N/A: Está aí, depois de longos meses. Não vou enrolar muito dessa vez, oque eu tenho que falar eu falo lá embaixo, bls? ;D
- Eu vou me casar! – Disse radiante, despejando de uma vez só a novidade sobre os presentes na sala.
Quatro queixos foram parar próximo ao assoalho enquanto Anko, Gai, Shizune e Kakashi digeriam a última novidade.
Asuma estava ao seu lado. Transferia o peso do corpo de uma perna para a outra, ansioso, encarando os rostos abismados dos quatro amigos que haviam sido convidados para um almoço simples na casa de Kurenai, para que fossem colocados a par da grande notícia.
- Com quem? – O tom sarcástico saíra da boca da mulher de cabelos roxos, que foi a primeira a se pronunciar. Anko tinha uma queda por trocadilhos. Quanto mais infames eles eram mais ela parecia satisfeita consigo mesma.
- HáHá. Muito engraçado, Anko.
- Oh, com o Asuma? Vocês chegaram a namorar?
- Anko! –Ralhou Shizune ao lado da outra.
Kurenai rolou os olhos balançando a cabeça. Anko ás vezes conseguia ultrapassar todos os limites da inconveniência com sua ironia crua que chegava a soar um pouco como indelicadeza. Não era só porque ela conseguia se engalfinhar em qualquer lugar sem qualquer vergonha que ela tinha o direito de lhe condenar por ser discreta.
Ela e Asuma sempre namoravam... só não faziam isto em frente a Konoha inteira, diferente de algumas pessoas...
O silêncio na sala durou apenas mais um instante antes que um borrão verde berrante viesse correndo na direção dos futuros noivos dando gargalhadas espalhafatosas. Gai abraçou ambos ao mesmo tempo, enquanto começava oque parecia um de seus discursos de motivação para um de seus alunos.
- É ISSO MESMO, ASUMA E KURENAI! É o fogo da juventude inflamando o coração dos jovens, os conduzindo a erupção do amor e...
- Er, obrigado Gai. – Cortou Asuma se desvencilhando do abraço antes que o discurso lhe causasse traumas psicológicos irreparáveis.
Shizune foi a próxima a se adiantar, dando um abraço apertado em Kurenai enquanto dava seus votos de felicidade para o casal, com seu jeito delicado e bonitinho enquanto falava palavras meigas como "Vocês nasceram um para o outro", ou até "Vão ser felizes para sempre." Kurenai gostou, era mais motivador e menos apavorante que ouvir palavras como 'inflamando', e 'erupção' de um cara como Gai.
Kakashi deu palmadinhas no ombro de Asuma e um abraço em Kurenai, desejando felicidades aos dois, antes de abrir espaço para a namorada vir cumprimentar o casal de amigos.
- Então, já está desafivelando o cinto de castidade? – Cutucou seu braço com o cotovelo dando uma risadinha maliciosa.
O comentário fez as bochechas de Kurenai ficarem quase da cor de seus olhos enquanto virava o rosto, tentando fingir que o comentário indiscreto nunca tivesse chegado a seus ouvidos.
- Brincadeira, Kurenai! Você vai se casar! Cara, isso me pegou de surpresa... Logo você! - Anko ria, enquanto puxava a amiga para um abraço.
Bem, nisso ela tinha que concordar com Anko. Há alguns anos atrás Kurenai diria para qualquer um que perguntasse que preferia mil vezes se enforcar com o próprio cabelo e ter as sobrancelhas raspadas ao ter que comprar um vestido caríssimo que a fizesse parecer um grande e gordo urso polar, e enfiar seus pezinhos, sempre tão confortáveis, em um salto alto desconfortável e estúpido. Tudo isso para perder toda sua preciosa liberdade e independência para um homem-porco-cachorro que a arrastaria se descabelando até o altar, até ter a primeira oportunidade e por um grande par de chifres no topo de sua cabeça.
Mas claro que todo esse seu discurso fora pelo ralo assim que conheceu Ele.
Asuma, o último tipo de cara com quem sairia na vida conquistara devagar um espaço só seu em sua vida. Com seu jeito despreocupado e relaxado, ele havia quebrado a monotonia tediosa e programada que era sua vida.
Não fora fácil. As diferenças entre os dois eram extensas, e isso sempre causou inúmeras discussões entre eles, quando eram apenas amigos. Mas quanto mais brigavam, mais ela percebia o quanto ele havia se tornado fundamental em sua vida, e que já não podia viver sem ele.
Mesmo que ele não fosse perfeito, ah, isso ela tinha certeza que ele estava bem longe de ser conforme começaram a namorar e a conviver juntos diariamente: Asuma não era bom com datas nem com palavras, Asuma nunca estava preocupado demais, Asuma assumia políticas irresponsáveis como "Deixa pra Lá" ou "Depois resolvemos."
Mas ela sempre soube, no fundo ela sempre soube: Asuma era o tipo errado de cara certo pra ela. O homem que não só havia ganhado espaço em sua vida como também havia conquistado seu coração. E agora, este homem seria com quem ela dividiria sua cama, sua casa, e especialmente sua vida. Para sempre.
E ela não poderia estar mais ansiosa, ou insegura com isso.
- E não é só isso. – Asuma assumiu a palavra. – Queríamos que vocês fossem os primeiros a saber por nós, porque eu e Kurenai pensamos que vocês poderiam ficar do nosso lado no altar.
- O-oque? Como padrinhos?
- É lógico, Anko. Com essa sua boca padre você não poderia ser. – Foi a vez de a Yuuhi revidar as 'gentilezas' sarcásticas da Mitarashi.
Os quatro se entreolharam em silêncio surpresos, sobrancelhas erguidas e lábios entreabertos, nitidamente felizes por serem escolhidos para o 'cargo'.
- Bem, também não precisam ficar assim. – Kurenai pronunciou incomodada com o silêncio daquela sala que costumava ser muito mais tumultuada e cheia de vozes querendo uma se sobressair mais do que as outras. – É óbvio que não tínhamos dúvidas de quem iríamos chamar para padrinhos desde o início, vocês são nossos melhores amigos! Sempre estiveram do nosso lado quando precisamos, e sabemos que sempre podemos contar com vocês.
A declaração singela fizera com que até mesmo Anko, que costumava ser a mais inflexível em questões de afetos e sentimentos com os amigos ficasse comovida. Kakashi notou, e apertou seus ombros lhe lançando seu habitual sorriso sutil por debaixo da máscara, Shizune tentava manter a compostura, mas por mais que tentasse detê-las as lágrimas de emoção escorriam finas por seu rosto. Já Gai...
- KURENAI-SAAAAAAAAAAAAAAAAAAN! – Berrava, as lágrimas escorrendo como cascatas de seus olhos. – Me provarei digno de sua escolha e serei o melhor padrinho que toda Konoha já viu! – Então fez sua clássica pose, com um grande e branco sorriso intacto sem nenhum rastro das lágrimas que acabara de derramar, depois já estava ao lado de Kakashi cutucando-o com o cotovelo:
- Oque você acha disso, hein Kakashi?
- Hã? – Perguntou em um breve momento de confusão antes da besta verde de Konoha explodir novamente:
- AHÁ! Como eu esperaria de um verdadeiro e habilidoso rival. Está fingindo toda essa tranqüilidade quando na verdade já está maquinando algum plano nessa sua cabeça para me passar a perna, né?
- Do que você está falando? – Kakashi coçava o topo da cabeça cinza ainda sem ter a menor idéia do que diabos Gai estava falando, enquanto o outro lhe lançava seu olhar mais desafiador e competitivo. O que costumava usar quando lhe propunha algum desafio ou disputa.
- Você pirou de vez? Já vai começar com essas suas histórias? – Explodiu Anko, gritando na cara de Gai, enquanto Kakashi segurava mais firme em seu ombro impedindo-a de avançar mais, só por precaução.
- Hm, Você está tão chateada por que, Anko-chan? – Disse balançando o indicador bem perto do rosto da Mitarashi, dando um sorriso como se houvesse descoberto algo que mais ninguém sabia na sala – Oh, você quer participar também, é? Tudo bem, então! Faremos equipes! Eu e Shizune-san contra você e o Kakashi.
- Gai...
- Oque você pensa que isto é para fazer uma gincana? É um casamento, não os Jogos Olímpicos, babaca!
- Não ligue para oque ela diz Shizune-san. Só quer nos fazer desistir porque sabem que seremos os melhores padrinhos! Mas não vamos desistir sem lutar até o fim!
- Er... Gai?
- MESMO SE TIVERMOS NOSSAS PERNAS E BRAÇOS ARRANCADOS, MESMO QUE NOSSO FOGO DA JUVENTUDE SEJA ABAFADO PELO INIMIGO, NÓS NUNCA DESISTIREMOS! PORQUE TEMOS O ESPÍRITO DO FOGO EM NOSSOS CORAÇÕES...
- Do que ele está falando? – Perguntou Asuma próximo ao ouvido de Kurenai que olhava abismada para Gai e seu discurso.
- Eu não sei. Desisti de entender no 'pernas e braços arrancados'. – Ela fez uma careta, encarando Gai que continuava a falar freneticamente.
- Hm, vamos almoçar?
- Claro.
- E O SANGUE DE KONOHA EM NOSSAS VEIAS, POR ISSO POR MAIS QUE O INIMIGO PAREÇA FORTE NÓS NÃO EXITAREMOS, VAMOS USAR TODA NOSSA FORÇA E GARRA! HAI! – Terminou erguendo um dos punhos no ar com o semblante determinado em seu rosto, enquanto os outros...
Cricri Cricri...
- Gai, você vem almoçar ou não? – Ele ouviu a voz de Kurenai chamando-o da cozinha, aonde todos já se sentavam e começavam a se serviam.
- Eu já vou. – Disse cabisbaixo pela falta de motivação e espírito da juventude dos seus amigos, se dirigindo para a cozinha.
O almoço correu agradável e animado.
Vozes tentavam uma se sobressair sobre as outras, para disputar quem contaria as novidades primeiro, acompanhado de risos e gargalhadas dos amigos.
Era engraçada a maneira que os seis jonnins de personalidades e opiniões mais diferentes possíveis conseguiam ter uma convivência amistosa quase sem brigas ou desentendimentos. E assim prosseguiram conversando sobre missões, estratégias de combate, e conseqüentemente sobre seus próprios alunos. Fora aí que as coisas começaram a sair do controle. Asuma e Kurenai apenas elogiavam, ou criticavam o desempenho e o desenvolvimento de seus aprendizes, mas Gai não parecia satisfeito com isso. Claro, ele não perdeu a oportunidade para comparar seus próprios pupilos com o time sete. Ele insinuava ser o time nove o mais desenvolvido, em uma provocação clara a Kakashi que retrucou dizendo o quanto Naruto, Sakura e Sasuke e até Sai haviam evoluído como ninjas e equipe. Os outros logo perceberam que a conversa tomava rumos perigosos, e mudaram de assunto antes que Gai pulasse em cima de Kakashi, ou Anko jogasse o prato com os restos da sua sobremesa na cara do outro, que com sua rivalidade pelo Hatake já estava lhe tirando do sério.
Depois de todos terminarem suas refeições Anko, Shizune e Kurenai levaram os homens até a porta aonde se despediram, e de lá os três fariam suas habituais caminhadas pela vila, enquanto elas arrumariam a cozinha enquanto fofocavam sobre um dos poucos assuntos que não conversavam na frente dos homens. O assunto favorito de qualquer mulher: Os próprios homens.
Caminhavam rumo a cozinha, Shizune e Anko já se preparavam para bombardear a Yuuhi de perguntas quando foram surpreendidas pela figura de Gai vestindo um avental florido de Kurenai, postado diante da pia ensaboando a louça, enquanto cantarolava uma musiquinha qualquer.
- ...?
- Gai? Oque você está fazendo aqui? Você não acabou de sair por aquela porta? – Perguntou Kurenai confusa, indicando a porta da sala por onde Asuma, Kakashi e Gai haviam acabado de partir.
- Estratégia para confundir a mente inimiga. – Disse fazendo a pose Nice Guy. – Claro que eu não ia deixar vocês saírem na frente, então vim ajudar Kurenai-san na cozinha. – Uma grande gota pendia da cabeça das três kunoichis enquanto Gai se explicava para Anko, depois se voltando para Kurenai novamente:
- Então já sou seu padrinho favorito? – Abriu seu largo sorriso.
- Er...
- Você vai ser o meu defunto favorito quando eu matar você seu lunático! – Rugiu Anko sendo segurada por Shizune que a impedia de avançar sobre a besta verde de Konoha que mostrava a língua provocando abertamente a Mitarashi.
- Está com raiva porque não foram vocês que tiveram essa idéia antes, hã?
- Gai. – Kurenai chamou-lhe atenção. – Entendo que tenha uma boa intenção – Sim, maluca, mas boa intenção, pensou. – mas você não precisa lavar a louça pra mim. Eu e as meninas damos conta disto, além disso, sei como vocês homens não gostam muito deste tipo de tarefa, não é? - Ela falava devagar como se dirigisse a uma criança de cinco anos de idade, pensando bem, Gai não estava tão distante disso.
- Tudo bem, na verdade eu até gost...
- Não, Gai. Você odeia. – Disse com convicção sem lhe dar brecha para contradizê-la.
- É?
- Odeia de verdade. Então pode deixar com agente – Disse praticamente empurrando-o pela porta dos fundos da casa. – Aliás, acho que você devia ficar de olho no Kakashi, ele pode estar tramando alguma trapaça para você.
Gai postou a mão no queixo pensativo, enquanto as outras duas kunoichis da cozinha olhavam atônitas para Kurenai que parecia estar seriamente estar entrando naquele papo delirante de Gai.
- Sim, você tem razão, Kurenai-san! Não posso confiar no Kakashi, ele sempre arranja um jeito de me passar a perna... NÃO DESTA VEZ! EU SEREI O MELHOR PADRINHO! – Desviou o olhar para Shizune que o encarava não acreditando como um homem daquele tamanho, um jonnin tão brilhante estivesse tendo atitudes como aquelas que eram dignas de uma criança de oito anos. E o pior disto tudo, estava querendo envolvê-la nisto. – Shizune, conto com o fogo da juventude que arde em seu peito para...
- Tchau, Gai. – Empurrou-o de vez para fora, antes que Shizune ficasse roxa depois de ouvir seus comentários naturalmente insinuativos, e antes que ela própria fosse obrigada a ouvir oque definitivamente dispensava ouvir de um cara como Gai.
- Fogo da juventude, hã? – Disse Anko com um sorrisinho cretino erguendo as sobrancelhas, zombando da consternação da médica nyn.
- Quieta. – Apenas sussurrou ela, antes de se adiantar a sua pia e ocupar sua tarefa de lavar as louças.
Ao mesmo tempo que faziam suas tarefas, Shizune e Anko instigavam a futura noiva, pedindo descrições com detalhes minuciosos sobre como, quando e onde havia acontecido o começo da história toda. Kurenai lhes contou sobre o convite um tanto suspeito que recebera de Asuma na noite anterior, e toda a confusão que se acarretara no restaurante, desde seu aborrecimento por Asuma parecer tão estranho, até o anel que irrompera da garganta de Chouji.
A história fez com que Shizune soltasse um suspiro longo, parecendo estar imaginando uma cena parecida com ela mesma. Enquanto Anko...
- Não acredito que ele fez isso! – Disse em meio a gargalhadas, dando soquinhos na mesa coberta das louças que Kurenai despejava ali depois de enxugar, e que deveriam estar sendo respectivamente guardados por Anko.
- Eu achei tão romântico Asuma se declarar em público para você. Tão profundo... – Disse Shizune sorrindo, Kurenai retribuía antes da voz de Anko atrair a atenção de ambas mais uma vez.
- É bem profundo... Pro fundo da garganta do garoto gordinho. – Ótimo, mais um trocadilho. Anko parecia bem inspirada hoje.
- Ah, vai dizer que não gostaria que Kakashi fizesse algo assim pra você? – Kurenai perguntou se sentando em uma das cadeiras perto da mulher de cabelos roxos. Anko retirou o sorriso debochado dos lábios, e se endireitando na cadeira perguntou:
- Oque? O meu Kakashi? Ah, não ele não faria uma coisa como essa. – Assumindo um ar pensativo ela tentava imaginar ele e ela em uma cena como a de Kurenai. Definitivamente impossível. Ela e Kakashi... Bem eles não eram oque se podia chamar exatamente de casal exemplo em relação a demonstração de afeto.
Seus pensamentos foram adiados após ela notar os olhos vermelhos de Kurenai fixados sobre ela, se virando para o lado percebeu que os olhos escuros de Shizune tinham a mesma expressão... estranha.
- Ele não faria isso se não quisesse que eu comesse seu cérebro, logo depois! – As duas soltaram exclamações compreensivas, mas as expressões permaneceram.
Ela sabia exatamente oque aquelas expressões significavam. E não gostava nem um pouco delas.
O fato dela e Kakashi não gostarem de declarações públicas de afeto, ou melhor dizendo, "humilhações públicas sem sentido", como ele mesmo havia definido, parecia inspirar as duas amigas a possuir uma espécie de sentimento penoso por ela não ter exatamente oque se chamava de um "relacionamento piegas" que costumavam encontrar por aí.
O negócio entre ela e Kakashi sempre fora espontâneo demais, verdadeiro e franco demais para este tipo de "sentimentalismo" que ambos shinobis não estavam acostumados, oque fazia parecer ser uma relação física acima de tudo. Mas bem, as coisas não eram realmente assim...
Talvez no começo fossem, mas bem definitivamente depois de quatro meses juntos, duvidava que não houvessem emoções mais profundas do que capricho, luxúria ou até mesmo o tédio. - principais razões que acreditava tê-la conduzido a começar aquilo.
Duvidava que estivesse suportando por tanto tempo suas manias neuróticas, e seu perfeccionismo irritante se não sentisse algo que realmente valesse a pena por Hatake. O mesmo se podia dizer dele, ao aturar diariamente sua personalidade excêntrica e temperamento instável.
Além disso ela não gostava muito de questionar aquilo, com medo de estragar tudo. As coisas com Kakashi simplesmente aconteciam... da forma natural e simples, como se já tivesse sido acertada há muito tempo. Forma única e exclusiva que acontecera em sua vida, já que aquele era o primeiro relacionamento que dava certo, porque no ponto de vista masculino Mitarashi Anko sempre fora considerada: irritadiça, intensa, difícil, muito descrente, muito analítica, muito defensiva e blábláblá.
Mas bem, isso não pareceu ser o suficiente para o "Gostosão de Konoha", apelido que ela mesmo havia lhe dado por provocação, se desinteressar por ela. Sim, no meio de tantas as outras Hatake Kakashi havia gostado de Anko Mitarashi, e ela sentia uma pontada de orgulho, e um considerável aumento de seu ego ao repetir isso mentalmente.
- Porque vocês ainda estão me olhando dessa maneira engraçada? – Disse estreitando os olhos, e cruzando os braços, enquanto encarava desde a Yuuhi até a outra que terminava sua tarefa e vinha se sentar á mesa junto com elas.
- Oh, nada, nada! – Respondeu Kurenai de maneira teatral, logo depois trocando um olhar cúmplice com Shizune, que soltou uma risadinha. – Só que ouvindo você falar assim, parece que você não gosta que ele seja romântico.
- Bem, o "romântico" que você se refere não se enquadra nos meus padrões. – Recostou-se na cadeira, olhando para o nada, para depois continuar em uma voz sugestiva. – Eu e Kakashi temos nossos próprios arquétipos de romantismo...
As três riram, até a kunoichi dos cabelos negros continuar a conversa:
- Mas um relacionamento não é só feito daquilo... – Disse, as bochechas assumindo leves tons rosados diante ao assunto pouco discreto.
- Daquilo oque? Sexo? – Soltou a Mitarashi sem vergonha alguma
- Não precisa falar a palavra! – Guinchou Shizune, fazendo as outras duas caírem na risada.
- Quantos anos você tem? Oito? - Caçoou Anko. – Por esse tipo de atitude você não tem namorado, e só vive pra trabalho, e mais trabalho...
- Eu não vivo só para trabalhar! E fique sabendo, Anko-chan que eu tenho um namorado! – As palavras saíram de sua boca antes de se dar conta do que realmente dissera.
- Ah, é mesmo? – Interrompeu Kurenai, seus olhos escarlates arregalados de curiosa. – E como assim você não nos contou?
- É,como você pode?– Incentivou Anko falsamente entusiasmada, não acreditando realmente na naquilo, mas apenas incentivando para que tipo de história Shizune iria contar. – Vamos lá, nos conte tudo sobre isso!
Não que duvidasse que Shizune seria capaz de despertar atenções do sexo oposto, mas a amiga só vivia para trabalho, e nas raras ocasiões que não estava enfurnada na sala da Godaime estava em sua companhia e de Kurenai.
- Bem, ele é hm, bonito e uh... gentil, e...gosta muito de mim! – Disse sem jeito, descrevendo o estereótipo de homem perfeito.
No geral, Shizune não costumava, nem gostava de mentir - exceto ás vezes em que dizia não saber nada sobre os desaparecimentos das preciosas garrafas de sakê da Hokage. – mas Anko já alguns meses havia começado um novo tipo de hobby. E isto era, irritá-la constantemente destacando e criticando seu estado civil.
- Jura? – Perguntou Kurenai, a única sem perceber a disputa pelo controle da situação entre Anko e Shizune. – Nós o conhecemos?
- Er... Não! Vocês não conhecem! – Disse em um sorriso, a mão direita coçando o topo da cabeça. – Então, que tipo de vestido você pretende usar, Kurenai-chan? - Uma tentativa de mudança absoluta de assunto que fora totalmente falha, já que Anko retomou o assunto com a expressão de 'Tô pagando, pra ver'
- É mesmo? Então deve ser um civil, ou talvez um estrangeiro... – Ótimo, agora só restariam poucas opções, e Shizune, obviamente blefando, teria que admitir sua mentira.
- Na-não, quer dizer, ele... bem talvez vocês o conheçam...
- Fale o nome de uma vez, Shizune! Esse mistério todo está me matando! – Bradou Kurenai, altamente entusiasmada.
Shizune olhou para a amiga que parecia estar a ponto de pular em cima de si, tentando obter o máximo de informação sobre seu pretendente imaginário, enquanto a outra dava um riso sádico, como se sentisse prazer em vê-la se afogar em suas próprias mentiras, e contasse os segundos até que desse seu primeiro deslize para que pudesse jogar na sua cara que ela não passava de uma solteirona encalhada desesperada e mentirosa.
Anko sempre fora muito boa em disputa verbal. Tinha em sua língua afiada resposta para rebater qualquer argumento, e seu sarcasmo capaz de intimar qualquer pessoa. Agora, pensando bem, Shizune sabia que havia sido uma péssima idéia "combater" com Anko, já que além de tudo, ela tinha a verdade do seu lado. Uma guerra perdida... Beleza...
Abaixou a cabeça, pronta para admitir sua fraude, e ser humilhada pela língua ofídia de Anko, além de ter que enfrentar o olhar desapontado de Kurenai...
- Eu... – Anko já sorria vitoriosa, sobrancelhas erguidas e os braços cruzados. – EU ACHO MELHOR VOCÊS CONHECEREM ELE PESSOALMENTE! – Shizune reerguera a cabeça, sorrindo confiante que combinada com sua voz entusiasmada, abalaram as certezas de Anko.
- Isso é tão legal! Podemos sair nós seis: Eu, Asuma, Anko e Kakashi, Você e ele! – Disse Kurenai contagiada com a animação de Shizune. – Três casais, isso não é demais, Anko? – Disse sacudindo os ombros da Mitarashi que não parecia tão entusiasmada assim...
Shizune se deleitava com a expressão carrancuda no rosto de Anko! Ah, como era doce o sabor da vitória... Principalmente contra uma argumentadora como a amiga, imaginava como a princesa das cobras deveria estar furiosa dentro de si, e isso era mais um motivo para seu sorriso se alargar mais e mais...
- Isto é ótimo! Maravilhoso! – Disse Anko em um sorriso que mais parecia uma careta, até rebater desafiadoramente: - Porque não saímos amanhã?
- Amanhã? – Repetiu Shizune sentindo toda a segurança desmoronar. Era óbvio que Anko não desistiria tão fácil... – Amanhã, bem... Amanhã é Quinta-Feira!
- E...?
- Bem, amanhã provavelmente ele vai estar ocupado! Você sabe... Ele é um shinobi muito importante!
- Hm, e que tal na sexta?
- Não dá.
- Sábado?
- Tenho dentista.
- Domingo?
- Que tal eu levá-lo no casamento? – Clamou Shizune, em uma última tentativa de adiar ser desmascarada por Anko, que disse confusa:
- No casamento?
- É, porque provavelmente ele não estará trabalhando, além disso, ele é muito tímido e até lá eu posso convencê-lo a se apresentar. Que tal? – Perguntou torcendo para que a paciência de Anko fosse maior que sua vontade de carnificina, e sua confiança fosse bastante razoável para lhe dar tempo para achar uma saída.
- Hm, está certo então. Dois meses, não é? Acho que agüentamos esperar, né Kurenai?
- Se ele é tão ocupado... Além do mais é bom mesmo você ter alguém, porque falando sério, ninguém merece ter que agüentar as danças malucas do Gai um dia inteiro.
- Ah. – Disse em um sorriso amarelo.
Bom, pelo menos agora ela ganhara tempo. Dois meses... Era o suficiente, certo? Poderia sustentar a história do namorado imaginário misterioso até lá, e quando a data se aproximasse realmente poderia inventar uma desculpa qualquer, e dizer que haviam terminado! Brilhante! Anko nunca esperaria por algo como isso...
- Só não vá terminar com ele até lá, certo? – Disse como se estivesse lendo seus pensamentos.
FAIL. FAIL. FAIL. ! SEU PLANO = ÁGUA ABAIXO.
- Anko! Não fale uma coisa dessas, dá má sorte!
- Não, tudo bem Kurenai-chan. Não vamos terminar, nos amamos muito. – Disse tentando parecer convincente, enquanto Anko voltava a ter sua postura arrogante.
- Bem, então está tudo certo. – Disse a Yuuhi se levantando. – Me dêem um minuto, vou pegar minhas coisas e vamos nos encontrar com os rapazes.
Anko observou a amiga passar pela porta, e se inclinou na cadeira para poder vê-la subir as escadas, para então depois lançar um olhar aterrorizante sobre Shizune, que tentava sair do aposento na ponta dos pés sem chamar a atenção da Mitarashi.
- VOCÊ! – Quase gritou, fazendo a kunoichi médica saltar de susto.
- Hein? Anko-chan... Eu só estava indo ver se Kurenai-chan precisa de ajuda, e...
- Porque você não para de mentir e admite logo que não existe namorado nenhum?
- Hã? Eu não sei do que você está falando, Anko-chan... – Pronto. Sabia que Anko teria este tipo de abordagem, mas não imaginava que seria tão rápido. Não a ponto de nem ter tempo de estar a mais de mil metros de distância. Agora tinha que além de sustentar a mentira, tinha que agüentar aquele olhar vindo da kunoichi de cabelos roxos.
- Você quem sabe então. – Deu de ombros, voltando a falar com seu ar petulante. – Quanto mais adiar, mais feio vai ficar pra sua cara quando descobrirem o quão mentirosa você é...
Ah, disso ela tinha plena certeza! Mas não ia lhe dar o gosto de humilhá-la com suas piadinhas na frente dos amigos! Não tão fácil.
- Isso é oque vamos ver, Anko-chan. – Disse ela com um sorriso cínico antes de sair porta a fora, antes que Anko fizesse algo maluco, como voar em seu pescoço e torturá-la até ela resolver abrir o bico. Anko tinha sua fama de sádica, sabe lá o porque. Ela sabia que ela não estava disposta a arriscar.
Os saltos altos de unhas escarlates se apoiaram na mesa semi-deserta. Espreguiçou os braços o máximo que pôde, para então pô-los atrás da cabeça, e soltar um longo suspiro de contentamento.
Ah, com certeza o escritório agora não parecia mais tão agonizante, ou como uma sala de tortura como sempre lhe dera a impressão. Estava mais arejado, e tão mais espaçoso se ela ponderava se poderia colocar um sofá no canto da sala, aonde poderia dormir melhor do que naquela mesa fria e dura. Ou quem sabe um quadro... Dane-se. Ela agora estava livre! Totalmente desocupada, oque sempre parecera impossível desde que havia assumido o posto de Hokage.
Todas as pilhas de papéis que sempre se amontoaram nos cantos da sala e em sua mesa, haviam sido exterminados. Os malditos relatórios agora descansavam em paz em alguma empresa de reciclagem...
Bem, pensando bem talvez não tivesse sido a coisa mais responsável, ou mais adulta a se fazer. Na verdade, suspeitava que se Shizune algum dia descobrisse realmente o destino dos papéis ela mesma a mataria. Mas toda aquela burocracia era tão desnecessária, afinal quem realmente se importava com relatórios desde que as missões houvessem sido completadas com sucesso? Besteira!
A mão fora até a gaveta, aonde uma chave já fora encaixada na fechadura, esperando apenas ser girada para revelar seu divino conteúdo. Importada. 3, 3 litros... Abriu a gaveta sem pressa. Afinal, Shizune havia finalmente largado de seu pé e ela estava livre para esbanjar da bebida dos deuses...
Por força do hábito olhou em volta, constatando que ninguém a espionava, e obviamente, ela estava á vontade para sorver de seu precioso sakê. Ergueu a garrafa, tomando direto do gargalo, quando a porta se escancarara.
Olhando para a respeitosa Hokage de Konoha, Izumo ou seria Kotetsu, sabe qual dos dois de seus empregados lhe lançavam um olhar receoso, como se esperasse levar um nocaute por flagrar a Godaime em seu momento de tranqüilidade.
- Tsunade-sama! – Disse em uma reverência, oque fez a loira se sobressaltar e a garrafa preciosa voar pelos ares, sendo acompanhada pelos olhares dos dois ninjas, até se espatifar no piso.
- NÃÃÃÃÃÃÃÃO! – Gritou Tsunade, se ajoelhando no chão ao lado dos cacos que eram a sobra da garrafa. – POR QUÊ? ? Ela estava praticamente lacrada!...
- Gomen, Gomen, Gomen, Gomen, Tsunade-sama! – Disse fazendo uma mesura a cada pedido de desculpas. – Eu não queria... Não era a minha intenção...
- Oque você quer? – Disse com o olhar baixo, e a voz rouca que fez Izumo, ou Kotetsu, dane-se, provavelmente lacrimejar.
- Hã... Eu... Eu...
- É melhor você ter um ótimo motivo, se não... – Se não... Oh, Izu... o ninja pôde ver a veia da têmpora da Hokage saltada. Teria que ser rápido! Sua vida dependia de sua resposta...
- Conselheira Koharu! Conselheira Koharu! – Disse sacudindo as mãos, tentando evitar uma explosão de nervos da Godaime. – Ela quer uma reunião imediatamente com a senhora, Tsunade-sama!
- Koharu? – A veia aumentara, mas Tsunade agora não parecia mais tão ameaçadora. Seus olhos âmbares se arregalaram, e as sobrancelhas loiras engatilhadas para cima, enquanto ela tinha várias teorias sobre oque a velha rabugenta poderia querer com ela. Nenhuma hipótese boa, por sinal.
Talvez só quisesse reclamar, ou como sempre criticá-la, e lhe acusar de ser uma Hokage de merda, como sempre gostava de fazer em suas visitinhas amigáveis. Ou talvez na pior das hipóteses, ela havia descoberto que ela havia se livrado de toda a papelada!
- Puta que pariu! – Deixou escapar enquanto sentia a sala toda rodar. Não tinha como ela saber, tinha? Ela tinha tomado cuidado em não ser seguida, e não tinha contado pra ninguém. Ela não podia simplesmente descobrir, isto significaria a arma do conselho contra ela que eles sempre quiseram! Ela ia ser deposta do cargo de hokage, não pior, talvez a condenassem a morte em praça pública!
- Algum problema, Tsunade? – A voz a fez estremecer, e olhando para a porta já podia ver a velha gagá encarando-a com desaprovação. Todos os músculos de seu corpo se enrijeceram , enquanto ela tentava chutar o rótulo da garrafa de sakê que teimava em aparecer.
- Oh, nada, nada! – Disse em um falso sorriso, tentando ganhar tempo. – Er, entre Koharu.
- Conselheira Koharu. – Frisou a idosa, enquanto adentrava o aposento analisando tudo a sua volta. - Aonde estão as pilhas de documentos que desmoronavam sobre agente quando entrávamos na sala?
- Eu dei um jeito neles... Você sabe, quando digo dar um jeito, quero dizer trabalhei neles, e não me livrei deles de qualquer maneira, sabe... – Se adiantou, o nervosismo fazendo-a praticamente se engasgar com suas próprias desculpas antes de ser interrompida novamente.
- Me poupe de sua tentativa de explicação de seu vocabulário desleixado. – Disse secamente. – De qualquer jeito, é bom mesmo você ter dado um jeito neles... Já que você não parece fazer nada durante todo tempo... – O 'vaca' pairou nos lábios de Tsunade, quase sendo pronunciado em voz alta para a conselheira.
- HAHA, sempre tão delicada Koharu... – Disse cinicamente com uma gargalhada forçada. – Mas sinta-se a vontade para começar o assunto que a trouxe até aqui, tenho certeza que você é muito ocupada, para vir me fazer uma visita só para fofocarmos, certo?
- Eu, Conselheira Koharu, tenho um assunto de suma importante para tratar com você, Tsunade.
- Estou ouvindo. – Disse Tsunade, Cruzando os braços e rolando os olhos.
- Jovem, feche a porta. – Disse a velha ao ninja que ainda permanecia observando a guerra entre as duas mulheres dentro da sala. O shinobi olhou para a Godaime como se quisesse confirmar a ordem com sua verdadeira patroa para acatá-la.
A velha não entendeu a relutância do ninja a obedecer sua ordem, mas logo começou a entender pelo sorriso satisfeito de Tsunade. Aquilo era como uma prova de fidelidade de seu subordinado. Uma amostra de quem ele realmente respeitava. O que servia para a conselheira entender que ali, a última palavra era sempre a sua.
- Pode ir. – Disse sorrindo para Izumo, ou Kotetsu, quem sabe depois da velhota sair ela perguntasse realmente seu nome.
Kotetsu obedeceu sua hokage, e fechou a porta, para depois seguir pelo corredor, de volta para seu posto.
- GO, GO, Tsunade-sama! – Disse sorrindo para si mesmo, enquanto erguia o punho se lembrando da batalha que as duas pareciam estar travando atrás da porta.
- Você tem certeza? – Era a milésima vez que ouvia esta mesma pergunta.
- Hai. – Assentiu tragando o cigarro.
- Meeeeeeeeeeeeeeeeeeesmo?
- Aham.
- Mas assim tão de repente?
- Kakashi! Você já está me enchendo com essas perguntas inúteis desde que botamos o pé pra fora da casa da Kurenai! – Exclamou Asuma cansado dos questionamentos incessantes do Hatake.
- Gomen, gomen. Só estou me certificando que você está ciente do que está prestes a fazer... – Disse o homem do cabelo cinza, dando de ombros enquanto tomava mais um gole de seu chá.
- Oque você quer dizer?
- Yare, yare... Bom, Kurenai-san é conhecida pó ser a mestra dos genjutsus, e tal...
- Oque? Você está sugerindo que eu só a propus em casamento porque estou preso em um genjutsu? – Falou mais alto do que pretendia, achando aquela idéia no mínimo absurda.
Ele poderia rir alto com a idéia que Kakashi tinha em mente. Não conseguia imaginar sua doce e meiga Kurenai fazendo algo do tipo. Talvez Anko. Não era difícil imaginar a sádica maluca que era a namorada do amigo fazer algo do tipo. Mas Kurenai definitivamente não!
- Nunca se sabe não é... – Sacudiu os ombros com os olhos que pareciam sempre sonolentos baixos.
- Que idiotice! Kurenai nunca faria uma coisa dessas.
- Hm, pessoas presas em genjutsus costumam dizer coisas como estas! – Disse apontando o dedo para o Sarutobi.
- Eu não estou preso em genjutsu porcaria nenhuma!
- Nee, elas costumam dizer isso também! – Disse com os olhos arregalados.
- Quer parar de falar essas baboseiras? – O Sarutobi começava a se irritar com as ironias pouco cômicas do copy nin, que deixou um risinho discreto escapar, enquanto dava tapinhas amigáveis no ombro do futuro noivo.
- Estou brincando, Asuma. Estou brincando. Além disso eu tenho o direito, como seu amigo, de testar se você não está fazendo nada que vá se arrepender depois...
- Você estava me testando? – Perguntou não acreditando na cara cínica que Kakashi fazia.
- Talvez. – Disse simplesmente.
- Isto é inacreditável! Você é meu padrinho! Você tem é o direito de me apoiar e me ajudar, isso sim. Não ficar jogando esses seus joguinhos psicológicos comigo. – Disse em falso tom de ofendido, dando risada.
Kakashi riu junto com o amigo, e logo a conversa morreu. Os dois tomavam seus chás e comiam seus bolinhos em silêncio, quando Asuma notou uma estranha movimentação embaixo do balcão que estavam sentados, perto do Kakashi... Ah, sim. Era quase imperceptível, mas mesmo assim ele conseguia identificar os selos de um contra genjutsu das mãos rápidas do jonnin.
- KAKASHI! – Bradou inconformado
- Só por precaução! – Disse sem graça, uma gota escorrendo da testa enquanto coçava a nuca.
- Eu não estou te entendendo. Porque é tão espantoso eu estar querendo me casar?
- E porque você iria querer?
- Hm, deixa eu ver... – Disse com a mão no queixo em falso ar pensativo. – Porque eu amo a Kurenai, e ela me ama, e queremos passar o resto de nossos dias um do lado do outro?
- Hm, entendo... Mas qual é mesmo o motivo? – Asuma olhou para Kakashi começando a ficar aborrecido com as respostas irônicas lançadas por Kakashi. Ele e Anko faziam mesmo o casal perfeito neste quesito.
- Brincadeira? – Soltou dando um risinho por debaixo da máscara.
- Sério, não entendo toda essa sua aversão em se comprometer de verdade com algo.
- Ei, isso não é verdade. Eu me comprometo com tudo oque eu faço! – Disse indignado. – Se não, eu não estaria esse tempo inteiro com a Anko.
- Bem, ela é doida e inconstante. E tem aquele olhar que parece que sempre está a um passo de matar alguém.
- Eu sei não, é? Isso é tão excitante... – Disse com o olhar distante, como se estivesse imaginando uma das expressões de Anko.
- Oque eu quero dizer é que ela é uma das poucas que consegue ser tão instável como você.
- E isso é ruim? – Perguntou não acreditando que estavam tendo aquele tipo de conversa. Asuma só falava aquilo porque não tinha idéia de como um dia com a Mitarashi poderia ser... instigante.
Nunca tinha certeza de qual seria sua próxima reação, sua próxima resposta. Insegurança divertida e perigosa, já que Anko fazia jus de sua fama de imprevisível.
- Não se você quer levar uma vida inteira como um adolescente inconseqüente e irresponsável que não consegue assumir compromissos.
- E oque casar muda na vida de alguém? Você e Kurenai, por exemplo. Vocês vivem juntos, um na casa do outro, e não acho que tenha muitas coisas que vocês só vão poder fazer depois de casar, estou certo? – Disse com aquele olhar malicioso, que Asuma se resumiu a responder com um sacudir de ombros.
- Além disso, todo mundo sabe que depois do casamento as coisas começam a esfriar. Ela vai querer te corrigir, vai implicar com o que antes achava legal em você, e o sexo então...
- VOCÊ QUER PARAR COM ISSO? EU AMO KURENAI, E NÓS VAMOS NOS CASAR! ISTO É MARAVILHOSO! ESPLÊNDIDO! – Disse tentando convencer mais a si mesmo do que Kakashi.
Não que ele estivesse balançado... Mas aqueles joguinhos psicológicos se mostravam mais que eficientes em botar suposições em sua cabeça.
- Casar? Isso é realmente excelente! – Disse uma voz grave atrás dos dois jonnins. – Os dois se viraram para se depararem com o homem alto de longos e rebeldes cabelos brancos acompanhando o menor magricela de cabelos amarelos.
- Yoo, Asuma-sensei. Yoo, Kakashi-sensei. – Falou Gritou Naruto estendendo o polegar para os dois.
- Arigatou, Jiraiya-sama. – Disse mais seguro. – Ainda bem que você entende, diferente de algumas pessoas, o quão gratificante que é se casar com...
- Oh, não. Você não entendeu oque eu quis dizer, rapaz. – Disse se sentando ao lado de Kakashi com Naruto na cadeira adiante. – Eu quis dizer esplêndido pra nós convidados. Bebida a vontade, mulheres sensibilizadas com os hormônios a flor da pele... – Falava com um olhar pervertido que se assemelhava com o de Kakashi quando estava lendo um de seus preciosos livrinhos de bolso. – Já você, hãm.
Asuma balançou a cabeça, se perguntando oque estaria esperando do homem que servia como ídolo para Kakashi, cujos livros exerciam grande influência sobre as idéias.
- Não liga pras coisas que o Ero-sennin diz não, Asuma-sensei. – Disse o garoto de cabelos cor do sol. – Se tem alguma coisa que o Ero-sennin me ensinou sobre mulheres, é o modo como não se deve agir com elas. – Completou de maneira amigável piscando um único olho.
- Como você pode dizer isso fedelho? – Disse em tom seriamente ofendido. – Eu sou o maior e melhor romancista que já existiu. Nenhum homem jamais ousou penetrar tão profundamente na mente feminina como eu e... Do que você está rindo?
- Ero-sennin, a Tsunade obaa-chan falou a verdade quando disse que você era um velhote estúpido. – Jiraiya fez uma careta de desagrado. Tsunade sempre tivera o hábito de lhe lançar ofensas e xingamentos, ou até mesmo seus apelidinhos estúpidos, mas degradar sua imagem para seu aprendiz, certamente passara de seus limites. Ele não deixaria isso passar a limpo, pode ter certeza.
- ESTÚPIDO? Eu sou o tipo preferido das mulheres, elas se derretem todinhas por mim, não resistem ao meu charme!
- Elas não devem resistir é a sua carteira, já que ela sempre some quando as mulheres vão embora, dattebayou! – Continuou caçoando, fazendo os outros dois rirem também.
O Ero-sennin serrou os pulsos e lutava bravamente com a vontade pular em cima e esganar o irritante abacaxi loiro que o estava difamando. Quem ele pensava que era para destruir sua reputação em público? Ele iria mostrar quem era o estúpido ali...
- Yoo, Kakashi! – Disse uma voz feminina familiar nas costas de Kakashi, agarrando seu pescoço e depositando beijos desde a orelha até a boca coberta pela máscara. É, até que a namorada de Kakashi não era nada mal...
- Yoo, vocês demoraram! – Disse trazendo-a para seu lado, olhando em seu rosto enquanto conversavam.
- Nós demoramos um pouco para terminar tudo. – Esclareceu ela com a mão postada em seu ombro, quando notou caretas engraçadas vindas do velho Sannin de cabelos brancos sentado do outro lado de Kakashi. Não sabia ao certo oque tais expressões queriam dizer, ele engatilhava a sobrancelha e dava um sorriso de lado. Bizarro! Esta era a palavra. Muito bizarro.
- Acho que oque você quis dizer é que vocêdemorou, Anko-chan. – Disse Shizune, ao lado de Kurenai que se pôs ao lado de Asuma dando um beijo suave no noivo, enquanto Anko gesticulava com a mão.
- Yare, yare... Você já está sabendo da novidade Kakashi? – Disse Anko com um olhar maldoso na direção de Shizune que instantaneamente se tornou mais vermelha que um pimentão, sobre o olhar do copynin e também de Asuma, que tivera a curiosidade desperta pelo tom de mistério de Anko.
- Que novidade?
- Oh, nada... não é nada demais...
- SHIZUNE TEM UM NAMORADO! – Gritou a Mitarashi jogando os braços para cima, alto o bastante para que o restaurante inteiro pudesse lhe ouvir.
Shizune implorou para ser engolida pelo piso, ou que talvez uns daqueles buracos no chão se abrissem no chão, como em programas de auditório, e ela não tivesse que sustentar todos aqueles olhares surpresos.
- Séééério, Shizune-san? – Disse Gai que acabava de entrar no bar acompanhado de Lee.
- Er, bem...
- Quem é? Nós conhecemos? Ele é um shinobi? – Kakashi perguntou.
- Er, eu... eu...
- Ela não quer contar! Disse que só vai revelar quem ele é no casamento. – Exclamou Anko indignada, colocando mais lenha na fogueira em que Shizune provavelmente estaria sendo incinerada.
- Ah, vamos lá Shizune, não fique fazendo segredo logo para nós. – Disse Asuma, Kurenai ao seu lado acenava com a cabeça em concordância.
- É Shizune! Conta pra gente! – Disse Anko quase suplicando, juntando as mãos e fazendo beiçinho. Mas Shizune ainda podia jurar ver um brilho maligno em seus olhos.
- Não tem porque de todo esse mistério. Vamos lá, me deixa adivinhar... Genma? – Aquilo era um pesadelo, e ela queria acordar o mais antes possível.
- Não, Kakashi-san...
- Ebisu?
- N...
- Oh, eu sei! – Disse Kurenai batendo palmas. – Izumo... ou seria o Kotetsu?
- Eu... – Sentia-se vacilar. Sua mentira parecia um fardo muito pesado para agüentar, e aquelas incessantes perguntas estavam fazendo seu estômago se revirar, e ela podia sentir todo almoço de Kurenai voltando. Porque seus amigos tinham que ser tão curiosos? Sentia seu fracasso se aproximar a cada palpite que lançavam.
- Aquele garoto, o da cicatriz? – Agora até Jiraiya-sama entrara em sua sessão de tortura...
Shizune correu os olhos ao seu redor a procura de qualquer um, qualquer coisa que pudesse servir como desculpa para tirá-la daquela situação horrível.
- Eu já sei quem é! – Disse Asuma se levantando com o indicador erguido como se tivesse solucionado o mistério de uma vez por todas. – É o... – Mas antes que ele, ou qualquer outro pudesse lançar seu próximo palpite Shizune irrompera pelo corredor que dava acesso ao fundo do restaurante, aonde mais mesas haviam sido postas para os fregueses.
Os cinco jonnins, além de Jiraiya, Naruto e Lee acompanharam sua saída repentina confusos com a brutalidade que saíra marchando com passos pesados, mas fora por pouco tempo, pois logo um grito que ecoou por Konoha inteira, fez todos se levantarem e esticarem o pescoço para compreenderem o foco de todo escândalo.
- TSUNADE-SAMAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
- Ei, qual o seu problema? – Respondeu a Godaime de Konoha, claramente irritada mirando a secretária histérica que havia acabado lhe atacar e arrancar o chapéu largo que ela havia posto para não chamar atenção. Bem seu plano parecia ter ido por água abaixo, pois todas as atenções do restaurante estavam voltadas sobre as duas.
- EU É QUE PERGUNTO: QUAL O SEU PROBLEMA, TSUNADE-SAMA? – Continuava a berrar, enquanto Tsunade recuperava o chapéu de suas mãos e o recolocava na cabeça tentando inutilmente se camuflar mais uma vez. – Oque a senhora está fazendo em um bar bebendo a esta hora da tarde, quando deveria estar no seu escritório trabalhando?
- Primeiro: Isto daqui não é um bar, é um restaurante. Eu poderia muito bem ter vindo almoçar e não... – A loira acompanhou o olhar de Shizune sobre a garrafa semi-vazia em cima da mesa e com um suspiro desistiu de mais explicações.
- Se os conselheiros descobrirem...
- Quero que os conselheiros se... – Começou ressentida
- TSUNADE-SAMA!
- Além disso, eu terminei o meu trabalho, então eu posso me dar o direito de um pouco de diversão. – Tsunade havia se recostado na cadeira e cruzado os braços, enquanto a kunoichi de pé rolou os olhos e deixou com que um riso fungado involuntário escapasse.
- Ta bom. – Respondeu sem parecer muito convencida. – Agora acho melhor eu levá-la para casa. Acho que a senhora já bebeu demais, Tsunade-sama.
- Oque você está querendo dizer com isso? – Disse a Hokage com os olhos apertados e aquela sua veia da têmpora saltada, uma expressão que conseguia ser ainda mais aterrorizante que a de Anko, enquanto Shizune recuava, os olhos arregalados e a boca entreaberta, mostravam só uma coisa: Terror.
Tsunade-sama estava falando sério... Aquilo era muito pior do que ela pensava!
Estava mais uma vez se preparando para gritar sua frase favorita quando foi empurrada para o lado, e em seguida a cabeça roxa de Anko surgir ao seu lado com um grande sorriso.
- Yoo, Hokage-sama. – Disse estendendo a mão amigavelmente.
- Mitarashi. – A outra murmurou em resposta, sacudindo a garrafa de sakê com os olhos ofuscados, o pensamento longe dali.
O clima não estava dos melhores, isto era notável. A Godaime parecia amargurada, e chateada enquanto Shizune continuava de pé apreensiva e confusa tentando entender a shishou. Mas isto não pareceu ser o suficiente para fazer Anko se afastar como qualquer outra pessoa sensibilizada faria.
Afinal, desde quando a palavra sensibilidade estivera presente em seu vocabulário.
- Do jeito que você saiu correndo nós até pensamos que fosse ele. – Disse se voltando para Shizune que franziu a sobrancelha confusa.
- Ele quem?
- Ora, o seu namorado! Dãã
A Godaime sentada ao seu lado engasgou com o próprio sakê, e precisou de alguns minutos para se recompor, até que fora sua vez de olhar para a pupila com uma sobrancelha erguida.
- Você? Um namorado?
- Eu... – Mas antes que Shizune pudesse responder qualquer coisa, Tsunade já havia começado a rir escandalosamente sem parar.
- Entendi. Você tem um namorado, claro.
Shizune se sentiu humilhada. Sua própria shishou fazia questão de zombar dela na frente de Anko, sem lhe dar qualquer apoio, ainda por cima desmerecendo-a, como se ela não tivesse capacidade de arrumar um namorado! Ela iria mostrar para Tsunade. Iria mostrar para Anko. Iria mostrar para Konoha inteira! Ela arrumaria o melhor namorado do mundo e o esfregaria na cara de todos que duvidaram dela!
- E então Anko? – Perguntou Kurenai atrás da Mitarashi, seguida por Gai, Asuma, Kakashi, Lee, Naruto e por fim Jiraiya que tentavam ver a figura na frente de Anko.
- Nhá, É só a Hokage-sama. – Houve um barulho de desapontamento da Yuuhi, que repassou a informação para os detrás.
- Olá, Tsunade-sama. – Disse a kunoichi dos olhos vermelhos, seguida pelos cumprimentos dos shinobis atrás de si sobre a Hokage.
A Godaime respondeu as saudações de seus shinobis torcendo para que eles se fossem logo e a deixassem sozinha com seu sakê e seus problemas não resolvidos, mas no instante seguinte sem precisar de convite algum Anko já se sentava na cadeira do lado oposto de sua mesa, seguida pelos outros que se apertaram e puxaram cadeiras envolta como se aquilo fosse algum tipo de roda familiar dispostos a por o papo em dia.
Tsunade respirou fundo tentando se conformar com sua situação, quando no mesmo instante uma senhora civil, a dona do modesto restaurante passara ao lado de sua mesa, e ao notar a presença de dois de seus ninjas na mesa, voltou-se com um grande sorriso:
- Oh, vocês estão aqui! Estamos tão feliz que finalmente tenham se acertado de vez! – Disse sorrindo, quase apertando as bochechas dos noivos shinobis, tamanha sua excitação ao encontrá-los em seu estabelecimento. – Meu bem, venha até aqui! Você não vai acreditar quem está aqui! São eles! – Disse chamando um homem atrás do caixa do lugar, que viera cumprimentá-los, que depois chamou outra pessoa, e em menos de cinco minutos Asuma e Kurenai pareciam uma espécie de celebridade apertando mãos das pessoas desconhecidas que lhes desejavam felicidades e bons votos.
Casamento parecia contagiar as pessoas de Konoha. Todos pareciam extremamente felizes pelo casal, satisfeitos com sua união como se fossem de suas próprias famílias, e também muito unidos, como se a alegria dos noivos fossem suas próprias. Tsunade notou os sorrisos e o contentamento que parecia invadir cada cidadão de Konoha, e fora como se o quebra-cabeça que eram seus problemas houvessem sido organizados, e ela acreditou ter achado a solução que precisava!
- Mas quanto exagero, é só um casamento! – Disse Anko para Kakashi sentado ao seu lado, enquanto observava Kurenai ser sufocada por um abraço de um civil.
- E vocês! – Disse alguém do fã clube "AsuKure" apontando para Kakashi e Anko, que devolveram o olhar atônitos a mulher que apontou os dedos gordos parecendo salsichas na direção do casal de namorados enquanto ela continuava a falar:
- Quando é que vocêsvão juntar seus trapinhos?
- VOCÊ VAI TER QUE JUNTAR OS TRAPINHOS DA SUA CARA QUANDO EU... – Mais um instante e Kakashi não conseguiria segurar uma Anko que parecia estar possuída por um espírito maligno, e tentava a qualquer custo alcançar a dona da pergunta, mas tinha o corpo segurado por Kakashi, que também usava a mão para tapar sua boca impulsiva.
- Bem, acho que já deu nossa hora. – Disse Kakashi calmo colocando o corpo de Anko em seu ombro, como se carregasse um saco de batatas e abrindo o caminho entre as pessoas que com medo de serem atingidos pela explosão de Anko saíram da frente imediatamente. – Até a próxima pessoal.
- ME LARGA SEU BOCÓ! – Ia esperneando e gritando. – QUEM ELA PENSA QUE É? EU VOU MOSTRAR PRA AQUELA...
- Ela só perguntou docinho...
Os olhares assustados pela explosão de Anko acompanharam a saída do casal até o lado de fora aonde ainda assim podiam ouvir as reclamações de Anko, e a voz de Kakashi tentando acalmá-la.
- Então, o casamento vai ser daqui a dois meses! – Disse Asuma em uma tática de voltar a atenção para o lugar, e de certa forma apagar o fato que havia acabado de ocorrer, e pareceu ter absoluto sucesso pois em seguida todos voltaram a comemorar animados.
- Então, Tsunade... – Jiraiya disse determinado a tirar satisfação com Tsunade por ela ter sujado sua imagem para seu próprio aprendiz.
- Eu já vou também. – Falou consigo mesma, sem lhe dar a mínima atenção.
- Espere aí! Você não pode sair assim de repente e me ignorar! – Disse irritado.
- Ah, é? Pois eu digo que não só posso como VOU fazer isso. – Disse com um sorriso cínico, seguindo a mesma rota que Kakashi Anko haviam seguido segundos atrás.
- ESPERE AÍ, TSUNADE! – Gritou em seu encalce gritando para que parasse, até que já fora do restaurante a loira virou-se para ele, os braços cruzados com cara entediada.
- Seja breve. Não tenho tempo para gastar com as suas bobagens.
Aquilo fez seus punhos se cerrarem, e se Tsunade não fosse mulher ele já teria partido para a porrada por toda sua petulância e arrogância que ela parecia guardar exclusivamente para ele.
- Bom, pra primeiro de conversa quero saber o porque de você estar sujando a minha imagem para o meu pupilo! – Exigiu uma explicação com uma pose autoritária, o cenho sério encarando aquela mesma expressão atrevida da loira.
- Como é que é?
- Isto mesmo que você ouviu! Você fica me ofendendo para o Naruto, acabando com a minha reputação! O garoto se espelha em mim, tem respeito por mim, e você...
- ERO-SENNIN, DEIXA DE SER UM VELHOTE PREGUIÇOSO, E VENHA LOGO ME TREINAR PARA QUE EU SEJA O MELHOR NINJA DA VILA, DATTEBAYOU!
- Claro – Disse carregada de ironia – ele respeita muito você!
- Bom isso não explica o fato de você ficar insultando minha honra por aí...
- HONRA? REPUTAÇÃO? – Disse incrédula do que ouvia. – Pelo amor de Deus, vamos voltar a realidade, desde quando você tem qualquer uma delas?
- Sua...
- Por favor, Jiraiya, me deixa! – Reclamou chateada massageando a têmpora. - Eu já tenho muitos problemas com que me preocupar sem essas suas baboseiras.
Deu-lhe as costas mais uma vez com a esperança de ter encerrado aquela conversa sem sentido, mas antes que desse seu próximo passo pode sentir sua presença atrás de si, as mãos grandes segurando firmemente seus ombros, e sua voz sussurrando em seu ouvido:
- Eu percebi que você está saturada de problemas. – Disse com a voz maliciosa. - Talvez eu possa ajudá-la a resolvê-los, que tal?
- Quer parar com isso? Está fazendo um papel ridículo seu velho estúpido! – Tentou escapar, mas ele também conseguia ser forte quando queria.
- Eu conheço essa sua cara carrancuda de longe melhor do que ninguém...
- Eu estou avisando, Jiraiya: Se você não me soltar...
- Você não precisa carregar tudo sozinha, Tsunade. Os amigos servem para isso, – Disse parecendo mais sincero e sério do que sempre costumava, e neste momento a grande Hokage de Konoha se sentiu pequena em seus braços. – eu estou aqui para isso.
Tsunade sentiu-se comovida. Talvez remorso por ter sido tão estúpida e grossa com Jiraiya que claramente estava ali para apoiá-la a ampará-la. Que fora o único a perceber que ela estava mal, e do seu jeito lhe oferecia o alicerce que ela tanto estivera precisando desde as "novidades" de Koharu. Afinal, talvez ele fosse mais que um pervertido estúpido...
- Jiraiya, eu...
- Podemos dividir tudo um com o outro. – Havia uma clara mudança em seu tom, ele não estava mais com toda aquela seriedade. – A começar pela minha cama, os meus...
E em segundos Jiraiya não parecia mais tão forte, pela velocidade que havia sido arremessado uns cinco metros de distância da Godaime que tinha os punhos erguidos, e os olhos apertados.
- EU AVISEI, BAKA! – Gritou antes de jogar os cabelos dourados para trás, e voltar sua caminhada para longe do sennin.
Naruto, Gai e Lee vieram logo ao seu auxílio, a besta verde de Konoha ofereceu-lhe o braço para que o eremita se levantasse, ainda olhando rancorosamente a ex companheira de time que se afastava.
- Ero-sennin, você não aprende mesmo... – Naruto balançou a cabeça diante da figura deplorável de seu sensei todo cheio de machucados espalhados pelo corpo.
- Jiraiya-sama não é um homem persistente! Ele é um verdadeiro ninja e nunca desiste de seus objetivos, certo Lee? – Disse o homem fazendo sua famosa pose positiva, o largo sorriso branco e brilhante.
- Hai, Gai-sensei! – Disse seu pupilo imitando seus movimentos.
Pela primeira vez na vida talvez Jiraiya tenha prestado a atenção e concordado com que o homem de verde berrante dizia. Sim, ele era um homem persistente, e não desistiria de tentar descobrir as razões do comportamento estranho de Tsunade. E a faria engolir insulto por insulto que havia lançado sobre ele. Isso era uma promessa ninja!
N/A: Oee, depois de uns 1000 anos eu voltei! Terminei o capítulo, e ele ficou bem maior do que eu esperava (DEZENOVE PÁGINAS, CACETE O_O!), mas achei melhor escrever tudo de uma vez, porque vamos dizer que esse capítulo ficou mais como uma apresentação, certo? O primeiro deveria ser um prólogo, mas eu já até coloquei nome no capítulo, e estou com preguiça de mudar :D
Gostaria de agradecer especialmente a academia (brincadeira, eu sempre quis dizer isso o/), a De-chan que me "apresentou" KakaAnko, com suas fanfics maravilhosas, e sim eu aderi ao shipper u_u, ao meu irmão que mesmo não gostando de shippers leu de boa vontade (mentira, eu obrigava ele :x) a fic toda vez que eu pedia, e ao Kishi que mesmo que me faça chorar e me decepcionar, e me deixe com vontade de esganá-lo, é por causa dele que temos o maravilhoso universo de Naruto ;)
Olhando agora a fic, eu percebi que quase nem tem quase AsuKure, mas bem eu avisei que queria fazer um multi-shipper, e tinha que de alguma maneira apresentar eles, espero que não se incomodem galerë ;D
Espero que gostem, comentem, critiquem, xinguem, dêem palpites sugestões, anyway :D
Beijões, Jaa Ne :*
