Capítulo 03 – Suspeitas e Ameaças.
- Kuso! – Disse para o ar em torno da cama desarrumada em que estava ajoelhada.
- Kuso! – Gritou para todos os retratos pendurados nas paredes e postos na escrivaninha, cheio de rostos sorridentes. Duvidava que estariam tão sorridentes se tivessem noção do quanto sua situação era frustrante.
–KUSO! KUSO! KUSO! – Enterrou o rosto nos travesseiros que sufocavam seus xingamentos, ao mesmo tempo socando-o violentamente com os punhos cerrados.
- Não, não pare. – Disse a voz masculina ás suas costas. Kakashi havia acabado de sair do banho, seu torso ainda molhado assim como o cabelo acinzentado, vestindo apenas uma toalha azul marinho enrolada na cintura. – Adoro quando você resolve falar palavrões. Então por favor, continue.
Anko lhe lançou um olhar irritado pelo canto do olho, quase ao mesmo tempo em que o travesseiro é arremessado em sua direção, que só não lhe acerta por pouco.
- Você já se deu conta de quantas perguntas cretinas eu já ouvi desde o dia em que Kurenai nos contou que iria se casar?
- Sim. – Disse se aproximando do pé da cama coçando a nuca. – O mesmo número de vezes em que tive que te segurar pra que você não fizesse algo que te levasse a passar a noite na prisão.
- Eu estou falando sério.
- São só umas perguntinhas, Anko. Não é assim tão ruim. Inconveniente, só isso. – Colocou uma das mechas púrpuras que caíam sobre seu rosto para trás da orelha, e fez carinho em sua bochecha com a ponta do polegar.
- E irritante. Muito irritante.
- Besteira. Você sabe como as pessoas de Konoha adoram fofocas, e também adoram casamentos. Imagine como elas ficam agitadas quando tem 'Fofocas de Casamento'? – Anko riu da maneira teatral que ele disse e deixou que o Hatake se sentasse ao seu lado na cama, aonde novamente recomeçou:
- Foram sete perguntinhas de "Quando será a vez de vocês?" desde aquele dia. – Disse com desprezo. - E só se passaram três dias! Imagine oque ainda vamos ter que aturar até o casamento?
- Uma boa oportunidade para comentários inteligentes — Respondeu Kakashi, tirando o cabelo dos olhos, inabalável. — Vai ser um treinamen to para boas respostas. Você vai ver, vamos encontrar muitas variações para frases do tipo "quando o inferno congelar".
- E assim vamos estar nos expondo a perguntas pessoais e inconvenientes, cobranças e o ridículo bem intencionado.
- Ei, não precisa ficar assim. Eles que estão se casando, deixe a tensão, e o nervosismo para aqueles dois! – Disse passando os braços fortes e musculosos sobre seus ombros, lhe lançando um sorriso cheio de positivismo. – A sua preocupação deve ser só vestir um vestido bonito que você provavelmente vai usar só uma vez na vida e que vai ser muito difícil para eu tirar depois – Disse arrancando um riso dela. - um sapato alto e desconfortável, e ficar lá no altar para aplaudir quando eles se beijarem.
- Falando assim parece fácil...
- E é! Pare com essa sua mania chata de sofrer antes da hora. E pare, por favor, de tentar agredir qualquer um que faça uma dessas perguntinhas! Dá muito trabalho tentar te segurar no meio dessas suas crises. – Disse fazendo uma careta, que a fez rir mais uma vez.
- Ta bem, então. Juro que vou TENTAR me controlar... – Então fez um beiçinho infantil entrelaçando os dedos. - Nem mesmo uma agressãozinha moral?
- Anko...
- Estou brincando. – Disse lhe dando um leve tapa na testa de brincadeira. – A partir de hoje, eu serei a madrinha perfeita, e irei ajudar com um grande sorriso no rosto e muita animação a minha melhor amiga a escolher o lugar para seu enforcamento, quer dizer, seu casamento. – Completou sem parecer realmente muito animada.
- Só não exagere, se não o Gai vai pensar que você está querendo competir com ele.
- Nem me fale! – Disse dramaticamente se jogando na cama. – Por favor, me diga que eu não vou ter que aturar todos aqueles discursos e aquele papo furado de padrinho mais uma vez! Me diz que a Godaime enviou ele, sei lá, pro outro lado do planeta.
- Nada disso. Todos nós fomos dispensados especialmente para o dia de hoje. – Disse ao mesmo tempo em que a Mitarashi soltava uma expressão lamentosa atrás de si.
- Ela tem andado muito boazinha não é? Liberar seus melhores jonnins no mesmo dia...
- Nossa vila não tem sofrido ameaças, não tem muito problema um dia ou outro.
- Mesmo assim ela está diferente, de uns dias pra cá. Shizune disse que ela parece estar planejando alguma coisa, e não deixa nem a própria Shizune chegar perto.
- Isso não é problema nosso. – Disse balançando o ombro despreocupado, mas Anko não parecia tão disposta a desistir do assunto.
- Mesmo assim você não fica intrigado com oque ela possa estar tramando? – Disse levantando as sobrancelhas, o rosto bem próximo de Kakashi com uma expressão misteriosa.
- Anko, quer parar de ser neurótica e ficar implicando com tudo? Os assuntos da Hokage não nos dizem respeito, então nem devemos ficar pensando neles! – Disse segurando seu rosto entre as mãos. – Oque você deve fazer agora é ir tomar banho para irmos nos encontrar com eles, certo?
- Chato. – Resmungou rolando os olhos emburrada enquanto se levantava da cama e ia e entrava pela porta do banheiro. Quando Kakashi já se levantava para começar a se vestir, sua cabeça roxa apareceu mais uma vez chamando-lhe atenção:
- Ei, Gostosão de Konoha! – Chamou com um riso perverso nos lábios, sabendo o quanto ele não gostava do apelido. – Não quer vir me ajudar, não?
- Não podemos nos atrasar... – Disse em tom de advertência, ao que Anko respondeu estalando a língua, e mais uma vez falando com a voz sugestiva:
- Já esperam isso, é de você que estamos falando. Agora vem cá e me diz oque você acha da idéia, hãm?
Kakashi ponderou por um momento. Kurenai tinha sido precisa em pedir para que não se atrasassem, pois o quanto era importante irem todos juntos. Mas ao olhar para a kunoichi com aquela expressão maliciosa, que só o faziam supor coisas boas ele não teve a menor dúvida de qual opção escolheria.
- Se você ficar aí parado com essa cara de bobo vai perder a oportunidade de me ajudar a tirar a camisola. – Disse entrando de vez para o banheiro, e ele não esperou nem mais um segundo para segui-la. Ele sabia o quanto era interessante ajudá-la a se despir.
Shizune corria pelos corredores do prédio Hokage procurando-a por todos os cantos. Já havia vasculhado seu escritório, a biblioteca, a sala de reuniões, o refeitório e tudo o mais, mas por enquanto nem sinal de sua shishou. Consultou o relógio de pulso mais uma vez mordendo o lábio inferior de apreensão. Hoje certamente não era o dia de Tsunade dar seus sumiços, ela teria que sair em poucos minutos e não poderia deixar o escritório deserto. Suspirou fundo, abrindo mais uma porta, apenas para se deparar com mais uma sala vazia.
Se encostou à parede com a expressão derrotada massageando as têmporas enquanto tentava imaginar algum lugar que a chefe tivesse se metido. Imaginou Tsunade em algum bar, ou em alguma casa de jogos sendo pega por um dos conselheiros, logo depois sendo deposta de seu cargo... Sacudiu violentamente a cabeça, espantando esse tipo de idéia. Preparava-se para voltar a correr, quando esbarrou violentamente contra algo sólido.
- Gomen, Shizune-san. – Disse a voz gentil, lhe oferecendo a mão para ajudá-la a se reerguer.
- Tudo bem. – Disse aceitando a ajuda de Iruka, com um riso forçado, tentando inutilmente camuflar seu nervosismo e retribuir a gentileza ao mesmo tempo. – Foi minha culpa, eu não estava prestando atenção.
- Não é nada, Shizune-san. – Disse lhe mostrando um sorriso mais gentil e mais verdadeiro que o seu. Iruka era sempre assim. Bondoso, educado, quase ingênuo e puro como uma criança. Não era de se surpreender que até alguém como Naruto conseguisse lhe passar a perna. – Você parece aflita, está tudo bem?
- Está. – Teve pressa em responder. Tudo oque não precisava era que a notícia do desaparecimento da Hokage se espalhasse por aí. – Tudo ótimo.
O corredor caiu em silêncio. Iruka a olhava com expectativa esperando o momento em que ela recomeçaria um assunto, mas Shizune não parecia ter nada em mente. Bom por onde poderia começar? Perguntas cotidianas, sim isso parecia um bom começo. Talvez um "E você, como tem passado?", ou talvez "Novidades?", ou quem sabe, " E aí, tem visto alguma Hokage fugitiva bêbada por aí?"
Precisou juntar todo o fôlego, e toda a coragem que tinha para perguntar da maneira mais casual que conseguia:
- Você não viu Tsunade-sama por aí viu? – Ao ouvir a si mesma ela teve certeza de que sua tentativa havia sido tão frustrante quanto seu sorriso mais cedo. Mas por maior que tivesse sido sua hipocrisia naquele dia Iruka parecia inerte a tudo. Ele coçou o queixo, refletindo sobre qualquer informação que lhe pudesse ser útil, e o observando Shizune não pode evitar se sentir uma completa idiota por ser tão cautelosa com o ninja.
Ela não esperava que Iruka saísse espalhando pelos quatro cantos do sumiço de Tsunade, nem que ele fizesse qualquer coisa para prejudicar a reputação da Godaime. Sim, ela confiava em Iruka. Ele tinha aquela postura amigável, sincera, e parecia estar sempre disposto em ajudar qualquer um que precisasse.
- Sim, eu me lembro! – Disse tirando-a de seus pensamentos. – Vi a Godaime-sama há menos de uma hora atrás saindo de seu escritório.
- E você sabe para onde ela possa ter ido? – Perguntou mais rápida e interessada do que queria aparentar estar.
- Desculpe Shizune-san, mas ela não falou nada comigo.
- Tudo bem. – Disse agitada, mas de certa forma mais aliviada. Se Tsunade estivera ali, então pelo menos deveria estar lúcida. E isso já era um bom começo. – Obrigada, Iruka.
- Há algum problema?
- Sim, quer dizer não. – Disse mais rápido do que pretendia oque vez o chunnin rir.
- Posso fazer alguma coisa para ajudá-la?
- Sim, quer dizer não... Você já me ajudou bastante, obrigada.
- Disponha. – Disse sorrindo mais uma vez para ela que retribuiu dessa vez sem precisar forçar muito.
- Acho melhor eu ir andando e deixar você trabalhar... – Disse acenando singelamente, virando-se para partir pelo corredor quando Iruka se adiantou:
- Espere Shizune-san! – Disse rápido, fazendo-a voltar para encará-lo. – Na verdade está quase na hora do almoço, e eu estava pensando se talvez você poderia, ou melhor, se gostaria de se juntar a mim, e... – As palavras pareciam engasgá-lo. Pronunciava cada sílaba com dificuldade, enquanto suas bochechas assumiam violento tom rosado, que fez com que a própria médica sentisse seu rosto começar a queimar.
- Eu adoraria. – Disse francamente. – Mas tenho que me encontrar com Kurenai-chan e Asuma-kun.
- Mas é claro! Que cabeça a minha! Você é uma das madrinhas, deve ter mil coisas para resolver. – Disse lhe lançando mais uma vez aquele sorriso pacato e encabulado. - Bem, acho melhor eu deixá-la ir. Foi um prazer esbarrar em você, Shizune-san.
Shizune se retraiu para não suspirar depois de suas palavras cheias de suscetibilidade. Iruka parecia um dos mocinhos de cinema, ou de livros que ela costumava acompanhar. Delicado, gentil, meigo, afetuoso, politicamente correto. O tipo de homem que toda mulher sonha ter ao seu lado para a vida toda. Por isso esperou ansiosa que ele refizesse o convite do almoço, sugerindo outra data, mas ele ainda parecia não ter se recuperado de sua primeira recusa, e não disse mais nenhuma palavra enquanto começava a se afastar.
Ela então viu sua chance de uma refeição (grátis) na companhia agradável de Iruka ir embora pelo ralo. Talvez ela mesma devesse tomar a iniciativa desta vez, pensou. Ele já havia a convidado, certo? Não iria parecer atirada nem desesperada se sugerisse outra data, não é? Além disso, não havia esquecido sua situação com Anko, e um encontro com Iruka parecia um bom começo para quem precisava encontrar um companheiro até o casamento de Kurenai.
- Espere Iruka-san! – Fora sua vez de surpreendê-lo, proferindo as palavras lentamente com os olhos baixos – Eu não vou estar tão ocupada amanhã...
Iruka pensou por um momento para compreender oque ela queria dizer com suas palavras repentinas, até que pareceu compreender ao que ela se referia, e assumiu uma expressão surpresa e contente ao mesmo tempo.
- Então amanhã, em frente ao prédio Hokage.
Shizune balançou a cabeça, para depois dizer um 'Adeus' contido, e continuar seu caminho ao encontro de Kurenai, Asuma. Estava tão empolgada com seu "encontro", que tinha até mesmo esquecido dos motivos que a levaram até ali.
- Eu não acredito. Não acredito! – Repetia ela como um mantra, enquanto andava de um lado para o outro.
- Não se torture. Não estou agüentando mais ver você assim, Kurenai. – Respondeu calmamente enquanto tragava seu habitual cigarro.
- Por quê? Você fica incomodado de me ver nervosa? – Kurenai olhou para o noivo com os olhos rubros transbordando carinho pela comoção de Asuma. Ele poderia não ser um poço de delicadeza, mas ainda assim conseguia...
- Na verdade eu ia dizer que estou ficando tonto de te ver pra lá e pra cá, mas isso também serve. – Disse com um sorriso sinceramente, como era de se esperar dele.
Kurenai se jogou no espaço do banco ao seu lado, inclinando a cabeça para trás e cerrando os olhos como se estivesse dando um cochilo antes de entreabrir apenas um olho e fixá-lo no homem de pele bronzeada ao seu lado. Parecia distraído e despreocupado, nada no mundo parecia capaz de atormentá-lo. Até mesmo contemplá-lo lhe dava a sensação de paz. Era como se ele a envolvesse em seu mundo sem preocupações e responsabilidade, aonde eles poderiam esquecer tudo, afinal esse era o mundo que pertencia exclusivamente a eles. Aonde nada nem ninguém podia incomodá-los. Ou quase.
- Você poderia apagar esse cigarro? – Se Kurenai tivesse lhe batido, Asuma não teria a olhado com tanto espanto quanto a olhou naquele instante.
- Tem algum problema com o meu cigarro? – Perguntou na defensiva. As palavras que Kakashi falara alguns dias atrás assombravam sua mente, enquanto esperava a resposta de Kurenai.
- Não, é só que esse cheiro está me deixando zonza. Eu não consegui dormir direito hoje a noite, acho que aquele batalhão de dangos que a Anko levou lá pra casa não me fizeram bem.
- Ah, claro. – Disse jogando o fumo no chão, e o apagando com a sola do sapato. Enfim ela só estava passando um pouco mal. Nada de querer corrigi-lo. Nada de mudar sua personalidade. Kurenai o amava da maneira como ele era!
- Não acredito que eles ainda não chegaram, eu fui específica em marcar ONZE E MEIA!
- Mas Kurenai, são só ONZE E QUINZE! – Disse ao imitar seu tom incrédulo e exagerado.
- Mesmo assim, já era de se esperar que pelo menos Shizune estivesse aqui, e o Gai!
- Bem, isso eu posso explicar. Talvez eu tenha adiado a hora quando falei pra ele.
- Porque você fez isso? – Perguntou confusa, as sobrancelhas escuras franziram-se para esperar a resposta do Sarutobi.
- Você não iria querer ele te chamando na porta de casa ás seis horas da manhã com aqueles discursos de fogo da juventude, iria? – Disse arqueando as sobrancelhas, como se a resposta fosse óbvia desde o início, oque fez a kunoichi gargalhar e apoiar a cabeça em seu ombro, se aninhando em seu peito enquanto ele massageava levemente seus cabelos negros.
- Certo. Isso foi inteligente.
- Ainda consigo te surpreender? – Disse sorrindo, entrelaçando seus dedos aos dedos de unhas bem cuidadas de Kurenai.
- Enquanto você existir. – Disse calmamente, depositando um beijo afetuoso nas costas de sua mão. Em seus braços ela se sentia segura, protegida, serena... – E Kakashi e Anko? – Com os olhos arregalados, ela se sobressaiu encarando seus olhos escuros.
- Marquei uma hora adiantada. – Disse lhe dando um suave beijo na testa, que a fez sorrir e voltar a se acomodar em seus braços.
Naquele momento a morena sentiu toda a ansiedade e insegurança esvaecer. Nos braços bronzeados e musculosos que a cercavam, ela sentiu a maravilhosa e reconfortante sensação de saber que tinha-o ao seu lado, ajudando e amparando com as questões relacionadas a cerimônia, que se mostravam muito mais complexas do que ela jamais imaginara, mesmo sendo uma pequena e mais íntima como ela e Asuma haviam decidido. Além disso, Kurenai não tinha a menor noção sobre questões de etiquetas, ou sobre como organizar qualquer que fosse evento social. Sua vida sempre havia sido voltada para as artes ninjas, e ela nunca parou sequer para pensar que um dia teria que fazer algo como isso. Agora para a realização do seu casamento, ela contava mais do que nunca com os amigos. Mesmo mal humorada, e sarcástica ela sabia que poderia contar com Anko para oque precisasse, assim como também Shizune sempre bem disposta a ajudar, além de Kakashi e Gai que mesmo atrapalhado e um tanto quanto exagerado tinham aceitado ajudá-los de boa vontade. E o mais importante, tinha Asuma ao seu lado. Oque a fazia ter certeza que mesmo sem saber nada sobre casamentos e festas, tudo ficaria bem no final. Eles tinham um ao outro, e isso era o mais importante.
- Obrigada por tudo oque está fazendo. – Disse sinceramente, os olhos carmesim se fixavam nele transbordando gratidão e afeição. Asuma apenas balançou os ombros modestamente, antes de depositar um suave beijo em seus lábios tão rubros quanto seus olhos. O beijo se aprofundou, a barba fazia cócegas ao redor da boca da Yuuhi, que depois de alguns segundos rendida a ele, o empurrou alguns centímetros para longe de seu corpo.
- Alguém pode nos ver! – Disse com os olhos vasculhando ao redor do local, limpando o canto dos lábios borrados de batom com o pulso, quando Asuma soltou uma risadinha de seu constrangimento e falou:
- Vamos nos casar, Kurenai. As pessoas já devem nos saber que nos beijamos.
- Mesmo assim, é um tanto quanto inapropriado. – Asuma deixou mais uma risada escapar de toda aquela compostura que Kurenai fazia questão em manter mesmo depois de anos de namoro.
- Ta bom. Mas eu quero um último beijo de despedida. – Disse puxando-a pelo braço, e a colocando sentada em colo, uma mão segurou sua nuca e a trouxe para mais próximo, aonde a beijou calorosamente, aproveitando o máximo que pode antes dela separá-los mais uma vez. – Só mais um. – Disse com um riso maroto piscando repetidamente para Kurenai.
- Você só pode estar de brincadeira! – Disse ameaçando se levantar quando ele a segurou para que permanecesse.
- Até parece que você não gosta quando eu brinco. – Desta vez pretendia prolongar o beijo o máximo que pudesse, mas isto se mostrou impossível porque mal tinha selado seus lábios nos dela, quando um pigarrear constante e terrivelmente familiar fez com que Kurenai pulasse de seu colo para a outra ponta do banco.
A sua frente, Gai estava de pé com ambas mãos na cintura, mostrando seus dentes brancos em um sorriso largo, provavelmente não passava por sua cabeça o quão inconveniente havia sido sua presença para o casal naquele momento.
- É bom ver que o fogo da juventude está ardendo em vocês nesta manhã. – Disse erguendo o polegar, mais nenhum dos outros dois pareciam contagiados com seu entusiasmo.
Kurenai se encolheu mais em seu lugar, seus olhos baixos cheios de culpa, como uma garota de sexta série, que acabara de ser flagrada pela professora dando uns amassos no corredor. Sua face estava quase tão vermelha quanto as roupas que vestia. Asuma lhe deu um sorriso sem graça apenas torcendo para que suas palavras não tivessem nenhum tipo de ambigüidade.
- Desculpe, desculpe. Sabemos que estamos atrasados mas é que o encanamento lá de casa estourou... – Anko veio andando já antecipando suas desculpas, pronta para ter que aturar mais um dos discursos de Kurenai sobre responsabilidade e comprometimento, mas este não veio. Apenas a cena estranha de Kurenai e Asuma separados por um muro invisível no meio do banco parecendo angustiados, e Gai... bem não havia nada de estranho com Gai. Ele estava como sempre sorridente com sua pose irritante.
De sobrancelhas frisadas, ela estava pronta para perguntar que diabos era aquele clima de enterro, quando Kakashi a puxou para trás, cochichando para que só os dois pudessem ouvir:
- Não tínhamos combinado que eu daria as desculpas?
- Como se fosse fazer alguma diferença. Ninguém ia acreditar de qualquer jeito. – Disse encolhendo os ombros, mas Kakashi não se deixou levar pelas palavras da Mitarashi, e aprumando os ombros, e soltando um pigarreio, disse cheio de si:
- Hãm. Vou te mostrar como se faz, Anko-chan. Veja e aprenda com o mestre. – Voltou-se para os outros, Gai tentava puxar assunto com seus discursos motivadores para os outros dois quando começou de maneira dramática. – Na verdade oque Anko-chan quis dizer foi que apareceu um CROCODILO monumental na banheira! – Os outros três olharam-no de olhos arregalados incapazes de acreditar no que ouviam enquanto observavam Kakashi interpretar sua história com gestos espalhafatosos.
Anko balançou a cabeça, olhando para os próprios pés enquanto Kakashi se remexia de forma lunática fazendo papel de idiota abertamente para qualquer um que o visse, ou escutasse.
– O ENCANAMENTO QUEBRADO TINHA MUITO MAIS SENTIDO, SEU BOSSAL! ESSA HISTÓRIA RIDÍCULA NÃO FAZ O MENOR SENTIDO! – Berrou com os olhos faiscando.
- Por quê? É muito melhor que a sua história sem graça de encanamento quebrado, e eu ainda não cheguei na melhor parte aonde você é quase engolida pelo crocodilo e eu...
- Está tudo bem, está tudo bem! – Disse Kurenai se levantando do banco, tentando apartar a discussão. – Na verdade não estão atrasados, chegaram em cima da hora.
- Não? – Disseram os dois ao mesmo tempo.
- Marcamos uma hora adiantada com vocês, aí poderiam chegar na hora certa.
- Isso é jogo sujo, Kurenai... – A morena apenas encolheu os ombros sob o olhar estreito e indignado de Anko.
- AHÁ! Parece que você está finalmente levando a sério nossa disputa, não é Kakashi? – Gai, que parecia não ter ouvido oque a Yuuhi havia acabado de dizer, gritou apontando o dedo acusador para o copynin.
- Yare, yare...
- Que bom que já estamos quase todos aqui! – Disse uma voz altiva atrás do deles. Uma voz que parecia familiarizada com eles, mas nem um pouco parecida com a de Shizune, a única que faltava no grupo.
Virando-se de costas os noivos e os três padrinhos deram de cara com a figura política mais importante de Konoha. Esmagando uma espessa pasta contra os seios absurdamente grandes, a Godaime tinha um sorriso saudoso no rosto, como se pensasse que os ali presentes estivessem a sua espera.
Milhares de perguntas passaram pela cabeça de Kurenai, e trocando olhares com o restante pode notar que eles compartilhavam a mesma perplexidade com ela. Estamos? Desde quando Tsunade-sama estava envolvida? Como ela sabia do encontro? Porque estava ali?
- Bom dia, Tsunade-sama. – Disse tentando ser amigável. Claro que ela não questionaria o mais alto cargo de Konoha. Não diretamente, claro. – Que coincidência a senhora por aqui, está passeando?
- Na verdade eu...
- Esperem! Esperem! – Shizune gritou entrando em seus campos de visão, vindo correndo na direção que estavam reunidos. Quando finalmente chegou até eles, apoiou as mãos nos joelhos tentando recobrar o ar da corrida até ali, ao mesmo tempo em que começava a se desculpar.
- Desculpem o atraso. É que eu estava procurando Tsunade-sama... – Levantou a cabeça, que enquanto recuperava o fôlego estivera voltada para o solo, e percebeu a presença de ninguém menos que... – TSUNADE-SAMA!
- Você já vai começar com isso? – A Godaime rolou os olhos castanhos impaciente.
- Eu a procurei por toda parte! Aonde a senhora se meteu? – Disse com as mãos na cintura, o rosto cansado.
- Como eu não tinha oque fazer eu resolvi vir até aqui e ajudar vocês.
- Como assim, Tsunade-sama? A senhora tem muito oque fazer! – Replicou indignada a secretária.
- Coisas dispensáveis... – A loira disse fazendo um gesto displicente. - Ajudar vocês me pareceu uma idéia muito mais útil. Além do mais, casamentos são tão adoráveis!
Tsunade-sama poderia morrer engasgada pela quantidade de mentiras que conseguia dizer em duas frases, foi oque pensou Shizune. Primeiro porque seus conceitos do que poderia ou não ser considerado 'dispensável' eram questionáveis. Para Tsunade TUDO em seu trabalho era dispensável. Tudo era considerado um exagero desnecessário, irrelevante e inútil. Mas com certeza a segunda parte fora a pior. A que fizera Shizune congelar, enquanto as palavras de Tsunade há alguns meses atrás no meio de uma de suas conversas invadia sua mente.
Lembrava-se nitidamente de estar no escritório quando um convite de um civil - que nem ela ou a Hokage conheciam pessoalmente, mas era comum a Godaime ser convidada para qualquer ocasião especial. Oque não significava que ela se preocupasse em ao menos responder, ou comparecer a qualquer que fosse o evento. - e Shizune comentara o quanto achava admirável e incrível a idéia da união eterna entre duas pessoas, quando a Godaime dissera com seu habitual tom ranzinza que casamento era uma maneira institucionalizada ineficaz, que uma pessoa usava para amarrar a outra, oque explicava o fato de quase todas as pessoas serem infelizes em um. Segundo ela, casamento era algo cheio de suposições, ilusões infantis e além de expectativas que nunca seriam cumpridas, já que a maioria dos casamentos acabava em infidelidade ou divórcio. Isso tornava perjúrio toda aquela baboseira que os noivos diziam em frente ao padre, e do ridículo 'Até que a morte os separe. '
Sim, Tsunade dissera tudo isso. A MESMÍSSIMA Tsunade que havia acabado de declarar empolgada o quanto achava casamentos adoráveis, e que de livre e espontânea vontade queria ajudá-los a planejar um. Shizune não sabia oque Tsunade estava planejando com aquela atitude prestativa, tão distante da verdadeira Tsunade preguiçosa e acomodada, nem fazia a menor idéia do porque a shishou havia passado os últimos dias em seu escritório, compenetrada em algo em que ela parecia seriamente envolvida como há tempos ela não a via ficar com alguma coisa. Agora juntando os fatos começava a ficar preocupada.
- Não precisamos de ajuda, Tsunade-sama. Não é Kurenai-chan? – Buscou apoio na Yuuhi, mas Kurenai assim como o restante parecia muito intimidada por Tsunade, e principalmente o cargo ela que ocupava, e não parecia nenhum pouco a vontade em contrariar e dispensar a Godaime, que era conhecida por seu temperamento difícil.
- Bem... Na verdade Tsunade-sama nós não... – Mas diante o olhar fulminante da Hokage, a kunoichi pareceu incapaz de prosseguir. Assim como os outros que notaram a expressão nada agradável de Tsunade por estar participando daquele tipo de situação aonde os seus próprios ninjas pareciam estar querendo dispensar sua presença.
Ao mesmo tempo perceberam o quanto a situação era delicada, esgueiraram-se passo a passo para trás de Shizune, usando-a como escudo já que ela parecia a única imune a atmosfera perigosa que parecia exalar em torno da Hokage.
- Seria ótimo tê-la conosco, Tsunade-sama! N-não é Asuma?
- C-claro, será uma honra contar com s-sua ajuda. – Disse através de um sorriso amarelado, tentando camuflar todo o pânico compartilhado pelos cinco amigos.
- Oque? Não, mas... – Com o olhar apertado, tentava fazê-los concordar com ela, e colocar Tsunade em seu devido lugar como Hokage, mas nenhum deles parecia muito encorajado como ela a desafiar a loira.
- Bem. – Ela balançou os cabelos dourados sorrindo radiante e vitorioso; sem o menor rastro da expressão assassina que ocupava seu rosto segundos atrás. – Acho melhor irmos andando, temos muito oque fazer.
Folheando a pasta que segurava ela avançou pela estrada liderando a caminhada, como se tudo aquilo já estivesse programado. Os outros a seguiam um pouco atrás, Shizune lhes lançava olhares censurados por não terem ficado ao seu lado, e colaborarem com Tsunade que obviamente só estava fazendo aquilo para escapar de suas tarefas.
- Ela é a Hokage! Oque você queria que eu fizesse? Além disso, você viu a maneira como ela estava olhando pra gente? – Justificou Kurenai, ao lado de Asuma que balançou a cabeça em afirmação, completando:
- Se tivéssemos dito não ela comeria nossas cabeças como aperitivo no café da manhã, ou pior! – Shizune meneou a cabeça enquanto voltava a olhar a shishou alguns metros a frente, guiando-os para sabe lá deus onde.
Um pouco atrás os outros três caminhavam em silêncio, até a Mitarashi cutucar com o cotovelo as costelas do namorado, lhe jogando na cara:
- Quem é a neurótica agora? – Kakashi balançou os ombros, enquanto ela voltava a falar. – Eu disse que ela só poderia estar armando alguma coisa...
- Fale baixo! Fale baixo! Ela pode nos escutar! – Disse agoniado balançando os braços para que ela parasse de falar.
- Bundão. – Riu-se enquanto continuavam a seguir a Godaime, os olhos curiosos analisando-a enquanto pensava nos motivos responsáveis por suas estranhas atitudes recentes, quando Gai se juntou a ela, sussurrando de maneira confidente
- Anko-san, eu estive pensando... Acho que sei por que Tsunade-sama está fazendo tudo isso.
- Oque? – Perguntou interessada, se perguntando como Gai havia descoberto tão rápido e antes dela...
- Ela também quer entrar na competição! – Disse com convicção
- ...
- Ela também deve estar... Anko-san não, não, não, não, não, não, não, não! Pare Anko-san... ISSO MACHUCA! ISSO MACHUCA! AIAIAIAIAIAIAIAIAIAIAIAIAIA ISSO DÓI ANKO-SAAAAAAAAAAAAAAAAAAAN!
A teoria de Shizune se mostrou falsa. O pensamento de que Tsunade estava ali apenas para fugir de seus afazeres, estava bem distante da verdadeira realidade. Na verdade a Godaime mostrava que falara a verdade quando dissera que estava ali para ajudar, se mostrando muito prestativa e eficiente. Mal haviam começado a caminhar, ela havia chamado Kurenai para caminhar ao seu lado, revelando o conteúdo da pasta misteriosa que segurava:
Era nada menos que uma relação de todos os locais adequados para que sua cerimônia pudesse se realizar. Parques, sítios, praças todos com suas principais informações e endereços para que pudessem visitar e conferir com os próprios olhos, antes de se decidirem. Kurenai e Asuma ficaram impressionados. Anko intrigada. Shizune desconfiada. Kakashi estava muito distraído com sua leitura para ter uma opinião formada sobre as supostas atitudes suspeitas da Hokage, e Gai... Ele ainda estava tentando colocar o braço deslocado por Anko no lugar.
Seguiram o caminho visitando um por um os vários locais selecionados por Tsunade, e tinham que admitir. Suas escolhas haviam sido boas. As paisagens eram belas, o lugar encantador com boas referências e tudo, mas mesmo assim pareciam tão... exagerados para Kurenai.
Desde o começo ela e Asuma haviam resolvido que fariam uma coisa simples, apenas para os amigos mais íntimos compartilharem aquele momento com eles. E os lugares que Tsunade os apresentava não se enquadravam nem um pouco em seus planos. Todos os lugares em comum eram grandes demais para a vasta lista de convidados que haviam resolvido chamar, e principalmente caro demais para o preço que seus salários poderiam pagar.
Mesmo assim continuou apenas a sorrir e acenar positivo enquanto a Godaime lhes mostrava os lugares por onde passavam, trocando olhares cúmplices com Asuma que parecia ter a mesma opinião que a sua, mas assim como ela também não parecia muito encorajado a desapontar a Hokage lhe dizendo que suas escolhas estavam fora de cogitação. Fora exatamente oque estavam combinando fazer, enquanto se dirigiam a mais um dos últimos locais escolhidos por Tsunade.
- Você fala.
- NANI? Porque eu? – Replicou indignado.
- Bem, você é o homem. Tem que tomar o partido nesse tipo de coisa.
- Eu cuidei para que todos chegassem na hora, já está na hora de você dar sua colaboração.
- Asuma! - Lhe deu um leve empurrão, os lábios entre abertos e a sobrancelha franzida mostrava o quanto estava indignada. – Não é nada demais, simplesmente fale que as escolhas dela não são exatamente oque estamos procurando.
- Se é tão simples assim porque você não vai lá falar com ela? – Indicou a Hokage que abria o caminho com Shizune ao seu lado alguns metros a frente.
- Bem, eu até iria, mas... mas... Tenho que falar com a Anko! – Kurenai se virou para trás aonde Anko vinha se arrastando, com a cara nada satisfeita em fazer toda aquela caminhada naquele ritmo, alem disso parecia inconformada com a falta de atenção de Kakashi que com seu livrinho enfiado no nariz vinha sem fazer qualquer protesto. Na verdade duvidaria que Kakashi soltasse qualquer tipo de manifestação sobre qualquer coisa enquanto estivesse alienado por seu viciante Icha Icha.
- Nananinanão, Kurenai. Você não vai me deixar sozinho nessa! – Protestou segurando se braço, fazendo-a encará-lo novamente. – Se vamos fazer isso, vamos fazer isso juntos.
Ela balançou a cabeça conformada, soltando um longo e lento suspiro encorajador para fazer oque estava prestes a fazer. Não ajudou muito. Ela não estava nem um pouco empolgada em contrariar a mulher mais poderosa da vila, principalmente depois de ver o quanto ela podia ser explosiva, como costumava ser com Shizune, e depois de presenciar aquele olhar. Só de pensar lhe dava um embrulho no estômago.
Asuma pareceu entender seus pensamentos, porque logo passou seu braço em volta de seus ombros e disse de maneira reconfortante:
- Também não precisa ficar assim. Vamos, estamos exagerando... Oque ela poderia fazer só porque não concordamos com os lugares? – Riu otimista lhe passando um pouco mais de confiança.
- É você tem razão. – Disse em afirmação, tentando passar mais segurança a ele do que realmente sentia. – Bom, acho melhor nós irmos, então... – Começou apressando o passo para alcançar Tsunade-sama, mas foi barrada pelo braço de Asuma que coçando a parte traseira da nuca lhe disse com um sorriso sem graça:
- Vamos deixar para daqui a pouco... Olha lá, ela está conversando com a Shizune-san agora!
Não era exatamente oque acontecia. Shizune e Tsunade caminhavam lado a lado, mas entretidas demais com seus próprios assuntos para entrarem em um diálogo.
A Hokage vinha quieta, ás vezes murmurava algo para si mesma e abria a espessa pasta e fazia alguma anotação, ou conferia algo como se estivesse com medo de esquecer alguma coisa. Já Shizune, fazia de tudo para tentar espiar qualquer coisa que parecesse interessante que parecia prender tanto a atenção da shishou. Mas Tsunade estava sendo cuidadosa, e não lhe permitia nenhuma brecha, e aquilo a estava a deixando cada vez mais em maior estado de nervos. A disposição, nenhuma reclamação... Sua cabeça parecia uma enorme e carregada panela de pressão, apitando incessantemente prestes a explodir a qualquer momento... Ela queria saber o porquê de tudo aquilo, não, ela PRECISAVA saber oque Tsunade estava pensando...
- OQUE INFERNOS A SENHORA PENSA QUE ESTÁ FAZENDO, TSUNADE-SAMA? – Seu peito movia-se sem parar de tanto ar que havia acumulado nos pulmões para gritar tão alto que fizera os pássaros das árvores mais próximas se espantarem, a trilha na floresta produzir um eco abismal, os amigos olhavam estáticos assustados com sua aparência enlouquecida. Shizune havia claramente acabado de ter sua paciência esgotada. Havia sofrido um colapso nervoso na frente de todos:
- Acho melhor fazermos uma parada. – Disse Tsunade se dirigindo aos demais, dando as costas a Shizune de aparência perturbada, sorrindo como se não tivesse acabado de presenciar o piti da secretária. – Acho que tem algumas pessoas um pouco cansadas demais... - Logo depois de fazer seu anúncio os demais assistiram ela puxar a assistente bruscamente pelo braço e sumir com ela entre alguns arbustos que separavam a clareira da floresta em volta.
- Oque você está tentando fazer, sua lesada? – Voltou a dizer agora se referindo a Shizune, que continuava com o olhar desconfiado para ela, como se estivesse lidando com uma criança. Botando pressão até a hora que ela finalmente iria confessar todas as travessuras. Mas Tsunade não era uma criança, nem era de seu feitio ceder. Na verdade era ela quem costumava sempre botar a pressão sobre as outras pessoas.
- Não, essa é a pergunta que eu estou fazendo a senhora desde que chegou. Não sei oque está passando por essa sua cabeça, mas oque quer que esteja tramando é melhor desistir logo disso!
- Você me julga muito mal hein, sua ingrata!
- Não é questão de julgar, eu a conheço Tsunade-sama. A senhora não gosta de ajudar as pessoas, a senhora não gosta de muito trabalho, e a senhora DEFINITIVAMENTE não acha casamentos adoráveis! – Saltou com as mãos apertando a própria cabeça, parecendo prestes a ter novamente um ataque.
- Nossa! Ouvindo você falar assim, parece que eu sou uma pessoa egoísta e sem sensibilidade... – Ela apenas bocejou teatralizando todo o descaso que tinha sobre tudo que Shizune estava afirmando.
Mas Shizune achava realmente isso tudo sobre a shishou. Tsunade era uma ótima pessoa, para quem aprendesse a lidar e aceitar todos seus defeitos e manias. Mas claro não disso isso exatamente. Tentou de forma mais efêmera que achou capaz:
- Só não estou enxergando os reais motivos que estão fazendo a senhora agir dessa forma.
- Eu já disse! Eu não...
- Os motivos de VERDADE, Tsunade-sama.
- Eu não consigo entender você, sabe? – Resmungou parecendo ofendida com todas as dúvidas de Shizune sobre ela. – Quando eu não trabalho você reclama, quando eu resolvo ser prestativa você ainda assim me enche?
Tsunade usou o mesmo tom de vítima que quase fez com que Shizune se sentisse culpada. Quase. Ela convivera muito tempo com ela para saber que a mais velha só usava aquele tom de chantagem emocional quando buscava fugir de um determinado assunto, e fazer Shizune se sentir culpada. Mas desta vez isso não iria funcionar para cima dela.
- Tsunade-sama, seja sincera...
- É engraçado você enchendo a sua boca para falar de sinceridade pra cá, e honestidade pra lá – Interrompeu-a, falando em tom de deboche. – quando você também é uma hipócrita de marca maior!
- Oque a senhora está querendo dizer, Tsunade-sama?
- Oh, não se faça de idiota, Shizune! Não pensa que eu engoli aquela sua história de namorado...
Sentiu como se algo obstruísse sua traquéia impedindo-a de respirar normalmente. Então Tsunade-sama sabia. Era o seu fim. Ela não teria piedade em dizer isso para todos como uma forma de punição por todo seu 'atrevimento'. Ela seria humilhada por Tsunade, torturada por Anko. Pensou em se jogar de joelhos e rastejar e implorar para que Tsunade fosse tolerante uma vez na vida, e a encobrisse em sua farsa, ou então cobrar algum favor dos incontáveis anos que estivera ao seu lado, mas sabia que se Tsunade estivesse realmente irritada nada adiantaria. Então optou pela alternativa que parecia mais segura, e com a mínima chance de sucesso:
- N-não sei do que a senhora está falando. E-eu tenho um namorado...
- Você está gaguejando! Você está mentindo!
- E-eu n-não estou g-gaguejando...
- Está sim! – Apontou o indicador com um sorriso triunfante nos lábios. – Você sempre faz isso quando está mentindo!
Os ombros de Shizune foram largados, e ela baixou a cabeça admitindo a derrota enquanto a loira cruzava os braços e erguia o queixo, cheia de prepotência.
- Oque a senhora pretende fazer?
- Nada. – Disse para a pasma morena, que encarou a Hokage confusa. – Além de eu ser sua shishou, somos amigas, não somos? Amigas guardam os segredos uma da outra.
Shizune tinha que admitir que por uma fração de segundo esperou que Tsunade estava sendo generosa. Mas fora só olhar bem para aquela expressão de quem queria mais do que estava dizendo, para perceber que ela só estava sendo a mesma mulher calculista e astuta de sempre.
Aquelas palavras haviam sido escolhidas claramente para lhe fazer entender que ela estava em sua mão. Um aviso indireto para que Shizune a deixasse em paz se não quisesse ser escorraçada pela vila inteira. Uma atitude nada apropriada, e sem dizer infantil para uma mulher de sua idade, com um cargo de sua importância.
- A senhora está me ameaçando?
- Nãããão, claro que não. – Disse de uma maneira claramente irônica. – Amigas não ameaçam, amigas preservam uma da outra.
Shizune balançou a cabeça reprovando a atitude antiética e censurável de Tsunade, mas tinha que aceitar ser corrompida, no momento não tinha muita escolha. Em seu pensar aceitar a ameaça de Tsunade e se tornar sua cúmplice de algo que ela não tinha nem idéia era uma idéia melhor do que ser desmoralizada na frente de todo mundo e ainda ter que ouvir o 'Eu te avisei' arrogante de Anko.
- É, somos amigas, Tsunade-sama. – Disse quase sem mexer os lábios, se sentindo uma completa corrupta por compactuar com a shishou.
A pausa durara menos do que todos esperavam. Kurenai se sentara em um tronco de árvore caído ao lado de Anko que parecia cada vez mais possessa cada vez que olhava para o distraído namorado sentado ao seu lado que com seu livrinho de bolso parecia inerte a presença de qualquer presença, inclusive a dela. Anko odiava ser ignorada, e se Kakashi não parasse já com toda aquela distração com aquela porcaria ela queimaria todos os livros, um por um quando chegassem em seu apartamento.
- Você está bem, Anko? – Perguntou Kurenai ao seu lado. Anko balançou a cabeça despertada de seu transe sádico vingativo, olhou para Kurenai e disse:
- Sim. – Dera um sorriso forçado que passara mais ainda uma impressão psicopata para Kurenai.
- Não parece...
- Oh, eu estou ótima. Maravilhosamente perfeita.
- Hãn...
- Então, já estamos prontos para partir? – A Hokage surgiu dentre a folhagem seguida de Shizune que agora aparentava mais calma.
- Hai. – Disse Kurenai se levantando e sacudindo as vestes. – Só temos que esperar Asuma e Gai, eles foram...
- Os leões destemidos de Konoha estão de volta! HAHAAA! – Gai saltou em suas direções com um grande sorriso, Asuma veio há alguns passos atrás com o rosto conturbado. – Vamos jovens espíritos guerreiros do fogo! Gastar a nossa energia nessa nossa incrível jornada, para alcançarmos...
- Ta, ta bom, entendi. – Disse a Godaime mais uma vez liderando o grupo e partindo na frente com Shizune, Kakashi, Gai e Anko as seguiram logo atrás, ficando apenas para trás os dois noivos.
Kurenai se aproximou estranhando a expressão de Asuma, para então lhe perguntar:
- Ei, você está bem? – Asuma demorou um instante para recobrar a consciência e responder com a voz falha, parecendo desnorteado.
- Você não imagina que tipo de competição Gai inventou enquanto fomos ao banheiro.
- Oque? Quem termina mais rápido? – Perguntou com o cenho franzido, inclinando o rosto para mais perto de Asuma que tinha o cuidado de falar baixo. Muito baixo.
- Não.
- Tiro ao alvo?
- Er... Não.
Demorou apenas mais três segundos, para Kurenai se dar conta do que Asuma queria dizer. Sufocando o riso com as mãos, ao mesmo tempo em que seu queixo ia à baixo com a descoberta da situação absurda além de extremamente bizarra que Gai havia proposto enquanto Asuma a observava com uma expressão agoniada concordando com a cabeça.
- Então você perdeu?
- Kurenai!
- Oque? Você é quem está parecendo abatido aqui. Gai está com uma postura de vencedor. – O olhar de ambos fora para a besta verde de Konoha que exultava seu 'fogo da juventude', mexendo com Anko que parecia muito atraída pela idéia de surrar sua cara, seu corpo...
- Você acha que eu ia deixar ele ver o meu... Eu me virei é claro! – Ele dizia nervoso oque fazia com que ela risse ainda mais.
- Oh, por quê? Você se sentiu ameaçado pela grande besta de Konoha?
- Isso não tem graça, Kurenai. - Disse ultrajado, cruzando os braços e virando o rosto emburrado.
- Desculpe, desculpe... É que é divertido imaginar você e o Gai...
- NÃO IMAGINE! NÃO QUERO VOCÊ IMAGINANDO NADA DISSO! – Gritou tampando seus olhos com as mãos, como se isso a fosse impedir de fazê-lo.
- Tudo bem, tudo bem! - Disse rindo passando o braço em sua cintura, Asuma passou o seu sobre seus ombros e começaram a andar em direção aos outros. – Mas se quer saber eu apostaria todas minhas fichas em você. – Piscou sorrindo para ele que sacudiu a cabeça, e pôs um fim no assunto:
- Nunca mais vamos tocar nesse assunto, está bem? Isso não aconteceu!
- Certo.
- Ei vocês aí, estão nos atrasando! – Tsunade acenava a distância para que se apressassem. Isto os fez lembrar da tarefa desagradável que teriam em comunicá-la de que não estavam interessados nas opções que ela havia lhes apresentado.
- Tsunade-sama, gostaríamos de falar com a senhora um instante. – Fora Kurenai quem começou quando os alcançou.
- Oh, tudo bem. Não precisam agradecer, é um prazer ajudar dois dos meus melhores shinobis.
- Não, na verdade nós queríamos... – Tentou Asuma, mas ela mais uma vez não lhe deu espaço para prosseguir e interrompeu-o.
- Oh, vocês já se decidiram! – Disse sorrindo batendo uma palma bem perto do rosto. – Mas antes que dêem uma resposta definitiva esperem até ver o último, eu guardei o melhor para o final!
- Mas nós não...
- Vocês não vão se arrepender é um lugar espetacular! E fica bem próximo daqui!
- Hãn... – Os dois se entreolharam, e no fim das contas entenderam que não seriam capazes de cortar os incentivos da poderosa Godaime nem lançarem sua recusa sobre ela, quando ela falava tão empolgada sobre o tal lugar. Fazer isso os fazia pensar que poderiam ter que encarar aquele olhar maligno mais uma vez, e isso não era nem um pouco incentivador.
- Está tudo bem, então. – Disse Asuma após confirmar com um olhar, a cumplicidade nos olhos vermelhos de Kurenai, que parecia compreender toda sua hesitação. – Vamos.
Afinal só iriam dar uma olhada. Então poderiam dar a notícia decepcionante para a Hokage. Pelo menos era isso que eles pretendiam.
TCHANAAAAAAAAM! Especialmente para minhas duas leitoras divas que dedicam seu precioso tempo comentando nessa joça, aqui está o terceiro capítulo!
Não teve nada de muito especial, e era pra ficar pelo menos umas duas páginas maiores, mas depois de refletir eu vi como eram dispensáveis. Prometo não deixar faltar nenhum buraco, nem nada, era só porque eram coisas desnecessárias :/
Ah, tem mais uma coisa que eu quero falar, hm... Pode parecer estranho a Tsunade no meio dos nossos jonnins, ou pelo menos DIFERENTE, e meio tipo nada a ver... Mas eu PROMETO que vou explicar tudinho, tim tim por tim tim, e de uma maneira não forçada. Pra isso vocês vão ter que esperar os próximos capítulos xD
E a Shizune... bem, Iruka uma possibilidade, mas NADA é definitivo pra ela. Por isso não me espanquem nem nada, ainda tem muita embolação HAHA :x
Beijos, obrigada Deeh-chan, Luu-chan, brigadão mesmo, espero que gostem, e desculpem pela demora. :D
