010 - Por Acaso Ciúmes

Aonde Celeste foi se meter justamente quando eu preciso dela? Sério, ela nunca está lá quando eu penso "Se Celeste estivesse aqui...". Abaixei a cabeça, tentando fazer meuscabelos cacheados cobrirem meu rosto, mas assim eu não conseguia olhar o livro, então nada feito. Afastei os cabelos do rosto e prendi eles com o elástico que eu tinha no meu pulso. Ainda podia sentir aqueles malditos olhos em mim. Tentei me cobrir mais com o livro e me senti um pouco menos exposta.

Ninguém parecia se importar que uma garota que, supostamente, tinha um namorado estava sentada no jardim com a cabeça de um outro garoto no seu colo. Ou talvez eles se importassem, estivessem cochichando e falando mal de mim, mas eu estava supostamente muito ocupada com o meu livro.

E vocês devem estar se perguntando o que Celeste tem haver com essa situação.

Bem, na verdade é simples. Se ela estivesse aqui, Silas provavelmente não estaria com a cabeça no meu colo. Celeste parece mais preocupada com meu namoro do que eu e parece ter ciúmes o suficiente para dividir com Malfoy. Ela ainda disse que eu estava flertando com o garoto que pediu minha pena emprestada. Afinal, quem eu estava namorando? Minha melhor amiga ou Malfoy? Então se ela visse Silas com a cabeça no meu colo teria um ataque.

Ela não estava aqui porque está de ressaca e disse que ia tentar tomar um café e roubar alguma poção de alguém.

Eu estou esperando a duas horas ela fazer isso. Ou pelo menos pareciam duas horas.

Era domingo e, graças a Merlin, nada de aulas. Estava sol e, por isso, eu estava sentada embaixo da árvore perto do lago. A maioria dos alunos pareceu ter a mesma ideia de sair um pouco com esse tempo ótimo. Mais platéia.

Dei uma espiada pelo triângulo que as duas metades do livro faziam e os olhos dele continuavam em mim. Ah, Merlin. Ele deu um sorriso quando percebeu que eu estava olhando pra ele. Os olhos verdes quase fechados e o cabelo bagunçado pinicando minha coxa.

Bem... Olhando assim, se eu não tivesse um namorado...

- ROSE! - quase deixei o livro cair na cara dele quando o grito de Celeste entrou pelos meus ouvidos.

O estranho foi que logo atrás dela vinha Scorpius. Silas segurou meu livro e fechou ele, coisa que eu nem liguei. Minhas coxas pararam de pinicar e ai soube que ele não estava mais deitado em mim.

- Acho que é melhor eu sair. - ele sorriu.

A verdade era que eu considerava ele um semi-amigo. Antes dele me observar e de eu começar a ler nós conversamos. Ele não era de todo ruim para um sonserino e, o traço que eu mais gosto nos sonserinos ele tinha, humor-negro. Mas depois eu disse que ia começar a ler e ele não se importou, apenas deitou a cabeça no meu colo. E ainda teve a audácia de dizer que eu estava corada e perguntar o porquê.

- ROSE! - Celeste me chamou mais uma vez, só que dessa vez ela estava na minha frente.

- Sim? - perguntei irritada e olhei para Silas, que agora estava em pé e tentava tirar a grama da roupa.

Ele era mesmo alto. Maior que Malfoy e eu já me achava pequena perto dele.

- O que você está fazendo com ele? - ela perguntou se referindo a Silas como se ele nem estivesse aqui.

Por isso eu adoro minha amiga, a cara de pau dela nunca quebra.

- Bem, ele estava deitado e eu lendo.

- Ele estava deitado no seu colo. - ela respondeu.

O que eu estava dizendo sobre ciúmes era sério! Nem Scorpius (não que ele tenha malditos motivos para ter, fique claro) tinha ciúmes de mim.

- Sua namorada é ciumenta. - Silas comentou e deu uma risada.

A cara de Celeste denunciava que ela queria matar ele ali mesmo e isso quase me fez rir.

- Cale a boca e dê o fora, Dixon. - dessa vez foi Malfoy quem disse.

Silas sorriu e se aproximou de mim mais uma vez. Depois de um beijo na minha testa ele se afastou.

- Não acredito que você ficou deitada no jardim com ele no seu colo! - Celeste começou - Você tem um namorado, Rose Weasley.

- Isso não quer dizer que eu não possa ter amigos, Celeste Grant.

- Ele não quer ser seu amigo. - Scorpius entrou na conversa, obviamente dando suporte pra minha amiga.

Esses dois...

- Tanto faz. - revirei os olhos - Conseguiu o remédio?

- Seu namorado tinha. - Celeste sentou ao meu lado.

Foi quando eu percebi que Silas tinha pegado meu livro e não devolveu. Levantei da grama e bati na minha saia.

- Aonde vai? - Celeste perguntou.

- Silas. - falei irritada - Ele pegou meu livro.

Comecei a andar pelo gramado e percebi que Scorpius estava atrás de mim.

- Que foi? - perguntei.

- Silas é problema. Ele está com raiva de mim e acha mesmo que nós estamos namorando. É bastante óbvio que ele está tentando me fazer com ciúmes, ou pior, fazer você me trair com ele, o que seria nojento, por Merlin. - ah, humilde.

- Por que nojento? Silas é bonito, aliás, ele é lindo. - sorri e andei mais rápido.

- Você acha isso mesmo? - olhei pra trás e ele se aproximou com uma careta.

- Claro, você nunca percebeu como aqueles olhos verdes são profundos ou aquele cabelo loiro desarrumado, o que deixa ele com um ar totalme-

- Ok, já entendi. - ele me respondeu irritado - Daqui a uma semana você pode se agarrar com Silas, mas, por enquanto, se você ousar manchar minha reputação saindo com esse verme enquanto nós estamos namorando eu...

- Você?

- Eu vou te trair também, Weasley, e vai ser com público. E te garanto que não vá ser só mãos dadas ou um beijo. - ele respondeu irritado e eu ri.

Descemos as escadas até as masmorras.

- Ah, mas é claro. - sorri - Agora entre naquele Salão Comunal e pegue meu livro. - falei ainda sorrindo.

Ele resmungou e entrou. Depois de alguns segundos voltou sem o livro nas mãos.

- Está quase no horário da detenção. - ele disse.

- A detenção é só três e meia. - falei e revirei os olhos - E cadê meu livro?

- Dixon não estava no Salão Comunal, depois você pega seu livro querido com ele. E são três e vinte e cinco. - ele respondeu.

Celeste tinha me deixado no jardim depois do almoço, isso é, meio dia, mais ou menos, não acredito que tinha me deixado plantada até as três!

- Então vamos! - puxei ele pela roupa e comecei a correr - Você é retardado? Faltam cinco minutos e nós estamos nas masmorras.

Ele se soltou e revirou os olhos.

- É detenção, por que está tão animada pra chegar?

- Só não quero me atrasar. - respondi irritada. Ele ainda estava parado.

Fomos andando (devagar, graças a Malfoy) e chegamos na biblioteca em pouco tempo.

- Malfoy, Weasley. - ela sorriu quando nos viu - Venham.

A bibliotecária nos deixou em um espaço e voltou ao seu posto normal. Comecei a pegar os livros e a restaurá-los. Malfoy estava de costas para mim e eu de costas para ele, cada um em uma prateleira.

- Por que Silas está com raiva de você? - perguntei para quebrar o silêncio.

Eu ainda ouvi ele murmurando o feitiço e botando o livro na prateleira.

- Eu peguei o lugar dele no time. E também tem Brianna, que antes estava com ele.

- Brielle. - falei revirando os olhos.

Por Merlin, ele nem se lembrava do nome da garota?

- É, Brielle. - Malfoy riu.

- Qual é a graça? - perguntei rabugenta.

- Sempre que você fala dela eu me lembro daquele dia antes da aula de transfiguração. - ele riu um pouco mais - Ela saiu com o rosto vermelho e não parecia feliz.

- Garota maluca. - murmurei, o que fez ele rir mais.

Eu já devia estar no meu décimo quinto livro e meus pés já estavam doendo. Resolvi sentar e pegar os livros da estante mais embaixo. Malfoy estava cantarolando alguma coisa e, tirando isso, estávamos em completo silêncio.

- Você vai voltar com ela quando terminarmos? - perguntei guardando mais um livro e pegando outro.

- Você vai começar com Silas quando terminarmos? - ele respondeu/perguntou.

- Não sei. - fui sincera.

- Nem eu.

Mais um minuto em silêncio.

- Você ao menos gostava dela?

- Eu não lembrava o nome dela, Weasley. - ele disse meio rindo - Você acha que eu gostava dela?

Sorri.

- É. Tem razão.

- Por que está perguntando sobre ela?

- Só não quero ficar em silêncio. - respondi dando de ombros, não que ele pudesse ver.

- Acho que está com ciúmes. - ele riu mais - Ciúmes de quando terminarmos eu voltar para ela.

- Ciúmes? - revirei os olhos - Se eu estou com ciúmes dela, você está com ciúmes de Silas.

Eu tenho certeza que ele fez uma careta depois do que eu disse. E isso é ruim. Desde quando eu sei quando ele vai fazer a porra de uma careta? Desde quando eu percebo isso? Ah, Merlin, convivência é um inferno.

- Silas é que tem que estar com ciúmes de mim. - ele resmungou.

Eu me virei e olhei pra ele, que olhava pra mim. Como eu não percebi isso?

- Por que? Ele tem a sua garota. - eu quase ri depois que disse isso.

Eu sou a garota dele? Bem, quando é pra implicar eu acho que posso ser tudo.

- Ele não tem a minha garota. - ele disse irritado e se levantou - E você é a minha garota agora? - ele sorriu.

Eu esperava que ele não tivesse percebido isso. Levantei também.

- Não. - resmunguei - Só estou brincando.

- Eu acho que você quer ser a minha garota. - ele riu.

- Não quero, pode ficar com a sua Brianna. - cruzei os braços.

- Brielle. - ele me corrigiu.

- Então você sabe o nome dela! - acusei.

- Ciúmes porque eu lembro o nome dela? - ele riu e se aproximou - Para esse relacionamento funcionar, Weasley, você tem que deixar de ser ciumenta. - ele disse sarcástico.

Eu sabia que ele estava implicando. Eu sabia. Mas eu não consigo levar a pior nem em uma brincadeira.

- Nós não temos um relacionamento. E eu não sou ciumenta. - falei cutucando o peito dele e sorri maliciosa - Silas Edwin Dixon. Ele tem dezesseis anos e mora com os dois pais e dois irmãos mais novos. Uma adorável menina tão loira quanto ele chamada Donna e um menino, que é o caçula, e vai entrar em Hogwarts ano que vem, Aiden.

Ele parecia surpreso.

- Como você sabe isso tudo?

- Conversa, conhece? Quando as pessoas se comunicam através de palavras?

Ele revirou os olhos.

- Ótimo, vá coletando informações do seu amado e depois me deixe em paz.

- Ele não é meu amado! - eu praticamente gritei e agradeci por estarmos a uma distância segura de onde a bibliotecária estava.

Por que isso sempre acontece? Digo, sempre que duas pessoas brigam parece que os corpos delas vão se aproximando aos poucos e, no final, elas sempre terminam em uma distância comprometedora. Com isso eu quis dizer que eu estava bem perto de Malfoy.

- Sua... Sua controladora.

- Seu idiota.

- Sua mandona.

- Arrogante.

- Fósforo.

- Prepotente.

- Sua... - ele bufou - Sua...

Ele continuou me olhando, como se procurasse um adjetivo bom para me definir, mas pelo visto não achou porque ele continuou me olhando.

- Vou te beijar. - ele continuou falando isso naquele tom forte em que estava me xingando antes.

Eu arregalei os olhos. Mas apesar dele ter falado isso, continuou parado, apenas me olhando.

- Então beije. - eu murmurei desafiadora sem acreditar que aquilo realmente estava saindo pelos meus lábios.

Esses mesmos lábios que disseram isso logo foram esmagados pelos dele. Ele me beijava e me empurrava ao mesmo tempo e eu não consegui me controlar. Enquanto os braços dele foram para minha cintura minhas mãos foram para o cabelo dele. Ah, Malfoy, eu podia ter falado que você beija bem pra caralho também. Assim que eu bati de costas contra a estante alguns livros fizeram o favor de cair em cima de nossas cabeças o que (pelo menos para mim) estragou o momento.

Scorpius pareceu nem ligar para os livros, mas eu tive que afastá-lo.

- Merda. - murmurei - Isso só vai dar mais trabalho.

- Deixe o trabalho pra depois. - ele murmurou - Pare de pensar e trabalhar por meia hora eu prometo que não vai se arrepender.

Que fique bem claro que sonserinos influenciam as pessoas e conseguem ser muito convincentes quando querem. Então eu acho que não tive muita culpa quando ele voltou a me beijar e eu não fiz nada, certo?


OK, NÃO QUERO SER MORTA. Eu mereço, eu sei, eu fui uma fdp, que sumiu do nada, mas, pqp, escola combinado com falta de inspiração é um saco! E eu estava sem internet por uns dias, o que foi um dos maiores fatores... Eu tentei escrever no Word até, mas o Word não me inspira como a caixinha do Doc Manager aqui do ff :3

ok, eu não quero demorar no próximo capítulo, mas não prometo nada!

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