012 - Por Acaso Sentimentos
Eu sabia que ia ter que fazer uma total auto lavagem cerebral antes de poder falar com Scorpius de novo. Depois do maldito ato vergonhoso que eu fiz, isso significa beijá-lo, eu ia ter me convencer (e tentar convencer ele depois, é claro) de que não foi nada demais.
E realmente não foi. O ato em si foi banal. Era só um beijo, ora! Beijos hoje em dia são tão banais quanto um "boa tarde".
O grande problema é o que me levou a fazer isso e, por mais que eu quisesse negar e ainda esteja em negação, eu gostei. E teria gostado mais ainda se ele tivesse botado a mão na minha nuca e posto a língua na minha boca. Talvez também fosse bom se a outra mão dele fosse para a minha cintura e ele me apertasse contra ele. Minhas mãos estariam bagunçando o cabelo dele e...
Pare com isso, Rose!
Balancei a cabeça. A má notícia era que, normalmente, sempre que tinha alguma coisa que eu não entendia (sobre sentimentos, quadribol e outras coisas pelas quais eu não tenho nenhum interesse) eu perguntava para Celeste. Mas a situação é que, se eu perguntar o que me fez beijar Scorpius ela vai responder simplesmente:
- Ele é seu namorado e você gosta dele, Rose. Não é nenhum crime!
Depois ia rir.
Eu sei, eu sei. Você deve estar se perguntando porque eu via tanta coisa atrás de um beijo idiota.
Mas a questão não era só o beijo, como eu já disse. Era o que me fez fazer isso e, por Merlin, o que me está fazendo querer repetir isso. Várias e várias vezes até eu perder a conta.
Bufei e percebi que já estava na porta do meu Salão Comunal. Respondi a pergunta e entrei. A primeira coisa que eu percebi foi Celeste sentada conversando com dois garotos. Cheguei perto deles e sentei do lado da minha amiga.
- Já acabou a detenção? - ela perguntou ainda sorrindo pra mim.
- Já e se eu não me engano é hora do jantar. - é claro que antes disso eu mandei um sorrisinho pros garotos, em um cumprimento.
- Ah, é mesmo. - ela se levantou - Então vamos, tchau garotos.
É claro que ela disse aquela última parte com uma voz tão melosa quanto mel. Levantei e também dei tchau.
- Já desistiu de Albus? - perguntei meio mal.
Se Albus gostasse de garotas, Celeste me parecia uma ótima candidata. Seria bom ver minha amiga quieta em um relacionamento.
- Digamos que depois da festa eu fiquei mais motivada, mas vou esperar um pouco. Então, respondendo sua pergunta, não. Eu não desisti.
E como era bom ouvir isso.
Minha amiga conseguiu me fazer esquecer um pouco de toda a minha neurose durante o jantar quando, de cinco em cinco minutos, ela chamava minha atenção para o que ela estava falando e exigia uma resposta. A única coisa que nem Celeste conseguiu me deixar alheia foi aos olhares que Scorpius me lançava.
Ainda tentando ignorar segui com o jantar normalmente.
Foi quando no final do jantar eu lembrei de uma coisa... Sabe quando você para em um momento do seu dia e lembra de uma coisa que você devia ter feito muito tempo atrás, mas você se esqueceu (dã) e só se lembrou naquele momento estranho? Pois é. Aquele foi o meu momento estranho. Só agora eu me lembrei que meu livro continuava com Silas. O livro do dia ensolarado.
- Droga! - falei e revirei os olhos.
- O que foi? - Celeste perguntou do meu lado.
Eu podia até falar a verdade, mas se eu citasse o nome dele, Celeste ia chamar a Scotland Yard para me proteger. Então mentir me pareceu mais fácil.
- Ah, dever de poções!
- Você não tinha feito isso semana passada? - seria tão mais fácil se ela não fosse corvinal ou minha amiga.
- É, mas agora eu lembrei que eram vinte centímetros e eu só escrevi treze! Vou ter que refazer, não pretendo demorar muito, a biblioteca ainda fica aberta uma hora depois do jantar então...
- Ok, vai lá. - ela sorriu e saiu do Salão com o fluxo de alunos.
Respirei fundo e me virei para achar Silas. Não que fosse uma tarefa difícil. Ele era alto (demais), loiro e sempre estava rindo e fazendo movimentos excessivamente chamativos para um sonserino. Como eu disse, nada difícil encontrar ele. O maior problema era passar por esse mar de pessoas pra falar com ele.
- Silas! - só consegui falar com ele na porta de saída.
- Ei, Rose! - ele disse sorridente.
Peguei a roupa dele e puxei ele para fora daquele meio de pessoas.
- O que foi? - ele ainda estava sorridente.
- Meu livro! Eu quase esqueci, mas agora eu quero meu exemplar de volta!
Ele deu uma risada e bagunçou meu cabelo. O que botaram no suco desse garoto?
- Sem se estressar, Rosie. Ele está lá no meu dormitório, se importa de me acompanhar? - eu ainda fui obrigada a rir quando ele ofereceu o braço pra mim.
Ele era grande e meio magrelo (num bom sentido, nem muito bombado, nem muito sem graça), então tudo que ele fazia ainda tinha um toque desengonçado, mas fazia parte do charme dele.
- Não me importo, vamos? - dei o braço pra ele, que sorriu e começou a falar de como o jantar estava bom enquanto seguíamos para as masmorras.
Havia poucas pessoas nos corredores graças a Merlin, mas o pouco que tinha ainda nos lançava olhares. Eu parei na entrada do Salão Comunal dele, afinal, na minha cabeça eu ia esperar ali fora enquanto ele entrava e me trazia o livro, mas Silas parecia ter outros planos quando disse a senha e não me deixou parar de andar. Devia ser estranho alguém que não fosse da sua casa entrar no seu Salão Comunal, mas devia ser pior ainda quando ela entra rindo um pouco alto demais. Tapei minha boca, mas Silas disse outra idiotice e eu tive que voltar a rir.
Fomos em direção ao dormitório masculino e eu me senti a vontade quando entrei no quarto que ele dividia com outros garotos. Dois deles estavam lá e me olharam como se eu não devesse estar ali. Talvez eles estivessem certos.
- Ah, boa noite. - falei dando um tchauzinho e sorrindo.
Eles apenas acenaram com a cabeça.
- Lembro de ter guardado ele em algum lugar por aqui. - Silas dizia enquanto mexia nas suas coisas.
- Rápido, eu ainda tenho que voltar para o dormitório. - resmunguei.
Os garotos ainda me olhavam, o que me fez que devia ser raro uma sonserina aparecer ali e mais raro ainda uma corvinal.
- Aqui! - ele levantou o livro pequeno e com capa azulada.
Peguei da mão dele.
- Obrigada. - resmunguei - Até mais.
Saí do quarto dele e ele me acompanhou até a saída do salão.
- Sem recompensa? - ele perguntou risonho.
- Considerando que você sequestrou meu livro, não. - falei também risonha.
O que era estranho. Duas pessoas risonhas fora de um salão comunal depois do horário... É, eu me senti flertando com ele. O que foi estranho e me fez sentir culpada.
- Ora, Rosie...
- Posso te perguntar uma coisa? - interrompi ele e nem esperei por uma resposta - Scorpius disse que você estava irritado com ele porque ele conseguiu seu lugar no time e que você estava me usando como um meio de machucar ele. É verdade?
Estranhei a minha calma em perguntar aquilo, mas talvez fosse porque eu já sabia a resposta.
- Verdade. Mas eu já percebi que você não vai trair ele e que eu não estou disposto a obrigar você a isso, Rosie. Você é melhor do que eu pensei. Ainda amigos? - ele perguntou rindo e estendeu a mão.
Sorri de volta e apertei a mão dele. Bem, acho que devo encarar como um elogio, né?
- Amigos, mas se você sequestrar um livro meu de novo, vou ser obrigada a te azarar, Silas.
-o-
- Você não precisa ficar constrangida.
Muito mais fácil falar. Eu tinha idealizado a cena bem diferente. Na minha cabeça eu ia chegar calmamente, pedir desculpas e tudo ia ficar bem.
- Eu não estou constrangida.
Menti. Mas o problema é que tudo fica mais difícil quando está acontecendo. E eu mal conseguia abrir a boca sem ter que pegar uma quantidade de ar grande e repetir o que eu ia falar na minha mente milhões de vezes rápido tentando achar um duplo sentido ou algum erro.
- Não, só está completamente vermelha e olha para o chão como se tivesse algo muito interessante lá.
- Eu não estou vermelha.
Ao menos eu acho que não estava, mas agora era claro que eu devia estar tão vermelha quanto meu cabelo. Ele deu uma risada e botou os pés preguiçosamente em cima da mesa. Revirei os olhos. Ele era tão folgado quanto se podia ser.
- Eu não te culpo por ter me beijado, Weasley. Eu sei que sou irresistível.
Revirei os olhos, mas não consegui não rir quando ele começou a rir da sua própria brincadeira idiota. Tomei coragem e dei uma espiada no rosto dele. Como eu esperava, ele me olhava de volta. O maldito era bonito.
- Obrigada. - dessa vez quem desviou o olhar foi ele.
- Pelo o quê?
- Por quebrar o gelo com essa sua piadinha idiota. E também por não ficar me zoando por algo idiota que eu fiz.
Ele deu uma risada e se levantou da poltrona, o que era uma ótima ideia já que nós devíamos estar arrumando e consertando livros e não sentados conversando como se estivéssemos ali pra nada.
- Eu nem sei o motivo de estar fazendo isso, eu tinha planejado conversar com você sobre outra coisa, mas você estava tão travada que não dava. - ele sorriu e foi para o seu lugar de costume.
- Eu não estava travada.
- Ah, não. Estava constrangida.
- Talvez. - resmunguei e me levantei também - Mas o que você quer falar afinal?
- Por que você foi ao dormitório do Dixon?
- Pegar meu livro. Acredita que ele estava lá desde aquele dia que eu estava no jardim?
- E por que não esperou do lado de fora? - ele ignorou minha pergunta.
- Ah, Scorpius, faça-me o favor. Eu ia, mas ele me levou pra dentro, eu peguei o livro e voltei. Fim da estória. - revirei os olhos.
- Eu disse que-
- Se eu te traísse você faria bem pior. Eu não te traí. E ainda conversei com ele sobre o que você me disse, que ele só estava andando comigo pra eu trair você. Ele admitiu a verdade, mas pediu para continuar só meu amigo, se você quer saber. - eu sabia que eu estava com aquele tom "eu sou melhor que você, tolinho", mas não liguei.
- Por que devo acreditar em você? - ele perguntou.
Eu já tinha me virado e estava arrumando os livros.
- Porque sou sua namorada. - aquilo saiu sem pensar.
Foi automático. Eu já estava me intitulando a namorada dele! Oh, Merlin. Ficou um silêncio estranho ali e eu estava torcendo para magicamente a detenção acabar, mas apesar de estarmos em uma escola bruxa, isso não aconteceu.
- Você é minha namorada, então acho que eu posso ter uma crise de ciúmes. - eu não consegui evitar e me virei.
Meu rosto devia estar muito engraçado já que quando me viu ele abriu um sorriso.
- Devo presumir que essa é mais uma das suas brincadeiras para amenizar o clima depois de uma burrada minha, certo? - eu temia a resposta, mas não consegui não me sentir ansiosa para ouvi-la.
O que está acontecendo com você, Rose Weasley?
Ele não me respondeu nada, só continuou me olhando. E eu achava que aquilo era um não. Mas, como ultimamente eu não estava em sã consciência, resolvi ignorar o pedaço da minha cabeça que considerou aquele olhar um não.
Me virei lentamente e voltei a arrumar os livros.
É claro que eu devia continuar arrumando os livros e ignorar ele pelo resto da detenção, mas não consegui. Mal peguei um livro e me virei para ele, que ainda me olhava e sorria.
- Isso tem que acabar.
- Nosso namoro? - ele ainda sorria.
- Também, mas... - bufei e botei o livro no lugar.
Não sabia muito bem o que dizer, nem ao menos sabia se ele só estava brincando com isso ou se ele também... Se ele também gostava de mim.
Ah, droga. Eu gosto dele.
- Eu gosto de você. - falei olhando para um ponto acima da cabeça dele - Passei a gostar depois que você mostrou que não era um idiota completo. E é por isso que nós temos que terminar.
Eu sabia que ele estava me encarando porque mesmo olhando para um ponto acima dele eu tinha noção do seu rosto, então vi quando ele se levantou. Chegou uma hora que não consegui não olhar para ele, quando ele já estava muito perto.
- Então, veja se eu entendi: você gosta de mim e por isso quer terminar o namoro? - ele sorri.
Falando assim parecia bem idiota, mas eu tinha meus motivos! Se eu continuasse namorando com ele, eu provavelmente só ia gostar mais dele.
- É. - ele soltou uma risada - Mas falando assim parece algo idiota! A verdade é que quanto mais tempo nós namorarmos, mais eu vou gostar de você e-
- E você devia aproveitar esse tempo.
Eu não ia discutir com ele, não mesmo, não depois dele me beijar, você pode ter certeza que eu ia ficar caladinha. Tudo bem que ele só colou nossos lábios, o que fez uma pressão engraçada (por dentro e por fora). Depois ele se separou de mim, mas não muito, nossos narizes ainda se tocavam, mas era o suficiente para eu conseguir vê-lo sorrir.
- Espero que você tenha gostado disso, enquanto continuamos namorados você vai ter quantos desse você quiser. - ele disse e se virou para continuar o trabalho da detenção como se nada tivesse acontecido.
Eu não falei nada, apenas fiz o mesmo que ele.
Se antes eu pensava que Scorpius Malfoy não era um idiota tão grande, agora eu achava ele maravilhoso. E ainda gostava dele, por Merlin!
Como prometido, é dia 12 e aqui estou eu. Só mudei do dia 13 pro dia 12 porque é aniversário da Gigi Potter, então parabéns! :DD
A fic só deve ter mais dois ou três capítulos! YEEEEEEY /o/
Vou dar uma acelerada pra terminar ela na primeira (no máximo segunda!) semana de maio :D
Ah, e amei ver que ainda tinha gente lendo, de verdade *-*
