Bom flores... não ia mais postar as fics... mas mudei de ideia... espero que gostem...

feliz natal e um prospero ano novo para todas...

bjuxx^^ e não se esqueçam das reviews...se tiver bastante posto outro capitulo ainda esse ano...


Rose corria pela praia, absorvida em sua solidão. O céu a leste, com o amanhecer exibia várias tonalidades selvagens, gloriosas, violentas, de vermelho. Ela pensou que, se o adágio antigo era verdadeiro, os marinheiros deveriam considerar a cena como uma advertência. Mas ela só podia pensar na beleza daquela manhã, com o céu furioso e os ventos cada vez mais fortes.

Talvez fossem atingidos por Carla, no final das contas, pensou ela, enquanto os pés batiam na areia compacta. Podia ser emocionante e afastaria a mente de Emmet de seus problemas por algum tempo.

Ela gostaria de saber o que lhe dizer, como ajudá-lo. A única coisa que pudera fazer quando ele entrara, turbulento, em seu chalé, na noite anterior, fora escutar, como antes escutara Bella. Mas quando tentara confortá-lo, como confortara Bella, descobrira que as palavras suaves e tranqüilizadoras não eram o que ele queria. Por isso, dera-lhe calor, abraçando-o com firmeza, enquanto ele tentava aliviar seu desespero no sexo.

Não fora capaz de convencê-lo a ficar e dormir depois do amanhecer. Emmet levantara e partira antes do sol espiar por cima do horizonte. Mas pelo menos ele a abraçara, pelo menos a amara. E Rose sabia que o fortalecera para o retorno a Santuário.

Agora, ela queria desanuviar a cabeça. Se o homem que amava estava com problemas, se fora dominado pela angústia, o mesmo acontecia com ela. Tinha de se preparar para apoiá-lo, ampará-lo, talvez guiá-lo até alguma paz.

E de repente ela avistou Edward, parado na praia, olhando para as ondas que rebentavam, ruidosas. A lealdade batalhou com a razão quando ela diminuiu a velocidade. Mas, no final, a necessidade de ajudar, de curar, prevaleceu sobre todo o resto. Rose não era capaz de virar as costas ao sofrimento.

— Uma manhã e tanto. — Ela teve de elevar a voz acima do barulho do vento e das ondas. Um pouco ofegante, parou ao lado de Edward. —As férias estão correspondendo às suas expectativas?

Ele riu. Não pôde evitar.

— Claro. É a viagem de uma vida inteira.

— Precisa de um café. Como médica, eu deveria dizer que a cafeína não faz bem à saúde. Mas sei também que muitas vezes faz milagres.

— Está me oferecendo?

— Estou.

— Eu agradeço, Rose, mas ambos sabemos que sou uma persona non grata. Emmet não gostaria se partilhasse um café de manhã comigo. E não posso culpá-lo.

— Tenho um pensamento próprio, formo as minhas próprias impressões. É por esse motivo que ele é louco por mim.

Ela pôs a mão no braço dele. Era verdade, não podia virar as costas ao sofrimento. Até mesmo o ar em torno dele vibrava em angústia.

— Vamos até minha casa. Pense em mim como sua gentil médica da ilha. Exponha sua alma. — Rose sorriu. — Posso até cobrar uma consulta, se você quiser.

— Negócio fechado. — Ele soltou um longo suspiro. — Bem que estou precisando de um café... e de um ouvido receptivo.

— Posso oferecer as duas coisas. Vamos embora. — Ela passou o braço pelo de Edward. Começaram a deixar a praia. — Quer dizer que os Swans fizeram-no passar por maus momentos.

— Não sei... Mas, somando tudo, até que eles foram indulgentes. A hospitalidade sulista. Meu pai estuprou e assassinou a mãe deles. Dei a notícia e ninguém tentou me linchar.

— Edward... — Ela parou na base dos degraus. — É uma confusão infernal, uma tragédia terrível. Mas nenhum deles continuará a culpá-lo depois de refletir um pouco.

— Bella pensa assim. De todos, é a mais vulnerável pelo que está acontecendo. Mas não se comporta como os outros.

— Ela o ama.

— Bella ainda pode superar isso. Alice foi diferente. Fitou-me nos olhos, o rosto ainda molhado de lágrimas, e disse que nada daquilo era responsabilidade minha.

— Alice usa a simulação e a aparente insensatez com a maior habilidade. Com isso, pode avaliar as situações e ir ao fundo dos problemas mais depressa do que a maioria das pessoas. — Rose abriu a porta e virou-se para ele. — E nada do que aconteceu, foi ou é sua responsabilidade.

— Sei disso, em termos intelectuais. E quase me convenci, em termos emocionais também... queria que fosse assim porque queria Bella. Mas não acabou, Rose. Pelo menos outra mulher também foi assassinada. Portanto, não acabou.

Ela acenou com a cabeça e segurou a porta aberta para ele entrar.

Conversaremos sobre isso também.


Carla raspou pela costa sudeste da Flórida, dando um beijo rápido e violento em Key Biscayne, antes de se deslocar para o norte. À sua maneira caprichosa, dançou um tango com Fort Lauderdale, destruiu alguns trailers, afugentou turistas e matou umas poucas pessoas. Mas não parecia propensa a ficar.

Seu olho era frio e enorme, a respiração acelerada e ansiosa. Fora tornando-se mais forte e mais impetuosa desde o seu nascimento, nas águas das Índias Ocidentais.

Como uma prostituta vingativa, desviou-se para o mar, castigando com saltos altos as estreitas ilhas ao longo da costa.

Barra

Alice seguiu apresada para o quarto da hospedes, onde Bella ajeitava a colcha na cama de nogueira. Os raios de sol, quentes e brilhantes, entravam pelas portas abertas da varanda, iluminando as olheiras de Bella, sinais de uma noite insone.

— Carla acaba de atingir St. Simons — anunciou Alice, um pouco ofegante de subir dois lances de escada quase correndo.

— St. Simons? Pensei que estivesse se deslocando para oeste.

— Ela mudou de idéia. Segue agora para o norte, Bella. O último boletim dizia que, se mantiver o curso e a velocidade, chegará aqui antes do anoitecer.

— Qual a força?

— Subiu para a categoria três.

— Ventos de mais de cento e cinqüenta quilômetros horários. Precisamos proteger as portas e janelas com tábuas.

— Vamos evacuar os turistas antes que o mar se torne encapelado demais para a travessia da barca. Sue quer que você ajude no fechamento das contas. Vou me encontrar com Jasper. Começaremos a cobrir as janelas e portas com tábuas.

— Está bem. Descerei num instante. E vamos torcer para que Carla se desvie para o mar antes de chegar aqui.

— Papai está no rádio, recebendo as últimas informações. Emmet foi verificar se a lancha tem combustível e está preparada se precisarmos deixar a ilha.

— Papai não irá embora. Enfrentará a tempestade nem que tenha de se amarrar a uma árvore.

Mas você vai partir. — Alice aproximou-se da irmã. — Passei por seu quarto e vi as malas abertas, quase prontas.

— Tenho mais motivos para ir embora do que para ficar.

— Você está enganada, Bella. Há mais motivos para ficar, pelo menos até encontrarmos uma maneira de acertar as contas para todo mundo. E precisamos sepultar mamãe.

— Por Deus, Alice!

Bella cobriu o rosto. Ficou imóvel, os dedos comprimidos contra os olhos.

— Não o seu corpo. Mas precisamos pôr uma lápide no cemitério e devemos nos despedir. Ela nos amava. Durante a maior parte de minha vida pensei que não, e que talvez fosse por minha causa.

Como a voz da irmã tremesse agora, Bella baixou as mãos.

— Por que pensou isso?

— Eu era a caçula. Pensei que ela não queria ter outra criança... que não me queria. Por isso, passei a maior parte da vida fazendo o maior esforço para que as pessoas me amassem, para que as pessoas me quisessem. Seria qualquer coisa que achasse que as pessoas mais apreciavam. Seria estúpida ou inteligente. Seria desamparada ou esperta. E sempre dava um jeito de me afastar primeiro.

Alice foi fechar as portas da varanda.

— Fiz uma porção de coisas horríveis. E é provável que ainda faça muitas outras. Mas saber a verdade mudou alguma coisa dentro de mim. Tenho de me despedir de mamãe. Todos nós temos de fazer isso.

— Eu me sinto envergonhada por não ter pensado nisso. Mas se eu partir antes que tudo seja acertado, prometo que voltarei. — Bella abaixou-se para recolher os lençóis e fronhas que acabara de tirar da cama. — Apesar de tudo, estou contente por ter voltado desta vez. Estou contente porque nosso relacionamento mudou.

— Eu também. — Alice sorriu. — Talvez agora você possa copiar algumas fotos em que apareço e tirar outras. Eu poderia usá-las em meu portfólio. Os diretores de elenco devem ficar impressionados com fotos tiradas por uma das maiores fotógrafas do país.

— Se escaparmos de Carla, teremos uma sessão de fotos que deixará todos os diretores de elenco de Nova York de queixo caído.

— É mesmo? Seria maravilhoso! — Ela olhou para o céu, franzindo o rosto. — Maldito furacão. Algo sempre acontece para adiar as coisas boas. Talvez possamos tirar as fotos em Savannah. Alugaríamos um estúdio por dois ou três dias e...

— Alice...

— Está bem, está bem... — Alice acenou com as mãos. — Mas pensar a respeito é muito mais divertido do que pensar em pregar placas de madeira compensada. Mas talvez Jasper ache que sou inútil para isso. Neste caso, eu poderia voltar e examinar meu guarda-roupa para escolher as coisas certas. Quero fotos sensuais e sedutoras. Poderíamos usar um ventilador grande para...

— Alice... — murmurou Bella de novo, com uma risada exasperada.

— Já vou. Tenho um longo incrível que comprei direto na confecção. — Alice encaminhou-se para a porta. — Ficaria ainda melhor se eu pudesse convencer Sue a me emprestar as pérolas de vovó Pendleton.

Bella riu de novo, enquanto Alice se afastava pelo corredor, ainda falando. As coisas não podiam mudar muito depressa, refletiu ela, nem demais. Ela arrumou as roupas de cama e levou-as para o tubo inclinado da lavanderia. Através de uma porta aberta, avistou o casal que viera de Toronto, para passar uma semana, arrumando as malas às pressas. Calculou que a maioria dos outros hóspedes fazia a mesma coisa naquele momento.

O registro de saída dos hóspedes, em geral um processo descontraído e jovial, seria frenético.

No instante em que desceu, Bella compreendeu que não exagerara em sua previsão. Já havia bagagem empilhada junto da porta. Havia meia dúzia de hóspedes na sala de estar, alguns parados nas janelas, olhando para o céu, como se esperassem que rachasse a qualquer momento.

Sue estava sentada à mesa, cercada por um mar de papel e pedidos de urgência. Seu sorriso hospitaleiro foi forçado quando levantou os olhos e avistou Bella.

— Não se preocupem. Todos serão levados a tempo para a barca. Temos duas em operação durante o dia inteiro e há sempre uma partida para o continente a cada hora. — Ao fluxo de vozes, com perguntas e exigências, ela ergueu a mão. — Levarei o primeiro grupo. Minha sobrinha cuidará do registro de saída dos outros.

Ela lançou um olhar ligeiramente desesperado para Bella.

— Sr. e Sra. Littleton, podem ir agora para a van com sua família. Sr. e Sra. Parker. Srta. Houston. Podem esperar um instante que já vou sair. E se os outros tiverem um pouco de paciência, minha sobrinha cuidará de tudo.

Como não tinha opção, ela atravessou o mar de corpos e vozes. Foi pegar o braço de Bella.

— Venha comigo por um instante. Juro que parece até que estamos prestes a sofrer um ataque nuclear.

— É bem provável que a maioria nunca tenha enfrentado um furacão antes.

— É por isso que fico contente por ajudá-los a partir. Afinal, esta ilha e tudo o que tem aqui já resistiram a furacões antes e continuarão a resistir.

Como queria alguma privacidade, Sue seguiu para onde poderiam tê-la, o banheiro ao lado do saguão. Com um pequeno grunhido de satisfação, ela trancou a porta.

— Pronto. A tranca deve resistir por dois ou três minutos. Lamento ter de deixá-la sob tamanho assédio.

— Não se preocupe. Posso levar o próximo grupo no Jeep.

— Não. — Sue falou em tom ríspido. Suspirou, virou-se para a pia, molhou o rosto. — Você não deve sair desta casa, Isabela, a menos que esteja acompanhada por um de nós. A última coisa que preciso agora é me preocupar com você.

— Posso trancar as portas do Jcep.

— Não pode sair sozinha, e não admito nenhuma discussão a respeito. Não tenho tempo para isso. Ajudara mais se continuar mantendo as pessoas calmas. Terei de dar uma volta para pegar alguns hóspedes nos chalés. Emmet foi buscar as pessoas no camping. Teremos outro fluxo muito em breve.

— Está bem, Sue. Farei o que quiser.

— Seu pai levou o rádio para a cozinha. — Ela pegou os braços de Bella. — Virá no mesmo instante se você chamar. Não corra nenhum risco, está bem?

— Não tenciono. Preciso ligar para Edward.

— Já fiz isso. Ele não atendeu. Passarei pelo chalé antes de levar o próximo grupo. Eu me sentirei melhor se ele também estiver aqui.

— Obrigada.

— Não me agradeça, querida. Estou prestes a deixá-la com a maior dor de cabeça do mundo.

Sue respirou fundo, empinou os ombros e abriu a porta. Bella estremeceu à balbúrdia de vozes na sala de estar.

— Volte depressa — murmurou ela.

E, com um sorriso contrafeito, Bella se encaminhou para a linha de fogo.


Lá fora, Jasper ergueu uma placa de madeira compensada para o primeiro painel da janela da sala de jantar. Alice agachou-se ao seu lado e martelou um prego, com habilidade e facilidade, no canto inferior. Ela falava sem parar, mas Jasper só ouvia uma em cada três palavras. O vento diminuíra e a luz começava a assumir uma tonalidade amarela ameaçadora.

Estava chegando, pensou ele, e mais depressa do que fora previsto. Sua família estava segura em casa e provavelmente não sofreria nada. Ele incumbira um primo e dois amigos de pôr as placas de madeira compensada nos chalés, começando por sudeste e seguindo para o norte.

Mas precisavam de mais ajuda.

— Alguém já chamou Edward?

— Não sei. — Alice tirou outro prego da bolsa. De qualquer forma, papai não o deixaria ajudar.

— O Sr. Swan é um homem sensato, Alice. Quer que tudo que é seu seja protegido. E teve uma noite inteira para pensar nas coisas.

— Ele é tão teimoso quanto seis mulas com prisão de ventre... e ele e Emmet juntos são ainda piores. É a mesma coisa que culpar os bisnetos bastardos de Sherman pelo incêndio de Atlanta.

— Alguns fazem isso — comentou Jasper, levantando outra placa de madeira compensada.

— Só os que não têm cinco centavos de cérebro na cabeça. — Os dentes cerrados, Alice bateu com o martelo no prego. — E seria terrível para mim admitir que meu próprio pai e meu irmão são deficientes no departamento de cérebro. E que eles são quase cegos ainda por cima. Até uma velhinha de oitenta anos sem os óculos poderia ver que aquele homem ama Isabela. É um pecado fazer com que os dois se sintam culpados por isso.

Ela empertigou-se, soprando os cabelos para longe do rosto. Olhou para Jasper e franziu o rosto.

— Por que está sorrindo para mim dessa maneira? Meu rosto já está todo sujo e suado?

— Você é a coisa mais linda que já vi em toda a minha vida, Alice Swan. E sempre me surpreende. Mesmo conhecendo-a por dentro e por fora, você ainda me surpreende.

— Ora, querido... — Alice inclinou a cabeça para o lado e pestanejou. — É essa a minha intenção.

Jasper enfiou a mão no bolso e pegou a caixinha que guardara ali.

— Eu tinha outros planos para fazer isso, mas acho que nunca a amei tanto quanto neste momento.

Ele tirou a caixa do bolso, observando os olhos de Alice se arregalarem enquanto a abria com o polegar. O pequeno diamante engastado no anel de ouro faiscou ao sol.

— Case comigo, Alice.

Ela sentiu o coração estufar e bater nas costelas. Os olhos ficaram tão enevoados que a luz irradiada pelo diamante deixou-a ofuscada. A mão tremia quando a comprimiu contra a boca.

— Como pode fazer isso? Como pode estragar tudo dessa maneira?

Alice virou-se bruscamente e bateu com o martelo na beira da madeira compensada.

— Como eu disse, você sempre me surpreende — murmurou Jasper. — Quer que eu espere até que tenhamos velas acesas e o luar?

— Não, não e não. — Com um pequeno soluço, ela deu outra martelada na madeira compensada. — Guarde o anel. Sabe que não posso casar com você.

Jasper respirou fundo.

— Não sei de nada. Por que não me explica? Furiosa e deprimida, ela virou-se para fitá-lo.

— Sabe que aceitarei, se continuar a me pedir. Sabe que cederei porque o amo demais. E teria de renunciar a todo o resto. Ficarei nesta ilha desgraçada, não voltarei mais para Nova York, não tentarei outra vez o sucesso no teatro. Ao longo dos anos passarei a odiá-lo e começarei a pensar... se ao menos... se ao menos... Acabarei definhando aqui, sempre a me perguntar se não poderia ter sido outra coisa.

— O que a faz pensar que espero que desista de Nova York e do teatro, que espero que renuncie a todos os seus sonhos? Detestaria pensar que casaria com um homem que deseja menos para sua vida do que você mesma quer. Qualquer coisa que você queira para si, Alice, eu quero em dobro.

Ela passou a mão pelo rosto.

— Não estou entendendo.

— Estou dizendo que também tenho meus planos, meus sonhos. Não planejo passar o resto da vida martelando em Desire.

Um pouco irritado, Jasper tirou o boné e removeu o suor da testa. E lá coisas que precisam ser construídas em Nova York, não é mesmo? E coisas que precisam ser consertadas, como em qualquer outro lugar.

Alice baixou as mãos, lentamente. Fitou-o nos olhos. Gostaria de podei ler o que havia ali.

— Está dizendo que iria para Nova York, viveria em Nova York... por mim?

— Não, não é isso o que estou dizendo. — Impaciente, Jasper fechou a caixa e tornou a guardá-la no bolso. — Se eu fizesse isso, acabaria ressentido com você e voltaríamos ao ponto em que começamos. Estou dizendo que iria por nós dois. E que, mesmo com o dinheiro que tenho guardado, viveríamos apertados por algum tempo. E que provavelmente teria de fazer alguns cursos se quisesse que Edward me desse um emprego em sua firma.

— Um emprego com Edward? Você quer trabalhar em Nova York?

— Sempre quis conhecer a cidade. E também quero vê-la no palco, à luz dos refletores.

— Talvez eu nunca chegue lá.

— Claro que chegará. — As covinhas surgiram nas faces de Jasper, os olhos passaram de castanhos sombrios para dourados. — Nunca conheci alguém que fosse capaz de representar mais papéis. Chegará lá, Alice. Acredito em você.

Lágrimas escorreram dos olhos de Alice, mesmo enquanto ela ria e se jogava nos braços dele.

— Oh, Jazz, como você pode ser tão perfeito? Como pode ser tão certo? — Ela inclinou-se para trás e pegou o rosto de Jasper entre as mãos. — Tão absolutamente certo para mim.

— Venho estudando para ser assim durante a maior parte da minha vida.

— Tudo vai dar certo. E trabalharei como garçonete até que você termine a faculdade ou eu tenha uma oportunidade. O que vier primeiro. E agora vamos acabar logo com isso. Depressa. — Alice estendeu a mão. — Mal posso esperar.

— Comprarei um diamante maior algum dia.

— Não vai não. — Ela ficou emocionada quando Jasper enfiou o anel em seu dedo, baixou a cabeça e beijou-a. — Pode me comprar uma porção de brilhantes quando formos ricos. Porque quero ser boa e rica, Jazz, e não me envergonho de dizer isso. Mas este anel...

Alice ergueu a mão. Virou-a um pouco, para um lado e outro, fazendo o pequeno diamante faiscar e dançar à luz.

— Este anel é perfeito.


Depois de duas horas, Bella sentia os olhos turvos e a cabeça latejando. Sue voltara e partira duas vezes, transportando hóspedes, passando pelos chalés. Emmet trouxera uma dúzia de campistas, depois voltara para verificar se ainda havia mais algum. A única notícia que ela tivera de Edward fora a de que ele estava ajudando a preparar os chalés perto da praia.

Exceto pelas batidas monótonas dos martelos, finalmente havia silêncio na casa. Bella calculou que Sue voltaria em breve com as últimas pessoas nos chalés. As janelas nos lados sul e leste já estavam cobertas por placas de madeira compensada, deixando a casa na escuridão.

Quando ela abriu a porta da frente, o vento entrou, impetuoso. Era bastante frio, o que foi um choque depois do calor sufocante da casa fechada. Ao sul, o céu estava escuro e sinistro. Ela viu os clarões de raios, mas não ouviu as trovoadas que deveriam acompanhá-los. Ainda muito longe, concluiu Bella. Verificaria dali a pouco qual o curso que estavam prevendo para Carla. E, como precaução, pegaria todas as cópias e negativos no laboratório e guardaria no cofre no escritório de Sue.

Como queria evitar o pai por mais algum tempo, ela subiu pela escada principal. Deu uma olhada nos quartos, automaticamente, para verificar se os hóspedes, apressados, não haviam deixado nada para trás. Apagou todas as luzes e seguiu para a ala da família. O som das marteladas era mais alto agora e ela achou-o confortador. Para nos proteger. Se Carla viesse mesmo, Santuário resistiria, como já acontecera antes.

Bella ouviu o som de vozes ao passar pelo escritório de Sue. Uma placa de madeira compensada foi estendida sobre a janela no momento em que ela passou. Ou Emmet voltara, refletiu ela, ou seu pai saíra para ajudar Jasper.

Ela acendeu as luzes no laboratório e foi ligar o rádio.

— O furacão Carla foi elevado para a categoria três e deve alcançar a ilha de Little Desire, ao largo da costa da Geórgia, por volta de sete horas da noite. Os turistas foram evacuados dessa ilha, de propriedade particular, no arquipélago de Sea Islands. Os habitantes estão sendo aconselhados a deixar a ilha o mais depressa possível. Esperam-se ventos de até duzentos quilômetros horários. Carla deve chegar perto da maré alta.

A confiança anterior abalada, Bella passou as mãos pelos cabelos. Não podia ser pior do que isso, ela sabia. Os chalés seriam destruídos pelo vento ou pela água. As casas derrubadas, as praias cobertas pelas ondas, árvores arrancadas na floresta.

E a rede de segurança de todos encolhia cada vez mais, pensou ela, com um olhar para o relógio. Ia buscar Edward e Rose, e todos deixariam a ilha, mesmo que fosse necessário deixar o pai desacordado e carregá-lo.

Ela abriu uma gaveta. Podia deixar as fotos, mas não queria correr o risco de perder todos os negativos. Mas a mão parou de repente, quando a estendeu para pegá-los.

Em cima de suas fichas, organizadas com todo cuidado, havia uma pilha de fotos. Ela ficou atordoada, a pele coberta de suor, quando viu o rosto da mãe. Já vira aquela foto antes, em outro laboratório, no que quase parecia ser outra vida. Por cima do zumbido nos ouvidos, pôde ouvir o próprio gemido quando pegou a foto.

Era real. Podia sentir o papel liso entre os dedos. A respiração rasa, ela virou a foto e leu o título no verso:

MORTE DE UM ANJO

Reprimiu um soluço. Forçou-se a olhar paia a foto seguinte. A dor dominou-a por completo, ardendo como picadas de vespas. A pose era quase idêntica, como se o fotógrafo tivesse procurado reproduzir uma da outra. Mas aquela era Jessica, o rosto tão jovial e animado agora flácido e sem brilho, os olhos vazios.

— Sinto muito — murmurou Bella, comprimindo a foto contra o coração. — Sinto muito, mas muito mesmo.

A terceira foto era de Susan Peters.

Bella fechou os olhos, fazendo um esforço para reprimir a vertigem. Gentilmente, pôs a terceira foto de lado. E sentiu que os joelhos viravam água.

A última foto era dela. Tinha os olhos fechados, o rosto sereno, o corpo pálido e nu. Os sons não passaram de sua garganta quando largou a foto e recuou.

Tateou com o braço estendido para trás, à procura da porta. A adrenalina espalhou-se por seu corpo, impulsionando-a a correr. Esbarrou na mesa, num movimento brusco, derrubou o rádio de lado. A música tornou-se estridente, o que a deixou com vontade de gritar.

— Não! — Ela fechou as mãos, cravando as unhas nas palmas, até que a dor prevaleceu sobre o choque. — Não deixarei que aconteça. Não acreditarei. Não permitirei que seja verdade.

Ela fez um esforço para se controlar. Contou as respirações, esperando a vertigem passar. Sombria e determinada, pegou a foto de novo.

Era mesmo seu rosto. A foto fora tirada antes de Alice cortar seus cabelos para o luau. Portanto, já tinha várias semanas. O lual acontecera logo no início do verão. Bella levou a foto para a luz. Ordenou se para examiná-la com sua visão objetiva e treinada.

Só precisou de alguns segundos de análise lúcida para compreender que o rosto podia ser seu, mas o corpo não era. Os seios eram cheios demais, os quadris muito arredondados. Ela pôs a loto de Renée ao lado. Era mais assustador, especulou, atordoada, compreender que seu rosto fora acrescentado ao corpo da mãe? O que fazia com que as duas fossem uma só, pensou Bella.

Era o que ele queria desde o início.


Emmet guiava o jepp pela estrada de manutenção do camping. Vários locais de acampamento haviam sido abandonados na maior desordem. Mas como a tempestade se aproximava, pensou ele, isso não teria a menor importância. O vento já zunia mais e mais forte através das árvores. Uma rajada sacudiu o Jeep e fez com que ele apertasse ainda mais as mãos no volante. Pelos seus cálculos, teriam apenas mais uma hora para concluir os preparativos.

Teve de fazer um esforço para não se apressar na verificação. Queria ir logo para o chalé de Rose e levá-la para a segurança de Santuário. Ficaria mais tranqüilo se pudesse despachá-la para o continente, mas sabia que era melhor não desperdiçar seu fôlego e energia na tentativa de convencê-la. Se alguns habitantes permanecessem na ilha, Rose também ficaria para cuidar de possíveis feridos.

Santuário já tinha mais de um século, pensou Emmet. Resistiria a mais uma tempestade.

Havia dezenas de outras preocupações. Ficariam com certeza isolados do continente. O rádio ajudaria, mas não haveria telefone, não teriam energia elétrica nem transporte depois que fossem atingidos. Ele abastecera o gerador para que tivessem energia de emergência. E sabia que Sue mantinha um amplo estoque de água mineral.

Tinham comida, tinham abrigo, tinham vários braços fortes. E, depois que Carla fizesse os piores estragos, os braços fortes seriam uma necessidade.

Emmet continuou a enumerar mentalmente as tarefas e opções. Foi se sentindo mais e mais calmo à medida que confirmava que não havia pessoas extraviadas na área do camping. Só esperava que não houvesse idiotas escondidos entre as árvores ou arriscando-se na praia, pensando que um furacão era uma aventura de férias.

Ele soltou um grito e pisou no freio, quando alguém surgiu na estrada, na frente do jeep.

— Jesus Cristo, seu idiota! — Furioso, Emmet saltou do veículo. — Quase o atropelei. Não tem juízo suficiente para se afastar do meio da estrada ou procurar um abrigo quando um furacão se aproxima?

— Ouvi a notícia. — O sorriso do homem alargou-se. — Uma oportunidade espantosa.

— E mesmo uma coisa espantosa. — Mais irritado a cada segundo desperdiçado, Emmet sacudiu o polegar na direção do Jeep. — Entre. Posso levá-lo até a última barca, mas não resta muito tempo.

— Não é isso que eu quero.

Ainda sorrindo, o homem estendeu o braço que mantinha atrás das costas e disparou a arma.

Emmet foi impelido para trás quando a dor explodiu em seu peito. Cambaleou, fazendo um esforço para evitar que o mundo girasse. E, ao cair, viu o riso nos olhos de um amigo de infância.

— Menos um. — Com a ponta da bota, o homem empurrou para o lado o corpo inerte de Emmet. —Agradeço a oportunidade de melhorar minhas chances, velho amigo. E pelo empréstimo do Jeep.

Ao embarcar, ele lançou um último olhar para Emmet.

— Mas não se preocupe. Eu o levarei de volta a Santuário... no final de tudo.


A chuva começava a investir contra as janelas enquanto Rose juntava os equipamentos e suprimentos médicos. Na maior calma, tentava prever todas as possíveis necessidades. Se tivesse de cuidar de vítimas, seria melhor fazê-lo em Santuário. Já admitira a possibilidade de o chalé não sobreviver aquela noite.

Sabia que a maioria dos ilhéus seria teimosa demais e não deixaria suas casas. Pela manhã, poderia haver fraturas, concussões cortes. A casa tremeu, sob uma rajada de vento mais forte, e ela rangeu os disponível para tratar de todos os ferimentos.

Levantava uma caixa, a fim de levá-la para seu carro, quando a porta da frente foi aberta. Levou um momento para reconhecer Jasper no vulto de capa amarela com capuz.

— Tome aqui. — Ela estendeu a caixa para Jasper. — Pegarei a próxima.

— Calculei que você estaria reunindo essas coisas. Mas trate de se apressar. A desgraçada está chegando.

— Já arrumei quase tudo. — Rose vestiu sua capa. — Onde está Emmet?

— Ele foi verificar o camping. Ainda não voltou.

— Já deveria ter voltado.

A preocupação a atormentava enquanto pegava o resto dos suprimentos. O vento empurrou-a de volta no momento em que tentou sair para a varanda. Assoviava em seus ouvidos quando se inclinou para a frente e avançou.

— Está tudo seguro aqui?

Jasper gritou acima do barulho das ondas, enquanto tirava a caixa de suas mãos e levava para o Jeep.

— Na medida do possível. Edward ajudou-me esta manhã. Ele já foi para casa?

— Não. E também não o vi.

— Pelo amor de Deus! — Ela empurrou para trás os cabelos esvoaçando. — O que eles podem estar fazendo? Vamos passar pelo camping, Jasper. — Não temos muito tempo, Rose.

— Mas temos de fazer isso. Emm pode estar com algum problema. O vento pode ter derrubado algumas árvores. Se ele não estava em Santuário quando você saiu e não passou por ele na vinda para cá, é provável que ainda esteja por lá. E não irei para Santuário enquanto não tiver certeza.

Jasper abriu a porta do Jeep e empurrou-a para dentro.

— Você é a médica.


— Filho da puta!

Edward bateu com a quina da mão no volante. Pusera seus trabalhos e equipamentos mais importantes no Jeep, que agora não queria pegar. Nem ao menos o motor emitia qualquer som.

Furioso, ele saltou. O vento cada vez mais forte lançou a chuva contra seu rosto. Levantou o capo e soltou um grunhido. Não tinha tempo para fingir que podia consertar o que estava errado.

Precisava alcançar Bella e tinha de ser agora. Já fizera todo o resto que podia fazer.

Edward baixou o capo e seguiu para o rio, abandonando o Jeep. Teria de percorrer uns quatrocentos ou quinhentos metros, rio acima, antes de poder fazer a travessia. A ida até Santuário, através da floresta, prometia ser angustiante.

Ele ouvia o rangido agourento de árvores sendo fustigadas e torturadas pelo vento, sentia a pressão em suas costas ao cambalear para a frente. Os relâmpagos explodiam lá em cima, povoando o céu com uma estranha claridade alaranjada.

O vento ardia em seus olhos, turvava a visão. Não percebeu o vulto que saiu de trás de uma árvore até que estava quase em cima dele.

— Cristo! O que está fazendo aqui?

Edward levou quase dez segundos atordoados para perceber além das mudanças e reconhecer o rosto.

— James! — O horror prevaleceu sobre o choque. — Ó Deus, o que você fez?

— Olá, irmão.

Como se estivessem se encontrando numa tranqüila rua ensolarada, James estendeu a mão. E quando Edward baixou os olhos, por uma fração de segundo, James bateu com a coronha da arma em sua têmpora.

— Menos dois.

Desta vez, ele inclinou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada. A tempestade aumentava sua sensação de poder. A violência deixava-o excitado.

— Não senti que era certo dar um tiro em meu próprio irmão, mesmo ele sendo um filho-da-puta irritante, o que alguns chamariam de sangue-frio. — Ele agachou-se ao lado do corpo e sussurrou, como se Edward pudesse ouvi-lo: — O rio vai transbordar e as árvores serão derrubadas. O que quer que aconteça, irmão, temos de atribuir ao destino.

James empertigou-se. Deixou o irmão estendido ali, encharcado de sangue e chuva, e partiu para reivindicar a mulher que decidira que lhe pertencia.