oi flores... mais um capitulo... esta acabando esse é o penultimo... não me abandonem... quase nao recebi reviews dessa fic... fiquei muito triste... feliz 2011 pra todas...
A chuva escorria pelo pára-brisa do Jeep, mais intensa do que os limpadores podiam remover. A estrada estava tão lamacenta que Japer tinha de fazer o maior esforço para cada metro de progresso.
— Vamos voltar — disse ele para Rose. — Emmet tem bom senso suficiente para não ficar na estrada com um tempo como este... e eu também.
— Então volte pelo caminho oeste. — Rose torcia para que fosse a tempestade que fazia seu coração bater tão forte e deixava a enregelada até os ossos. — É o caminho que ele deve ter seguido. Neste caso, poderemos ter certeza.
— A estrada do sul é mais rápida.
— Por favor.
Jasper abandonou seu melhor julgamento e virou o Jeep para a esquerda,
— Se voltarmos inteiros, Emmet vai me esfolar por manter você na tempestade por cinco minutos a mais do que o necessário.
— Não precisaremos mais do que isso, cinco minutos extras. — Rose inclinou-se para a frente, fazendo um esforço para ver através da cascata que descia pelo pára-brisa. — O que é aquilo? Ali na frente, na beira da estrada.
— Provavelmente algum equipamento que caiu da picape de alguém. As pessoas estavam com pressa de sair daqui antes...
— Pare!
Ela estendeu a mão e puxou o volante, fazendo o Jeep derrapar.
— Jesus Cristo! Está querendo nos jogar numa vala? Ei... — Embora tivesse se esticado para detê-la, Jasper só conseguiu segurar a ponta da capa, quando ela saiu para a torrente de chuva. — Essas mulheres são insuportáveis!
Ele fez um esforço para abrir sua porta.
— Volte aqui, Rose. Este vento vai soprá-la até Savannah.
— Ajude-me, Jasper, pelo amor de Deus! É Emmet! — As mãos geladas de Rose já abriam a camisa ensangüentada. — Ele levou um tiro!
— Onde eles podem estar? – enquanto o vento investia com toda a força contra as paredes, Alice andava de um lado para outro da sala principal. — O que aconteceu? Jasper saiu há quase uma hora e Emmet há duas.
— Talvez tenham se abrigado em algum lugar. — Sue, encolhida numa cadeira, fazia um esforço para não entrar em pânico. — Podem ter chegado à conclusão de que era melhor não tentarem voltar para cá.
— Jasper disse que voltaria. Prometeu.
— Neste caso, ele vai cumprir sua palavra. — Sue cruzou as mãos para não retorcê-las. — Devem chegar a qualquer momento. Estarão cansados, molhados e com frio. Vamos fazer café e guardar em garrafas térmicas, Alice, antes que a eletricidade seja cortada.
— Como pode pensar em fazer café quando... — Alice não concluiu a frase. Fechou os olhos apertando com força. — Está bem. É melhor do que ficar aqui sem fazer nada. Com as janelas tapadas pela madeira compensada não podemos nem espiar a estrada.
— Vamos providenciar comida quente, café quente, roupas secas.
Depois que enumerou as providências práticas, Sue pegou uma lanterna, como precaução, e deixou a sala, acompanhada por Alice.
Bella levantou-se um momento depois. O pai estava em pé no outro lado da sala, de costas para ela, virado para a janela, como se recorresse a toda a sua força de vontade para divisar alguma coisa através da madeira compensada.
— Papai, ele esteve na casa.
— Como?
— Ele esteve na casa. — Bella manteve a voz calma, enquanto o pai se virava. — Eu não queria dizer nada na presença de Alice e Sue, pelo menos por enquanto. As duas já estão assustadas demais. Eu esperava que pudessem partir na última barca, mas com Emmet ainda lá fora...
O estômago de Charlie começou a arder.
— Tem certeza?
— Tenho. Ele deixou... Esteve em meu laboratório em algum momento dos últimos dois dias. Não posso determinar quando.
— Edward Cullen esteve na casa.
— Não foi Edward.
Charlie manteve o olhar firme e duro.
— Não estou disposto a correr qualquer risco. Vá para a cozinha e fique com Sue e Alice, enquanto revisto a casa.
— Irei com você.
— Vai fazer o que eu mandar e quero que fique na cozinha. Não dará um único passo para qualquer lugar sem a companhia delas.
— É a mim que ele quer. Se as duas estiverem comigo, também correrão perigo.
— Ninguém vai tocar em qualquer dos meus nesta casa.
Ele pegou o braço de Bella, disposto a arrastá-la para a cozinha, se fosse necessário. Foi nesse instante que a porta da frente abriu, deixando entrar o vento e a chuva.
— Leve-o para cima, Jasper.
A respiração acelerada, Rose deslocou-se para o lado, a fim de manter a pressão sobre o peito de Emmet, enquanto Jasper cambaleava ao peso.
— Preciso que alguém pegue meu material médico no Jeep — ordenou ela, quando Charlie e Bella se adiantaram. — Preciso de lençóis, toalhas, luz. E depressa. Ele perdeu muito sangue.
Sue veio correndo.
— Ó Deus! O que aconteceu?
— Ele levou um tiro. — Rose acompanhava o ritmo de Jasper, jamais desviando os olhos do rosto de Emmet. — Fale pelo rádio com o continente. Descubra em quanto tempo podem mandar um helicóptero para cá. Precisamos levá-lo para um hospital e precisamos da polícia. Depressa com os suprimentos. Já perdi tempo demais.
Sem se dar ao trabalho de vestir uma capa, Charlie saiu correndo para a tempestade. Já estava cego antes mesmo de chegar ao Jeep, surdo para outros sons que não fossem o estrondo do sangue em seus ouvidos e o uivo do vento. Pegou a primeira caixa e sentiu que Bella passava por ele para pegar a segunda.
Os dois cambalearam ao peso, mas conseguiram voltar juntos para casa.
— Rose levou-o para a Garden Suite. É a cama mais próxima. — Alice encostou de costas na porta e conseguiu fechá-la depois que os dois entraram. — Não quer dizer qual é a gravidade do ferimento dele. Não quer dizer nada. Sue está no rádio.
Bella apertava a caixa, as articulações esbranquiçadas, enquanto subiam a escada às pressas.
Rose tirara a capa ensangüentada e jogara-a para o lado. Não ouvia o barulho da chuva nem o uivo do vento. Só tinha um objetivo agora: manter Emmet vivo.
— Preciso de mais travesseiros, temos de manter o tronco e as pernas mais altos do que a cabeça. O local da hemorragia deve ficar elevado. Ele está em choque. Precisa de mais cobertores. A bala atravessou o corpo. Encontrei o ferimento de saída.
Ela comprimiu uma compressa nas costas de Emmet, perto do ombro direito. A mão sem luva estava coberta de sangue.
— Não dá para saber quais podem ser as lesões internas. Mas a perda de sangue éa primeira preocupação. A pressão émínima e a pulsação está muito fraca. Qual é o tipo de sangue de Emmet?
— A negativo — respondeu Charlie. — O mesmo que o meu.
— Neste caso, tiraremos um pouco de seu sangue para ele. Mas não tenho mãos suficientes. Preciso de alguém para fazer isso. Darei todas as instruções.
— Eu farei — declarou Sue, entrando no quarto. — Não podem nos dizer quando mandarão o helicóptero. Nada pode chegar ou sair da ilha até que Carla se afaste. Nenhum aparelho pode decolar.
Ó Deus! Ela não era cirurgiã. Pela primeira vez na vida, Rose desejou ter acatado os desejos do pai. O ferimento de entrada era pequeno e podia fechá-lo com facilidade. Mas o ferimento de saída era um buraco nas costas de Emmet tão grande quanto o punho dela. E Rose sentiu o pânico envolvê-la. Fechou os olhos.
— Muito bem. Precisamos mantê-lo estabilizado. Jasper, por enquanto faça pressão aqui. Tem de ser uma pressão firme. Se sangrar através da compressa, não a retire. Em vez disso, coloque mais. Use a outra mão para manter este ponto de pressão arterial. Os dedos devem ficar firmes. Sue, pegue minha maleta. Encontrará um tubo de borracha. Vai fazer um torniquete.
Enquanto preparava uma seringa, sua voz tornou-se fria. Escolhera a cura como profissão e, por Deus, haveria de curar. Lançou um olhar demorado para o rosto de Emmet.
— Vou mantê-lo comigo, entendeu?
E, no momento em que ela enfiou a agulha, a casa ficou às escuras.
Edward fez um enorme esforço para alcançar a superfície de uma neblina vermelha, mas tornou a recuar. Parecia vital que adorasse, embora fosse monstruosa a dor que sentia sempre que se aproximava da superfície tênue e tremeluzente. Estava enregelado até os ossos, com a sensação de que fora mergulhado numa tina de água gelada. Agarrou-se na beira outra vez, sentiu que as brumas vermelhas fechavam e adensavam e deu um salto com toda a sua força para rompê-la.
Descobriu-se num pesadelo, sinistro e ameaçador. O vento uivava como mil demônios à solta, a água jorrava em cima dele, deixando-o engasgado quando abriu a boca para respirar fundo. Com a cabeça girando, virou-se e ficou de quatro. A água do rio transbordando já cobria seus pulsos. Tentou se levantar, mas resvalou para a inconsciência. O choque da água fria em seu rosto, no momento em que bateu no chão, trouxe-o de volta.
James... Fora James, de volta dos mortos. Aquele James tinha cabelos louros compridos em vez de acobreados, um bronzeado quase agressivo em vez da palidez da cidade grande. E uma loucura indescritível nos olhos.
— Isabela...
Edward sentiu que sufocava quando começou a engatinhar para longe da água do rio. Murmurou o nome como uma oração, enquanto fincava os dedos no tronco molhado de uma árvore para se levantar. E quando começou a correr para Santuário, cambaleando, fustigado pelo vento, passou a gritá-lo.
— Não vou perde-lo – Rose falou em tom decidido, enquanto trabalhava, à luz de um lampião. A mente mantinha uma calma rígida, reprimindo os medos e dúvidas. — Fique comigo, Emm.
— Vai precisar de mais luz. — Jasper passou a mão pelos cabelos de Alice. — Se puder me dispensar aqui, vou descer para ligar o gerador.
— Quem fez isto... — Alice apertou a mão de Jasper— pode estar em qualquer lugar.
— Fique aqui. — Ele levantou a mão de Alice para beijá-la. — Rose pode precisar de ajuda.
Jasper foi até a cama, inclinou-se como se estivesse examinando Emmet e perguntou baixinho a Charlie:
— Você tem uma arma em casa?
Charlie continuou a olhar para o tubo pelo qual seu sangue era transferido para o filho.
— Meu quarto, no alto do armário. Uma caixa de metal. Tem um trinta e oito e munição. — Seu olhar deslocou-se por um breve instante, avaliou o homem. — Confiarei a você para usá-lo se for necessário.
Jasper acenou com a cabeça. Ofereceu um rápido sorriso.
— Voltarei num instante.
— Há outro lampião e mais velas? — Rose levantou uma pálpebra de Emmet. A pupila estava dilatada pelo choque. — Se eu não conseguir fechar o ferimento da saída da bala, ele perderá mais sangue do que podemos lhe dar.
Sue trouxe uma lanterna. Iluminou a carne dilacerada.
— Não o deixe morrer. — Ela piscou para reprimir as lágrimas. — Não deixe meu menino morrer.
— Vamos mantê-lo conosco.
— Não o perderemos, Sue — murmurou Charlie, pegando a mão fechada de Sue.
— Jasper pode estar tendo problemas com o gerador. —Bella falou baixinho, pondo a mão no ombro de Alice. — Descerei para buscar mais luzes de emergência.
— Irei com você.
— Não precisa. Fique aqui. Rose pode precisar de ajuda. Papai não poderá ajudá-la e Sue não deve agüentar por muito tempo, Voltarei num instante.
Bella apertou o ombro de Alice. Pegou uma lanterna e saiu do quarto. Tinha de fazer alguma coisa para ajudar a reprimir o medo por Emmet, por Edward. Por todos eles.
E se Edward também tivesse levado um tiro, estivesse caído em algum lugar, sangrando, morrendo? Não havia nada que pudesse fazer para evitá-lo, E como poderia viver depois se ficasse sem fazer nada?
Ele procurara abrigo em algum lugar, disse Bella a si mesma, enquanto descia a escada, apressada. E assim que a tempestade passasse, ela o encontraria. E levariam Emmet para um hospital no continente.
Teve um sobressalto quando ouviu um estrondo e o barulho de vidro quebrado. A mente ficou paralisada, imaginando outra bala, mais carne dilacerada por aço. Mas depois avistou a madeira compensada arrebentada numa janela, a chuva entrando pelo rombo aberto por um galho de árvore.
Levantou a lanterna para verificar os estragos. Teria de procurar Jasper. Assim que levasse a luz para Rose, precisariam pegar mais madeira para tapar o buraco, antes que os danos se tornassem irreparáveis.
Quando virou-se, deparou com o homem.
— Assim é melhor. — James adiantou-se para a luz. — Eu ia subir para buscá-la. Não, não grite.
Ele levantou a arma, para que Bella pudesse vê-la, enquanto acrescentava:
— Matarei qualquer pessoa que descer para saber o que está acontecendo. — Ele sorriu. — Como vai seu irmão?
— Continua a resistir. — Bella baixou a lanterna e as sombras aprofundaram-se. A tempestade entrava pela janela arrebentada e molhava seu rosto. — Já faz muito tempo, James.
— Nem tanto tempo assim, no esquema geral das coisas. E tenho mantido um contato estreito, por assim dizer, há meses. Gostou do meu trabalho?
— É... competente.
— Puta! — A palavra saiu com extrema violência. Ele deu de ombros. — Ora, seja honesta. Tem de admitir que a última foto era ótima, pela criatividade da imagem, a fusão do antigo com o novo. É um dos meus melhores estudos.
— Um clichê, na melhor das hipóteses. Onde está Edward, James?
— Imagino que continua no lugar em que o deixei. — Ele estendeu a mão, rápido como uma serpente, e agarrou-a pelos cabelos. — Para variar, não vou me preocupar por ficar com as sobras de meu irmão mais velho. Do meu ponto de vista, ele estava apenas... preparando você. Sou muito melhor do que ele, em tudo. Sempre fui.
— Onde ele está?
— Talvez eu lhe mostre. Vamos sair para um pequeno passeio.
— Com esta tempestade? — Bella simulou resistência, enquanto ele a arrastava para a porta. Queria tirá-lo dali, levá-lo para longe de Santuário, qualquer que fosse o custo. — Você só pode ser louco para sair num furacão de categoria três.
— O que eu sou, querida Bella, é forte. — James roçou os lábios pela têmpora dela. — E poderoso. Não se preocupe. Não deixarei que nada lhe aconteça até que tudo esteja perfeito. Planejei com o maior cuidado. Abra a porta.
As luzes acenderam. Jo aproveitou a fração de segundo de distração para golpear para trás com a lanterna. O alvo era a virilha, mas acertou na coxa. Ainda assim, surpreso, ele soltou um grito de dor e afrouxou a pegada em seus cabelos. Ela se desvencilhou, abriu a porta e saiu para a fúria da tempestade.
— Se quer me pegar, seu filho-da-puta, venha me buscar.
No instante em que ele passou pela porta, Bella saiu correndo no vento, num esforço para afastá-lo de Santuário.
A escuridão tragou os dois.
Menos de um minuto depois, Jasper subiu do porão. Sentiu a rajada de vento no instante em que entrou no corredor. A porta da frente estava escancarada para a chuva. Com o sangue gelado, tirou a arma da cintura dos jeans, puxou a trava de segurança e avançou. O dedo em torno do gatilho tremeu um pouco, a uma fração da pressão total, quando Edward passou pela porta.
— Onde está Isabela?
— O que aconteceu com você?
Jasper continuou a apontar a arma, enquanto se adiantava, odiando a si mesmo por isso, mas não querendo correr qualquer risco.
— Eu vinha para cá quando meu irmão... — Ele cambaleou. Passou a mão pelo ferimento na têmpora, enquanto a visão se tornava turva. — Era meu irmão.
— Pensei que havia dito que ele estava morto.
— Não está. — Edward sacudiu a cabeça para desanuviá-la. Olhou para a arma. E repetiu: — Não está. E Bella?
— Ela está bem e segura... e vai continuar assim. Emmet foi baleado.
— Ó Deus! Ele morreu?
— Rose está cuidando dele. Afaste-se da porta, Edward. E feche-a. Mantenha as mãos onde eu possa vê-las.
— Essa não! — Foi nesse instante que ele ouviu o grito. O sangue que subira à cabeça, para fazê-la latejar e deixá-lo ofuscado, esvaiu-se de repente. — É Bella. Ela está lá fora.
— Se fizer qualquer movimento, terei de atirar.
— Ele vai matá-la. Não permitirei que isso aconteça... não permitirei que aconteça de novo. Pelo amor de Deus, Jasper, ajude-me a encontrá-la antes dele.
Era uma opção entre instinto e cautela. Jasper torceu para que sua opção fosse a certa ao estender a arma pela coronha.
— Vamos encontrá-la. Ele é seu irmão. Faça o que tiver de fazer.
Bella reprimiu outro grito queando um galho , grosso como o tronco de um homem, caiu a seus pés. A escuridão turbilhonava, o barulho cada vez mais estrondoso, o vento impetuoso. Fragmentos de musgo passavam como balas por seu rosto. As palmeiras chocalhavam. Ela lutou para avançar mais um passo, depois outro, enquanto o vento a sacudia.
Finalmente, caiu de joelhos. Passou os braços em torno de um tronco, com medo de ser dilacerada pela força do vento.
Levara-o para longe, afastara-o de Santuário, mas agora se descobria perdida. A floresta estremecia sob a violência implacável. A chuva a atingia como se fossem facas cravadas em sua carne. Não podia ouvir a própria respiração agora, embora soubesse que devia ser estridente e acelerada, porque os pulmões pareciam pegar fogo. Tinha de voltar, tinha de chegar em casa antes que ele desistisse da busca. Se James voltasse antes, mataria todos ali. Como matara Edward. Ela começou a rastejar, soluçando, fincando as mãos na lama para arrastar o corpo com a maior dificuldade, palmo a palmo.
Em Santuário, Rose fechou o tubo que transferia o sangue de Charlie para Emmet. Não podia se arriscar a tirar mais enquanto Charlie não descansasse.
— Charlie precisa de líquidos e proteínas. A transfusão drenou suas energias. Deve tomar suco.
Ela esticou as costas, cansada, antes de estender a mão para verificar o pulso de Emmet. Quando os dedos dele bateram nos seus, Rose olhou para seu rosto. Percebeu um tênue pestanejar.
— Ele está recuperando os sentidos. Emmet, abra os olhos. Volte agora. Concentre-se em abrir os olhos.
— Ele está melhor? Vai ficar bom?
Alice chegou mais perto, esbarrando no ombro de Rose.
— A pulsação está um pouco mais forte. Pegue o aparelho de pressão. Emmet, abra os olhos agora. É assim que se faz. — Rose sentiu a garganta arder ao observar os olhos se abrirem, fazerem um esforço para entrar em foco. —Vá com calma. Não se precipite. Não quero que se mexa. Apenas tente focalizar meu rosto. Pode me ver?
— Posso.
A dor era terrível, um inferno em seu peito. Vagamente, ele teve a impressão de ouvir o choro de alguém. Mas os olhos de Rose mantinham-se secos.
— Ótimo. A mão tremia um pouco, mas ela firmou-a para projetar o facho de uma pequena lanterna em seus olhos. — Mas continue imóvel. Deixe me examina-lo.
— O que aconteceu?
— Você foi ferido, meu bem. — Num choro incontrolável, Sue pegou a mão de Emmet e baixou o rosto ao seu encontro. — Rose está cuidando de você.
— Tudo é vago.
Emmet virou a cabeça, apreensivo. Viu o rosto do pai, pálido e exausto, depois o tubo que os ligava.
— Dói um bocado.
Espantado, ele viu Charlie cobrir o rosto com as mãos, enquanto o corpo era sacudido por soluços.
— Mas o que aconteceu?
Ele arriou de volta na cama, fraco como um bebê, sob as mãos firmes de Rose.
— Eu disse para ficar quieto. Não deixarei que estrague todo o meu trabalho. Darei uma coisa para a dor dentro de um minuto. A pressão continua a melhorar. Ele está estabilizando.
— Posso tomar água ou alguma outra coisa? Tenho a sensação de que fui...
A voz definhou quando ele se lembrou. O vulto na estrada, o brilho de uma arma, a explosão em seu peito.
— Um tiro. Levei um tiro.
— Rose e Jasper o encontraram — informou Alice, inclinando-se para pegar a outra mão do irmão. — Trouxeram-no para casa. Ela salvou sua vida.
— Foi James... James Cullen. — A dor vinha em ondas agora, deixando-o sem fôlego. — Eu o reconheci. Pelos olhos. Ele usava óculos escuros antes. Era ele... no dia em que cortei a mão. Foi James quem esteve com você no consultório.
— O artista? — Rose baixou a seringa que preparara. — O vagabundo da praia?
— Era James. Estava aqui O tempo todo.
— Fique quieto. Mantenha-o imóvel, Alice. Mas que droga, Emmet! — Assustada com os esforços que ele fazia para se erguer, Rose aplicou a injeção com mais pressa do que delicadeza. — Assim vai começar a sangrar de novo. Dê-me uma ajuda, Sue, para que ele não se machuque antes que a droga faça efeito.
Sue comprimiu a mão contra o ombro de Emmet, enquanto corria os olhos pelo quarto.
— Onde está Bella? Onde está Isabela?
Perdida, perdida no escuro e no frio se o vento diminuíra mesmo de intensidade ou se apenas ficara tão acostumada com as rajadas ameaçadoras que não sentia mais que tentavam matá-la. Fez um esforço para se imaginar a levantar e correr. Queria ter a força de vontade para tentar, mas sentia-se muito fraca e cansada para fazer mais do que rastejar.
Perdera todo o senso de direção. Tinha medo de rastejar na direção do rio e morrer afogada. Mas não pararia, não podia parar, enquanto tivesse uma chance de chegar a Santuário.
E se ela estava perdida, ele também devia estar perdido. Outra árvore caiu, em algum lugar por trás dela, com tanto impacto que o solo tremeu. Pensou que ouvia alguém gritar seu nome, mas o vento dispersou o som. Era de esperar que ele a chamasse, pensou Bella, enquanto os dentes começavam a bater. E faria isso na expectativa de que ela revelasse onde se encontrava, para poder mata-la, como fizera com as outras. Como o pai dele matara sua mãe.
Ela sentia-se quase cansada o bastante para deixar que isso acontecesse. Mais do que tudo, porém, queria vê-lo morto.
Por sua mãe, pensou Bella, arrastando-se por mais meio metro. Por Jessica, por Susan Peters. Ela rangeu os dentes e continuou a se arrastar. E por Edward.
Avistou a luz, apenas um facho estreito, e enroscou-se numa bola, por trás de uma árvore. Mas a luz manteve-se firme, não mudou de direção como aconteceria com uma lanterna ou lampião na mão de um homem.
Santuário, ela compreendeu. Comprimiu as mãos enlameadas contra a boca, para reprimir um soluço. Aquele facho de luz estreito projetava-se da sala, passando pela janela destruída. Bella recorreu a toda a sua força para conseguir se levantar. Teve de estender a mão para se apoiar na árvore até a cabeça parar de girar. Mas concentrou-se na luz, em pôr um pé na frente do outro.
E, quando alcançou a beira das árvores, começou a correr.
— Eu sabia que você voltaria. — James surgiu na sua frente. Encostou o cano da arma em seu pescoço. — Venho a estudando há tempo suficiente para saber como pensa.
Bella não pôde conter as lágrimas desta vez.
— Por que está fazendo isso? Não é suficiente o que seu pai fez?
— Ele nunca achou que eu era bastante bom. Não tão bom quanto ele. Nem quanto o filho dileto. Mas eu só precisava da inspiração certa. — James sorriu, enquanto a chuva escorria pelo rosto e os cabelos esvoaçavam. — Teremos de limpá-la um pouco. Mas não é problema. Podemos encontrar tudo o que é necessário no camping. Banheiro dos homens, lembra?
— Claro que lembro.
— Adoro brincadeiras. Venho fazendo brincadeiras com Edward durante todo o tempo. Ele nunca soube. O gato fugiu? Não. O gato mergulhou no rio. Dentro de um saco de plástico. Ora, Edward, como pôde ser tão descuidado para tapar todos os buracos no vidro cheio de vagalumes com seu romance de aventuras? — Com uma risada, James sacudiu a cabeça. — Eu costumava levá-lo à loucura com essas coisas... sem que ele conseguisse entender como pudera acontecer.
James gesticulou com a arma.
— O Jeep está no começo da estrada... o que restou da estrada. Teremos de seguir a pé até lá.
— Você o odiava.
— Claro que sim. — Ele cutucou-a, sorrindo, para fazê-la andar. — Meu pai sempre o favoreceu. Mas também meu pai não era o homem que sempre pensamos. Foi uma revelação surpreendente. O pequeno segredo de Carlisle Cullen. Ele era bom, mas eu sou melhor. E você é minha obra-prima, Isabela, como Renée foi a dele. E culparão Edward por isso também. O que é maravilhosamente satisfatório. Ele será preso se sobreviver. Bella cambaleou, mas logo recuperou o equilíbrio.
— Edward está vivo?
— E possível. Ele começará a gritar sobre o irmão morto. Mais cedo ou mais tarde revistarão seu chalé. E tive o cuidado de deixar algumas fotos lá. De todos os ângulos. Uma pena que eu não posso acrescentar algumas fotos suas.
Ele pode estar vivo, pensou Bella. Por isso ela lutaria para permanecer viva. Virou-se, empurrando os cabelos molhados para trás. Estava certa. A tempestade começava a diminuir. Podia enfrenta-la. E enfrentar James.
— O problema, James, é que seu pai era um fotógrafo de primeira classe. Seu estilo talvez fosse um pouco conservador, em alguns casos até prosaico. Mas você é, no máximo, de terceira classe. Sua composição é falha, e a disciplina, deficiente. E não tem a menor noção de boa iluminação.
Quando ele desferiu o golpe, Bella estava preparada. Abaixou-se e projetou-se para a frente, acertando uma cabeçada em James. Ele cambaleou para trás e caiu de joelhos. Bella segurou seu pulso e tentou se apoderar da arma. Mas ele passou o braço pelas pernas de Bella e derrubou-a.
— Sua desgraçada! Pensa que vou suportar seus insultos? Pensa que permitirei que estrague meus planos depois de todo trabalho que tive?
Ele estendeu a mão para agarrá-la pelos cabelos, mas Bella tornou a se esquivar e usou o pé para derrubá-lo de novo. As conchas cortaram suas mãos quando engatinhou para trás, fazendo um esforço para se levantar.
Viu-o apontar a arma.
— James.
A atenção de James, junto com a arma, foi desviada para a direita.
— Edward.
Um sorriso entreabriu os lábios de James, sangrando da cabeçada que Bella acertara em seu queixo.
— Muito interessante. Sei que não vai usar isso. — Ele acenou com a cabeça para a arma que Edward apontava. — Não tem coragem para matar. Nunca teve.
— Largue essa arma, James. Acabou.
— Errado de novo. Nosso pai começou, mas eu acabarei. — James levantou-se, lentamente. — Eu acabarei, Edward, de uma maneira que ele não podia ter sequer imaginado. Meu momento decisivo, meu triunfo. Ele só plantou as sementes. Eu faço a colheita.
James deu um passo à frente, com todo cuidado, o sorriso jamais vacilando.
— Estou colhendo, Edward. Fazendo com que tudo seja meu. Pense em quanto ele ficaria orgulhoso do que realizei, não apenas seguindo seus passos, mas ampliando-os.
— É verdade. — Apesar do frio na pele, Edward sentia uma náusea cada vez mais intensa. — Você conseguiu superá-lo, James.
— Já era tempo de você admitir. — James inclinou a cabeça para o lado. — Isto é o que se chama de impasse mexicano. Você atira em mim ou eu atiro em você.
Ele soltou uma súbita gargalhada, que deixou Edward atordoado.
— Como sei que você não tem coragem, já conheço a resposta. Mas sempre posso alterar o jogo, mudar as regras, como fazia quando éramos pequenos. E atirar nela primeiro.
No momento em que ele desviou a arma para Bella, Edward puxou o gatilho. James deu um salto para trás, a boca entreaberta. Comprimiu a mão contra o peito. Quando a levantou, estava toda ensangüentada.
— Você me matou. Você me matou por uma mulher. Edward baixou a arma, enquanto o irmão caía.
— Você já estava morto — murmurou ele.
E encaminhou-se para Bella, que se levantava. Abraçou-a e reiterou:
— Ele já estava morto.
— Estamos todos bem. — Ela comprimiu o rosto contra o ombro de Edward. — Estamos todos bem agora.
Jasper veio correndo pela estrada lamacenta. Os olhos endureceram quando ele viu o corpo no chão. Olhou para Edward.
— Leve-a para dentro. Você precisa levá-la para dentro. Edward transferiu Bella para o seu lado. Abraçados, seguiram para Santuário, através da tempestade que perdia a intensidade.
