011 - Por Acaso Assuntos Pendentes
Eu já estava cansada. E não era de namorar Scorpius Malfoy, por incrível que pareça. O problema, na verdade, era Albus e, por Merlin, eu não queria ter que me envolver muito nisso, mas estou sendo praticamente obrigada. Ele fez o favor de ir na detenção. E pegou eu e o meu suposto namorado nos agarrando. Tudo bem, nós éramos supostos namorados, mas meu primo... Bem, ele ainda está se decidindo sexualmente e isso me fez sentir como se eu estivesse traindo ele.
Então não tive decisão melhor no ano todo do que enviar uma coruja pra ele, mandando (era uma intimação, não aceitaria um 'não') ele me encontrar na biblioteca depois do almoço. Eu sabia que ele viria, também sabia que ele sabia que eu sabia que ele sabia que nós iríamos falar sobre Scorpius. Eu queria, sinceramente, falar que, se ele quisesse e se nós não estivéssemos namorando, eu daria o loiro pra ele, mas isso mancharia um pouco o disfarce de namorada.
- Não vou demorar. - eu prometi quando ele se sentou na minha frente com aquela cara que me deixava me sentindo pior.
- Aham... - ele disse e deu de ombros.
- Você acha Silas gostoso? - perguntei antes que algum tipo de pudor da minha mente pudesse me impedir.
- Como é que é? - ele arregalou os olhos.
- Silas, aquele pedaço de mal-caminho com olhos verdes e cabelo loiro indomável. - sorri.
Ele franziu a testa, meu ingênuo primo não entendia aonde eu queria chegar!
- Não. - ele revirou os olhos, como se fosse óbvio - Deveria achar?
- Bem, se você tivesse uma inclinação homossexual, provavelmente. - sorri - Ora, vamos, não seja bobo. Se você fosse mesmo gay, provavelmente sentiria atração não só por Scorpius; se é que você sente, nunca perguntei. Mesmo assim, se você for atraído só por ele, não tem problema. Scorpius é uma versão do Brad Pitt de vinte anos atrás menos sedutora e rica; todo mundo quer fazer sexo com ele e se sente um mínimo atraída.
- Eu não me sinto atraído por ele. - ele fez uma careta.
- E você ainda acha que é gay? Qual é o seu problema? - revirei os olhos.
- Eu sinto ciúmes quando vejo vocês juntos, Rose. - ele falou olhando para o chão.
- Ciúmes? Já ouviu falar em ciúmes de amigo? - senti vontade de jogar ele da janela.
- Sempre acreditei que isso não existe.
- Minha vontade é te jogar da janela. - revirei os olhos - Você não é gay, ok? E, pra provar, eu te sugiro pegar pelo menos uma vez um cara na sua vida, pode ser até Scorpius! Pegue, se gostar, eu estou errada.
Ele olhou pra mim e levantou da cadeira.
- Acho que você já foi breve.
- É.
Ele riu sozinho e se virou, tentando controlar a risada. Ótimo saber que eu tenho cara de palhaça.
- Você realmente acha Scorpius uma versão menos sedutora e rica do Brad Pitt de vinte anos atrás? - ele não se controlou e soltou uma risada meio alta para os padrões da biblioteca - E que todo mundo quer fazer sexo com ele? Bem, todo mundo inclui você.
- Nunca repita isso. - revirei os olhos - E não me encha o saco.
Albus saiu. E eu não me sentia mais tão culpada.
Eu tomei um susto quando na aula de Herbologia Noah Hall sentou-se do meu lado. Mesmo. Eu nunca falei mais do que um 'oi' pra ele, por acaso quando ele estava com Lily, então ele sentar-se do meu lado e ainda me mandar um sorrisão digno de um lufo amigo era meio suspeito. Pra não falar completamente. Celeste do meu outro lado nem ousou falar.
- Olá, Noah. - repeti as exatas palavras que disse na primeira vez que falei com ele.
- Rose! - ele sorriu.
Eu tive quase certeza de que ele só não me abraçou porque estávamos sentados. E ele tem que agradecer, porque se ele me abraçasse tenho medo de que meu joelho pudesse entrar em um contato nada amigável com as bolas dele.
- Queria te pedir um favor...
Mas é claro! Revirei os olhos. Como eu não pensei nisso antes? Depois de Jill devia me lembrar que lufos não são tão legais quanto todos pensavam.
- Tem haver com a Lily, acertei?
- É! - ele agora não sorria tanto quanto antes - El-
Antes que ele pudesse terminar a professora chegou. Calamos a boca. Mas não me livrei totalmente, já que na saída ele veio falar comigo. E ele chegou tão perto que eu cheguei a cogitar mesmo que ele ia me abraçar, mas ele apenas começou a falar rápido.
- A Lily descobriu que eu estava vendo outra garota. - franzia a testa.
- Qual é o problema de você estar com outra agora que vocês terminaram?
- Não, mas eu estava vendo a outra antes de nós terminármos se você me ent-
- Seu cretino! - eu quase bati nele - Como você faz isso com a minha prima e ainda me conta? Qual é o seu problema? Eu juro que se algum dia alguém fizer isso comigo eu vou cap-
- SH! - ele tapou minha boca mesmo que só tivessem poucas pessoas no corredor - Eu só quero pedir um favor, por favor. Eu nunca mais te peço mais nada na minha vida, eu nunca mais te olho. Eu sempre achei você a mais razoável da família dela, por isso estou te pedindo isso.
- Com mais razoável você quer dizer que eu sou a única que não tem capacidade de te socar a cara. Mas eu tenho, só não vou porque sou civilizada. - resmunguei - Eu não acredito que vou fazer isso, mas a perspectiva de você nunca mais olhar na minha cara é muito tentadora. Que merda você quer?
- Quero saber se Lily descobriu quem era a garota que eu estava vendo. Por favor! Eu e ela já terminamos, mas ela disse que não queria que ninguém soubesse, ela sabia que isso podia arrumar problemas pra ela e-
- OK! - parei ele - Não quero saber seus motivos, apenas me dê até quarta-feira.
- Feito. - e ele me deu um abraço.
Meu joelho não entrou em contato com as bolas dele, mas eu dei um empurrão, deixando bem claro que não. Só não. Ele continuou sorrindo e se foi, me dando um 'tchau, até quarta'. Como se eu fosse me encontrar com ele... O máximo que eu vou fazer é mandar uma carta.
Revirei os olhos e percebi que Celeste tinha me deixado e ido fazer qualquer outra coisa. Ah, mas que ótimo.
Já que ainda faltavam uns bons minutos para a detenção com Malfoy, resolvi procurar Lily e acabar logo com essa palhaçada. Não foi difícil encontrar minha prima (não depois de perguntar para, pelo menos, umas cinco pessoas onde ela estava; Hogwarts é uma delícia nesse sentido.) Ela estava indo para a aula de poções, pelo que me disseram, e minha sorte foi que não é difícil achar um ponto laranja no meio de tantas pessoas.
- Lily! - eu chamei, mas ela não pareceu ouvir - Lily Luna Potter!
Finalmente ela se virou, sorrindo, com dois livros nos braços e uma bolsa no ombro. A franja que ela fez tanta questão de cortar para parecer com alguma famosa estava presa por uma tiara vermelha (ser grifinória era quase um estilo de vida) e ela estava naturalmente corada.
- Rose.
- E-eu queria te perguntar uma coisa que eu soube e... Fiquei preocupada. - sorri amarelo.
Se ela não fosse tão bobinha provavelmente perceberia que a chance de que eu vá me preocupar com ela a ponto de uma conversa é muito próxima a zero. Mas como é bom ter uma prima grifinória bobinha.
- Pode falar, mas fale rápido. Só tenho cinco minutos pra chegar nas masmorras.
- Ah, ta. - pensei rápido e comecei: - James Rosner disse pra Louise Bagder que disse para Lucille Henson que me contou que Noah estava vendo uma outra garota quando vocês ainda estavam namorando... Você... Está bem? Quer dizer, eu não ouvi falar que você matou ninguém, mas mesmo assim eu-
- Estou bem Rose, - Lily quase sorriu, ou talvez foi apenas imaginação minha - E ninguém morreu porque eu não descobri quem a vadia era. - ela murmurou - Mas eu acho que é melhor assim... Por enquanto. Era só isso? - ela sorriu.
- E-era. Bem, fico feliz que esteja superando ele, Noah não vale nada.
Ela se virou e foi para a aula de poções. Eu achei que minha mentira ia ficar meio óbvia, mas pelo visto Lily não desconfia que eu tenha inventado que todas aquelas pessoas tinham conversado até a informação chegar a mim. Ainda bem. Se não quem podia morrer era eu.
Ainda com alguns minutos até a detenção, eu fui até o corujal e enviei a resposta para Noah.
Noah,
Lily não faz a menor ideia de quem é a garota e pelo visto não se importa. Sorte. Como o prometido, não nos vemos mais.
R. Weasley
Você deve se perguntar por que eu ligo tanto pra essa história sendo que eu não ligo tanto para a Lily. É bem simples. Eu faria isso por qualquer garota. Qualquer garota traída por um idiota como Noah é alguém que eu vou ajudar.
Amarrei o bilhete em uma coruja e mandei entregar para Noah.
Problemas resolvidos, por enquanto.
Agora já devia estar na hora da detenção, entao eu fui o mais rápido que consegui para a biblioteca. Scorpius já estava lá.
- Está atrasada.
- Estava cuidando de assuntos pessoais. - murmurei.
- Claro que estava, mas onde paramos na última detenção?
E eu entendi onde ele queria chegar.
- Com a sua boca longe da minha e um de costas para o outro arrumando os livros. - engoli seco.
Ele sorriu provocador, mas não fez nada. Sentei de frente para uma prateleira e quando me virei pra ver o que ele fazia, vi que ele estava também sentado e de costas para mim. Melhor assim, certo?
- Estava cuidando de que assunto? - ele perguntou.
- Assuntos pessoais.
- O quão pessoais?
Me virei e olhei pra ele, que sorria. Estava fazendo de propósito.
- Minha prima e o namorado dela. - resmunguei.
- Não é ex? Ou a Potter continuou com um cara que traíu ela?
- Ex. Tanto faz. - revirei os olhos - E você sabia que ele estava traíndo ela?
- Toda Hogwarts. - ele deu de ombros.
- Não me contou por quê? - falei atirando um livro nele, que acertou bem o ombro.
Scorpius resmungou e jogou o livro em mim, acertando minha cabeça. Depois ele começou a rir.
- Não sabia que você queria saber.
- Não seja idiota! Ela é minha prima, qual é a dificuldade? Se eu soubesse podia ter falado com ela.
- Como se você ligasse pra sua prima.
- Como se você soubesse de alguma coisa.
- Não importa, mas o que você fez sobre isso? - ele disse arrumando um livro.
- Noah pediu pra eu descobrir se Lily sabia quem era a garota que ele ficou enquanto estava com minha prima. Eu descobri que ela não sabia e enviei uma carta pra ele avisando.
- Eu disse que você não ligava pra sua prima, ajudando o ex que traíu ela, que vergonha, Rose. - revirei os olhos.
- Só foi uma coisa idiota, e a possibilidade de ele ficar longe de mim era tentadora.
Scorpius riu.
- Mais ou menos a mesma coisa que aconteceu comigo e com Jeff Shuttle.
- Como foi isso? - perguntei me virando e começando a arrumar os livros.
Fiquei a detenção inteira ouvindo relatos dos amigos idiotas de Scorpius e das suas confusões enquanto nós ríamos. Até que não foi tão ruim, tirando que o incrível relato de como Frank Patton, um sonserino que já se formou, acabou com aqueles dedos de arbusto de um Tronquilho em um lugar nada agradável foi interrompido pela bibliotecária dizendo que a detenção tinha acabado.
- E como eles conseguiram tirar aquilo do nariz dele? - perguntei rindo enquanto saímos da biblioteca.
- Bem, isso eu vou deixar pra sua imaginação, Weasley, até amanhã. - ele sorriu.
- Ah, termine de falar!
Ele apenas sorriu e negou com a cabeça. Revirei os olhos, mas eu realmente tinha gostado de passar um tempo ouvindo os relatos idiotas dele. E antes que eu pudesse me controlar acabei beijando ele. Nada demais só encostei os lábios nos dele, mas isso já foi motivo para que eu saisse quase dali sentindo meu rosto arder.
Mas não saí rápido demais e ainda ouvi um risinho dele.
Teria demorado menos se o site não estivesse de putaria e não me deixasse postar. Sério, to a mais de duas semanas tentando postar! Mas I'm fuckin back now lol
O próximo sai semana que vem (12/04) ou vocês podem me matar. Se ainda existirem 'vocês' que lêem a fic.
