam pelo céu enevoado e ardiam em seus olhos. Quando a mente vagueou para Edward, ela tratou de reprimir.
Ele tinha uma vida própria, e ela também. Talvez ela tivesse começado a se inclinar demais. Ainda bem que ele retirara o ombro abruptamente, o que a forçara a recuperar seu equilíbrio.
Quando ele voltasse — se voltasse — ela seria mais firme.
Com um gemido de desgosto, ela virou-se, afundando o rosto na água.
A verdade é que estava mesmo apaixonada por ele. E se isso não era a coisa mais estúpida que podia acontecer, não sabia o que era pior. Não havia futuro ali... e por que ela sequer pensaria em futuro? Bella virou a cabeça, aspirou bastante ar e recomeçou a nadar.
Haviam se aproximado por acaso, através das circunstâncias, e aproveitaram a oportunidade. Se haviam se tornado mais íntimos do que tencionavam, também fora uma questão de circunstâncias. E as circunstâncias haviam mudado. Ela mudara.
Se voltar para Santuário causara sofrimento e angústia, também trouxera de volta uma força e percepção de que carecera por muito tempo.
Ela pisou no fundo, deixou a areia se deslocar sob seus pés, enquanto andava de volta à praia.
Alice estava estendida numa toalha, exibindo as curvas generosas. Apoiava-se num cotovelo, meio de lado, absorvida na leitura de um livro. Na capa havia um homem de peito nu, com peitoral espantosos e improváveis, cabelos pretos que caíam sobre os ombros reluzentes, um sorriso arrogante nos lábios cheios.
Alice deixou escapar um suspiro baixo, quase um murmúrio, e virou uma página. Seus cabelos ondulavam à brisa. As curvas dos seios deslumbrantes eram suaves, num tom de pêssego, por cima do sutiã mínimo do biquíni, em que guerreavam tonalidades verdes e rosa-néon. As pernas compridas brilhavam com o protetor solar. As unhas estavam pintadas de coral.
Ela parecia, refletiu Bella, um anúncio de resort sensual.
Depois de sentar ao lado, Bella pegou uma toalha e esfregou nos cabelos.
— Faz isso de propósito ou é apenas instinto?
— Faço o quê?
Alice baixou para a ponta do nariz os óculos escuros de lentes rosa e espiou por cima.
— Dar um jeito para que todos os machos num raio de cem metros estiquem o pescoço para admirá-la.
— Ah, isso... — Alice empurrou os óculos de volta para o lugar. — É apenas instinto, queridinha. E um pouco de sorte. Você poderia fazer a mesma coisa, mas teria de se esforçar. Recuperou a silhueta desde que voltou para casa. E esse maio preto não é uma escolha das piores. Deixa seu corpo atlético e esguio. Alguns homens adoram isso.
Ela tornou a baixar os óculos antes de acrescentar:
— E o que parece que acontece com Edward.
— Edward nunca me viu neste maio.
— Então será um presente para ele.
— Se ele voltar.
— Claro que voltará. Você é esperta. Fará com que ele pague alguma coisa por ter partido.
Bella encheu a mão de areia e deixou escapar entre os dedos.
— Estou apaixonada por ele.
— Claro que está. Por que não estaria?
— Apaixonada de verdade, Allie.
Bella franziu o rosto para os grãos de areia que aderiam à sua mão.
— Ahn... — Alice sentou, cruzou as pernas bonitas e sorriu. — Isso é ótimo. Demorou para se apaixonar, mas escolheu um vencedor.
— Pois eu detesto. — Bella pegou outro punhado de areia e apertou. — Detesto me sentir assim, detesto ser assim. Deixa meu estômago todo embrulhado.
— É o que costuma acontecer. Já fiquei com o estômago assim dezenas de vezes. E foi sempre muito fácil relaxá-lo de novo. — Ela contraiu os lábios, enquanto olhava para o mar. — Até agora. Estou descobrindo que é mais difícil fazer isso com Jasper.
— Ele a ama. Sempre amou. É diferente para você.
— É diferente para todo mundo. Cada pessoa é diferente por dentro. E é isso que torna tão interessante.
Bella inclinou a cabeça para o lado.
— Quer saber de uma coisa, Allie? Às vezes você é absolutamente sensata. Nunca espero, até que acontece. Acho que preciso lhe dizer a mesma coisa que falei para Emmet ontem à noite.
— O que foi?
— Eu amo você, Alice. — Ela inclinou-se e deu um beijo no rosto da irmã. — Amo de verdade.
— Sei disso, Bella. Você podia relutar em admitir, mas sempre nos amou. — Alice deixou escapar um suspiro ao decidir que também faria uma confissão. — Acho que foi por isso que fiquei tão furiosa quando você partiu. E com inveja.
— Inveja de mim?
— Porque você não teve medo de partir.
— Tive sim. — Bella apoiou o queixo no joelho, observando as ondas arremeterem para a praia. — Fiquei apavorada. As vezes ainda sinto medo de estar lá fora, de não ser capaz de fazer o que preciso fazer. Ou de fazer, mas fracassar.
— Pois eu fracassei e posso lhe dizer que é horrível.
— Você não fracassou, Alice. Apenas não terminou. — Bella virou a cabeça para a irmã. — Pretende voltar?
— Não sei. Tinha certeza de que voltaria. — Os olhos ficaram anuviados, oscilando entre o cinza e o castanho. — O problema é que é muito fácil ficar aqui, deixar o tempo passar. Até me tornar velha, enrugada e gorda. Mas por que estamos falando disso?
Irritada consigo mesma, Alice sacudiu a cabeça e pegou uma lata gelada de Pepsi no cooler ao seu lado.
— Deveríamos estar conversando sobre alguma coisa mais interessante. Por exemplo, tenho especulado...
Ela abriu a lata e tomou um gole. Depois, passou a língua pelo lábio superior.
— Como é o sexo com Edward?
Bella soltou uma risada.
— Não — disse ela, decidida, virando para ficar deitada de bruços.
— Numa escala de um a dez. — Alice cutucou o ombro de Bella. — Ou se tivesse de escolher um adjetivo para descrever.
— Não — repetiu Bella.
— Só um adjetivo. Seria "incrível"? — Ela inclinou-se para o ouvido de Bella. — Ou seria "fabuloso"? Talvez "memorável"?
Bella deixou escapar um pequeno suspiro.
— Estupendo — murmurou ela, sem abrir os olhos. — E estupendo.
— Estupendo... — Alice acenou com a mão. — Gosto disso. Estupendo. Ele mantém os olhos abertos ou fechados quando a beija?
— Depende.
— Faz as duas coisas? Isso me deixa toda arrepiada. Nunca se sabe o que pode acontecer. Adoro isso. E como é quando ele...
— Alice... — Embora uma risada escapasse, Bella manteve os olhos fechados. — Não vou descrever para você a técnica de Edward para fazer amor. Pretendo tirar um cochilo. Acorde-me daqui a pouco.
E, para sua surpresa, Bella mergulhou num sono profundo.
